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Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia

27 de Abril de 2026, 12:46

Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.

O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.

“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.

Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.

A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.

O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.

“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”

Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.

O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.

A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Escolha de novo CEO da Apple indica preocupação maior com aparelhos como o iPhone
Lançamento da Apple, iPhone 17 – Foto: Getty Images

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.

Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.

As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.

Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.

O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.

O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.

O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

Tela de celular com ícones de apps: Facebook, Amazon, Netflix, Google.
Ícones do aplicativo Facebook, do aplicativo Amazon.com, do aplicativo Netflix Inc. e do aplicativo Google, uma unidade da Alphabet, aparecem em um smartphone iPhone da Apple nesta fotografia organizada em Londres, Reino Unido. Foto: Jason Alden/Bloomberg

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.

“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”

Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.

Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.

“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”

Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.

Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”

A Amazon decidiu gastar US$ 200 bilhões em IA e data centers — para o temor dos investidores

5 de Fevereiro de 2026, 19:22

A Amazon vai gastar US$ 200 bilhões neste ano em data centers, chips e outros equipamentos, o que preocupou investidores com a possibilidade de a aposta colossal da empresa em inteligência artificial pressionar os lucros enquanto ela espera os investimentos se pagarem.

As ações caíram cerca de 7% no after-market, após fecharem a US$ 222,69 em Nova York. O papel da Amazon acumulava queda de 3,5% no ano até o fechamento de quinta-feira (5).

Em 2025, o gasto ficou abaixo do esperado por analistas. A empresa informou ter gasto aproximadamente US$ 130 bilhões em propriedades e equipamentos em 2025. A expectativa do mercado era de que esses desembolsos chegassem a cerca de US$ 150 bilhões neste ano.

“Com uma demanda tão forte pelas nossas ofertas atuais e oportunidades transformadoras como IA, chips, robótica e satélites em órbita baixa, esperamos investir cerca de US$ 200 bilhões em despesas de capital em toda a Amazon em 2026 e antecipamos um forte retorno de longo prazo sobre o capital investido”, disse o CEO Andy Jassy em comunicado.

Lucro sob risco

O gasto deve pesar sobre o lucro, e a Amazon divulgou uma previsão de lucro operacional no trimestre atual entre US$ 16,5 bilhões e US$ 21,5 bilhões. Os analistas, em média, estimavam US$ 22,2 bilhões.

Microsoft e Alphabet, que divulgaram resultados mais cedo, também gastaram mais do que o esperado, fazendo suas ações recuarem em meio à crescente preocupação de que a demanda por serviços de IA não justifique desembolsos tão grandes.

A receita do Amazon Web Services (AWS), unidade de computação em nuvem da companhia, no quarto trimestre, cresceu 24%, para US$ 35,6 bilhões. O lucro operacional do AWS foi de US$ 12,5 bilhões.

“A reação negativa é resultado de aumentos maiores no capex do que na receita do AWS”, disse Gil Luria, analista da DA Davidson & Co. “Assim como no caso da Microsoft, os investidores estão preocupados porque os investimentos estão crescendo mais rápido do que os retornos, e porque Amazon, Google e Microsoft estão presas a uma escalada de expansão de infraestrutura que pode não dar certo para todas elas.”

Demissões e fim de outros negócios

Para compensar o peso dos gastos com IA, a Amazon reduziu investimentos em outras frentes. A empresa anunciou outra rodada de demissões em janeiro, elevando o total de cortes para cerca de 30 mil desde outubro — aproximadamente 10% da força de trabalho corporativa.

Fachada da loja Amazon Go com letreiros "Just Walk Out" e "No Lines. No Checkout". Pessoa passando com guarda-chuva.
Fachada de loja Amazon Go. Foto: Divulgação/Amazon

Também anunciou o encerramento de suas lojas de supermercado Fresh and Go. Vai se concentrar em expandir a rede de lojas Whole Foods Market e construir mais centros de distribuição para oferecer entrega de supermercado no mesmo dia.

A empresa também afirmou que está reduzindo o serviço Amazon One, que permitia que pessoas pagassem com a palma da mão. O sistema deixará de estar disponível em lojas de varejo a partir de 6 de junho, embora o serviço continue sendo usado em clínicas.

