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A 10 pregões do 1º turno, até onde podem ir Ibovespa, Vale e Petrobras?

18 de Setembro de 2026, 18:17
Ilustração sobre Ibovespa, Vale e Petrobras na reta final antes do primeiro turno, com urna eletrônica, mineração, petróleo e gráficos de mercado.

A dez pregões do primeiro turno das eleições, Ibovespa (IBOV), Vale e Petrobras encerraram a semana em situações diferentes. O índice fechou esta sexta-feira (18) aos 185.229 pontos e acumulou queda de 1,06% em cinco sessões. VALE3 terminou a R$ 73,37, com recuo semanal de 6,18%, enquanto PETR4 encerrou a R$ 48,50, em baixa de 1,02% no período.

No mês, a diferença também aparece. O Ibovespa ainda sobe 4,40% em setembro e acumula alta de 14,96% no ano. PETR4 avança 7,73% no mês e 66,06% em 2026. Já VALE3 recua 5,75% em setembro e mantém ganho de 4,48% no ano.

Vale e Petrobras têm peso relevante nessa conta. VALE3 responde por 11,16% da carteira teórica, enquanto PETR3 e PETR4 somam quase 12,9%. Juntas, as duas companhias representavam perto de um quarto do Ibovespa.

Os fechamentos desta sexta também deixam referências claras para os próximos pregões. O Ibovespa terminou próximo dos 185.200 pontos, região de suporte observada no gráfico diário. Vale perdeu níveis que haviam sustentado a recuperação recente. Petrobras, por sua vez, continua abaixo da máxima de R$ 50,70 registrada neste mês.

Ibovespa termina semana perto dos 185 mil pontos

O Ibovespa fechou aos 185.229 pontos, levemente acima dos 185.200, região que vinha funcionando como suporte no gráfico diário.

Antes do fechamento desta sexta, o índice permanecia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. O IFR de 14 períodos estava em 65,51 pontos, abaixo dos níveis observados no início de setembro, quando o indicador chegou à região de sobrecompra.

Ibovespa em gráfico diário. As linhas verde, azul e laranja mostram, respectivamente, as médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. O IFR (14), na parte inferior, está em 58,91 pontos, em zona neutra. O índice reagiu nas últimas sessões e voltou a testar uma faixa de resistência. Fonte: Nelogica. Elaboração: Rodrigo Paz

Na parte superior, a faixa entre 189.487 e 192.890 pontos permanece como a principal região de resistência. Acima dela, a próxima referência é a máxima histórica de 199.354 pontos.

Na parte inferior, a perda dos 185.200 pontos colocaria novamente no radar as regiões de 178.000 e 176.565 pontos.

O comportamento recente é diferente daquele observado no começo de setembro. Quando o avanço das blue chips levou novamente o índice para perto dos 190 mil pontos, o IFR estava em 79,30 pontos. Desde então, o Ibovespa passou a oscilar em uma faixa mais estreita.

Além dos níveis técnicos, André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, cita o comportamento do capital estrangeiro entre os pontos que acompanha nesta reta final.

“Fluxo estrangeiro é uma coisa que eu monitoro a partir de agora”, afirma.

A observação ocorre após a redução do diferencial entre os juros brasileiros e americanos, um dos fatores considerados pelo investidor internacional na alocação entre mercados.

Vale perde 6,2% na semana e se aproxima de novo suporte

VALE3 teve o pior desempenho semanal entre os três ativos analisados. A ação fechou a R$ 73,37, acumulando queda de 6,18% em cinco pregões. No mês, a baixa chega a 5,75%.

No início de setembro, o papel havia rompido a parte superior de um canal de baixa e passou a negociar acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. Naquele momento, R$ 77,35 e R$ 74,70 apareciam como suportes.

Os dois níveis foram perdidos durante a correção recente. Com o fechamento desta sexta, a próxima referência inferior da estrutura anterior aparece em R$ 69,84.

VALE3 em gráfico diário. As linhas verde, azul e laranja mostram, respectivamente, as médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. O IFR (14), na parte inferior, está em 45,62 pontos. Após perder força nas últimas sessões, a ação voltou a recuar e se aproxima de uma faixa de suporte. Fonte: Nelogica. Elaboração: Rodrigo Paz

Na recuperação, R$ 74,70 e R$ 77,35 passam a ser as primeiras faixas a acompanhar. Acima delas, aparecem novamente R$ 81,31 e R$ 83,35.

