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Ibovespa na semana: novos capítulos no Oriente Médio, dados de infação, temporada de resultados, Trump na China e mais

11 de Maio de 2026, 09:59

Os mercados globais iniciam a semana novamente sob forte tensão geopolítica após Donald Trump rejeitar a mais recente resposta do Irã à proposta americana de cessar-fogo, classificando-a como “totalmente inaceitável”.

A reação voltou a pressionar os preços do petróleo diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo. O Irã havia proposto concentrar as negociações inicialmente apenas em um cessar-fogo imediato, deixando a discussão sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, proposta prontamente descartada por Washington.

Apesar da escalada geopolítica, as bolsas globais operam de forma mista, enquanto investidores acompanham uma agenda econômica particularmente relevante nesta semana, marcada por dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China.

· 00:56 — Dólar abaixo de R$ 4,90 e petróleo acima de US$ 100: bem-vindo ao Brasil

No Brasil, a agenda da semana segue bastante carregada, tanto do lado microeconômico, com uma temporada de resultados intensa, quanto do lado macro, com destaque para a divulgação da inflação oficial de abril, prevista para amanhã.

As projeções apontam para uma desaceleração na margem, mas o mercado teme uma composição qualitativamente mais deteriorada, semelhante ao observado na prévia inflacionária recente, ainda pressionada principalmente pelos preços da gasolina e dos alimentos. Além disso, os investidores acompanharão os dados de vendas no varejo, na quarta-feira, e o volume de serviços, na sexta, indicadores importantes para medir o ritmo de atividade da economia brasileira.

Entre os ativos, o Ibovespa conseguiu se manter acima dos 184 mil pontos na última sexta-feira, embora a piora do ambiente geopolítico internacional possa voltar a gerar pressão sobre o fluxo estrangeiro para mercados emergentes.

Enquanto isso, o dólar encerrou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, cotado a R$ 4,89, beneficiado tanto pela fraqueza global da moeda americana quanto pela alta do petróleo, fator historicamente positivo para os termos de troca brasileiros.

E, por falar em petróleo, os investidores aguardam com atenção o resultado da Petrobras, que será divulgado hoje após o fechamento do mercado. As expectativas apontam para um crescimento superior a 40% no lucro líquido ajustado, além da distribuição de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em dividendos, sustentados pela forte geração de caixa da companhia. Pelo peso relevante da Petrobras no índice, o resultado da estatal tende a ter impacto mais amplo sobre o comportamento do mercado brasileiro.

· 01:44 — Wall Street entre o CPI e o Oriente Médio

Lá fora, a semana será dominada pelos dados de inflação nos Estados Unidos, também na terça-feira, em um ambiente no qual o mercado tenta medir os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre preços, atividade econômica e política monetária.

A expectativa é de aceleração dos preços, pressionados pela recente alta do petróleo e da gasolina, que já supera US$ 4,50 por galão, o maior patamar desde 2022. Ainda assim, os indicadores mais recentes de atividade continuam apontando para uma economia relativamente resiliente.

O payroll divulgado na última semana, por exemplo, mostrou criação de empregos acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, reforçando a percepção de que o Federal Reserve ainda possui espaço para manter os juros elevados por um período mais prolongado.

Ao mesmo tempo, os indicadores de confiança do consumidor seguem deteriorados, refletindo o desconforto crescente das famílias americanas com o aumento do custo de vida e os impactos da inflação sobre o orçamento doméstico.

Mesmo diante de um ambiente mais desafiador, Wall Street continua renovando máximas históricas, impulsionada principalmente pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial. O setor de tecnologia segue liderando os ganhos do mercado, sustentado por resultados corporativos robustos e pelo crescimento expressivo dos lucros das empresas do S&P 500. Contudo, já surge novamente receio de exagero por conta da concentração do movimento.

· 02:33 — Aparentemente inaceitável

A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em sua 11ª semana ainda sem avanços concretos, mantendo os mercados globais presos ao mesmo impasse que vem pressionando o petróleo, a inflação e as expectativas de crescimento ao redor do mundo.

A rejeição de Donald Trump à nova proposta de paz apresentada por Teerã reacendeu os temores de prolongamento do conflito e provocou reação imediata nos ativos globais (disse que a resposta iraniana era totalmente inaceitável), com alta do petróleo, fortalecimento do dólar e recuo dos futuros das bolsas americanas.

O Brent voltou a superar os US$ 100 por barril diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo, enquanto o Irã segue exigindo suspensão de sanções, liberação de ativos congelados, controle sobre Ormuz e reparações de guerra. Ao mesmo tempo, Israel reforçou que “a guerra não acabou”, enquanto grandes bancos alertam para riscos crescentes de escassez global de combustíveis caso o bloqueio persista, afetando os níveis globais de preços e atividade.

· 03:29 — O encontro da semana

Donald Trump desembarca em Pequim nos dias 14 e 15 de maio para a primeira visita presidencial americana à China desde 2017, em um encontro com Xi Jinping que deve concentrar as atenções em três frentes principais: guerra no Oriente Médio, comércio e tecnologia.

O conflito envolvendo o Irã tende a ocupar parte relevante das conversas, diante de seus impactos crescentes sobre energia, inflação e cadeias globais de suprimento. Nesse contexto, Washington deve pressionar Pequim sobre sua relação econômica com Teerã e sobre possíveis caminhos diplomáticos para reduzir as tensões.

Ao mesmo tempo, os dois países devem discutir a extensão da trégua comercial firmada em Busan no ano passado, além de temas estratégicos como semicondutores, inteligência artificial, Taiwan e fornecimento de terras raras.

A agenda econômica também será ampla, com negociações envolvendo possíveis compras chinesas de soja, carne bovina, energia e aeronaves da Boeing, além da criação de um Conselho de Comércio EUA-China e de um Conselho de Investimentos bilateral.

A visita deve contar ainda com a presença de importantes executivos americanos, refletindo o esforço de reposicionamento das relações econômicas entre as duas maiores potências do mundo. Apesar do tom diplomático mais construtivo, o encontro ocorre em um momento sensível, marcado pela fragilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e pela persistência das disputas tecnológicas.

· 04:12 — Chega de deflação

E por falar na China, o país registrou uma saída do quadro deflacionário que vinha marcando sua economia desde o fim de 2022, principalmente por conta da alta dos preços de energia e commodities em meio à guerra envolvendo o Irã.

Os preços ao produtor avançaram 2,8% em relação ao ano anterior, o maior aumento desde julho de 2022 e acima das expectativas do mercado, enquanto a inflação ao consumidor surpreendeu ao subir para 1,2%. O movimento reflete tanto uma recuperação parcial da demanda quanto o impacto da forte valorização do petróleo e dos metais industriais, interrompendo um período prolongado de excesso de produção e intensas guerras de preços na indústria chinesa.

A mudança de cenário também fortaleceu o yuan, que atingiu o maior patamar em mais de três anos, levando o mercado a projetar uma valorização adicional da moeda chinesa nos próximos meses.

· 05:06 — Nova edição do Arquivo X

A divulgação de milhares de páginas de arquivos do Pentágono sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) reacendeu o interesse do mercado em torno de possíveis avanços tecnológicos militares e de seus impactos sobre a indústria global de defesa.

Entre os relatos divulgados, chamaram atenção episódios envolvendo objetos realizando manobras consideradas incomuns para os padrões tecnológicos atualmente conhecidos, incluindo curvas abruptas em alta velocidade, movimentações submersas sem aparente perda de velocidade e sistemas invisíveis a olho nu, mas detectáveis por radar. Embora o tema continue cercado por especulações, o material reforçou o foco em segmentos ligados a aeronaves avançadas, tecnologia furtiva, guerra eletrônica e sistemas autônomos de defesa.

Do ponto de vista do mercado, os documentos acabaram fortalecendo narrativas já presentes no setor aeroespacial e militar, beneficiando companhias como Lockheed Martin, GE Aerospace, Northrop Grumman, RTX e L3Harris Technologies. Os relatos envolvendo interferência em sistemas de armas, tecnologias de camuflagem e detecção por radar aumentaram a atenção sobre programas militares classificados e projetos de próxima geração.

Nesse contexto, programas confidenciais da divisão aeronáutica da Lockheed Martin podem movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões em 2026, reforçando a percepção de que o novo ciclo global de investimentos em defesa, segurança e tecnologias estratégicas segue ganhando força.

Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), seguem surgindo como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada.

No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) cumpre papel semelhante, oferecendo acesso a esse tema de forma simples e acessível. Ainda assim, a disciplina na alocação permanece fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo a 5% para o tema, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

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Ibovespa hoje: aumento das tensões no Oriente Médio, payroll, volta dos IPOs na B3 e mais

8 de Maio de 2026, 10:26

Os mercados globais voltam a operar sob forte tensão após a escalada entre EUA e Irã reacender os receios de prolongamento do conflito no Oriente Médio. Apesar de Donald Trump afirmar que o cessar-fogo permanece em vigor e que um acordo “pode acontecer a qualquer momento”, Teerã acusa Washington de violar a trégua, enquanto avaliações da inteligência americana sugerem que o Irã ainda possui capacidade militar e econômica para sustentar o confronto por mais alguns meses.

Nesse ambiente de incerteza, o Irã atacou embarcações militares americanas e os americanos responderam com bombardeios contra alvos iranianos, movimento que levou o petróleo a retomar a trajetória de alta, com o Brent novamente acima da marca de US$ 100 por barril. Com isso, cresce no mercado a percepção de que o fechamento do Estreito de Ormuz pode se prolongar além do esperado, ampliando os riscos de um choque energético mais persistente e de novas pressões inflacionárias globais.

Ainda assim, os mercados seguem demonstrando relativa resiliência, sustentados pela expectativa de que o conflito não evolua para uma guerra de maior escala e pela esperança de retomada das negociações diplomáticas.

Os futuros de Wall Street operam em leve alta, enquanto as bolsas europeias recuam em meio às novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a União Europeia.

Na Ásia, os principais índices encerraram o pregão próximos da estabilidade, refletindo um ambiente de cautela antes da divulgação do payroll americano, indicador que ganha importância adicional em um momento no qual o Federal Reserve já reconhece que os efeitos da guerra começam a influenciar diretamente as perspectivas para inflação, atividade econômica e juros nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a recente alta do petróleo reforça o temor de que o choque de energia volte a contaminar as expectativas inflacionárias globais, levando a Agência Internacional de Energia a discutir a possibilidade de liberar reservas estratégicas para conter o avanço dos preços.

· 00:58 — Novo impulso no mercado

Ontem, o Ibovespa registrou forte queda, encerrando o pregão novamente na faixa dos 183 mil pontos, em linha com o movimento global de aversão a risco provocado pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz.

Entre os principais vetores de pressão esteve a volatilidade do petróleo, que impactou especialmente a PETR4 diante das incertezas sobre uma possível solução para o conflito no Oriente Médio.

Apesar do ambiente externo mais turbulento, o campo diplomático trouxe sinais de maior aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Em reunião de cerca de três horas na Casa Branca, os presidentes Lula e Trump buscaram reposicionar a relação bilateral em um tom mais construtivo, com foco em tarifas, comércio e minerais estratégicos.

Como principal resultado, ficou acordada a prorrogação por 30 dias das negociações comerciais para avançar na redução de tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto temas mais sensíveis da investigação da Seção 301, como etanol, desmatamento e regulação de big techs, seguem em discussão.

A pauta de minerais críticos e terras raras ganhou relevância diante do esforço americano de reduzir sua dependência da China, enquanto o Brasil sinalizou abertura para parcerias, mas defendendo maior agregação de valor local.

E, por falar em comércio exterior, o Brasil registrou em abril o maior valor mensal de exportações de sua história, beneficiado pela forte alta dos preços do petróleo em meio à guerra envolvendo o Irã. As exportações somaram US$ 34,15 bilhões no mês, avanço de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior patamar da série histórica iniciada em 1997.

Como consequência, o superávit comercial brasileiro cresceu 37,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões. Como maior produtor de petróleo da América Latina, acabamos favorecidos pela disparada das commodities energéticas provocada pelo conflito no Oriente Médio, apesar de estarmos também expostos à pressão nos preços e, consequentemente, nas expectativas de inflação.

Por fim, a Compass Gás e Energia encerrou um jejum de quase cinco anos sem IPOs na B3 ao levantar R$ 3,2 bilhões em sua oferta pública inicial de ações. A operação marcou a retomada das aberturas de capital na bolsa brasileira pela primeira vez desde dezembro de 2021 e pode representar um sinal relevante para o mercado local.

Historicamente, a reabertura de janelas de IPO costuma ocorrer em momentos associados a ciclos mais favoráveis para os ativos domésticos. Desde o Plano Real e a posterior consolidação do tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal), o Brasil nunca havia atravessado um período tão longo sem novas ofertas relevantes, refletindo um mercado de capitais que permaneceu praticamente esterilizado por anos.

A última paralisação semelhante ocorreu entre 2002 e 2004, encerrada justamente pelo IPO da Natura. Nos anos seguintes, o país viveu um dos maiores bull markets de sua história, impulsionado pelo boom de commodities, pela forte entrada de capital estrangeiro e pela expansão do mercado de capitais doméstico. Evidentemente, a história não se repete de forma idêntica, mas a reabertura da janela de IPOs volta a surgir como mais um possível indicativo de melhora estrutural para os ativos brasileiros.

· 01:47 — Impactos econômicos

Os impactos econômicos da guerra entre Estados Unidos e Irã começam a se disseminar de forma mais ampla pela economia americana, ultrapassando o choque inicial observado nos preços da gasolina. Com o galão já em US$ 4,56 — o maior patamar desde 2022 —, cresce a preocupação entre empresas dos setores de varejo, restaurantes e bens de consumo diante de um consumidor cada vez mais pressionado pelo aumento do custo de vida e pela perda de poder de compra.

Executivos alertam que a manutenção do petróleo ao redor de US$ 100 por barril tende a prolongar as pressões inflacionárias nos próximos meses, afetando não apenas os custos de energia, mas também alimentos e diversos outros itens da cadeia de consumo.

Ainda assim, os mercados permanecem relativamente resilientes, sustentados pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial e por uma temporada de resultados robusta. Ao mesmo tempo, a volatilidade voltou a ganhar força à medida que as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz se intensificam.

Na agenda econômica, o principal destaque do dia é a divulgação do payroll de abril nos Estados Unidos, com expectativa de desaceleração relevante na criação de empregos, de 178 mil para algo entre 65 mil e 70 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.

O mercado também acompanha a divulgação do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan e, sobretudo, das expectativas de inflação de curto e longo prazo, indicadores particularmente relevantes em um ambiente de crescente sensibilidade em relação ao custo de vida nos EUA.

Além disso, dirigentes do Federal Reserve participam de painéis ao longo do dia, em meio a um cenário ainda marcado por incertezas envolvendo inflação, juros e crescimento econômico. No campo político e comercial, seguem no radar as novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra a União Europeia e a decisão da Justiça americana que considerou ilegais as tarifas universais impostas pela Casa Branca, adicionando mais um fator de instabilidade ao cenário global.

· 02:39 — NACHO ao invés de TACO

Os mercados voltam a operar sob pressão diante de uma nova escalada no Oriente Médio, após confrontos diretos entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz colocarem em dúvida a percepção recente de que um acordo estaria próximo.

Ataques iranianos contra destróieres americanos e a resposta militar de Washington, classificada como “autodefesa”, reacenderam o risco geopolítico, levaram o petróleo novamente para a região dos US$ 100 por barril e reforçaram a leitura de que o conflito pode se prolongar mais do que se imaginava inicialmente. Nesse contexto, começou a ganhar força em Wall Street o chamado “NACHO trade” — sigla para Not A Chance Hormuz Opens (“Nenhuma Chance de que Hormuz Abra”) —, expressão usada para descrever a aposta de investidores de que a reabertura plena do estreito não ocorrerá tão cedo.

Na prática, trata-se de uma visão mais estruturalmente altista para o petróleo, baseada na percepção de que o prêmio geopolítico da energia veio para ficar, ao menos enquanto persistirem as tensões entre Washington e Teerã.

Ainda assim, apesar da deterioração geopolítica, os investidores seguem sustentando algum apetite por risco, apoiados principalmente na força das empresas de tecnologia e no entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Os índices futuros americanos voltaram a subir, refletindo a percepção de que o ciclo positivo das big techs ainda pode compensar, no curto prazo, parte do impacto macroeconômico do choque energético. Paralelamente, o conflito acelera rearranjos estratégicos globais: o Irã amplia sua integração logística com a China por meio do comércio ferroviário, enquanto Washington intensifica preocupações sobre o envio indireto de chips avançados para Pequim, justamente às vésperas da visita de Donald Trump à China.

O pano de fundo permanece marcado por elevada incerteza, combinando guerra, disputa tecnológica e pressão política doméstica nos EUA, em um ambiente no qual o petróleo tende a carregar um prêmio geopolítico persistente e os mercados seguem altamente dependentes do noticiário para definir direção.

· 03:45 — Um Canadá mais europeu?

Nesta semana, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, participou de forma inédita de uma reunião da Comunidade Política Europeia, reforçando o movimento de aproximação entre Canadá e União Europeia em meio à deterioração da ordem internacional e às tensões crescentes com os Estados Unidos.

O contexto recente, marcado por tarifas americanas, ameaças geopolíticas e maior imprevisibilidade na política externa de Washington, tem estimulado o debate sobre um alinhamento mais profundo entre Ottawa e Bruxelas, inclusive com especulações sobre uma eventual adesão canadense ao bloco europeu. Essa aproximação se apoia em afinidades históricas, institucionais e econômicas, além de laços comerciais já consolidados, como o acordo CETA, que ampliou de forma relevante o fluxo de comércio.

Apesar das vantagens potenciais, como maior acesso a mercados e aprofundamento da cooperação estratégica, uma eventual adesão enfrentaria obstáculos significativos, incluindo questões geográficas, exigências regulatórias e custos econômicos e políticos.

O Canadá teria de adotar o conjunto de normas da União Europeia, revisar políticas internas e lidar com impactos sobre comércio, orçamento e mobilidade laboral. Ainda assim, tanto a opinião pública canadense quanto a europeia demonstram abertura à ideia de maior integração, indicando que, embora a adesão plena seja improvável no curto prazo, uma parceria transatlântica mais profunda ganha força como alternativa estratégica, especialmente se persistirem as incertezas em torno das relações comerciais com os Estados Unidos.

· 04:03 — Destaque asiático

O Japão voltou a intervir de forma relevante no mercado cambial, possivelmente com mais de US$ 30 bilhões poucos dias após uma ação anterior de US$ 24,7 bilhões, mas a dificuldade do iene em superar o nível de 155 por dólar levanta dúvidas sobre a eficácia e a sustentabilidade dessas medidas, diante da demanda persistente por dólares e das limitações de atuação sem ajustes mais estruturais de política monetária.

Ainda assim, o ambiente global recente favoreceu os ativos asiáticos, apesar da queda desta sexta-feira por conta da tensão geopolítica, com o índice MSCI da região avançando 5,6% na semana, impulsionado pelo renovado interesse em inteligência artificial, com destaque para o forte desempenho da Coreia do Sul (+14%), de Taiwan (+7%) e do Japão (+5,8%).

O movimento também se refletiu nas moedas locais e em revisões positivas de instituições financeiras, especialmente para a divisa sul coreana, embora o cenário permaneça sujeito a riscos, em particular a eventuais novos episódios de tensão entre EUA e Irã, configurando um ambiente que combina forte momentum, ainda sob uma perspectiva construtiva no curto prazo.

· 05:01 — Escala que vira margem

A Smart Fit (SMFT3) reportou bons resultados no 1T26, com receita de R$ 2,1 bilhões em linha com as expectativas, sustentada pela expansão da rede, pelo aumento do ticket médio e pelo amadurecimento das unidades mais recentes.

O principal destaque foi a margem bruta de 51,8%, acima do esperado (parte do mercado temia, inclusive, uma queda de margem bruta), refletindo a maior participação de academias maduras, que já representam 68% da base, e o avanço de frentes complementares, como Studios e TotalPass. Esse desempenho reforça um dos pilares centrais da tese: a alavancagem operacional do modelo, que tende a impulsionar a rentabilidade à medida que novas unidades atingem seu estágio de maturidade.

Sob a ótica regional, o desempenho permanece heterogêneo, mas positivo no consolidado. No Brasil, observou-se leve compressão de margens, explicada pela concentração recente de aberturas ainda em fase de maturação.

No México, a rentabilidade foi pressionada pelo aumento de custos e pela dinâmica do TotalPass. Em contrapartida, as operações nos demais países da América Latina se destacaram, com crescimento consistente de receita e margens superiores às observadas em mercados mais maduros, evidenciando os benefícios da diversificação geográfica. Adicionalmente, linhas de receita complementares, como Studios e royalties, seguem ganhando relevância e apresentam margens mais elevadas, contribuindo de forma positiva para o resultado consolidado.

No agregado, o trimestre reforça uma trajetória consistente de crescimento, com EBITDA recorde e forte expansão do lucro líquido, mesmo diante de pressões pontuais de custos e maiores investimentos. A combinação entre o amadurecimento das unidades, a diversificação de receitas e a expansão internacional sustenta uma perspectiva favorável para os próximos períodos.

Após a recente correção das ações, que trouxe os múltiplos para níveis mais atrativos, os resultados reforçam uma leitura construtiva para o papel, que segue bem posicionado para capturar ganhos adicionais de escala e rentabilidade ao longo do tempo.

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Empiricus atualiza carteiras automatizadas de dividendos, small caps, fundos imobiliários, criptomoedas e muito mais; acesse grátis

7 de Maio de 2026, 14:13

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As Carteiras Recomendadas Automatizadas da Empiricus envolvem a negociação de ativos de renda variável e, portanto, estão sujeitas a oscilações de mercado e risco de perdas, sendo indicadas a investidores classificados como perfil Sofisticado, nos termos da Política de Suitability do BTG Pactual. Verifique se a aplicação pretendida está compatível com seu perfil de investidor, informação que pode ser consultada no momento da transmissão da ordem. Para mais informações sobre Perfil do Investidor e Redefinição de Perfil do Investidor, consulte nosso FAQ – Perguntas Frequentes | BTG Pactual.

As carteiras são rebalanceadas periodicamente, de forma automática ou mediante recomendações, podendo resultar em operações de compra e venda de ativos financeiros, com incidência de custos operacionais e tributos.

Não há garantia de rentabilidade ou de preservação do capital investido. Os investimentos realizados por meio das Carteiras Recomendadas Automatizadas não contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos – FGC.

Rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos.

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Ibovespa hoje: Lula na Casa Branca, memorando entre EUA e Irã e decisões monetárias; o que movimenta o mercado nesta quinta?

7 de Maio de 2026, 10:00

A agenda internacional adiciona novos elementos de atenção neste início de quinta-feira. A visita de Lula à Casa Branca coloca temas sensíveis em evidência, enquanto outros vetores globais permanecem no radar, como as dificuldades do Japão em sustentar o iene, as eleições locais no Reino Unido e os questionamentos sobre a qualidade dos dados econômicos britânicos. Bancos centrais como o Riksbank (Suécia) e o Norges Bank (Noruega) devem manter as taxas de juros estáveis, reforçando um ambiente de cautela monetária (o México também conta com decisão de política monetária).

Nos mercados, a reação segue sendo majoritariamente positiva, com avanço das bolsas asiáticas, lideradas pelo Nikkei, estabilidade na Europa e leve alta dos futuros americanos, enquanto o petróleo continua em trajetória de queda, refletindo um equilíbrio ainda frágil entre o otimismo de curto prazo e as incertezas persistentes no cenário geopolítico, associadas ao Estreito de Ormuz.

Nesse contexto, o mercado tenta sustentar o forte rali observado na quarta-feira, movimento impulsionado pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. O desempenho recente foi menos determinado por avanços concretos no conflito e mais pela percepção de que a Casa Branca busca uma solução rápida, pressionada pelos custos econômicos e políticos da guerra, como a alta da gasolina nos Estados Unidos. Esse pano de fundo elevou o apetite por risco, levou o Brent a recuar quase 8% e sustentou a valorização das bolsas globais. Ainda assim, o cenário segue cercado de incertezas, com sinais contraditórios nas negociações, postura cautelosa de atores relevantes, como Irã e Israel, e uma oferta global de energia ainda pressionada, o que mantém os mercados sensíveis a novos desdobramentos.

· 00:54 — Ibovespa reage ao alívio externo

No Brasil, os ativos domésticos voltaram a acompanhar o movimento internacional, com o Ibovespa recuperando o patamar dos 187 mil pontos e avançando 0,5%, em meio ao sentimento mais otimista dos investidores diante da possibilidade de um novo acordo entre Estados Unidos e Irã. A percepção de arrefecimento do conflito contribui para uma leitura mais benigna para a inflação, ainda que já esteja contaminada, o que reduz a pressão sobre a curva de juros e favorece ativos de maior risco. Ainda assim, o câmbio seguiu direção oposta, com o dólar avançando frente ao real em um movimento de correção após a queda de 0,85% observada na véspera, influenciado principalmente pela retração dos preços do petróleo, fator desfavorável para a moeda brasileira, e pela atuação do Banco Central no mercado de câmbio, por meio de um leilão de swap reverso de US$ 500 milhões. Essa operação pouco utilizada reflete o aproveitamento do fluxo positivo recente e da valorização do real para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, atualmente acima de US$ 95 bilhões.

Para hoje, a agenda doméstica segue relevante e pode trazer novos elementos para o comportamento dos ativos. O mercado acompanha a dinâmica do fluxo estrangeiro, ao mesmo tempo em que avalia indicadores como a produção industrial de março e a balança comercial de abril, esta última possivelmente beneficiada pelo aumento das exportações de petróleo. Além disso, o noticiário corporativo ganha protagonismo, com a divulgação de resultados ao longo do dia por empresas de diversos setores, incluindo varejo, shoppings, educação e infraestrutura, o que tende a contribuir para uma leitura mais granular sobre a atividade econômica e a qualidade dos resultados.

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· 01:41 — O encontro da semana

O encontro entre Lula e Trump ocorre em um contexto delicado, marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e pressões políticas internas para ambos os líderes. Apesar de uma relação mais cordial, o ambiente tornou-se mais sensível diante de divergências sobre temas como Venezuela, Irã e medidas americanas envolvendo o Brasil, incluindo investigações comerciais e a possível classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas. Para Lula, o desafio será manter o pragmatismo em um momento de forte polarização doméstica, no qual o discurso de soberania pode gerar dividendos políticos nos próximos meses, mas também carrega riscos relevantes diante da imprevisibilidade da reação americana, como já ocorreu em episódios envolvendo líderes como Volodymyr Zelensky e Cyril Ramaphosa.

Paralelamente, o Brasil busca se posicionar de forma estratégica ao avançar no marco regulatório dos minerais críticos e terras raras, um setor cada vez mais central na disputa geoeconômica entre Estados Unidos e China nesta nova configuração de rivalidade global (Guerra Fria 2.0). A proposta, acompanhada de incentivos fiscais e mecanismos para estimular investimentos, reforça a tentativa brasileira de atrair capital e tecnologia sem assumir alinhamento automático com nenhum dos polos.

· 02:38 — Próximo dos 50 mil pontos

Os mercados americanos registraram forte valorização, impulsionados por dois vetores principais: o entusiasmo com o setor de semicondutores, especialmente vinculado à inteligência artificial, e a expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, que poderia encerrar o conflito e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuindo para a queda dos preços do petróleo. Nesse contexto, o Dow Jones avançou 1,2%, aproximando-se do patamar simbólico de 50 mil pontos, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq subiram 1,5% e 2%, respectivamente, renovando máximas. Empresas como a AMD se destacaram, com forte valorização após a divulgação de resultados, refletindo o momento favorável do setor de tecnologia. Ainda assim, o Dow continua apresentando desempenho inferior em relação aos demais índices, em parte devido à sua menor exposição a empresas de semicondutores, mesmo após ajustes recentes em sua composição.

Por outro lado, o cenário também traz sinais de cautela. A valorização expressiva das ações de tecnologia e semicondutores já começa a ser comparada à bolha das empresas ponto-com, dado o ritmo acelerado de alta e os ganhos acumulados elevados, ainda que os fundamentos atuais sejam mais consistentes. Paralelamente, a agenda econômica segue relevante, com dados de mercado de trabalho e produtividade nos Estados Unidos sendo acompanhados de perto, especialmente em um ambiente de incerteza quanto à trajetória da inflação, dos juros e dos impactos efetivos da inteligência artificial sobre a economia. O pano de fundo, portanto, combina otimismo no curto prazo com indícios de possível excesso, exigindo uma postura mais atenta e disciplinada por parte dos investidores.

· 03:29 — Avaliando a proposta

O preço do petróleo recuou à medida que o Irã passou a avaliar uma nova proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, que pode abrir caminho para o encerramento do conflito e aliviar as pressões sobre o mercado de energia, ao mesmo tempo em que oferece uma saída política para Donald Trump. O eventual acordo incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão do bloqueio naval americano, deixando as negociações nucleares para uma etapa posterior. Ainda assim, o cenário permanece incerto e marcado por sinais contraditórios: enquanto Trump sinaliza a possibilidade de entendimento e menciona a abertura do estreito, mantém a retórica de possível escalada militar, ao passo que episódios recentes, como a interceptação de um petroleiro iraniano, evidenciam que as tensões no terreno seguem elevadas.

Nesse contexto, a China intensifica sua atuação diplomática em favor de uma solução negociada, enquanto o Irã busca estreitar relações com Pequim e Moscou para ampliar seu poder de barganha, mantendo o desfecho do conflito em aberto e sujeito a novos desdobramentos. Vale destacar dois pontos importantes: i) mesmo em caso de reabertura, o Estreito de Ormuz tende a levar entre seis e oito semanas para retomar um fluxo minimamente normalizado; e ii) ainda que essa normalização ocorra, é pouco provável que o mercado volte a enxergar o estreito da mesma forma após essa disrupção — uma vez alterada a percepção de risco, ela dificilmente retorna ao ponto anterior. Isso sugere que o petróleo pode passar a incorporar de forma mais estrutural um prêmio geopolítico adicional, refletindo o risco recorrente de interrupções. Esse novo equilíbrio, por sua vez, tende a acelerar discussões sobre diversificação geográfica e de fontes energéticas nos próximos anos, potencialmente beneficiando regiões como a América Latina e alternativas como a energia nuclear.

· 04:17 — Um rali sem precedentes

O principal índice da bolsa sul-coreana (KOSPI) ultrapassou pela primeira vez a marca dos 7.000 pontos (já alcançou 7.490), impulsionado principalmente pelo desempenho do setor de semicondutores, com destaque para Samsung e SK Hynix, que já perfazem mais de 40% do índice (concentração preocupante) e vêm se beneficiando da forte demanda global associada à inteligência artificial. Nos últimos cinco dias, o índice avança mais de 13%, acumulando ganho de 77% ao longo do ano e mais de 190% em 12 meses, num movimento que reflete tanto a solidez das exportações quanto a recuperação da atividade industrial, em meio à expansão rápida da indústria de chips.

Ainda assim, a continuidade desse desempenho permanece condicionada à sustentação desse ciclo de demanda. Há espaço para novas altas caso os investimentos em inteligência artificial sigam em ritmo robusto, mas o cenário também incorpora riscos relevantes, especialmente relacionados à inflação e aos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, a combinação de crescimento consistente, elevado poder de precificação das empresas de semicondutores e níveis de avaliação ainda descontados segue sustentando o interesse dos investidores, com a possível redução do chamado “desconto coreano” atuando como um vetor adicional de valorização ao longo dos próximos meses.

· 05:06 — O novo aço do século XXI: infraestrutura, IA e o superciclo americano

Os Estados Unidos ingressam em um novo ciclo estrutural de investimentos, um verdadeiro superciclo de Capex, impulsionado pela convergência entre inteligência artificial, reindustrialização e segurança energética. Trilhões de dólares já estão sendo direcionados à construção de fábricas, data centers e infraestrutura elétrica, em um pipeline de megaprojetos que ultrapassa US$ 3 trilhões. Na prática, trata-se da formação da base física da próxima geração da economia global, com aceleração já perceptível ao longo de 2025 e 2026 e potencial de continuidade nos anos seguintes.

Para o investidor, o ponto central vai além do crescimento agregado e reside na amplitude das oportunidades distribuídas ao longo de toda a cadeia de infraestrutura, de construção e engenharia a materiais, energia e transporte. Nesse contexto, veículos como o Global X US Infrastructure Development ETF (B3: BPVE39) oferecem uma forma eficiente de acessar essa temática de maneira diversificada, acompanhando os principais beneficiários desse ciclo. Cabe, no entanto, atenção à liquidez do produto, ainda relativamente limitada, o que recomenda uma abordagem gradual na alocação. Ainda assim, como instrumento de exposição a um vetor estrutural de longo prazo, o ETF se apresenta como uma alternativa em uma carteira global bem balanceada.

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Ibovespa hoje: bolsas sobem e dólar e petróleo recuam com sinais de desescalada no Oriente Médio

6 de Maio de 2026, 10:23

Os mercados globais operam em tom positivo, impulsionados por sinais de desescalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. A decisão de Donald Trump de suspender a escolta militar no Estreito de Ormuz foi interpretada como um gesto relevante em direção a uma solução diplomática, reforçado por avanços nas negociações mediadas pelo Paquistão e pelo maior envolvimento da China no processo.

O otimismo ganhou tração adicional com notícias de que os Estados Unidos estariam próximos de um acordo com o Irã, possivelmente estruturado por meio de um memorando preliminar que envolveria compromissos relacionados ao programa nuclear, alívio de sanções e normalização do fluxo no Estreito de Ormuz.

Como consequência, observou-se forte valorização das bolsas, queda expressiva do petróleo, com o Brent recuando para a faixa de US$ 100 por barril, e redução do prêmio de risco geopolítico, movimento que também favoreceu ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil. O pano de fundo permanece marcado por um otimismo de curto prazo, mas ainda condicionado à concretização de avanços nas negociações.

· 01:51 — Alívio externo, dilema interno: o Brasil entre o respiro e a conta

No Brasil, acompanhamos ontem a melhora internacional, movimento que tende a se estender no pregão de hoje. O câmbio também refletiu esse quadro mais favorável, com o dólar recuando para R$ 4,91 (o menor patamar desde janeiro de 2024).

Como o vetor geopolítico no Oriente Médio vinha sendo uma fonte relevante de preocupação doméstica, sobretudo pelos seus potenciais impactos inflacionários — como já destacado na ata do Copom, comentada ontem, que reforçou um tom mais cauteloso e dependente de dados —, qualquer alívio nesse front contribui para reduzir o risco percebido de uma interrupção no ciclo de cortes de juros. Ainda assim, é importante reconhecer que o espaço para flexibilização não é mais o mesmo, embora possa se mostrar mais amplo do que se temia ao longo da segunda metade de abril.

Além do cenário externo, o mercado segue atento à agenda política em Brasília. Pesquisas recentes, como as da RealTime Big Data e da Meio Ideia, indicam um cenário de segundo turno polarizado, com empate técnico.

Dado o potencial das eleições como vetor relevante para a dinâmica fiscal, é natural que os ativos passem a reagir com maior intensidade a novas divulgações ao longo das próximas semanas e meses. Esse movimento ocorre em um contexto doméstico ainda delicado: o elevado endividamento das famílias, impulsionado por políticas de estímulo ao crédito, começa a revelar seus efeitos, especialmente em um ambiente de juros altos, diretamente associado ao quadro fiscal.

Iniciativas como o Desenrola 2.0, embora relevantes sob a ótica de alívio de curto prazo, têm sido interpretadas por parte do mercado — e por importantes editoriais brasileiros — como medidas que não enfrentam as causas estruturais do problema, mantendo o debate sobre sustentabilidade fiscal no centro das atenções.

· 01:43 — O que o mercado de trabalho americano quer nos dizer

Com o cessar-fogo entre EUA e Irã aparentemente preservado, os preços do petróleo recuaram, abrindo espaço para a recuperação dos mercados e para novas máximas históricas nos principais índices americanos.

A atenção do mercado americano, no entanto, se volta sobretudo para a agenda de trabalho, com destaque para o relatório JOLTS e o ADP, que ajudam a calibrar a leitura sobre a força do mercado de trabalho americano.

O JOLTS de ontem apontou para um ambiente ainda resiliente, mas em processo gradual de desaceleração, com vagas se estabilizando, demissões baixas e contratações surpreendendo positivamente, enquanto o ADP de hoje deve oferecer uma leitura mais imediata da geração de empregos no setor privado.

Esses indicadores são fundamentais para ajustar as expectativas em relação à política monetária, especialmente em um contexto em que o mercado segue fortemente impulsionado por liquidez e momentum, com destaque para tecnologia e inteligência artificial, mas com menor atenção à qualidade dos ativos, o que torna a alta mais sensível a eventuais surpresas negativas no cenário macroeconômico ou geopolítico.

· 02:36 — Sinais de alívio?

O presidente Donald Trump anunciou a suspensão temporária do chamado “Projeto Liberdade”, operação americana voltada à escolta de navios no Estreito de Ormuz, com o objetivo de abrir espaço para negociações com o Irã.

A decisão ocorreu poucas horas após autoridades reafirmarem o compromisso com a iniciativa, evidenciando a sensibilidade do momento e a dificuldade de coordenação em um cenário de elevada tensão. Embora o cessar-fogo ainda esteja formalmente em vigor, episódios recentes, como ataques iranianos a embarcações e a infraestruturas nos Emirados Árabes Unidos, indicam que o ambiente permanece instável. A própria operação, que envolvia significativa mobilização militar, acabou contribuindo para o aumento das tensões ao exigir respostas a ataques durante as tentativas de garantir a navegação na região.

Paralelamente, ganham força os sinais de avanço no campo diplomático. Os EUA avaliam estar próximos de um entendimento com o Irã, possivelmente estruturado a partir de um memorando preliminar que serviria de base para negociações mais amplas, inclusive no âmbito nuclear.

A China passou a exercer papel mais ativo como mediadora, pressionando por uma solução negociada, enquanto lideranças de ambos os lados demonstram disposição para conter a escalada. Ainda assim, a falta de clareza sobre os termos de um eventual acordo (e sobre as concessões envolvidas) mantém elevado o grau de incerteza, especialmente em relação à reabertura do Estreito de Ormuz e aos seus desdobramentos sobre o mercado global, deixando a economia mundial em posição delicada e dependente dos próximos passos.

· 03:22 — Vitória de um grande nome da política atual

Na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi consolidou sua posição política após uma vitória inédita de seu partido, o Bharatiya Janata Party (BJP), no estado de Bengala Ocidental, até então governado pela oposição por 15 anos.

O resultado se soma a uma sequência de desempenhos eleitorais favoráveis em nível estadual e reacende as discussões sobre a possibilidade de uma candidatura a um quarto mandato em 2029, mesmo considerando que, no plano nacional, o governo atual depende de uma coalizão.

O avanço do BJP foi, em parte, impulsionado pelo descontentamento com administrações locais percebidas como ineficientes e marcadas por denúncias de corrupção. Nesse contexto, Modi — no poder há mais de uma década — vai gradualmente se consolidando como uma das figuras mais influentes da política internacional nesta primeira metade do século.

· 04:18 — Quantos Projetos Manhattan?

A inteligência artificial deixou de ser apenas um tema de mercado para se consolidar como um vetor central de transformação da economia global, com investimentos que já somam cerca de US$ 1 trilhão e podem adicionar entre US$ 7 trilhões e US$ 8 trilhões nos próximos anos.

Esse movimento se concentra, sobretudo, na chamada “camada física” da IA, que engloba chips, data centers e energia, onde está a maior parte da alocação de capital. Trata-se de uma corrida tecnológica de grande escala, frequentemente comparada a múltiplos “Projetos Manhattan” (que desenvolveu a bomba atômica) ocorrendo simultaneamente, e que tende a se expandir de forma estrutural à medida que a IA passa a representar uma parcela crescente do PIB global.

Ao mesmo tempo, essa transformação reconfigura a dinâmica competitiva entre empresas e setores, com o avanço de uma “economia de tokens”, na qual a produção de inteligência artificial se torna o principal ativo econômico.

Enquanto as camadas de infraestrutura e de modelos concentram valor de forma mais evidente, a camada de aplicações ainda atravessa um período de ajuste, marcado por perdas recentes de valor e maior incerteza. Nesse novo ambiente, o software tradicional perde parte de sua centralidade, dando lugar a uma produção praticamente ilimitada de código e agentes automatizados. O resultado tende a ser uma maior dispersão entre vencedores (empresas capazes de escalar) e perdedores, especialmente entre negócios estruturados sob premissas anteriores ao avanço da inteligência artificial.

· 05:04 — Renda em tempos difíceis: onde o crédito exige mais do que yield

O mercado de crédito imobiliário no Brasil segue desempenhando papel relevante como fonte de financiamento, com instrumentos como CRIs e LCIs ganhando espaço nos últimos anos, impulsionados tanto pela demanda dos investidores quanto pelo ambiente de juros elevados.

Ainda assim, o cenário atual tornou-se mais desafiador: a inflação dá sinais de estabilização em patamares mais altos, o que mantém a política monetária em território restritivo por mais tempo. Na prática, isso se traduz em custos de crédito elevados, originação mais seletiva e aumento pontual de eventos de inadimplência. Por outro lado, a qualidade das garantias, em especial a alienação fiduciária de imóveis, permanece como um pilar fundamental para sustentar os fluxos e mitigar riscos nas operações.

Na composição das carteiras dos FIIs de recebíveis, o segmento residencial lidera a exposição, com dinâmicas distintas entre faixas de renda. Enquanto o segmento econômico segue mais resiliente, impulsionado por programas habitacionais, a média e alta renda enfrentam um ambiente mais desafiador.

Outros segmentos, como logística e shoppings, continuam apresentando indicadores operacionais mais sólidos, embora eventos pontuais de crédito permaneçam no radar. Nesse contexto, a análise criteriosa dos ativos torna-se ainda mais relevante, uma vez que o ambiente combina rendimentos atrativos com um nível de risco que exige maior seletividade, especialmente diante da limitada compensação adicional oferecida por ativos de menor qualidade.

Diante desse pano de fundo, a preferência por estratégias high grade se mostra mais adequada, em função da maior previsibilidade de fluxos, menor recorrência de eventos de crédito e estruturas de garantia mais robustas, mesmo com um diferencial de yield relativamente estreito em relação a ativos mais arriscados.

É nesse contexto que fundos como o Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11) se destacam, ao combinar gestão ativa, rigor na seleção de crédito e foco em operações de maior qualidade. Em um ambiente ainda marcado por incertezas, essa abordagem tende a proporcionar uma combinação mais equilibrada entre geração de renda recorrente e preservação de capital, reforçando o papel do fundo como uma alternativa consistente dentro do segmento.

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Ibovespa na semana: Super Quarta, temporada de resultados, dados de emprego, inflação e mais destaques

27 de Abril de 2026, 09:57

A semana começa com os mercados reagindo positivamente às notícias de que o Irã teria apresentado aos Estados Unidos uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz, ainda que as discussões sobre o programa nuclear possam ficar para uma etapa posterior.

Esse detalhe mantém incertezas relevantes no horizonte, pois o principal ponto de tensão entre os dois países segue sem solução definitiva. As bolsas asiáticas avançam e os mercados emergentes renovaram máximas, enquanto o petróleo permaneceu elevado, com o Brent acima dos US$ 100 por barril.

A leitura é simples: qualquer sinal de acordo ainda sustenta o apetite por risco, mas o prêmio geopolítico continua presente. Ao mesmo tempo, a reação positiva a cada nova manchete parece perder força, refletindo certo cansaço dos investidores com um conflito que avança em ciclos de esperança e frustração.

Além da geopolítica, a semana será marcada por uma agenda intensa de política monetária global. A chamada Super Quarta reunirá as decisões de juros do Fed e do Copom, enquanto Banco do Japão, Banco da Inglaterra e Banco Central Europeu também anunciarão suas decisões nos próximos dias, com expectativa predominante de manutenção das taxas. A temporada de resultados também ganha tração, ao lado de dados de peso.

· 00:54 — Superquarta vem aí

No Brasil, encerramos uma semana mais difícil para o Ibovespa, que voltou para a faixa dos 190 mil pontos, enquanto o dólar, por outro lado, conseguiu permanecer abaixo de R$ 5,00. Os próximos dias serão importantes para os ativos locais, com a temporada de resultados ganhando tração, incluindo Vale, Gerdau e Santander, além da divulgação do relatório de Produção e Vendas do 1T26 da Petrobras. No campo macroeconômico, a agenda também será relevante, com dados de emprego (Pnad e Caged), inflação (prévia do IPCA e IGP-M) e a próxima decisão de política monetária.

A expectativa predominante segue sendo de corte de 25 pontos-base na Selic, mas o tom do Banco Central deve permanecer cauteloso. A autoridade monetária pode revisar para cima suas projeções de inflação no horizonte relevante, o que reforçaria a leitura de uma trajetória mais contida para os juros, ainda que o ciclo de cortes continue em andamento.

Enquanto o conflito no Oriente Médio persistir e o petróleo seguir acima de US$ 100 por barril, as expectativas inflacionárias tendem a permanecer pressionadas, limitando o espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva no Brasil ao longo dos próximos meses.

· 01:41 — Semana agitada

A semana promete ser uma das mais movimentadas da temporada de resultados nos Estados Unidos, com cerca de 180 empresas do S&P 500 divulgando seus números, incluindo cinco integrantes do grupo conhecido como Magnificent 7.

O principal foco estará na quarta-feira, quando Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet apresentam seus balanços, enquanto a Apple divulga seus resultados na quinta-feira. Para o mercado, mais importante do que os números do trimestre será a mensagem das companhias sobre investimentos em inteligência artificial, expansão de margens, demanda por serviços de nuvem e ritmo de crescimento nos próximos períodos.

O pano de fundo é de forte valorização recente do setor. S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas e acumulam quatro semanas consecutivas de alta, enquanto o índice de semicondutores avançou 47% em apenas 18 pregões seguidos de ganhos, refletindo o otimismo em torno da corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Esse movimento, porém, também elevou os valuations e aumentou o nível de exigência dos investidores. Agora, os balanços das big techs serão um teste importante: se as empresas mantiverem investimentos elevados com bons sinais de retorno, podem reforçar a tese estrutural da IA; se indicarem moderação de gastos ou pressão sobre rentabilidade, o mercado poderá revisar parte do entusiasmo recente.

· 02:36 — Vai manter

A semana será especialmente relevante para a política monetária americana, com a reunião do FOMC na quarta-feira ocorrendo em um ambiente mais complexo para o Federal Reserve. A expectativa amplamente dominante é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas o foco do mercado estará menos na decisão em si e mais no tom da comunicação de Jerome Powell.

Com a inflação ainda resiliente, a atividade econômica relativamente firme e o choque recente nos preços de energia provocado pela guerra no Oriente Médio, o Fed enfrenta um dilema mais sensível: manter os juros elevados ajuda a conter os preços, mas também aumenta o risco de uma desaceleração mais forte da economia. Ao longo da semana, indicadores como confiança do consumidor, PIB do primeiro trimestre, PCE, principal medida de inflação acompanhada pela autoridade monetária americana, além de PMI e ISM industriais, devem ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos.

No campo institucional, cresce a atenção em torno da sucessão de Powell, com o avanço político do nome de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Após a retirada de resistências no Senado, aumentou a probabilidade de sua confirmação, reduzindo o risco de uma vacância prolongada no comando do banco central.

Warsh é visto como um nome experiente, com passagem por Wall Street e pelo próprio Fed, além de potencialmente mais alinhado às prioridades econômicas do governo Trump. Para o mercado, essa transição importa porque pode sinalizar mudanças futuras na condução da política monetária, incluindo maior abertura para cortes de juros e uma postura mais rigorosa em relação ao balanço patrimonial do Fed. A reunião desta semana pode representar não apenas mais uma decisão sobre juros, mas também o início de uma nova fase para o banco central americano.

· 03:28 — Ainda há canal diplomático…

A tentativa de retomar as negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana fracassou, frustrando parte da expectativa de alívio que vinha sustentando os mercados nos últimos dias.

O encontro previsto no Paquistão foi cancelado após a saída de autoridades iranianas e a decisão americana de não enviar representantes, evidenciando o grau de impasse entre as partes. O Irã sustenta que não negociará sob pressão ou bloqueio, enquanto Washington mantém o cerco aos portos iranianos e amplia sua presença militar na região.

Nesse contexto, o Estreito de Ormuz segue no centro da disputa, com impacto relevante sobre o fluxo global de petróleo, gás e insumos estratégicos, enquanto a tensão regional persiste mesmo sob cessar-fogo.

Ao mesmo tempo, ainda surgem sinais de canais diplomáticos indiretos em funcionamento. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, viajou à Rússia para reuniões com Vladimir Putin e também manteve contatos relacionados à mediação conduzida pelo Paquistão.

Segundo relatos de bastidores, Teerã teria sinalizado disposição para um acordo provisório que envolveria a reabertura de Ormuz em troca do encerramento do bloqueio americano aos portos iranianos, deixando a discussão sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.

