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Fitch projeta sobreoferta de petróleo em 2027 e alta no gás à revelia de acordo de paz no Irã

23 de Setembro de 2026, 16:33

A Fitch Ratings revisou para cima suas estimativas para o preço do barril de petróleo em 2027 e aumentou as projeções para o gás natural europeu Dutch TTF (referência para o continente) referente a 2026 e 2027, impulsionada pelas tensões com o Irã e seus reflexos nas rotas logísticas de energia. Em relatório divulgado na terça-feira, 22, a agência reforçou que o mercado global de petróleo deve entrar em um ciclo de excesso de oferta a partir do quarto trimestre de 2026, culminando em um “superávit material” em 2027, cenário que tende a pressionar as cotações para baixo, embora um prêmio de risco geopolítico continue embutido nas análises.

Para 2026, a Fitch manteve a previsão do Brent em US$ 87 (R$ 465,45) por barril, alinhada às expectativas anteriores. A instituição recordou que os preços chegaram a recuar para a faixa de US$ 70 (R$ 374,50) em meados de junho, após Estados Unidos e Irã firmarem um memorando de entendimento para encerrar as hostilidades, permitindo que o tráfego pelo Estreito de Ormuz recuperasse 75% dos volumes normais. Contudo, em setembro, a retomada dos conflitos e a paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita — principal via alternativa que contorna o estreito — empurraram a média do Brent de volta para cerca de US$ 100 (R$ 535,00) por barril no mês. A expectativa é de alívio nos preços assim que essa rota saudita voltar a funcionar.

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Mesmo projetando um mercado superavitário no final de 2026, a Fitch elevou de US$ 65 (R$ 347,75) para US$ 70 (R$ 374,50) a projeção do Brent para 2027, incorporando o fator de risco geopolítico. O novo modelo considera que uma solução definitiva entre Teerã e Washington só ocorra no primeiro trimestre do próximo ano, mantendo o alerta para eventuais escaladas de menor intensidade.

Segundo a agência, o escoamento contínuo de 10 milhões de barris diários por Ormuz permanece viável mesmo sem um tratado de paz oficial. Combinada a oleodutos terrestres na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, essa capacidade alternativa preserva cerca de 90% do fluxo pré-guerra. Dados da Opep mostram que, em agosto, a produção emiradense atingiu 111% do patamar anterior ao conflito, enquanto a oferta saudita ficou em 75%. Nações sem rotas alternativas, como Kuwait e Iraque, retomaram 76% e 87% de suas produções, respectivamente. A Fitch destaca ainda que os Emirados estão construindo um segundo oleoduto para desviar de Ormuz, com previsão de duplicar a capacidade de exportação alternativa até meados de 2027.

Caso haja um aperto severo no Estreito de Bab al-Mandeb, a Fitch avalia que os impactos podem ser amenizados com o desvio de cargas pelo Canal de Suez e pelo oleoduto SUMED. Para 2027, o excedente de oferta é dado como certo “independentemente” de um pacto de paz (embora um acordo pudesse ampliar o superávit), apoiado pela expansão produtiva fora do Oriente Médio, liderada por EUA, Canadá, Brasil, Argentina e Guiana , que deve crescer 1,5 milhão de barris por dia em 2026 e mais 1 milhão em 2027.

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No lado da demanda, a agência calculou uma “destruição” de consumo de aproximadamente 5 milhões de barris diários no segundo trimestre de 2026, com a Ásia respondendo por quase dois terços do recuo e a indústria petroquímica por cerca de metade. A China registrou a maior baixa individual, de 1,5 milhão de barris por dia no período, embora a Fitch espere uma recuperação gradual da demanda global até o final do ano.

No segmento de gás natural, as projeções para o Dutch TTF foram elevadas em resposta às interrupções nos carregamentos de GNL via Ormuz, rota que respondia por 20% do abastecimento mundial antes do conflito. A agência observa que os inventários de gás da União Europeia estão em dois terços da capacidade total: um volume seguro para passar o inverno no Hemisfério Norte, mas inferior à faixa de 80% a 90% registrada no mesmo período entre 2022 e 2025. Já a estimativa para o Henry Hub permaneceu inalterada, devido à restrição de capacidade ociosa de liquefação nos Estados Unidos.

