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Irã vence guerra digital contra os EUA com memes virais e vídeos de IA ridicularizando Trump

25 de Abril de 2026, 11:07
Donald Trump em LEGO – Foto: Divulgação

Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.

O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.

Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.

A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.

Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.

Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.

Trump cantor de rock – Foto: Reprodução

Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.

Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.

Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.

Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.

Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.

A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.

Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.

Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.

I’m no fan of Iran at all… but this one actually nails him. 😂😂 pic.twitter.com/0NxAsaRyco

— Jon Cooper 🇺🇸 (@joncoopertweets) April 10, 2026

“Saia o mais rápido possível”: o alerta do Irã para vizinhos de Israel

7 de Abril de 2026, 17:41
Fumaça após ataque aéreo israelense na aldeia Tayr Harfa, perto da fronteira entre Líbano e Israel. Foto: Kawnat Haju/AFP

A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta para a população de países vizinhos e de Israel, recomendando que evitassem se aproximar de áreas sob risco de “perigo iminente”. As localizações indicadas incluem partes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e uma ponte ferroviária em Tel Aviv, Israel.

Essas zonas foram designadas como “militares fechadas” e ficarão sob alerta a partir das 23h (horário de Teerã). A Guarda iraniana alertou a população a sair rapidamente dessas áreas e a procurar rotas seguras, enfatizando que ignorar o aviso poderia resultar em risco de vida.

O porta-voz Ibrahim Thul-Fiqari afirmou que os centros de Inteligência Artificial em Israel serão alvos de destruição e pediu que a população “saia o mais rápido possível” das áreas. A ameaça do Irã é uma retaliação a ataques a universidades iranianas.

Thul-Fiqari também mencionou a inclusão das instalações petrolíferas da Aramco e de Yanbu, além do oleoduto de Fujairah, na lista de alvos do país. O governo dos EUA, através da sua embaixada na Arábia Saudita, afirmou que acompanha a situação de perto e aconselhou os cidadãos americanos a reconsiderarem viagens à região.

Mísseis iranianos lançados contra Israel. Foto: Reuters

A Guarda Revolucionária do Irã disse que um ataque relâmpago do país “remodelaria o planeta”. O porta-voz da Guarda, Ibrahim Thul-Fiqari, lançou uma série de ameaças ao governo dos EUA, dizendo que os abrigos fortificados de Washington seriam inúteis diante da “ira devastadora” do Irã. Ele afirmou que qualquer ação americana na região faria com que “os EUA ardessem no inferno”.

A Guarda Revolucionária também deixou claro que o Irã passou da fase de diálogo e está agora preparado para “erradicação e aniquilação total”. A situação se intensificou com o anúncio de ataques retaliatórios que deixariam a região no escuro.

Autoridades iranianas prometeram continuar lutando, desafiando os prazos estabelecidos pelos Estados Unidos, afirmando que têm capacidade para sustentar a guerra por mais seis meses, caso necessário.

Donald Trump, presidente dos EUA, também tem intensificado as ameaças, dizendo que um “momento revolucionário” pode ocorrer com o fim do prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano também afirmou que, caso o Irã não ceda, uma “mudança de regime completa” será imposta, provocando uma “morte de uma civilização inteira”.

Ombudsman da Folha admite que outros ‘autores’ usam IA mas ‘não querem falar’

22 de Março de 2026, 09:38
Texto da Ombudsman da Folha sobre IA. Foto: Reprodução

Alexandra Moraes, a ombudsman da Folha de S.Paulo, publicou um texto crítico neste sábado (21) sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas colunas de opinião do jornal, admitindo que muitos autores utilizam a tecnologia, mas preferem não revelar essa prática. De acordo com o levantamento, 8,9% das colunas publicadas entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026 contêm conteúdo gerado por IA, sendo que 2,6% delas possuem mais de 80% do texto produzido por máquinas. A ombudsman questiona a transparência do jornal em relação ao uso de IA e critica a falta de uma postura mais aberta sobre o tema:

Com base no caso do mês passado sobre o uso de IA em coluna da Folha, fiz um levantamento para ver como anda o uso da inteligência artificial em colunas do jornal. Contei com ajuda da própria IA para extração e compilação dos dados. O Claude, da Anthropic, entrou com o código, e a ferramenta Pangram foi usada para fazer a avaliação.

