A escalada da guerra conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã já começa a provocar efeitos diretos na economia global. Nesta sexta-feira (6), o petróleo do tipo Brent superou a marca de US$ 90 por barril, nível que não era registrado desde outubro de 2022.
Naquele período, o preço havia alcançado picos de até US$ 116 após a crise energética provocada pela invasão russa da Ucrânia. Agora, a alta está ligada ao risco de interrupção no fornecimento de energia no Oriente Médio, uma das principais regiões produtoras do mundo.
O foco das preocupações está no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo exportado pelos países do Golfo.
Segundo analistas do setor energético, cerca de um terço do petróleo global é produzido na região. Os países do Golfo também respondem por aproximadamente 17% da produção mundial de gás natural.
O ministro de Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou que um bloqueio prolongado da rota poderia levar o barril a US$ 150. Na avaliação dele, um cenário desse tipo teria potencial para provocar forte impacto econômico global.
Relatos do setor marítimo indicam que centenas de petroleiros permanecem parados na região, diante das ameaças iranianas contra embarcações que atravessem o estreito.
Analistas apontam que o impacto sobre os preços dependerá da duração da crise. Uma alta breve tende a ser absorvida pelos mercados, mas um impasse de semanas ou meses pode provocar nova pressão inflacionária global, com reflexos em combustíveis, energia e transporte.
Interceptações e alertas em Israel
Enquanto os mercados acompanham os efeitos econômicos da guerra, os confrontos militares continuam na região.
As IDF (Forças de Defesa de Israel) afirmaram ter detectado novos mísseis lançados pelo Irã em direção ao território israelense. Segundo os militares, sistemas de defesa foram acionados para interceptar os projéteis.
O Comando da Frente Interna também enviou alertas para celulares em áreas consideradas de risco, orientando moradores a procurar abrigos.
EUA discutem produção de armamentos
Em meio à intensificação da campanha aérea, Donald Trump se reuniu nesta sexta-feira com executivos de grandes empresas do setor de defesa dos Estados Unidos, incluindo Lockheed Martin, Boeing, Honeywell e L3Harris.
De acordo com a Casa Branca, o encontro havia sido planejado antes do início dos bombardeios contra alvos iranianos. Ainda assim, o volume de armamentos utilizados no conflito aumentou a urgência das discussões sobre produção e reposição de estoques.
Especialistas em defesa apontam que campanhas aéreas prolongadas podem exigir grande volume de munições e sistemas de defesa antimísseis, especialmente diante das respostas militares iranianas.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos possuem estoques suficientes para manter as operações militares.
“O Exército dos Estados Unidos tem munição e equipamentos suficientes para continuar as operações”, declarou.
Evacuações de cidadãos continuam
Autoridades dos Estados Unidos afirmaram que quase 24 mil cidadãos norte-americanos já retornaram ao país desde o início da guerra.
Segundo o Departamento de Estado, novos voos continuam sendo organizados conforme as condições de segurança permitem. O número não inclui pessoas que deixaram a região por rotas terrestres ou que seguem em trânsito por outros países.
Trump afirmou anteriormente que milhares de cidadãos estão sendo retirados do Oriente Médio de forma “discreta e organizada”.
Irã relata danos ao sistema de saúde
O porta-voz Hossein Kermanpour declarou que 200 mortos têm menos de 18 anos, incluindo um bebê de oito meses. Entre os feridos, 552 também são menores de idade.
Já o Ministério da Saúde do Irã afirmou que mais de 2 mil pessoas estão hospitalizadas em decorrência dos ataques. Oito profissionais de saúde morreram e 11 hospitais foram atingidos desde o início da guerra.
Os Estados Unidos negam ter como alvo civis. Israel afirma que atinge “estruturas militares com ataques de precisão” e acusa o Irã de realizar ataques contra áreas civis.
A verificação independente de informações no território iraniano no entanto é bastante limitada, pois jornalistas estrangeiros enfrentam restrições para atuar no país.
Impactos em transporte, energia e internet
A guerra também começa a afetar rotas logísticas e comunicações na região.
A empresa de transporte marítimo Maersk suspendeu serviços entre o Extremo Oriente, o Oriente Médio e a Europa após revisar riscos de segurança na região.
No Curdistão iraquiano, autoridades informaram que a produção em um campo de petróleo operado por empresa dos Estados Unidos foi interrompida após ataque com drones.
O diretor da Agência Internacional de Energia alertou que uma interrupção nas exportações de gás iraniano pode aumentar a disputa por gás natural liquefeito entre Europa e Ásia, pressionando preços.
Dentro do Irã, a interrupção da internet também estimulou um mercado paralelo de redes privadas virtuais. Moradores relatam conexão instável, custos elevados de acesso e dificuldades para enviar fotos e vídeos para o exterior.
Líbano enfrenta agravamento da crise humanitária
No Líbano, ataques israelenses continuam em Beirute e no sul do país, com alvos que Israel afirma estarem ligados ao Hezbollah.
O Ministério da Saúde libanês informou que 217 pessoas morreram e 798 ficaram feridas desde o início da nova fase do conflito.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que centenas de milhares de pessoas deixaram suas casas.
Moradores relatam congestionamentos nas ruas da capital libanesa, praças ocupadas por deslocados e famílias dormindo em carros ou tendas improvisadas. Israel segue orientando moradores a abandonar áreas próximas a posições atribuídas ao Hezbollah.
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