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Coreia do Sul estabelece meta para reduzir importações de petróleo do Oriente Médio até 2035

23 de Setembro de 2026, 16:20

A Coreia do Sul estabeleceu como meta reduzir de forma significativa sua dependência de petróleo bruto importado do Oriente Médio, em uma estratégia voltada à diversificação dos fornecedores e à redução da exposição a riscos geopolíticos. As metas foram divulgadas nesta quarta-feira (23) pelo Ministério da Indústria sul-coreano.

Em 2025, aproximadamente 70% do petróleo importado pelo país, descrito no texto como a quarta maior economia da Ásia, teve origem no Oriente Médio. O governo pretende reduzir essa participação para menos de 50% até 2035. Para o gás natural, a meta é manter abaixo de 30% a parcela proveniente da região no mesmo ano.

Segundo o governo sul-coreano, os conflitos no Oriente Médio evidenciam os riscos associados à concentração das cadeias de suprimento de energia. De acordo com o Ministério da Indústria, uma interrupção desses fluxos pode ameaçar tanto a atividade industrial quanto a vida da população durante períodos de crise.

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O ministério também relacionou as interrupções no Estreito de Ormuz à guerra prolongada no Irã. Considerado no texto uma rota crucial para o transporte global de energia, o estreito foi utilizado em 2025 para a passagem de 61% das importações de petróleo da Coreia do Sul, segundo comunicado da pasta.

A estratégia do governo inclui ainda o aumento da capacidade de armazenamento de petróleo bruto. A previsão é acrescentar 20 milhões de barris aos estoques até 2030.

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Mediadores tentam salvar esforços diplomáticos após ataques entre EUA e Irã

11 de Julho de 2026, 08:51

Mediadores estão tentando salvar os esforços diplomáticos que visam colocar um fim à guerra no Oriente Médio, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar o fim do cessar-fogo. Diante do cenário de crise, uma delegação do Catar viajou ao Irã, enquanto o principal diplomata de Teerã se deslocou até Omã.

A troca de ataques ocorrida nesta semana abalou um acordo que já era frágil, desenhado para abrir caminho para o fim definitivo do conflito.

A guerra teve início no fim de fevereiro, marcada por bombardeios massivos dos EUA e de Israel contra o território iraniano.

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Embora Teerã e Washington não mantenham conversas diretas desde o mês passado, a mídia iraniana informou que a delegação do Catar, país que atua como mediador, esteve no Irã na sexta-feira. A visita ocorreu após Trump afirmar que as negociações continuariam, apesar de o presidente americano tê-las classificado anteriormente como “uma perda de tempo”.

“A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as ‘conversas’. Nós concordamos em fazer isso, mas os Estados Unidos declararam a eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo ACABOU!”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social. Em uma postagem posterior, o presidente elevou o tom da retórica, ameaçando “dizimar completamente” o Irã caso o país tente assassiná-lo.

Neste sábado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou a Omã, país que mediou as negociações entre EUA e Irã antes do início do conflito. A pauta das conversas se concentra na situação crítica do Estreito de Ormuz.

O impasse do Estreito de Ormuz e as sanções

O Estreito de Ormuz tem sido um dos principais pontos de discórdia nas negociações com Washington. Araghchi insistiu que o Irã cumpriu sua parte no acordo, afirmando que Teerã “até agora manteve sua palavra, ao contrário do chamado Secretário do Tesouro dos EUA, que está violando o Parágrafo 9 do MdU [Memorando de Entendimento]”.

O trecho citado faz parte do memorando de entendimento entre EUA e Irã, que estabelece que Washington “não imporá novas sanções e não desdobrará forças adicionais na região” enquanto um acordo final estiver pendente.

No entanto, nesta semana, o Departamento do Tesouro dos EUA revogou uma isenção temporária de sanções ao petróleo iraniano, cancelando uma licença anunciada em junho que permitia a Teerã produzir, vender e entregar petróleo bruto e produtos derivados até o dia 21 de agosto.