Os dados foram coletados no último 22 de fevereiro, com 3.732 colunas de opinião publicadas desde 1º de setembro de 2025 até aquele dia. A ideia era dar uma olhada nos quase seis meses anteriores àquela polêmica da IA.

Em 332 colunas, ou 8,9%, havia texto de IA, segundo a ferramenta. Mas isso ia de pequenos trechos até a quase totalidade dos textos. Esta última era o foco. Em 98 artigos, o texto detectado como de IA ocupava mais de 80% do conteúdo. Eles eram 2,6% do total avaliado —apenas colunas opinativas, sem colunas de notas, reportagens, análises etc.

No topo, estava mesmo Natalia Beauty. De 25 artigos, 18 apareciam com mais de 80% de conteúdo gerado por IA. Cabe lembrar que a Folha considera que a colunista se saiu bem em seus argumentos e não vê problema no modus operandi, pelo contrário. […]

A taxa de erro é de menos de 0,5% se desconsiderado o modelo o1 Pro, da OpenAI, que a eleva a 2%, segundo um estudo sobre o Pangram conduzido por uma pesquisadora da Universidade de Maryland (e também conclui que humanos acostumados a usar a IA generativa são a melhor ferramenta de detecção). […]

O ideal seria revelar os nomes e fazer uma discussão aberta, mas a ausência é também um sintoma. Nenhum outro autor mostrou disposição de admitir o uso de IA como a colunista Natalia Beauty fez no mês passado. Talvez escaldados pela polêmica, foram do “ghosting” (parou de responder) à ameaça (“graves consequências e desdobramentos”). Menos pela ameaça e mais pela sensação iminente de tempestade em copo d’água, deixei os nomes para lá e me concentrei nos efeitos do levantamento. Até porque a questão central aqui é o jornal, não os autores em si. […]

O próprio jornal tem embarcado numa confusão que associa o questionamento ao ludismo. Não é disso que se trata —e até o ludita mais raivoso reconheceria que um breve banho de IA ajudaria a melhorar títulos, legendas e textos noticiosos que vão ao ar com erros de português e de acabamento.

Mas isso não deveria invalidar a cobrança por transparência diante do uso pesado no texto, ainda o principal produto do jornal.

A Folha afirma ter “entusiasmo crítico” com a IA. O comando do jornal já comparou a questão à troca das máquinas de escrever pelo computador e ao buscador do Google, com base na ideia de que ninguém cita termos que pesquisou para escrever um artigo. Pode ser, mas o buscador pré-IA não tinha o poder de entregar textos prontos. Quem fosse pego colando trechos catados no Google era tratado como plagiário. […]

A Folha afirma, em nota à ombudsman, que “é entusiasta do uso da inteligência artificial para melhorar a qualidade do serviço que presta ao leitor —como deixou claro em editorial recente— e acredita que, em um futuro não distante, a polêmica que essa tecnologia ainda provoca será vista como estéril, pura perda de tempo e energia”

Efeito Trump: maior gestora de fundos do mundo limita valor de saques de seus clientes

7 de Março de 2026, 08:12
Sede da BlackRock em Nova York, nos EUA. Foto: reprodução

A gestora BlackRock informou na sexta-feira (6) que limitou os resgates de um de seus principais fundos de crédito privado após um aumento inesperado nos pedidos de retirada por parte dos investidores. A decisão ocorre em meio a preocupações crescentes com o setor global de crédito privado, estimado em cerca de US$ 2 trilhões. Com informações da Reuters.

A decisão ocorreu em um momento de turbulência nos mercados financeiros. As ações da BlackRock chegaram a cair 6,7% na Bolsa de Nova York em meio a uma onda de vendas generalizada, após dados de emprego nos Estados Unidos abaixo das expectativas e à escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O fundo afetado é o HPS Corporate Lending Fund (HLend), que possui aproximadamente US$ 26 bilhões em ativos e foi criado para atrair investidores individuais de alta renda. No primeiro trimestre, o fundo recebeu pedidos de resgate que somaram US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de 9,3% do patrimônio líquido.

Diante da demanda, a gestora informou aos investidores que pagaria US$ 620 milhões em saques, valor correspondente ao limite trimestral de 5%. Esse percentual é o patamar padrão a partir do qual os gestores podem restringir novos pedidos de retirada.