Investimento em IA é bolha? BTG elenca 16 motivos para defender que não

4 de Dezembro de 2025, 19:55

A demanda por cada vez mais poder computacional é o pilar da valorização das empresas de IA. E falou em IA, falou em “bolha” – algo que mais hora menos hora estoura.

É impossível saber se estamos ou não diante de uma. E sempre há a outra possibilidade: a de que os preços das ações simplesmente tenham alcançado um platô permanentemente elevado.

Essa é basicamente a conclusão de uma análise divulgada pelo BTG Pactual. Ela mostra que as grandes empresas do setor, a começar por Nvidia, Google e Microsoft, têm fundamentos sólidos, ou seja: margens saudáveis, baixa alavancagem e geração robusta de caixa.

Por outro lado, sempre vale lembrar a frase do economista americano Irving Fisher. Semanas antes do crash de 1929, o maior estouro de bolha da história, ele disse justamente que “os preços das ações atingiram um platô permanentemente elevado”. Não era o caso.

Seja como for, o BTG lista 16 motivos para acreditar que a revolução da IA tem características estruturais, e que o espaço para a expansão tecnológica e de infraestrutura ainda é vasto. Veja os pontos.

1. Ganhos de produtividade

Eles chegam a 1,3 ponto percentual por ano com a adoção rampante de IA, ou US$ 1,5 trilhão de produção global extra anual. É um choque de produtividade “amplo e duradouro”, de acordo com a análises e, mesmo com concorrência elevada e com o fracasso de algumas companhias com o passar do tempo, a tecnologia em si prospera.

2. Rentabilidade consistente nos investimentos em IA

Os investimentos na área não têm nada de especulativos: o US$ 1,2 trilhão por ano aplicado em infraestrutura – data centers, chips e redes – formam uma base de ativos de US$ 2,4 trilhões, que precisa gerar US$ 1,68 trilhão anuais em retorno para a economia global para dar lucro. Esse volume é, na visão do banco, plenamente compatível com o impacto de produtividade estimado por estudos independentes.

3. Margens mais elevadas

O receio de que a “bolha de IA” esteja se formando faz referência à “bolha ponto com” – a das empresas que, no final da década de 1990, foram superestimadas. A situação é diferente, segundo o BTG, porque as 10 maiores empresas do S&P 500 apresentavam margens líquidas de 17%, em média, naquela época, enquanto os atuais líderes têm 32%. Quer dizer: o ciclo de investimentos em IA é mais lucrativo e mais resiliente hoje.

4. Geração de caixa robusta

Lucro é uma demonstração contábil. Um dado mais sólido é o “fluxo de caixa livre”, o dinheiro que efetivamente sobra no caixa da empresa depois de todos os gastos a cada trimestre. Entre as empresas do S&P 500, ele é hoje de 3,5%. Ou seja, para cada US$ 100 que a empresa coloca no negócio, US$ 3,5 ficam no caixa. Isso é quase três vezes mais do que o período de 2000 a 2001. Em outras palavras: o ciclo atual das empresas é financiado por caixa real e não por dívidas excessivas.

5. Preços bem abaixo dos níveis da última bolha

O Nasdaq 100, índice que reúne as empresas americanas de tecnologia, é negociado entre 29 e 30 vezes o lucro, distante do nível de 44 vezes em 1999 e de 89 vezes em 2000. Você lê essa métrica da seguinte forma: considerando o preço atual, o mercado está disposto a pagar cerca de US$ 29 a US$ 30 por cada US$ 1 de lucro anual da empresa.

É, em resumo, um indicador para as expectativas de crescimento das companhias. Para o BTG, a precificação das ações das big techs hoje é “mais moderada” e também amparada por lucros muito maiores.

6. Líderes de mercado mais baratos do que no passado

Na bolha das ponto com, Cisco, Intel, Microsoft e outras eram negociadas entre 50 vezes a 70 vezes o lucro. Muitas superavam o nível de 100 vezes. Hoje, as gigantes de IA – Google, Nvidia, Meta, Microsoft de novo… – são negociadas entre 20 vezes e 35 vezes o lucro.

7. Capex financiado internamente

Só 46% do fluxo de caixa das empresas hoje é reinvestido, muito baixo dos 75% em 2001. Pode parecer um contrassenso avaliar positivamente empresas que estão investindo menos, mas a leitura do BTG é de que as companhias estão destinando seus recursos de forma mais equilibrada.