“Essa violação segue outras violações e erros dos Estados Unidos. Choque de realidade: só pode haver conformidade mútua”, declarou Araghchi.

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Desde a assinatura do memorando, as delegações dos EUA e do Irã realizaram apenas uma rodada de conversações diretas na Suíça, além de negociações indiretas no Catar, sem sinais de progresso diplomático desde então.

O principal obstáculo para o acordo final é o futuro do Estreito de Ormuz, que o Irã fechou para navios comerciais durante a guerra, em retaliação aos ataques de EUA e Israel.

A rota marítima é um canal vital para as exportações de petróleo e gás dos países ricos em energia do Golfo, e o seu fechamento gerou forte impacto na economia global.

O Irã exige o controle sobre a passagem dos navios e anunciou planos para cobrar taxas, afirmando que não haverá retorno à livre navegação do período pré-guerra. Por outro lado, Washington defende que Ormuz é uma rota internacional e que qualquer cobrança de taxas é inaceitável.

Escalada militar e o prazo limite

De acordo com reportagens dos veículos de imprensa Axios e Politico, Washington estabeleceu este sábado como prazo limite para o Irã interromper os disparos contra navios comerciais que transitam por Ormuz e reconhecer que a via marítima está aberta.

A troca de ataques desta semana começou após o Irã ser acusado de visar três embarcações que, segundo Teerã, teriam desviado da rota aprovada.

As ações motivaram Washington a lançar uma pesada onda de bombardeios no Irã, atingindo cerca de 90 alvos em todo o país, segundo as forças militares americanas.

Os ataques dos EUA mataram 17 pessoas e feriram outras 115, informou o Ministério da Saúde de Teerã neste sábado. Os bombardeios também deflagraram uma onda de represálias por parte do Irã contra nações aliadas dos EUA no Golfo que abrigam bases militares americanas.

Esforços por uma “paz duramente conquistada”

Mesmo sendo uma das nações do Golfo visadas durante a guerra, o Catar tem liderado os esforços para recolocar a diplomacia nos trilhos. A agência de notícias iraniana Tasnim informou na sexta-feira que a delegação catariana viajou a Teerã para “tentar reforçar o papel do Catar como mediador após os eventos de terça-feira”.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país também tem atuado na mediação, conversou por telefone com o emir do Catar na sexta-feira para discutir a recente escalada, segundo informou o seu gabinete.

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O líder paquistanês afirmou que também conversou com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, instando-o a proteger a “paz duramente conquistada” na região.

Contudo, o chefe dos negociadores do Irã nas conversas com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, adotou um tom desafiador.

“Acabar com a guerra é uma prioridade para os países do mundo, mas todos devem saber que este confronto nunca terminará com a rendição do Irã”, declarou Ghalibaf, segundo citações reproduzidas pela agência de notícias iraniana ISNA. Ele completou, afirmando que os iranianos estão “totalmente preparados para se defender”.

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Trump ameaça “dizimar” Irã caso seja alvo de atentado

11 de Julho de 2026, 07:50

O presidente Donald Trump ameaçou “dizimar e destruir” o Irã caso Teerã cumpra as ameaças de assassiná-lo, no momento em que o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou um suposto financiador iraniano.

O Irã afirmou no sábado que a nova medida financeira violou o acordo preliminar que os dois países beligerantes firmaram no mês passado, enquanto o seu ministro das Relações Exteriores teria chegado a Omã para negociações.

“1.000 mísseis estão travados e carregados, apontados para a República Islâmica do Irã, com milhares de outros para seguir imediatamente, caso o governo iraniano cumpra sua ameaça, pronunciada em muitos cantos do globo, de assassinar ou tentar assassinar o presidente em exercício dos Estados Unidos da América, neste caso, EU!”, escreveu Trump na Truth Social no final da sexta-feira..

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“As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas, dispostas e capazes, por um período de um ano, sujeito a prorrogação, para dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã. LOUVADO SEJA ALÁ!”, acrescentou.

O The Wall Street Journal e outros veículos da imprensa americana informaram no início desta semana que Israel havia compartilhado informações de inteligência sobre um suposto plano iraniano para assassinar Trump.

