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Analfabeto digitalizado: dados de conectividade e INAF revelam o impacto no eleitor

21 de Maio de 2026, 16:01

Artigo do publicitário, especialista em marketing político, Christian Jauch sobre conectividade e o impacto no eleitor.

Por Christian Jauch 

Vivemos um paradoxo silencioso e perigoso. Nunca tivemos tanto acesso à informação, estivemos tão conectados, e nunca foi tão fácil consumir conteúdo, opinar, compartilhar e reagir em tempo real.

Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil separar informação de interpretação, dado de narrativa, conhecimento de impressão.

A promessa da internet era clara: democratizar o acesso ao conhecimento. E, de fato, isso aconteceu. O problema é que o acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação.

E é nesse descompasso que surge um fenômeno central para entender o cenário político atual: o analfabeto digitalizado.

O que é o analfabeto digitalizado

O termo não descreve alguém desconectado, descreve exatamente o oposto. O analfabeto digitalizado é alguém profundamente inserido no ambiente digital. Está nas redes sociais, consome vídeos, lê manchetes, participa de discussões, recebe informação o tempo todo. Mas não necessariamente consegue interpretar o que consome.

Essa é a diferença central.

  • Consumir não é compreender.
  • Estar exposto não é entender.
  • Receber informação não é formar pensamento crítico.

E quando essa diferença escala para milhões de pessoas, o problema deixa de ser individual e passa a ser estrutural.

Os números mostram um país hiperconectado

Se olharmos apenas para conectividade, o Brasil parece um caso de sucesso. Os dados de 2024 mostram um cenário robusto:

MétricaDado (2024)Contexto
População Total203 milhõesBase para o consumo digital
Brasileiros acima de 16 anos160 milhõesPúblico-alvo para informação política
Linhas com acesso à internet270 milhõesInfraestrutura de conectividade
Pessoas conectadas168 milhõesUsuários ativos da internet
Presentes em redes sociais144 milhõesEngajamento em plataformas
Acesso via celular90%Principal meio de consumo de conteúdo

Além disso, o Brasil aparece entre os países mais conectados do mundo:

  • 2º lugar em tempo médio de uso da internet (9h13 por dia)
  • 3º lugar em presença em redes sociais
  • 5º lugar em número de usuários de internet

Se pararmos aqui, a leitura é otimista. Um país conectado, ativo, participativo. Mas essa é só metade da história.

Conectividade não é conhecimento

O erro está em assumir que acesso gera entendimento. Não gera. “A conectividade amplia a exposição. Mas não garante interpretação.” E é exatamente aí que entra o segundo conjunto de dados — muito mais incômodo.

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O acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação. Foto: Pexels

O INAF 2024 revela o problema oculto

O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) de 2024 mostra que a capacidade de interpretação no Brasil é extremamente desigual. E, mais importante, revela que o problema não está apenas no analfabetismo tradicional. Existe uma camada muito maior de limitação cognitiva funcional, que impacta diretamente a forma como a informação digital é processada.

INAF: Distribuição de Capacidade de Interpretação

FaixaPercentualCapacidadeImpacto DigitalRisco Político
Analfabetos7%Não conseguem ler ou escrever frases simples.Extremamente vulneráveis a desinformação visual e áudio.Manipulação por conteúdo simplificado e emocional.
Rudimentares22%Identificam informações básicas em textos simples.Dificuldade em discernir fontes e contextos complexos.Formação de opinião baseada em manchetes e fragmentos.
Elementares36%Compreendem textos médios, com limitações de inferência.Podem ser enganados por narrativas bem construídas, mas superficiais.Vulneráveis a polarização por falta de análise aprofundada.
Intermediários25%Interpretam textos mais complexos, mas com dificuldade em abstrações.Capazes de filtrar parte da desinformação, mas ainda suscetíveis a vieses.Podem ser influenciados por argumentos emocionais ou populistas.
Proficientes10%Analisam, comparam e interpretam com profundidade e criticidade.Resistentes à desinformação, buscam fontes e análises diversas.Tomada de decisão mais informada e menos suscetível a manipulação.