8. Alavancagem muito menor

As maiores empresas americanas operam com caixa líquido: a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, é de 0,3 vez. Essa relação é conhecida como alavancagem e indica quantos anos a empresa levaria para pagar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em geral, um indicador abaixo de 2x é um sinal de que a empresa está financeiramente saudável. Ou seja, 0,3x é um nível extremamente conservador.

9. Demanda firme e chips duráveis sustentam o ciclo da IA

A demanda por computação em nuvem e IA continua acelerando: os serviços AWS (da Amazon), Azure (da Microsoft) e Google Cloud voltaram a crescer entre 20% e 40% ao ano. Ao mesmo tempo, as GPUs – processadores especializados usados para treinar e operar modelos de IA – têm vida útil longa, de aproximadamente seis anos.

Isso significa que as gigantes globais de computação em nuvem têm receitas futuras mais previsíveis e conseguem extrair valor dos chips por um bom tempo, fortalecendo a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA.

10. A tecnologia está longe do seu potencial máximo

Os avanços recentes mostram que a IA ainda tem muito espaço para evoluir. A redução das alucinações, por exemplo, avança paulatinamente, mas ainda está longe do ideal. Isso indica que a tecnologia não está madura – e que a demanda por mais computação e novos modelos deve seguir crescendo.

11. O mercado de IPOs ainda é fraco

Nos últimos 12 meses, houve 56 IPOs no segmento de IA, contra 511 no auge da bolha das ponto com. Ou seja, o ciclo atual não mostra exuberância especulativa em novas emissões como já ocorreu no passado.

12. O mercado não está em euforia

Mesmo com toda a atenção sobre IA, o humor geral dos investidores ainda é negativo: o índice de “Medo e Ganância”, criado pela CNN, aponta para “Pessimismo Extremo” – próximo de 19 pontos, bem abaixo da linha neutra de 50. Isso significa que, apesar do avanço das empresas de IA, o mercado como um todo não demonstra um comportamento eufórico, nem demanda excessiva por ativos de risco, que é uma condição típica de bolhas. A postura predominante ainda é de cautela, não de entusiasmo.

13. O medo da bolha freia os excessos que poderiam levar a uma bolha

O BTG cita uma pesquisa recente do Bank of America. Ela mostra que 54% dos gestores profissionais creem estar vivendo uma bolha de IA. E isso é bom. Quando o medo de bolha cresce entre profissionais de mercado, os investidores tendem a reduzir posições arriscadas e a operar de forma comedida. Ou seja, paradoxalmente, o fato de muitos acreditarem que há uma bolha diminui a probabilidade de uma bolha clássica se formar, pois os próprios agentes atuam para evitar excessos.

14. O investidor de varejo também está cauteloso

O índice AAII Bull/Bear, que mede o sentimento do investidor individual americano, permanece em território negativo. Isso indica que o pequeno investidor, o primeiro a responder aos ciclos especulativos, não está otimista. A falta de entusiasmo tanto entre profissionais (item 13), quanto no varejo reforça que não há clima emocional típico de bolha.

15. Investimento em IA é pequeno quando comparado a grandes ciclos históricos

O BTG calcula que, hoje, os investimentos em data centers de IA representam 1,3% do PIB. Há quem diga que estão construindo demais. Só que talvez não. Data center é o que há de mais moderno em infraestrutura. Nos momentos do passado em que o hype de infra era a construção de ferrovias, gastava-se muito mais: até 6% do PIB.

16. Queda de juros favorece teses de longo prazo

Juros menores tornam mais valioso cada dólar de lucro futuro. Quando os juros caem, os investidores calculam que o valor presente dos lucros que as empresas vão gerar no futuro é maior. Isso beneficia especialmente negócios cujo potencial econômico está mais avançado, como as empresas de IA, que investem muito agora para colher resultados maiores nos próximos anos.

Apple, Microsoft, Amazon… 5 dos BDRs das 7 Magníficas estão no negativo em 2025

19 de Novembro de 2025, 06:00

É um massacre. Enquanto o Ibovespa sobe 30% no ano, o grosso dos BDRs das sete companhias mais valiosas dos EUA amargam quedas. Em alguns casos, duras quedas. 