De acordo com agências internacionais, algumas pessoas presentes no funeral de quinta-feira do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em um ataque aéreo dos EUA no início da guerra, carregavam cartazes com os dizeres: “Nós mataremos Trump”.

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A mais recente investida verbal do presidente dos EUA ocorreu após um dia de relativa calma que se seguiu a uma semana de combates e temores de que um cessar-fogo frágil pudesse estar prestes a ruir.

Trump disse no início da sexta-feira que os Estados Unidos e o Irã concordaram em continuar as negociações de paz, embora o cessar-fogo estabelecido pelo acordo preliminar do mês passado tenha sido cancelado.

Em uma publicação na Truth Social, Trump alegou que a República Islâmica “nos pediu para continuar as ‘conversas’” e que “nós concordamos em fazer isso”.

“Mas os Estados Unidos declararam a eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo ACABOU!”, escreveu Trump.

Os canais de mídia estatal do Irã não confirmaram nem negaram imediatamente que o país tenha pedido para dar continuidade às negociações.

“Conversas técnicas”

A publicação de Trump na manhã de sexta-feira confirmou uma reportagem da MS NOW, citando uma autoridade dos EUA, de que as potências beligerantes se envolverão em “conversas técnicas” e continuarão comprometidas em encontrar soluções, apesar do retorno às hostilidades.

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As Forças Armadas dos EUA realizaram novas rodadas de ataques ofensivos contra o Irã em retaliação aos ataques sofridos por três navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Posteriormente, o Departamento do Tesouro dos EUA retirou uma isenção que permitia ao Irã vender seu petróleo.

O Tesouro aumentou a pressão sobre o Irã na sequência com sanções contra um suposto financiador acusado de ajudar o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder Ali Khamenei.

“Após a retomada dos ataques do Irã contra a navegação internacional no Estreito de Ormuz, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA tomou medidas contra o facilitador financeiro iraniano Ali Ansari (Ansari), que supervisiona uma extensa rede global de ativos que beneficiam o líder do Irã — Mojtaba Khamenei — e outras elites do regime”, informou o departamento em um comunicado.

“O autoproclamado Líder Supremo está se escondendo em isolamento enquanto seu regime desmorona”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, citado no comunicado. “O Tesouro continuará usando todas as ferramentas à sua disposição para isolá-lo, assim como outras elites do regime, do sistema financeiro global. Preservaremos esses ativos para o povo iraniano.”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a medida foi uma violação do memorando de entendimento de junho entre os EUA e o Irã.

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“O Irã manteve sua palavra até agora, ao contrário do autoproclamado secretário do Tesouro dos EUA, que está violando o parágrafo 9 do MdU”, disse Araghchi em uma publicação no X.

“Essa violação segue-se a outras violações e erros dos Estados Unidos. Choque de realidade: só pode haver conformidade mútua”, acrescentou.

A agência de notícias semioficial do Irã, Tasnim, informou que Araghchi chegou a Omã no início do sábado para negociações. Omã tem sido um mediador fundamental nos esforços para encerrar a guerra.

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Trump diz que os EUA vão “voltar a lançar bombas” se não gostar do acordo com o Irã

17 de Junho de 2026, 08:17

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (17), durante a conferência do G7, que os EUA vão “voltar a lançar bombas” caso não goste do acordo com o Irã.

Trump disse que o acordo proposto para encerrar o conflito no Oriente Médio, que deve ser formalizado em uma cerimônia de assinatura em Genebra na sexta-feira, “não é final”.

“É um memorando de entendimento e, se eu não gostar dele, vamos voltar a atirar contra eles, lançando bombas sobre suas cabeças. Eu não gosto disso se eles não se comportarem. Vamos voltar a lançar bombas exatamente no meio da cabeça deles”, afirmou o presidente durante a cúpula em Évian, na França.

Líderes dos países mais ricos do Grupo dos Sete — Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Itália e Japão — estão reunidos na cidade alpina para a cúpula, que também conta com representantes da União Europeia e da Ucrânia entre os convidados.

Em atualização.