Agora junta os dois mundos

Aqui está o ponto que pouca gente encara de frente:

  • o Brasil é altamente conectado (dados de 2024)
  • mas majoritariamente com limitações de interpretação (dados do INAF 2024)

Isso significa que temos milhões de pessoas:

  • expostas a um volume massivo de informação
  • consumindo conteúdo constantemente
  • participando do debate público

Mas sem necessariamente ter repertório crítico para filtrar, comparar e interpretar.

É isso que define o analfabeto digitalizado.

Contraste: Conectividade vs. Capacidade de Interpretação

AspectoRealidade (2024)Consequência
Acesso à Informação168 milhões de pessoas conectadas.Volume massivo de dados disponível a todo momento.
Capacidade de Interpretação65% da população com alfabetismo funcional rudimentar ou elementar (INAF 2024).Dificuldade em filtrar, analisar e contextualizar informações complexas.
Comportamento DigitalConsumo acelerado, fragmentado e via celular.Formação de opinião baseada em estímulos curtos e emocionais.

A ilusão do entendimento

O ambiente digital cria uma sensação de domínio. A pessoa vê um vídeo, lê uma manchete, acompanha um corte e rapidamente forma uma opinião. Mas essa opinião não vem de análise. Vem de exposição. Esse é um dos efeitos mais perigosos da hiperconectividade: a ilusão de que ver é entender.

E isso muda completamente a dinâmica do debate público.

O impacto direto da conectividade na política

Esse cenário altera o comportamento do eleitor. O consumo de informação deixa de ser linear e passa a ser fragmentado. O eleitor não acompanha processos completos, ele reage a estímulos, isso muda o jogo.

A disputa política deixa de ser apenas:

  • quem tem a melhor proposta
  • quem tem mais preparo
  • quem tem melhor histórico

E passa a ser também:

  • quem simplifica melhor
  • quem comunica mais rápido
  • quem gera mais identificação imediata

A ascensão da reação sobre a reflexão

O ambiente digital favorece a velocidade. E a velocidade favorece a reação.

Isso cria um cenário onde:

  • conteúdos curtos ganham espaço
  • interpretações rápidas se espalham
  • emoções têm mais peso que análise

Não porque as pessoas não sejam capazes de pensar, mas porque o ambiente não estimula esse tipo de comportamento.

O terreno perfeito para narrativas

Quando você combina:

  • alta conectividade
  • baixa capacidade média de interpretação (INAF 2024)
  • consumo fragmentado de conteúdo

Você cria o ambiente ideal para a circulação de narrativas simplificadas.

Narrativas que não precisam ser completas. Precisam apenas ser compreensíveis e replicáveis.

E é aqui que entra a inteligência artificial

Se já existe dificuldade de interpretação em um ambiente saturado de informação, o que acontece quando ferramentas passam a produzir conteúdo em escala, com aparência de autoridade?

A inteligência artificial não cria esse cenário, ela potencializa. Mas antes de tratá-la como solução, é necessário entender sua natureza. Porque existe um erro conceitual que precisa ser corrigido: a inteligência artificial não pensa.

E entender isso muda completamente a forma como as campanhas devem usar a tecnologia.

Eu aprofundo esse ponto no próximo artigo da série

Leia também: Inteligência Artificial não pensa: por que ela só amplifica quem a comanda

Conclusão

O problema não é falta de informação. É excesso sem filtro.

O desafio não é o acesso. É interpretação.

E, no centro desse cenário, está um eleitor que participa, consome, reage — mas nem sempre compreende em profundidade o que está diante dele.

Isso não simplifica a política. Complica.

Porque exige não apenas comunicação, mas entendimento do ambiente em que essa comunicação acontece.

Reflexão

Se o Brasil nunca esteve tão conectado, por que a sensação de confusão só aumenta?

estamos formando uma sociedade mais informada…
ou apenas mais exposta?

E mais:

no ambiente digital, estamos estimulando o pensamento…
ou apenas acelerando a reação?


Sobre o autor

Christian Jauch é um publicitário com mais de 20 anos de experiência, especializado em branding, design, inovação, tecnologia, inteligência artificial, automação de processos, marketing político e comunicação governamental.

Estrategista político com duas décadas de experiência na integração entre tecnologia e comunicação em campanhas de todas as esferas (municipal, estadual e federal).

Atualmente, é especialista na aplicação tática de Inteligência Artificial para blindagem e estratégia eleitoral.