BDRs, vale lembrar, são “recibos” de ações gringas. Você negocia na B3 em reais, como se fossem papéis brasileiros. E eles refletem a variação das ações para valer, aquelas negociadas em Nova York.

Esses papéis também flutuam ao sabor do câmbio – já que ações americanas são precificadas em moeda americana, lógico. As quedas do dólar puxam os BDRs para baixo. E haja queda. No ano, as notas verdes cedem 15,5%. E o cenário que temos é o seguinte: 

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O tombo da moeda americana cria distorções interessantes. A Alphabet vai bem, obrigado – até a Berkshire, que não tem comprado quase nada, fez uma fezinha de US$ 5 bilhões na dona do Google. A alta, na bolsa americana, é de 50,1% ano ano. Em reais, porém, a alta se restringe a 26,4%. 

A Nvidia, rainha da IA, também segue testando limites, você sabe. Em julho, virou a primeira empresa a romper a barreira dos US$ 4 trilhões em valor de mercado. No final de outubro, inaugurou o patamar dos US$ 5 trilhões. Desde lá, Nvidia cai 12% (US$ 600 bilhões) – e o termo “bolha da IA” entrou de vez para o léxico popular do planeta. Mesmo assim, ela ainda sobe 35% no ano. Em reais, perém, a alta é menos gráfica: 14,5%.

E daí para baixo é todo mundo debaixo d’água: Microsoft (-0,8%), Apple (-8%), Meta (-13,8%) Amazon (-14,1%), Tesla (-17,2%). 

Mas o dólar não é o único vilão, claro. À parte a Microsoft, que sobe razoáveis 17,1% em sua moeda natal, o cenário é modorrento, com Apple abaixo dos 10%; e Amazon, Meta e Tesla praticamente no zero a zero. Aqui:

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Não é novidade: tem crescido entre investidores a percepção de que a bolsa americana está cara. E na letra fria dos dados está mesmo.

Sabe-se se uma bolsa está cara quando você olha o P/L (preço sobre lucro). Você soma o valor de mercado de todas as empresas do índice e divide pelo lucro que elas deram nos últimos 12 meses.

Se essa divisão dá 10, por exemplo, significa que as empresas valem, na média, 10 anos do lucro que elas propiciam hoje. Quanto dá o do S&P 500? 27,6. É mais do que a média dos últimos 10 anos, 22,8. E bem mais do que série de longo prazo (desde 1950), de 19. 

No Brasil é o contrário. P/L de 8,6, contra uma média maior, de 10,5, para os últimos 20 anos.

Em outros países emergentes, a situação é parecida. E tal como o Brasil eles têm recebido mais dinheiro de fora. Tanto dinheiro que as bolsas de alguns países latino americanos estão até mais exuberantes do que a nossa no ano: 

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Mas o fato é que os movimentos de mercado e de câmbio se retroalimentam. Quando cresce o fluxo de dólares para as bolsas dos emergentes, aumenta a oferta de dólares nesses países. E a moeda americana desvaloriza. É justamente o que está acontecendo: 

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Seja como for, a negociação de BDRs é relativamente pequena na B3. Um levantamento da Quantum Finance mostra que as Mag 7 movimentam algo entre 100 mil e 200 mil negócios por dia. Trata-se de um patamar equivalente ao de empresas brasileiras menos expressivas, que ficam de fora do ranking das 100 mais negociadas.

Jeff Bezos volta à cadeira de presidente ao assumir a startup Project Prometheus

17 de Novembro de 2025, 14:24

Jeff Bezos assumirá o cargo de codiretor executivo de uma nova startup de inteligência artificial voltada para aplicações industriais e aeroespaciais, informou o New York Times na segunda-feira (17). A empresa, batizada de Project Prometheus, já arrecadou US$ 6,2 bilhões em financiamento — parte dele investida pelo próprio fundador da Amazon —, tornando-se uma das startups em estágio inicial mais bem capitalizadas do mundo, segundo três fontes ouvidas pelo jornal.

A iniciativa marca o retorno de Bezos a um cargo operacional formal desde que deixou a presidência-executiva da Amazon, em julho de 2021. Embora esteja profundamente envolvido com a Blue Origin, sua empresa espacial, Bezos detém ali apenas o título de fundador.