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Copom e Fed decidem juros hoje com petróleo em queda e dólar instável; veja o que esperar

17 de Junho de 2026, 08:08

Nesta quarta-feira (17), Brasil e Estados Unidos decidem em conjunto o rumo de suas taxas básicas de juros em uma Superquarta marcada pelo recuo do petróleo e pela estreia de Kevin Warsh à frente do Federal Reserve.

No Brasil, o mercado precifica um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano. Nos Estados Unidos, a expectativa é de manutenção dos juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, com atenção voltada ao primeiro comunicado e à primeira entrevista coletiva de Warsh desde que assumiu o comando do Fed.

Por volta das 7h35 (Brasília) desta quarta-feira, o barril do petróleo Brent, com vencimento em agosto, operava em leve alta de 0,18%, a US$ 79,08, nível próximo ao observado no início do conflito entre Irã e Israel. Segundo André Azevedo, especialista da mesa de operações do Grupo Multiplica, a atenção dos investidores brasileiros se concentra na decisão do Copom. Azevedo afirmou que o mercado segue precificando um corte de 0,25 ponto na Selic, em linha com a expectativa majoritária dos agentes econômicos, e que esse movimento representaria o encerramento do atual ciclo de flexibilização monetária, levando a taxa básica a 14,25% ao ano, seguido por uma pausa nas próximas reuniões.

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Inflação pressionada limita espaço do Copom

Ainda conforme Azevedo, essa expectativa de corte ocorre mesmo diante de um cenário inflacionário pressionado. As leituras mais recentes apontam inflação próxima de 5,5% nos indicadores de núcleo, patamar acima do centro da meta do Banco Central, fixado em 3%. Esse descolamento segue como um dos principais pontos de atenção para a condução da política monetária nos próximos meses.

A leitura é compartilhada por Rafael Cardoso, que projeta corte de 25 pontos base nesta reunião. Segundo Cardoso, o cenário já vinha sendo de cortes no ritmo de 25 em 25 pontos há algum tempo, depois de uma fase anterior ao conflito no Oriente Médio em que se discutia uma aceleração para 50 pontos. Cardoso reconhece que o quadro ficou mais complicado desde a última reunião, com inflação mais pressionada, piora das expectativas e atividade econômica resiliente, ainda que dentro do esperado.

Mesmo com o avanço recente do entendimento entre Irã e Estados Unidos, que reduz parte da incerteza geopolítica, Cardoso descarta a hipótese de pausa no ciclo de cortes. Para ele, o Banco Central deve manter o ritmo de 25 pontos, mas pode usar o comunicado para sinalizar maior nível de incerteza, sem caracterizar de forma explícita o fim do ciclo. Cardoso resume que o BC deve preservar a porta aberta para a próxima reunião, ganhando os 45 dias seguintes para reavaliar o cenário.

A avaliação tem amparo nos números do Boletim Focus mais recente. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,86% para 5,30%, 14ª semana consecutiva de alta nas expectativas e acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. As estimativas para 2027 e 2028 também pioraram, de 4,00% para 4,10% e de 3,61% para 3,68%, respectivamente.

O Goldman Sachs também espera redução de 0,25 ponto, mas com comunicação mais firme, podendo sugerir que a meta de inflação está difícil de ser alcançada caso o ciclo de cortes continue. Segundo o banco, existe uma chance de 40% de manutenção da taxa, dado o cenário desafiador da inflação.

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Fed mantém juros e mercado observa estreia de Warsh

Do lado americano, o Federal Open Market Committee (fomc) deve manter os juros estáveis na faixa entre 3,50% e 3,75%, decisão amplamente precificada pelo mercado. A atenção se volta ao Resumo de Projeções Econômicas, o chamado dot plot, e à primeira entrevista coletiva de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, marcada para as 14h30 no horário de Washington, 15h30 no Brasil.

Segundo análise do Bank of America, o dot plot de junho deve trazer uma mudança hawkish substancial, com três integrantes do comitê projetando altas de juros ainda em 2026. O banco avalia que Warsh não deve submeter sua própria projeção numérica, mas que, caso o faça, a tendência é de um viés mais dovish do que o restante do colegiado.