Resumidamente, o cenário permanece marcado por avanços e recuos diplomáticos, mantendo o petróleo em níveis elevados e os mercados bastante sensíveis a qualquer novo desdobramento geopolítico.

· 04:13 — Crise humanitária

A guerra no Oriente Médio já deixou de impactar apenas o mercado de petróleo e começa a pressionar também a cadeia global de alimentos. Desde o início do conflito, fertilizantes relevantes como ureia e amônia registraram fortes altas, em parte porque cerca de 30% desse comércio mundial transita pelo Estreito de Ormuz, ainda afetado pelas tensões na região.

Soma-se a esse quadro a interrupção parcial da produção russa e restrições de exportação impostas pela China, formando um ambiente de oferta mais apertada e custos mais elevados. Caso o bloqueio persista, os efeitos tendem a aparecer com maior intensidade nas próximas safras, elevando despesas no campo e ampliando o risco de inflação de alimentos ao longo de 2027.

Para os países mais pobres, contudo, a crise já começou. Pequenos produtores rurais operam com margens bastante limitadas e costumam ser os primeiros a sentir a alta de insumos, fretes e energia. Organismos internacionais alertam que a continuidade dessas disrupções pode agravar quadros de fome aguda e elevar a instabilidade social, repetindo padrões observados em outros momentos históricos, nos quais a insegurança alimentar antecedeu protestos e conflitos.

Em outras palavras, o choque atual reforça como guerras modernas extrapolam o campo militar: seus efeitos alcançam preços de alimentos, inflação e estabilidade política em escala global.

· 05:07 — Porto Seguro de Crescimento

No Investor Day 2026, a Porto reforçou a solidez da transformação operacional construída ao longo dos últimos cinco anos e indicou que ainda vê espaço relevante para continuar expandindo resultados. Parte importante dessa trajetória veio do foco contínuo na experiência de clientes e corretores, elo central de sua estratégia comercial, aliado à ampliação do portfólio de produtos e ao uso crescente de ferramentas digitais que elevam produtividade, fortalecem vendas e ampliam oportunidades de cross-sell.

Outro destaque segue sendo a diversificação do grupo: a dependência histórica do seguro Auto vem diminuindo, enquanto frentes como banco, saúde e serviços ganham relevância e contribuem para uma rentabilidade mais equilibrada e resiliente. Ainda assim, mesmo o segmento tradicional de automóveis, segundo a administração, deve seguir crescendo em ritmo saudável.

Além disso, o Porto Bank tende a avançar apoiado pelo ganho de escala, expansão da base de clientes e melhora progressiva na qualidade do crédito. Já a Porto Saúde continua com perspectiva favorável, sustentada por novas operações, verticalização e evolução da sinistralidade, mesmo diante de uma base comparativa mais exigente.

Em relação ao cenário macro, a companhia reconhece que uma eventual queda da Selic pode reduzir parte das receitas financeiras, mas entende que esse efeito tende a ser mais do que compensado pelo impacto positivo sobre a atividade operacional e a demanda por seus produtos (além disso, a Selic não cairá tanto quando esperado anteriormente).

Em síntese, a Porto reúne execução, negócios diversificados e valuation ainda atrativo, combinação que sustenta uma visão construtiva para PSSA3 e reforça seu potencial adicional de geração de valor aos acionistas.

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Investir na Argentina? Estamos diante da chance de ‘multiplicar dinheiro’, segundo gestor; Veja destaques do último episódio do Empiricus PodCa$t

25 de Abril de 2026, 09:00

Para muitos investidores, juntar as palavras “economia”, “mercado” e “Argentina” na mesma frase acaba invocando imagens não muito positivas: inflação nas alturas, desvalorização da moeda, crise política.

Javier Milei assumiu a presidência do país em 2024 e, desde então, colocou em prática uma série de medidas arrojadas para reajustar a economia. Alguns números já começaram a mudar: a inflação, por exemplo, fechou 2025 no menor nível em 8 anos.

Mesmo assim, muitos ativos argentinos continuam negociando com desconto de crise, como se nada tivesse mudado. 

Enquanto alguns gestores preferem passar longe do país, outros já enxergam o momento atual como uma oportunidade de investir em ativos baratos e que podem capturar valorização em um país a caminho de uma transformação.

Faz sentido investir na Argentina agora? Se sim, como isso é possível? Essas são as perguntas propostas pelo Empiricus PodCa$t deste sábado (25). Confira:

O que há de ‘diferente’ na Argentina a partir de agora que pode atrair potenciais investidores?

Paolo di Sora, CIO e sócio-fundador da RPS Capital, investe na Argentina há mais de uma década. Em entrevista ao podcast, o especialista apontou dois motivos pelos quais é possível acreditar em uma “virada de chave” para a economia do país.

  • Fator sociológico: “Tenho a percepção de que a sociedade argentina, de fato, chegou em um ‘fundo do poço’ em 2022 — e isso é o que cria o ambiente para uma mudança real”, afirma. “Conversando com a base da sociedade, vejo pessoas pedindo por uma mudança estrutural e madura”.
  • Exportação de commodities: Ainda no governo de Alberto Fernández, antecessor de Milei, a Argentina começou um projeto de desenvolvimento de sua província de petróleo. Essa nova “veia exportadora” impulsiona sua balança comercial em dólar. “Isso pode dar mais artilharia para o país se defender de uma próxima crise cambial”, afirma.

    Vai sobrar dólar na Argentina, se as coisas continuarem na direção que estão indo. Isso é transformacional. Há algo estrutural acontecendo, que de fato cria um ambiente estrutural de investimentos”, conclui.

Se Milei eventualmente sair do poder, as perspectivas podem mudar?

“Se Milei perder as eleições [em 2027], não acho que a alternativa será alguém que vai jogar tudo o que foi feito fora. O kirchnerismo enfraqueceu muito”, afirma di Sora. Para o especialista, um possível substituto de Milei deve reconhecer a manutenção de, pelo menos, parte das reformas.

“Não importa se é de direita ou de esquerda: certos valores serão preservados, e então passamos a ter confiança de que esse projeto terá um payback em alguns anos”.

Para especialista, com o tempo, a Argentina carrega potencial de ‘multiplicar seu dinheiro por algumas vezes’

“Sempre que você olhar o múltiplo de uma empresa argentina, tem que pensar no potencial de crescimento que ela tem em um país que ficou parado no tempo por décadas”, afirma di Sora.

Especificamente na bolsa argentina, considerando as reformas econômicas em andamento, os ativos estão em níveis de desconto que carregam o potencial de recompensar investidores dispostos a se expor a esse mercado.  

“O valuation é espetacular. Se se minha tese estiver certa, estamos diante da possiblidade de multiplicar o dinheiro por algumas vezes. Não acho que é no curto prazo, mas também não sabemos exatamente quando pode acontecer”, afirma.

Porém, isso não exclui os riscos políticos e fiscais que já conhecemos. Com isso, o especialista não recomenda “entrar de cabeça”: “Investir na Argentina é como investir na Faixa de Gaza. Você não pode entrar de peito aberto, precisa de um colete à prova de balas.”

Como, então, investir no país com o melhor “colete à prova de balas” possível? Assista ao episódio para conhecer, na íntegra, as perspectivas do gestor. Basta clicar no vídeo abaixo:

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Ibovespa hoje: manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz mantém petróleo em forte alta; o que esperar no pregão?

24 de Abril de 2026, 09:33

Os mercados globais iniciam a sexta-feira ainda sob influência do impasse no Oriente Médio, que deixou para trás a fase de negociações difíceis e passou a assumir contornos de conflito mais estruturado entre Estados Unidos e Irã.

O enfraquecimento do canal diplomático, a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz e a retórica militar mais dura elevaram o prêmio de risco global, mantendo o petróleo em forte alta, com o Brent ao redor de US$ 107 por barril.

Donald Trump afirmou ter ordenado à Marinha americana que destrua embarcações envolvidas na instalação de minas na região, enquanto os Estados Unidos seguem interceptando petroleiros iranianos. Em paralelo, Israel e Líbano concordaram em estender o cessar-fogo por mais três semanas, embora a estabilidade regional permaneça frágil. Para os mercados, o principal efeito continua sendo a pressão inflacionária adicional e a maior sensibilidade dos ativos a qualquer nova manchete geopolítica.

· 00:51 — Comunicação desencontrada

No Brasil, o Ibovespa voltou a recuar e segue encontrando maior dificuldade nesta segunda metade de abril, especialmente depois de ter se aproximado da marca simbólica dos 200 mil pontos.

Em um ambiente mais desafiador no exterior, o petróleo subiu pelo quarto pregão consecutivo, com o Brent encerrando acima de US$ 105 por barril, enquanto as bolsas americanas interromperam a sequência de recordes.

Nesse contexto, o índice brasileiro caiu 0,78%, para a região dos 191 mil pontos, acumulando perda superior a 7 mil pontos em apenas seis sessões. O desempenho só não foi mais fraco porque empresas ligadas ao setor de óleo e gás ajudaram a amortecer parte das perdas. Ao mesmo tempo, o dólar voltou a superar R$ 5 e a curva de juros passou a incorporar prêmio adicional de risco, refletindo um ambiente mais cauteloso.

Sem uma agenda econômica doméstica mais robusta, o mercado deve continuar repercutindo as novas medidas anunciadas pelo governo para responder à alta dos combustíveis, cuja comunicação foi marcada por ruídos relevantes.

Inicialmente, ganhou força a expectativa de uma isenção imediata de tributos federais sobre a gasolina, o que provocou reação negativa imediata diante do temor fiscal. Posteriormente, o que de fato foi apresentado foi o envio ao Congresso de um projeto que permite utilizar receitas extraordinárias do petróleo, como royalties, dividendos e exportações, para financiar reduções temporárias de impostos sobre combustíveis.

A proposta prevê espaço potencial de queda de até R$ 0,68 por litro na gasolina, R$ 0,19 no etanol e postergação parcial no diesel, sendo que cada redução de R$ 0,10 na gasolina teria impacto estimado de R$ 800 milhões em dois meses. Ainda assim, o desenho levanta dúvidas sobre a previsibilidade da compensação fiscal e reforça a percepção de flexibilização adicional de regras já consideradas frágeis. Em última instância, medidas desse tipo tendem apenas a transferir parte da conta para frente, ampliando a necessidade de um ajuste fiscal mais consistente no próximo ano.

· 01:45 — Rali de semicondutores

Após renovarem máximas recentes, o S&P 500 e o Nasdaq recuaram na quinta-feira, pressionados por uma rodada mista de balanços corporativos e pela falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O Nasdaq caiu 0,9%, enquanto o S&P 500 cedeu 0,4%, com a Tesla em queda após resultados recebidos sem grande entusiasmo e outras big techs também pressionadas.

No segmento de software, números mais fracos de IBM e ServiceNow pesaram sobre o setor, reforçando que, mesmo em um ambiente ainda favorável para ações, o nível de exigência dos investidores segue elevado durante a temporada de resultados.

Na direção oposta, o setor de semicondutores continuou se destacando. A Texas Instruments disparou após divulgar resultados robustos, ajudando o índice SOX a alcançar nova máxima e a registrar a mais longa sequência de altas de sua história.

Depois do fechamento, a Intel reforçou esse movimento ao apresentar números muito acima do esperado, com melhora em receita, margens e guidance, impulsionada pelo desempenho em PCs e data centers. Ao mesmo tempo, Microsoft e Meta anunciaram novos cortes de pessoal, sinalizando que as gigantes de tecnologia seguem buscando maior eficiência operacional em meio à corrida por investimentos em inteligência artificial e à necessidade de preservar rentabilidade.

· 02:39 — Nada de novo no front?

Novos desdobramentos no Oriente Médio mantêm os mercados atentos ao Estreito de Ormuz e à fronteira entre Israel e Líbano. Mesmo sob um cessar-fogo formal, o Irã continua restringindo o tráfego em Ormuz, levando Donald Trump a declarar que autorizou as forças americanas a neutralizar embarcações que tentem instalar minas em uma das principais rotas marítimas do mundo.

Ao mesmo tempo, o presidente americano anunciou a extensão por mais três semanas da trégua entre Israel e Líbano, após nova rodada de negociações realizada na Casa Branca, enquanto o Pentágono convocou uma coletiva de imprensa para atualizar o quadro militar. Ainda assim, fontes próximas às conversas indicam que novas negociações presenciais entre Washington e Teerã seguem dificultadas pelo tom mais agressivo adotado por Trump.

Apesar da persistente tensão geopolítica, os mercados vêm reagindo de forma cada vez mais pragmática. Em vez de episódios prolongados de pânico, investidores têm tratado conflitos recentes mais como eventos recorrentes do que como choques permanentes, ajustando preços com rapidez a cada novo desdobramento.

Energia, cadeias globais de suprimentos e ativos de risco mostraram resiliência superior à esperada, ainda que a volatilidade se mantenha presente, naturalmente, enquanto famílias e empresas, especialmente nas economias desenvolvidas, iniciaram 2026 com balanços relativamente robustos, preparados para o tranco. Em síntese, o cenário atual reforça um novo regime de mercado: mais sensível a manchetes no curto prazo, porém também mais adaptável a crises geopolíticas do que em ciclos anteriores.

· 03:24 — Colocou medo na Casa Branca

O debate sobre regulação da inteligência artificial ganhou nova intensidade após a Anthropic anunciar o modelo Mythos, descrito como extremamente avançado na identificação de vulnerabilidades de software e potencialmente capaz de gerar riscos relevantes à infraestrutura crítica, como bancos, hospitais e sistemas sensíveis.

Diante desse potencial, a empresa optou por restringir voluntariamente o acesso inicial a um grupo seleto de companhias. Ainda assim, surgiram relatos de que o sistema já teria alcançado usuários não autorizados. O episódio parece ter provocado uma mudança de tom na Casa Branca: poucos dias após o anúncio, autoridades econômicas e regulatórias se reuniram para discutir eventuais impactos ao sistema financeiro, enquanto a Casa Branca passou a intensificar o diálogo com executivos do setor.

Até então, a postura do governo Trump vinha sendo amplamente favorável à desregulação, sob a lógica de acelerar o avanço das empresas americanas na disputa tecnológica com a China. Agora, contudo, ganha força um dilema mais complexo entre velocidade e segurança.

De um lado, os Estados Unidos buscam preservar sua liderança global em inteligência artificial; de outro, aumentam as preocupações com riscos cibernéticos, possíveis impactos sobre empregos e a crescente resistência política ao avanço desordenado da tecnologia. Para os investidores, a principal leitura é que a IA continua sendo um vetor estrutural de crescimento, mas o mercado pode passar a conviver cada vez mais com discussões sobre supervisão, exigências de segurança e eventuais limites regulatórios para modelos cada vez mais poderosos.

· 04:16 — Guinada japonesa

O Japão iniciou uma guinada histórica em sua política de defesa ao autorizar, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a exportação de armamentos letais, como mísseis, caças e navios de guerra. A medida, conduzida pela primeira-ministra Sanae Takaichi, busca revitalizar a indústria militar japonesa em um ambiente de ameaças crescentes vindas da China e da Coreia do Norte, ao mesmo tempo em que procura reduzir a dependência estratégica do país em relação aos Estados Unidos.

Em um contexto de forte demanda global por equipamentos de defesa, impulsionada pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, Tóquio tenta converter sua capacidade tecnológica em maior relevância geopolítica e econômica. Ainda assim, o movimento não é isento de resistência: enfrenta oposição de parte da sociedade japonesa e críticas de Pequim, que vê na iniciativa um possível afastamento do pacifismo que marcou o Japão no pós-guerra. Vivemos uma verdadeira nova corrida armamentista.

· 05:02 — Força operacional em momento favorável do setor

A Eneva divulgou uma prévia operacional bastante positiva para o 1T26, reforçando o momento favorável vivido por seus ativos de geração. O despacho médio de suas usinas alcançou 33%, frente a apenas 8% no mesmo período do ano anterior, enquanto a geração bruta somou 3,6 GWh, representando expressivo crescimento anual de 327%.

O principal destaque ficou com os ativos abastecidos por gás próprio, como o Complexo Parnaíba e Jaguatirica II, o que evidencia uma vantagem competitiva importante em momentos de maior necessidade de geração térmica. O desempenho reflete um ambiente setorial construtivo, marcado por clima mais seco no início do trimestre, limitações operacionais em fontes renováveis e maior demanda por energia nos horários em que a geração solar perde intensidade.

Mesmo com a recuperação recente dos reservatórios, o novo modelo de operação do sistema elétrico brasileiro passou a incorporar postura mais conservadora diante do risco hídrico, o que tende a sustentar preços de energia mais elevados e níveis mais consistentes de despacho térmico ao longo do tempo. Embora o complexo solar Futura 1 ainda enfrente restrições operacionais, seu peso dentro do resultado consolidado permanece limitado.

Além disso, a companhia encerrou o trimestre com reservas robustas de gás, em 47 bilhões de metros cúbicos, preservando relevante visibilidade operacional para os próximos anos. Em conjunto, a prévia reforça a qualidade de execução da Eneva, a resiliência de seu modelo integrado entre gás e energia e perspectivas construtivas para ENEV3, especialmente diante da entrada gradual de novos projetos em operação.

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FIIs ou renda fixa: o dilema do investidor em um ciclo (ainda lento) de queda de juros

24 de Abril de 2026, 07:55
CAROLINA BORGES EQI RESEARCH

 Com a Selic iniciando um ciclo de queda, o mercado brasileiro vive um momento positivo, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização da Bolsa. Ao mesmo tempo, os juros começam a recuar, ainda que em um ritmo mais lento do que o esperado no início do ano. Para os fundos imobiliários, essa […]

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Ibovespa em queda após ‘bater na trave’ dos 200 mil pontos: o que aconteceu? Veja análise de Matheus Spiess, da Empiricus

23 de Abril de 2026, 15:42

Depois de bater a máxima histórica intradia de 199 mil pontos no último dia 14 de abril, o Ibovespa fechou o pregão da última quarta-feira (22) em queda de 2%. A perda acumulada desde as máximas é de cerca de 3% e, até o fechamento desse texto, na tarde de quinta-feira (23), o índice negociava na casa dos 191 mil pontos.

A bolsa brasileira, até então, vinha sendo amplamente beneficiada pela grande entrada de fluxo estrangeiro, além do desempenho positivo de empresas de commodities, como a Petrobras (PETR4), em meio à alta do petróleo. Tudo isso no contexto da guerra no Oriente Médio, que completa dois meses ao final de abril.

Qual o gatilho, então, para essa queda brusca nos últimos dias? O que mudou ao olhar dos investidores? Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, propôs uma resposta nesta quinta-feira (23) no programa Giro do Mercado, do Money Times. Confira:

Saída de fluxo estrangeiro: analista explica movimento dos gringos para fora do Ibovespa nos últimos dias

“Essa correção foi paralela à saída de estrangeiros [da bolsa brasileira]. Eles ainda estão entrando em termos líquidos, mas nessa janela dos ‘quase 200 mil pontos’ até aqui, houve uma saída”, afirma o analista.

Ao mesmo tempo em que essa saída de capital é registrada por aqui, um outro fenômeno acontece no hemisfério norte: uma nova alta dos ativos de risco nos Estados Unidos.

“Vemos teses de tecnologia, que tinham ficado para trás, voltando para o patamar pré-conflito”, afirma o analista. “Em grande parte, pelo entendimento dos investidores de que há embasamento de resultados corporativos”.

A temporada de resultados do 1º trimestre (1T26) já está em andamento para as empresas norte-americanas, e mais de 80% dos resultados divulgados até ontem (22) haviam superado as estimativas do mercado, segundo Spiess.

Para o analista, a qualidade dessa temporada de resultados, somada a uma “revisão altista das expectativas de lucro” para muitas dessas empresas, é um dos principais motores de atração dos recursos de volta para os EUA.

Mas será que esse movimento é mais estrutural, ou apenas um ajuste tático?

“Acredito que até há estímulos para voltar a algumas teses de tecnologia que de fato ‘apanharam’ demais, mas o fato de termos saída de recursos estrangeiros do Brasil, com tanta força, no curto prazo, me parece mais tático: uma realização de lucros, um ajuste de posição. O que é natural, faz parte do jogo”, afirma.

Ibovespa passa por ‘janela’ de correção, mas pode seguir resiliente – veja dois motivos para isso

Nesse sentido, o analista lembra que o Ibovespa tem a “ressalva de uma resiliência adicional”, que pode continuar beneficiando o índice. Essa resiliência pode ser dividida em duas facetas:

  • Diversificação geográfica: para Spiess, o Brasil captura bem essa tese, não apenas por “estar barato”, mas também por estar em um “ponto nevrálgico” de se beneficiar do “novo ordenamento internacional” de diferentes formas;
  • Commodities: o Brasil é referência no assunto, e as principais empresas listadas em bolsa estão, de alguma forma, ligadas ao setor. “Quando temos uma alta do petróleo, Petrobras se beneficia, o real se beneficia. Tanto que vimos o dólar abaixo de R$ 5” recentemente, afirma.

Para o analista, o que vemos no Ibovespa agora é apenas uma “janela de mais correção”, especialmente para os ativos que vinham em forte alta. “Acredito que seja saudável esse processo de correção, para que não haja exageros no curtíssimo prazo”, conclui.

Mas, independentemente dos movimentos de curto prazo, no Ibovespa ou demais ativos, o que investidores devem manter em mente, no momento, são os impactos geopolíticos em suas decisões de investimento — que devem perdurar.

“O novo normal é um mundo que demanda que posições de caráter temático, geopolítico, sejam mantidas. A ideia é manter esses prêmios de risco na carteira e capturar os benefícios dessa exposição”, afirma Spiess. “Não é uma ‘coisa’ de sim ou não, mas de complementar a carteira que os investidores terão que se adaptar para ter consigo”.

Onde investir nesse cenário? Conheça carteira recomendada com ativos que capturam mudança de ordenamento global

Especialmente defendendo a vertente de proteção de portfólio e diversificação geográfica, Spiess agora está à frente de uma das mais novas carteiras recomendadas da Empiricus: a Megatendências.

O objetivo da carteira é trazer, por meio de ETFs e BDRs negociados na bolsa brasileira, uma exposição combinada a diversos tipos de ativos que capturem as principais tendências globais do momento.

“Trata-se de uma proposta que alia diversificação global a uma leitura estratégica dos grandes movimentos que devem influenciar os mercados nos próximos anos”, afirma o analista.

Por meio da Empiricus Megatendências, o investidor pode se expor “ao que realmente importa no mundo que está se formando”, segundo o analista, sem precisar passar pela complexidade de selecionar os ativos por conta própria.

Conheça tese completa da Empiricus Megatendências e saiba como investir de forma automática

Você pode acessar a tese completa da carteira Empiricus Megatendências gratuitamente, por meio do BTG Content — plataforma de conteúdos do BTG Pactual.

Clicando aqui, ou no botão ao final do texto, você realiza um cadastro na plataforma. Lá, você poderá não apenas conhecer a carteira na íntegra, mas também investir em todos os ativos recomendados de forma totalmente automática.

Selecionando a carteira na modalidade carteira automatizada, você poderá buscar retornos sem precisar comprar ou vender cada ativo individualmente, e contar com apoio profissional para o rebalanceamento, quando necessário.

A única coisa que você precisa fazer, para usufruir dessa funcionalidade, é um cadastro rápido, clicando no botão abaixo:

DISCLAIMER: Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância ao risco (Suitability).

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Mercado hoje: Wall Street em alta, temporada de resultados, Estreito de Ormuz ‘paralisado’ e mais destaques desta quinta (23)

23 de Abril de 2026, 10:03

Os mercados globais iniciam a quinta-feira divididos entre o alívio vindo de Wall Street e a permanência de tensões geopolíticas relevantes no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã seguem em impasse em torno do controle do Estreito de Ormuz, mantendo restrições ao tráfego marítimo mesmo sob um cessar-fogo prolongado.

O Irã apreendeu embarcações, elevou o tom de sua retórica e reforçou o uso da rota como instrumento de pressão, enquanto Washington aguarda, sem prazo definido, uma nova proposta de paz por parte de Teerã. Nesse contexto, o petróleo continua acima de US$ 100 por barril, o gás natural avança na Europa e os investidores permanecem atentos ao risco de um choque energético mais persistente, com potencial para pressionar a inflação global e reduzir o espaço para cortes de juros nas principais economias.

Ao mesmo tempo, as bolsas americanas seguem próximas de máximas históricas, sustentadas pela percepção de que Donald Trump não permitirá uma escalada descontrolada do conflito e também pelo início da temporada de balanços das empresas de tecnologia.

Ainda assim, o entusiasmo não é irrestrito. Tesla e IBM, por exemplo, divulgaram resultados relevantes, mas deixaram pontos de frustração em suas mensagens ao mercado, mostrando que, mesmo em um ambiente favorável, o nível de exigência dos investidores continua elevado. Também se observa uma certa rotação global de fluxos, com a bolsa americana voltando a se destacar, enquanto mercados que vinham liderando recentemente, como o Brasil, passam por uma acomodação mais natural após a forte valorização acumulada nos últimos meses.

· 00:55 — O debate da 6×1

Por aqui, o mercado local absorveu de forma intensa o ajuste represado após o feriado, com o Ibovespa recuando 1,65% e devolvendo o patamar dos 193 mil pontos, poucos dias depois de ter flertado com a marca simbólica dos 200 mil.

Desde então, observou-se uma recomposição de posições por parte de investidores estrangeiros, com realização parcial de lucros no Brasil e redirecionamento de recursos para ativos americanos que haviam ficado para trás no movimento recente.

Ainda assim, os fluxos líquidos seguem positivos para o mercado brasileiro, o que sugere mais uma rotação tática do que uma mudança estrutural de tendência. Vejo esse movimento como natural (e até saudável) após a velocidade da alta observada nos últimos meses. Ao mesmo tempo, o dólar permanece abaixo de R$ 5,00, sinalizando resiliência da moeda brasileira mesmo em um ambiente de petróleo acima de US$ 100 por barril.

Na agenda doméstica, a atenção se volta para o leilão do Tesouro Nacional de NTN-F e LTN, evento que pode gerar alguma volatilidade adicional na curva de juros. Também entram no radar o fluxo cambial semanal e a reunião do Conselho Monetário Nacional.

Amanhã, começa a temporada local de resultados corporativos, com divulgação da Usiminas. Em Brasília, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a admissibilidade da PEC que prevê o fim da escala 6×1, proposta que agora segue para comissão especial.

O debate, no entanto, ainda parece superficial diante de um tema com potenciais impactos relevantes sobre setores intensivos em mão de obra e sobre a produtividade do país. Em uma economia que já cresce pouco em produtividade, com carência de capital e tecnologia, mudanças no mercado de trabalho exigiriam discussão mais ampla sobre modernização, qualificação e competitividade, e não apenas sobre redução de jornada de forma isolada. Corre-se o risco de perder ainda mais produtividade e de empobrecer o país, em termos relativos, no cenário global.

Do ponto de vista político, entretanto, tampouco é evidente que esse tipo de agenda produza o retorno eleitoral esperado. Em diversos países da América do Sul, temas como segurança pública, renda e custo de vida têm se mostrado mais centrais para o eleitorado do que mudanças trabalhistas. E o governo segue convivendo justamente com um desafio sensível: a inflação. Ocorre que o problema não se restringe aos combustíveis, pressionados pelo cenário geopolítico.

A América Latina ainda pode enfrentar impactos econômicos caso se confirme um El Niño forte no segundo semestre de 2026, elevando o risco de inflação e desaceleração econômica por meio de efeitos sobre agricultura e energia. Em outras palavras, o ambiente segue exigindo atenção redobrada tanto da política econômica quanto dos investidores.

· 01:44 — Impulso dos resultados

Os mercados americanos voltaram a subir com força, impulsionados pelo início consistente da temporada de balanços corporativos e retomada do apetite por risco após a volatilidade observada em março. Ontem, Dow Jones avançou 0,7%, enquanto S&P 500 e Nasdaq Composite renovaram máximas históricas, com ganhos de 1,0% e 1,6%, respectivamente.

A recuperação do S&P 500, de cerca de 12% desde o fim de março, remete a episódios como 2009 e 2020, quando as bolsas passaram a precificar melhora antes mesmo da normalização completa do cenário econômico. Ainda que, no curto prazo, os ativos permaneçam sensíveis a manchetes e oscilações de sentimento, o pano de fundo segue apoiado por lucros corporativos resilientes e pela percepção de que não há sinais claros de recessão iminente nos Estados Unidos.

No campo corporativo, o setor de tecnologia voltou a liderar o movimento. A Tesla superou as expectativas de receita e lucro, embora tenha sinalizado investimentos robustos de US$ 25 bilhões em veículos autônomos, robótica e inteligência artificial, com retorno financeiro ainda limitado no horizonte mais imediato.

Já a IBM também entregou resultados acima do esperado, com destaque para a aceleração da Red Hat e para o crescimento do segmento de software. Ainda assim, investidores seguem cautelosos diante das incertezas sobre como a inteligência artificial poderá redistribuir valor dentro do setor. Em síntese, a temporada de resultados começa de forma construtiva e reforça a leitura de que, mesmo com valuations exigentes em alguns segmentos, o principal suporte para as bolsas continua sendo a capacidade das empresas de expandir lucros ao longo do tempo.

· 02:31 — Tráfego paralisado

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz foi praticamente paralisado após ataques iranianos a embarcações comerciais e a apreensão de navios na região, elevando de forma significativa a tensão entre Estados Unidos e Irã.

O impasse se agravou depois do fracasso de uma nova tentativa de negociação, levando Donald Trump a prorrogar por tempo indeterminado o cessar-fogo firmado em abril, enquanto Washington segue aguardando uma proposta formal de Teerã. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos intensificaram o bloqueio naval e interceptaram superpetroleiros iranianos, enquanto o Irã continua utilizando Ormuz como instrumento de pressão diplomática. O resultado é uma disputa ainda controlada, mas sem solução clara no horizonte, em que nenhum dos lados parece disposto, por ora, a ser o primeiro a ceder.

Para os mercados, a consequência mais imediata é o aumento da incerteza global. O petróleo Brent permanece acima de US$ 100 por barril, pressionando as expectativas de inflação e reduzindo o espaço para cortes de juros nas principais economias.

No dia a dia da economia dos países ao redor do mundo, o encarecimento dos combustíveis pode afetar o consumo das famílias e limitar parte do entusiasmo recente das bolsas, que vinham renovando máximas históricas.

Além disso, o conflito já começa a gerar efeitos colaterais mais amplos, como a necessidade de apoio financeiro emergencial a países do Golfo, que recorreram a Washington em busca de linhas de liquidez em dólares. Em síntese, mesmo sem uma escalada militar aberta, a atual paralisia estratégica prolonga os custos econômicos do conflito e mantém os ativos financeiros altamente sensíveis a qualquer novo desdobramento geopolítico.

· 03:26 — A transformação tecnológica

Se os valuations atuais das gigantes americanas de inteligência artificial estiverem corretos, o mundo poderá estar diante de uma transformação profunda na lógica da economia global. Empresas como Nvidia, Microsoft, Alphabet e Amazon precisariam gerar, ao longo da próxima década, trilhões de dólares adicionais em receitas vindas do exterior, convertendo a IA em uma nova e poderosa fonte de exportação dos Estados Unidos.

Nesse contexto, o debate tradicional sobre até quando a economia americana conseguiria sustentar déficits externos perde parte da centralidade. A pergunta mais relevante passaria a ser outra: como o restante do mundo financiaria pagamentos recorrentes pelo uso de chips, infraestrutura em nuvem, modelos de linguagem e plataformas digitais controladas por um grupo pequeno de companhias americanas.

Em termos práticos, a próxima fase da globalização poderia ser menos centrada em manufatura e bens físicos, e muito mais ancorada na remuneração de propriedade intelectual, capacidade computacional e infraestrutura tecnológica.

Esse cenário também carrega implicações políticas e econômicas relevantes. Para que o resto do mundo consiga pagar por esses serviços em larga escala, será necessário gerar renda por meio da venda de bens, serviços ou ativos, algo que entra em tensão com discursos protecionistas e com barreiras comerciais defendidas por parte do establishment americano.

Ao mesmo tempo, uma concentração tão expressiva de valor em poucas empresas levanta questões importantes sobre concorrência, regulação e equilíbrio geopolítico. Para o investidor, a principal mensagem é que o boom da inteligência artificial pode até parecer excessivo em alguns momentos no curto prazo, mas embute uma aposta estrutural de longo alcance: a de que a tecnologia americana se tornará um insumo cada vez mais indispensável ao funcionamento da economia global nas próximas décadas.

· 04:13 — Novo perigo para a OTAN

Enquanto a atenção dos mercados permanece voltada para a Terceira Guerra no Golfo, uma frente estratégica paralela ganha relevância no Atlântico Norte, onde OTAN e Rússia passam a reeditar, em nova escala e com tecnologia muito mais sofisticada, uma dinâmica que remete à antiga guerra antissubmarino da Guerra Fria.

Após anos de investimento, Moscou modernizou de forma relevante sua frota naval, incorporando submarinos nucleares mais avançados, fortemente armados e cada vez mais difíceis de rastrear, o que vem elevando a preocupação de membros da aliança atlântica, especialmente Reino Unido e Noruega.

Os Estados Unidos ainda preservam certa vantagem numérica sobre a Rússia nesse campo, mas enfrentam limitações industriais importantes para ampliar sua capacidade, em especial diante das dificuldades de produção e da escassez de mão de obra especializada. Isso ajuda a explicar por que o tema voltou a ganhar espaço nas discussões estratégicas do Ocidente: mais do que uma disputa militar convencional, trata-se de um embate em torno da proteção de rotas marítimas, cabos submarinos, infraestrutura energética e ativos críticos para o funcionamento da economia global.

Em outras palavras, o que está em curso no Atlântico Norte reforça que a competição geopolítica contemporânea vai muito além do Oriente Médio. Há uma reorganização mais ampla do equilíbrio de poder em andamento, envolvendo múltiplos teatros e diferentes formas de pressão estratégica. Para os mercados, esse tipo de movimento importa porque amplia o pano de fundo de incerteza global e reforça a necessidade de acompanhar não apenas os conflitos mais visíveis, mas também aqueles que avançam de forma silenciosa, porém cada vez mais relevante.

· 05:09 — Na era da IA, quem protege o sistema pode valer ouro

A rápida evolução dos agentes de inteligência artificial aplicados à programação trouxe questionamentos relevantes ao mercado sobre o futuro das empresas de software. No caso da cibersegurança, porém, os efeitos tendem a ser mais positivos do que negativos.

Ferramentas de “vibe coding”, capazes de criar aplicações a partir de comandos em linguagem natural, aceleram o desenvolvimento de soluções internas e reduzem barreiras técnicas, mas frequentemente também carregam vulnerabilidades importantes.

Em termos práticos, quanto maior a velocidade de criação tecnológica sem supervisão adequada, maior tende a ser a superfície de ataque. Isso amplia a demanda por testes de segurança, monitoramento contínuo e mecanismos de proteção em tempo real, favorecendo companhias especializadas no setor.

Além disso, a indústria de cibersegurança reúne barreiras competitivas relevantes, o que dificulta substituições simples por soluções genéricas baseadas em IA. Empresas e instituições possuem tolerância praticamente zero a falhas nessa área, já que um único incidente pode gerar perdas financeiras expressivas, danos reputacionais duradouros e interrupções operacionais severas.

Soma-se a isso o valor estratégico de bases proprietárias de dados construídas ao longo de anos, modelos treinados com trilhões de eventos reais e exigências regulatórias cada vez mais rigorosas, como o General Data Protection Regulation e diversas normas setoriais. Na prática, esse ambiente sugere que a inteligência artificial tende muito mais a complementar plataformas consolidadas do que a substituí-las.

Outro ponto construtivo para investimentos é que os gastos com cibersegurança dependem menos do número de funcionários e mais da complexidade dos ativos digitais que precisam ser protegidos. Mesmo que algumas empresas reduzam equipes em razão de ganhos de produtividade proporcionados pela IA, continuam crescendo o número de dispositivos conectados, workloads em nuvem, APIs, bases de dados e redes interligadas.

Mais do que isso, o avanço dos agentes autônomos de IA cria novos “trabalhadores digitais”, cada um exigindo identidade própria, supervisão e proteção. Em vez de encolher, portanto, a demanda estrutural por segurança digital tende a se expandir, reforçando a atratividade de longo prazo do setor.

Para investidores atentos a tendências estruturais, o segmento de cibersegurança oferece caminhos claros de exposição. ETFs como o Global X Cybersecurity ETF (BUG) e o First Trust Nasdaq Cybersecurity ETF (CIBR) reúnem empresas líderes em defesa digital, com receitas recorrentes, atuação global e crescente incorporação de inteligência artificial em seus modelos de negócio.

No Brasil, o BBUG39 surge como alternativa local de acesso ao tema. Ainda assim, vale a cautela: investimentos temáticos, por mais promissores que pareçam, devem ser tratados com parcimônia dentro da carteira. Uma alocação entre 1% e 2,5% do portfólio — e, no máximo, 5% somando todos os temas específicos — tende a ser mais do que suficiente para capturar o potencial de crescimento sem comprometer a diversificação. Segurança, afinal, também começa pela estratégia de alocação.

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Ibovespa hoje: Trump anuncia prorrogação do cessar-fogo no Oriente Médio, mas Estreito de Ormuz segue pressionado; veja destaques do dia

22 de Abril de 2026, 10:04

Donald Trump anunciou a prorrogação por prazo indeterminado do cessar-fogo com o Irã, em uma tentativa de preservar o canal diplomático e evitar a retomada imediata das hostilidades. Apesar da extensão da trégua, os Estados Unidos mantiveram o bloqueio naval aos portos iranianos e seguiram pressionando o Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o fluxo global de petróleo.

O Irã, por sua vez, sinaliza disposição para retornar às negociações, mas condiciona avanços concretos a algum relaxamento dessas restrições. Dessa forma, embora a reação inicial dos mercados tenha sido positiva, permanece a leitura de que o conflito continua sem solução definitiva e ainda sujeito a novos episódios de instabilidade.

· 00:52 — Orçamento limitado

No Brasil, antes do anúncio de prorrogação do cessar-fogo, os mercados em Nova York passaram o dia reagindo ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, movimento que também influenciou os ativos brasileiros mesmo durante o feriado local. O ETF iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) recuou 1,22%, acompanhando perdas em ADRs relevantes, como Vale S.A., refletindo uma postura mais cautelosa por parte dos investidores globais.

Na direção oposta, Petrobras avançou cerca de 2%, beneficiada pela manutenção do petróleo próximo de US$ 100 por barril. O mercado ainda assimila a possibilidade de um choque de oferta mais persistente no setor de energia, o que pode gerar pressões adicionais sobre a inflação. Soma-se a isso o debate climático envolvendo o fenômeno El Niño, que também pode impactar preços no segundo semestre. Ainda assim, a trajetória-base segue apontando para continuidade do ciclo de cortes de juros no Brasil, embora possivelmente em ritmo mais moderado, como já sugerido pelo Banco Central do Brasil e pelo Boletim Focus.

Hoje, inclusive, começa o período de silêncio do Banco Central antes da próxima reunião de política monetária, na qual a expectativa predominante é de redução de 25 pontos-base na taxa Selic. Em um segundo momento, eventuais sinalizações eleitorais ou avanços fiscais poderiam abrir espaço para cortes adicionais.

Nesse contexto, a equipe econômica ligada a Flávio Bolsonaro discute um ajuste fiscal, como indicado pela Folha de S.Paulo, equivalente a 2 pontos do PIB, cerca de metade dos 4 pontos do PIB que parte dos especialistas considera necessários para estabilizar a dívida pública.

Entre as propostas estão mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação e alterações nas regras de reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais. Estimativas mencionam economia potencial de até R$ 1,9 trilhão em dez anos, o que poderia aliviar a percepção de risco e contribuir para a queda dos juros longos, embora dependa de mudanças constitucionais e enfrente elevada resistência política.

Ao mesmo tempo, o Brasil ganha relevância estratégica no setor energético: com o petróleo em patamares elevados, a América do Sul poderia adicionar 2,1 milhões de barris diários até 2035, com destaque para Brasil, Guiana e Suriname. Trata-se de uma janela de oportunidade relevante para a região em um mundo que segue demandando segurança energética.

· 01:48 — Falou ao Congresso

Nos Estados Unidos, a combinação entre o alívio geopolítico no Oriente Médio e a divulgação de indicadores domésticos ainda consistentes ajudou a preservar o apetite por risco, levando o S&P 500 a renovar máximas recentes em meio à temporada de resultados corporativos.

Parte importante desse movimento reflete a percepção de que a economia americana segue crescendo, sem sinais evidentes de recessão no horizonte imediato, ao mesmo tempo em que a inflação, embora ainda resistente, deixou de mostrar deterioração adicional na margem. Ainda assim, o mercado parece já ter incorporado boa parte desse cenário mais favorável aos preços dos ativos, o que torna os próximos passos cada vez mais dependentes da agenda macroeconômica.

No campo da política monetária, os holofotes se voltaram para Kevin Warsh, indicado para liderar o Federal Reserve. Em audiência no Senado, Warsh procurou enfatizar sua independência em relação a Donald Trump e adotou um tom relativamente mais brando ao tratar da inflação, chegando inclusive a defender uma revisão das métricas utilizadas pelo banco central americano.

Na prática, o mercado interpretou sua postura como marginalmente mais dovish — isto é, mais inclinada a admitir cortes de juros no futuro — embora permaneçam dúvidas relevantes sobre sua autonomia e sobre eventual influência política em sua condução. Para as bolsas, qualquer sinalização de um Fed menos restritivo tende a favorecer especialmente empresas de tecnologia e setores mais sensíveis aos juros, ainda que a preservação da credibilidade institucional continue sendo elemento central dessa discussão.

Já os dados de vendas no varejo reforçaram a percepção de que o consumidor americano segue resiliente. O indicador cheio avançou 1,7% no mês, impulsionado em parte pela alta dos preços da gasolina, enquanto o núcleo também surpreendeu positivamente, revelando força disseminada entre diferentes segmentos do consumo.

O resultado sugere que a demanda das famílias continua oferecendo importante sustentação para a economia, beneficiada por um mercado de trabalho robusto, restituições de impostos e condições financeiras ainda administráveis.

Para a política monetária, contudo, isso traz um dilema: uma atividade mais firme reduz a urgência de cortes imediatos de juros. Para as ações, o efeito líquido permanece positivo no curto prazo, já que crescimento e lucros continuam prevalecendo, mas a atual temporada de resultados será decisiva para confirmar se o otimismo se sustenta.

· 02:36 — Para onde foi o acordo?

Donald Trump anunciou a prorrogação por prazo indefinido do cessar-fogo com o Irã, mesmo após o fracasso de uma nova rodada de negociações, ao mesmo tempo em que manteve o bloqueio no Estreito de Ormuz.

O episódio reforça a ambiguidade que marca o atual momento geopolítico: de um lado, Washington preserva canais diplomáticos e evita o rompimento total das conversas; de outro, continua recorrendo à pressão militar e econômica como instrumento para extrair concessões. Teerã, por sua vez, também sinaliza disposição para negociar, desde que haja algum alívio no bloqueio e redução do tom hostil por parte dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o conflito já avança para sua oitava semana, mantendo relevantes os riscos para os preços de energia, para a dinâmica inflacionária e para o crescimento global. Ainda assim, Wall Street reagiu com relativa serenidade, sugerindo que parcela importante dos investidores segue apostando em algum tipo de distensão gradual mais à frente.

Apesar dessa resiliência observada nos mercados financeiros, a situação no terreno permanece sensível. Petroleiros ligados ao Irã continuam buscando formas de contornar as restrições americanas, embarcações foram alvo de ataques no Estreito de Ormuz e o petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril.

Em paralelo, a tensão regional ganhou um novo foco após Israel acusar o Hezbollah de violar o cessar-fogo no sul do Líbano, reacendendo o risco de abertura de uma segunda frente de conflito. Em resumo, a trégua permanece existente no plano formal, mas ainda distante de uma solução definitiva. O cenário mais provável continua sendo o de avanços limitados, recuos recorrentes e elevada volatilidade, embora cresçam gradualmente as chances de alguma acomodação mais consistente no médio prazo.

· 03:24 — Saída de um gigante

A Apple se prepara para uma transição relevante, com a saída de Tim Cook do comando da companhia e a ascensão de John Ternus, atual chefe de engenharia de hardware. A mudança simboliza o encerramento de um ciclo histórico: sob a liderança de Cook, a empresa ampliou de forma notável seu ecossistema, fortaleceu receitas recorrentes e consolidou-se como um dos maiores grupos de tecnologia do mundo, alcançando valor de mercado na casa dos trilhões de dólares.

Agora, o desafio da nova liderança será conduzir a Apple em um ambiente cada vez mais dominado pela inteligência artificial, justamente em um momento em que o mercado cobra da companhia uma resposta mais ambiciosa e competitiva nessa frente. Por isso, a transição será acompanhada de perto pelos investidores, especialmente à luz dos próximos resultados trimestrais e das eventuais novidades estratégicas em IA ao longo dos próximos meses.

· 04:19 — Onde está a Revolução Verde?

A chamada Revolução Verde ampliou fortemente a produção global de alimentos no século XX, mas também criou uma dependência estrutural de fertilizantes industriais, especialmente os nitrogenados, como ureia e nitrato de amônio. Como muitos desses insumos são produzidos a partir do gás natural, a agricultura moderna passou a depender diretamente da oferta de hidrocarbonetos.

Com a recente disparada dos preços de petróleo e gás em meio ao conflito entre EUA, Israel e Irã, além das interrupções no comércio global de fertilizantes, essa fragilidade voltou a ficar evidente. Os reflexos já aparecem nos preços: energia, alimentos e fertilizantes subiram de forma relevante, aumentando o risco de insegurança alimentar, sobretudo em países mais vulneráveis da África e da Ásia.

Ao mesmo tempo, o Oriente Médio tornou-se peça central dessa engrenagem. Grandes estatais de energia da região, como Saudi Aramco e Adnoc, usaram receitas bilionárias do petróleo para avançar na cadeia química e se transformar em importantes fornecedoras de amônia, matéria-prima essencial para fertilizantes.

Hoje, cerca de 30% das exportações globais de amônia saem do Oriente Médio, com forte dependência de países como Índia e Marrocos. Em outras palavras, parte relevante da produção de alimentos no Sul global depende diretamente da estabilidade geopolítica e energética do Golfo Pérsico, o que mostra como conflitos regionais podem rapidamente se transformar em pressão inflacionária e risco social no mundo.

· 05:05 — Parceria estratégica

A Amazon aprofundou de forma relevante sua parceria estratégica com a Anthropic, startup responsável pelo modelo de inteligência artificial Claude, ao anunciar um novo investimento de US$ 5 bilhões, montante que pode alcançar até US$ 20 bilhões ao longo do tempo. O movimento reforça a intensidade da disputa global pela liderança em IA e fortalece o posicionamento da AWS, divisão de computação em nuvem da companhia.

Em contrapartida ao capital e à infraestrutura disponibilizados pela Amazon, a Anthropic se comprometeu a consumir mais de US$ 100 bilhões em tecnologias da AWS nos próximos dez anos, incluindo chips proprietários Trainium, processadores Graviton e ampla capacidade de data centers. Além disso, clientes da AWS passarão a acessar a plataforma Claude diretamente dentro do ecossistema da Amazon, simplificando a adoção corporativa e ampliando a integração comercial.

Os números operacionais também impressionam. A Anthropic informou que sua receita anualizada já supera US$ 30 bilhões, evidenciando a velocidade com que a demanda por soluções de inteligência artificial vem se expandindo. Embora desafios naturais de infraestrutura, escalabilidade e capacidade acompanhem esse crescimento, o anúncio reforça que a corrida pela IA permanece em plena aceleração — e que a Amazon segue muito bem posicionada para capturar valor em múltiplas frentes: nuvem, chips proprietários, softwares corporativos e serviços.

Trata-se de um desenvolvimento estrategicamente relevante, pois consolida a Amazon não apenas como participante desse ciclo, mas como uma das principais plataformas habilitadoras da revolução tecnológica em curso. Em um ambiente no qual a demanda por processamento, armazenamento e modelos avançados tende a continuar crescendo, a companhia reúne escala, capacidade de investimento e ativos únicos para se beneficiar desse movimento por muitos anos.

Por isso, seguimos com visão construtiva para as BDRs AMZO34, como uma forma eficiente de exposição a uma das líderes globais da transformação impulsionada pela inteligência artificial.

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Ibovespa hoje: mercados sob pressão com reviravoltas no conflito no Oriente Médio; o que esperar nesta segunda-feira (20)?

20 de Abril de 2026, 10:01

Os mercados iniciam a semana novamente sob pressão, após mais um fim de semana marcado por mensagens contraditórias e reviravoltas no conflito entre Estados Unidos e Irã, um retrato bastante fiel do vai e vem que já se esperava nas tentativas de negociação. Na sexta-feira, declarações mais otimistas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e sobre possíveis avanços diplomáticos ajudaram a impulsionar os ativos de risco.