Com o Project Prometheus, o bilionário entra de vez em um mercado de inteligência artificial cada vez mais competitivo, dominado por gigantes como OpenAI, Meta, Google e Microsoft, enquanto dezenas de startups disputam espaço com produtos e modelos próprios.

O novo empreendimento será comandado por Bezos em parceria com Vik Bajaj, físico e químico que já trabalhou de perto com Sergey Brin no laboratório de inovação do Google, conhecido como X (antigo Google X).

Segundo o The New York Times, o jornal norte-americano, o Project Prometheus já contratou cerca de 100 pesquisadores vindos de empresas de IA, como OpenAI, DeepMind e Meta, em meio a uma acirrada disputa global por talentos.

A tecnologia em desenvolvimento da startup é direcionada a aplicações de IA para engenharia e produção em setores como informática, indústria automotiva e aeroespacial — áreas alinhadas ao interesse de longa data de Bezos em acelerar o acesso humano ao espaço. Ainda não está claro onde a startup está sediada nem quando exatamente foi fundada, já que a empresa manteve um perfil discreto até agora.

Vida de Bezos

Desde que deixou o comando da Amazon, Bezos tem dividido os holofotes entre seus negócios e sua vida pessoal — incluindo um casamento repleto de celebridades em Veneza neste ano. Ele também intensificou seu envolvimento com a Blue Origin e ampliou seus investimentos no setor de IA. Segundo a CNBC, todos os aportes feitos em 2024 pela família Bezos, por meio da gestora Bezos Expeditions, foram direcionados a empresas de inteligência artificial.

O lançamento do Project Prometheus ocorre em um momento de forte pressão por mão de obra especializada. Grandes empresas de tecnologia vêm oferecendo salários recordes e bônus milionários para atrair cientistas de IA — alguns chegando a valores de US$ 100 milhões. O mercado continua marcado por uma rotatividade intensa, com talentos migrando entre OpenAI, Meta, Google e startups emergentes.

Mesmo diante de uma competição bilionária, o Project Prometheus desponta como um novo peso pesado. Com US$ 6,2 bilhões já captados, a empresa tem margem para adquirir poder computacional escasso, atrair pesquisadores de elite e desenvolver conjuntos de dados proprietários difíceis e caros de produzir em ambientes industriais, segundo especialistas ouvidos pelo Times.

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Amazon busca US$ 12 bilhões em primeira emissão de dívida nos Estados Unidos em três anos

17 de Novembro de 2025, 11:55

A Amazon está tentando levantar cerca de US$ 12 bilhões por meio de uma emissão de dívida — seu primeiro negócio desse tipo em dólares norte-americanos em cerca de três anos — em meio a uma corrida generalizada no setor para construir infraestrutura de inteligência artificial.

A Amazon está vendendo títulos de grau de investimento em até seis tranches, segundo pessoas com conhecimento do assunto, que pediram anonimato ao discutir detalhes privados. As discussões iniciais de preço para a parte mais longa do acordo, um título de 40 anos, apontam para um prêmio de cerca de 1,15 ponto percentual acima dos Treasuries, acrescentaram as fontes.

Goldman Sachs, JPMorgan Chase & Co. e Morgan Stanley estão coordenando a venda dos títulos. Os recursos da oferta podem ser usados para tudo — de aquisições e investimentos em capital a recompra de ações, disseram as fontes.

A venda desta segunda-feira ocorre após a Alphabet, controladora do Google, ter vendido no início do mês US$ 25 bilhões em títulos nos EUA e na Europa. A Meta Platforms vendeu US$ 30 bilhões em títulos corporativos no mês passado, a maior oferta do tipo no ano. Enquanto isso, a Oracle vendeu US$ 18 bilhões em títulos de alto grau em setembro.

A onda de emissões das empresas de tecnologia ajudou a impulsionar a emissão global para um recorde de mais de US$ 6 trilhões neste ano. O JPMorgan Chase prevê que a nova enxurrada de gastos para financiar investimentos em inteligência artificial levará o mercado de títulos de grau de investimento dos EUA a um recorde de US$ 1,81 trilhão no próximo ano.

A Amazon é a maior fornecedora mundial de computação em nuvem, essencial para alimentar sistemas de inteligência artificial. Assim como suas maiores rivais, a empresa vem investindo pesadamente em data centers e chips para construir e operar modelos de IA capazes de gerar textos ou imagens e automatizar processos. Os investimentos da Amazon em capital subiram 61%, alcançando US$ 34,2 bilhões no terceiro trimestre.