Há 12 anos, também lidera campanhas para a OAB. Membro do CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político) e co-fundador da Alcateia Política. Mais artigos:

Outras reflexões sobre o tema podem ser lidas no blog: www.christianjauch.com.br


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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SESI realiza torneio nacional de robótica em São Paulo, com mais de 2 mil estudantes

4 de Março de 2026, 17:38

Entre os dias 5 e 8 de março, o Serviço Social da Indústria (Sesi) realizará o 8º Festival Sesi de Educação, na Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera (SP). O evento sedia uma das maiores competições de robótica da América Latina, com a participação de mais de 2 mil estudantes, que disputarão vagas para a etapa mundial, em Houston, nos Estados Unidos. Leia sobre o torneio de robótica coma TVT News.

O que vai acontecer no Festival Sesi de Educação em São Paulo?

  • Competição da etapa nacional de Robótica em que participam 2 mil estudantes de escolas públicas e escolas SESI para disputar vaga na etapa internacional em Houston, EUA;
  • Seminário Internacional de Educação, que reúne especialistas, gestores, educadores abordando o uso da inteligência artificial no contexto educacional;
  • SESI Lab, que terá exposições do SESI Lab, com mais de 10 atrações 100% interativas para o público;
  • Estande 80 anos: o Conselho Nacional do SESI também terá um estande, marcando o aniversário de 8 décadas do Sesi que será comemorado em julho

Equipe de indígenas participa do torneio de robótica

A competição de robótica tem 4 modalidades No dia 5, terá a FIRST Lego League Challenge (FLLC), em que os alunos competem com robôs construídos de Lego. Nesta categoria, vai competir a equipe Jurunabots da escola Escola Indígena Francisca de Oliveira Lemos Juruna, de Vitória do Xingu, no Pará.

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Escola Indígena Francisca de Oliveira Lemos Juruna, de Vitória do Xingu. | Foto: Arthur Corrêa/FIEPA

Em abril do ano passado, o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, esteve na escola Kirinapan Kuruaya, em Altamira, e entregou kits de robótica do SESI para as equipes.

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Visita à unidade do SESI em Altamira (PA) | Foto: Arthur Corrêa/FIEPA

Como será o Festival Sesi de Educação em São Paulo

A programação do Festival Sesi de Educação também inclui o Seminário Internacional SESI de Educação, que reunirá especialistas, educadores, gestores escolares e lideranças educacionais para debater “O uso da Inteligência Artificial no contexto educacional”, no dia 6 de março.

“O Festival SESI reafirma nosso compromisso com uma formação conectada à inovação e à indústria. Este ano, além de celebrarmos o talento de nossos jovens em competições internacionais, debatemos a transformação digital e a inteligência artificial como aliadas da Educação Básica. Mais do que troféus, o currículo do SESI entrega competências técnicas e socioemocionais. Formamos jovens que dominam a tecnologia, sabem colaborar sob pressão e possuem a resiliência necessária para elevar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira”, explica o diretor superintendente do Sesi Paulo Mól.

Entre quinta e domingo, os visitantes poderão assistir a competições de quatro modalidades de robótica, que vão desde miniaturas de carros de Fórmula 1 até robôs de 1,2 metro de altura e 56 kg. Além disso, o público também poderá participar de oficinas maker e interagir com 10 aparatos do Sesi Lab itinerante.

Entenda tudo sobre o festival na página especial da Agência de Notícias da Indústria.

Competições de robótica em São Paulo selecionam para o mundial nos EUA


Cerca de 2,3 mil estudantes de escolas públicas e particulares participarão da competição após meses de dedicação e torneios regionais classificatórios. Formadas por jovens com idades entre 9 e 19 anos, as equipes mostram habilidades em programação, construção dos robôs e em projetos de inovação e ações sociais norteadas pelo tema da temporada, sobre oceanos.

Mais que o reconhecimento nacional, os vencedores de cada modalidade garantem vaga no torneio mundial da FIRST, sediado em Houston, nos Estados Unidos, entre 29 de abril e 2 de maio. A disputa em São Paulo classificará 13 equipes para a competição internacional:

  • 3 na FIRST Lego League Challenge (FLLC),
  • 5 na FIRST Tech Challenge (FTC),
  • 5 na FIRST Robotics Competition (FRC).

Desde que o Sesi passou a organizar as competições da FIRST no Brasil, em 2012, mais de 45 mil estudantes participaram dos torneios, acumulando mais de 110 prêmios internacionais apenas na modalidade iniciante (FLLC).