Minério e frete entram na conta

A queda de VALE3 ocorreu em um período de pressão também sobre o minério de ferro. A commodity chegou à região de US$ 95 por tonelada em Cingapura, enquanto as margens das siderúrgicas chinesas e os custos de frete continuaram no radar.

A exposição da Vale ao aumento dos custos logísticos, no entanto, é menor do que a de alguns concorrentes domésticos. Segundo análise do Goldman Sachs, cerca de 75% dos volumes exportados pela companhia estão vinculados a contratos logísticos de longo prazo, enquanto a empresa possui hedge para aproximadamente 70% da exposição ao petróleo em 2027. O banco vê a Vale como mais protegida do que outros nomes do setor diante da alta de frete e combustível.

A XP acrescenta outra referência para o preço. Em relatório recente, a corretora estimou que o desconto da Vale em relação às mineradoras globais é menor do que os múltiplos tradicionais sugerem. Pela metodologia ajustada da casa, VALE3 negocia a 5,9 vezes o EV/Ebitda esperado para 2027, ante 6,6 vezes dos pares.

Para os próximos pregões, o gráfico deixa duas faixas imediatas: R$ 69,84 na parte inferior e, numa eventual recuperação, R$ 74,70 e R$ 77,35 acima.

Petrobras segue abaixo da máxima de R$ 50,70

PETR4 fechou a semana a R$ 48,50, com queda de 1,02% em cinco pregões. O papel, no entanto, ainda acumula alta de 7,73% em setembro e de 66,06% no ano.

A ação alcançou recentemente R$ 50,70, máxima que permanece como principal referência na parte superior do gráfico. Abaixo, aparecem as médias de curto prazo e, depois, as regiões de R$ 45,97 e R$ 43,60.

PETR4 em gráfico diário. As linhas verde, azul e laranja mostram, respectivamente, as médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. O IFR (14), na parte inferior, está em 68,21 pontos. A ação voltou a se aproximar da máxima recente, mantendo a trajetória de alta e operando acima das médias curtas. Fonte: Nelogica. Elaboração: Rodrigo Paz

No gráfico semanal, o IFR de 14 períodos estava em 69,27 pontos, próximo da faixa de sobrecompra. O indicador acompanha uma valorização acumulada que colocou PETR4 entre os destaques da Bolsa em 2026.

Petróleo permanece acima de US$ 100

O Brent encerrou esta sexta-feira a US$ 103,87 por barril. O preço da commodity continua sendo uma variável relevante para a Petrobras, embora não seja o único fator que determina os resultados da companhia.

A XP estima Ebitda de US$ 17,8 bilhões no terceiro trimestre, abaixo do trimestre anterior, mesmo com aumento de produção e petróleo mais caro. Segundo a casa, parte da diferença está no repasse incompleto dos preços internacionais aos combustíveis vendidos no Brasil. Ainda assim, a XP projeta cerca de US$ 3,8 bilhões em dividendos referentes ao terceiro trimestre.

A política de preços também segue na análise do mercado. Após o reajuste de R$ 1 por litro no diesel, o Itaú BBA calculou que a diferença em relação à paridade de importação cairia de aproximadamente 36% para 22%. Para o banco, o reajuste reduziu a defasagem, mas não eliminou a distância em relação à referência internacional.

Em avaliação mais ampla sobre o setor, o BBA manteve recomendação outperform para PETR4 e apontou ambiente operacional favorável com o petróleo elevado, ao mesmo tempo em que registrou preocupações de investidores com a política de preços e o processo decisório da companhia.

No gráfico, a faixa de R$ 50,70 continua como a principal referência acima. Abaixo, R$ 45,97 e R$ 43,60 delimitam as próximas zonas de suporte.

enquanto ICON e IMOB permaneciam em estruturas de recuperação mais incompletas. A diferença entre bancos, consumo e imobiliário foi detalhada pelo InfoMoney após o último corte da Selic.