No entanto, esse alívio se mostrou rapidamente frágil diante de novos episódios de tensão, como ataques a embarcações, a apreensão de um navio iraniano pelos Estados Unidos e a retomada de restrições no estreito por parte de Teerã. Em termos práticos, isso reforça a leitura de que o processo de distensão tende a continuar sendo marcado por avanços parciais, recuos frequentes e elevada instabilidade, sem uma trajetória linear de normalização. Esse ambiente mantém a volatilidade elevada tanto nos preços do petróleo quanto nos mercados globais de forma mais ampla.

· 00:52 — Uma trégua imperfeita

Após um fim de semana marcado por forte deterioração geopolítica, os mercados iniciam a semana novamente sob pressão. O ataque da Marinha dos Estados Unidos a um navio cargueiro de bandeira iraniana no Golfo de Omã elevou de forma relevante as tensões com Teerã e recolocou em xeque a viabilidade de futuras negociações entre os dois países. Em paralelo, o Irã voltou a restringir o tráfego no Estreito de Ormuz, sob a alegação de que o bloqueio americano a embarcações ligadas ao país violava os termos do cessar-fogo. O reflexo foi imediato: petróleo e gás natural voltaram a disparar, enquanto as bolsas globais passaram a operar em tom mais defensivo, sinalizando um retorno claro da aversão a risco.

O pano de fundo, portanto, permanece extremamente frágil. Donald Trump retomou o tom de ameaça, indicando a possibilidade de novas ações militares caso as negociações fracassem, ao passo que o governo iraniano afirma não enxergar, neste momento, uma perspectiva clara para um acordo. Há expectativa em torno de uma eventual rodada de conversas no Paquistão, mas as mensagens contraditórias emitidas por ambos os lados apenas reforçam o grau de incerteza. Em termos práticos, o mercado volta a reprecificar o risco geopolítico, a inflação implícita e os possíveis impactos sobre as cadeias globais de energia, desmontando parte relevante do otimismo que havia começado a se formar ao fim da semana anterior.

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· 01:43 — A pausa é no calendário, não no risco

No Brasil, a semana será encurtada pelo feriado de amanhã, terça-feira (21 de abril), fator que tende a reduzir a liquidez dos próximos pregões e, consequentemente, aumentar a cautela dos investidores nesta segunda-feira. Em um ambiente global ainda marcado por forte volatilidade e sucessivas reviravoltas geopolíticas, é natural que parte do mercado prefira posições mais defensivas antes do fechamento prolongado (tem gente que não quer dormir comprada até quarta-feira).

Na agenda, os investidores começam a direcionar atenção para a próxima decisão de juros, marcada para o dia 29 de abril. A minha expectativa segue sendo de continuidade do ciclo de cortes da Selic, seguindo com ritmo mais moderado, com redução de 25 pontos-base, em uma trajetória ainda condicionada pelos impactos externos, especialmente os efeitos da crise no Oriente Médio sobre inflação de longo prazo e percepção de risco.

Ao mesmo tempo, Brasília volta a ganhar protagonismo. O governo prepara um pacote de medidas voltado ao enfrentamento do endividamento de famílias e empresas, com foco especial em pequenos e médios negócios e em novas linhas de crédito para o setor produtivo.

No campo político, também avança o debate em torno do fim da escala 6×1, tema que ganhou espaço recente na agenda pública por conta do calendário eleitoral. Em paralelo, pesquisas de opinião divulgadas nas últimas semanas vêm indicando desgaste do governo em diferentes regiões e segmentos relevantes do eleitorado, inclusive em bases historicamente mais favoráveis, como destacado em matéria do jornal O Globo.

Se essa tendência persistir, como elucidado também pelo levantamento da Paraná Pesquisas, o cenário eleitoral tende a se mostrar mais competitivo adiante para a oposição, elemento que o mercado acompanha de perto por seus potenciais reflexos sobre expectativas econômicas, agenda fiscal (tema caro para os investidores locais) e trajetória dos ativos locais.

· 02:37 — Agenda intensa

Wall Street inicia a semana diante de uma agenda intensa, combinando balanços corporativos, indicadores macroeconômicos e novos desdobramentos geopolíticos, um conjunto de fatores que deve continuar definindo o tom dos mercados nos próximos dias.

A temporada de resultados começa a ganhar tração e pode ser decisiva para sustentar o rali observado nas últimas semanas. Até aqui, aproximadamente 88% das empresas do S&P 500 que já divulgaram seus números superaram as estimativas do mercado, um desempenho superior à média histórica.

Ainda assim, os testes mais relevantes estão logo adiante, com a divulgação dos resultados de gigantes como Tesla, Intel e outras empresas de tecnologia, que têm peso importante na direção dos índices. No campo macroeconômico, os investidores também acompanharão com atenção dados como vendas no varejo nos Estados Unidos, índices de atividade (PMIs), indicadores de confiança do consumidor e discursos de dirigentes do Federal Reserve, além da audiência de Kevin Warsh, o próximo Chair do Fed, no Congresso.

· 03:29 — Reembolso de grande proporção

O governo Trump iniciou o processamento dos pedidos de reembolso relacionados a tarifas consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte, em um processo que deve ocorrer de forma gradual e que pode resultar na devolução de até US$ 127 bilhões a importadores americanos. Embora isso represente um alívio potencial para parte das empresas afetadas, é importante destacar que os reembolsos não serão automáticos: dependerão de solicitações formais e podem levar um tempo considerável até sua conclusão. Nesse intervalo, inclusive, já surgem agentes financeiros interessados em comprar esses créditos, tratando-os como uma nova frente de oportunidade.

Ao mesmo tempo, cresce a incerteza em torno da política comercial americana para os próximos meses: a Casa Branca dá sinais de que não pretende abandonar sua agenda protecionista, preparando novas tarifas para substituir parte das medidas que foram derrubadas judicialmente. A possibilidade de novas tarifas contra a China segue no radar, enquanto a renegociação do acordo comercial entre EUA, México e Canadá deve ganhar relevância até julho. Em outras palavras, mesmo com a devolução de recursos a algumas empresas, o pano de fundo permanece marcado por volatilidade, disputas estratégicas e potenciais impactos relevantes sobre cadeias globais de produção, custos corporativos e planejamento de investimentos.

· 04:18 — Uma pequena corrida para um robô, mas um grande salto para…

A tecnologia continua avançando em ritmo notável, e os desenvolvimentos recentes na China ajudam a dar concretude a essa transformação. Em uma meia maratona realizada em Pequim, um robô humanoide autônomo superou corredores humanos e estabeleceu um novo marco, evidenciando o grau de evolução já alcançado pela combinação entre robótica, sensores e inteligência artificial. Mais do que um episódio curioso, esse tipo de demonstração aponta para algo mais profundo: estamos entrando em uma nova etapa da automação, em que as máquinas deixam de se limitar à execução de tarefas repetitivas e passam a incorporar atributos como mobilidade, autonomia e capacidade de adaptação. Uma verdadeira revolução para a robótica.

Esse movimento tem implicações que vão muito além do campo experimental. À medida que robôs se tornam mais sofisticados e integrados à inteligência artificial, abre-se espaço para ganhos relevantes de eficiência, redução de custos e aumento de produtividade em setores como indústria, logística, saúde e serviços. Em outras palavras, a mudança tecnológica em curso não está mais restrita ao software ou ao processamento de dados: ela começa a ganhar corpo também no mundo físico, algo aguardado há anos. E isso reforça a percepção de que a combinação entre robótica e IA tende a se consolidar como um dos vetores mais transformadores da década.

· 05:06 — Agenda pró-cripto

A agenda pró-cripto de Donald Trump vem avançando em um ritmo mais lento do que o mercado imaginava inicialmente, o que ajuda a explicar parte da correção recente do Bitcoin desde sua posse. No centro das atenções está o chamado “Clarity Act”, projeto que busca estabelecer regras mais objetivas para o setor e transferir uma parcela relevante da supervisão regulatória para a CFTC. Essa mudança é vista como positiva, na medida em que pode ampliar a participação de investidores institucionais e facilitar o lançamento de novos produtos financeiros ligados a ativos digitais.

Embora o avanço desse processo ainda enfrente obstáculos políticos, calendário legislativo apertado e disputas entre bancos tradicionais e empresas do universo cripto, o ambiente regulatório continua evoluindo. Em paralelo, a SEC deve anunciar nas próximas semanas medidas de flexibilização e programas piloto que podem aproximar ainda mais o mercado cripto do sistema tradicional, incluindo iniciativas ligadas à negociação de ativos em blockchain e a novas estruturas de mercado.

Em outras palavras, embora o curto prazo ainda seja marcado por ruídos e volatilidade, os vetores estruturais permanecem favoráveis ao segmento. Maior clareza regulatória, avanço da adoção institucional e a integração crescente entre ativos digitais e o sistema financeiro tradicional tendem a fortalecer essa classe de ativos ao longo do tempo. Nesse contexto, soluções diversificadas como o ETF Empiricus Teva Criptomoedas Top 20 (CRPT11) ganham destaque como uma forma eficiente de capturar esse potencial, ao oferecer exposição ampla ao mercado cripto por meio de um único ativo negociado em bolsa.

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Empiricus Megatendências: nova carteira visa capturar temas que moldam a economia global; conheça gratuitamente

18 de Abril de 2026, 09:00

A Empiricus acaba de lançar uma nova carteira com acesso gratuito para os investidores que desejam estar posicionados nos principais temas que moldam a economia global: a Empiricus Megatendências.  

O portfólio é comandado pelo analista macroeconômico da casa, Matheus Spiess. Segundo ele, o objetivo é identificar e capturar vetores de transformação tecnológicas, geopolíticas ou econômicas de longo prazo. 

Para viabilizar a abordagem, a carteira investe em fundos de índice (ETFs) e certificados de ETFs (BDRs de ETFs) listados na Bolsa brasileira, o que permite acessar a uma exposição diversificada de forma simplificada, eficiente e com maior praticidade no acompanhamento.  

O objetivo do produto é gerar um retorno, em reais, superior ao IDCOTS +2%. Esse índice representa o rendimento dos títulos públicos de curto prazo dos Estados Unidos — considerados uma referência global de retorno alternativo — mais um prêmio de 2%.  

“Vale destacar que a estratégia não está restrita a uma única classe de ativos. Isso permite a busca por oportunidades em diferentes mercados ao redor do mundo, sempre com o objetivo de gerar retorno absoluto. Nesse contexto, a utilização da taxa livre de risco americana acrescida de um prêmio faz sentido, pois está alinhada ao caráter global da estratégia e à taxa mínima de atratividade implícita nas teses exploradas”, explica Spiess.

Carteira também está disponível de forma automatizada 

Além de o investidor poder acessar a carteira de maneira gratuita e fazer os investimentos por conta própria, o novo portfólio também está disponível no modelo automatizado

Nessa modalidade, a execução, os rebalanceamentos e os ajustes passam a ser conduzidos de maneira automática. Assim, cabe ao investidor apenas investir o valor desejado e depois acompanhar os resultados, sem precisar fazer manualmente as alterações propostas pelo analista Matheus Spiess.  

QUERO CONHECER A CARTEIRA AUTOMATIZADA EMPIRICUS MEGATENDÊNCIAS

Spoiler: veja algumas das tendências da carteira de abril

Entre as escolhas do analista para a carteira, está o ETF de commodities CMDB11. O fundo tem como objetivo replicar o desempenho do Índice Teva Ações Commodities Brasil.  

Spiess explica que o objetivo do investimento é capturar o ciclo de commodities, que tende a ser favorecido em ambientes de inflação mais alta, crescimento global ou choques de oferta, como ocorre em cenários geopolíticos mais tensos, como é o caso. 

“Por concentrar empresas exportadoras e geradoras de caixa, o ETF também pode se beneficiar de movimentos de valorização do dólar e de alta nos preços internacionais das matérias-primas, funcionando como uma espécie de proteção natural em momentos de estresse”, complementa o analista. 

Outra tendência identifica por Spiess e levada à nova carteira é a de aumento dos gastos militares impulsionado pelo ambiente geopolítico fragmentado e pela crescente rivalidade entre grandes potencias, especialmente entre EUA e China.  

“Esse movimento tende a sustentar receitas e margens das empresas do setor ao longo do tempo, já que grande parte de seus contratos está atrelada a orçamentos públicos e programas de longo prazo. 

Em um cenário que muitos já descrevem como uma ‘nova Guerra Fria’, com expansão de investimentos militares e tecnológicos, o setor deixa de ser apenas uma aposta cíclica e passa a configurar uma tese estrutural de longo prazo”, afirma o analista.  

Neste contexto, a recomendação é BAER39, BDR listado na B3 que replica o desempenho do iShares U.S. Aerospace & Defense, fundo internacional gerido pela BlackRock que investe em um portfólio de empresas americanas do setor aeroespacial e de defesa – como fabricantes de aeronaves, sistemas militares e tecnologia de segurança.  

É claro que as duas tendências acima não são as únicas que compõem a carteira. O analista compilou investimentos que vão de inteligência artificial até o Urânio, passando pela Argentina de Javier Milei. 

Grátis: veja a carteira Empiricus Megatendências completa

A boa notícia é que a carteira pode ser acessada de maneira gratuita no BTG Content, plataforma de conteúdos do BTG Pactual.  

Para isso, basta se cadastrar neste link. Através dele, você também terá a opção de realizar o investimento na carteira automatizada, em que todas as alterações propostas por Spiess são feitas sem que o investidor precise fazer nada. 

Além da carteira de Megatendências, no Content você encontrará outros portfólios com diferentes temáticas e conteúdos que podem ajudar a fazer os melhores investimentos. 

Para acessar a carteira e o BTG Content, basta clicar aqui ou no link abaixo e fazer seu cadastro gratuito na plataforma.  

Bons investimentos! 

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Ibovespa hoje: alívio no cenário geopolítico, repercussão do relatório operacional da Vale (VALE3), IPG-M e mais destaques desta sexta (17)

17 de Abril de 2026, 10:19

Após semanas marcadas por elevada tensão, o cenário geopolítico começa a apresentar sinais iniciais de alívio. O cessar-fogo entre Israel e Líbano, aliado à expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, contribui para uma redução do prêmio de risco e para a construção de um ambiente mais favorável aos mercados.

Ainda assim, é importante reconhecer que essa melhora ocorre sobre bases ainda frágeis. A trégua segue sendo interpretada com cautela, diante do histórico recente de instabilidade e da ausência de avanços concretos em direção a um acordo mais abrangente.

Nesse contexto, os bancos centrais mantêm uma postura prudente, como várias vezes comentado nas reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial desta semana, sinalizando que ainda é prematuro incorporar eventuais efeitos de segunda e terceira ordem da guerra sobre inflação e atividade no longo prazo.

Com uma agenda macroeconômica relativamente esvaziada, o foco dos investidores se desloca para o noticiário corporativo, com destaque para o setor de tecnologia, que tem liderado o movimento recente de valorização. Ainda assim, esse otimismo convive com sinais pontuais de excesso, como episódios de valorização mais especulativa, o que reforça a importância de uma abordagem mais seletiva.

Em síntese, embora o mercado encontre suporte no curto prazo a partir do alívio geopolítico e de uma temporada de resultados consistente (apesar do desempenho ruim das ações de Netflix nesta manhã), o pano de fundo ainda exige cautela, uma vez que o equilíbrio atual pode se mostrar mais sensível a novos choques do que aparenta à primeira vista.

· 00:53 — As próximas etapas

No Brasil, a agenda do dia é relativamente esvaziada, com destaque para a repercussão do relatório operacional da Vale e para a divulgação do IGP-M do segundo decênio de abril, que surpreendeu de forma significativa, ao registrar alta de 2,64%, bem acima dos 0,95% da primeira leitura do mês e dos 0,52% observados em março.

Esse avanço reforça a percepção de pressões inflacionárias ainda presentes e ajuda a contextualizar o tom mais duro (hawkish) recente de Paulo Picchetti, do Banco Central. Nesse sentido, ganha importância a fala do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que participa hoje das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington. Seguimos avaliando que o ciclo de cortes de juros deve ser mantido, mas em um ritmo mais moderado, com reduções de 25 pontos-base ao longo dos próximos meses.

Paralelamente, o quadro fiscal volta a ganhar protagonismo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também em agenda em Washington, pode trazer novas sinalizações sobre a resposta do governo aos impactos da guerra sobre o comércio global, especialmente após a regulamentação, pelo Conselho Monetário Nacional, de linhas de crédito de R$ 15 bilhões dentro do Plano Brasil Soberano, operadas pelo BNDES e direcionadas a exportadores, setores estratégicos e empresas mais expostas ao cenário externo.

Essas medidas se somam a outras iniciativas com evidente componente político, em um contexto de queda de popularidade captado por pesquisas recentes. Entre elas, destacam-se a discussão sobre a redução da taxação de importações de até US$ 50, ainda cercada de divergências internas, o endurecimento do discurso contra apostas esportivas e a tentativa de avançar com o fim da escala 6×1. Ao mesmo tempo, o PLDO de 2027 foi recebido com ceticismo pelo mercado, sobretudo pela meta de superávit primário de 0,5% do PIB (R$ 73,2 bilhões), cuja viabilidade depende, em grande medida, de exclusões permitidas pelo arcabouço fiscal, como precatórios e determinados gastos sociais, o que reduz a percepção de esforço fiscal efetivo. Sabemos que é nosso calcanhar de Aquiles para 2027.

Ainda assim, gradualmente, o mercado começa a incorporar um novo vetor: a possibilidade de uma inflexão no pêndulo político nas eleições deste ano. Esse fator já começa a entrar no radar do investidor estrangeiro, que, além de ter participado do rali recente dos ativos locais, mesmo após a leve correção dos últimos pregões, natural e até saudável, passa a olhar para o Brasil sob uma ótica mais estrutural.

Não por acaso, começam a surgir relatórios internacionais destacando o país como uma espécie de “novo ouro”, em alusão tanto ao movimento recente da commodity quanto à combinação de ciclo de queda de juros, potencial rali eleitoral e valuations ainda atrativos. Esse interesse externo, até aqui concentrado sobretudo via ETFs, o que ajuda a explicar a maior concentração do movimento em empresas de grande capitalização e alta liquidez, pode entrar em uma nova fase. À medida que o cenário evolua, a próxima etapa do ciclo tende a abrir espaço para uma rotação em direção a ativos de menor capitalização, ampliando o espectro de oportunidades dentro do mercado brasileiro.

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· 01:49 — Plano de emergência

A Netflix divulgou um resultado forte no primeiro trimestre, superando as expectativas de lucro e receita. Ainda assim, a reação do mercado foi negativa diante de um guidance mais fraco para o segundo trimestre, pressionado por fatores não recorrentes e por uma dinâmica de amortização mais intensa. A mensagem que fica é conhecida, mas sempre importante de reforçar: no mercado acionário, mais do que o resultado recém-entregue, é a perspectiva futura que determina o comportamento dos preços. Quando a trajetória à frente perde força, mesmo números robustos no presente podem não ser suficientes para sustentar a valorização do ativo. É o que estamos vendo hoje.

Ao mesmo tempo, começa a ganhar relevância um tema mais estrutural e potencialmente mais delicado: o aperto nas condições do mercado de crédito privado nos Estados Unidos. Grandes bancos de Wall Street vêm restringindo linhas, elevando o custo de alavancagem e reavaliando garantias, o que tem forçado gestores a ajustar portfólios em um ambiente que já convive com saídas de capital. Trata-se de uma mudança relevante de regime. Um mecanismo que, nos últimos anos, ajudou a impulsionar retornos elevados passa agora a exibir sinais mais claros de desgaste, sugerindo um ambiente menos permissivo e mais seletivo para a tomada de risco.

Esse pano de fundo dialoga com um alerta mais amplo feito por Henry Paulson, ex-secretário do Tesouro americano, que defendeu a necessidade de um plano emergencial para lidar com um eventual estresse no mercado de Treasuries. Caso esse risco venha a se materializar, as implicações podem ser particularmente graves, dada a centralidade da dívida pública americana no funcionamento do sistema financeiro global. Ainda assim, no curto prazo, os mercados seguem demonstrando resiliência. O Nasdaq engatou uma das suas maiores sequências de alta em décadas, enquanto outros índices voltaram a renovar máximas, apoiados por uma temporada de resultados corporativos sólida e por sinais recentes de alívio geopolítico.

O ponto de atenção é que esse rali convive com uma dose relevante de complacência. Parte dos investidores pode estar subestimando tanto os efeitos defasados dos choques mais recentes quanto os riscos associados à recomposição das cadeias globais, ao aperto no crédito e ao próprio funcionamento de engrenagens importantes do sistema financeiro. Em outras palavras, o ambiente atual combina força tática nos preços com fragilidades estruturais que seguem presentes no pano de fundo. É justamente por isso que o momento parece exigir mais disciplina, seletividade e sobriedade do que entusiasmo irrestrito.

· 02:32 — Um novo cessar-fogo

O cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano trouxe algum alívio ao cenário geopolítico, mas ainda é interpretado como uma trégua pontual e de caráter essencialmente tático, inserida em um contexto mais amplo de negociações incertas entre Estados Unidos e Irã e de tensões persistentes envolvendo o Hezbollah e a região estratégica do Estreito de Ormuz.

Embora o discurso mais otimista de Donald Trump e a possibilidade de novas rodadas de diálogo contribuam para sustentar uma leitura um pouco mais construtiva no curto prazo, a falta de avanços concretos mantém o mercado em postura cautelosa, com níveis elevados de incerteza quanto à evolução do conflito e seus potenciais impactos sobre o fornecimento global de energia.

· 03:25 — Um longo caminho até o acordo

Líderes árabes e europeus avaliam que um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã pode levar cerca de seis meses para ser efetivamente construído, o que tem reforçado a defesa pela extensão do atual cessar-fogo ao longo desse período. Em paralelo, iniciativas como a trégua entre Israel e Líbano e as discussões em torno da reabertura do Estreito de Ormuz buscam mitigar riscos mais imediatos, especialmente diante dos impactos sobre o mercado de energia e do risco crescente de desorganização nas cadeias globais, com potenciais reflexos até mesmo sobre a segurança alimentar.

Em essência, o que se desenha é um processo de normalização gradual, mas longe de ser linear. O caminho tende a ser marcado por momentos de tensão, idas e vindas nas negociações, episódios de escalada e uma retórica ainda mais dura. Ainda assim, à medida que os incentivos para a estabilização se consolidam, a tendência ao longo do tempo é de convergência para um ambiente mais previsível e menos conflituoso, ainda que esse percurso exija paciência e leitura cuidadosa dos desdobramentos.

· 04:11 — O lugar da China

Após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã, Xi Jinping passou a ocupar, de forma mais evidente, o centro das articulações diplomáticas globais, recebendo diversas lideranças e reforçando a percepção de que Pequim pode exercer um papel estabilizador em um ambiente internacional cada vez mais fragmentado.

Ainda que a China sinalize disposição para contribuir com propostas de paz e ampliar sua influência, sua atuação segue marcada por cautela, privilegiando movimentos graduais e, muitas vezes, mais simbólicos do que efetivamente interventivos. Trata-se de um equilíbrio entre projetar liderança global e evitar os riscos de um envolvimento direto em conflitos complexos, o que mantém em aberto não apenas sua capacidade, mas sobretudo sua real disposição de assumir um protagonismo mais decisivo.

Paralelamente, a guerra no Oriente Médio vem sendo absorvida pela China com relativa resiliência, contrariando parte das expectativas iniciais. Esse desempenho reflete tanto avanços estruturais em sua segurança energética, com maior diversificação de fontes, estoques estratégicos e expansão da produção doméstica, quanto a própria estratégia de longo prazo de Xi, que prioriza estabilidade e evita movimentos precipitadamente arriscados. Além disso, o conflito traz efeitos indiretos que, em certa medida, favorecem o país, como o fortalecimento de cadeias produtivas integradas, o impulso à demanda por tecnologias ligadas à transição energética e ganhos geopolíticos decorrentes do desgaste militar e reputacional dos EUA.

Ainda assim, o quadro não é isento de riscos: uma eventual prolongação do conflito pode pressionar o crescimento chinês, sobretudo via energia e comércio global, o que ajuda a explicar a preferência de Pequim por uma solução negociada. Em síntese, a China emerge, até aqui, como uma beneficiária relativa desse contexto, não por confronto direto, mas por uma condução pragmática, que busca preservar estabilidade enquanto amplia sua influência no redesenho da ordem global.

· 05:03 — Conheça a nova carteira Empiricus Alocação Estrutural Global

Chegou à plataforma do BTG Pactual a carteira automatizada Empiricus Alocação Estrutural Global, uma solução pensada para o investidor brasileiro que busca diversificação internacional de forma simples, transparente e eficiente, com aplicação mínima de R$ 15 mil. A proposta da carteira é funcionar como uma base estrutural de longo prazo, combinando exposição global em diferentes classes de ativos, como renda fixa, ações, ouro e alternativos, por meio de BDRs de ETFs listados na B3.

A alocação é composta por renda fixa global (Treasuries e crédito corporativo), ações globais (EUA, Europa, Japão e emergentes), ouro, imobiliário global (REITs) e criptoativos. Entre os principais benefícios, estão a diversificação global, a transparência sobre os ativos, a eficiência de custos e os rebalanceamentos mensais, que mantêm a alocação alinhada à proposta original ao longo do tempo.

O portfólio é inspirado na Carteira Global Geral da série Melhores Fundos, que apresenta histórico desde março de 2021 e acumulou retorno próximo de Dólar + 4.5% ao ano até março de 2026. Se você busca uma forma prática de investir no exterior com mais equilíbrio e robustez, a carteira já está disponível para aplicação.

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Vale (VALE3) recupera perdas de março na B3: veja 5 motivos para comprar ações agora, segundo analista

16 de Abril de 2026, 13:26

A Vale (VALE3) foi uma das empresas prejudicadas na B3 em março, em meio à aversão ao risco que acometeu o mercado. Em um mês negativo para a bolsa como um todo, com o Ibovespa fechando em queda de 0,9%, as ações da mineradora acumularam queda de 6% – cotadas a R$ 82,48 no último pregão do mês.

Porém, para Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research, a queda da Vale, especificamente, foi “injustificada”, e as ações podem continuar “destravando valor” aos investidores.

Inclusive, no pregão da última quarta-feira (15), fechamento desse texto, as ações encerraram cotadas a R$ 88,44, recuperando por completo as perdas de março – o que corrobora a tese de investimentos.

Porém, será mesmo que as ações podem continuar subindo? Para quem deseja entender se “vale a pena” investir em Vale (VALE3) agora, Ruy Hungria dá 5 motivos pelos quais as ações seguem em suas recomendações de compra.

Veja 5 motivos para investir na Vale (VALE3) agora, segundo analista

Ruy Hungria reforça sua recomendação para VALE3 baseada em alguns pontos. Dentre eles, estes cinco principais:

1. Minério de ferro em alta

Em meio à guerra no Oriente Médio, o petróleo não é o único ativo cujo preço foi às alturas: o minério de ferro também segue negociado acima dos US$ 100 por tonelada. Inclusive, há analistas que preveem um possível novo “boom das commodities” pós-conflito.

Segundo o analista, entre os produtores de minério de ferro, a Vale está entre aqueles com os menores custos. A alta da commodity, consequentemente, pode beneficiar a empresa de forma mais direta.

2. Receita em dólar

“Investir em VALE3 também representa uma forma de dolarização da carteira, dado que seus produtos são precificados em moeda forte”, afirma o analista.

Dessa forma, o investidor pode diversificar seus investimentos para além do real brasileiro, mesmo sem sair da B3. “Isso acaba sendo bom nesse momento de incerteza”, afirma.

3. ‘Joia da coroa’ pouco conhecida

Poucos investidores conhecem a Vale para além da “capa”. Porém, Hungria destaca o papel da subsidiária a qual chama de “joia da coroa” das operações: a Vale Base Metals, especializada em cobre, níquel e outros metais básicos – materiais essenciais na temática da transição energética.

Para o analista, a Vale Base Metals está precificada abaixo do que deveria. “Deveria ter um valuation de 8 ou 9 vezes seu Ebitda, mas hoje a Vale inteira está avaliada em 4,5x o Ebitda”, afirma. “O mercado hoje não precifica a Vale Base Metals, que tende a destravar cada vez mais valor nos próximos anos”.

4. Bom momento operacional

“A companhia tem entregado resultados sólidos nos últimos trimestres, que reforçam o bom momento operacional”, afirma Hungria, que prossegue:

“A nova gestão conseguiu colocar a companhia em uma fase mais previsível, com maior estabilidade operacional e disciplina de alocação de capital. Esse novo momento se traduz em maior visibilidade de resultados, forte geração de caixa e foco em retorno ao acionista”.

5. Valuation descontado em relação às concorrentes

Avaliada em 4,5x o valor da firma sobre o Ebitda, a Vale está em um valuation abaixo de suas principais concorrentes, as mineradoras australianas, que estão negociadas a “6 ou 7 vezes o Ebitda”, segundo Hungria.

Com isso, o analista aponta que “a Vale segue descontada e demonstrando uma evolução muito melhor do que elas nesses últimos trimestres”, o que abre uma oportunidade para quem deseja buscar uma valorização das ações.

Tudo isso contribui para a atratividade dos papéis, que carregam um dividend yield potencial em torno de 9% aos acionistas em 2026, sustentado por dividendos recorrentes e outras distribuições adicionais.

Porém, em nome da diversificação, VALE3 não é a única recomendação do analista para investir no momento.

É preciso ter uma cesta com ações variadas, que entreguem um bom equilíbrio entre risco e retorno, especialmente em um momento de alta volatilidade nos mercados, como o atual.

“Seguimos construtivos com os ativos brasileiros, mas entendemos que o contexto ainda exige muita seletividade de empresas”, afirma.

Com isso, Vale (VALE3) foi selecionada para compor a edição de abril da carteira Empiricus Top Picks, com 10 ações brasileiras de alto potencial para investir no momento.

Invista nas recomendações da Empiricus Top Picks de forma automática com o BTG Pactual

Se você deseja conhecer a carteira Empiricus Top Picks na íntegra, com todas as 10 ações recomendadas para investir no momento, temos uma boa notícia.

Você pode investir na carteira completa de forma automatizada, por meio da plataforma online do BTG Pactual.

Selecionando a Empiricus Top Picks na modalidade “carteira automatizada” no BTG, você pode investir em todas as recomendações de uma vez, sem precisar comprar ou vender ação por ação. Tudo acontece de forma automática no sistema.

Para começar, o único que você precisa fazer é clicar no botão abaixo, e seguir as instruções na tela:

DISCLAIMER: Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

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Ibovespa hoje: mercados operam em viés positivo com expectativa de avanço nas negociações no Oriente Médio; veja destaques do dia

16 de Abril de 2026, 10:33

O ambiente global segue sustentado por um viés mais construtivo, com o S&P 500 renovando máximas históricas diante da expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, incluindo a possível extensão do cessar-fogo, o que também contribui para a estabilização do petróleo na faixa de US$ 96, bem abaixo dos picos recentes; ao mesmo tempo, os mercados globais operam em alta moderada, liderados pela Ásia, impulsionados por dados mais fortes da China (PIB de 5% no 1T26) e pela recuperação de índices como Nikkei (Japão) e Kospi (Coreia do Sul).

Ainda assim, o cenário permanece complexo, com tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz e possíveis impactos nas relações entre EUA e China, enquanto dados econômicos mistos, como consumo mais fraco na China e inflação mais elevada na Europa, e a agenda relevante nos EUA, incluindo indicadores de atividade e discursos do Fed, mantêm os investidores atentos aos próximos desdobramentos.

· 01:57 — Dados mistos de atividade

No Brasil, depois de uma sequência expressiva de altas, o Ibovespa finalmente passou por uma leve correção no pregão de ontem. Esse tipo de ajuste faz parte do processo e, longe de comprometer a tendência, costuma ser necessário para dar mais sustentação e saúde a um movimento positivo mais prolongado. No câmbio, o dólar parece ter encontrado um piso na região de R$ 4,99, embora o vetor externo continue apontando para uma fraqueza mais estrutural da moeda americana.

Na agenda doméstica, o mercado absorve a divulgação do IBC-Br de fevereiro. Após dados mais fracos de serviços e varejo, a proxy do PIB calculada pelo Banco Central veio ligeiramente acima do esperado, embora ainda mostre uma desaceleração em relação a janeiro. Em outras palavras, os indicadores seguem transmitindo sinais mistos. Ainda assim, esse quadro não deve alterar de forma relevante a trajetória da política monetária. A tendência é que o Banco Central siga com o ciclo de cortes da Selic, mas em um ritmo mais gradual do que se imaginava anteriormente, provavelmente com ajustes de 25 pontos-base.

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· 01:46 — Novo recorde

Nos Estados Unidos, o mercado acionário segue em forte momento, com o S&P 500 avançando 0,8% e registrando seu quinto recorde do ano, enquanto o Nasdaq subiu 1,6% e alcançou a melhor sequência em mais de dois anos, refletindo um ambiente de otimismo sustentado pela percepção de que o conflito no Golfo Pérsico está próximo do fim e pelo bom desempenho corporativo, com destaque para resultados acima do esperado de grandes bancos, como Bank of America e Morgan Stanley, além de revisões positivas de projeções por parte de mais da metade das empresas.

Ainda assim, apesar do impulso técnico e do suporte dos balanços, o cenário segue carregado de incertezas relevantes, incluindo a fragilidade do cessar-fogo, riscos geopolíticos, pressões domésticas como preços elevados de energia, tensões comerciais e até ruídos institucionais envolvendo o Federal Reserve, o que mantém parte dos investidores em postura cautelosa, mesmo diante da continuidade do rali.

· 02:39 — O tortuoso caminho para a paz

Teerã e Washington caminham para uma possível retomada das negociações e extensão do cessar-fogo, mas o cenário geopolítico segue longe de estabilização, especialmente após a decisão de Donald Trump de intensificar a pressão ao restringir o tráfego iraniano no Estreito de Ormuz, movimento que eleva o risco de disrupções mais amplas no fluxo global de energia.

O Irã já sinalizou que pode reagir caso o bloqueio persista, inclusive ameaçando ampliar as restrições em rotas estratégicas da região, o que evidencia o caráter frágil e potencialmente volátil da trégua atual. Ainda assim, a simples ausência de uma escalada imediata tem sido suficiente para sustentar uma leitura mais construtiva no curto prazo, embora o pano de fundo permaneça delicado e altamente dependente dos próximos passos diplomáticos.

· 03:24 — Uma estranha mudança de estratégia

A Allbirds anunciou uma mudança radical de estratégia, abandonando o foco em calçados sustentáveis para se reposicionar como uma empresa de infraestrutura de inteligência artificial. A proposta envolve captar cerca de US$ 50 milhões, mudar o nome para NewBirdAI e investir na compra de GPUs para alugá-las a empresas do setor. A reação do mercado foi imediata: as ações chegaram a disparar mais de 800% em um único dia, refletindo o entusiasmo dos investidores com qualquer exposição ao tema de IA, mesmo em companhias sem histórico no segmento.

Apesar da euforia, a iniciativa levanta dúvidas relevantes. A Allbirds não possui experiência na nova área e o volume de investimento é pequeno frente aos bilhões que players estabelecidos estão alocando no setor. Ainda assim, o movimento ilustra uma tendência mais ampla: empresas em dificuldades tentando se reposicionar para capturar o boom da inteligência artificial, repetindo dinâmicas já vistas em ciclos anteriores, como internet e criptomoedas. Em um ambiente de forte apetite por crescimento, o mercado parece disposto a premiar narrativas, ainda que, em alguns casos, a execução permaneça uma incógnita.

· 04:11 — Avanço nos números

Com a manutenção do cessar-fogo no Oriente Médio e a expectativa de novas negociações entre Estados Unidos e Irã, a atenção dos investidores começa a se deslocar da geopolítica para fundamentos mais construtivos, como resultados corporativos e o avanço da inteligência artificial.

Nesse contexto, os números da TSMC reforçaram essa mudança de foco: a companhia reportou crescimento expressivo de lucro e elevou suas projeções, sinalizando que a demanda por IA segue robusta mesmo em meio às tensões globais. O movimento impulsionou as bolsas asiáticas, com destaque para Taiwan e Coreia do Sul, que passaram a liderar os ganhos recentes, refletindo o protagonismo do setor de tecnologia.

Esse reposicionamento do mercado sugere uma volta do apetite por risco, com investidores voltando a olhar além do conflito e enxergando oportunidades em ativos que foram penalizados no período de maior incerteza. Episódios recentes, como fortes altas em ações ligadas à narrativa de IA, reforçam esse ambiente mais construtivo, ainda que com traços de maior especulação. A leitura predominante é que, desde que o cessar-fogo se sustente, há espaço para continuidade da recuperação dos mercados, embora o cenário ainda dependa da evolução das negociações e dos riscos associados ao fornecimento global de energia.

· 05:08 — Os principais temas do mundo

Inauguramos ontem uma nova carteira automatizada concebida para capturar, de maneira prática e eficiente, os principais temas que hoje moldam a economia global. A carteira Empiricus Megatendências foi estruturada para acompanhar vetores de transformação de longo prazo, movimentos que transcendem oscilações conjunturais e têm potencial de redefinir mercados, setores e geografias inteiras ao longo do tempo.

A estratégia parte da identificação dessas grandes mudanças, sejam elas tecnológicas, geopolíticas ou econômicas, para construir uma alocação coerente em temas, regiões e segmentos com maior potencial de valorização estrutural. Tudo isso é implementado por meio de ETFs e BDRs negociados na bolsa brasileira, o que permite ao investidor acessar, em um único portfólio, uma exposição global, diversificada e de fácil execução.

O objetivo da estratégia é claro: buscar, em reais, um retorno superior ao IDCOTS +2%, uma referência internacional baseada na taxa livre de risco americana acrescida de um prêmio adicional. Para isso, a carteira adota uma abordagem de retorno absoluto, sem se limitar a uma única classe de ativos ou a um único cenário macroeconômico.

Na prática, isso significa combinar exposições a ações, renda fixa, commodities e criptoativos, distribuídas entre diferentes geografias, de modo a ampliar as fontes de retorno e reduzir a dependência de um único país, moeda ou ciclo econômico. Trata-se, portanto, de uma proposta que alia diversificação global a uma leitura estratégica dos grandes movimentos que devem influenciar os mercados nos próximos anos.

Ao optar pela versão automatizada da Megatendências, o investidor não acessa apenas uma tese de investimento, mas também uma solução completa de implementação e acompanhamento. A execução, os rebalanceamentos e os ajustes necessários ao longo do tempo passam a ser conduzidos de forma disciplinada, sistemática e profissional, preservando a coerência da estratégia mesmo em um ambiente global mais dinâmico e incerto. Em outras palavras, a carteira transforma a complexidade de investir em tendências estruturais globais em uma solução simples, acessível e alinhada aos objetivos de longo prazo, oferecendo uma forma eficiente de manter o portfólio exposto ao que realmente importa no mundo que está se formando.

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Ibovespa hoje: dólar abaixo dos R$ 5, desaprovação de Lula em alta, indefinição entre EUA e Irã e mais destaques desta quarta (15)

15 de Abril de 2026, 10:11

Os Estados Unidos e o Irã avançam na tentativa de organizar uma nova rodada de negociações antes do término do atual cessar-fogo, possivelmente no Paquistão, em um contexto ainda delicado, marcado pelo impasse no Estreito de Ormuz e seus efeitos diretos sobre o fornecimento global de energia.

Em paralelo, iniciativas diplomáticas adicionais, como a retomada de conversas diretas entre Israel e Líbano, algo que não ocorria desde 1993, reforçam a leitura de um esforço mais amplo de desescalada regional.

Ainda assim, o processo apresenta limitações relevantes, o que reduz a probabilidade de uma solução rápida e abrangente. O pano de fundo, portanto, continua frágil, mas já exibe sinais iniciais de distensão que contribuem para ancorar expectativas mais construtivas. Essa mudança de percepção tem se refletido nos mercados, com destaque para a queda recente do petróleo, que se afastou dos níveis mais elevados e passou a aliviar parte das pressões inflacionárias.

· 00:52 — Recorde atrás de recorde

No Brasil, o Ibovespa voltou a renovar sua máxima histórica de fechamento, encerrando aos 198.657 pontos, após ter superado, ao longo do pregão, a marca dos 199 mil pontos. Nos últimos cinco pregões, o índice acumulou uma alta expressiva de cerca de 10.500 pontos, sustentada por um volume robusto de R$ 32,6 bilhões e por um fluxo estrangeiro relevante, com entrada de R$ 2,4 bilhões em um único dia, R$ 14 bilhões no mês de abril e aproximadamente R$ 70 bilhões no acumulado do ano.

Em paralelo, o dólar recuou 0,07%, fechando a R$ 4,9934, o menor patamar desde março de 2024. Ainda que haja a percepção de que a moeda americana tenha espaço limitado para novas quedas (possivelmente até a região de R$ 4,80), a bolsa brasileira pode seguir avançando. No entanto, as próximas etapas desse movimento dependerão não apenas da continuidade do fluxo estrangeiro, mas também da trajetória dos juros e do cenário fiscal, ambos fortemente influenciados pelo ambiente político.

Do lado monetário, a apreciação cambial contribui para aliviar pressões inflacionárias, mas os dados recentes de inflação ainda não colocam o Banco Central em uma posição confortável para acelerar o ciclo de cortes de juros. Nesse contexto, os indicadores de atividade ganham protagonismo. A divulgação das vendas no varejo de fevereiro, após dados mais fracos do setor de serviços, passa a ser particularmente relevante: números abaixo do esperado dessa manhã sustentam a expectativa de novos cortes, ainda que em ritmo mais moderado, como ajustes de 25 pontos-base.

No campo político, a dinâmica eleitoral também ganha importância crescente. Pesquisa recente da Genial/Quaest indica aumento da desaprovação do governo, que passou de 49% para 52% desde janeiro, enquanto a aprovação recuou de 47% para 43%, em linha com outras sondagens recentes.

Esse movimento altera a leitura de cenário e pode elevar a probabilidade de um rali eleitoral com viés mais favorável ao mercado. Em resposta, o governo enviou ao Congresso, em regime de urgência, um projeto que prevê o fim da escala 6×1, com adoção do modelo 5×2 e redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salários.

Ainda assim, permanecem dúvidas relevantes quanto à viabilidade da proposta, seus impactos sobre custos e produtividade, bem como sua efetiva capacidade de conversão eleitoral. De forma mais ampla, observa-se, no Brasil e em outras economias, uma perda de eficácia da política pública tradicional no pós-pandemia como instrumento de fortalecimento político de governos incumbentes.

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· 01:45 — Próximo da máxima

O ambiente recente de mercado tem sido caracterizado por um otimismo cauteloso, sustentado principalmente pela expectativa de avanço nas negociações geopolíticas e pelo recuo do prêmio de risco associado ao conflito no Oriente Médio.

Esse pano de fundo tem favorecido os ativos de risco, com recuperação consistente das bolsas americanas (o S&P 500 acumulando ganhos relevantes e o Nasdaq exibindo uma sequência prolongada de altas), além da correção nos preços do petróleo, que contribuiu para aliviar parte das pressões inflacionárias.

Soma-se a esse cenário o início da temporada de resultados corporativos, com grandes bancos apresentando números robustos, o que reforça a percepção de resiliência da economia americana, ainda que em meio a um conjunto crescente de riscos no horizonte.

No campo macroeconômico, os dados de inflação trouxeram sinais mistos. Embora o índice de preços ao produtor (PPI) tenha surpreendido positivamente no dado cheio, sugerindo alguma desaceleração, a composição do indicador revelou pressões ainda persistentes, especialmente no setor de serviços.

Essa leitura qualitativa aponta para um processo desinflacionário mais gradual e menos linear do que o desejado, ainda distante de uma convergência tranquila para a meta. Como consequência, as expectativas de política monetária permanecem mais restritivas por um período prolongado, com a retomada do ciclo de cortes de juros sendo postergado, enquanto os investidores acompanham atentamente novos sinais vindos do Federal Reserve, como o Livro Bege e os discursos de seus dirigentes.

· 02:37 — Nova rodada de negociações

A perspectiva de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã tem contribuído para sustentar um viés mais construtivo nos mercados, mesmo em meio a um ambiente ainda marcado por tensões relevantes.

Declarações de Donald Trump indicando possível avanço diplomático no curto prazo ajudaram a ancorar parte do otimismo dos investidores. Ainda assim, o cenário permanece cercado de incertezas, sobretudo em função do impasse no Estreito de Ormuz, que continua pressionando o fornecimento global de energia.

Em paralelo, iniciativas como a reabertura de canais de diálogo entre Israel e Líbano sinalizam uma tentativa mais ampla de contenção do conflito, embora o processo siga frágil, sujeito a retrocessos e sem uma solução definitiva no horizonte.

Sob a ótica dos mercados, predomina, ao menos por ora, uma postura de otimismo. Após semanas de volatilidade elevada, os principais índices globais conseguiram recuperar as perdas iniciais associadas ao conflito, refletindo a percepção de que uma escalada mais severa pode ser evitada.

Ainda assim, trata-se de um equilíbrio delicado: o desfecho das negociações permanece incerto, e fatores como eventuais restrições prolongadas no fluxo de petróleo têm potencial para alterar rapidamente o cenário. Em síntese, os investidores seguem apostando em uma solução negociada, mas mantêm um nível elevado de atenção diante da possibilidade de novos choques no curto prazo.

· 03:24 — Atritos com Sua Santidade

A primeira viagem oficial do Papa Leão XIV à África, que a princípio se desenhava como uma agenda apenas religiosa, passou a carregar implicações políticas mais amplas após as críticas públicas de Trump às posições do pontífice sobre o conflito no Oriente Médio.

O episódio acrescentou uma camada adicional de tensão a uma visita que já era, por si só, historicamente relevante. Isso porque o cronograma inclui países de peso estratégico, como a Argélia, que busca ampliar sua projeção econômica e diplomática, especialmente em um contexto de crescente importância energética, ao mesmo tempo em que o Vaticano procura aprofundar sua presença em um continente que concentra um dos ritmos mais acelerados de crescimento da população católica.

Ao mesmo tempo, o episódio ajudou a revelar uma mudança no perfil público do próprio Papa. Antes percebido como uma figura mais reservada, Leão XIV passou a adotar um discurso mais assertivo contra a guerra e contra os excessos do poder, o que o colocou em rota de atrito com o presidente americano.

Esse embate ganha contornos ainda mais sensíveis ao atingir uma base relevante dentro dos próprios Estados Unidos, especialmente entre eleitores católicos (o catolicismo tem crescido nos EUA e chamado a atenção da Igreja). Em um ambiente político já polarizado, esse tipo de tensão tende a gerar ruído adicional, com potencial de impactar a percepção de parte do eleitorado às vésperas das eleições de meio de mandato.

· 04:11 — Revisando o crescimento

As reuniões do FMI trouxeram um tom mais cauteloso para a leitura da economia global. O Fundo revisou a projeção de crescimento para 3,1%, incorporando os efeitos do conflito no Oriente Médio, sobretudo por meio da alta dos custos de energia e da piora na confiança. Mesmo no cenário-base, a expectativa já é de desaceleração, acompanhada de uma inflação global mais pressionada. Caso o petróleo permaneça em patamares elevados por mais tempo, os riscos aumentam de forma relevante, e, em cenários mais adversos, o mundo pode se aproximar de uma recessão.

Nesse contexto, o Brasil surge como uma exceção relativamente positiva no curto prazo, com revisão da projeção de crescimento para 1,9%, favorecido principalmente pela alta das commodities. Ainda assim, esse quadro não elimina as limitações impostas por um ambiente internacional mais frágil, que tende a restringir um avanço mais robusto da atividade.

Em outras palavras, o país se beneficia de vetores externos específicos, mas continua parcialmente dependente deles. A diferença é que o Brasil conta hoje com alguns amortecedores importantes, como reservas internacionais elevadas e um regime de câmbio flutuante, que ajudam a absorver choques e tornam a economia relativamente mais resiliente em um cenário global mais instável.

· 05:09 — O devido dimensionamento

A recente divulgação dos números da Starlink ajuda a dimensionar, com maior clareza, o potencial econômico da internet via satélite. Em 2025, a operação gerou US$ 11,4 bilhões em receita e US$ 7,2 bilhões em EBITDA, com uma margem expressiva de 63%, consolidando-se, na prática, como o principal motor de rentabilidade da SpaceX. Em contraste, os demais segmentos da companhia, como o negócio de lançamentos espaciais e as iniciativas em inteligência artificial, ainda apresentam resultados significativamente mais modestos, ou mesmo negativos.

Em outras palavras, o valor estratégico da empresa está cada vez mais concentrado na infraestrutura de conectividade global, um mercado com características de escala, recorrência e alto potencial de crescimento.

É justamente essa assimetria que ajuda a explicar o movimento recente da Amazon, que anunciou a aquisição da Globalstar por US$ 11,6 bilhões, em uma investida clara para acelerar sua entrada nesse segmento. Mais do que um movimento isolado, essa decisão reflete uma tendência mais ampla no setor de tecnologia: grandes plataformas, antes concentradas em nichos bem definidos, passam a expandir seus modelos de negócio para capturar novas avenidas de crescimento, especialmente em áreas estratégicas como infraestrutura digital, conectividade e dados, mercados que tendem a concentrar valor ao longo do tempo.