Nos últimos meses, o sentimento dos investidores em relação ao crédito privado tem se deteriorado. Episódios recentes, como as falências de um fornecedor de autopeças nos Estados Unidos e de uma credora de veículos subprime, além do colapso de uma instituição de crédito hipotecário no Reino Unido, ampliaram os questionamentos sobre os padrões de concessão de crédito no setor.

Para Greggory Warren, analista sênior de ações da Morningstar, a situação revela riscos estruturais para investidores individuais. “Isso deve servir como um sinal de alerta para o setor e para os responsáveis pela regulamentação sobre as desvantagens dos fundos ilíquidos para os investidores de varejo”, afirmou em entrevista à Reuters.

Hospital atingido após bombardeios dos EUA e de Israel contra Teerã. Foto: Reprodução

A HLend é uma empresa de desenvolvimento de negócios adquirida pela BlackRock junto com sua gestora, a HPS Investment Partners, em uma operação de US$ 12 bilhões realizada em 2024. Segundo a gestora, esta é a primeira vez desde a criação do fundo que os pedidos de saque ultrapassam o limite de 5%.

As BDCs captam recursos principalmente de investidores individuais e os utilizam para conceder empréstimos a empresas de médio porte. Como esses ativos não podem ser vendidos rapidamente, um grande volume de resgates simultâneos pode criar dificuldades para o fundo.

Segundo a empresa, o limite de 5% existe justamente para evitar “uma incompatibilidade estrutural entre o capital do investidor e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado nos quais a HLend investe”.

Warren explica que restrições desse tipo ajudam a evitar prejuízos maiores. “Ao impedir resgates por meio de mecanismos de bloqueio, os gestores de fundos podem evitar serem forçados a vender ativos, o que impactaria negativamente o retorno do investimento para os demais investidores, dada a opacidade e a iliquidez dos ativos nesses fundos”.

Dados divulgados pela empresa mostram que cerca de 19% da carteira do fundo está exposta ao setor de software, segmento que vem enfrentando pressão nos mercados diante do avanço de startups focadas em inteligência artificial.

Executivo uma das principais empresas de IA pede demissão e alerta: “O mundo está em perigo”

10 de Fevereiro de 2026, 19:10

Mrinank Sharma, responsável pela área de pesquisa em salvaguardas da Anthropic, anunciou sua saída do cargo por meio de uma carta pública divulgada na rede X na segunda (9), que rapidamente alcançou grande repercussão. “O mundo está em perigo”, escreveu.

No texto, ele afirma que chegou o momento de seguir outro caminho e alerta que o planeta vive uma situação de risco não apenas por causa da inteligência artificial, mas por um conjunto de crises interligadas que se aprofundam ao mesmo tempo.

A Anthropic é uma empresa de pesquisa em inteligência artificial fundada por ex-integrantes da OpenAI e é focada no desenvolvimento de sistemas avançados de IA com ênfase em segurança, alinhamento ético e redução de riscos.

A companhia é responsável pelo modelo Claude, concorrente direto do ChatGPT, e defende uma abordagem chamada “IA constitucional”, na qual regras explícitas orientam o comportamento dos sistemas.

Na carta de despedida, Sharma diz ter vivenciado, dentro da empresa, a dificuldade recorrente de permitir que valores éticos orientem decisões práticas. Segundo ele, há pressões constantes para relativizar princípios considerados centrais, ainda que não detalhe episódios específicos.

Em um dos trechos, afirma que a humanidade se aproxima de um ponto crítico em que a capacidade de intervir no mundo cresce mais rápido do que a sabedoria para lidar com esse poder.

Com doutorado em aprendizado de máquina pela Universidade de Oxford, Sharma ingressou na Anthropic em 2023 e liderou pesquisas voltadas à mitigação de riscos associados à IA.

Entre os temas trabalhados estavam a prevenção do uso de sistemas de linguagem em atividades criminosas, como bioterrorismo, e estudos sobre comportamentos de chatbots que tendem a reforçar excessivamente crenças dos usuários, criando relações de dependência ou distorções da realidade.

Pouco antes de deixar a empresa, Sharma publicou um estudo apontando que interações com chatbots podem gerar percepções distorcidas do mundo em milhares de casos diários, especialmente em áreas sensíveis como saúde emocional e relações pessoais.

Para ele, os dados evidenciam a necessidade de sistemas que preservem a autonomia humana, em vez de enfraquecê-la.