Ibovespa, Vale e Petrobras: preços no radar

AtivoFaixa superiorFaixa inferior
IBOV189.487/192.890 pts; depois 199.354 pts185.200 pts; depois 178.000/176.565 pts
VALE3R$ 74,70/R$ 77,35; depois R$ 81,31/R$ 83,35R$ 69,84
PETR4R$ 50,70R$ 45,97; depois R$ 43,60/R$ 39,71

As faixas funcionam como referências para acompanhar a evolução dos preços nos próximos pregões. Um rompimento ou uma perda de suporte, isoladamente, não determina o comportamento futuro de um ativo, mas altera a configuração técnica observada até aqui.

Desempenho até 18 de setembro

AtivoFechamentoVariação
IBOV185.304,37 ptsSemana -1,02%; setembro +4,44%; 2026 +15,01%; 12 meses +27,28%
VALE3R$ 73,37Semana -6,18%; setembro -5,75%; 2026 +4,48%; 12 meses +36,42%
PETR4R$ 48,45Semana -1,12%; setembro +7,62%; 2026 +65,89%; 12 meses +65,69%

Fonte: Profit/Nelogica. Dados até o fechamento de 18 de setembro de 2026.

A dez pregões do primeiro turno, os três ativos chegam, portanto, com referências diferentes no gráfico. No Ibovespa, os 185.200 pontos permanecem próximos do fechamento. Em VALE3, a queda semanal levou o papel para abaixo de suportes recentes. Em PETR4, a máxima de R$ 50,70 segue como a principal faixa superior.

Os próximos pregões dirão se essas regiões serão preservadas, recuperadas ou superadas.

(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T.)

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O prodígio dos chips que virou bilionário com o protecionismo da China

17 de Novembro de 2025, 10:37

Em 2019, Chen Tianshi estava longe de se tornar uma das pessoas mais ricas do planeta.
O maior cliente de sua startup de chips de inteligência artificial de apenas três anos — a gigante chinesa de telecomunicações Huawei Technologies — havia abruptamente cortado quase todos os negócios, optando por desenvolver seus próprios semicondutores. Até então, a Huawei representava mais de 95% da receita da empresa.

Mas então ele teve uma sorte inesperada. A decisão dos EUA de cortar o acesso da China a chips avançados e a determinação de Pequim em fomentar tecnologia doméstica acabaram criando um ambiente de forte apoio estatal e um vasto mercado protegido para a empresa do prodígio da computação — impulsionando-o a se tornar um dos bilionários self-made mais ricos do mundo.

As ações da sua frabricante de chips, Cambricon Technologies, dispararam mais de 765% nos últimos 24 meses. Sua fortuna — quase toda derivada de sua participação de 28% na fabricante de aceleradores de IA com sede em Pequim — mais que dobrou em 2025, alcançando US$ 22,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

A ascensão meteórica de Chen destaca como o robusto apoio da China à indústria doméstica de IA está criando uma nova elite tecnológica alinhada ao Estado, poucos anos depois de o país ter reprimido seus titãs do setor privado. Com as sanções dos EUA sufocando o acesso da China a chips avançados, empresas como a Cambricon emergiram como campeãs nacionais, protegidas por políticas públicas e entusiasmo dos investidores — símbolos de uma nova ordem industrial em que o favoritismo político, e não a livre concorrência, define os vencedores.

Questionamentos sobre quanto desse avanço se deve ao protecionismo estatal — e não à competitividade dos chips — dividem analistas quanto à longevidade dessa trajetória.

“Crescimentos explosivos como o da Cambricon vêm de uma base muito baixa; sua avaliação atual pode estar inflada sem um apoio político contínuo”, disse Shen Meng, diretor do banco de investimento Chanson & Co., de Pequim.

Embora Chen ainda esteja longe da fortuna de Jensen Huang, fundador da Nvidia, ele já é a terceira pessoa mais rica do mundo com 40 anos ou menos, atrás apenas de Lukas Walton e Mark Mateschitz, herdeiros das fortunas Walmart e Red Bull, respectivamente.

As ações da Cambricon — e, por extensão, o patrimônio de Chen — dispararam em agosto, quando Pequim instruiu empresas locais a evitarem usar os processadores H20 da Nvidia, especialmente em projetos governamentais.