Do ponto de vista de investimento, essa dinâmica ganha especial relevância. A entrada da Amazon nesse mercado não apenas valida o potencial econômico da conectividade via satélite, como também reforça sua estratégia de longo prazo baseada na expansão de seu ecossistema e na captura de oportunidades estruturais. Nesse contexto, as BDRs de Amazon (AMZO34) se destacam como uma ferramenta eficiente de diversificação internacional, oferecendo ao investidor exposição a uma companhia com forte capacidade de execução, liderança tecnológica e posicionamento privilegiado em tendências que devem moldar o crescimento global nos próximos anos.

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Mercado hoje: Ibovespa perto dos 200 mil pontos, dólar em baixa, indefinição no Oriente Médio e mais

14 de Abril de 2026, 10:03

Os mercados globais iniciaram a semana fortemente influenciados pelo cenário geopolítico, com o fracasso inicial das negociações entre Estados Unidos e Irã e a implementação do bloqueio no Estreito de Ormuz elevando os riscos sobre o fluxo global de energia e pressionando os preços do petróleo.

Ainda assim, a rápida retomada das conversas e as sinalizações de disposição para um acordo ajudaram a melhorar o sentimento dos investidores, permitindo um recuo do petróleo para abaixo de US$ 100 por barril e impulsionando as bolsas ao redor do mundo, com ganhos relevantes na Ásia, na Europa e nos futuros americanos. Nesse contexto, o mercado passou a tratar o conflito como potencialmente contido, ainda que os testes à efetividade do bloqueio e o nível elevado de tensão mantenham o cenário sensível.

· 00:59 — Depois da quarta máxima seguida

Por aqui, o mercado segue impulsionado por uma combinação de fatores favoráveis, ainda que não isenta de nuances importantes. O Ibovespa renovou, pela quarta sessão consecutiva, sua máxima de fechamento, superando o patamar dos 198 mil pontos, em um movimento amplamente sustentado pelo fluxo estrangeiro, que continua direcionando recursos para o Brasil.

Esse pano de fundo também se reflete no câmbio: em meio a um dólar globalmente mais fraco, após um período de fortalecimento em março, preços elevados de petróleo, diferencial de juros ainda bastante atrativo e a crescente discussão em torno de um possível rali eleitoral, que ganha contornos mais firmes, a moeda americana recuou para o menor nível desde março de 2024.

Na agenda, o dia traz a divulgação de dados de serviços e o envio do PLDO de 2027, que deve confirmar a meta de superávit primário de 0,5% do PIB.

Ainda assim, o ambiente político adiciona uma camada relevante de incerteza ao cenário. A recente deterioração da popularidade do presidente Lula, evidenciada pela pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, reacende o debate sobre o cenário eleitoral e seus possíveis desdobramentos para os ativos (chance da eleição de um projeto pró-mercado).

Esse quadro tende a se tornar ainda mais sensível caso a inflação continue pressionada, como já sugerem as revisões altistas recentes do Boletim Focus para o IPCA. As iniciativas em discussão pelo governo, como medidas voltadas à redução do endividamento das famílias e o fim da escala 6 por 1, surgem como tentativas de recomposição de apoio, mas, ao menos por ora, seu potencial de impacto sobre a percepção do eleitorado e, consequentemente, sobre o cenário político mais amplo, parece limitado. Os sinais do rali eleitoral começam a ganhar força no horizonte…

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· 01:43 — Sinais de oportunidade

Os mercados americanos vêm demonstrando resiliência mesmo diante do choque geopolítico recente. Apesar do impacto inicial provocado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, o mercado rapidamente passou a olhar além do conflito, em linha com um comportamento já relativamente comum em episódios desse tipo, como comentamos aqui: a reação inicial costuma ser mais aguda, mas, na ausência de uma deterioração mais profunda e duradoura, os preços tendem a se recompor com rapidez.

Nesse caso, a melhora do sentimento também foi favorecida pelo recuo das expectativas de inflação de curto prazo, com a taxa implícita de dois anos caindo para algo próximo de 2,94%, ante 3,38% anteriormente, enquanto as expectativas de longo prazo permaneceram relativamente estáveis, ao redor de 2,34%.

Em termos práticos, isso sugere que o mercado continua atribuindo ao Federal Reserve capacidade de manter a inflação sob controle, mesmo em um ambiente ainda cercado por ruídos geopolíticos. Não por acaso, o S&P 500 já recuperou integralmente as perdas registradas desde o início do conflito, reforçando a leitura de que, até aqui, o choque tem sido tratado mais como um evento de curto prazo do que como uma ruptura estrutural do cenário.

Na agenda, o foco dos investidores se divide entre a divulgação do PPI de março, o início da temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 e as falas de dirigentes do Federal Reserve, que podem ajudar a calibrar melhor as perspectivas para juros e atividade. Nesse contexto, ganham destaque os resultados de JPMorgan Chase, Wells Fargo, Citigroup e BlackRock, que devem oferecer sinais importantes não apenas sobre o desempenho corporativo, mas também sobre crédito, mercado de capitais e confiança empresarial.

Ao mesmo tempo, chama atenção o comportamento das chamadas ações de crescimento secular, que seguem mais de 20% abaixo de suas máximas após uma compressão relevante de múltiplos. Hoje, esses papéis negociam próximos dos níveis de valuation mais baixos em uma década, apesar de ainda apresentarem crescimento superior à média do mercado. Isso sugere uma assimetria mais interessante à frente, sobretudo se o pano de fundo de juros se tornar menos adverso. Ainda assim, trata-se de uma oportunidade que exige seletividade.

· 02:38 — A maior disrupção da história

Os mercados reagiram de forma relativamente positiva aos desdobramentos recentes no Oriente Médio, mesmo diante da escalada provocada pelo bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, uma medida que eleva de maneira relevante o risco de interrupções no fluxo global de energia.

Isso porque, apesar do aumento da tensão, marcado por ameaças mútuas entre EUA e Irã e por episódios que colocam à prova a efetividade do bloqueio, os investidores passaram a concentrar sua atenção nas sinalizações de retomada do diálogo, com discussões em andamento para uma nova rodada de negociações antes do término do cessar-fogo temporário.

Esse viés mais construtivo contribuiu para uma melhora no sentimento dos mercados, refletida no recuo do petróleo para abaixo de US$ 100 por barril, na recuperação das bolsas globais e no alívio observado tanto no dólar quanto nas curvas de juros.

Ainda assim, o pano de fundo permanece bastante sensível e exige cautela. Dados recentes indicam que os ataques à infraestrutura e as restrições no Estreito de Ormuz já resultaram em uma perda de aproximadamente 10,1 milhões de barris por dia na oferta global, a maior disrupção já registrada, com o fluxo na região tendo recuado de mais de 20 milhões de barris por dia em fevereiro para cerca de 3,8 milhões no início de abril.

Além disso, a projeção de excedente global de petróleo para 2026 foi significativamente revisada, passando de 2,46 milhões para apenas 410 mil barris por dia, o que evidencia um mercado estruturalmente mais apertado. Nesse contexto, a normalização do fluxo por Ormuz permanece como variável central para aliviar as pressões sobre preços e atividade, mantendo os mercados em um equilíbrio delicado entre o risco de nova escalada e a expectativa de avanço diplomático, dinâmica que tende a sustentar níveis elevados de volatilidade no curto prazo.

· 03:26 — Na outra frente do conflito

Líbano e Israel iniciam negociações diretas pela primeira vez em décadas, em um movimento historicamente relevante, mas que já nasce cercado por obstáculos. De um lado, o Líbano defende que qualquer avanço nas conversas passe, antes de tudo, por um cessar-fogo.

De outro, Israel mantém como exigência central o desarmamento do Hezbollah. O impasse se torna ainda mais delicado porque o grupo, apoiado pelo Irã e ainda com capacidade militar ativa, rejeita por completo qualquer entendimento construído nessas negociações, mesmo em meio ao aumento da pressão que vem sofrendo tanto no campo militar quanto no ambiente político interno libanês.

Nesse contexto, o cenário permanece marcado por elevada incerteza. Persistem riscos relevantes tanto de escalada militar quanto de desestabilização política dentro do próprio Líbano, enquanto eventuais caminhos de acomodação, como uma redução do apoio iraniano ao Hezbollah, ainda parecem pouco prováveis no curto prazo.

Ao mesmo tempo, Donald Trump tenta avançar na frente diplomática, embora enfrente pressões domésticas e mantenha um discurso por vezes ambíguo, o que reforça a percepção de um ambiente geopolítico fragmentado, com baixa convergência entre os atores envolvidos e resolução ainda difícil no horizonte mais próximo.

· 04:17 — Encontros de Primavera

As Reuniões de Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional começaram em Washington sob a influência direta da guerra no Irã, que volta a pressionar os custos de energia e torna ainda mais complexas as projeções para inflação e crescimento global.

Nesse ambiente, os debates tendem a se concentrar em temas centrais como dívida soberana, mobilização de capital privado e os efeitos da inteligência artificial sobre produtividade e desigualdade, sempre com um desafio de fundo cada vez mais evidente: como gerar empregos em escala em um mundo mais endividado, mais fragmentado e mais sujeito a rupturas geopolíticas.

Soma-se a isso a crescente preocupação com a escassez de água, que deixa de ser tratada apenas como uma questão de infraestrutura e passa a ser vista como um eixo econômico estratégico, com impactos diretos sobre crescimento, segurança alimentar, energia e mercado de trabalho. Nesse tema, o Brasil reúne condições particularmente favoráveis para contribuir de forma relevante no cenário global.

· 05:04 — A Frota Dourada

Os Estados Unidos estão avançando com uma agenda mais assertiva de reindustrialização militar, com planos de expandir de forma relevante sua capacidade naval e reduzir a dependência estratégica em relação à China.

A proposta da chamada “Frota Dourada” contempla o desenvolvimento de uma nova geração de navios de guerra (maiores, mais rápidos e tecnologicamente mais avançados), além da retomada de investimentos em estaleiros e na produção doméstica, como resposta ao atual déficit de embarcações. Mais do que um esforço pontual de modernização, esse movimento sinaliza uma mudança estrutural de postura: trata-se de reconstruir, em escala, a capacidade industrial militar, em um contexto de competição geopolítica crescente e cada vez mais centrada em poder, tecnologia e autonomia estratégica.

Em paralelo, a pressão sobre empresas de defesa para priorizarem investimentos em produção e capacidade instalada, em detrimento da distribuição de capital aos acionistas, reforça a leitura de que o foco passa a ser velocidade, escala e prontidão operacional. Essa combinação de gasto público, direcionamento industrial e senso de urgência aponta para algo mais amplo: o início de uma nova corrida armamentista, inserida em uma dinâmica de “Guerra Fria 2.0”, na qual Estados Unidos e China disputam não apenas influência global, mas também liderança tecnológica e superioridade militar. Nesse ambiente, é razoável esperar a multiplicação de iniciativas semelhantes ao redor do mundo, com impactos relevantes sobre cadeias industriais, inovação e alocação de capital em nível global.

Para o investidor, as implicações desse cenário são diretas. Em um mundo mais instável e marcado por orçamentos militares estruturalmente mais elevados, o setor de defesa tende a deixar de ser apenas uma oportunidade tática e passa a se consolidar como uma tese estrutural de longo prazo.

Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como os já mencionados Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), surgem como instrumentos para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada. No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) cumpre papel semelhante, oferecendo acesso ao tema de forma simples e acessível.

Ainda assim, a disciplina na alocação permanece essencial. Por se tratar de um setor inerentemente volátil e sensível a ciclos políticos e orçamentários, a recomendação é que essas posições sejam dimensionadas de forma equilibrada dentro da carteira — tipicamente entre 1% e 2,5% por ativo, com um limite agregado próximo a 5% para o tema. Essa abordagem permite ao investidor participar do potencial estrutural da tese, ao mesmo tempo em que preserva uma gestão de risco adequada, compatível com a natureza e a volatilidade do setor.

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Mesmo no ‘pior cenário possível’ para a Selic, essa ação brasileira pode continuar destravando valor, segundo analista

14 de Abril de 2026, 09:01

O ciclo de cortes na taxa Selic, amplamente esperado pelo mercado, começou na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), em 18 de março. Porém, a trajetória final desse ciclo pode tomar uma forma diferente em relação às expectativas iniciais.

Até meados de fevereiro, a maior parte do mercado precificava uma taxa Selic terminal de 12% ao ano em 2026. Agora, com a guerra no Oriente Médio trazendo maior pressão inflacionária, as expectativas foram deterioradas.

“Se começamos o ano com uma perspectiva de ver a Selic em 12% no fim de 2026, agora esse número já foi revisado para 13,5%-13,75%, e pode subir mais a depender da extensão do conflito”, afirma Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, em relatório do último dia 1º de abril.

Historicamente, uma piora nas perspectivas de juros pode assustar investidores na bolsa de valores. Isso porque empresas de maior alavancagem financeira podem sentir um impacto direto dos juros altos em suas dívidas, deteriorando seus resultados e levando investidores a questionar o valuation das ações.

Parte da queda de 0,9% do Ibovespa no acumulado do mês de março foi reflexo desse maior sentimento de aversão ao risco em geral.

Porém, isso não significa, exatamente, que o momento é de zerar posições em ações, mas sim selecionar bem em quais investir.

“Continuar com uma carteira conservadora não é a palavra certa, mas sim com papéis que são sólidos, que não tem uma alavancagem alta, que não são totalmente dependentes do crédito”, afirma o analista.

Em participação no Empiricus PodCa$t do dia 4 de abril, o analista apontou algumas de suas recomendações para o momento. Dentre elas, uma ação que pode se destacar daqui para a frente– independentemente dos rumos da taxa de juros.

Essa ação pode entregar bons resultados mesmo com juros altos ou baixos, segundo analista

A ação recomendada pelo analista fechou o mês de março em queda de 5%. Mas já voltou a subir nas últimas semanas e pode continuar gerando valor, na visão do analista. Isso porque a ação pode até mesmo se beneficiar de juros mais altos em 2026.

“É um papel que nós conhecemos a gestão, que consegue navegar bem tanto com juros altos quanto com juros baixos. […] Mesmo se tivermos um pior cenário possível de Selic, a ação vai conseguir se dar bem com isso”, afirma.

O segredo está em seu setor de atuação. A empresa é um dos principais nomes do mercado quando o assunto é concessão de crédito, o que a mantém bem-posicionada em tempos de Selic de dois dígitos – já que o repasse de juros aos clientes acaba se tornando mais alto.

Além do “know-how absurdo” em concessão de crédito, segundo o analista, a empresa também tem aumentado “cada vez mais” sua diferença de rentabilidade frente aos concorrentes.

Sendo assim, por que a queda recente na bolsa? Hungria explica que, enquanto o fundamento da tese “não piorou tanto assim”, as ações foram prejudicadas pela pressão vendedora da bolsa em março.

“Se o cenário [macro] melhorar, obviamente não vai subir mais do que uma ação que é muito exposta [ao crédito], muito endividada. Mas vai subir, e estamos tranquilos de que vamos ‘pegar’ a alta bem, sem fazer loucuras”, afirma.

No momento, o valuation da ação está em 2,5x o seu valor patrimonial. Segundo Hungria, esse é um prêmio em relação aos concorrentes, mas “amplamente justificado pela rentabilidade superior e a consistência na execução”.

Pela visão construtiva, o papel foi selecionado pelo analista para compor a carteira recomendada Empiricus Top Picks, com as 10 ações brasileiras mais promissoras do momento. Além dela, outros 9 nomes que podem gerar caixa “performar bem mesmo em um cenário difícil”, segundo o analista, fazem parte da seleção.

Invista nas recomendações da Empiricus Top Picks de forma automática; saiba como

Você acabou de ler uma “amostra” de uma recomendação de investimento direcionada para o momento atual de mercado, de acordo com Ruy Hungria, da Empiricus.

E a boa notícia é que você pode investir na carteira Empiricus Top Picks, com as 10 ações recomendadas pelo analista, de forma automatizada, na plataforma online do BTG Pactual.

Selecionando a Empiricus Top Picks na modalidade carteira automatizada no BTG, você pode surfar o potencial das ações mais promissoras do mês, sem precisar comprar ou vender uma por uma – tudo ocorre de forma automática no sistema.

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Oriente Médio: gestores da Faria Lima não acreditam que conflito dure mais de 6 meses, aponta pesquisa; veja expectativas econômicas

13 de Abril de 2026, 13:37

O conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã não deve durar mais de seis meses. Essa opinião é a predominante entre 30 gestores de multimercados que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido em suas estratégias da classe.

Para os especialistas entrevistados na pesquisa proprietária da série Os Melhores Fundos de Investimento, da Empiricus Research, as opiniões sobre os impactos que o conflito pode ter na economia ainda estão divididas.

“Enquanto 50% espera uma resolução relativamente rápida, com normalização dos preços de energia, a outra metade projeta um conflito mais prolongado, ainda que sem disrupções mais severas”, comenta o analista da Empiricus, Alexandre Alvarenga.

O analista também explica que, por ora, não há uma percepção relevante dos gestores sobre escaladas estruturais do conflito, com uma leitura predominante de que o choque deve permanecer contido no curto prazo – conforme ilustra o gráfico abaixo:

Além disso, os gestores também encaram os impactos inflacionários como temporários. Nesse ponto, 64% das respostas enxergam um efeito concentrado em 2026, com uma parcela menor (32%) vendo efeitos se estendendo para 2027, enquanto poucos gestores (5%) consideram um cenário de inflação persistentemente mais elevada.

Ademais, a pesquisa também abordou questões do cenário e sentimento macroeconômico.

Piora na inflação e aversão a risco protagonizam sentimentos dos multimercados

No Brasil, Alvarenga relata uma melhora na percepção para o crescimento econômico, enquanto a leitura para inflação demonstrou uma piora em relação ao mês anterior, com o recente choque de commodities. Já o fiscal segue como principal ponto de preocupação, com deterioração adicional na percepção.

Nos Estados Unidos, o sentimento para crescimento e inflação também apresentaram piora relevante, assim como o cenário fiscal.

“No cenário global, a escalada geopolítica se consolidou como principal driver de mercado, elevando a volatilidade e trazendo o choque de energia para o centro das discussões sobre inflação e política monetária”, sintetiza o analista.

Entre as aplicações, a pesquisa indicou destaque em posições aplicadas em juros nominais e reais, além do viés comprado em real e em Bolsa. Para Alvarenga, o resultado reflete o diferencial de juros e uma leitura ainda construtiva para ativos domésticos. “Vale destacar que essa exposição — especialmente em juros — foi a principal detratora para a indústria no mês de março”, relembra o analista.

Nos Estados Unidos, por sua vez, notou-se uma mudança relevante no posicionamento em juros, com migração para posições aplicadas ao longo da curva. Ademais, o dólar mantém leitura negativa frente a outras moedas e a Bolsa americana mantém o viés positivo.

No cenário global, o analista nota a permanência do viés positivo para ativos de risco fora dos Estados Unidos, com destaque para Bolsas de mercados desenvolvidos e emergentes. O ouro também manteve sua posição de ativo de proteção e as commodities ganharam relevância, “tanto como hedge quanto como fonte de retorno em um ambiente de restrição de oferta”, comenta.

Empiricus+: saiba como transformar a visão dos gestores em oportunidades de investimento

Ainda no relatório, Alvarenga atesta que março foi um mês importante para os multimercados, freando o otimismo que era acompanhado desde o início do ano com a classe para fluxo e desempenho.

Agora que você está atualizado sobre a trajetória e estratégia de diversas gestoras para o mês de abril, chegou a hora de transformar essas recomendações em oportunidades de investimentos.

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Ibovespa hoje: colapso nas negociações entre EUA e Irã inauguram nova fase do conflito; o que esperar dos mercados nesta segunda (13)?

13 de Abril de 2026, 10:00

O colapso das negociações entre Estados Unidos e Irã inaugura um novo estágio de escalada no Oriente Médio, marcado pelo anúncio de bloqueio aos portos iranianos e pela ameaça de restrições no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do comércio global de energia. A medida eleva de forma significativa o risco de interrupções no fluxo de petróleo e derivados, e, ainda que parte do mercado a interprete como instrumento de pressão diplomática, seus efeitos já são concretos: o petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, os mercados globais operam sob pressão e o ambiente de aversão a risco se intensificou, refletindo a maior probabilidade de um confronto direto e de um choque energético mais amplo.

Apesar de algum ceticismo inicial quanto à duração dessa escalada, o cenário permanece delicado. O Irã adota um tom mais duro, condicionando qualquer avanço nas negociações a concessões relevantes, enquanto divergências entre países ocidentais dificultam a construção de uma resposta coordenada. Nesse contexto, a geopolítica retoma protagonismo como principal vetor de preços no curto prazo, com implicações diretas sobre inflação, atividade econômica e estabilidade financeira global. Em um ambiente mais volátil e com menor margem de atuação por parte dos bancos centrais, determinados ativos passam a ganhar relevância estratégica nas carteiras, funcionando, na prática, como posições quase “obrigatórias” para navegar esse novo regime de mercado, marcado por maior fragmentação global.

· 00:54 — O impacto estrangeiro

Por aqui, seguimos, em grande medida, refletindo os movimentos do cenário externo. Até o fim da semana passada, esse pano de fundo vinha sendo, inclusive, favorável aos ativos locais: o Ibovespa encerrou a sexta-feira acima dos 197 mil pontos, renovando seu terceiro recorde consecutivo na semana e acumulando alta de 4,93%, enquanto o dólar voltou a se aproximar do nível de R$ 5,00, com queda de cerca de 1% no período. No entanto, à medida que o ambiente global volta a incorporar o risco de uma nova escalada no Oriente Médio, esses ventos tendem a mudar de direção, e o mercado pode passar a sentir de forma mais evidente os efeitos adversos desse novo contexto.

Ainda assim, há elementos que oferecem alguma camada de resiliência ao mercado doméstico. A composição do Ibovespa, fortemente exposta a commodities, tende a amortecer parte dos impactos, sobretudo em um cenário de petróleo mais elevado, que contribui para a melhora da balança comercial e, por consequência, dá suporte ao câmbio. O contraponto, no entanto, vem pela via inflacionária: a alta de energia e insumos pressiona os preços e reintroduz o risco de desaceleração econômica, mantendo o ambiente sensível ao delicado equilíbrio entre atividade e inflação. Nesse contexto, ganha relevância o acompanhamento da agenda doméstica, com destaque para a participação de Gabriel Galípolo no evento do FMI e do Banco Mundial, nos EUA, além dos dados de serviços, varejo e IBC-Br ao longo da semana, especialmente após a divulgação recente de indicadores de inflação mais pressionados.

No campo político, o cenário também adiciona uma camada adicional de incerteza. As pesquisas mais recentes indicam deterioração na popularidade do governo, com sinais de maior competitividade de nomes da oposição em simulações eleitorais. Ainda que seja cedo para conclusões mais definitivas, movimentos nessa direção podem, ao longo do tempo, alimentar a percepção de uma possível inflexão do pêndulo político em direção a uma agenda mais pró-mercado, reformista e fiscalista, uma hipótese que parece ainda pouco refletida nos preços dos ativos brasileiros.

· 01:43 — Aguardando o início da temporada de resultados

A semana nos Estados Unidos tem início com a abertura da temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026, liderada pelos grandes bancos, em um contexto já pressionado pela escalada geopolítica e pela forte alta do petróleo. Os mercados começam reagindo de forma mais cautelosa, com queda nos futuros, refletindo a deterioração das expectativas inflacionárias, intensificada por dados recentes, como um CPI mais elevado, e pelo impacto direto da energia sobre os preços. Ao mesmo tempo, os investidores acompanham de perto indicadores como o PPI e o Livro Bege, ambos nesta semana, em busca de sinais mais claros sobre o ritmo da atividade econômica e os próximos passos da política monetária. Nesse ambiente, o Federal Reserve permanece distante de um ciclo de cortes de juros, com as expectativas já deslocadas para 2027 e condições financeiras ainda em terreno restritivo.

Apesar desse pano de fundo mais desafiador, as projeções de lucros das empresas americanas seguem fortes, com destaque para o setor de energia, favorecido pela valorização do petróleo, e para tecnologia, que começa a apresentar níveis de valuation mais atrativos após as quedas recentes. Ainda assim, observa-se uma desconexão no curto prazo entre o desempenho esperado dos lucros e o comportamento das ações, com investidores adotando uma postura mais cautelosa, especialmente diante das incertezas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial. Nesse contexto, a temporada de balanços ganha relevância como possível catalisador para reduzir essa divergência e ajudar a reancorar as expectativas.

· 02:38 — Nova escalada?

A escalada no Oriente Médio entra em um novo patamar após a decisão dos Estados Unidos de bloquear os portos iranianos e ameaçar restringir o tráfego no Estreito de Ormuz, na esteira do fracasso das negociações com o Irã durante o final de semana. A medida eleva de forma significativa o risco de confronto direto, sobretudo diante da reação firme de Teerã e do reforço da presença militar americana na região. Na prática, o que antes era percebido principalmente como um foco de tensão geopolítica passa a produzir efeitos mais concretos sobre os mercados, com forte alta do petróleo e uma piora visível no apetite global por risco, ao contrário do que vimos na semana passada.

Esse movimento também amplia a probabilidade de uma disrupção mais prolongada nas cadeias globais de energia e de insumos, com potencial para pressionar tanto a inflação quanto a atividade econômica em diferentes países. Embora ainda exista alguma margem para uma eventual retomada das negociações, a dinâmica atual aponta para um ambiente mais instável, mais volátil e mais suscetível a choques adicionais. Nesse contexto, decisões políticas e militares voltam a exercer influência direta sobre o comportamento dos ativos, reforçando a percepção de que o mercado entrou em uma fase mais sensível à geopolítica e menos apoiada apenas em fundamentos tradicionais. Em momentos como esse, a disparada do petróleo tende a produzir efeitos em cadeia sobre diferentes classes de ativos, alterando preços relativos, expectativas macroeconômicas e fluxos de capital. Por isso, alguns investimentos passam a assumir um papel particularmente relevante em carteira, funcionando quase como posições “obrigatórias” em cenários de conflito, justamente por sua maior capacidade de capturar essa nova dinâmica de mercado.

· 03:25 — Ruptura na democracia mais “iliberal” da Europa

A derrota de Viktor Orbán após 16 anos no poder marca uma inflexão relevante na trajetória política da Hungria, com a vitória de Péter Magyar e a provável formação de uma supermaioria parlamentar. O novo líder sinaliza uma agenda de mudanças profundas, que inclui o avanço de medidas anticorrupção, a revisão de estruturas institucionais e uma reaproximação mais clara com a União Europeia. Esse movimento também implica uma reorientação no posicionamento internacional do país, reduzindo o alinhamento observado nos últimos anos com Vladimir Putin e Donald Trump, e reposicionando a Hungria de forma mais consistente dentro do eixo ocidental.

Do ponto de vista geopolítico, os desdobramentos são relevantes. A saída de Orbán tende a destravar pautas importantes no âmbito da União Europeia, incluindo o avanço de apoio financeiro à Ucrânia, o que fortalece a posição de Volodymyr Zelenskyy em meio ao conflito com a Rússia, que vinha sendo beneficiada pelo conflito entre EUA e Irã. Ainda assim, apesar do alívio inicial em Bruxelas e Kiev, o cenário permanece desafiador: a guerra segue em curso, as pressões sobre energia persistem e o ambiente político europeu continua fragmentado. Nesse contexto, a mudança na Hungria deve ser entendida como parte de um quadro mais amplo e ainda complexo.

Sob uma perspectiva institucional, a derrota de Orbán representa um marco importante após anos de desgaste democrático, mas também inaugura uma fase de maior complexidade. O governo de Magyar deverá enfrentar o chamado “dilema pós-populista”, nas palavras de Yascha Mounk, preservando as regras vigentes, mas convivendo com estruturas influenciadas por aliados do antigo regime, ou promovendo rupturas mais profundas, correndo o risco de fragilizar as próprias instituições que busca fortalecer. Em última instância, o episódio reforça uma leitura mais cautelosa: a saída de um líder populista não encerra o processo, mas apenas inaugura uma etapa longa, gradual e, por natureza, incerta de reconstrução democrática.

· 04:17 — Retornaram bem

O retorno da missão Artemis II representa um marco relevante ao levar astronautas a distâncias inéditas da Terra, mas seu significado vai além do avanço científico: trata-se de um sinal claro de reativação da competição espacial em um ambiente geopolítico cada vez mais tensionado entre Estados Unidos e China. De um lado, Washington acelera seu cronograma para levar a missão Artemis IV à superfície lunar até 2028; de outro, Pequim avança de forma consistente com o objetivo de colocar seus próprios astronautas na Lua até 2030, sustentada por progressos relevantes em estações espaciais e missões robóticas cada vez mais sofisticadas.

Nesse contexto, a exploração espacial volta a ganhar contornos estratégicos típicos de uma nova “Guerra Fria 2.0”, na qual tecnologia, prestígio e projeção de poder caminham lado a lado. Esse ambiente tende a estimular não apenas a intensificação dos investimentos governamentais, mas também o avanço de iniciativas privadas, ampliando o ecossistema do setor. Entre elas, ganha destaque a possibilidade de um IPO da SpaceX ainda este ano, que pode se consolidar como um marco financeiro dessa nova fase — e um indicativo de que a corrida espacial contemporânea será, cada vez mais, compartilhada entre Estados e mercado.

· 05:04 — Novo mercado

A aprovação da migração da Axia para o Novo Mercado marca um avanço relevante na trajetória da companhia, tanto sob a ótica societária quanto na forma como o mercado tende a percebê-la. A proposta envolve a conversão das ações preferenciais (AXIA5/AXIA6) em ações ordinárias (AXIA3), na proporção de 1 para 1,1 — relação que incorpora o prêmio associado ao diferencial de aproximadamente 10% nos dividendos hoje conferido às PNs. Mais do que uma simples reorganização técnica, a iniciativa posiciona a empresa no mais elevado nível de governança da B3, eliminando a estrutura com múltiplas classes de ações e, com isso, ampliando de maneira significativa o conjunto de investidores elegíveis à tese, em especial os institucionais, frequentemente restritos a companhias com estrutura acionária mais transparente.

Além disso, o fato de a proposta ter sido aprovada com o apoio abrangente dos acionistas reforça o alinhamento de interesses entre as diferentes partes, reduzindo potenciais fricções e contribuindo para maior previsibilidade nas decisões corporativas, incluindo a distribuição de dividendos. Em paralelo, a migração também representa um passo importante na consolidação do processo de privatização da companhia, que ao longo dos últimos anos foi alvo de questionamentos recorrentes, mas que agora parece avançar de forma mais definitiva. Trata-se de um movimento construtivo para as ações de AXIA6, ao reunir melhora de governança, potencial aumento de liquidez e redução de riscos percebidos, fatores que, juntos, tendem a favorecer uma reprecificação mais gradual, porém consistente, ao longo do tempo.

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Dividendos da semana: Lojas Renner (LREN3), Rede Energia (REDE3) e Vivo (VIVT3) pagam proventos em 13 e 14 de abril

12 de Abril de 2026, 09:00

Nessa semana, três ações da bolsa brasileira têm proventos programados para serem pagos aos seus acionistas: Lojas Renner (LREN3), Rede Energia (REDE3) e Telefônica/Vivo (VIVT3).

No caso de REDE3, a empresa pagará dividendos; já para LREN3 e VIVT3, estamos falando de juros sobre capital próprio (JCP). A diferença entre as duas modalidades de pagamento faz a diferença para o investidor.

Isso porque JCPs estão sujeitos à alíquota de 15% do Imposto de Renda retido na fonte, enquanto os dividendos são tributados em 10% na fonte, se ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.

Além disso, um outro detalhe que não deve fugir ao investidor é a “data com”, ou data de corte: apenas acionistas que detinham posição nos papéis até as datas informadas na tabela estarão aptos a receber os pagamentos.

Preparamos um calendário completo com todos os pagamentos previstos para a semana. Veja a seguir.

Dividendos da semana: confira ações que pagam proventos a partir de 13 de abril

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por ação (R$)Data do pagamentoData de corte
Rede EnergiaREDE3Dividendo0,113/04/202617/03/2026
Lojas RennerLREN3JCP0,22214/04/202624/03/2026
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,07414/04/202611/04/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,07714/04/202625/08/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,06114/04/202623/06/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,10214/04/202625/07/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,15414/04/202622/05/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,12414/04/202622/09/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,10614/04/202624/11/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,11814/04/202627/10/2025
Telefônica (Vivo)VIVT3JCP0,10914/04/202629/12/2025

Onde investir para buscar dividendos? Confira ações indicadas no Empiricus+

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Ibovespa hoje: negociações entre EUA e Irã no Paquistão, IPCA e mais destaques desta sexta (10)

10 de Abril de 2026, 10:14

Os mercados globais caminham para o fim de semana em tom de cautela, à espera das negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, em um ambiente ainda marcado por incertezas relevantes.

Embora haja sinais pontuais de distensão, incluindo uma retórica mais conciliadora por parte de Donald Trump, persistem dúvidas quanto à efetividade do cessar-fogo, especialmente diante da continuidade dos conflitos no Líbano e da manutenção das restrições no Estreito de Ormuz, que segue operando com tráfego significativamente reduzido. Esse contexto reforça a leitura de um alívio apenas parcial do risco geopolítico, mantendo os investidores atentos e sensíveis a qualquer eventual deterioração nas negociações.

Nos ativos, esse pano de fundo se traduz em um comportamento mais ambíguo: as bolsas apresentam desempenho misto ao redor do mundo, o petróleo segue volátil, ainda abaixo dos níveis mais críticos, mas pressionado pelas incertezas em torno da oferta, e o dólar exibe força moderada. Ao mesmo tempo, o foco dos investidores se volta para dados econômicos relevantes, em especial a inflação nos Estados Unidos, que deve refletir o impacto recente da alta dos preços de energia.

Em paralelo, a China começa a dar sinais de saída de seu período de deflação industrial, impulsionada justamente pelo encarecimento da energia, o que evidencia como o conflito já se dissemina para além da geopolítica, afetando a dinâmica econômica global.

· 00:52 — Uma inflação nada agradável

No Brasil, o Ibovespa renovou ontem sua máxima histórica, superando os 195 mil pontos, ainda impulsionado pelo alívio no cenário geopolítico e pelo fluxo estrangeiro direcionado a mercados emergentes.

Em paralelo, o dólar voltou a recuar, atingindo o menor patamar desde abril de 2024, ao redor de R$ 5,06. Esse movimento reflete um ambiente global mais favorável aos ativos de risco, especialmente em economias emergentes, como o Brasil, em um contexto de fraqueza da moeda americana.

No campo doméstico, o destaque ficou por conta da inflação de março, que, como antecipado, veio acima do esperado. O IPCA acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, superando a expectativa do mercado, que girava em torno de 0,77%. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses voltou a ultrapassar o nível de 4%, alcançando 4,14%.

O dado é negativo para quem esperava uma retomada mais agressiva do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central ao longo do ano. A Selic deve, sim, continuar em trajetória de queda, mas em um ritmo mais gradual do que se projetava anteriormente, o que tende a ser mais construtivo para o real, embora menos favorável para o desempenho das ações no curto prazo.

Ainda assim, não se trata de um cenário de ruptura. A inflação segue pressionada, sem dúvida, refletindo tanto fatores domésticos, como a condução fiscal, quanto choques externos, especialmente associados à guerra no Oriente Médio.

Mesmo assim, ainda há espaço para algum grau de flexibilização monetária ao longo do tempo. A presença de um calendário eleitoral no horizonte também pode influenciar a dinâmica, sobretudo se houver sinais de maior disciplina fiscal, o que poderia contribuir para uma melhora nas expectativas de inflação.

No âmbito das políticas públicas, o governo intensificou medidas para mitigar os impactos da alta do petróleo, combinando ações de curto prazo para suavizar pressões sobre preços e setores mais sensíveis. No entanto, a suspensão judicial do imposto sobre exportação de petróleo adiciona uma camada extra de incerteza fiscal, enquanto propostas voltadas à redução do endividamento das famílias, incluindo o uso de recursos do FGTS, ainda dependem de aprovação.

Em conjunto, o cenário segue marcado por um equilíbrio delicado entre estímulos de curto prazo, desafios fiscais e a necessidade de ancorar expectativas.

· 01:47 — O impacto começa a aparecer

Nos Estados Unidos, os dados mais recentes apontam para uma economia que começa a exibir sinais mistos. De um lado, o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência, com os pedidos recorrentes de auxílio-desemprego recuando para os níveis mais baixos em quase dois anos.

De outro, o consumo das famílias segue enfraquecido: os gastos avançaram de forma praticamente marginal, refletindo o impacto de uma inflação ainda elevada e persistente. Esse arrefecimento da demanda, vale notar, já vinha se desenhando antes mesmo da escalada recente das tensões no Oriente Médio, sugerindo que o consumidor americano começa a sentir de forma mais clara o peso de um ambiente de preços mais pressionado.

Nesse contexto, o foco do mercado se desloca naturalmente para a inflação, com a divulgação do CPI de março, que deve capturar de maneira mais evidente o impacto da alta recente da gasolina. As expectativas apontam para uma aceleração relevante no índice, com avanço mensal expressivo e manutenção da inflação em patamar acima da meta do Federal Reserve.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o poder de compra das famílias, uma vez que a elevação de preços, especialmente em itens essenciais como energia e alimentos, tende a exigir ajustes adicionais no padrão de consumo. Assim, a leitura predominante é de uma economia que segue em funcionamento, mas com sinais crescentes de perda de fôlego, em meio a pressões inflacionárias persistentes e a incertezas sobre os próximos passos da política econômica

· 02:31 — Avanços tímidos, mas na direção correta

O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã segue frágil e cercado de incertezas às vésperas de negociações decisivas no Paquistão. Embora haja sinais pontuais de avanço diplomático, como a mudança de tom de Donald Trump e uma disposição mais visível para o diálogo, permanecem divergências relevantes entre as partes.

Israel continua atuando militarmente no Líbano (pelo menos há agora um aparente sinal de disposição de conversar entre as partes), enquanto o Irã mantém exigências duras, entre elas a interrupção completa das ofensivas e a preservação de seu controle sobre o Estreito de Ormuz, que, na prática, continua fechado ou operando sob severas restrições. Esse quadro deixa claro que, embora exista espaço para negociação, a construção de uma paz mais duradoura ainda está longe de estar assegurada.

Do ponto de vista macro, os efeitos da guerra já se fazem sentir e tendem a persistir por algum tempo. O fluxo de petróleo segue comprometido, com o tráfego no Estreito de Ormuz muito abaixo dos níveis normais, o que mantém pressão sobre os preços de energia e afeta cadeias produtivas relevantes, como as de fertilizantes e eletricidade.

Mesmo com algum alívio recente nos mercados, a leitura predominante ainda é de cautela, uma vez que o risco de nova escalada continua elevado. Instituições como o FMI já começam, inclusive, a incorporar perdas mais permanentes em suas projeções para o crescimento global, reforçando a percepção de que, mesmo diante de avanços diplomáticos, o impacto econômico desse conflito não será dissipado rapidamente.

· 03:29 — Sinais de turbulência

Líderes de grandes bancos de Wall Street foram convocados para uma reunião urgente com Jerome Powell e Scott Bessent após o surgimento de preocupações com um novo modelo de inteligência artificial desenvolvido pela Anthropic.

Batizado de Mythos, o sistema é considerado tão avançado que a própria empresa decidiu restringir seu acesso a um grupo muito seleto de companhias, diante do risco de que possa ser utilizado para identificar falhas em sistemas digitais e até viabilizar ataques cibernéticos. O objetivo das autoridades é claro: garantir que o sistema financeiro esteja preparado para esse novo ambiente, reforçando suas defesas antes que tecnologias semelhantes se tornem mais amplamente disponíveis.

E não se trata de um risco abstrato: em poucas semanas, o modelo foi capaz de identificar milhares de vulnerabilidades, incluindo falhas antigas e até brechas em sistemas historicamente considerados altamente seguros, além de apresentar indícios de contornar suas próprias salvaguardas.

O ponto mais profundo, porém, vai além da cibersegurança tradicional. Boa parte da segurança digital que sustenta o sistema financeiro global, de transações bancárias a comunicações criptografadas, se apoia em problemas matemáticos considerados, até hoje, extremamente difíceis de resolver, como a fatoração de números muito grandes em seus componentes primos, um tema que tangencia discussões fundamentais da teoria dos números, incluindo a Hipótese de Riemann.

Em termos simples, esses sistemas funcionam porque “quebrar o código” é, na prática, inviável. Mas se modelos de IA avançarem a ponto de reduzir significativamente essa barreira, seja acelerando soluções, seja explorando vulnerabilidades de forma inédita, podemos estar diante de um verdadeiro ponto de inflexão. Não apenas ataques mais sofisticados, mas a necessidade de repensar, na base, os protocolos de segurança que sustentam a economia digital. Em outras palavras, a próxima disrupção da inteligência artificial pode não estar apenas na produtividade — mas na própria definição do que hoje entendemos como segurança.

· 04:15 — Abordagem política

Para Xi Jinping, os Estados Unidos passam a emitir sinais cada vez mais ambíguos. Por um lado, seguem demonstrando uma capacidade militar impressionante, com alto grau de integração tecnológica e operacional entre diferentes frentes, o que naturalmente impõe respeito e até certa admiração do ponto de vista estratégico.

Por outro, expõem fragilidades relevantes em momentos de estresse econômico e geopolítico, seja pela dependência de minerais críticos, pela sensibilidade a choques energéticos ou, sobretudo, pela crescente divisão política interna. Essa combinação de força externa com vulnerabilidades domésticas tende a ser central na leitura de Pequim, influenciando diretamente o cálculo chinês em temas sensíveis como Taiwan, que permanece como uma linha vermelha para o regime.

Sobre esse tema, a atuação recente da China indica uma estratégia mais sutil e calibrada. Ao dialogar com figuras da política taiwanesa, mais precisamente o atual partido de oposição (pró-China), e defender publicamente a cooperação e a estabilidade, Pequim busca sinalizar que ainda existe espaço para uma reunificação pacífica, desde que conduzida sob seus próprios termos.

Esse movimento também funciona como um recado indireto aos Estados Unidos: a China é capaz de avançar diplomaticamente e moldar o ambiente político regional sem necessariamente recorrer ao confronto direto. No pano de fundo, o que emerge é um mundo mais fragmentado e competitivo, no qual a disputa entre grandes potências não desaparece, mas passa a se manifestar de forma mais intermitente, alternando momentos de tensão com episódios de distensão, sem uma resolução definitiva.

· 05:03 — Um céu mais limpo

Nos últimos dias, Donald Trump assinou uma medida que reduz as tarifas de importação sobre equipamentos industriais e de rede com alta intensidade metálica, justamente o núcleo do portfólio da WEG. Pelas novas regras, essas tarifas passam a variar entre 15% e 25% até 2027, representando uma redução relevante frente aos 50% anteriormente praticados.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer a indústria americana, mas, na prática, também beneficia empresas globais bem posicionadas nesse segmento. Vale lembrar que a WEG já havia sido favorecida anteriormente pela redução das tarifas recíprocas aplicadas ao Brasil, que recuaram de 50% para 10%, contribuindo para mitigar os impactos sobre suas operações internacionais.

Do ponto de vista histórico, a companhia demonstrou resiliência ao atravessar o período de tarifas mais elevadas sem deterioração relevante de seus resultados, apoiada principalmente por sua capacidade de repasse de preços e por sua diversificação geográfica.

Ao longo do ano passado, inclusive, realizou ajustes de preços com o objetivo de proteger margens diante do aumento de custos. Agora, com a redução das tarifas, parte desse movimento pode se traduzir em ganho adicional de rentabilidade, ainda que de forma gradual e compartilhada com outros players do setor. Nesse contexto, a WEGE3 segue se destacando como uma empresa de alta qualidade, com execução consistente e presença global relevante, configurando-se como uma alternativa interessante para complementar carteiras de ações brasileiras com exposição a crescimento estrutural e resiliência operacional.

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Mercados internacionais fecham com desempenho misto, com investidores reagindo a aversão ao risco

7 de Abril de 2026, 18:25

Ouça aqui o fechamento de mercado no Spotify

Nos mercados internacionais, o pregão foi marcado por um viés defensivo, com investidores reduzindo a exposição a ativos de risco diante do aumento das tensões geopolíticas e da ausência de sinais claros de descompressão no curto prazo. O petróleo teve uma sessão volátil, reforçando preocupações inflacionárias no radar e sustentando os rendimentos dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) durante quase todo o dia.

Esse cenário se inverteu no final da sessão, após pedidos do Paquistão para que os EUA estendessem o prazo de negociações com o Irã, enquanto o país solicitou também que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz (caminho por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial) como gesto de boa-fé. Sem a divulgação de indicadores relevantes, o noticiário externo seguiu como principal direcionador dos preços.

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As bolsas de Nova York zeraram as perdas e encerraram próximas da estabilidade, e as da Europa terminaram a sessão em queda, refletindo a busca por proteção, enquanto o dólar manteve viés de apreciação frente a moedas emergentes.

No Brasil, o mercado doméstico acompanhou o humor negativo do exterior durante quase toda a sessão; porém, nos últimos minutos, zerou as perdas com o pedido de extensão de prazo para as negociações feito pelo Paquistão aos EUA. O Ibovespa encerrou próximo da estabilidade, avançando 0,05%, aos 188.258 pontos, com giro financeiro de R$ 26,3 bilhões, após renovar mínimas ao longo do dia.

As curvas de juros também reduziram as perdas encerrando próximo a estabilidade, enquanto o dólar avançou 0,17% frente ao real, encerrando cotado a R$ 5,15.

Quem investiu ‘esperando por uma Selic a 9% ao ano’, agora precisa dar um ‘cavalo de pau’ na carteira, segundo analista

7 de Abril de 2026, 13:03

“Quem ‘pulou na água de vez’ achando que a Selic chegaria a 9% no fim do ano, teve que dar um “cavalo de pau” na carteira, e deve ter sofrido bem em março”. Quem afirma é Ruy Hungria, analista de ações da Empiricus Research.

A fala do analista se refere aos investidores em ações brasileiras que, nesse início de ano, posicionaram suas carteiras de acordo com o cenário visto até então: otimismo à espera do início do ciclo de cortes de juros no país.

Com reduções na taxa Selic contratadas pelo Banco Central ao longo de 2026, o Ibovespa renovou máximas históricas na reta final de 2025, refletindo o ânimo do mercado.

Em meio à toada positiva, é possível que muitos investidores pessoa física tenham optado por comprar ações sem, necessariamente, considerar que algo poderia mudar.

Hoje, o panorama econômico é completamente diferente daquele visto no início do ano, e muitas carteiras de investimento montadas três meses atrás podem precisar de uma revisão – isso se esperavam por cortes de juros mais agudos.

Na edição do Empiricus PodCa$t do último sábado (4), Ruy Hungria foi convidado para discutir o que está acontecendo, e o que isso significa para os investidores. Confira:

‘Cavalo de pau’ na carteira de investimentos?

Até o final de fevereiro, ativos brasileiros surfavam uma onda de otimismo, enquanto boa parte do mercado apostava em uma Selic terminal de cerca de 12% ao ano em 2026, o que implicava em um ciclo de cortes de 3 pontos percentuais no total.

E é quando entra a guerra no Oriente Médio, que mudou completamente a narrativa. O conflito elevou os preços do petróleo, impactando a cadeia global de suprimentos, e impulsionando pressões inflacionárias ao redor do mundo – inclusive para o Brasil.

Com isso, a Selic terminal em 2026, que era esperada em torno de 12% a.a., agora já começa a ser projetada em 13,5% ou 13,75% ao ano, segundo os analistas da casa, sugerindo menor magnitude nos cortes de juros.

Tudo isso pode impactar nos ativos de risco, especialmente ações de empresas mais sensíveis aos juros altos. E aqui entra a fala anterior de Ruy Hungria: o investidor que foi “com tudo” em papéis mais cíclicos, agora, precisa repensar seus planos.

Porém, esse não foi o caso entre as carteiras recomendadas da Empiricus. “Nos últimos meses, por mais que tenhamos tido essa melhora de perspectiva [econômica], nós nunca fomos totalmente agressivos no sentido de apostar em queda de juros”, afirma o analista.

Entre as recomendações da casa para o mês de abril, Hungria explica que foi necessário rever algumas teses que eram mais expostas aos juros, mas sem fazer uma mudança completa.

“Não foi um ‘cavalo de pau’. Não mudamos totalmente as carteiras, porque as carteiras já eram bastante sólidas”, afirma. “Nós já vínhamos em uma abordagem de colocar ‘só o pezinho na água’. […] Sempre com muita diligência, sem fazer loucura. Foi assim que construímos nossas carteiras e o bom desempenho delas, inclusive”.

Qual o “segredo” para selecionar as melhores ações mesmo sem saber o que esperar da economia? O analista explica:

“A nossa estratégia, nos últimos meses, foi continuar com uma carteira de papéis sólidos, que não tem alavancagem alta e não são totalmente dependentes do crédito, porque conhecemos como as coisas funcionam por aqui. Sabemos que o Brasil é cheio de surpresas”.

Quais as principais ações recomendadas para investir no momento?