Após a saída, o pesquisador afirmou que pretende se dedicar a outros caminhos, incluindo estudos em poesia e ao que chamou de “fala corajosa”, buscando uma atuação pública coerente com seus valores. O episódio se soma a uma série de desligamentos recentes no setor de inteligência artificial motivados por preocupações éticas, reforçando o debate sobre os limites, responsabilidades e impactos sociais do avanço acelerado dessas tecnologias.

Leia a carta na íntegra:

Caros colegas,

Decidi deixar a Anthropic. Meu último dia será 9 de fevereiro.

Obrigado. Há muito aqui que inspira e que me inspirou. Para citar algumas dessas coisas: um desejo sincero e uma disposição real para estar presente em uma situação tão desafiadora, aspirando a contribuir de forma impactante e com integridade; a disposição para tomar decisões difíceis e defender o que é correto; uma quantidade quase absurda de brilho intelectual e determinação; e, claro, a considerável gentileza que permeia nossa cultura.

Alcancei aqui o que me propus a fazer. Cheguei a São Francisco há dois anos, após concluir meu doutorado, querendo contribuir para a segurança em inteligência artificial. Sinto-me privilegiado por ter conseguido contribuir com o que fiz aqui: compreender a bajulação em sistemas de IA e suas causas; desenvolver defesas para reduzir riscos de bioterrorismo assistido por IA; efetivamente colocar essas defesas em produção; e escrever um dos primeiros estudos de caso em segurança de IA. Tenho especial orgulho dos meus esforços recentes para nos ajudar a viver nossos valores por meio de mecanismos internos de transparência; e também do meu projeto final sobre como assistentes de IA podem nos tornar menos humanos ou distorcer nossa humanidade. Obrigado pela confiança.

Ainda assim, ficou claro para mim que chegou o momento de seguir em frente. Tenho constantemente me confrontado com a nossa situação. O mundo está em perigo. E não apenas por causa da IA ou de biotecnologias, mas por uma série inteira de crises interconectadas que estão se desenrolando neste exato momento. Parece que estamos nos aproximando de um limiar no qual nossa sabedoria precisa crescer na mesma proporção da nossa capacidade de afetar o mundo, para que não enfrentemos as consequências. Além disso, ao longo do meu tempo aqui, vi repetidamente o quão difícil é permitir que nossos valores realmente orientem nossas ações. Vi isso em mim mesmo, dentro da organização — onde enfrentamos constantemente pressões para deixar de lado o que mais importa — e também na sociedade em geral.

É ao sustentar essa situação e ao escutar da melhor forma que consigo que aquilo que devo fazer se torna claro. Quero contribuir de uma forma que esteja plenamente alinhada com minha integridade e que me permita colocar em jogo mais das minhas particularidades. Quero explorar as questões que considero verdadeiramente essenciais para mim — aquelas que, como diria David Whyte, “não têm o direito de desaparecer”, as questões que Rilke nos implora que “vivamos”. Para mim, isso significa partir.

O que vem a seguir, eu não sei. Tenho um carinho especial pela famosa citação zen: “não saber é o mais íntimo”. Minha intenção é criar espaço para deixar de lado as estruturas que me sustentaram nesses últimos anos e ver o que pode emergir na ausência delas. Sinto-me chamado à escrita que dialogue de forma plena com o lugar em que nos encontramos, e que coloque a verdade poética ao lado da verdade científica como formas igualmente válidas de conhecimento — ambas, acredito, com algo essencial a contribuir no desenvolvimento de novas tecnologias. Espero explorar uma formação em poesia e me dedicar à prática da fala corajosa. Também estou animado para aprofundar minha prática em facilitação, mentoria, construção de comunidades e trabalho em grupo. Veremos o que se desenrola.

Obrigado, e adeus. Aprendi muito aqui e desejo o melhor a todos vocês. Deixo vocês com um dos meus poemas favoritos, “The Way It Is”, de William Stafford.

Boa sorte,
Mrinank


The Way It Is

Há um fio que você segue.
Ele passa entre as coisas que mudam. Mas ele não muda.
As pessoas perguntam o que você está buscando.
Você precisa explicar sobre o fio.
Mas é difícil para os outros verem.
Enquanto você o segura, você não se perde.
Tragédias acontecem; pessoas se machucam
ou morrem; e você sofre e envelhece.
Nada do que você faz pode impedir o desdobramento do tempo.
Você nunca solta o fio.

William Stafford

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