A empresa tentou esfriar o frenesi dos investidores, advertindo em documento à Bolsa de Xangai que ainda enfrenta sanções dos EUA e ressaltando as dificuldades de escalar tecnologicamente. Também desmentiu rumores sobre produtos inexistentes em desenvolvimento.

Relatórios de corretoras mencionavam seu próximo chip Siyuan 690, embora se acredite que ainda esteja anos atrás do produto equivalente da Nvidia.

“É cedo demais para dizer se Cambricon ou Huawei, as líderes em chips de IA na China, se tornarão a ‘Nvidia chinesa’, porque o ecossistema completo da Nvidia, incluindo o CUDA, é extraordinariamente difícil de replicar rapidamente”, disse Sunny Cheung, pesquisador no think tank Jamestown Foundation, em Washington.

A Cambricon não respondeu aos pedidos de comentário da Bloomberg.

Apesar das dúvidas sobre a avaliação da empresa, a trajetória de Chen tornou-se um caso de estudo do pipeline acadêmico apoiado pelo Estado que também impulsionou o avanço surpreendente da startup DeepSeek e de seu fundador millennial, Liang Wenfeng.

Aluno superdotado

Nascido em 1985, filho de um engenheiro elétrico e de uma professora de história na cidade de Nanchang, sudeste da China, Chen teve seu talento identificado cedo. Ele e seu irmão mais velho, Chen Yunji, foram escolhidos para um programa de alunos superdotados na prestigiosa Universidade de Ciência e Tecnologia da China, em Hefei, onde obteve PhD em ciência da computação em 2010.

Depois, juntou-se ao irmão como pesquisador no Instituto de Computação da Academia Chinesa de Ciências — centro das ambições científicas do país e financiado pelo Estado.

Foi ali que os irmãos ganharam atenção com artigos acadêmicos de prestígio internacional sobre seu acelerador DianNao, em 2014. Um ano depois, apresentaram seu primeiro chip — um processador inspirado no cérebro para deep learning, batizado de Cambricon, referência à explosão Cambriana, simbolizando um ponto inicial de evolução para a IA.

Em 2016, o projeto virou empresa, com a Academia como uma das primeiras investidoras.

O primeiro grande avanço veio em 2017, quando a Huawei usou a tecnologia de processadores de IA da Cambricon para melhorar fotografia e jogos no smartphone Mate 10. A parceria terminou em 2019, quando a Huawei começou a desenvolver soluções próprias. Desde então, a Cambricon migrou gradualmente para projetar e vender chips de IA para servidores de nuvem e dispositivos de borda.

Ela abriu capital em 2020, no STAR Market, em Xangai, mas permaneceu no vermelho até registrar lucro trimestral pela primeira vez no quarto trimestre de 2024.

A empresa sofreu um revés em 2022, quando o Departamento de Comércio dos EUA a colocou na “entity list”, por supostamente buscar itens de origem americana para apoiar a modernização militar da China — restrição que limita o acesso da Cambricon a tecnologias ocidentais.

Mas as limitações não frearam as perspectivas da empresa. Quando Washington endureceu os controles e impediu Nvidia e AMD de vender chips avançados à China, criou um enorme vácuo de suprimentos. Pequim reagiu exigindo que empresas domésticas “comprassem local”, o que significa que companhias chinesas agora precisam adquirir ao menos parte de seus chips de fabricantes nacionais como Huawei ou Cambricon.

A demanda explodiu. A receita da Cambricon cresceu mais de 500% nos últimos 12 meses, mesmo competindo com a Huawei e várias outras startups chinesas.

Embora hoje seja um dos principais investimentos domésticos em IA, investidores podem voltar-se a outras rivais à medida que Moore Threads e MetaX avançam rumo a IPOs na China. Enquanto isso, as fabricantes de chips Biren Technology e Iluvatar CoreX estariam preparando aberturas de capital em Hong Kong.

“O crescimento delas é diretamente causado pela necessidade urgente de países terem infraestrutura de hardware”, disse Shuman Ghosemajumder, cofundador e CEO da Reken, startup de IA de São Francisco. “Assim como a Nvidia, acredito que elas devem enfrentar grande volatilidade nas ações, à medida que o mercado tenta determinar quanta infraestrutura realmente é necessária para modelos de IA generativa úteis — e quanto dessas expectativas foi exagerado.”

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