“Essas conquistas ampliam a projeção internacional do Brasil e fortalecem nossa presença nas competições mundiais. Na categoria FLLC, as equipes brasileiras já são reconhecidas globalmente pelo desempenho consistente e, no ano passado, fomos tricampeões mundiais em Houston”, lembra o superintendente de Educação do SESI, Wisley Pereira.

Na STEM Racing, duas equipes serão classificadas para o mundial da modalidade, que será realizado em Singapura novamente este ano, em outubro.

Nesta 8ª edição do festival, o tema arqueologia, junto à robótica, dialoga com a história da instituição, que se transformou e se atualizou ao longo das oito décadas de existência. O Conselho Nacional do SESI apoiará a realização do evento, com um estande na Bienal, contando um pouco dessa trajetória.

“O Festival SESI de Educação representa um espaço de encontro, aprendizado e parceria entre as equipes de robótica de estudantes de todo o Brasil. Além disso, fortalece a metodologia STEAM ao desenvolver habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, estimulando uma aprendizagem progressiva e preparando nossos jovens para os desafios da vida. Estar presente nesse ambiente, apresentando a trajetória do SESI ao longo de seus 80 anos, é uma oportunidade de compartilhar conhecimento e mostrar ao público o compromisso permanente da instituição com a educação e a formação ao longo da vida”, afirma o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior.

Especialistas debatem sobre a IA na educação

No dia 6 de março, das 9h às 16h, especialistas vão conversar sobre o impacto, os desafios e as possibilidades da transformação digital na Educação Básica no Seminário Internacional SESI de Educação. O evento vai analisar como a IA e outras tecnologias emergentes podem fortalecer políticas educacionais, aprimorar a gestão das redes de ensino e apoiar práticas pedagógicas com atenção à equidade e à qualidade da aprendizagem.

O diretor de Educação e Competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher; a presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães; o vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, são alguns dos nomes confirmados no Seminário, promovido em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

A participação é gratuita, basta se inscrever na página do Seminário Internacional SESI de Educação.

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Na mesa de 2025, debate sobre o Novo Plano Nacional de Educação e próximos passos. Participantes: Helena Singer, socióloga líder da Estratégia de Juventude América Latina da Ashoka; deputado federal Pedro Uczai; Hélvia Paranaguá, secretária de Educação do DF; e Fausto Augusto Junior, presidente do Conselho Nacional SESI. Foto: Cristiano /SESI

SESI Lab na Robótica

O SESI Lab, museu de arte, ciência e tecnologia de Brasília, vai marcar presença na maior competição de robótica do país. O museu levará uma exposição 100% interativa com 10 atrações que explicam, na prática, diferentes conceitos científicos e fenômenos naturais e sociais.

Um dos aparatos é o famoso “Sombras Coloridas”, que revela as cores que compõem a luz branca e cria, literalmente, sombras coloridas. Outro aparato é o “Piano Voltaico”, onde cada tecla pressionada pelo visitante emite um som e aciona um circuito eletrônico diferente que pode ser visualizado pela tela de policarbonato.

Além disso, entre 5 e 8 de março, acompanhando a agenda de competições da robótica, o público poderá participar da oficina “Construindo Circuitos com Massinha”, onde os visitantes vão criar esculturas com massinha condutiva, materiais condutivos e isolantes, enquanto aprendem sobre os princípios básicos dos circuitos elétricos. São 40 vagas por oficina e a inscrição pode ser feita lá na hora. 

Serviço

8º Festival SESI de Educação
Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera, São Paulo
Aberto ao público.

Programação:

– Quinta-feira (5): 8h às 20h30 – Evento fechado para o público. Chegada das equipes, abertura oficial das competições de robótica às 17h e a Festa da Amizade.

– Sexta-feira (6): 8h às 18h – Competições e SESI Lab itinerante. Entrada liberada até às 17h.
Seminário Internacional SESI de Educação das 9h às 16h. Entrada liberada até às 17h.

– Sábado (7): 8h às 18h – Competições e SESI Lab itinerante. Entrada liberada até às 17h.

– Domingo (8): 7h30 às 18h – Finais das competições, cerimônia de premiação e SESI Lab itinerante. Entrada liberada até às 17h.

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