Durante o episódio, o analista mencionou três ações em especial que figuram entre as recomendações da Empiricus para o mês.

  • Itaú (ITUB4)

Itaú (ITUB4) “é um papel que consegue navegar bem com juros altos ou baixos, tem um know-how de concessão de crédito ‘absurdo’, e tem aumentado cada vez mais sua diferença para os concorrentes em termos de rentabilidade”, afirma Hungria.

Segundo o analista, mesmo se tivermos “um pior cenário possível de Selic”, essa é uma ação que deve se beneficiar, devido à natureza do seu negócio ligada ao crédito.

  • Petrobras (PETR4)

Com a alta dos preços do petróleo, a Petrobras (PETR4) foi um dos destaques do mês passado, tendo fechado março em alta de 18% na B3.

Hungria acredita que os preços do barril de petróleo não devem mais retornar aos patamares pré-guerra no Oriente Médio (cerca de US$ 50) daqui para a frente, o que deve continuar beneficiando os papéis da petroleira brasileira. Por isso, segue construtivo na recomendação.

“Não ter uma exposição ao petróleo no momento pode acabar se tornando ruim” para o investidor, afirma o analista.

  • Vale (VALE3)

Hungria comenta que a Vale (VALE3) é uma tese que “acabou se desconectando do preço do minério de ferro”, que subiu no mês de março em meio aos conflitos geopolíticos. Além disso, a receita da empresa é dolarizada, o que “acaba sendo bom nesses momentos de incerteza”.

Por último, a Vale Base Metals, divisão que cuida de metais básicos como cobre, níquel e cobalto, essenciais na transição energética, é a “joia da coroa” e está em um valuation abaixo do que deveria, para o analista. Todos esses fatores contribuem para a atratividade das ações, que seguem recomendadas pela casa.

Empiricus+: em um único lugar, conheça as principais recomendações de investimento para esse mês

Essas três ações citadas são apenas uma pequena fração das dezenas de recomendações que a Empiricus traz aos investidores para esse mês.

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Ibovespa hoje: ameaças de Trump ao Irã trazem cautela aos mercados; veja o que esperar desta terça (7)

7 de Abril de 2026, 10:04

Todas as atenções estão voltadas para o prazo final imposto por Donald Trump, que condiciona qualquer acordo à reabertura do Estreito de Ormuz até o fim desta terça-feira, sob a ameaça explícita de ataques à infraestrutura iraniana.

O ultimato eleva o nível de tensão em um momento já delicado, marcado pela continuidade dos confrontos e pela ausência de um desfecho claro nas negociações. Trata-se de mais um prazo autoimposto pelo governo americano, o que reforça a imprevisibilidade do cenário e mantém os investidores diante de múltiplos caminhos possíveis, que vão desde uma eventual descompressão até uma escalada mais ampla do conflito.

Nos mercados, a proximidade desse deadline já se traduz em maior cautela. Embora as negociações sigam em curso, a incerteza ainda predomina, deixando os agentes altamente sensíveis ao fluxo de notícias. Mesmo considerando o histórico recente de adiamento de prazos, o risco de novos danos à infraestrutura, com potencial de prolongar a desorganização do mercado de petróleo, mantém o ambiente pressionado, com os mercados, mais uma vez, operando sob a lógica de esperar por maior clareza.

E os ataques realizados na madrugada de hoje às instalações militares na Ilha de Kharg, um hub logístico crucial para o escoamento de petróleo iraniano que já comentei neste espaço, pouco contribuem para o avanço do diálogo entre as partes e reforçam a aversão ao risco nos mercados nesta manhã de terça-feira.

· 00:52 — Combustível caro, conta fiscal mais cara ainda

No Brasil, seguimos acompanhando de perto o noticiário geopolítico, especialmente em um dia de agenda doméstica mais esvaziada, sendo o principal destaque da semana, do ponto de vista de dados, a divulgação do IPCA de março na sexta-feira.

Nesse contexto, ganha relevância o pacote anunciado pelo governo Lula para mitigar os efeitos da alta dos combustíveis. Trata-se de um conjunto amplo de medidas que combina subsídios e desonerações com o objetivo de conter o repasse inflacionário, incluindo subvenções ao diesel (tanto importado quanto nacional), incentivos ao gás de cozinha e alívio ao setor aéreo, além da oferta de crédito. O custo estimado desse pacote pode chegar superar a marca de R$ 30 bilhões.

A estratégia oficial parte do pressuposto de que esse impacto fiscal será compensado pelo aumento de arrecadação decorrente da própria alta do petróleo, por meio de royalties, impostos e participações especiais, potencialmente somando até R$ 40 bilhões, além de medidas adicionais, como a elevação de tributos sobre cigarros.

Ainda assim, a viabilidade desse equilíbrio levanta questionamentos, especialmente em um contexto de ano eleitoral, no qual há maior propensão à adoção de medidas voltadas ao curto prazo, como forma de conter a queda de popularidade, evidenciada por pesquisas recentes, como a Ipsos-Ipec do final de semana, entre outras. Esse movimento tende a pressionar ainda mais um quadro fiscal já fragilizado, dificultando o cumprimento das metas fiscais. Em última instância, isso eleva o custo do ajuste que se desenha como inevitável nos próximos anos, especialmente a partir de 2027.

· 01:47 — Tentando separar o joio do trigo

Nos Estados Unidos, os mercados iniciaram a semana em alta moderada, apoiados por dados econômicos mais favoráveis, com destaque para o relatório de emprego da última sexta-feira, que veio mais forte do que o esperado (afastando o medo de recessão), mas seguem operando em compasso de espera diante da guerra com o Irã e do prazo estabelecido pelo governo americano para um possível acordo.

O ambiente segue sendo de cauteloso: há algum alívio nos preços, mas os investidores continuam atentos ao risco de mudanças de narrativa. Ao mesmo tempo, o posicionamento em ações se tornou mais leve, refletindo a redução recente de exposição, embora ainda sem sinais de capitulação mais ampla por parte do mercado.

Nesse contexto, a agenda americana da semana ganha importância adicional e deve ajudar a calibrar o humor dos investidores. O foco recai sobre o início da temporada de balanços, os dados de bens duráveis e, sobretudo, a divulgação do índice de inflação (CPI), que tende a ser a primeira leitura mais completa dos efeitos do choque energético recente sobre os preços. Além disso, indicadores de expectativas de inflação e discursos no Federal Reserve entram no radar em um momento no qual o mercado busca responder a uma pergunta central: até que ponto a economia americana continua resiliente em meio a um ambiente potencialmente inflacionário?

· 02:31 — Negociação aos 45 do segundo tempo

O presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o Irã ao condicionar qualquer acordo à reabertura do Estreito de Ormuz dentro de um prazo definido, elevando o tom das ameaças e mencionando a possibilidade de ataques à infraestrutura crítica do país se não houver algum acordo até a noite de hoje.

Apesar de indicar que as negociações avançam, as exigências permanecem rígidas, enquanto o Irã demonstra resistência a propostas temporárias e mantém suas ações militares na região. Em paralelo, a Organização das Nações Unidas alertou para o risco de violação do direito internacional diante de eventuais ataques a alvos civis, ao mesmo tempo em que busca viabilizar uma resolução mais branda no Conselho de Segurança para garantir a navegação na região, ainda sujeita a possíveis vetos de países como Rússia e China.

Nos mercados, esse ambiente se traduz em uma combinação de tensão e incerteza. O petróleo voltou a subir ontem em meio à volatilidade, enquanto as bolsas perderam fôlego diante da proximidade do prazo imposto e da ausência de maior clareza sobre um desfecho. Ainda assim, a continuidade das negociações, mediadas por países como Egito, Paquistão, Turquia e Omã, sustenta a expectativa de um eventual cessar-fogo, ainda que temporário, o que ajuda a evitar movimentos mais abruptos nos ativos. Em síntese, o cenário segue instável, com os mercados oscilando entre a perspectiva de avanço diplomático e o risco concreto de uma nova escalada do conflito.

· 03:26 — Problemas com crédito

Em sua carta anual aos acionistas, Jamie Dimon destacou um conjunto de riscos relevantes para a economia global, que vão desde tensões geopolíticas até inflação persistente, passando por fragilidades no mercado de crédito privado e limitações no arcabouço regulatório.

Na sua avaliação, a inflação pode se consolidar como o principal desafio do ano caso desacelere de forma mais lenta do que o esperado, pressionando tanto as taxas de juros quanto o preço dos ativos. Ao mesmo tempo, ele chama atenção para uma mudança de comportamento dos investidores, que começam a retirar recursos do crédito privado, uma classe de ativos estruturalmente menos líquida, o que já gera sinais de estresse e dinâmicas que, ainda que incipientes, lembram movimentos típicos de corrida por liquidez, como já discutimos por aqui.

Apesar desse pano de fundo mais desafiador, o crédito privado, ao menos por ora, não configura um risco sistêmico, sobretudo em função de seu tamanho relativamente menor quando comparado a outros mercados.

Ainda assim, vale o alerta para a deterioração gradual dos padrões de concessão de crédito, o que pode amplificar perdas em um eventual ciclo adverso. Episódios recentes envolvendo a Blue Owl Capital ilustram bem esse momento mais sensível, com queda expressiva das ações e restrições a resgates diante do aumento da demanda por liquidez. Em síntese, o cenário não aponta para uma crise iminente, mas revela um ambiente mais frágil, em que a combinação de menor liquidez, ajustes estruturais e riscos macroeconômicos exige uma postura mais atenta e criteriosa por parte dos investidores.

· 04:13 — Preocupação eleitoral

Os republicanos conquistaram em 2024 o controle simultâneo da Casa Branca e do Congresso, o que lhes permitiu avançar de forma mais coordenada em sua agenda política. Esse cenário, no entanto, pode começar a se reverter já nas eleições de meio de mandato de 2026. As projeções atuais apontam para uma probabilidade elevada de os democratas retomarem o controle da Câmara dos Representantes, dado que necessitam de um número relativamente pequeno de cadeiras e contam com vantagem nas pesquisas, além de um histórico que favorece o partido fora do poder nesses ciclos eleitorais.

Mesmo considerando possíveis ajustes distritais que possam suavizar perdas republicanas, o cenário-base ainda sugere uma mudança de controle na Câmara, ainda que com alguma margem para variações ao longo da campanha.

Por outro lado, o Senado apresenta uma dinâmica distinta, com os republicanos em posição mais confortável para preservar a maioria. Isso se deve ao fato de que a maior parte das cadeiras em disputa está localizada em estados tradicionalmente conservadores, restando poucos casos efetivamente competitivos.

Nesse contexto, o desfecho mais provável é o de um Congresso dividido, com democratas controlando a Câmara e republicanos mantendo o Senado. Esse arranjo tende a exigir maior grau de negociação bipartidária para a aprovação de medidas legislativas e pode intensificar disputas institucionais, especialmente caso o Executivo busque ampliar sua margem de atuação sobre o orçamento (já muito apertado). Como resultado, o ambiente político-fiscal nos Estados Unidos tende a se tornar mais complexo, com potenciais implicações para a previsibilidade das políticas públicas nos próximos anos.

· 05:07 — Um orçamento de trilhão

Os gastos militares globais seguem em trajetória de expansão, refletindo um ambiente geopolítico progressivamente mais tensionado. A China, por exemplo, multiplicou seu orçamento de defesa por 13 vezes nas últimas três décadas e continua elevando seus investimentos, enquanto o Oriente Médio ampliou seus gastos para cerca de 4,3% do PIB, movimento impulsionado sobretudo por Israel após os ataques de 2023.

Na Europa, países liderados pela Alemanha aceleram seus orçamentos em ritmo recorde, em resposta tanto às tensões com a Rússia quanto à menor previsibilidade do apoio americano. Esse processo não ocorre de forma isolada: outras economias relevantes, como a Índia, também avançam em seus programas militares, reforçando uma tendência global clara de rearmamento e modernização das forças de defesa.

Ainda assim, nenhum país se aproxima da escala dos Estados Unidos. Em 2025, Washington destinou cerca de US$ 921 bilhões à defesa, praticamente o equivalente à soma dos 14 maiores orçamentos seguintes, e já sinalizou a intenção de elevar esse montante para US$ 1,5 trilhão em 2027, um salto de 44% que, se aprovado, representará o maior nível de gasto militar da história moderna.

Esses recursos devem ser direcionados à recomposição de estoques, expansão da frota naval e desenvolvimento de sistemas avançados, como a chamada “Cúpula Dourada” de defesa antimísseis, além de potencialmente se somarem a outros US$ 200 bilhões relacionados ao conflito com o Irã. Em síntese, embora o rearmamento seja um fenômeno global, os EUA seguem operando em uma liga própria, consolidando sua liderança absoluta em capacidade militar e investimento em defesa.

Para o investidor, a implicação desse cenário é relativamente direta. Em um mundo mais instável e marcado por orçamentos militares estruturalmente mais elevados, o setor de defesa deixa de ser apenas uma oportunidade cíclica e passa a se afirmar como uma tese estrutural de longo prazo.

Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), surgem como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada.

No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) cumpre papel semelhante, oferecendo acesso a esse tema de forma simples e acessível. Ainda assim, a disciplina na alocação permanece fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo a 5% para o tema, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

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‘Chega de construtoras’? Por ora, carteira mensal de renda extra da Empiricus prioriza outros setores; veja como acessar o portfólio gratuitamente

6 de Abril de 2026, 15:00

Duas atualizações consecutivas na carteira de renda extra da Empiricus Research balançaram com o posicionamento no mercado imobiliário do portfólio. Após retirar as ações da Direcional (DIRR3) em fevereiro, os analistas optaram por mais uma troca, desta vez com saída da Cyrela (CYRE3).

“Diante da volatilidade prospectiva associada a ativos mais sensíveis à curva de juros, e considerando que já carregamos exposição relevante à queima de prêmio, optamos por ajustar a carteira”, explica Matheus Spiess, analista de macroeconomia que encabeça o portfólio.

Assim, uma nova ação de um segmento “vizinho” às ações CYRE3 e DIRR3 agora ganha espaço na carteira de ações de abril.

Analistas preferem companhia mais resiliente à volatilidade do cenário atual

A nova adição da carteira para o mês de abril é uma companhia do mesmo “guarda-chuva” de imóveis. Entretanto, o analista identifica que ela deverá ter um menor grau de sensibilidade aos juros.

A proposta é manter a exposição do portfólio a um cenário de melhora nas condições de juros, que permanece como a hipótese base da casa, mas com ações menos sensíveis caso o ambiente macro continue se deteriorando, especialmente diante das incertezas no Oriente Médio.

“Ainda que nossa expectativa central seja de melhora gradual, entendemos que os riscos de piora não podem ser ignorados”, explica Spiess.

Por isso, a nova escolha figura entre as maiores e mais bem administradas companhias de shopping centers do Brasil. Alguns de seus pontos fortes são:

  • Um portfólio de ativos premium, em regiões de renda elevada e maior potencial de crescimento;
  • Histórico consistente de execução operacional, selecionando bons ativos e mantendo níveis elevados de ocupação;
  • A capacidade de conduzir expansões com risco comercial controlado;
  • Uma disciplina na alocação de capital, focada na geração de valor para o acionista.

Todos esses pontos refletem em benefícios que Spiess considera atrativos. Além disso, o analista aponta que a empresa está posicionada de forma favorável diante de um nível de endividamento que deve ampliar os benefícios da redução do custo financeiro, ainda que superior a alguns pares do setor.

“Esse contexto já reflete nos resultados mais recentes. No 4T25, a companhia apresentou desempenho acima das expectativas do mercado, reforçando a qualidade de seus ativos e de sua gestão”, relembra Spiess.

Naturalmente, o analista reconhece que sempre há riscos a serem monitorados. Isso, tanto por um contexto de possível reversão na trajetória de queda dos juros, como de uma desaceleração econômica mais intensa.

Contudo, além dos pilares mencionados, a confiança na tese reside sobre a atuação da companhia em um segmento resiliente da economia, o que reduz a vulnerabilidade da carteira a choques adversos. Nesse contexto, a substituição reforça a consistência da estratégia, privilegiando um posicionamento mais equilibrado neste momento.

Conheça a carteira de renda extra da Empiricus gratuitamente – e confira as atualizações de abril

O portfólio renda extra da Empiricus Research é atualizada mensalmente, conferindo a manutenção da composição focada em geração de renda, qualidade e previsibilidade. O objetivo é que os investidores consigam capturar valorização em cenários construtivos, enquanto recebem proventos recorrentes.

No momento, os analistas consideram que o cenário ainda carrega um grau relevante de incerteza, com riscos associados a uma possível escalada mais ampla do conflito no Oriente Médio.

“Nesse contexto, reforçamos a importância de uma carteira mais robusta, com ativos de maior qualidade e previsibilidade, capaz de atravessar períodos de maior volatilidade com menor deterioração”, informa o relatório do portfólio em abril.

Esse olhar é direcionado não apenas para a seleção de ações de empresas, como também para alguns ativos das classes de renda fixa e fundos imobiliários que compõem o portfólio. Alguns deles, muito interessantes como esses:

  • Um fundo de infraestrutura cujo retorno pode chegar a IPCA+10,50% ao ano;
  • Um fundo imobiliário (FII) de papel, focado na aquisição de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com remuneração média de IPCA + 8,1% ao ano e CDI + 3,2% a.a..

Esses são apenas alguns exemplos do que você vai encontrar na carteira de renda extra da Empiricus Research. A boa notícia é que você pode conferir o portfólio completo sem pagar nenhum centavo, acessando a carteira através da área logada da Empiricus Research.

Para isso, é só cadastrar o seu e-mail no botão abaixo e conferir a plataforma com acesso à carteira de renda extra de abril e outros portfólios mensais:

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Ibovespa hoje: paz no Oriente Médio ou mais uma escalada? Veja o que é destaque nesta segunda (6)

6 de Abril de 2026, 10:00

Os mercados globais iniciam a semana após o feriado de Páscoa com um respiro pontual de otimismo, sustentado por rumores de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, mediado por países como Paquistão, Egito e Turquia, que contemplaria um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz. Esse alívio, no entanto, convive com um pano de fundo ainda bastante frágil. O conflito segue em escalada, com troca de ataques diretos, destruição de infraestrutura e uma retórica cada vez mais dura por parte de Donald Trump, que passou a estabelecer novos prazos e ameaças explícitas ao Irã. Como consequência, o petróleo permanece em patamares elevados, enquanto os mercados continuam altamente dependentes do fluxo de notícias, alternando rapidamente entre momentos de maior apetite por risco e episódios de aversão.

Ao mesmo tempo, o cenário econômico apresenta sinais mistos. O mercado de trabalho americano segue resiliente, com criação robusta de empregos e recuo da taxa de desemprego, indicando uma economia que ainda mantém fôlego. Por outro lado, a agenda da semana lá fora será crucial para dimensionar os efeitos do choque energético sobre a atividade, com destaque para os dados de inflação (CPI e PCE), o PIB e a ata do Federal Reserve. Indicadores antecedentes, como o PMI, já sugerem alguma perda de dinamismo, reforçando a leitura de um ambiente mais sensível.

· 00:58 — O custo para 2027

No Brasil, seguimos, em grande medida, acompanhando o humor do cenário internacional. Ainda assim, o principal destaque doméstico da semana será a divulgação do IPCA de março, na sexta-feira (10), que já pode começar a revelar, de forma mais concreta, os impactos do conflito sobre os preços na economia brasileira. Apesar da volatilidade recente, o saldo dos últimos dias tem sido positivo para o Ibovespa, que, entre movimentos de alta e baixa, acumulou valorização de 3,58% na semana passada, encerrando acima dos 188 mil pontos, um sinal de alguma resiliência dos ativos locais, mesmo diante de um ambiente global cada vez mais instável.

Do ponto de vista político, o calendário eleitoral começa a ganhar tração após o prazo de desincompatibilização de cargos, que marca a entrada em uma fase mais intensa do ciclo para 2026. Nesse contexto, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva prepara um pacote amplo de medidas com o objetivo de conter a queda de popularidade, combinando iniciativas para segurar os preços dos combustíveis com subsídios ao gás, energia elétrica e programas de renegociação de dívidas.

A preocupação central é o elevado endividamento das famílias, que pressiona a percepção econômica da população e exige respostas no curto prazo. No entanto, o desafio é evidente: diferentemente dos ciclos eleitorais de 2006, 2010 e 2014, quando o governo contava com aprovação líquida positiva, o cenário atual mostra um quadro desfavorável, com desaprovação superior à aprovação. O problema, contudo, é que o espaço de manobra é limitado. As medidas discutidas podem aliviar o ambiente no curto prazo, mas tendem a pressionar as contas públicas, elevar o risco inflacionário e dificultar o cumprimento das metas fiscais. Em outras palavras, o custo do ajuste fiscal, que já se mostra inevitável a partir de 2027, tende a ser ainda mais elevado.

· 01:41 — Aguardando pelos dados de inflação

Os investidores retornam do feriado já preparados para um novo período de volatilidade, em um ambiente no qual a guerra com o Irã segue como principal vetor de humor dos mercados. As mensagens continuam ambíguas: de um lado, Donald Trump adota um tom mais duro; de outro, surgem iniciativas diplomáticas envolvendo um possível cessar-fogo, ainda com baixa probabilidade de avanço. Nesse contexto, até mesmo movimentos pontuais, como tentativas de navios atravessarem o estreito, passam a ser observados de perto, por funcionarem como sinais práticos do grau de normalização da oferta global de energia. Em paralelo, a agenda macro ganha relevância, com destaque para a ata do Federal Reserve e a divulgação do índice de inflação, que devem ajudar a calibrar a leitura sobre os impactos efetivos do choque do petróleo, podendo tanto reforçar quanto aliviar as preocupações dos investidores.

Apesar desse pano de fundo desafiador, os dados mais recentes ainda apontam para uma economia resiliente. O mercado de trabalho surpreendeu positivamente, com forte criação de vagas, enquanto indicadores de atividade industrial seguem em território de expansão, reduzindo, ao menos por ora, o risco imediato de recessão. Ainda assim, há sinais mais sutis de enfraquecimento: o crescimento dos salários vem desacelerando, indicadores como o JOLTS mostram menor dinamismo e o tempo médio de desemprego volta a subir, sugerindo uma perda gradual de fôlego. Em síntese, embora o quadro corrente ainda seja robusto, a combinação entre desaceleração marginal e pressão inflacionária vinda do petróleo mantém o cenário delicado, o que ajuda a explicar a postura mais cautelosa dos mercados.

· 02:37 — Acordo de Paz?

Há discussões em curso entre Estados Unidos, Irã e mediadores regionais sobre a possibilidade de um cessar-fogo temporário de 45 dias, interpretado como uma última tentativa de evitar uma escalada mais intensa do conflito. A proposta está estruturada em duas etapas: uma trégua inicial, que abriria espaço para negociações, seguida de um eventual acordo permanente. Embora sinais recentes tenham sido suficientes para melhorar momentaneamente o humor dos mercados, o cenário permanece delicado. O Irã já demonstrou resistência a um cessar-fogo limitado, sem garantias mais abrangentes, e as chances de um acordo imediato seguem reduzidas. As tratativas continuam ocorrendo de forma indireta, com a intermediação de países como Paquistão, Egito e Turquia, o que por si só reflete a complexidade do processo.

Paralelamente, o conflito atingiu seu momento mais sensível até aqui, com intensificação dos ataques, derrubada de aeronaves, ofensivas sobre infraestrutura energética e ameaças explícitas de escalada por parte de Donald Trump, que passou a estabelecer prazos e ampliar o leque de possíveis alvos, incluindo usinas e pontes no território iraniano. Do outro lado, o Irã reforça o discurso de retaliação, enquanto cresce o risco para o fornecimento global de petróleo, movimento já refletido na alta dos preços e na preocupação de países da OPEP. Nesse contexto, a combinação de mensagens contraditórias e prazos instáveis amplia a incerteza e mantém os mercados reféns de uma janela diplomática extremamente estreita, na qual as próximas horas tendem a ser determinantes para definir entre um processo de descompressão ou uma escalada adicional do conflito.

· 03:25 — Um ano do “Dia da Libertação”

Um ano após as tarifas do chamado “Dia da Libertação”, os mercados globais exibem uma dinâmica que foge ao esperado. Economias que historicamente mais se beneficiaram da globalização, como China e Índia, apresentaram desempenho mais fraco, enquanto mercados emergentes e de fronteira, especialmente na África, América Latina e Europa Oriental, ganharam protagonismo. Em paralelo, Trump voltou a intensificar sua agenda comercial, com medidas como tarifas de até 100% sobre medicamentos importados e ajustes sobre metais, em um esforço para estimular a produção doméstica. Ainda assim, os efeitos práticos têm sido heterogêneos: ao mesmo tempo em que elevam a incerteza, essas políticas têm gerado impacto limitado sobre o investimento estrangeiro, à medida que empresas se adaptam por meio de acordos, reorganização de cadeias produtivas e realocação de produção.

Apesar disso, o foco dos mercados claramente mudou. As tarifas deixaram de ser o principal vetor de preocupação, dando lugar ao choque energético decorrente da guerra com o Irã. Mesmo em um ambiente mais desafiador, a economia americana segue demonstrando resiliência, com crescimento robusto dos lucros corporativos e avanços relevantes em setores estratégicos, como a manufatura associada à eletrificação e à inteligência artificial. Em síntese, embora as tensões comerciais e geopolíticas permaneçam no radar, o quadro atual sugere que os impactos das tarifas têm sido mais administráveis do que inicialmente se temia. Caso haja uma normalização do conflito no Oriente Médio, abre-se espaço para que a economia global evite uma desaceleração mais acentuada e retome uma trajetória mais estável.

· 04:11 — Uma relação deteriorada

A relação entre OTAN e Donald Trump voltou a se deteriorar, com o presidente chegando a cogitar a retirada dos EUA do tratado, em meio à frustração com a falta de apoio europeu no conflito com o Irã. Embora uma saída formal dependa de aprovação do Congresso, há diversas formas de enfraquecer a aliança sem rompimento direto, como reduzir presença militar ou limitar exercícios conjuntos. Esse cenário aumenta a pressão sobre países europeus para elevar seus gastos com defesa, especialmente diante da redução do suporte americano à Ucrânia e das tensões geopolíticas amplas.

Nesse contexto, a tendência é de maior investimento militar na Europa, possivelmente chegando a 5% do PIB até 2035, o que abre espaço para crescimento do setor de defesa no continente. Ao mesmo tempo, enquanto os Estados Unidos lidam com a necessidade de recompor estoques e redirecionar sua produção, empresas europeias podem operar com menos restrições e maior previsibilidade. Em síntese, a atual crise na OTAN não apenas revela fragilidades geopolíticas, mas também cria oportunidades relevantes para o setor de defesa europeu nos próximos anos.

· 05:04 — Próximos passos

A Apple completou 50 anos consolidada como uma das companhias mais bem-sucedidas da história, resultado de uma trajetória marcada por produtos que redefiniram a forma como interagimos com a tecnologia. Do Macintosh ao iPod, até chegar ao iPhone, lançado em 2007 e ainda hoje seu principal motor de receitas, a empresa construiu um legado de inovação que transformou hábitos de consumo e comunicação. O iPhone, em especial, foi responsável por integrar diversas funções em um único dispositivo, mudando o cotidiano das pessoas e dando origem a um ecossistema robusto, no qual produtos como o Apple Watch e outros dispositivos conectados reforçam a fidelização do usuário e ampliam o valor ao longo do tempo.

O desafio daqui em diante é evidente: o iPhone, por mais dominante que ainda seja, não deve sustentar sozinho o crescimento da companhia indefinidamente, e o mercado já começa a questionar qual será o próximo grande ciclo de inovação. Ainda assim, a Apple segue avançando em novas frentes, como dispositivos dobráveis, computadores mais versáteis e soluções de realidade aumentada, ao mesmo tempo em que se apoia em um dos ecossistemas mais fortes e engajados do mundo. Em síntese, mesmo diante das incertezas naturais de uma empresa madura, a combinação de marca, capacidade de inovação e uma base de usuários altamente fiel preserva um potencial relevante de geração de valor, o que sustenta uma visão construtiva para as BDRs da companhia (AAPL34) no longo prazo.

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Dividendos da semana: Ambev (ABEV3), Rede D’Or (RDOR3) e outras ações pagam proventos entre 6 e 10 de abril; confira

5 de Abril de 2026, 10:00

Nesta semana que se inicia, nomes como Ambev (ABEV3) e Rede D’Or (RDOR3) e outros papéis da bolsa brasileira têm dividendos ou juros sobre capital próprio agendados para pagamento aos seus acionistas.

Abaixo, trazemos a agenda completa de pagamentos previstos entre os dias 6 e 10 de abril, para manter investidores bem-informados.

Calendário de dividendos: 6 a 10 de abril de 2026

Antes de passar à agenda, fique atento à “data com”, ou data de corte: somente investidores que detinham posição nas ações até as datas informadas na tabela receberão os pagamentos previstos.

Um outro ponto importante é que JCPs estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda retido na fonte, à alíquota de 15%. Já os dividendos recebidos são tributados em 10% na fonte, se ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por ação (R$) Data do pagamentoData de corte
AmbevABEV3JCP0,07506/04/202618/12/2025
Rede D’OrRDOR3JCP0,15907/04/202626/03/2026
AllosALOS3JCP0,29209/04/202627/03/2026
JHSF ParticipaçõesJHSF3Dividendo0,06809/04/202630/03/2026
EnergisaENMT3Dividendo0,76210/04/202617/03/2026
EnergisaENMT4Dividendo0,76210/04/202617/03/2026
Romi S.A.ROMI3JCP0,1810/04/202622/09/2025
TOTVSTOTS3JCP0,1810/04/202625/03/2026

Empiricus+: conheça as principais ações recomendadas para buscar dividendos em 2026

Se você perdeu as datas de corte dessa semana, ou não sabe em quais ações investir para buscar bons dividendos, temos uma boa notícia.

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Esse é um novo serviço de assinatura “streaming” da casa, trazendo tudo o que você precisa saber sobre o mercado em um só lugar. E o melhor: você pode testá-lo gratuitamente por 7 dias, sem compromisso.

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Quer investir na nova corrida espacial? Após lançamento da missão Artemis II à Lua, analista aponta ETF que reúne empresas ligadas ao setor

2 de Abril de 2026, 15:08

A missão Artemis II, da NASA, foi lançada com sucesso na última quinta-feira (1), levando quatro astronautas em uma jornada de 10 dias ao redor da Lua. Trata-se do primeiro voo tripulado em direção ao satélite em mais de 50 anos e, mais do que isso, um sinal de que novas operações tão ou mais complexas podem acontecer nos próximos anos.

Nesta missão, os tripulantes não descerão na Lua – no entanto, a NASA programa que isso ocorra na missão Artemis VI, prevista para 2028.

Para o analista Matheus Spiess, da Empiricus, além do avanço científico, o movimento reforça o potencial de crescimento do setor espacial como um todo.

“A intensificação das missões, o desenvolvimento de novas tecnologias e a ampliação da infraestrutura fora da Terra tendem a impulsionar oportunidades para empresas ligadas à exploração espacial, telecomunicações e soluções orbitais”, começa.

Para ele, “trata-se não apenas de um feito histórico, mas de um vetor relevante de investimento em uma indústria que ganha escala e relevância estratégia no cenário global”.

Nesse sentido, os investidores que querem se expor à tese e “participar” da nova corrida espacial podem encontrar alguns produtos para isso. Como exemplo, o Spiess cita o ETF ARK Space Exploration & Innovation (ARKX).

O ETF reúne “empresas expostas à exploração espacial, à infraestrutura orbital e a tecnologias adjacentes de inovação”, explica o analista.

Vale destacar que o ARKX não está listado na bolsa brasileira e, por isso, é necessário que o investidor tenha que abrir uma conta internacional (caso ainda não tenha) para realizar o aporte.

Na janela de 12 meses, o desempenho do ETF é animador: o fundo sobe 65% desde 1º de abril de 2025. Em 2026, no entanto, o ARKX negocia perto da estabilidade.

Mesmo com o bom retorno recente, o analista recomenda cautela no investimento. Teses temáticas, como é o caso, podem apresentar movimentos intensos no curto prazo. Por isso, não é indicado que o investidor aloque grande parte do patrimônio nesse tipo de ativo. “Tipicamente, entre 1% e 2,5% da carteira, com teto em torno de 5%”, alerta o analista.

Com esse percentual, é possível “capturar o potencial desse mercado sem comprometer a diversificação e o equilíbrio do portfólio”, conclui Spiess.

Empiricus+: mais de cem recomendações da Empiricus no modelo “streaming”

Agora você conhece a indicação do analista para se expor à temática da nova corrida espacial, mas não precisa parar por aqui.

Isso porque a Empiricus lançou o Empiricus+, uma assinatura no modelo “streaming” em que, com apenas um acesso, você pode explorar mais de cem recomendações de investimentos dos analistas da casa.

São carteiras de ações, dividendos, fundos imobiliários, fundos de investimentos, inteligência artificial, renda fixa e muito mais, por um preço acessível:

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Ibovespa hoje: discurso de Trump joga balde de água fria nos mercados, petróleo sobe e bolsas globais recuam; o que esperar no pregão?

2 de Abril de 2026, 09:59

Os mercados globais iniciaram o mês de abril em recuperação após as perdas observadas em março, sustentados por sinais de que o governo de Donald Trump poderia caminhar para o encerramento do conflito com o Irã.

Esse otimismo, no entanto, foi rapidamente revertido após um discurso lido como mais duro de Trump, que frustrou as expectativas de desescalada ao sinalizar a intensificação dos ataques contra o Irã nas próximas semanas.

A reação dos mercados foi imediata: o petróleo voltou a subir com força, superando novamente os US$ 105 por barril, enquanto as bolsas globais recuaram, o dólar se fortaleceu e as taxas de juros avançaram, refletindo uma nova rodada de aversão ao risco.

Na ausência de sinais concretos de reabertura do Estreito de Ormuz e com o Irã, inclusive, avançando em mecanismos que ampliam seu controle sobre a região, ganha força a percepção de uma crise mais prolongada de oferta de energia.

Ao mesmo tempo, o reforço militar dos Estados Unidos e a divergência do mercado quanto à leitura do discurso adicionam camadas adicionais de incerteza. Em síntese, o cenário atual combina dados econômicos ainda resilientes com um pano de fundo geopolítico instável, no qual o petróleo reassume protagonismo e passa a ditar, em grande medida, o humor dos mercados globais. 

· 00:58 — Afetado pelo humor internacional

Na véspera do feriado da Sexta-feira Santa, o mercado local acompanha a divulgação do dado de produção industrial, embora, na prática, o principal vetor de preço continue sendo o ambiente internacional.

Ontem, iniciamos o mês de abril em tom positivo, acompanhando o movimento externo diante da percepção de uma possível descompressão do conflito no Oriente Médio. Havia, contudo, grande expectativa em torno do pronunciamento de Donald Trump durante a noite, que acabou frustrando os investidores ao não oferecer a clareza esperada sobre o desfecho da guerra. Como consequência, na ausência de novas notícias que revertam esse quadro, a tendência é de continuidade do mau humor internacional, com reflexos no mercado doméstico.

Esse impacto já começa a se materializar na economia real. A Petrobras confirmou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), o maior da série histórica, refletindo o choque nos preços do petróleo. Ainda que o reajuste ocorra de forma parcelada, seu efeito é relevante e tende a se espalhar ao longo da cadeia.

Em breve, teremos pressão de outros combustíveis, o que afetará ainda mais custos de transporte e, em um segundo momento, os preços de alimentos, até porque insumos como fertilizantes também são impactados. Como consequência, o aumento das expectativas de inflação tende a exigir juros mais elevados por mais tempo, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos.

Nesse contexto, quanto mais cedo houver uma resolução do conflito, melhor; porém, o horizonte segue incerto. Ainda assim, algumas casas internacionais avaliam que o Brasil está entre os emergentes mais bem posicionados para um cenário de pós-guerra, beneficiado por sua condição de exportador de petróleo, o que ajudou a sustentar o desempenho recente. Com a eventual normalização, ativos domésticos podem se recuperar com a retomada do ciclo de cortes de juros, embora o petróleo provavelmente demore mais a retornar aos níveis pré-conflito, carregando consigo um prêmio de risco geopolítico mais elevado.

· 01:49 — O tom não agradou

O preço do petróleo voltou a subir com força, superando os US$ 105, após Donald Trump não sinalizar uma desescalada clara do conflito com o Irã nas próximas semanas, frustrando a expectativa de uma solução rápida.

O principal problema segue sendo o Estreito de Ormuz, que permanece praticamente fechado, restringindo o fluxo de energia e mantendo os preços elevados. A comunicação ambígua de Trump, entre promessas de endurecimento e afirmações de que a guerra está próxima do fim, aumenta a incerteza dos investidores.

Mesmo em um cenário positivo, a normalização não deve ser imediata, já que danos à infraestrutura e riscos de segurança podem prolongar as interrupções. Com o petróleo já acumulando alta superior a 40%, crescem os temores de inflação mais elevada, e o mercado passa a se posicionar de forma mais defensiva, refletindo um ambiente de grande incerteza e volatilidade.

Confesso que, quando o discurso terminou, cheguei a pensar: “podia ter sido pior”. Isso porque temia uma abordagem ainda mais agressiva do presidente Trump, com a possibilidade de novos ataques a aliados históricos, algo que ele já fez no passado e poderia voltar a fazer agora, ou até mesmo declarações mais duras contra a OTAN (o que ainda pode acontecer no futuro).

Sempre fui, entretanto, realista e, tendo acompanhado de perto tanto o primeiro mandato quanto o atual, me parecia claro que esperar um fim imediato da guerra seria, no mínimo, ingênuo. Ainda assim, o mercado, ansioso como sempre, parece ter comprado essa possibilidade. E é justamente daí que nasce o estresse de hoje, à medida que essa expectativa vai sendo frustrada.

Do ponto de vista mais pragmático, ainda estamos dentro do prazo inicialmente mencionado, no começo do conflito, de quatro a seis semanas. Segundo o próprio presidente, a guerra pode durar mais duas ou três semanas adicionais. Se forem três, isso representaria apenas uma extensão marginal em relação ao cronograma original — nada que, por si só, justificasse uma reação tão intensa. O que incomoda, na verdade, é a falta de clareza. Não temos visibilidade sobre o cronograma, tampouco sobre os objetivos finais, e sabemos que existe, sim, risco de escalada, especialmente considerando o peso do fator político e o humor do próprio presidente.

Do lado iraniano, há sinais de tentativa de descompressão, com declarações mais conciliatórias por parte de seu presidente, Masoud Pezeshkian, mas esse processo não é simples. Trump, ao que tudo indica, buscará encerrar o conflito em uma posição de força, para sair por cima. E é justamente isso que parece orientar o tom atual. Isso não significa que uma escalada mais severa, como uma eventual invasão terrestre, esteja completamente fora de questão; embora, na minha avaliação, esse seja um cenário de baixa probabilidade. Em outras palavras, é possível, mas improvável.

Talvez o próprio governo americano já tenha percebido que o conflito não entregou exatamente o que se esperava inicialmente e, enquanto busca reorganizar a narrativa, como já vimos em outros momentos, endurece o discurso para tentar construir uma saída politicamente favorável. O problema é que esse tom mais belicoso e ameaçador dificulta a construção de pontes entre os países e acaba prolongando o processo. Ainda acredito que, no fim, haverá algum grau de normalização, mas esse caminho tende a ser mais longo e mais irregular do que o mercado gostaria. Até porque, a cada dia que passa, maior tende a ser o legado econômico e geopolítico desse episódio.

· 02:34 — Choques inflacionários

O choque recente nos preços do petróleo, desencadeado pelo conflito com o Irã, trouxe de volta aos mercados um ambiente que remete, em alguma medida, à estagflação dos anos 1970; isto é, a combinação de crescimento mais fraco com inflação mais elevada, historicamente um dos cenários mais desafiadores para os ativos financeiros.

Nesse contexto, observamos movimentos bastante característicos: ações ligadas a petróleo e commodities ganharam força, empresas mais resilientes e com valuations mais atrativos (as chamadas ações de valor) passaram a superar os papéis de crescimento, e tanto bolsas quanto títulos sofreram quedas simultâneas. Até mesmo estratégias mais defensivas, como investimentos voltados à geração de dividendos, voltaram a ganhar relevância.

O paralelo com a década de 1970 ajuda a dimensionar os riscos, já que, naquele período, sucessivos choques de oferta de petróleo mantiveram a inflação elevada por anos e limitaram o desempenho dos mercados. Ainda assim, é importante destacar que o cenário atual, embora guarde semelhanças, não configura uma repetição direta daquele episódio.

Isso se deve, sobretudo, a um ponto de partida mais favorável da economia global. O choque atual tende a ser mais localizado e, potencialmente, menos persistente, em um contexto em que a economia mundial é menos dependente de energia do que no passado. Além disso, o mercado de trabalho já apresenta sinais de desaceleração, o crescimento dos salários ocorre de forma mais moderada e as expectativas de inflação permanecem relativamente bem ancoradas, fatores que reduzem o risco de uma espiral inflacionária mais duradoura. Na prática, o efeito mais provável é um aumento temporário da inflação, acompanhado por perda de renda real, desaceleração da atividade e alguma pressão adicional sobre o emprego. Diante desse quadro, bancos centrais como o Federal Reserve tendem a adotar uma postura mais cautelosa, evitando respostas excessivamente contracionistas e, eventualmente, podendo até considerar cortes de juros caso o impacto sobre o crescimento se intensifique. Em síntese, embora o ambiente demande atenção, ele também sugere que os riscos, neste momento, são mais contidos do que em episódios históricos mais extremos.

· 03:22 — Crise humanitária

A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a produzir uma crise humanitária de grandes proporções, com centenas de milhares de pessoas sendo forçadas a deixar suas casas no Irã e no Líbano, em um movimento que pode evoluir para uma nova onda expressiva de refugiados na região. O quadro se torna ainda mais grave porque esses países já conviviam, antes mesmo da escalada atual, com a presença de milhões de deslocados e refugiados, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura local, os serviços básicos e a capacidade de acolhimento.

Ao mesmo tempo, diferentemente do que se viu em crises anteriores, Europa e Estados Unidos vêm adotando uma postura mais restritiva em relação à entrada de refugiados, priorizando o envio de ajuda humanitária à distância, justamente em um momento em que os recursos disponíveis se mostram cada vez mais escassos. Como consequência, cresce o risco de agravamento da falta de alimentos, abrigo, atendimento médico e condições mínimas de sobrevivência, especialmente em uma região que já enfrentava instabilidade e carências estruturais. Em outras palavras, trata-se de uma crise que não se limita ao campo militar: ela carrega um potencial humanitário profundo, duradouro e de difícil resolução no curto prazo.

· 04:15 — De volta à Lua

A missão Artemis II, da NASA, foi lançada com sucesso, levando quatro astronautas em uma jornada de 10 dias ao redor da Lua, o primeiro voo tripulado desse tipo em mais de 50 anos. Trata-se de um marco relevante dentro da estratégia de longo prazo de retomada da presença humana no satélite, com o objetivo de estabelecer uma base permanente nos próximos anos. A missão deve levar a tripulação mais distante da Terra do que qualquer outra na história, servindo como etapa preparatória para operações mais complexas, incluindo pousos lunares previstos a partir de 2027.

Além do avanço científico, esse movimento reforça o potencial de crescimento do setor espacial como um todo. A intensificação das missões, o desenvolvimento de novas tecnologias e a ampliação da infraestrutura fora da Terra tendem a impulsionar oportunidades para empresas ligadas à exploração espacial, telecomunicações e soluções orbitais. Em outras palavras, trata-se não apenas de um feito histórico, mas também de um vetor relevante de investimento em uma indústria que ganha escala e relevância estratégica no cenário global.

Sob a ótica de alocação, esse movimento também reforça o apelo de algumas teses temáticas ligadas à nova corrida espacial. Um exemplo é o ETF ARK Space Exploration & Innovation (ARKX), já mencionado anteriormente, que reúne empresas expostas à exploração espacial, à infraestrutura orbital e a tecnologias adjacentes de inovação.

Ainda assim, vale reforçar a necessidade de cautela: investimentos temáticos tendem a concentrar expectativas elevadas, podem apresentar movimentos intensos no curto prazo e exigem disciplina para evitar excessos na exposição. Em uma estratégia de longo prazo, alocações moderadas, tipicamente entre 1% e 2,5% da carteira, com um teto em torno de 5% para teses temáticas, ajudam a capturar o potencial estrutural desse mercado nascente sem comprometer a diversificação e o equilíbrio do portfólio.

· 05:03 — Data centers no espaço: um universo de possibilidades

E por falar em espaço, ontem foi noticiado que a SpaceX, empresa de exploração espacial de Elon Musk, entrou com um pedido junto a SEC (a CVM americana) para realizar a sua abertura de capital na bolsa americana.

Com o IPO aguardado para acontecer em junho, fontes indicam que a empresa espera vir a mercado com um valuation de US$1,75 trilhão — o que indicaria um valor 40% maior do que a última rodada de captação da companhia, que havia avaliado a mesma em US$1,25 trilhão. A expectativa é de que a companhia seja capaz de levantar cerca de US$75 bilhões com essa operação.

E parte considerável desses recursos devem ser alocados em um dos projetos mais mirabolantes dos últimos tempos: o desenvolvimento de data centers alocados no espaço sideral, voltados ao processamento de tarefas relacionadas à tecnologia de Inteligência Artificial.

Ainda que se trate de um projeto complexo, especialistas apontam que essa ideia não seria totalmente descabível, uma vez que a implementação nessas condições traria algumas vantagens em relação aos data centers instalados no solo, como a capacidade de utilização constante de energia solar e menor necessidade de resfriamento.

Mas o fato principal é que se antes essas estruturas dependiam do espaço físico na Terra, agora o céu é o limite. E isso deve aumentar ainda mais a demanda por produtos e serviços ligados à IA.

Uma forma de aproveitar essa oportunidade é por meio da carteira automatizada IA Cash, na qual buscamos as melhores ideias de investimento nessa temática que ainda se encontra em seus primeiros passos e tem tudo para revolucionar a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. Se o investidor estava esperando uma chance cair do céu, a hora é agora.

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Ibovespa hoje: sinalização de Trump e maior disposição do Irã em negociar embalam mercados nesta quarta; veja destaques do dia

1 de Abril de 2026, 10:05

Começamos o segundo trimestre de 2026 com sinais mais construtivos vindos do Oriente Médio, em um ambiente no qual os mercados permanecem altamente sensíveis a qualquer mudança de narrativa.

Donald Trump indicou que o conflito com o Irã pode se encerrar em um horizonte de duas a três semanas, sugerindo que os principais objetivos militares já teriam sido alcançados e que a questão do Estreito de Ormuz poderia ser transferida para outros países.

Bastaram esses sinais, somados a indícios de maior disposição do Irã em negociar, para desencadear uma reação expressiva dos ativos de risco: bolsas globais avançaram, o petróleo recuou e os investidores passaram a incorporar a possibilidade de uma normalização, ainda que parcial e gradual. Mesmo assim, o pano de fundo segue volátil, com o próprio Trump alternando entre discursos mais conciliatórios e ameaças de escalada ou a aliados na OTAN (risco real de ruptura da aliança), enquanto prepara um novo pronunciamento para esta noite que pode tanto reforçar quanto frustrar esse movimento de otimismo.

Sob a ótica de mercado, a leitura predominante é de que houve uma desalavancagem relevante nas últimas semanas, o que contribui para um ambiente tecnicamente mais saudável e, ao mesmo tempo, mais sensível a notícias positivas.

Ainda assim, a ausência de um acordo formal, as exigências por parte do Irã e a possibilidade de medidas indiretas, como custos adicionais sobre a navegação no Golfo (prêmio de guerra), mantêm um grau elevado de incerteza no horizonte. Em paralelo, a agenda econômica segue carregada, com a divulgação de dados relevantes do mercado de trabalho americano, vendas no varejo e indicadores de atividade global.

· 00:56 — Acompanhando a tendência

No Brasil, a agenda doméstica segue mais esvaziada, com os investidores ainda digerindo os sinais iniciais de descompressão do conflito com o Irã, movimento que contribuiu para a recuperação do Ibovespa, novamente acima dos 187 mil pontos na sessão de ontem.

Ainda assim, o fato de o petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril sugere que os preços podem se acomodar em um patamar estruturalmente mais elevado do que o observado no período pré-guerra, mantendo pressões relevantes sobre a inflação.

Esse contexto tende a reduzir o espaço para cortes de juros mais agressivos. Ainda assim, o ciclo de flexibilização monetária permanece no radar, embora de forma mais gradual, com reduções de 25 pontos-base como cenário base e a taxa Selic podendo encerrar o ano entre 12,5% e 13%. Naturalmente, essa trajetória dependerá tanto da evolução do cenário no Oriente Médio quanto de uma leitura mais favorável dos dados domésticos de inflação e atividade.

No campo fiscal e inflacionário, o governo já começa a reagir aos efeitos do choque externo. Com mais de 80% dos estados sinalizando adesão, avança a proposta de subsídio ao diesel de R$ 1,20 por litro por dois meses, com custo estimado em R$ 3 bilhões, dividido entre União e governos estaduais, na tentativa de mitigar os impactos sobre preços e evitar desabastecimento.