A capacidade energética da rede de data centers da Amazon dobrou desde 2022, e o CEO Andy Jassy afirmou que espera que ela dobre novamente até 2027. No início deste mês, a unidade de nuvem da empresa assinou um acordo de US$ 38 bilhões para fornecer à OpenAI acesso a centenas de milhares de GPUs da Nvidia como parte de um contrato de computação de sete anos.

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Amazon deve demitir até 30 mil funcionários administrativos

27 de Outubro de 2025, 16:34

A Amazon está planejando cortar até 30 mil empregos corporativos a partir de terça-feira (28), enquanto a empresa trabalha para reduzir despesas e compensar contrações ocorridas no pico de demanda gerada pela pandemia, de acordo com três fontes familiarizadas com o assunto.

O número representa uma pequena porcentagem do total de 1,55 milhão de trabalhadores da Amazon, mas quase 10% dos cerca de 350 mil funcionários administrativos da empresa.

Isso representa o maior processo de demissão na Amazon desde que cerca de 27 mil pessoas foram dispensadas da empresa no final de 2022.

O porta-voz da Amazon não comentou o assunto.

A informação, antecipada pela Reuters, acontece três dias antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Amazon, que será nesta quinta-feira (30).

Segundo a Bloomberg, entre 2022 e início de 2023, o CEO Andy Jassy buscava cortar custos após a rápida expansão da empresa durante a pandemia. De lá pra cá, houve um fluxo constante de cortes, porém mais modestos.

A Amazon não respondeu imediatamente a um pedido de entrevista.

Mais IA, mais demissões na Amazon

Em junho, Jassy sinalizou que a força de trabalho da Amazon provavelmente diminuiria à medida que a empresa aumentasse o uso de inteligência artificial para concluir tarefas normalmente realizadas por pessoas.

O comentário gerou pânico entre os trabalhadores, que vasculharam salas de bate-papo anônimas online em busca de informações sobre possíveis cortes de empregos, que muitas vezes vazam.

“Precisaremos de menos pessoas realizando algumas das tarefas que estão sendo realizadas hoje e de mais pessoas realizando outros tipos de trabalho”, escreveu Jassy em um memorando aos funcionários. “É difícil saber exatamente onde isso se refletirá ao longo do tempo, mas, nos próximos anos, esperamos que isso reduza nossa força de trabalho corporativa total, à medida que obtivermos ganhos de eficiência com o uso extensivo de IA em toda a empresa.”

A empresa também ordenou que alguns funcionários administrativos se aproximassem de seus gerentes e equipes.

Os trabalhadores foram orientados a se mudar para cidades como Seattle; Arlington, Virgínia; e Washington, D.C., o que, em alguns casos, exigiria que se mudassem para o outro lado do país, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação.

Fundador da Amazon vê bolha da IA, mas aposta em legado para a sociedade

3 de Outubro de 2025, 10:41

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, disse que os gastos com inteligência artificial se assemelham a uma “bolha industrial” que pode levar à perda de investimentos. Por outro lado, Bezos acredita que a IA vai trazer benefícios para a sociedade.

“Quando as pessoas ficam muito entusiasmadas, como acontece hoje com a inteligência artificial, tudo recebe dinheiro. Todo experimento é financiado, toda empresa é financiada. Isso vale para as boas e as más ideias”, disse Bezos. “Os investidores têm dificuldade em distinguir entre tantos projetos.”

“Ainda assim, a IA vai mudar todos os setores e melhorar a produtividade”, disse ele na Semana Italiana de Tecnologia em Turim, nesta sexta-feira (3).

“O que está acontecendo atualmente é uma bolha industrial semelhante à bolha da biotecnologia na década de 1990, quando empresas faliram e investidores perderam dinheiro, mas conseguimos alguns medicamentos que salvaram vidas”.

Bezos também apontou a bolha das pontocom como um período de investimento efervescente que beneficia o mundo hoje.