🔍 Dot plot é o gráfico publicado pelo Federal Reserve a cada trimestre que mostra, de forma anônima, a projeção de cada um dos integrantes do comitê de política monetária para a trajetória dos juros americanos nos próximos anos. Cada participante marca um ponto indicando onde acredita que a taxa deve estar ao fim de cada período, e a mediana desses pontos costuma ser usada pelo mercado como sinal das intenções do Federal Reserve sobre futuros cortes ou altas de juros.

Para Thiago Pedroso, analista da Criteria, a decisão de juros em si já está precificada tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e a sinalização sobre os próximos passos será mais importante do que o número anunciado nesta quarta. Leonardo Costa, economista do ASA, pondera que parte dos riscos do cenário internacional já era conhecida antes da reunião, o que reduz o efeito surpresa sobre os mercados locais.

Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, destaca que o desacordo entre os membros votantes do FOMC sobre os próximos passos deve concentrar as atenções nesta quarta. Já Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, acredita que Warsh deve adotar um tom simples e prudente em sua estreia, evitando viés direcional explícito e reforçando que as decisões futuras dependerão dos dados.

Petróleo recua com acordo entre Irã e Estados Unidos

O pano de fundo internacional que pressiona ambos os bancos centrais é o desfecho do conflito entre Irã e Estados Unidos. No último domingo (14), as duas nações chegaram a um acordo de paz que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo. A assinatura do memorando de entendimento está prevista para esta sexta-feira (19), em Genebra.

O anúncio provocou recuo dos preços do petróleo nos últimos dias. Segundo a Agência Internacional de Energia, o choque de oferta provocado pela guerra erodiu a demanda global por petróleo, mas uma resolução duradoura do conflito pode provocar elevação expressiva do volume de oferta e gerar excedente relevante no mercado já em 2027. A IEA reduziu sua projeção de demanda global para 2026 para 1,1 milhão de barris por dia, queda de 700 mil barris por dia em relação à estimativa do mês anterior, depois que as entregas recuaram 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre. Tech Times

Pelo lado da oferta, a agência indica que a produção global deve cair 3,9 milhões de barris por dia em 2026, para 102,4 milhões de barris diários, antes de uma recuperação forte no ano seguinte. A entidade chama atenção para o que classifica como uma sobra significativa de petróleo em 2027, com a oferta projetada para crescer cerca de 8 milhões de barris por dia, superando com folga o avanço mais modesto esperado para a demanda mundial.

Bolsas operam de lado à espera das decisões

Na Europa, os principais índices de ações operavam perto da estabilidade na manhã desta quarta, em compasso de espera pela decisão do Fed e por detalhes adicionais do acordo entre Estados Unidos e Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,25%, a 637,58 pontos, por volta das 6h40 (Brasília).

Na agenda de indicadores, a inflação ao consumidor da zona do euro acelerou para 3,2% em maio, ante 3,0% em abril, segundo dado final divulgado pelo Eurostat, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu. No Reino Unido, o CPI anual ficou estável em 2,8% em maio, levemente abaixo da expectativa de analistas, que previam alta para 3%.

No Brasil, o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, desacelerou para 0,42% na segunda quadrissemana de junho, após alta de 0,45% na primeira leitura do mês. Entre os componentes, alimentação, despesas pessoais e vestuário perderam força, enquanto habitação, saúde, educação e transportes mostraram comportamento misto.

Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street indicavam abertura em alta antes da decisão do Fed, com o S&P 500 subindo 0,3% e o Nasdaq 100 avançando 0,9%, segundo dados de pré-mercado. Entre as ações de maior destaque, papéis ligados a semicondutores e tecnologia registravam ganhos, enquanto a montadora alemã BMW recuava quase 7% em Frankfurt após reduzir sua projeção de lucro anual, citando fraqueza no mercado chinês e o impacto da guerra no Oriente Médio sobre custos.

Na China, o banco central do país anunciou nesta quarta medidas para estimular o uso internacional do yuan, incluindo um novo mecanismo de recompra para autoridades monetárias estrangeiras obterem liquidez na moeda chinesa. As iniciativas vieram um dia após indicadores fracos da economia chinesa, com queda nos gastos do consumidor pela primeira vez em mais de três anos.

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