Ao mesmo tempo, o elevado nível de endividamento das famílias volta ao centro do debate: a equipe econômica retomou a discussão sobre o uso de cerca de R$ 10,5 bilhões em recursos esquecidos em contas bancárias para reforçar programas de renegociação de dívidas. Em paralelo, a aproximação do calendário eleitoral começa a ganhar tração.

Pesquisas recentes indicam um cenário competitivo, com destaque para São Paulo, principal colégio eleitoral do país, onde levantamentos da AtlasIntel apontam, neste momento, uma vantagem de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, reforçando a relevância do estado como peça-chave na definição do resultado eleitoral.

· 01:45 — Aguardando o pronunciamento

O presidente Donald Trump deve atualizar hoje o status da guerra com o Irã, em pronunciamento durante a noite, com a expectativa de que o conflito possa se encerrar em um horizonte de duas a três semanas. A avaliação corrente é de que os Estados Unidos já estariam próximos de atingir seus principais objetivos militares (seja lá quais forem eles), deixando a questão do Estreito de Ormuz sob responsabilidade de outros países, ainda que a possibilidade de um acordo formal permaneça em aberto.

Por lá, os efeitos começam a aparecer de forma mais direta, com o preço da gasolina acima de US$ 4 por galão, pressionando custos e potencialmente afetando o consumo e a atividade econômica. Ao mesmo tempo, os dados recentes apontam para uma desaceleração gradual do mercado de trabalho e sinais de consumo mais pressionado, ainda que sem uma deterioração abrupta. Em conjunto, o quadro sugere um impacto econômico relevante, porém ainda controlado, cuja magnitude final dependerá, sobretudo, da duração do conflito e da trajetória dos preços de energia.

· 02:39 — O possível fim do choque… Será?

Como já comentei neste espaço, choques geopolíticos impactam os mercados principalmente por meio do petróleo: interrupções pontuais são absorvidas, mas preços elevados por mais tempo pressionam inflação e crescimento. Apesar da forte alta recente, o mercado ainda aposta que esse movimento é temporário, como indica a estrutura futura dos preços e a ausência, até agora, de impacto relevante nos lucros das empresas, algo que será testado nas próximas divulgações. Nesse contexto, a resiliência das bolsas americanas parece estar mais ligada à expectativa de crescimento dos lucros do que a uma confiança estrutural no país.

Ao mesmo tempo, sinais de possível descompressão do conflito, com falas de Donald Trump e abertura do Irã para negociação, trouxeram alívio aos mercados, com queda do petróleo e alta das bolsas. Ainda assim, a volatilidade segue elevada, refletindo a incerteza sobre o desfecho da guerra e o papel estratégico do Estreito de Ormuz, que segue no centro das tensões. Mesmo com maior probabilidade de encerramento no curto prazo, persiste o risco de um ambiente estruturalmente mais desafiador, caso o Irã mantenha influência sobre o fluxo global de energia, o que poderia sustentar pressões inflacionárias e incertezas econômicas à frente.

· 03:24 — Problemas na Ásia…

O fechamento do Estreito de Ormuz tende a produzir efeitos particularmente severos sobre a Ásia, dada a elevada dependência da região em relação às importações de energia. Diante desse risco, diversos países passaram a buscar fontes alternativas de abastecimento, inclusive petróleo russo, como forma de mitigar o impacto sobre os preços e sobre a atividade econômica. Ao mesmo tempo, a capacidade de reação não é homogênea: economias com maiores estoques e uma base de suprimento mais diversificada, como a China, têm demonstrado maior resiliência, enquanto países com menor margem de manobra, como Filipinas, Indonésia, Vietnã e Índia, já começam a sentir de forma mais clara os efeitos da desaceleração e das pressões inflacionárias.

Embora alguns exportadores de energia da região possam colher benefícios pontuais com preços mais elevados, o saldo agregado tende a ser desfavorável. O choque energético pressiona a inflação, compromete o poder de compra das famílias, afeta cadeias produtivas e pode exigir juros mais altos por parte dos bancos centrais. Em certa medida, o paralelo com a pandemia é inevitável: em choques globais de oferta, os países mais vulneráveis costumam ser os primeiros a sofrer os efeitos econômicos.

· 04:11 — Fissuras na OTAN

A guerra no Irã vem revelando novas fissuras dentro da OTAN, à medida que aliados europeus demonstram crescente resistência a um envolvimento direto no conflito conduzido por Donald Trump. Países como Espanha, Itália e Polônia já deram sinais concretos de maior cautela na cooperação militar, enquanto as críticas públicas feitas por Trump a parceiros tradicionais, como França e Reino Unido, contribuem para elevar ainda mais a temperatura política dentro da aliança. Esse ambiente reforça dúvidas relevantes sobre o grau de coesão da OTAN e, em última instância, sobre os contornos futuros da relação entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.

Ao mesmo tempo, a Europa já começa a sentir, de forma mais nítida, os efeitos econômicos da guerra. A alta dos preços de energia tem pressionado a inflação, ao mesmo tempo em que as projeções de crescimento vêm sendo revistas para baixo. Essa combinação entre estresse econômico e desalinhamento político enfraquece a coordenação entre os países do bloco e pode acabar favorecendo adversários estratégicos, como a Rússia, que se beneficia tanto de preços mais elevados do petróleo quanto de um eventual enfraquecimento da aliança ocidental.

· 05:03 — Período mais conflituoso

Historicamente, períodos de grandes conflitos globais tendem a favorecer empresas ligadas ao setor de defesa, que costumam apresentar desempenho superior ao mercado nos meses subsequentes. Ainda assim, trata-se de um segmento com baixa representatividade nos principais índices globais, o que sugere espaço para maior alocação, especialmente em um ambiente marcado por rotação de investimentos e elevação das tensões geopolíticas. A demanda por defesa já vinha em trajetória de crescimento e, com a intensificação recente dos conflitos, a expectativa é de aceleração adicional nos gastos militares, que podem ultrapassar US$ 3,6 trilhões até 2030. Nesse contexto, os Estados Unidos devem antecipar níveis historicamente elevados de investimento, reforçando o papel central do setor.

Paralelamente, a natureza dos conflitos vem passando por uma transformação relevante. O uso crescente de drones de baixo custo tem exigido respostas cada vez mais sofisticadas, acelerando o consumo de estoques militares e ampliando a necessidade de reposição e modernização dos arsenais. Esse novo paradigma amplia o conjunto de oportunidades para empresas ligadas à tecnologia de defesa, incluindo sistemas antidrone, defesa aérea, antimísseis e soluções avançadas de comando e controle. Para o investidor, esse cenário aponta para um ciclo de crescimento que ainda não parece totalmente refletido nos preços, impulsionado tanto pelo aumento estrutural dos gastos globais quanto pela evolução tecnológica no campo militar.

Em outras palavras, mesmo que o conflito atual caminhe para uma eventual resolução, como acreditamos e desejamos que aconteça, o pano de fundo permanece inalterado: vivemos em um mundo mais fragmentado, com tensões recorrentes e uma demanda crescente por segurança e capacidade defensiva. Isso desloca o setor de defesa de uma tese tática para uma oportunidade mais estrutural e de longo prazo.

A implicação prática desse contexto é relativamente direta. ETFs temáticos com foco em aeroespacial e defesa, como o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39), surgem como instrumentos eficientes para capturar essa tendência, oferecendo exposição diversificada ao setor. Ainda assim, é fundamental manter disciplina na alocação. Posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com um limite agregado próximo a 5% para a classe de ativos temáticos, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente a esse tipo de investimento.

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Ibovespa hoje: imprevisibilidade de Trump, Caged e dados fiscais do setor público entre os destaques desta terça (31)

31 de Março de 2026, 09:57

A guerra entre Estados Unidos e Irã segue marcada por elevada incerteza e mudanças frequentes de direção, com o presidente Donald Trump alternando entre uma retórica mais agressiva, com ameaças de intensificação do conflito, e sinais de possível desengajamento, inclusive admitindo encerrar a campanha militar mesmo sem a reabertura completa do Estreito de Ormuz.

Esse vai-e-volta contribui para um ambiente de baixa visibilidade, no qual decisões estratégicas parecem ser constantemente revisadas, enquanto episódios pontuais, como ataques a embarcações na região, continuam adicionando tensão ao cenário. Ao mesmo tempo, o fluxo de petróleo permanece restrito, com acordos bilaterais garantindo o abastecimento de alguns países, o que mantém a oferta global pressionada e sensível a novos desdobramentos. O mercado segue, portanto, refém do fluxo de manchetes.

· 00:54 — Uma trajetória contida

No Brasil, iniciamos a semana com um comportamento não homogêneo dos ativos, marcado pela alta da bolsa e pela depreciação do real, em um ambiente no qual os investidores permanecem fortemente atentos ao noticiário externo e ainda assimilam as revisões altistas de inflação no Boletim Focus.

Esse conjunto de fatores tem pressionado, sobretudo, setores mais sensíveis ao ciclo doméstico, como aqueles ligados ao consumo e com maior alavancagem operacional, que tendem a sofrer mais em momentos de aversão a risco.

Além disso, a aceleração do IGP-M em março e a comunicação recente do Banco Central também contribuíram para o tom mais cauteloso dos mercados. Em evento realizado na segunda-feira, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reconheceu a existência de espaço para cortes de juros, mas adotou uma postura mais conservadora do que a precificada anteriormente, quando o mercado chegou a projetar uma sequência de reduções de 50 pontos-base. Esse cenário não está descartado no médio prazo, mas, por ora, a leitura mais provável é de um ciclo mais gradual, com cortes de 25 pontos-base, ao menos até que o ambiente externo se estabilize e os dados domésticos apresentem maior acomodação.

No campo dos indicadores, a agenda segue relevante. Hoje, a divulgação do Caged deve apontar a criação líquida de aproximadamente 269 mil vagas formais em fevereiro, sugerindo retomada das contratações após os ajustes típicos de fim de ano.

Dados mais fortes tendem a reduzir o espaço para cortes adicionais de juros, enquanto números mais fracos reforçariam a continuidade do ciclo de afrouxamento. Em paralelo, os dados fiscais do setor público consolidado devem indicar um déficit próximo de R$ 22 bilhões no mês, com a dívida bruta atingindo cerca de 78,9% do PIB, numa trajetória que permanece preocupante e reforça a percepção de que um ajuste fiscal será inevitável a partir do próximo ciclo político, independentemente do resultado eleitoral.

No curto prazo, contudo, o governo também lida com os efeitos da guerra sobre sua popularidade, uma vez que o choque de energia tende a se traduzir em preços mais elevados ao consumidor. Esse impacto ocorre em um momento já delicado, em que o comprometimento da renda das famílias com dívidas voltou a níveis elevados, em cerca de 29,3% em janeiro, o maior patamar da série histórica, sinalizando um quadro mais desafiador para o consumo e, consequentemente, para a condução da política econômica em pleno ano eleitoral.

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· 01:49 — O peso dos dados

Como elucidei ontem, a semana, embora mais curta por conta do feriado, concentra uma agenda relevante nos Estados Unidos, com destaque para o relatório de emprego (payroll) na sexta-feira, além dos dados do setor privado (ADP) e de indicadores de atividade, como ISM e PMIs, ao longo dos próximos dias.

Esses números serão fundamentais para avaliar o ritmo da economia americana e, sobretudo, para calibrar as expectativas em relação à trajetória dos juros. Em um ambiente global mais incerto, cada divulgação passa a ter peso redobrado, já que pode alterar rapidamente a percepção dos investidores sobre o crescimento, a inflação e a política monetária.

Nesse contexto, a fala de Jerome Powell ontem ganhou importância adicional. O presidente do Federal Reserve sinalizou ao mercado que o cenário inflacionário segue, por ora, sob controle, ajudando a aliviar parte da tensão e afastando, neste momento, a necessidade de uma nova alta de juros. Ainda assim, o desafio permanece delicado: de um lado, a inflação segue pressionada, especialmente pela alta recente do petróleo; de outro, começam a surgir sinais de desaceleração da atividade. O medo de estagflação está presente.

Além disso, o próprio mercado já vem promovendo um aperto nas condições financeiras, com juros longos mais elevados, maior aversão a risco e aumento do prêmio exigido pelos investidores; o que, na prática, já produz um efeito contracionista relevante, mesmo sem novas ações do Fed. Por isso, a agenda desta semana segue como um dos principais guias para os mercados no curto prazo.

· 02:32 — Escalada e desescalada

A guerra entre Estados Unidos e Irã segue em trajetória de intensificação e passa a incorporar novas camadas de risco com a possível entrada mais ativa dos houthis, no Iêmen, como comentei ontem, ampliando a tensão para além do Golfo Pérsico e alcançando também rotas estratégicas no Mar Vermelho.

Ao mesmo tempo, o presidente Trump eleva o tom ao ameaçar atingir diretamente a infraestrutura energética iraniana caso não haja um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz. Esse conjunto de fatores aumenta de forma relevante o risco de interrupções na oferta global de energia, com impactos diretos sobre os preços e sobre a dinâmica da economia mundial, especialmente em um contexto em que o conflito já entra em seu segundo mês sem sinais claros de resolução.

Ainda assim, começam a surgir sinais de possível distensão. Donald Trump pode, em tese, declarar uma “vitória” de forma relativamente rápida e redirecionar sua atuação, priorizando a normalização das rotas comerciais. O ponto central, contudo, é que os mercados seguem, em grande medida, reféns do humor do presidente americano, que tem se mostrado volátil, o que naturalmente se traduz em um prêmio de risco mais elevado para os ativos. Ou seja, mesmo em um cenário de eventual normalização, a tendência é que a tranquilidade não seja plena, com a incerteza geopolítica permanecendo incorporada aos preços.

· 03:27 — Contradições

A chamada “Terceira Guerra do Golfo” pode ser interpretada como a continuidade de uma sequência de intervenções dos Estados Unidos na região, iniciada em 1991 e aprofundada em 2003, que ao longo do tempo evoluiu de uma atuação mais coordenada com aliados para posturas progressivamente mais unilaterais e, por vezes, menos ancoradas em consensos internacionais.

Cada um desses episódios acabou criando, direta ou indiretamente, as condições para o conflito seguinte, culminando no atual cenário envolvendo o Irã, num ambiente que amplia a instabilidade global, pressiona a credibilidade americana e não aponta, ao menos por ora, para vencedores claros. Esse encadeamento levanta questionamentos sobre os limites dessa estratégia e sobre a relação entre custos crescentes e retornos incertos.

Ao mesmo tempo, decisões recentes ajudam a ilustrar a complexidade — e, em certa medida, as inconsistências — da política externa americana. A autorização para a passagem de um petroleiro russo com destino a Cuba, por exemplo, mesmo após restrições impostas anteriormente a outras origens, sugere uma atuação mais pragmática e seletiva, possivelmente orientada por circunstâncias específicas.

Ainda assim, esse tipo de movimento reforça a percepção de um ambiente internacional mais fragmentado, no qual regras parecem menos previsíveis e decisões estratégicas passam a ser tomadas de forma mais reativa, contribuindo para um cenário global mais incerto e difícil de interpretar, inclusive para os mercados.

· 04:11 — Ordenamento internacional

O avanço das negociações entre Canadá e Mercosul ilustra um movimento mais amplo de reorganização do comércio global, no qual países buscam reduzir dependências e ampliar suas alternativas em um ambiente fragmentado.

Após anos de paralisação, o acordo ganhou novo impulso diante das tensões comerciais com os Estados Unidos, refletindo uma estratégia de diversificação por parte de grandes blocos econômicos. Nesse contexto, iniciativas como essa deixam de ser apenas acordos regionais e passam a representar uma tentativa deliberada de reconfigurar fluxos comerciais, diluindo riscos geopolíticos e criando novas rotas de integração econômica.

Essa mesma lógica aparece no acordo do Japão com a australiana Lynas para fornecimento de terras raras, bem como nas discussões envolvendo a União Europeia sobre minerais críticos. O objetivo é claro: reduzir a dependência em cadeias estratégicas e garantir maior oferta, mesmo que isso implique maior coordenação entre governos e intervenção nos preços. Em conjunto, esses movimentos evidenciam uma nova fase do ordenamento internacional, na qual eficiência cede espaço à segurança: players globais passam a estruturar suas cadeias produtivas com foco em diversificação e autonomia, ainda que a um custo potencialmente mais elevado.

· 05:06 — Atualizando o programa

A recente atualização do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) trouxe mudanças relevantes que tendem a fortalecer o setor de construção civil, especialmente no segmento de habitação popular. O governo elevou os limites de renda em todas as faixas, ampliou o valor máximo dos imóveis, com destaque para as faixas intermediárias, e reforçou o volume de subsídios, além de abrir espaço, no futuro, para um uso mais amplo dos recursos do Fundo Social.

Na prática, essas medidas ampliam o universo de famílias elegíveis ao financiamento habitacional e aumentam seu poder de compra, o que contribui para sustentar (e potencialmente expandir) a demanda por imóveis. Para o setor, o impacto é direto: mais compradores potenciais e maior visibilidade para a manutenção, ou até aceleração, do ritmo de lançamentos.

Embora parte dessas mudanças já fosse antecipada pelo mercado, a revisão reforça uma leitura construtiva para as construtoras, especialmente aquelas com maior exposição aos segmentos de baixa e média renda, que tendem a capturar de forma mais imediata esse aumento de demanda.

Nesse contexto, empresas bem posicionadas nessas faixas devem se beneficiar tanto do crescimento das vendas quanto de uma dinâmica operacional mais favorável ao longo dos próximos trimestres. É justamente nesse ponto que a Direcional Engenharia se destaca: com forte presença no segmento e histórico consistente de execução, a companhia reúne atributos importantes para capturar esse novo ciclo de expansão, sustentando uma tese atrativa e com bom potencial de geração de valor para o investidor. Por isso, sigo gostando de DIRR3 como uma forma eficiente de complementar a exposição em ações no Brasil.

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Ibovespa hoje: novas pesquisas eleitorais, um mês de guerra e dados do Tesouro; veja o que é destaque nessa segunda (30)

30 de Março de 2026, 10:02

As bolsas globais iniciam a semana em tom misto, com destaque para a pressão observada nos mercados asiáticos, refletindo a escalada do conflito no Oriente Médio, que segue como o principal vetor de risco para os ativos financeiros. O petróleo permanece em patamares elevados, acima de US$ 115 por barril, incorporando o risco crescente de disrupções na oferta, enquanto ganham força as especulações sobre uma possível operação terrestre envolvendo Estados Unidos e Irã, movimento que adiciona uma camada adicional de incerteza ao cenário geopolítico.

Nesse ambiente, a volatilidade segue elevada, com os mercados reagindo de forma rápida a fluxos e manchetes, ao mesmo tempo em que aumentam as preocupações com os impactos inflacionários e seus desdobramentos sobre a condução da política monetária global.

Apesar de uma semana mais curta em função do feriado da Páscoa, a agenda econômica é densa e relevante, com destaque para o relatório de emprego (payroll) nos Estados Unidos, além de outros indicadores de atividade que ajudam a calibrar a leitura sobre o ciclo econômico, cada vez mais complexo por conta do conflito.

· 00:52 — Acompanhando o humor estrangeiro

Por aqui, seguimos fortemente influenciados pelo ambiente externo, especialmente pela incerteza trazida pela guerra para o ciclo econômico global. No campo doméstico, a agenda ganha relevância com a divulgação de indicadores importantes ao longo da semana, após o Focus já sinalizar novas revisões altistas para as expectativas de inflação, como o IGP-M de março, os dados de emprego via Caged e a produção industrial de fevereiro. Esse conjunto de informações será fundamental para calibrar as expectativas dos investidores em relação à trajetória dos juros. Ainda trabalho com o cenário de continuidade do ciclo de cortes, mas sua intensidade dependerá tanto da evolução dos dados quanto, de forma decisiva, dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Além disso, o Tesouro Nacional divulga o resultado primário do governo central, indicador relevante em um contexto no qual o risco fiscal permanece no radar e segue sendo um dos principais vetores para o nível elevado dos juros reais.

Nesse sentido, embora o ajuste fiscal pareça cada vez mais inevitável no horizonte, possivelmente a partir de 2027, independentemente do resultado eleitoral, o curto prazo ainda inspira cautela, especialmente diante do risco de expansão de gastos em um ambiente pré-eleitoral. Esse quadro se torna ainda mais sensível com o avanço da guerra, que já começa a contaminar a política econômica doméstica, com o governo avaliando a prorrogação de subsídios ao diesel e estudando medidas adicionais para o setor elétrico, em meio ao risco de pressão inflacionária via energia.

No campo político, a semana também será marcada pela divulgação de novas pesquisas eleitorais, incluindo o levantamento da AtlasIntel. A leitura atual, também pautada pela pesquisa Nexus/BTG, divulgada na manhã de hoje, indica um cenário ainda aberto e polarizado, semelhante ao de 2022, com sinais contínuos de desgaste do incumbente, um fenômeno observado globalmente no pós-pandemia.

No plano partidário, inclusive, cresce a expectativa pela definição hoje do PSD entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, sendo este último apontado como favorito. Sua eventual candidatura, por uma posição historicamente mais à direita, pode abrir espaço para que Flávio Bolsonaro adote um discurso relativamente mais moderado, o que poderia ampliar sua competitividade em um eventual segundo turno.

· 01:43 — Os dados de emprego

A semana, embora mais curta por conta do feriado de Páscoa, concentra uma agenda relevante nos Estados Unidos, com destaque para o payroll na sexta-feira, além do ADP na quarta-feira e indicadores de atividade, como ISM e PMIs, ao longo dos próximos dias. Em paralelo, o discurso de Jerome Powell ganha importância em um momento de maior incerteza sobre o equilíbrio entre inflação e desaceleração econômica.

O pano de fundo segue marcado por um aperto relevante das condições financeiras, impulsionado por juros longos mais elevados, petróleo em alta e aumento do prêmio de risco, sugerindo que o próprio mercado já vem exercendo um efeito contracionista, mesmo na ausência de novas ações por parte do Federal Reserve.

· 02:39 — Risco de escalada

A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês com sinais cada vez mais evidentes de intensificação e elevada incerteza, consolidando-se como o principal vetor de risco para os mercados globais neste momento. Embora Washington mantenha o discurso de busca por uma solução negociada, o aumento da presença militar na região, a entrada de novos atores no conflito e a ausência de avanços diplomáticos concretos reforçam a percepção de que o cenário tende a se prolongar.

Nesse contexto, o Estreito de Ormuz permanece como ponto crítico para o fluxo global de energia, sustentando o petróleo em níveis elevados, o que, por sua vez, amplia os riscos inflacionários e de desaceleração econômica. Ao mesmo tempo, a comunicação de Donald Trump adiciona uma camada adicional de incerteza ao cenário, ao alternar entre uma retórica mais agressiva, incluindo a possibilidade de ações militares diretas e até o controle de ativos estratégicos iranianos, como a já mencionada Ilha de Kharg, e sinais de progresso nas negociações, frequentemente contestados por Teerã. Com o envio contínuo de tropas à região e iniciativas diplomáticas ainda sem tração efetiva, o ambiente permanece marcado por narrativas divergentes e risco elevado de escalada. Em última instância, os mercados seguem altamente dependentes do fluxo de notícias, reagindo mais às manchetes.

· 03:26 — Outra frente de batalha

A entrada dos Houthis no conflito adiciona uma nova camada de complexidade ao cenário energético global, ao abrir um segundo ponto crítico no Mar Vermelho, que se soma ao já tensionado Estreito de Ormuz.

Na prática, isso comprime de forma relevante as rotas estratégicas de escoamento de petróleo, reduz as alternativas logísticas disponíveis e eleva o risco de disrupções nas cadeias de suprimento. Com isso, milhões de barris por dia passam a estar potencialmente expostos, em um ambiente no qual qualquer escalada adicional pode gerar impactos sobre os preços da energia e, por consequência, sobre as condições financeiras globais.

· 04:17 — Corrida nuclear

O conflito em torno do programa nuclear iraniano tem acelerado uma mudança estrutural relevante na dinâmica de segurança global. Cresce, em diferentes regiões, a percepção de que a proteção tradicional oferecida pelos Estados Unidos pode não ser tão garantida quanto no passado, o que leva diversos países a reconsiderarem a necessidade de desenvolver seus próprios mecanismos de dissuasão nuclear.

De Europa à Ásia, o debate sobre autonomia estratégica ganha força, ao mesmo tempo em que a arquitetura de controle de armas construída ao longo das últimas décadas se enfraquece, enquanto grandes potências seguem modernizando seus arsenais.

Nesse contexto, eventos recentes reforçam uma leitura incômoda, porém cada vez mais presente: a posse de armas nucleares tende a elevar o poder de dissuasão de um país, mesmo em cenários de forte pressão externa. O efeito colateral dessa lógica, no entanto, é a ampliação do risco sistêmico. À medida que mais nações passam a considerar, ou efetivamente buscar, esse tipo de capacidade, o equilíbrio global se torna mais frágil, elevando a probabilidade de erros de cálculo e tornando o ambiente internacional potencialmente mais instável e perigoso ao longo do tempo.

· 05:05 — Do estúdio ao algoritmo: quem domina a nova mídia

A dinâmica recente da indústria de mídia deixa cada vez mais evidente que já não se trata de um jogo restrito aos tradicionais estúdios de Hollywood. A convergência entre tecnologia e entretenimento reposicionou o centro de gravidade do setor, colocando as plataformas digitais como protagonistas — e o YouTube, da Alphabet, é hoje o exemplo mais claro dessa transformação.

Desde sua aquisição em 2006, a plataforma deixou de ser um simples repositório de vídeos para se tornar um dos maiores motores globais de conteúdo, com trilhões de visualizações anuais e presença crescente em verticais como música, podcasts e televisão. O fato de sua receita já superar a de conglomerados tradicionais, como a Disney, ilustra de forma inequívoca a mudança estrutural em curso na forma como conteúdo é produzido, distribuído e monetizado.

Mais do que escala, o diferencial competitivo do YouTube reside em seu modelo híbrido, que combina publicidade e assinaturas, e em um ecossistema baseado em criadores, altamente adaptável e com forte capacidade de engajamento. Esse modelo tende a ser diretamente beneficiado pelos avanços em inteligência artificial, que ampliam tanto a produção quanto a personalização e monetização do conteúdo.

Estimativas de mercado sugerem que, isoladamente, a plataforma poderia ser avaliada em centenas de bilhões de dólares, superando inclusive o valor agregado dos principais estúdios tradicionais. Nesse contexto, a tese permanece construtiva: ao investir nas BDRs da Alphabet (GOGL34), o investidor acessa um ativo com vantagens competitivas relevantes, exposto a tendências estruturais de longo prazo e com elevada capacidade de geração de valor em um setor em plena transformação.

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Como os ETFs podem ajudar a investir no exterior em um cenário de juros altos e tensão

2 de Abril de 2026, 18:25
marfcelo

 Em um cenário global atravessado por juros ainda elevados e novas tensões geopolíticas, como equilibrar riscos e fazer a escolha certa de investimentos no exterior? Na avaliação de Marcelo Carramaschi, gestor de offshore da Monte Bravo, a construção de portfólio precisa considerar diferentes cenários. “O investidor precisa entender como os ativos se comportam em […]

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Não é só o petróleo: investimentos no setor de defesa estão em alta com escalada nas tensões geopolíticas; vale apostar na tese?

26 de Março de 2026, 15:01

O mundo tem vivido um período de escalada nas tensões geopolíticas. A guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, no Oriente Médio, são exemplos recentes de conflitos que envolvem grandes potências e deixam a sociedade em alerta.

Além da grave crise humanitária que esses conflitos evidenciam, eles também afetam diretamente a economia global. O preço do petróleo, por exemplo, tem apresentado forte alta desde o início da guerra no Oriente Médio (veja os motivos nesta matéria).

Mas não é só o preço das commodities que tem se movimentado com essa dinâmica: os gastos militares têm escalado consistentemente nos últimos anos, destaca o analista Matheus Spiess, da Empiricus.

“Esse movimento tem beneficiado de forma direta as empresas ligadas ao setor de defesa e, por consequência, seus acionistas”, afirma o analista.

O preço do aumento das tensões geopolíticas

O Global X Defense Tech (SHLD), ETF ligado a empresas do setor, acumula valorização de mais de 10% em 2026, até o fechamento de mercado da última quarta (25).

Para se ter ideia, o S&P 500, índice que abriga as maiores empresas da bolsa dos Estados Unidos, caiu 3,9% no mesmo período. “Trata-se de um reflexo claro da corrida global por rearmamento, tendência estrutural que tenho destacado há alguns anos”, afirma Spiess.

Especialistas estimam que a guerra no Irã, perto de completar 1 mês, custaria aos Estados Unidos mais de US$ 1 bilhão por dia. Na última semana, Trump pediu ao Congresso outros US$ 200 bilhões para sustentar o conflito.

Mas a escalada nos gastos militares não se restringe aos EUA. Desde 2022, a União Europeia aumentou os recursos destinados a este fim em mais de 60%. Já Israel elevou o orçamento de defesa para 144 bilhões de shekels, um aumento de 120% em relação a 2023.

Vale investir no setor de defesa?

Para Spiess, o mundo cada vez mais marcado por tensões geopolíticas persistentes e orçamentos militares mais elevados faz com que o setor de defesa deixe de ser uma aposta tática ou cíclica e passe a se firmar como uma tese estrutural de longo prazo.

“Nesse contexto, ETFs temáticos com foco em aeroespacial e defesa despontam como instrumentos eficientes para capturar essa tendência estrutural por meio de uma exposição diversificada ao setor”, avalia o analista.

Para os investidores que desejam se expor a essa tese, o analista recomenda o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39).

“Ainda assim, convém preservar disciplina na alocação. Posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com um limite agregado ao redor de 5% para a classe de ativos temáticos, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco mais adequada, respeitando não apenas o caráter estrutural da tese, mas também a volatilidade inerente a esse tipo de investimento”, completa o analista.

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Ibovespa hoje: Irã rejeita proposta de cessar-fogo dos EUA, prévia da inflação no Brasil e mais destaques desta quinta (26)

26 de Março de 2026, 10:00

A proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos ao Irã foi formalmente rejeitada por Teerã, que respondeu com um conjunto próprio de exigências, incluindo reparações, garantias contra novos ataques e maior controle sobre o Estreito de Ormuz, deixando clara a distância ainda relevante entre as posições das duas partes.

Ainda assim, a Casa Branca mantém o discurso de que as negociações seguem em andamento, com esforços diplomáticos em curso, ainda que de forma indireta e com baixa transparência. Nesse ambiente, os mercados permanecem extremamente sensíveis ao fluxo de notícias, alternando entre momentos de alívio e cautela.

· 00:56 — Um mercado se destacando

No Brasil, o mercado concentra atenções na prévia da inflação de março, que capturou apenas as primeiras semanas do conflito no Oriente Médio e, portanto, ainda não reflete integralmente um eventual choque de preços, especialmente via energia.

Paralelamente, segue a leitura do Relatório de Política Monetária, que detalha a condução dos juros pelo Banco Central. Nesse contexto, ganha importância a fala de Gabriel Galípolo na coletiva que acompanha o relatório, que tende a manter um tom cauteloso, reforçando que o ritmo de cortes da Selic permanece condicionado à evolução do cenário externo, em especial ao comportamento do petróleo, e à dinâmica inflacionária doméstica.

Com as incertezas ainda elevadas e os efeitos da guerra apenas começando a aparecer nos dados, a barra para acelerar o ciclo de cortes segue alta, deixando a política monetária dependente dos próximos desdobramentos. Ainda assim, como indicado na ata mais recente, cortes adicionais permanecem possíveis, inclusive uma eventual aceleração, desde que haja uma normalização mais clara do ambiente global nas próximas semanas.

No campo fiscal e político, o governo busca medidas para mitigar os impactos econômicos do choque externo, em um momento em que a popularidade já mostra sinais de desgaste. A divulgação do Relatório da Dívida Pública deve reforçar as limitações impostas por um orçamento mais apertado, evidenciando o reduzido espaço de manobra.

Ao mesmo tempo, o cenário eleitoral começa a ganhar contornos mais relevantes, com o avanço de candidaturas alternativas podendo reorganizar o espectro político e influenciar a disputa de 2026. Como disse ontem, Flávio Bolsonaro ganhou muita tração e já aparece na frente do Lula. Nesse contexto, uma eventual candidatura do PSD com um nome como Ronaldo Caiado pode contribuir para reposicionar Flávio Bolsonaro em direção a um perfil mais moderado, movimento que tende a ser decisivo na disputa pelos votos de centro. Ao ocupar um espaço mais à direita no espectro político, Caiado acabaria, de forma quase contraintuitiva, ampliando o campo para que Flávio adote uma postura mais equilibrada e palatável a esse eleitorado.

Nesse ambiente, chama atenção o fato de que, mesmo diante de elevada aversão ao risco global, os ativos brasileiros seguem apresentando desempenho relativamente melhor do que outros emergentes. Com valuations ainda descontados, espaço para cortes de juros e a possibilidade de um ciclo eleitoral mais favorável à frente, o Brasil continua atraindo capital estrangeiro e pode sustentar um cenário construtivo para os mercados, sobretudo à medida que as incertezas externas se dissipem.

· 01:41 — Outra referência

Apesar de o conflito no Oriente Médio seguir no centro das atenções, o mercado americano continua sendo o principal eixo de referência para os investidores, com o S&P 500 operando dentro de uma faixa relativamente estreita há meses.

Esse comportamento reflete um equilíbrio delicado entre, de um lado, os riscos geopolíticos e, de outro, fundamentos domésticos que seguem relativamente resilientes. Ontem, os principais índices voltaram a subir, impulsionados pela queda inicial do petróleo e pela expectativa de algum avanço nas negociações com o Irã, embora parte desse movimento tenha perdido força ao longo do dia. O bom desempenho das small caps também reforça a leitura de que há um otimismo cauteloso no mercado, sustentado pela percepção de que os Estados Unidos continuam buscando uma saída negociada para o conflito, mesmo diante da rejeição formal inicial por parte de Teerã.

Do lado macroeconômico, a agenda americana permanece relativamente leve, mas ainda assim oferece sinais relevantes. Os pedidos de seguro-desemprego seguem estáveis, sugerindo um mercado de trabalho ainda sólido, sem sinais mais evidentes de deterioração no curto prazo. Esse pano de fundo ajuda a dar alguma sustentação aos ativos, mesmo em meio à volatilidade vinda do exterior. Ainda assim, o comportamento do petróleo e os desdobramentos envolvendo o Estreito de Ormuz continuam sendo as variáveis mais sensíveis para os mercados neste momento. Sem maior clareza sobre esses dois pontos, a tendência é que os ativos americanos continuem oscilando dentro de um intervalo relativamente limitado, reagindo mais ao fluxo de notícias do que a mudanças mais estruturais de cenário.

· 02:39 — Ainda sem solução

O conflito no Oriente Médio segue sem uma solução clara, com o Irã rejeitando a proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, como disse ser mais provável dado o tom agressivo das americanas, e apresentando suas próprias condições, como garantias contra novos ataques, reparações e maior controle sobre o Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém uma postura firme ao condicionar qualquer acordo ao desmonte do programa nuclear iraniano.

Provavelmente, estamos vendo aquela típica estratégia de negociação do Trump, em que ele pede tudo para chegar em um meio do caminho que seja minimamente razoável para ambas as partes. Apesar desse impasse, as negociações continuam ocorrendo de forma indireta, e os mercados têm oscilado entre momentos de alívio e cautela, refletindo a percepção de que um acordo ainda é possível, mas cercado de baixa visibilidade e incerteza.

Ao mesmo tempo, o ambiente permanece particularmente delicado, já que nenhum dos lados demonstra disposição para concessões relevantes no curto prazo. Mais conversas podem ocorrer hoje. O Irã tem sinalizado preferência por outros interlocutores nas negociações, evitando nomes como Jared Kushner e Steve Witkoff, que são percebidos em Teerã como excessivamente alinhados a Israel e à Arábia Saudita.

Nesse contexto, figuras como JD Vance ou Marco Rubio tendem a ser vistas como alternativas potencialmente mais aceitáveis. Uma eventual escalada do conflito poderia gerar impactos significativos sobre a infraestrutura energética global, ampliando os riscos de uma crise de energia e de uma inflação mais persistente. Nesse contexto, os ativos seguem altamente dependentes do fluxo de notícias.

· 03:28 — Problemas mais estruturais

A guerra no Oriente Médio já começa a produzir efeitos mais concretos sobre a economia global. A redução das exportações sauditas para a Ásia, em meio às disrupções no Estreito de Ormuz, ajuda a encarecer custos, restringe a oferta de energia e amplia a percepção de que o choque deixou de ser apenas geopolítico para começar a contaminar a economia real.

Ainda assim, parte do mercado parece seguir subestimando a persistência desse movimento. Grandes gestores globais já alertam que os impactos sobre crescimento e inflação podem se estender mesmo que os combates cessem no curto prazo, com risco de petróleo em níveis significativamente mais altos e aumento da probabilidade de desaceleração mais forte, especialmente nos Estados Unidos (vide o novo artigo do Niall Ferguson na Free Press).

Ao mesmo tempo, o alívio recente observado nos mercados, após sinais mais moderados vindos de Donald Trump, parece ter bases frágeis. Não houve, até aqui, qualquer mudança estrutural no conflito: os ataques continuam, as negociações seguem travadas e as condições exigidas por ambos os lados permanecem amplamente incompatíveis. Além disso, o risco de escalada militar continua presente, o que mantém o ambiente global em estado de elevada instabilidade.

· 04:17 — Foco em data centers

Os Estados Unidos atingiram um marco relevante ao passar a investir mais na construção de data centers do que em escritórios, um reflexo direto da crescente demanda por infraestrutura digital, impulsionada principalmente pela inteligência artificial e pela expansão das grandes empresas de tecnologia.

Esse movimento sinaliza uma mudança estrutural importante na alocação de capital da economia, com a infraestrutura tecnológica ganhando protagonismo frente aos modelos tradicionais de ocupação corporativa. Apesar de alguns gargalos do lado da oferta, como a demora na obtenção de licenças e restrições nas cadeias de suprimentos, a demanda permanece robusta, com grandes contratos sendo firmados e empresas de tecnologia buscando garantir capacidade de longo prazo.

Assim, os custos de construção também têm avançado, o que acaba beneficiando diretamente o setor no mercado de ações, que vem se destacando como um dos ganhadores desse novo ciclo de capex.

· 05:02 — Pensando na inflação e na inevitabilidade de um ajuste fiscal

O quadro fiscal brasileiro entrou em uma trajetória claramente delicada, marcada por um crescimento das despesas em ritmo superior à capacidade de expansão da economia, o que mantém o desequilíbrio estrutural praticamente intacto e exige a manutenção de juros reais elevados para conter a inflação e atrair financiamento.

Ainda que tenha havido alguma melhora recente no resultado primário, ela foi impulsionada sobretudo pelo aumento de arrecadação, via impostos e receitas pontuais, e não por um controle efetivo dos gastos. Ao mesmo tempo, o déficit nominal elevado e a trajetória ascendente da dívida reforçam a percepção de risco, pressionando os juros de longo prazo e alimentando um ciclo difícil de interromper.

Nesse contexto, a conclusão é pouco controversa: algum grau de ajuste fiscal será necessário nos próximos anos, especialmente a partir de 2027, para restabelecer a sustentabilidade das contas públicas e abrir espaço para uma queda estrutural dos juros.

A experiência recente mostra que períodos de maior disciplina fiscal foram capazes de produzir, em um intervalo relativamente curto, inflação mais baixa, redução relevante das taxas de juros e valorização expressiva dos ativos. O desafio, agora, é que esse processo tende a ocorrer em um ambiente mais complexo, marcado por incertezas políticas e pelo avanço do calendário eleitoral, o que naturalmente eleva a volatilidade ao longo do caminho. E tem a chance de uma agenda minimamente mais reformista, fiscalista e pró-mercado ser eleita. Seja como for, mesmo se isso não ocorrer, existe uma certa inevitabilidade de algum ajuste fiscal.

Diante desse pano de fundo, os títulos indexados à inflação passam a desempenhar um papel particularmente interessante nas carteiras. Em um cenário adverso, de ausência de ajuste, funcionam como proteção ao preservar o poder de compra diante de uma inflação mais elevada. Por outro lado, em um cenário construtivo, de avanço no ajuste fiscal, tendem a capturar ganhos relevantes com a queda dos juros reais, especialmente os papéis mais longos, que apresentam maior sensibilidade a esse movimento. Trata-se, portanto, de uma classe de ativos que combina proteção e potencial de valorização, ainda que acompanhada de volatilidade no curto prazo.

É justamente nesse contexto que se insere o AREA11. O ETF oferece uma forma eficiente de acessar títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs), combinando proteção inflacionária com geração de renda mensal, por meio da conversão dos cupons semestrais em pagamentos recorrentes. Sua carteira, concentrada em papéis de maior prazo e retorno, possui duration elevada, o que amplia o potencial de valorização em ciclos de fechamento da curva de juros reais, ainda que, por outro lado, implique maior sensibilidade a oscilações no curto prazo. Por isso, não se trata de um instrumento de caixa ou de perfil conservador, mas sim de uma alocação estratégica.

Com baixo custo, boa liquidez, estrutura robusta e eficiência tributária, o AREA11 se posiciona como uma alternativa interessante para o investidor que busca combinar geração de renda com ganho real no longo prazo. Ao mesmo tempo, permite expressar uma visão macroeconômica de forma direta e acessível, ao oferecer exposição a uma das variáveis mais relevantes da renda fixa brasileira: a trajetória dos juros reais.

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Guerra no Oriente Médio, petróleo em alta e mercados em alerta: onde investir agora? Analista explica cenário e faz recomendação

25 de Março de 2026, 16:38

Quem acompanha as notícias globais, certamente está ciente da guerra no Oriente Médio e da consequente alta dos preços do petróleo. Também deve ouvir falar bastante do estreito de Ormuz e do sentimento de receio que toma os mercados – desde as bolsas até as criptomoedas.

Porém, os pontos de conexão entre todos esses nomes e, especialmente, o que esperar da economia e dos investimentos em períodos de conflito, não são facilmente compreendidos por todo mundo.

Pensando nisso, Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus Research, traz um “aulão” para explicar, de forma simples e clara, o que está acontecendo no mundo agora – e onde investir. Confira:

Abaixo, trazemos os principais pontos abordados no vídeo.

Estreito de Ormuz: o ‘ponto de estrangulamento’ da economia mundial?

Os receios econômicos mundiais começam pelo Estreito de Ormuz: uma passagem que, em seu menor ponto, possui cerca de 33km entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã. É por lá que 20% do petróleo comercializado no mundo inteiro é escoado.

Ormuz é um dos oito principais choke points (“pontos de estrangulamento”, em português) do comércio marítimo global. Dentre os outros, estão nomes como os canais do Panamá e de Suez.

Desde o início do conflito, o Irã alega que o estreito está fechado, o que nunca aconteceu de forma formal, mas sim por meio de ameaças aos navios que ousassem atravessá-lo.

“O que existe é um fechamento na prática: as ameaças do Irã, e os barcos se recusando a atravessar – e as seguradoras das embarcações também falando que não é para atravessar”, afirma Spiess.

E por que é de interesse do Irã manter a passagem fechada? Bom, a explicação é simples: o Irã é militarmente inferior aos seus adversários no conflito. Com isso, o que resta é usar Ormuz como estratégia de guerra, atingindo diretamente toda a economia ocidental.

“Eles querem aumentar o custo econômico para o Ocidente o máximo possível, porque é o que resta para eles. Do lado militar, os EUA têm superioridade”, afirma Spiess.

Com o fechamento do estreito atingindo em cheio, especialmente, o escoamento do petróleo, a escassez leva o preço do barril às alturas – e todo o ocidente pode, literalmente, pagar a conta.

Irã pode ter motivos para normalizar funcionamento do estreito de Ormuz em breve, segundo analista

Segundo Spiess, para o Irã, o interesse de aumentar os custos econômicos para o restante do mundo pode ser de curto prazo – porque o próprio país é dependente do funcionamento normal da passagem.

“Falamos muito do que sai do estreito, mas pouco do que entra”, afirma Spiess. No caso, Ormuz é a principal porta de entrada de comida para o Irã, considerando que a produção local é escassa.

Manter o estreito fechado por muito tempo gera o risco de uma crise humanitária na região, o que não estaria nos melhores interesses do governo.

Um dos principais aliados econômicos do Irã, a China, também tem interesse na reabertura do estreito.

O que o mercado quer que aconteça no futuro próximo?

O mercado, no meio do fogo cruzado, não gosta de incertezas. Para muito além da alta do petróleo, isso é o que também tem gerado estresse nos ativos de risco globais.

Inicialmente, os EUA anunciaram que o conflito tinha prazo para acabar: cerca de 5 semanas. Porém, esse prazo está próximo de terminar – e não há sinais de arrefecimento. “A falta de perspectiva para o final de um conflito é o que incomoda o mercado”, afirma Spiess.

Para o analista, uma normalização do estreito de Ormuz é uma das principais expectativas do mercado no momento. Sendo o encerramento do conflito, claro, como cenário ideal.

Porém, Spiess comenta que nem o fim da guerra seria suficiente para que tudo volte a ser como era antes, pelo menos no curto prazo.

“Não basta só encerrar, porque começaremos a ter um legado desse conflito. Vai demorar muito mais tempo para termos uma situação normalizada”, afirma.

Estados Unidos também têm seus motivos para não continuarem guerra no Oriente Médio

O analista traz alguns pontos, em especial, que podem influenciar os EUA a encerrarem a guerra eventualmente.

  • Custos do conflito

Os EUA já gastaram mais de US$ 20 bilhões com esse conflito – e somam cerca de US$ 39 trilhões de dívida até o momento.

“O fiscal americano, que já está problemático, está piorando ainda mais por conta do conflito”, afirma. Somadas às contas públicas, um outro fator vem para exercer ainda mais pressão:

  • Inflação

“Se você impede que haja o tráfego de petróleo, isso encarece o petróleo e seus derivados. Consequentemente, o combustível na bomba fica mais caro, e então precisamos de reajustes de preços. O medo de inflação é muito grande, porque se há mais inflação, precisamos de mais juros”, afirma Spiess.

Esse é o “efeito dominó” mais temido pelos mercados. O que começa com a alta do petróleo, pode “acabar desaguando em outros segmentos”, como transportes, fertilizantes e alimentos, segundo o analista.

“Todo mundo tem medo disso [inflação], inclusive o próprio Donald Trump”, afirma o analista. Especialmente porque 2026 é ano de midterms – as “eleições de meio de mandato” nos EUA.

  • Eleições de meio de mandato nos EUA

Segundo Spiess, não parece ser de interesse de Donald Trump chegar às eleições de meio de mandato (midterms), no mês de novembro, com uma economia norte-americana fragilizada.

Nesse caso, o encerramento da guerra seria um fator aliado: “Se o conflito acabar o quanto antes, os preços podem normalizar, e a pressão esperada para a inflação seria minimizada”, afirma.

Uma recomendação de investimento para se expor ao xadrez geopolítico do momento

Spiess explica que, após um conflito que afeta diretamente a cadeia de suprimentos mundial, empresas e indústrias são obrigadas a se reorganizarem em forma de novos investimentos.

Esse boom de capex implica em um boom de inflação que, consequentemente, traz um “playbook” clássico na reação dos mercados: a compra de ativos de proteção, como o ouro, e também de commodities.

Historicamente, commodities agrícolas tendem a entrar em rali após períodos de disrupção nos preços do petróleo.

Hoje, os preços ainda não estão acompanhando a última alta do barril, o que cria “uma tese muito interessante” ligada à possível valorização que esses ativos podem capturar no futuro próximo.

Com isso, para o analista, esse é um bom momento para o investidor se posicionar em ativos ligados ao setor: sua principal recomendação é o ETF CMDB11, que replica a performance de ações de empresas brasileiras produtoras e exportadoras de commodities.

“Estruturalmente, acredito que as commodities estão entrando em um bull market, para além de um ou outro conflito”, conclui.

Clique no vídeo abaixo para assistir a aula na íntegra e, assim, ouvir mais sobre a tese de investimento, além de todos os principais pontos abordados:

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Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de Março de 2026, 13:00

Depois de uma Ata do Copom em linha com o comunicado, persiste a dúvida do mercado sobre como as expectativas inflacionárias 3T27 do Bacen pouco subiram (3,2% para 3,3%), mesmo contando com as derivadas do choque do petróleo.

Há muitas hipóteses possíveis, sendo algumas menos nobres.

Por exemplo: uma escolha meramente política de segurar a bronca em ano de eleição, ou a danosa premissa de que a Petrobras vai administrar os preços ao limite do abastecimento.

Contudo, devemos ponderar uma outra hipótese também, mais dentro das quatro linhas: a de que estamos grávidos de uma desaceleração de atividade um pouco mais intensa do que a de consenso.

Se tomarmos por referência as projeções do Focus até o momento, bem como os principais guidances de research macro, estamos falando de um crescimento de PIB no 1T26 entre +1,6% e +2,0%, no ano contra ano.