‘Tenha visão de longo prazo’, diz fundador da Amazon

As empresas que desenvolvem IA, bem como a tecnologia em torno dela, como data centers e chips, estão recebendo enormes quantias de financiamento. Os chamados provedores de neocloud, que fornecem às grandes empresas de tecnologia poder computacional extra e acesso a chips especializados para executar IA, estão sendo financiados antes mesmo de construírem a infraestrutura.

O entusiasmo em torno da IA ​​e seu potencial levou a enormes avaliações para essas empresas.

Uma empresa da BlackRock está em negociações para comprar a Aligned Data Centers em um acordo que pode ser avaliado em cerca de US$ 40 bilhões, informou a Bloomberg News nesta sexta.

A OpenAI, fabricante do ChatGPT, tornou-se a empresa privada mais valiosa, com uma avaliação de US$ 500 bilhões em uma recente venda secundária de ações.

Alguns investidores alertaram sobre a quantidade de dinheiro investido em empresas do ecossistema de IA. O diretor de investimentos da GIC disse nesta semana que uma “bolha de hype” está se formando, especialmente em investimentos de risco em IA em estágio inicial.

O que fazer?

Para o fundador da Amazon, é preciso ter uma visão de longo prazo.

“Quando a poeira baixar e você vir quem são os vencedores, a sociedade se beneficiará dessas invenções”, disse ele. “Os benefícios da IA ​​para a sociedade serão gigantescos.”

Amazon isenta vendedores de taxa logística e aquece ainda mais disputa com Mercado Livre e Shopee

1 de Outubro de 2025, 12:44

A Amazon anunciou na noite desta terça-feira (30) uma das medidas mais agressivas de sua operação no Brasil: a isenção de todas as tarifas logísticas do modelo de fulfillment para todos os vendedores. Nesse modelo, todo o processo logístico é sob responsabilidade da plataforma: é a Amazon que guarda o estoque do vendedor, separa o pedido e faz a entrega. A plataforma também vai isentar taxas cobradas sobre pedidos de novos sellers que aderirem ao serviço. 

A iniciativa vale até 3 de dezembro, com possibilidade de prorrogação por dois meses caso os vendedores também aumentem gastos com publicidade e adesão ao fulfillment.

Segundo o Itaú BBA, o movimento “representa uma das manobras mais agressivas da Amazon até hoje, destacando sua determinação em ganhar escala significativa no Brasil e disputar de igual para igual com o MELI e a Shopee.” Dias antes, a Bloomberg noticiou que a Amazon tinha investido US$ 25 milhões na plataforma de delivery Rappi, o que sugere o interesse em ampliar sua presença na última milha. 

Para o banco, a competição no e-commerce brasileiro está chegando ao ponto mais implacável. Com penetração online ainda baixa — cerca de 14% a 15% das vendas totais — há espaço para o crescimento de Amazon, Mercado Livre e Shopee, mas a consequência deve ser pressão sobre as margens: “o que parece incontestável é que a lucratividade marginal tende a cair conforme as pressões competitivas aumentam.”

Diante da notícia, as ações do Mercado Livre registraram a pior sessão desde novembro. O papel recuou 6,8% nesta quarta, para US$ 2.176,91. Isso após uma baixa de 6,6% no pregão anterior, com a companhia perdendo US$ 16,4 bilhões em valor de mercado desde segunda-feira.

A estratégia da Amazon se apoia em três pilares: sortimento, velocidade e preços. A companhia ainda é considerada frágil em variedade de produtos e base de sellers, por isso o incentivo para que vendedores armazenem estoques em seus centros de distribuição. Ao mesmo tempo, investe para reduzir o tempo de entrega e aproximar sua operação da capilaridade do Mercado Livre.

Fontes do setor citadas pelo Itaú BBA indicam que a Amazon está disposta a investir até US$ 25 bilhões no Brasil nos próximos 3 a 5 anos em investimentos. No quesito preços, a empresa tem adotado postura mais agressiva, igualando rivais em diversas categorias e ampliando o uso de cupons direcionados.

O Mercado Livre, que tem operação no país cerca de três vezes maior que a da Amazon, já havia anunciado mudanças em sua política de frete grátis para pedidos mínimos de R$ 19 em junho, numa resposta a essa disputa do e-commerce. 

Agora, o Itaú BBA avalia que a empresa pode ser forçada a espelhar as condições mais recentes da rival, sacrificando margens de curto prazo para defender sua liderança.

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