Já levando em conta o IBC-Br e o Monitor FGV, esse delta estaria mais próximo de 0,7%.

Não dá pra saber exatamente quem está certo e quem está errado nessa conta, mas a disparidade, por si só, já sugere uma assimetria com potencial revisão para baixo nos próximos capítulos.

Em particular, o chamado “unit labor cost” (salário/produtividade) vinha em movimento de compensação desde a pandemia, mas agora acaba de cruzar a marca d’água – o que sugere reação via desemprego.


Nesse sentido, ganha relevância a próxima divulgação de Caged, marcada para 30 de março.

Grosso modo, se a criação de vagas vier em 300k, o PIB está forte mesmo, mais em linha com o intervalo entre +1,6% e +2,0% a/a.

Se vier em 200k, é uma leitura praticamente neutra, permitindo ao Copom manter um ritmo lento a moderado.

Já se tivermos algo como 100k, haveria espaço para cortes mais assertivos da Selic, da ordem de –50bps ou quiçá –75 bps, se o externo melhorar.

Não que tudo se resuma ao Caged, obviamente, até porque temos uma Guerra dominando as manchetes do momento. Mas vale lembrar que a agenda cotidiana de indicadores macro ainda importa, e você pode sempre acompanhar suas repercussões através do Empiricus+.

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Ibovespa hoje: rumores de cessar-fogo no Oriente Médio animam mercados; veja os destaques desta quarta (25)

25 de Março de 2026, 10:00

Os mercados continuam fortemente ancorados na evolução do conflito no Oriente Médio, com notícias recentes sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, estruturado em um plano rascunhado de 15 pontos, desencadeando uma reação imediata de alívio.

O petróleo chegou a recuar de forma relevante, enquanto os ativos de risco se recuperaram globalmente, evidenciando o quanto qualquer sinal, ainda que preliminar, de desescalada é capaz de alterar rapidamente o humor dos investidores. Ainda assim, o cenário permanece cercado de incertezas, com dúvidas relevantes sobre a viabilidade do acordo e sinais contraditórios por parte do Irã, o que mantém o ambiente volátil e altamente dependente do fluxo de notícias. 

· 00:55 — Vibrações em Brasília

No Brasil, os ativos apresentaram recuperação na sessão de ontem, em linha com sinais marginalmente mais construtivos vindos do Oriente Médio. Também contribuiu a divulgação da ata do Copom, que, embora ainda preserve a possibilidade de novos cortes de juros na próxima reunião, trouxe um tom mais sóbrio em relação ao comunicado da semana anterior, ajudando a endereçar algumas pontas em aberto. O documento reconhece uma leve recuperação da atividade no início de 2026 e mantém atenção à recente elevação das expectativas inflacionárias e ao aumento da incerteza.

Para hoje, a agenda é mais leve, com a divulgação dos índices de confiança do consumidor referentes a março e do fluxo cambial da última semana, enquanto o mercado aguarda, para amanhã, o Relatório de Política Monetária, a coletiva de Gabriel Galípolo e a prévia da inflação.

No campo doméstico, segue no radar a possibilidade de paralisação de caminhoneiros no Porto de Santos, embora a leitura predominante seja de que uma greve de abrangência nacional permanece pouco provável. A mobilização prevista é pontual, com duração de 24 horas, e tem como principal motivação o aumento do preço do diesel, questão tradicional da categoria.

Nesse contexto, o governo apresentou aos Estados uma proposta alternativa para reduzir o custo do diesel importado, por meio de uma subvenção direta de R$ 1,20 por litro, dividida entre União e governadores, com custo estimado em R$ 3 bilhões e validade temporária até o fim de maio. A medida surge diante dos riscos de desabastecimento e da resistência dos Estados em abrir mão da arrecadação via ICMS. Ao mesmo tempo, iniciativas recentes para conter os preços já vêm pressionando a arrecadação federal, enquanto outros setores, como o de aviação, também passam a demandar alívio tributário. A conta só tende a aumentar agora.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a revisão relevante na projeção fiscal do ano. O governo reduziu a estimativa de superávit primário de R$ 34,9 bilhões para apenas R$ 3,5 bilhões, patamar muito próximo do limite inferior da meta (déficit zero), o que reacende dúvidas sobre o cumprimento efetivo das regras fiscais. Mais uma vez, observa-se uma condução próxima à banda inferior da meta, com risco de descumprimento ou, alternativamente, de ajustes artificiais que preservem o resultado apenas no papel. Para conter o avanço das despesas, pressionadas por benefícios sociais e previdenciários, foi anunciado um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento.

No campo político, o cenário também começa a ganhar contornos mais desafiadores para o governo. Pesquisas recentes indicam deterioração na avaliação do presidente e maior competitividade da oposição: levantamento da AtlasIntel desta manhã aponta Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário de segundo turno, enquanto dados do PoderData mostram aumento relevante na avaliação negativa do governo.

Esse ambiente, combinado com inflação ainda sensível e o desgaste natural do incumbente, pode influenciar a dinâmica eleitoral nos próximos meses. Não se pode descartar, inclusive, a possibilidade de reconfigurações na corrida presidencial, com a saída do atual presidente do pleito, caso o custo político de uma eventual derrota passe a ser considerado elevado demais, um cenário que, se ganhar tração, pode alterar de forma significativa o equilíbrio político em 2026.

· 01:43 — Para além dos ruídos no Oriente Médio

As ações americanas oscilaram ao longo do pregão de ontem, refletindo um ambiente ainda dominado por incertezas. De um lado, mensagens contraditórias sobre o conflito no Oriente Médio mantiveram os investidores cautelosos; de outro, a alta do petróleo contribuiu para pressionar os principais índices americanos. Esse movimento foi acompanhado por um aumento nas preocupações com o crédito privado, após restrições a resgates em grandes fundos, além de uma nova rodada de fraqueza no setor de tecnologia, especialmente em software. diante do avanço da inteligência artificial e dos receios sobre substituição de determinadas atividades.

No campo macro, os dados mais recentes seguem apontando para uma economia americana ainda resiliente, mas com sinais claros de perda de fôlego. O crescimento permanece positivo, porém mais moderado, enquanto as pressões inflacionárias voltam a ganhar espaço e começam a surgir indícios iniciais de enfraquecimento no mercado de trabalho. Nesse contexto, as projeções de PIB foram revisadas para baixo, passando a indicar uma expansão abaixo do potencial, acompanhada de uma elevação na chance de recessão — que, embora não seja o cenário base, reforça a leitura de um ambiente desafiador, ainda que distante de uma deterioração abrupta.

· 02:39 — Mais um trilhão para a conta

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 39 trilhões em ritmo impressionantemente acelerado, evidenciando um desequilíbrio fiscal cada vez mais relevante em um ambiente no qual as principais rubricas de despesa — como pagamento de juros, gastos com defesa e programas sociais — são, na prática, politicamente difíceis de comprimir.

Com uma parcela expressiva do orçamento funcionando quase no piloto automático e com espaço bastante limitado para cortes mais profundos, o país passa a conviver com desafios estruturais importantes, ligados ao envelhecimento da população, à desaceleração do crescimento e à dificuldade de construir consenso político em torno de reformas mais abrangentes. Nesse contexto, a solução segue distante, e o tema ganha peso crescente na avaliação dos investidores.

O sinal de alerta é ainda mais relevante quando se considera que os sucessivos rebaixamentos da nota de crédito americana já começam a reforçar a percepção de que a trajetória fiscal merece atenção mais cuidadosa. Embora os EUA ainda contem com privilégios institucionais e monetários que nenhuma outra economia possui na mesma escala, o avanço contínuo da dívida tende a produzir efeitos sobre os juros de longo prazo, sobre o comportamento do dólar e, em última instância, sobre a estabilidade financeira global ao longo do tempo. Em outras palavras, não se trata de um problema imediato de solvência, mas de um processo de deterioração que, se mantido por tempo demais, pode cobrar um preço cada vez mais alto.

· 03:24 — Um plano

Apesar das tentativas dos Estados Unidos de avançar com uma proposta de paz, o conflito no Oriente Médio continua intenso, com novos ataques envolvendo Irã, Israel e outros países da região, além de sinais cada vez mais claros de que, no curto prazo, nenhuma das partes parece disposta a fazer concessões relevantes. Um plano de 15 pontos teria sido enviado ao Irã, incluindo restrições ao programa nuclear e a possibilidade de uma trégua temporária, mas o grau de incerteza em torno de sua aceitação permanece elevado, especialmente diante do endurecimento do discurso por parte de Teerã e da continuidade das operações militares conduzidas por Israel.

Ao mesmo tempo, o quadro energético segue se deteriorando. A decisão do Irã de impor taxas para a navegação no Estreito de Ormuz, somada à interrupção de exportações de gás, amplia a pressão sobre os preços de energia e eleva a tensão global. Ainda assim, o mercado continua reagindo de forma imediata a qualquer sinal, mesmo que incipiente, de possível negociação, o que deixa claro o quanto os ativos seguem altamente sensíveis à evolução do conflito. Em outras palavras, o cenário continua em aberto, oscilando entre a possibilidade de alguma descompressão diplomática e o risco de uma escalada mais ampla, com consequências potencialmente mais severas para a economia global.

· 04:16 — Envio de tropas?

Os Estados Unidos estariam supostamente se preparam para ampliar sua presença no Oriente Médio com o envio de cerca de 3 mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada, movimento que pode marcar uma inflexão relevante em um conflito que, até aqui, vinha sendo conduzido majoritariamente por meios aéreos.

Ao mesmo tempo, Donald Trump continua sinalizando a possibilidade de algum tipo de negociação com o Irã, como expliquei anteriormente, mas o grau de incerteza em torno dessas conversas permanece elevado. Em outras palavras, ainda não há clareza sobre os canais efetivos de diálogo, os termos em discussão ou a real disposição das partes para fazer concessões, o que mantém o ambiente bastante instável e dificulta qualquer leitura mais segura sobre um eventual caminho de descompressão.

· 05:02 — Troca de comando

A Disney inicia um novo capítulo com a saída de Bob Iger e a chegada de Josh D’Amaro ao comando, em um momento que ainda combina desafios relevantes com oportunidades importantes. A segunda passagem de Iger não conseguiu reproduzir o desempenho extraordinário de seu primeiro ciclo, com as ações apresentando evolução bastante modesta enquanto o mercado americano avançava de forma significativa. Parte dessa diferença se explica por um ambiente mais adverso, marcado pelos efeitos da pandemia sobre parques e cinemas, pelas mudanças no consumo de mídia e pelos elevados custos associados à construção e expansão da plataforma de streaming. Ainda assim, a companhia encerra esse ciclo em uma posição mais sólida do que pode parecer à primeira vista: a divisão de parques e experiências se consolidou como principal motor de lucro, sustentando a geração de caixa e criando uma base importante para crescimento nos próximos anos.

A partir daqui, o desafio de D’Amaro será equilibrar continuidade e transformação: de um lado, expandir os negócios que vêm entregando resultados consistentes; de outro, reestruturar áreas que perderam dinamismo, como a ESPN, em meio à transição estrutural para o digital. Nesse contexto, a Disney continua sendo uma empresa global, com ativos únicos, marcas extremamente fortes e uma capacidade relevante de monetização ao longo do tempo. Por isso, mesmo após um período mais fraco para as ações, seguimos enxergando valor na tese. As BDRs como DISB34 permanecem como uma forma eficiente de capturar essa potencial recuperação, ao mesmo tempo em que contribuem para a diversificação internacional das carteiras.

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Relação de troca entre fertilizantes e grãos atinge o pior patamar desde 2022; 2/3 dos insumos para 2026/2027 não foram adquiridos 

24 de Março de 2026, 16:19

As compras de fertilizantes para a safra 2026/2027 seguem atrasadas no Brasil em relação a anos anteriores. Cerca de 65% dos insumos ainda não foram adquiridos, e até mesmo o Mato Grosso — tradicionalmente mais antecipado — tem postergado as negociações diante dos preços elevados.

O conflito no Oriente Médio e as restrições da China aos embarques são os principais fatores por trás da alta dos fertilizantes, deteriorando significativamente a relação de troca com os grãos. Isso ocorre porque os insumos subiram de forma expressiva, enquanto as commodities agrícolas seguem em patamares mais baixos.

A relação de troca, inclusive, atingiu um dos piores níveis dos últimos anos, superando até mesmo 2022, quando os fertilizantes alcançaram preços recordes com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

“A diferença é que, naquele momento, os grãos também estavam valorizados. Agora, temos o oposto: fertilizantes caros e commodities andando de lado”, explica Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado.

No caso da ureia, a relação de troca chegou a 32 sacas de soja ou 59 sacas de milho por tonelada do fertilizante. Há um ano, eram necessárias 17 e 33 sacas, respectivamente.

Para o MAP, a proporção subiu para 39 sacas de soja ou 72 sacas de milho por tonelada, frente a 25 e 49 sacas no mesmo período do ano passado.

Já o sulfato de amônio, que vem ganhando espaço na adubação nitrogenada — com maior volume importado da China como alternativa à ureia — também registrou piora. A relação de troca passou de 8 para 12 sacas de soja por tonelada e de 15 para 23 sacas no caso do milho.

“Ainda há espaço para aguardar melhores condições de compra, mas existe o risco de a demanda ficar represada para o segundo semestre. Se isso acontecer e o conflito se prolongar, os preços podem subir ainda mais”, afirma Romanello.

Piora nos fertilizantes pressiona liquidez

Além disso, o cenário é agravado pelas restrições de crédito e pelo aumento do endividamento dos produtores, uma situação que se arrasta desde o ano passado.

No mercado interno, isso se reflete em baixa liquidez. Importadores evitam formar estoques elevados, com receio de não conseguir repassar os preços ao produtor.

“Surge, assim, o risco de destruição de demanda, caso os agricultores não consigam arcar com os custos de adubação”, diz a analista.

Diante desse contexto, o mercado opera praticamente sob demanda, sem grandes antecipações.

“Enquanto nitrogenados e fosfatados seguem pressionados, o cloreto de potássio não sofre impacto direto do conflito. O produto apresenta maior estabilidade de preços, com volumes relevantes chegando ao Brasil. Por isso, tem sido o fertilizante mais importado neste momento, permitindo algum planejamento antecipado por parte dos produtores”, explica Romanello.

Nesse caso, a relação de troca também piorou, ainda que de forma mais moderada: passou de 14 para 18 sacas de soja por tonelada e de 26 para 32 sacas no milho, diz o analista.

Com esse cenário, o custo total de adubação, segundo ele, deve ser significativamente mais alto em 2026, aumentando a preocupação com a formação de custos e a rentabilidade das lavouras.

“As margens para erro estão apertadas”: Volatilidade da guerra exige atenção dos investidores, segundo especialista

24 de Março de 2026, 15:02

O cenário internacional segue impactando os mercados, com as incertezas sobre a guerra no Oriente Médio impulsionando a volatilidade global e a retomada da alta do petróleo.

No Giro do Mercado desta terça-feira (24), a jornalista Paula Comassetto recebe Angelo Miloch, analista da Sacre Investimentos, para analisar os principais movimentos do mercado.

Os mercados devolvem parte do alívio observado ontem diante das incertezas sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado ter mantido conversas “muito produtivas” com o governo iraniano, Teerã negou qualquer negociação.

Nesta manhã, os preços do petróleo voltaram a subir, com o Brent a US$ 101 o barril, após queda de 10% na véspera. No Ibovespa, as petroleiras lideravam a ponta positiva.

Para Miloch, a euforia de ontem com o possível cessar-fogo foi exagerada. “Seria uma notícia excelente em termos de mundo, mas, particularmente, achei que a reação foi demais, até porque viemos de um Ibovespa que fechou na semana passada acumulando quatro semanas seguidas em queda”, afirmou.

As margens para erros dos investidores estão ficando muito apertadas. Com a volatilidade gerada pelas notícias, é preciso estar atento para não errar os passos”, completou a respeito da postura necessária para enfrentar esse momento.

No Brasil, o mercado acompanha a ata do Copom, que reforçou a mensagem de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo diante das expectativas de inflação ainda desancoradas.

O analista da Sacre comenta que a decisão sobre os juros foi pressionada pelo cenário de guerra juntamente com a expectativa do mercado brasileiro por um corte, ao contrário da maioria dos bancos centrais internacionais que, na mesma época, optaram pela manutenção dos patamares de juros.

“O comitê trouxe uma calibração da taxa e não trouxe sinalização de novos cortes. A ata não trouxe uma orientação muito clara”, disse Miloch.

O especialista ainda comentou o impacto da retomada da alta do petróleo sobre as decisões monetárias no Brasil.

“Na minha visão, o preço do petróleo impacta menos as decisões do Banco Central, se comparado à geopolítica, porque o setor de combustíveis está dentro de uma parcela do IPCA que é controlável pelo governo”.

Ele lembrou que o Brasil é um grande produtor de petróleo e que, portanto, preços elevados desse recurso seriam benéficos para o país, já que há um volume significativo de exportações, o que contribuiria positivamente para o PIB. No entanto, ponderou que esse ganho poderia ser ofuscado pelo IPCA, que não tem apresentado queda e possui projeções próximas do teto. Acrescentou ainda que o preço do petróleo, por si só, não causa tanta preocupação, mas que o maior risco está no cenário macroeconômico, especialmente em relação à inflação e ao câmbio.

O cenário eleitoral também segue no radar após o governador do Paraná, Ratinho Junior, desistir de sua candidatura à Presidência. Além disso, uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel prevista para hoje pode influenciar o comportamento dos ativos domésticos no fim do dia.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

Ibovespa hoje: elevação das incertezas no Oriente Médio, petróleo em alta, ata do Copom e mais destaques desta terça (24)

24 de Março de 2026, 10:10

O alívio observado no início da semana, após Donald Trump sinalizar uma trégua temporária e sugerir avanços diplomáticos com o Irã, rapidamente deu lugar a uma postura mais cautelosa por parte dos mercados.

Embora o adiamento de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética iraniana tenha provocado uma queda momentânea do petróleo e sustentado uma recuperação dos ativos de risco, esse movimento perdeu força à medida que surgiram novas dúvidas sobre a real existência de um processo de negociação.

A ausência de confirmação por parte de Teerã, a continuidade dos ataques na região e a falta de parâmetros claros para um eventual acordo voltaram a elevar a incerteza. Como consequência, o petróleo retomou a trajetória de alta, superando novamente a marca de US$ 100 por barril, enquanto as bolsas americanas e europeias passaram a refletir um ambiente mais defensivo. O episódio evidencia, mais uma vez, o quanto o humor global continua sensível a declarações políticas, rumores de bastidores e à evolução militar do conflito.

· 00:57 — Sinais de paz, ativos em dúvida

No Brasil, o dia começa com o mercado digerindo a ata do Copom, que parece ter calibrado parcialmente o tom adotado no comunicado da reunião encerrada na semana passada. O documento reforça a atenção do Banco Central a vetores importantes, como a reaceleração da atividade no início do ano e a elevação das expectativas de inflação.

A continuidade do ciclo de cortes de juros segue no radar, ainda que o mercado possa promover algum ajuste nas apostas ao longo do dia. Ainda assim, alguma dose adicional de sobriedade, em meio a um ambiente tão carregado de incertezas, parece não apenas compreensível, mas desejável. Mesmo que o ciclo prossiga de forma mais contida, com um eventual corte de 25 pontos-base em abril, por exemplo, uma condução mais cautelosa da política monetária pode contribuir para dar suporte ao real.

A ata chega logo após uma segunda-feira de recuperação expressiva para os ativos globais, inclusive no Brasil, impulsionada por sinais de distensão vindos do presidente americano. Ainda assim, o foco doméstico permanece intenso nos próximos dias.

A divulgação da prévia da inflação oficial, na quinta-feira, e do Relatório de Política Monetária, antigo Relatório Trimestral de Inflação, acompanhada da coletiva de Gabriel Galípolo, também na quinta, pode oferecer uma sinalização adicional importante para o mercado neste momento. Em paralelo, diante das preocupações com os efeitos econômicos da guerra, o governo estuda um pacote em torno de R$ 15 bilhões para apoiar setores potencialmente afetados.

Entre as medidas em avaliação estão uma nova medida provisória para ampliar subsídios ao diesel e negociações com governadores para zerar o ICMS sobre o diesel importado, enquanto a Petrobras sinaliza que não pretende reajustar o combustível no curtíssimo prazo.

No campo político, o governador do Paraná, Ratinho Jr., desistiu da corrida presidencial, abrindo espaço para que o nome do PSD passe a ser o de Ronaldo Caiado. Ainda assim, o movimento mais relevante parece ser outro: a crescente convergência de forças de oposição em torno de Flávio Bolsonaro, o que fortalece a pré-candidatura do senador e ajuda a reorganizar, desde já, o tabuleiro político da direita para a disputa presidencial.

· 01:41 — Alívio

As bolsas americanas registraram ontem seu melhor desempenho em semanas após Donald Trump adotar um tom mais conciliador em relação à guerra no Oriente Médio e sugerir avanços na direção de uma possível resolução com o Irã.

A reação dos mercados foi imediata: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram com força, impulsionados principalmente pela queda do petróleo diante dos sinais diplomáticos. O movimento reforçou, mais uma vez, o grau de sensibilidade dos ativos globais a qualquer indício de desescalada no conflito. Ainda assim, o alívio observado foi apenas parcial. O VIX continua em patamar significativamente superior ao nível pré-guerra, os investidores seguem demandando sinais mais concretos de pacificação e os riscos para as cadeias globais de suprimento continuam relevantes, especialmente em um ambiente em que a incerteza geopolítica permanece elevada.

· 02:39 — TACO Trade?

Trump entrou na quarta semana da guerra tentando transmitir uma mensagem de moderação aos mercados. Ao adiar por cinco dias os ataques à infraestrutura energética iraniana, o presidente americano conseguiu produzir um alívio temporário sobre os preços do petróleo, trazendo o Brent de volta para abaixo de US$ 100 por barril.

Ainda assim, o grau de ceticismo continua elevado. Teerã nega que existam negociações em curso com Washington, Israel não demonstra enxergar um desfecho próximo para o conflito, o Pentágono avalia reforçar sua presença militar na região e países como Turquia, Arábia Saudita e Omã buscam construir canais informais de mediação. Em outras palavras, a recente recuperação dos ativos deixa claro o quanto qualquer sinal de distensão é capaz de alterar rapidamente o humor dos mercados, mas está longe de significar que o risco geopolítico tenha sido efetivamente dissipado.

Ao mesmo tempo, a dimensão do choque energético ajuda a entender por que os mercados seguem tão sensíveis aos desdobramentos no Oriente Médio. Segundo Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, as interrupções atuais no fornecimento equivalem, em conjunto, às grandes crises do petróleo dos anos 1970 somadas à crise do gás natural observada em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Os danos severos a dezenas de ativos energéticos na região, além dos efeitos que já se espalham para cadeias como petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio, reforçam a magnitude do problema. Ainda assim, o histórico lembrado pelo JPMorgan mostra que choques agudos no preço do petróleo não necessariamente inviabilizam um bom desempenho das bolsas. Em diversos episódios, as ações sofreram volatilidade no curto prazo, mas entregaram retornos médios positivos nos meses seguintes. Isso sugere que, embora o ambiente permaneça delicado e sujeito a novos sobressaltos, reações exageradas também abrem espaço para recuperação adiante.

· 03:22 — Risco de escalada regional

A sinalização que emerge do Golfo é de clara elevação de tom. Mohammed bin Salman estaria cada vez mais inclinado a restabelecer a capacidade de dissuasão da Arábia Saudita e mais próximo de uma decisão que poderia levar o reino a se envolver diretamente no conflito, enquanto autoridades sauditas já indicam, de forma explícita, que a tolerância do país diante dos ataques iranianos não é ilimitada.

Em paralelo, os Emirados Árabes Unidos também começam a adotar uma postura mais dura em relação a Teerã. Além de ampliarem a pressão econômica sobre ativos iranianos mantidos em seu território — um ponto particularmente sensível, dado o papel historicamente relevante dos Emirados como centro financeiro para empresas e indivíduos ligados ao Irã —, os emiradenses discutem a possibilidade de participação militar e atuam contra a hipótese de um cessar-fogo que preserve parcela relevante da capacidade militar iraniana.

Para o mercado, esse movimento importa porque sugere um risco crescente de ampliação regional do conflito, com potencial de prolongar a instabilidade geopolítica, pressionar ainda mais os preços de energia e elevar o grau de incerteza sobre os desdobramentos no Oriente Médio.

· 04:19 — Qual a posição da China?

Embora defenda publicamente o fim do conflito com o Irã, a China pode, na prática, extrair alguns benefícios indiretos desse quadro. De um lado, a escalada no Oriente Médio obriga os Estados Unidos a deslocarem recursos militares, atenção estratégica e capacidade de resposta para a região, reduzindo ao menos parcialmente o foco sobre a Ásia e seu entorno imediato.

De outro, Pequim acompanha de perto os efeitos de um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz sobre o fluxo global de energia, utilizando esse episódio como uma espécie de laboratório geopolítico para avaliar vulnerabilidades logísticas e energéticas em cenários de interrupção de rotas críticas.

Sob essa ótica, o conflito oferece à China elementos importantes para observar, ainda que de forma indireta, como Taiwan poderia reagir diante de uma situação semelhante, especialmente no que diz respeito à sua dependência energética e à resiliência de suas cadeias de abastecimento.

No meu entendimento, contudo, a questão de Taiwan tende a ser perseguida pela China sobretudo por vias políticas, de maneira gradual ao longo dos próximos anos. Em outras palavras, por ser uma das maiores interessadas na estabilidade do fluxo energético global, e a principal usuária do Estreito de Ormuz, Pequim tem incentivo para defender a normalização da passagem o quanto antes.

· 05:08 — Setor defensivo

O conflito com o Irã, que já ultrapassa o 20º dia, lança luz sobre uma tendência mais ampla e cada vez mais evidente: a escalada consistente dos gastos militares ao redor do mundo nos últimos anos. Esse movimento tem beneficiado de forma direta as empresas ligadas ao setor de defesa e, por consequência, seus acionistas.

No mesmo período, um índice global de empresas de defesa acumula valorização de 18% em 2026, desempenho bastante superior ao do S&P 500, que registra queda no ano. Trata-se de um reflexo claro da corrida global por rearmamento, tendência estrutural que venho destacado há alguns anos há: os Estados Unidos já teriam desembolsado US$ 11,3 bilhões apenas nos seis primeiros dias da guerra com o Irã e avaliam solicitar outros US$ 200 bilhões para sustentar o conflito; Israel elevou seu orçamento de defesa para 144 bilhões de shekels, montante cerca de 120% superior ao de 2023; e, desde 2022, a União Europeia ampliou seus gastos militares em mais de 60%.

A implicação prática desse quadro é relativamente direta. Em um mundo cada vez mais marcado por tensões geopolíticas persistentes e por orçamentos militares estruturalmente mais elevados, o setor de defesa deixa de ser apenas uma aposta tática ou cíclica e passa a se firmar como uma tese estrutural de longo prazo. Nesse contexto, ETFs temáticos com foco em aeroespacial e defesa, como o já mencionado neste espaço iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39), despontam como instrumentos eficientes para capturar essa tendência estrutural por meio de uma exposição diversificada ao setor. Ainda assim, convém preservar disciplina na alocação. Posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com um limite agregado ao redor de 5% para a classe de ativos temáticos, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco mais adequada, respeitando não apenas o caráter estrutural da tese, mas também a volatilidade inerente a esse tipo de investimento.

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Nvidia (NVDC34): por dentro de um dos eventos mais relevantes de inteligência artificial no mercado

23 de Março de 2026, 10:00

Prezados, pedi para o Matheus Spiess me ceder o espaço da newsletter diária dele para poder contar um pouco do que pude vivenciar durante a última semana, enquanto estive nos Estados Unidos para participar do GTC 2026 – evento organizado pela Nvidia, na qual pessoas de todo o mundo foram para a cidade de San Jose, no estado da Califórnia, para saber mais dos avanços na tecnologia da Inteligência Artificial.

Entretanto, nada disso passou ileso com os acontecimentos dos últimos dias relacionados a guerra no Irã. O que muitos acreditavam (ou esperavam) era que o conflito fosse resolvido facilmente, mas a resistência apresentada pelo Irã, aliada as decisões que comprometem o fluxo de petróleo e gás natural pelo Estreito de Hormuz tem aumentado a volatilidade nos ativos internacionais.

Não à toa, os principais índices americanos apresentam forte desvalorização em março. O S&P 500 e o Nasdaq, por exemplo, caem 5% no período. Já o Russell 2000, que era o principal beneficiário de uma possível retomada no corte de juros por parte do Fed, se desvalorizava mais de 10% das máximas.

Contudo, o que posso afirmar que tudo que presenciei nos últimos dias, ainda que sofra com esses eventos, está apenas nos primeiros passos. Talvez essas quedas abram uma oportunidade única para quem ainda não tem parte do seu portfólio investido em ativos ligados a IA, já que ela mudará drasticamente o mundo nos próximos anos.

01:38 – Algo construído ao longo de duas décadas

Apesar de ter construído inicialmente a sua fama no design de GPUs (popularmente conhecidas como placas de vídeo), a grande virada de chave da Nvidia foi com o desenvolvimento do CUDA – sigla para “Compute Unified Device Architecture”, algo como “Arquitetura de Dispositivo para Computação Unificada” – em 2006.

Explicando de maneira simples, essa plataforma permitiu que diversos softwares pudessem utilizar as GPUs para outras necessidades de computação que não apenas a geração de imagens – elevou o mercado endereçável da Nvidia a um outro patamar. 

Tanto que, a partir de então, a empresa que ficou conhecida por ter cunhado o termo GPU passou ser conhecida também por ser responsável pelas GPGPU: “General-Purpose Computing”, ou computação de propósito geral.

E essa guinada acabou criando um ciclo virtuoso para a Nvidia

A partir da sua base instalada, vários desenvolvedores passaram a utilizar essas GPUs para estudos e pesquisas nos mais variados campos de atuação. Com as descobertas feitas ao longo do tempo, o ecossistema é atualizado com novas aplicações, plataformas e livrarias, que acaba levando novas pessoas a utilizarem os seus produtos, aumentando ainda mais a base de usuários.

  • VEJA MAIS: Ferramenta automatizada “varre” o mercado de criptomoedas em busca de retornos de até R$ 1 milhão – veja como acessar 

02:56 – Show do Trilhão

A expansão no uso dos chips em diversas indústrias da economia global, como saúde, serviços financeiros, robótica, entre outros, fez com que a demanda por esses produtos explodisse nos últimos anos.

Mesmo com o mercado questionando a sustentabilidade dos investimentos necessários para o pleno desenvolvimento da IA, o CEO Jensen Huang sempre gosta de frisar que estamos apenas no começo de uma “nova Revolução Industrial”.

E isso reflete nos números divulgados pelo executivo na sua apresentação: menos de 6 meses depois de afirmar que espera que a Nvidia gere receitas da ordem de US$500 bilhões entre 2025 e 2026, a projeção até 2027 é de que esse valor ultrapasse o US$1 trilhão.

03:44 – Gargalos e mais gargalos

Importante salientar, porém, que esses números poderiam ser ainda maiores caso a indústria conseguisse atender a demanda, principalmente dos grandes provedores de computação em nuvem e de algumas das startups responsáveis pelos principais modelos atualmente, como a OpenAI e a Anthropic.

Além da questão energética e da força de trabalho – dois pontos levantados por diversos executivos durante o evento –, o mercado de memória também tem ficado no centro das discussões.

Atualmente dominado por três empresas (as sul-coreanas SK Hynix e Samsung, além da americana Micron), o aumento dos modelos e da capacidade de contextualização dos mesmos fez crescer significativamente a necessidade pelas memórias HBM.

E pelas conversas durante o evento, essa incapacidade de não conseguir atender a demanda deve continuar pelos próximos anos. O presidente do conselho da SK Hynix comentou que, para eles, essa restrição deve continuar até 2030.

04:47 – O que não significa que não tenham críticas

Ainda que detenha cerca de 90% do mercado de chips de IA, alguns participantes do evento entendem que a Nvidia conseguiria manter um poder ainda maior caso estendesse o seu ritmo de lançamento.

Um executivo da Cisco, apesar de reconhecer a superioridade dos produtos da empresa (ainda mais por conta do ecossistema proveniente do CUDA), entende que a companhia poderia fazer novos lançamentos no espaço de três anos, e não na cadência anual (a cada ano).

Para ele, o lançamento de novos sistemas poderia afastar o investimento de algumas empresas e indústrias. Afinal de contas, sabendo que o produto do ano que vem será ainda mais potente, por que dispender milhões (em alguns casos, bilhões) em algo que seria algo desatualizado com pouco tempo?

Só que quem esperar muito pode acabar ficando para trás na corrida tecnológica. O sistema Vera Rubin, lançado no evento, tem a capacidade de gerar 35 vezes mais tokens que o sistema Blackwell (que é, até então, o produto de maior sucesso da companhia). E Huang já fez questão de afirmar que o sistema Feynman já está em desenvolvimento, com previsão de lançamento em 2028.

M5M+ – Value Investing com um toque de tecnologia

Após minha participação no GTC 2026, fui para Nova Iorque participar de uma conferência de Value Investing.

Contando com a presença de investidores importantes do mercado americano, como Mario Gambelli (GAMCO) e John Rodgers, Jr (Ariel Investments), entendia que seria importante ter a visão do momento atual dos mercados por aqueles que buscam implementar a estratégia ensinada por Benjamin Graham.

Ainda que o foco fosse em empresas de mercados mais desenvolvidos, como o americano ou o europeu, foi interessante presenciar a defesa de duas teses voltadas ao mercado brasileiro – uma sugerindo o investimento em Natura e a outra defendendo Brasil como um dos principais mercados emergentes para se apostar nos próximos anos.

Só que a surpresa maior ficou de fato com a recomendação das ações da Amazon (B3: AMZO34 | Nasdaq: AMZN), uma das maiores empresas do mundo e com um grande foco em tecnologia.

Não que eu não goste da tese, muito pelo contrário. Entendo que, nos preços atuais, as ações da “Loja de Tudo” estão em um patamar altamente atrativo para aqueles investidores com foco no longo prazo.

A surpresa é mais pelo fato de que após anos e anos uma ação para aqueles investidores focados mais no “Growth Investing”, o avanço nos resultados nos últimos anos e a performance abaixo do índice no passado recente fez com que a companhia passasse a entrar no filtro daqueles voltados ao “Value Investing”.

E caso mais investidores também passem a olhar com mais afinco para a tese, entendo que ela não deva permanecer muito tempo nos níveis que se encontram – a gestora no evento, inclusive, tem um preço-alvo acima dos US$300 para a ação, o que indicaria algo como 50% dos US$205 que estão sendo negociadas atualmente.

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Selic a 14,75% ao ano, inflação, greve dos caminhoneiros e Ibovespa no ‘fogo cruzado’: veja destaques do Empiricus PodCa$t neste sábado (21)

21 de Março de 2026, 09:00

A semana que se encerra neste sábado (21) não veio sem suas emoções no mercado. Na última quarta-feira (18), o Copom optou por reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, deixando-a em 14,75% ao ano. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve os juros no mesmo patamar por lá.

Enquanto isso, o conflito no Oriente Médio segue:

  • Expandindo a aversão ao risco nos mercados,
  • Levando o Ibovespa à queda nos últimos pregões;
  • Mantendo o preço do petróleo acima dos US$ 100.

O petróleo em alta, inclusive, levanta discussões sobre pressão na inflação brasileira, especialmente nos setores de alimentos, transportes e combustíveis, e uma possível greve dos caminhoneiros tomou conta dos noticiários. E agora, como o investidor deve se posicionar nesse momento?

Esses são os destaques do novo episódio do Empiricus PodCa$t, que foi ao ar nesse sábado (21), com a participação de Lais Costa, analista de renda fixa e fundos de investimento da Empiricus Research, e Bruno Henriques, head de renda variável do BTG Pactual. Clique abaixo e confira:

Selic a 14,75% ao ano, e agora?

Em um tom dovish, o Copom optou por iniciar o ciclo de corte de juros no Brasil, que já estava previamente contratado para sua reunião da última quarta-feira (18).

Porém, o tom do comunicado deu a entender que os próximos passos estão em aberto, justamente por conta do cenário de incerteza e pressão inflacionária nos mercados.

Os dados da inflação (IPCA) do mês de fevereiro vieram levemente acima do esperado pelo mercado (0,7%, contra 0,6% das expectativas). Para Lais Costa, os últimos dados ainda não refletem os riscos da guerra.

Porém, o mercado segue sob temores de que a alta no petróleo pressione os preços dos alimentos, combustíveis e transportes a partir dos próximos meses.

Greve dos caminhoneiros no radar: o que esperar?

Temores sobre uma nova greve dos caminhoneiros, aos moldes daquela vista em 2018, tomaram conta do mercado durante a semana.

Na sexta-feira (20), Renan Filho, ministro dos Transportes do governo Lula, afirmou que o risco de greve foi afastado, após o governo publicar uma Medida Provisória (MP) endurecendo as regras de fiscalização do piso mínimo do frete, o que pode favorecer os caminhoneiros.

Porém, apesar de “afastado”, o risco de paralização pode não ser totalmente descartado por ora, dada a imprevisibilidade do cenário do petróleo no futuro próximo.

Onde investir agora?

Segundo Lais Costa, especialista em renda fixa e fundos de investimento, a redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros “muda muito pouco” para o investidor pessoa física no momento, mas alguns títulos de renda fixa em especial devem estar no radar de quem deseja aproveitar a janela de oportunidades.

Já para Bruno Henriques, do lado da renda variável, “vale a pena olhar a bolsa brasileira com carinho” após a semana de quedas no Ibovespa, especialmente no caso de investidores com posições pequenas em bolsa. “Não acho que passou o bonde [da bolsa]”, afirma.

Durante o programa, os analistas compartilharam suas recomendações para o momento na íntegra. Para conferi-las, assista ao episódio. Basta clicar logo abaixo:

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Ibovespa hoje: caminhoneiros suspendem ameaça de greve, mas petróleo segue em montanha-russa; veja os destaques da sexta (20)

20 de Março de 2026, 10:00

A semana foi marcada por forte instabilidade nos mercados, com os investidores tentando encontrar algum ponto de equilíbrio enquanto aguardam os próximos desdobramentos da guerra ao longo do fim de semana. O petróleo seguiu em verdadeira montanha-russa: depois de quase tocar US$ 120 por barril na quinta-feira, o Brent recuou para a faixa de US$ 108 a US$ 109, apoiado por declarações de Benjamin Netanyahu de que Israel não pretende mais atacar a infraestrutura energética, de que ajudará os Estados Unidos na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz e de que a guerra pode terminar antes do que muitos imaginam.

Também contribuíram para esse alívio momentâneo as falas do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que mencionou a possibilidade de flexibilização das sanções sobre petróleo iraniano retido em navios-tanque, eventual liberação adicional de reservas estratégicas e, ainda, a licença americana para a venda de petróleo russo já embarcado. Ainda assim, esse alívio parece bastante frágil.

Ao mesmo tempo, o pano de fundo macroeconômico ficou ainda mais desafiador. Os principais bancos centrais do mundo entraram em modo de cautela máxima: Fed, BCE, Banco da Inglaterra, Banco do Japão, PBoC e outras autoridades monetárias mantiveram os juros inalterados, com o banco central chinês se tornando o oitavo a não alterar a taxa desde quarta-feira. Nos mercados, a reação foi de direção dispersa: Ásia mais fraca, Europa levemente positiva e futuros americanos mistos.

· 00:53 — Sem greve…

No Brasil, o noticiário trouxe algum alívio de curto prazo. Os caminhoneiros decidiram suspender por uma semana a ameaça de greve nacional enquanto negociam com o governo federal a aplicação da medida provisória que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete e prevê multas elevadas para empresas que descumprirem a tabela. Ao mesmo tempo, a equipe econômica propôs aos estados uma redução do ICMS sobre o diesel importado, com compensação parcial da União, numa tentativa de suavizar a alta dos combustíveis, embora a medida ainda enfrente resistência política por parte dos governadores e dependa de discussão no Confaz. Em paralelo, ajudou também o alívio vindo do exterior, após as declarações de Benjamin Netanyahu de que Israel não pretende mais atacar infraestrutura energética. Com isso, o Ibovespa voltou a superar os 180 mil pontos e o dólar recuou para R$ 5,21. O movimento, no entanto, ajuda a ilustrar o quão frágil segue o equilíbrio atual: os ativos continuam bastante sensíveis, e mesmo sinalizações positivas ainda limitadas já são suficientes para produzir algum alívio tático como o que vimos ontem.

Ainda assim, o ambiente permanece longe de uma verdadeira tranquilidade. O mercado segue ansioso pela ata do Copom, na próxima semana, que poderá esclarecer melhor como o Banco Central está avaliando os próximos passos da política monetária em um contexto de petróleo elevado, incerteza externa e ruído doméstico. No campo político, Fernando Haddad foi lançado como pré-candidato ao governo de São Paulo, acrescentando uma nova camada de rearranjo a um ambiente já delicado. Com isso, ele deixaria o Ministério da Fazenda, abrindo espaço para a ascensão de Dario Durigan, hoje secretário-executivo da pasta. A eventual transição ocorre em um momento especialmente sensível, já que o principal desafio seguirá sendo conter a expansão dos gastos públicos e preservar alguma disciplina fiscal, tarefa que tende a se tornar ainda mais difícil à medida que o calendário eleitoral se aproxima.

· 01:47 — Só no ano que vem

Nos EUA, o mercado viveu ontem mais um pregão dominado pelo petróleo e pela guerra com o Irã: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam em queda pelo segundo dia consecutivo, embora tenham amenizado as perdas no fim da sessão após o Brent recuar de perto dos US$ 120 para abaixo dos US$ 110. Ainda assim, o pano de fundo segue bastante desconfortável. O conflito não apenas mantém elevada a pressão sobre os preços de energia, mas também começa a contaminar cadeias globais de suprimento muito além do petróleo, ampliando o risco de inflação mais persistente e de desaceleração econômica. Esse quadro encontra um Federal Reserve claramente mais duro: Powell praticamente afastou a possibilidade de cortes de juros enquanto durar a guerra e a desinflação não voltar a avançar de forma convincente. Como consequência, a curva de juros já postergou a retomada do ciclo de cortes para o ano que vem, reforçando a percepção de que o investidor americano agora enfrenta uma combinação indigesta de energia cara, juros altos por mais tempo e atividade sob pressão.

· 02:31 — Tom duro

Desde quarta-feira, o G4 dos bancos centrais (Federal Reserve, Banco do Japão, Banco da Inglaterra e Banco Central Europeu) concluiu suas decisões de política monetária e, embora nenhum deles tenha elevado os juros, o tom adotado foi claramente mais duro. A guerra no Irã e a alta da energia começam a contaminar as expectativas inflacionárias e tornam o ambiente global mais delicado para qualquer flexibilização monetária. Na Europa, isso ficou particularmente evidente: se o choque de energia continuar deteriorando a inflação e desancorando expectativas, uma alta de juros já no próximo mês pode entrar no radar do BCE, relembrando o precedente da inflação pós-invasão da Ucrânia em 2022. O BCE manteve a taxa de depósito em 2%, mas já admite cenários em que o conflito empurre a inflação muito acima da meta, inclusive com projeção de 6,3% no início de 2027, acompanhada de uma breve recessão na zona do euro. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra também manteve os juros em 3,75%, mas com voto unânime e mensagem firme de que está pronto para agir caso o choque de energia se torne mais persistente, a ponto de o mercado já passar a embutir 75 pontos-base de alta à frente. Em outras palavras, mesmo sem subir juros agora, os grandes bancos centrais sinalizam que o choque geopolítico piorou o balanço de riscos. E isso, naturalmente, não é uma boa notícia para os ativos de risco.

· 03:24 — Sem previsão para acabar

A guerra com o Irã se intensificou de forma relevante nos últimos dias: após Israel atacar um campo de gás iraniano, Teerã respondeu com um ataque ao complexo de Ras Laffan, no Catar, causando danos extensos à maior planta de GNL do mundo. Duas instalações responsáveis por cerca de 17% das exportações de GNL do país, ou algo como 13 milhões de toneladas por ano, foram afetadas e podem levar de três a cinco anos para serem reparadas. Ao mesmo tempo, surgiu uma aparente divergência entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump sobre o grau de conhecimento prévio de Washington em relação aos ataques à infraestrutura energética, enquanto o Pentágono já busca cerca de US$ 200 bilhões adicionais para financiar a guerra, depois de um conflito que já consumia aproximadamente US$ 12 bilhões até o último domingo, perto de US$ 1 bilhão por dia — em meio a um Congresso inquieto com a dimensão da operação. Ainda estamos dentro do prazo dado pela Casa Branca de quatro a seis semanas para o fim do conflito, mas a falta de previsibilidade incomoda.

O problema é que a guerra segue longe de uma solução e já produz efeitos econômicos globais muito mais amplos do que apenas a alta do petróleo. Com o Estreito de Ormuz travado e sem plano para reabri-lo rapidamente, os EUA enfrentam um problema estratégico e político para Trump: os objetivos da guerra não estão claros, os custos aumentam, não há um culpado fácil a quem transferir o desgaste e Washington não parece ter capacidade de forçar uma normalização rápida sem uma escalada muito maior. Enquanto isso, o impacto já se espalha por cadeias globais de suprimento: além de petróleo e gás, ficam ameaçados fertilizantes, tecidos sintéticos, hélio para semicondutores, autopeças, embalagens e diversos outros insumos, o que remete a um choque em cascata semelhante, em lógica, aos primeiros momentos da pandemia. Em resumo, o cenário aponta para mais algumas semanas de conflito, efeitos inflacionários disseminados e danos econômicos que podem continuar se propagando por meses a depender da demora para o fim do conflito.

· 04:12 — Quem está ganhando com essa guerra?

As medidas emergenciais de EUA e AIE, como a autorização temporária para venda de petróleo russo já embarcado e a ampliação da liberação de reservas estratégicas para 426 milhões de barris, trouxeram apenas um alívio momentâneo a um mercado ainda extremamente volátil, já que o Estreito de Ormuz segue sem normalização efetiva. Nesse contexto, o grande vencedor geopolítico inesperado é a Rússia: com o Brent perto de US$ 100, o petróleo russo voltou a ganhar valor, o alívio parcial das sanções reduz a pressão sobre o Kremlin e melhora substancialmente a situação fiscal de Moscou, enfraquecendo o argumento de que a deterioração econômica forçaria concessões na guerra da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, a guerra com o Irã desloca a atenção e os recursos do Ocidente, piorando a posição ucraniana no campo militar e diplomático. Sistemas de defesa aérea passam a ser redirecionados ao Golfo, a pressão por negociações com Moscou esfria, as sanções perdem força política e Putin ganha tempo, caixa e espaço para manter exigências máximas. Mesmo sem se envolver diretamente no conflito, a Rússia colhe os dividendos de uma guerra que desgasta os EUA, expõe fragilidades da coordenação ocidental e reforça a percepção, cara ao Kremlin, de que o poder americano tem limites práticos quando confrontado por choques assimétricos prolongados.

· 05:08 — Não tem reagido

Na conferência GTC desta semana, a Nvidia entregou praticamente tudo o que Wall Street queria ouvir: Jensen Huang reforçou a ideia de que a empresa é uma plataforma completa para IA — não apenas uma fabricante de GPUs, mas uma companhia verticalmente integrada e capaz de operar com qualquer infraestrutura tecnológica. O grande destaque foi a projeção de que as vendas ligadas aos chips de IA podem atingir pelo menos US$ 1 trilhão até 2027, número que, mesmo restrito às plataformas Blackwell, Rubin, redes e CPUs associadas, ainda assim veio acima do que o mercado embutia nas estimativas.

Ainda assim, a reação das ações mostrou um padrão curioso que vem se repetindo: mesmo diante de notícias muito fortes, o papel tem dificuldade de sustentar altas. As ações chegaram a subir durante a apresentação, mas devolveram os ganhos e encerraram abaixo do nível em que estavam no início do evento.

Em outras palavras, a Nvidia continua entregando fundamentos impressionantes, mas o mercado parece cada vez mais exigente, como se resultados excelentes já fossem tratados como obrigação, e não mais como surpresa positiva. Para o investidor, esse tipo de comportamento (perda momentânea de fôlego) pode abrir uma boa janela para construir ou reforçar posição nas BDRs NVDC34, como forma prática de se expor a uma das teses centrais da revolução de IA.

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Santander (SANB11), Cemig (CMIG4), Lojas Renner (LREN3) e outros destaques desta sexta-feira (20)

20 de Março de 2026, 08:59

A dança das cadeiras entre os CEOS do Santander (SANB11) e B3 (B3SA3), o balanço referente ao quarto trimestre de 2025 da Cemig (CMIG3) e os juros sobre o capital próprio da  Lojas Renner (LREN3), são alguns dos destaques corporativos desta sexta-feira (20).

Confira os destaques corporativos de hoje

Mário Leão deixa Santander (SANB11) e CEO da B3 (B3SA3) assume

Duas gigantes da bolsas deverão contar novos CEOs em breve. Mário Leão, CEO do Santander (SANB11) que está no cargo desde 2022, deixará o posto. Em seu lugar, entrará Gilson Finkelsztain, CEO da B3 (B3SA3) desde 2017.

Em comunicado enviado ao mercado, a B3 confirmou que Finkelsztain não será mais CEO. De acordo com o comunicado, o executivo permanecerá no cargo no final do primeiro semestre de 2026.

“A decisão foi tomada de comum acordo entre o executivo e o conselho de administração, no contexto de um processo estruturado de sucessão, iniciado com a devida antecedência”, diz a nota.

Já o Santander também agradeceu Leão, que também irá ficar no cargo até junho.

Finkelsztain chegou a ficar próximo de uma cadeira no conselho de administração do Santander, função que exerceria simultaneamente ao comando da B3.

Lucro líquido da Cemig (CMIG3) cresce 88% e fica em R$ 1,88 bilhão no 4T25

Cemig (CMIG3) teve lucro líquido de R$ 1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, aumento de 88% sobre o desempenho de um ano antes, segundo balanço divulgado na noite de quinta-feira (19).

A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda consolidado de R$ 2,95 bilhões, aumento de 53,9% sobre o quarto trimestre de 2024. A companhia disse que o acordo homologado pelo TRT resultou em um efeito positivo líquido de R$ 1,19 bilhão no Ebitda do trimestre e R$ 788,1 milhões no lucro.

A receita líquida do quarto trimestre cresceu 2,9% no período, para R$ 11,50 bilhões, segundo o balanço.

A Cemig, também na quinta-feira (19),  aprovou a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor total de R$ 657,957 milhões.

O valor bruto do provento corresponde a R$ 0,23000005834 por ação, contemplando os acionistas detentores de ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN).

Terão direito ao pagamento os investidores com posição acionária em 24 de março de 2026. A partir de 25 de março de 2026, os papéis da companhia passam a ser negociados na condição “ex-direitos”.

O pagamento será realizado em duas parcelas iguais: a primeira até 30 de junho de 2027 e a segunda até 30 de dezembro de 2027.

Lojas Renner (LREN3) aprova JCP de R$ 217,4 milhões

Lojas Renner (LREN3) aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) de R$ 217,4 milhões, informou a companhia em aviso aos acionistas divulgado na noite de quinta-feira (19).

O valor bruto corresponde a R$ 0,222698 por ação, considerando a base de 976,3 milhões de ações ordinárias, já excluídas as ações em tesouraria.

Terão direito ao provento os acionistas com posição em 24 de março de 2026. A partir de 25 de março de 2026, inclusive, os papéis da varejista passam a ser negociados na condição “ex-JCP”.

O pagamento será feito a partir de 14 de abril de 2026, sem atualização monetária. Como de praxe nesse tipo de remuneração, haverá incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme a legislação vigente, exceto para investidores imunes ou isentos que comprovarem essa condição dentro do prazo estabelecido pela companhia.

Riachuelo (RIAA3) desiste de oferta de ações que poderia captar R$ 400 milhões

Riachuelo (RIAA3) informou ao mercado a suspensão dos estudos para a realização de uma oferta pública subsequente de distribuição primária de ações (follow-on), tendo em vista a recente instabilidade do cenário geopolítico e consequente volatilidade do mercado de capitais.

Em fevereiro deste ano, a varejista confirmou que preparava uma operação que poderia levantar o valor inicial de R$ 400 milhões.

“A suspensão da potencial oferta não acarreta qualquer modificação no direcionamento de longo prazo da companhia, que permanece integralmente focada na execução de suas prioridades estratégicas, considerando a sua sólida estrutura financeira atual”, afirma a Riachuelo.

Os recursos da captação teriam como destino iniciativas de expansão e fortalecimento operacional, incluindo aceleração da abertura e reforma de lojas, investimentos em centros de distribuição e na indústria, expansão das operações da Midway Financeira e reforço do capital de giro.

Tupy (TUPY3) amplia prejuízo a R$ 626,5 milhões no 4T25

A Tupy (TUPY3) teve prejuízo líquido de R$ 626,5 milhões no quarto trimestre de 2025, bem acima da perda de R$ 97,7 milhões registrada um ano antes, divulgou nesta quarta-feira a multinacional brasileira do setor de metalurgia.

No material de divulgação do balanço, a companhia citou um impacto de R$ 544 milhões no resultado decorrente de iniciativas de reestruturação realizadas e provisionadas ao longo do ano baseadas na execução do projeto de desmobilização de capacidade, decorrentes de iniciativas de otimização da capacidade e de realocação da produção para linhas mais eficientes

De acordo com a Tupy, tais iniciativas contribuirão para o aumento das margens, da geração de caixa e do retorno sobre o capital investido (ROIC).

O resultado do quarto trimestre também mostrou queda de 12,4% nas receitas, para R$2,18 bilhões, refletindo, principalmente, o menor volume de vendas nas aplicações para veículos comerciais, segundo a companhia.

Grupo Panvel (PNVL3) tem alta de 35% no lucro do 4T25

Grupo Panvel (PNVL3) teve lucro líquido ajustado de R$ 45,2 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 35% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo balanço publicado na quinta-feira (19).

A rede de varejo farmacêutico apurou resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 105 milhões no quarto trimestre, alta de 28%.

A empresa teve receita líquida de R$ 1,56 bilhão no período, um crescimento de 16,3% na comparação com o quarto trimestre de 2024.

O grupo atribui o resultado positivo ao crescimento das vendas no trimestre, impulsionado pelo ganho de produtividade das lojas.

ISA Energia (ISAE4): Conselho de administração aprova plano de conversão de ações

O conselho de administração da ISA Energia (ISAE4) aprovou a conversão de ações ordinárias em ações preferenciais da companhia, mostra fato relevante divulgado na noite de quinta-feira (19).

De acordo com o documento, a conversão das ações tem pelos acionistas tem início nesta sexta-feira (20) e poderá ocorrer até o dia 3 de abril, observando o limite individual de até 3% do capital social.

A elétrica disse ainda que a conversão está limitada ao percentual total de 5% do capital social da companhia.

O conselho também aprovou o pedido de conversão por parte do seu acionista Axia Energia (AXIA3) de cerca de 19,8 milhões de ações.

*Com informações da Reuters

Ibovespa hoje: entre decisões de juros e nova alta do petróleo, veja os destaques desta quinta (19)

19 de Março de 2026, 10:55

O cenário global segue pressionado por uma combinação particularmente adversa: choque de petróleo, postura mais dura do Federal Reserve e escalada geopolítica no Oriente Médio. O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, como esperado, mas adotou um tom claramente hawkish (duro), afastando a possibilidade de cortes no curto prazo e empurrando as expectativas de afrouxamento para o fim do ano, em meio a dados de inflação mais fortes. Ao mesmo tempo, os ataques entre Irã e Israel a infraestruturas energéticas estratégicas, incluindo a maior planta de GNL do mundo, no Catar, impulsionaram o Brent para mais de US$ 110 por barril, ampliando os temores em torno da oferta global de energia, especialmente com o fluxo pelo Estreito de Ormuz ainda comprometido. O resultado foi um ambiente típico de risk-off, com queda nas bolsas, fortalecimento do dólar e aumento da aversão ao risco. 

Em paralelo, os principais bancos centrais do mundo seguem adotando uma postura de cautela. Fed, Banco da Inglaterra e Banco do Japão mantiveram os juros inalterados, refletindo o elevado grau de incerteza e os riscos inflacionários associados à energia (BCE deve manter inalterado também). O Brasil, por sua vez, iniciou seu ciclo de cortes, ainda que de forma gradual. Contudo, a leitura é de que a autoridade monetária acabou caminhando por uma comunicação mais flexível que o esperado. Ainda assim, o pano de fundo global permanece marcado por elevada instabilidade: novas ameaças e retaliações no Golfo elevam o risco de danos mais duradouros à infraestrutura energética, enquanto medidas pontuais, como as tentativas dos Estados Unidos de conter os preços, têm alcance limitado. Com isso, o mercado passa a considerar cenários mais extremos para o petróleo e seus efeitos sobre inflação e atividade, reforçando a leitura de um ambiente global mais volátil, mais inflacionário e cada vez mais dependente da evolução do conflito. 

· 00:57 — O corte que desagradou todo mundo 

Por aqui, o mercado deve concentrar suas atenções na digestão da decisão de política monetária anunciada pelo Banco Central na noite de ontem (18), ao mesmo tempo em que segue acompanhando o cenário internacional, especialmente as decisões de juros nos Estados Unidos e o noticiário envolvendo o conflito no Oriente Médio. Como vínhamos antecipando, o Copom optou por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa para 14,75%. O início mais gradual do ciclo não surpreende, dado o ambiente mais desafiador: dados recentes menos favoráveis à desinflação, o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril e a reemergência de riscos domésticos, como a possibilidade de greve dos caminhoneiros.

Nesse último ponto, o governo já anunciou e antecipou medidas para conter o preço do diesel, incluindo pressão pela redução do ICMS sobre importações e reforço na fiscalização do frete. Ainda assim, a avaliação predominante é de que tais iniciativas têm caráter paliativo e impacto limitado sobre a inflação. Vale destacar que, embora o tema traga à memória o episódio de 2018, a probabilidade de um movimento semelhante é hoje mais baixa, dada a menor coordenação nacional da categoria e um contexto menos favorável à mobilização. 

Voltando à decisão do Copom, o Banco Central evitou contratar explicitamente novos cortes, deixando o próximo passo em aberto e dependente dos dados e da evolução do cenário externo até a reunião de abril. Ainda assim, a leitura do mercado foi de um tom relativamente dovish diante das circunstâncias. Um dos principais pontos foi a revisão modesta da projeção de inflação para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, que subiu apenas de 3,2% para 3,3%, abaixo das expectativas que apontavam para algo entre 3,5% e 3,7%, mesmo diante do choque recente de petróleo. Isso sugere uma visão mais benigna sobre os impactos inflacionários.

Além disso, parte da justificativa para o corte ainda se apoia na desaceleração observada no final do ano passado, embora os dados mais recentes indiquem uma reaceleração da atividade, o que torna essa leitura, na margem, menos atual. A troca de terminologia de “flexibilização” para “calibração” reforça a ideia de continuidade do processo, ainda que em ritmo mais moderado. Em outras palavras, o BC sinaliza intenção de seguir cortando juros, mas com espaço cada vez mais restrito, o que levanta dúvida sobre o risco de perda de credibilidade caso o cenário se deteriore. Esse ponto deve ganhar maior clareza na ata da próxima semana, e nas comunicações subsequentes. 

Diante desse contexto, com um ambiente externo já marcado por maior aversão a risco e um Fed mais duro, a tendência é de reação mais negativa dos ativos domésticos no curto prazo, especialmente via pressão cambial. O real, por sua vez, pode perder força frente ao dólar, ao menos neste curto prazo, que segue se beneficiando do diferencial de juros e do movimento global de busca por proteção. 

· 01:42 — Hawk até o fim do conflito 

O Federal Reserve manteve os juros inalterados, em linha com o esperado pelo mercado e com o que já vinha destacando, mas a comunicação de Jerome Powell trouxe um tom mais cauteloso e, na margem, mais duro para a condução da política monetária. O presidente do Fed afastou a possibilidade de cortes no curto prazo, condicionando o início do afrouxamento ao arrefecimento das incertezas geopolíticas — em outras palavras, ao fim do conflito — e à retomada mais consistente do processo de desinflação. Powell chegou a admitir que uma alta de juros foi discutida, ainda que não seja o cenário-base. A reação do mercado foi imediata: as expectativas de corte foram empurradas para o fim do ano, especialmente dezembro, contribuindo para quedas relevantes nas bolsas americanas, deterioração técnica de curto prazo e fortalecimento do dólar globalmente, refletido no avanço do Dollar Index

No Sumário de Projeções Econômicas, as estimativas vieram relativamente estáveis, mas com ajustes relevantes. Houve revisões altistas para a inflação no curto prazo e uma elevação da taxa neutra, sugerindo que a política monetária pode estar menos restritiva do que se supunha anteriormente (péssimo sinal para quem espera novos cortes de juros). O balanço de riscos também se tornou mais desafiador, com maior preocupação com a inflação e menor risco de desaceleração econômica, além de maior dispersão entre os membros do comitê — no gráfico de pontos, embora a mediana ainda indique um corte de 25 pontos-base em 2026, o número de dirigentes que compartilham dessa visão diminuiu, sinalizando uma postura mais conservadora. Ao mesmo tempo, revisões positivas para crescimento potencial e produtividade acabam limitando o espaço para uma flexibilização mais agressiva à frente.  

Vale destacar também que, apesar de parte do mercado esperar mais dissidências a favor de cortes (especialmente após dados mais fracos do mercado de trabalho), houve apenas um voto divergente, de um indicado de Trump, reforçando a coesão interna do Fed na decisão de manter os juros. Em síntese, o banco central entra em modo de “esperar para ver” (o fim do conflito, principalmente), mas com clara prioridade no controle da inflação. Em um ambiente global mais incerto, isso torna a trajetória de juros menos previsível e potencialmente mais longa do que o antecipado. 

· 02:35 — Dominando o discurso corporativo 

A inteligência artificial, especialmente a IA generativa, passou a dominar o discurso corporativo nos EUA, com executivos do S&P 500 mencionando o tema mais vezes do que os próprios resultados financeiros, refletindo seu papel central nas estratégias de crescimento e valorização. O foco agora está nos chamados “agentes de IA”, capazes de automatizar tarefas e aumentar eficiência — movimento que já se traduz em demissões e reestruturações em diversas empresas, além de adoção acelerada por bancos, varejistas e grandes corporações. Mesmo setores potencialmente ameaçados, como o de software, estão se adaptando, formando parcerias e incorporando essas tecnologias, em um claro sinal de que a IA deixou de ser tendência e passou a ser uma condição essencial de competitividade. 

· 03:23 — Superando os US$ 110 por barril 

As últimas horas foram marcadas por uma nova disparada nos preços de energia, refletindo a intensificação do conflito no Oriente Médio e, sobretudo, o avanço dos ataques sobre a infraestrutura energética da região. Com o Estreito de Ormuz ainda intransitável, o petróleo voltou a superar a marca de US$ 110 por barril, enquanto o gás natural na Europa registrou alta próxima de 30%, após danos à principal planta de exportação de GNL do Catar. Esse conjunto de eventos elevou de forma significativa o risco sobre a oferta global de energia e desencadeou mais uma rodada de aversão a risco nos mercados, com quedas disseminadas nas bolsas. Embora parte dos investidores ainda trabalhe com a hipótese de adaptação gradual de consumidores e empresas, os danos físicos à infraestrutura trazem um componente mais estrutural ao choque, mesmo após um possível fim do conflito nas próximas semanas, aumentando a probabilidade de efeitos mais persistentes sobre inflação e atividade. 

  • VEJA MAIS: Ferramenta automatizada “varre” o mercado de criptomoedas em busca de retornos de até R$ 1 milhão; veja como acessar 

· 04:18 — Um encontro sensível 

Donald Trump tem recuado, ao menos por ora, da pressão para que aliados estrangeiros apoiem militarmente a atuação americana no Irã. Ainda assim, a reunião com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, marcada para hoje (19), permanece cercada de tensão. O Japão, limitado por sua constituição pacifista, já havia sinalizado que não participaria de uma eventual operação para proteger a navegação no Estreito de Ormuz, o que naturalmente reduz sua margem de manobra diante de Washington. Nesse contexto, cresce em Tóquio o receio de que a recusa militar venha a ser compensada por algum tipo de exigência indireta por parte dos EUA, possivelmente na forma de concessões econômicas ou compromissos adicionais de investimento. 

· 05:06 — Aproveitando a alta das commodities 

A disrupção no Estreito de Ormuz já começa a se refletir nas expectativas de inflação, e reforça um movimento mais amplo que vinha sendo construído: a retomada das commodities, agora com sinais mais estruturais do que conjunturais. As restrições ao fluxo de petróleo, derivados, fertilizantes e outros insumos estratégicos pressionam cadeias globais de suprimento e elevam o risco de um choque de oferta relevante, possivelmente um dos mais significativos da história recente. Mesmo em um cenário de eventual normalização, o pano de fundo global continua marcado por um mundo mais fragmentado, com conflitos mais frequentes e cadeias produtivas mais vulneráveis. Esse ambiente tende a sustentar pressões sobre as commodities, especialmente em um contexto de reorganização produtiva que exige mais investimento em infraestrutura, energia e matérias-primas. 

Uma forma prática de acessar essa tese é por meio do ETF de Commodities do BTG Pactual (CMDB11), que oferece exposição a empresas brasileiras relevantes dos setores de petróleo, mineração e agronegócio, reunindo diversificação e eficiência operacional em um único ativo (40% de exposição no setor de Oil and Gas, o que o beneficia na janela atual). Na prática, o investidor não se expõe apenas ao potencial de valorização das commodities, mas também ao fluxo de caixa gerado por companhias que operam nesses segmentos, muitas das quais ainda negociam a múltiplos atrativos. Isso cria uma combinação interessante entre exposição a ativos reais e valuation descontado. Em termos históricos, as commodities seguem relativamente baratas frente a outras classes de ativos, o que reforça a leitura de que podemos estar diante do início de um novo ciclo de valorização — e, portanto, de uma oportunidade relevante de posicionamento em um ambiente global mais inflacionário e instável. 

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Preço do petróleo ‘não volta mais aos US$ 50’, diz analista que discute oportunidades de investimento nesse cenário

18 de Março de 2026, 14:45

Com a escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, culminando no fechamento do estreito de Ormuz, o petróleo à vista (tipo brent) segue negociado acima dos US$ 100 nessa semana, maior patamar dos últimos 4 anos.

Nesse cenário, investidores podem se perguntar até onde os preços podem ir, ou se é possível esperar por uma queda, uma vez que os conflitos sejam apaziguados de alguma forma.

Por enquanto, não há nenhum sinal concreto de encerramento da guerra no Oriente Médio. Mas mesmo que acordos venham, é possível que o preço do petróleo não volte a ser o que era antes.

“Se o conflito terminasse amanhã e o estreito de Ormuz fosse liberado, mesmo em uma questão de sobreoferta, entendo que o petróleo não volta mais para a casa dos 45, 50 dólares. Esse cenário saiu de cena”, afirma Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.

Ruy Hungria e Matheus Spiess, analista de macroeconomia da casa, comentaram o assunto no primeiro episódio da nova temporada do Empiricus PodCa$t, que foi ao ar no último sábado (14). Confira:

Em um mundo de conflitos, o petróleo segue sendo hedge geopolítico

Hungria explica que a guerra lembrou ao mercado que expectativas podem ser quebradas a qualquer momento, o que pode seguir refletindo no preço do petróleo por mais tempo.

“É simplesmente por conta de um prêmio de risco, o risco de que tenhamos uma quebra de oferta de alguma forma. Mesmo que o conflito passe, o mercado entendeu que não dá para tirar isso das contas. Essa incerteza já é suficiente para adicionar alguns dólares a mais ao valor do petróleo”, afirma.

“Estamos pulando de conflito em conflito. Não temos mais aquela janela prolongada de paz [no mundo]. Então, o petróleo serve de hedge geopolítico”, complementa Matheus Spiess.

O que esperar do preço do petróleo nos próximos dias?

Dada a volatilidade do cenário atual, ambos os analistas não cravam um teto de preço para o petróleo. Entretanto, a continuidade da alta não é descartada especialmente porque o governo iraniano tem interesse em escalar a guerra.

“É de interesse do Irã escalar, inviabilizando a passagem do estreito de Ormuz, por conta de seu papel fundamental na cadeia de suprimentos internacional. Não resta nada a eles, a não ser aumentar o custo econômico para o Ocidente”, afirma Spiess, que continua:

“Preços extremos são possíveis de acontecer, mas existe um cenário-base de que o conflito não dure tanto. Entretanto, não significa que não carreguemos consequências de um petróleo mais alto por algum tempo”.

Apesar disso, o analista conclui que o processo deve seguir a maior parte dos “exemplos históricos de choque geopolítico”. Isto é, a princípio, uma maior volatilidade, seguida de uma normalização nos mercados. Essa possível normalização é o ponto de maior atenção aos investidores.

“Diante dessa crise humanitária, podemos observar janelas de oportunidade para alguns ativos específicos”, conclui.

Nessas janelas de oportunidade, inclusive, há uma ação brasileira que tem sido uma das mais beneficiadas pela alta do petróleo, mas que, ao mesmo tempo, não depende desse rali para trazer boa performance.

‘Janela de oportunidade’: as ações brasileiras que podem se beneficiar do cenário atual

Dito isso, quais os “ativos específicos” recomendados pelos analistas no momento?

Ruy Hungria aponta que as petroleiras brasileiras têm se beneficiado desse cenário. Como a Petrobras (PETR4), por exemplo, que atualmente está presente em séries da Empiricus como Vacas Leiteiras e Double Income, focadas recomendações para dividendos e geração de renda extra.

Porém, a Petrobras está mais exposta ao risco político, segundo os analistas. Se o petróleo continuar subindo, o atual governo brasileiro pode se preocupar em não elevar o preço dos combustíveis.

“Combustível mais alto pega na popularidade do governo, que já está bem prejudicada ao longo dos últimos meses”, afirma Spiess. Consequentemente, é possível que “a conta da Petrobras não feche”.

Em contrapartida, a Empiricus também indica uma outra petroleira brasileira que não está exposta a esse risco e, ao mesmo tempo em que se beneficia da alta do petróleo, não depende apenas disso para gerar valor, favorecendo o ponto de entrada atual.

Essa empresa é uma “ótima geradora de caixa” e consegue “o operar com excelência a níveis de brent significativamente abaixo dos atuais”, independentemente do cenário atual, segundo o relatório.

Além disso, espera-se que seu custo de extração do petróleo fique em torno de US$ 8 por barril em 2026, valor considerado muito barato no setor. A empresa já está “ganhando muito mais dinheiro” atualmente, segundo Ruy Hungria.

“Essa empresa é a que mais gostamos, a melhor operadora entre as privadas, e tem uma grande expectativa de crescimento de produção. Ela, na verdade, é quem mais se beneficia dessa alta do petróleo”, conclui o analista no programa.

A recomendação está presente na série Melhores Ações da Bolsa, que traz as indicações da casa para o investidor que busca compounders – ações geradoras de valor intrínseco consistente ao longo dos anos.

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Você perdeu essas três notícias do mercado de criptomoedas enquanto ‘rolava’ a tela do celular

18 de Março de 2026, 14:23

Enquanto todos nós atualizávamos nossos feeds de notícias macro e geopolíticas para aliviar o estresse, três grandes acontecimentos no mundo das criptomoedas passaram completamente despercebidos nas últimas 24 horas.

1. Mastercard concorda em adquirir a BVNK por US$ 1,8 bilhão

Nunca ouviu falar da BVNK? Eu também não, mas é uma empresa de infraestrutura de stablecoins.

Pense nela como a camada de infraestrutura que permite que grandes instituições financeiras movimentem stablecoins e ativos tokenizados, sem precisar substituir toda a sua estrutura tecnológica e começar do zero.

Agora, a Mastercard está adquirindo empresas como essa em massa. Não porque queiram se tornar uma empresa de criptomoedas em si – eles querem continuar sendo a Mastercard de hoje.

Mas a BVNK permite que eles façam o que já fazem, ao mesmo tempo em que também capturam a movimentação de dinheiro on-chain em mais de 130 países.

Essa história parece familiar? No ano passado, a Stripe adquiriu a Bridge (outra empresa de infraestrutura de stablecoins). Agora, a Mastercard adquire a BVNK.

O padrão está ficando mais claro: os gigantes do setor financeiro tradicional não estão construindo suas próprias infraestruturas de criptomoedas, mas sim comprando empresas que já as construíram.

2. Cinco bancos dos EUA anunciam que estão depositando na blockchain

Não são stablecoins. São depósitos bancários reais, representados em uma blockchain.

Os bancos: Huntington Bancshares, Old National Bancorp, First Horizon, M&T Bank e KeyCorp.

Todos estão testando algo chamado Cari Network: uma plataforma de depósito tokenizada construída sobre o Prividium da ZKsync. Basicamente, é uma camada de preservação de privacidade projetada especificamente para instituições financeiras:

  • Transações são verificadas sem expor os dados;
  • Concorrentes não podem ver suas posições;
  • Órgãos reguladores ainda podem auditar tudo.

Eis o motivo pelo qual isso causa um impacto diferente: O dinheiro continua segurado pelo FDIC, dentro do perímetro regulatório. O banco não muda – mas a infraestrutura que o sustenta, sim.

Liquidações de processos, que antes levavam dias, agora levam apenas segundos. E tudo funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Eu entendo, esses bancos não são o JPMorgan ou o Bank of America, estão no nível intermediário dos bancos regionais… mas, se funcionar, os grandes seguirão o exemplo.

Por fim,

3. Bitmine (BMNR) acaba de fazer três movimentos simultâneos

A Bitmine (NYSE: BMNR) liderou uma rodada de financiamento de US$ 125 milhões para a Eightco (Nasdaq: ORBS), investindo US$ 75 milhões.

A Eightco usou US$ 50 milhões desses recursos para comprar uma participação na OpenAI, dona do ChatGPT.

E enquanto tudo isso acontecia, a Bitmine aumentou silenciosamente suas reservas de ethereum (ETH), chegando a 4.595.562. Isso representa um aumento de 65.000 ETH em sete dias.

Junte tudo isso, e a leitura fica cristalina:

A BMNR não está escolhendo entre criptomoedas e inteligência artificial (IA). Estão apostando em um mundo onde os dois convergem, e usando um para financiar o outro.

Eles acumularam uma reserva financeira em Ethereum, e a usaram como plataforma de lançamento para entrar na “corrida armamentista” da IA.

O cenário macroeconômico atual é conturbado, isso é inegável.

Mas enquanto todos nós estávamos de olho nos preços do petróleo e nos mapas de guerra, a infraestrutura institucional do mundo cripto teve uma de suas maiores semanas em muito tempo.

A Mastercard está entrando nesse mercado. Os bancos estão testando depósitos on-chain. E os investidores mais experientes estão integrando criptomoedas e inteligência artificial, antes que o resto do mercado perceba.

  • VEJA MAIS: Ferramenta automatizada “varre” o mercado de criptomoedas em busca de retornos de até R$ 1 milhão; veja como acessar 

Variações semanais (09/03/26 a 16/03/26)

  • Bitcoin (BTC): US$ 74.294 | Var. +8,44%
  • ♦ Ethereum (ETH): US$ 2.343 | Var. +17,62%
  • 🟠 Dominância Bitcoin: 59,08% | Var. -0,11%
  • 🌐 Valor total do mercado cripto: US$ 2,32 tri | Var. +8,19%
  • 💵 Valor de mercado de stablecoins: US$ 315,827 bi | Var. +0,85%
  • 📊 Valor total travado (TVL) em DeFi: US$ 99,595 bi | Var.+4,75%

*dados referentes ao fechamento em 16/03/26


Tópicos da semana

  • OpenSea adia lançamento do token SEA devido às condições desafiadoras de mercado: A OpenSea adiou o lançamento do token SEA, que estava previsto para 30 de março, com o cofundador Devin Finzer reconhecendo diretamente o atraso;
  • Fundação Solana lança a plataforma de agregação de ativos @tokens: A Fundação Solana lançou o @tokens, seu primeiro produto oficial, que agrega as representações fragmentadas e com múltiplas variantes de ativos estrangeiros na Solana (por exemplo, as várias versões de Bitcoin “wrapped”) em uma única camada neutra com novas APIs. A plataforma também oferece um feed de notícias com assistência de IA, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, destacando manchetes globais conectadas diretamente a ativos negociáveis relevantes na rede Solana;
  • Argentina ordena bloqueio nacional do Polymarket: Um tribunal de Buenos Aires determinou o bloqueio nacional do Polymarket após uma denúncia da loteria da cidade, citando operações de jogo não-autorizadas e a ausência de verificação de idade, o que permite a participação de menores. O órgão regulador de comunicações, ENACOM, foi instruído a coordenar a aplicação da medida com os provedores de internet (ISPs), e tanto o Google quanto a Apple foram orientados a remover os aplicativos móveis do Polymarket das lojas argentinas. A Argentina se torna o segundo país da América Latina a proibir a plataforma, depois da Colômbia, juntando-se a mais de 30 países no mundo que restringiram o acesso. A atenção aumentou após as probabilidades em um mercado do Polymarket, que acompanhava o índice de inflação de fevereiro da Argentina, mudarem bruscamente 15 minutos antes da divulgação oficial dos dados, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada.

Gráfico da semana

Conforme demonstrado abaixo, o preço do bitcoin (BTC) está seguindo aproximadamente a tendência de 2022, no atual mercado de baixa.

Fonte: The DeFi Report

Em 2022, vimos uma recuperação de dois meses (+34%) durante o mesmo período de baixa no mercado, que coincidiu com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Essa recuperação contrária à tendência foi rejeitada na média móvel de 50 semanas, e o BTC acabou despencando. Levaria quase dois anos para recuperar esse nível.

Nas últimas seis semanas, vimos uma recuperação semelhante, com o BTC subindo 22% em relação às mínimas do início de fevereiro.

A principal diferença entre 2022 e atualmente, é que, na minha visão, o BTC já entrou em território de valor justo.

Portanto, embora a queda de hoje seja semelhante àquela de 2022, creio que o mercado atual de baixa está mais avançado na formação de uma mínima macro.


Assista ao último episódio do podcast Crypto Never Sleeps aqui.

Saiba mais sobre nossos fundos de criptoativos: Empiricus Criptomoedas e Empiricus Cripto Metals Blend

Aviso obrigatório
Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.

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Ainda sobre hedge: derivadas da pernada corrente

18 de Março de 2026, 13:00

A esta altura do campeonato, você que é leitor da Empiricus+ já deve ter ouvido falar sobre o momentum crescente do HALO Trade – sigla para Heavy Assets, Low Obsolescence.

Trata-se de uma abordagem financeira meio vintage, na medida em que privilegia empresas de commodities, infraestrutura e utilities que fornecem recursos para os altos casos de tecnologia/IA ou são tão brutas que não podem ser substituídas por algoritmos.

Ironicamente, a renda variável brasileira, que é underweight em tecnologia, acabou se beneficiando disso, sobretudo através de sua exposição a commodities como minério de ferro e petróleo.

De fato, essa tem sido a primeira pernada do movimento, e é provavelmente uma pernada com bastante elasticidade à frente. Se você ainda não ganhou dinheiro com o HALO Trade até aqui, pode seguir pegando carona e ser muito feliz, sem remorso pelo atraso.

Ao mesmo tempo, porém, enquanto uma pernada seminal se manifesta, já precisamos pensar em suas derivadas. É sobre isso que eu quero falar hoje.

Se as commodities amplas já lideram o movimento de alta, sugerindo um novo ciclo secular de valorização, as commodities agrícolas ainda estão tomando coragem para seguir a tendência (conforme mostra o gráfico abaixo).

Isso possivelmente ajuda a entender por que as ações de SLC estavam em banho-maria, e de repente acordaram em meio a um sell-off generalizado das Bolsas internacionais.

Ou seja, dólar ou petróleo não são as únicas formas possíveis de hedgear sua carteira. Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo.

PS. Se você ainda não assina nossos conteúdos de análise e quer ter uma visão completa das classes de ativos (incluindo hedges conjunturais), convido-lhe a conhecer o novo pacote Empiricus+. Por apenas R$ 14,90/mês, nada vai lhe faltar nesta vida financeira, e nem na próxima.

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Ibovespa hoje: Copom vai mesmo cortar a Selic? Veja o que esperar desta Super Quarta (18)

18 de Março de 2026, 10:00

As bolsas globais avançaram pelo terceiro dia consecutivo, em um movimento que sugere uma tentativa dos investidores de reconstruir algum grau de estabilidade em meio a um cenário que permanece, no fundo, bastante incerto. Parte desse alívio foi favorecida pelo recuo dos preços do petróleo, após o Iraque firmar um acordo para retomar exportações via Turquia, criando uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz, além do aumento recente dos estoques nos Estados Unidos. Esse movimento ajudou a reduzir, ainda que temporariamente, parte das preocupações com a inflação e deu sustentação aos ativos de risco em diferentes regiões, com altas observadas nos mercados americano, europeu e asiático. Ainda assim, seria precipitado interpretar esse comportamento como um retorno pleno do apetite por risco. O ambiente segue mais marcado pela cautela do que pelo otimismo, com os investidores, em grande medida, escolhendo relevar o ruído geopolítico no curtíssimo prazo enquanto aguardam sinais mais concretos por parte dos bancos centrais.

É justamente nesse contexto que a atenção se volta para a “Super Quarta”, com decisões de política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. No caso americano, a expectativa predominante é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve, mas o foco real estará na comunicação de Jerome Powell, especialmente no que diz respeito aos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação e à leitura do Fed sobre a atividade econômica. No Brasil, o Copom também se depara com um ambiente mais delicado, no qual a elevação dos preços de energia pressiona as expectativas inflacionárias e reduz o espaço para um ciclo mais agressivo de cortes na Selic.

· 00:56 — Uma decisão difícil

Por aqui, as atenções se concentram na decisão do Copom, a ser anunciada após o fechamento do mercado. O Banco Central enfrenta um equilíbrio delicado: de um lado, há a sinalização prévia de início do ciclo de cortes, já parcialmente incorporada aos preços; de outro, o cenário se tornou mais desafiador nas últimas semanas, com atividade econômica mais forte do que o esperado, inflação acima do projetado, pressão relevante nos preços do petróleo e a reemergência de riscos domésticos. Nesse contexto, a expectativa predominante segue sendo de um corte de 25 pontos-base, em linha com o que tenho destacado recentemente e já precificado pelo mercado. A principal incerteza, no entanto, reside no tom da comunicação, que será complementada pela ata na próxima semana. Um discurso excessivamente flexível pode pressionar o câmbio e, por consequência, as expectativas de inflação; por outro lado, uma sinalização mais dura tende a afetar negativamente os ativos e a atividade.

Apesar desse pano de fundo mais complexo, o fluxo estrangeiro continua sendo um vetor de sustentação importante, com entrada acumulada de R$ 45,1 bilhões no ano, mantendo o “carry trade” atrativo mesmo diante de eventuais cortes na Selic. Ainda assim, o cenário doméstico ganhou um elemento adicional de incerteza: em meio à escalada do diesel, caminhoneiros voltaram a sinalizar a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias, reacendendo memórias do episódio de 2018 e adicionando pressão ao ambiente econômico e político. A insatisfação da categoria persiste mesmo após mais de 300 dias sem reajustes, com a recente alta de 11,6% promovida pela Petrobras e a perspectiva de novos aumentos contribuindo para elevar a tensão. Embora movimentos semelhantes não tenham tido sucesso desde 2018, o risco, por si só, já é suficiente para incomodar os investidores, sobretudo pelo potencial de impacto inflacionário e pelas possíveis respostas fiscais do governo, que poderiam deteriorar ainda mais o equilíbrio das contas públicas.

· 01:42 — Qual será o tom adotado?

Nos Estados Unidos, as ações voltaram a subir ontem, na véspera da conclusão da reunião do Federal Reserve, registrando uma sequência positiva mesmo em meio à guerra, ajudados principalmente pelo recuo do petróleo após máximas recentes, ainda que o barril siga acima de US$ 100. Com isso, o foco dos investidores se desloca para a decisão de política monetária do Fed, que deve manter os juros inalterados entre 3,5% e 3,75% (haverá votos dissidentes). Antes disso, dados de inflação ao produtor (PPI) também entram no radar: números mais fracos podem aliviar temores inflacionários, enquanto leituras mais fortes tendem a pressionar o Fed e os ativos de risco.

Mais do que a decisão em si, a atenção estará voltada para o tom do Fed e suas projeções econômicas, especialmente em um ambiente marcado por guerra, petróleo elevado e inflação ainda persistente. O mercado já espera revisões para cima na inflação e para baixo no crescimento, o que coloca o banco central em uma posição delicada entre atividade e preços. Nesse contexto, a expectativa é de que Jerome Powell adote um discurso cauteloso, reforçando a necessidade de paciência, enquanto monitora os impactos da guerra e das tarifas, elementos que podem manter a inflação pressionada e dificultar uma flexibilização mais rápida dos juros.

· 02:38 — O conflito avança

A guerra no Oriente Médio continua a se intensificar, com desdobramentos tanto militares quanto políticos. Israel neutralizou Ali Larijani, que era Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, uma figura central do regime iraniano, o que representa mais um golpe significativo na liderança do país e pode fortalecer alas mais radicais, reduzindo as chances de negociação. Ao mesmo tempo, o conflito segue pressionando os preços do petróleo, embora sinais pontuais, como a liberação parcial de navios pelo Estreito de Ormuz, tragam algum alívio marginal aos mercados. Ainda assim, apenas 15 navios cruzaram o estreito nos últimos três dias, evidenciando a dificuldade de normalização do fluxo na região.

Nos Estados Unidos, a escalada também começa a gerar tensões internas e externas. A renúncia de um alto funcionário antiterrorismo em protesto contra a guerra evidencia divisões dentro do próprio governo, enquanto aliados tradicionais resistem aos pedidos de apoio militar de Donald Trump, criticando a condução do conflito (lembre-se que outra preocupação do presidente é com a eleição de meio de mandato). Com baixas crescentes e sem sinais claros de desescalada, o cenário permanece altamente incerto, tanto do ponto de vista geopolítico quanto para os mercados globais.

· 03:24 — Crise hídrica

Além de pressionar o petróleo, o conflito com o Irã começa a expor uma vulnerabilidade ainda mais crítica no Oriente Médio: o abastecimento de água. Ataques recentes a usinas de dessalinização, essenciais para transformar água do mar em potável em países do Golfo, elevam o risco de uma crise hídrica em uma região já estruturalmente escassa em recursos. Com países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Qatar altamente dependentes dessa tecnologia, qualquer dano à infraestrutura pode afetar milhões de pessoas. Embora o direito internacional proíba esse tipo de alvo, há precedentes na região, e o risco de a água se tornar uma nova frente de conflito cresce à medida que a guerra se intensifica, adicionando uma camada adicional de instabilidade geopolítica.

· 04:17 — O próximo a cair

Cuba enfrenta uma crise econômica e energética severa, agravada por restrições às importações de petróleo impostas pelos Estados Unidos, o que levou a apagões generalizados e colapso de serviços básicos. Diante desse cenário, o governo cubano sinaliza uma possível abertura a investimentos estrangeiros, especialmente de cubano-americanos, e já iniciou medidas como a liberação de presos, em uma tentativa de aliviar pressões e viabilizar negociações com Washington. Ao mesmo tempo, cresce a especulação sobre mudanças políticas mais profundas, incluindo até a possível saída do presidente Miguel Díaz-Canel, como parte de um acordo mais amplo para normalizar relações econômicas com os EUA.

Do lado americano, a estratégia parece combinar pressão econômica intensa com abertura condicional, possivelmente visando uma transição de regime, aos moldes do que fez na Venezuela, ou maior influência sobre a ilha. No entanto, o desfecho ainda é incerto: qualquer acordo deve exigir concessões relevantes de Cuba, como reformas políticas e econômicas, enquanto o histórico recente de intervenções dos EUA sugere que os resultados podem não necessariamente levar a uma democratização plena. Em meio a esse cenário, a crise cubana se torna mais um capítulo da disputa geopolítica atual, com implicações difíceis de prever tanto para a política regional.

· 05:01 — Se protegendo da inflação

A escalada recente das tensões geopolíticas recolocou no centro do debate uma preocupação recorrente para os investidores: o impacto do petróleo sobre a inflação. Quando os preços da energia sobem, esse movimento tende a se propagar rapidamente por toda a economia, encarecendo transporte, elevando custos de produção e, ao fim, pressionando o custo de vida. Esse efeito em cadeia dificulta o processo de desinflação e leva bancos centrais, como o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve, a adotarem uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. Para o investidor, isso se traduz em um ambiente mais incerto, no qual tanto a trajetória da inflação quanto a dos juros tornam-se menos previsíveis.

Nesse contexto, ativos atrelados à inflação voltam a ganhar relevância como instrumentos de proteção. Um exemplo é o ETF Inflação ANBIMA Curta do BTG Pactual (PACC11), que investe em títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-Bs) de prazos mais curtos. Esses papéis oferecem proteção direta contra a inflação, com menor volatilidade em comparação aos títulos de maior duration, além de potencial de geração de retorno real ao longo do tempo. O produto também apresenta uma estrutura eficiente do ponto de vista operacional, com isenção de IOF e come-cotas, alíquota única de imposto de renda de 15% (retida na fonte), liquidez em D+1 e baixo custo (taxa de administração de 0,19% ao ano). Na prática, trata-se de uma alternativa acessível e equilibrada para preservar o poder de compra, combinando proteção, previsibilidade e potencial de retorno.

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Ibovespa hoje: Copom inicia com expectativas para Selic revisadas em meio a conflito no Irã; veja o que é destaque nesta terça (17)

17 de Março de 2026, 10:00

O breve otimismo em torno de uma possível reaproximação entre Estados Unidos e Irã se dissipou rapidamente após a negativa de Teerã, reacendendo as tensões no Oriente Médio e impulsionando novamente os preços do petróleo, que permanecem acima de US$ 100 por barril. Esse movimento é sustentado por um choque de oferta relevante e por ataques a infraestruturas energéticas na região. O cenário torna-se ainda mais delicado diante da cautela dos aliados em apoiar uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz e de sinais adicionais de escalada, como interrupções logísticas e cancelamentos de voos. Nesse ambiente, o mercado oscila entre o receio de novas restrições na oferta de energia e a expectativa, ainda incerta, de algum avanço diplomático. Em paralelo, o Federal Reserve tende a manter os juros, enquanto os investidores já postergam o início do ciclo de cortes para o fim de 2026 (ou além).

· 00:57 — Brasil numa boa posição?

Por aqui, o mercado acompanhou a recuperação observada no exterior, após a correção das últimas semanas, ainda que essa melhora recente esteja mais associada a um ajuste técnico do que a uma mudança estrutural de cenário. A leitura de um possível arrefecimento do conflito no curto prazo passou a ganhar espaço, embora essa hipótese esteja longe de ser trivial diante do ambiente global mais incerto. Nesse contexto, os economistas rapidamente ajustaram suas projeções ao que o mercado já vinha sinalizando há alguns dias: o cenário de corte de 25 pontos-base na próxima decisão do Copom passou a ser o mais provável, em linha com a leitura que tenho passado. A combinação de dados de atividade mais fortes do que o esperado, inflação acima das projeções, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, e o petróleo sustentado acima de US$ 100 por período ainda indefinido exige uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central. A direção do ciclo segue sendo de afrouxamento, mas a trajetória tende a ser menos intensa e mais dependente da evolução do conflito. Com uma agenda doméstica mais esvaziada, o foco se volta para a decisão e, principalmente, para o tom do comunicado, cuja reunião tem início hoje.

Ao mesmo tempo, vale destacar um ponto frequentemente negligenciado, mas bastante curioso: historicamente, a América Latina é a região de mercados emergentes que apresenta melhor desempenho em cenários de alta do petróleo. Dentro desse contexto, o Brasil costuma se destacar durante períodos de rali da commodity e choques de oferta, o que nos coloca em uma posição de vantagem relativa. Quando combinamos esse fator com um conjunto ainda favorável de condições domésticas, como ativos descontados, posicionamento leve, perspectiva de cortes de juros à frente (ainda que mais moderados) e a possibilidade de um ciclo eleitoral com viés pró-mercado, o resultado é um pano de fundo que continua construtivo para os ativos brasileiros, mesmo em meio a um mundo mais desafiador.

· 01:44 — Leve recuperação

Os mercados americanos registraram recuperação apoiados na expectativa de que Donald Trump consiga articular apoio internacional para reabrir o Estreito de Ormuz e aliviar a pressão sobre os preços de energia, embora o pano de fundo ainda seja de cautela após quedas recentes; o petróleo segue como principal driver dos ativos, e, apesar de algum otimismo, como a visão de que o Irã não conseguiria sustentar o fechamento do estreito por muito tempo, investidores permanecem atentos ao histórico de recuperações curtas, enquanto o foco se volta para a decisão do Fed, que deve manter os juros, mas enfrenta incertezas relevantes sobre os efeitos do conflito, podendo impactar tanto crescimento quanto inflação, o que reforça a sensibilidade dos mercados à evolução do cenário geopolítico e energético.

· 02:32 — US$ 1 trilhão

Em seu evento anual realizado nesta semana, a Nvidia elevou significativamente suas ambições ao projetar até US$ 1 trilhão em vendas de chips de IA até 2027, impulsionada pela forte demanda e por novas gerações como Blackwell e Vera Rubin, além da expansão para soluções mais completas além das GPUs; o anúncio reforça a posição dominante da empresa na corrida global por inteligência artificial, sustentada por um modelo verticalmente integrado e tecnicamente flexível, com avanços também em inferência e novos segmentos, consolidando sua liderança enquanto o mercado ainda parece subestimar a magnitude desse ciclo de investimentos.

· 03:26 — O medo da inflação

Após duas semanas de conflito no Golfo, o petróleo voltou a superar US$ 100, impulsionado por ataques a infraestruturas e restrições de oferta, enquanto os Estados Unidos tentam garantir a fluidez no Estreito de Ormuz e conter os impactos inflacionários; o choque eleva a incerteza global e coloca os bancos centrais (18 deles reunidos nesta semana) diante de um dilema relevante, já que pressiona a inflação, mas também desacelera a atividade, e, embora os mercados ainda mostrem relativa calma, com expectativas de longo prazo estáveis, já há revisão nas apostas de cortes de juros, tornando as decisões e comunicações desta semana ainda mais relevantes.

· 04:11 — Cenário alternativo

Nesse contexto, o mercado começa a flertar com um risco mais estrutural, ainda distante, mas cada vez menos impensável: e se os Estados Unidos saírem enfraquecidos desse episódio? Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, chamou atenção para essa possibilidade ao comparar o momento atual à perda do Canal de Suez pelos britânicos na década de 1950, um evento que simbolizou a erosão definitiva de sua hegemonia global. A analogia pode parecer forte, mas serve como um alerta sobre como choques mal geridos podem acelerar mudanças de poder.

Nessa mesma linha, Balaji Srinivasan, ex-CTO da Coinbase, argumenta que uma eventual vitória do Irã poderia representar o fim simultâneo de diversos ciclos históricos que sustentam a ordem global contemporânea: a era unipolar dos Estados Unidos (1991–2026), consolidada após o fim da Guerra Fria; o sistema do petrodólar (1974–2026), que ancora a demanda global por dólares; a ordem internacional do pós-guerra (1945–2026); a própria coesão interna americana como potência (1776–2026); e, em um horizonte mais amplo, a predominância do Ocidente iniciada com as grandes navegações (1492–2026). O ponto central dessa leitura, entretanto, está no papel do petrodólar como engrenagem fundamental desse arranjo: ao sustentar a demanda estrutural pela moeda americana, ele viabiliza déficits recorrentes, expansão monetária e projeção de poder. Caso esse sistema seja abalado, os efeitos tendem a se propagar em cadeia, com um dólar mais fraco, maior dificuldade de financiamento, pressões inflacionárias e aumento da instabilidade interna. Nesse cenário, a combinação entre choque econômico e polarização política poderia acelerar uma transição mais ampla no equilíbrio de poder global, em linha com interpretações históricas que apontam para ciclos recorrentes de ascensão e declínio de potências.

· 05:03 — Argentina: o rali continua (e a tese também)

O desempenho recente da Argentina volta a ganhar destaque em um contexto global desafiador, sobretudo após a escalada do conflito no Oriente Médio. O país não apenas lidera a participação do setor de energia, com cerca de 24,5% do valor de mercado, como também se destacou como o único a registrar retorno positivo no período, com alta de 4,4%. Em um ambiente em que o choque do petróleo tende a penalizar a maior parte dos ativos globais, essa maior exposição ao setor de energia passa a atuar como um diferencial relevante, funcionando, na prática, como uma espécie de “hedge natural” dentro do universo de mercados emergentes.

Esse vetor estrutural se soma a um segundo pilar igualmente relevante: o ciclo de reformas em curso sob o governo de Javier Milei. Desde o início, tenho defendido que a Argentina atravessa uma janela rara de transformação econômica, marcada por uma agenda mais pró-mercado, disciplina fiscal e esforços de reancoragem de expectativas, elementos que, combinados, têm potencial de destravar valor ao longo do tempo. O rali observado desde então não invalida essa leitura; ao contrário, sugere que parte do mercado começa a reconhecer esse novo regime, ainda que o processo esteja longe de plenamente consolidado. Em outras palavras, o movimento recente reflete a combinação de um choque externo favorável, via commodities, com uma mudança doméstica estrutural, reforçando a assimetria positiva do caso argentino.

Diante desse pano de fundo, sigo vendo espaço para exposição ao país tanto em uma perspectiva tática quanto estratégica estrutural dentro de portfólios globais, especialmente em um ambiente marcado por incerteza geopolítica e pressões inflacionárias. Nesse contexto, reitero a recomendação do Global X MSCI Argentina ETF (BDR: ARGT39), que oferece uma forma eficiente e diversificada de capturar, simultaneamente, o ciclo de reformas em curso e a exposição ao setor de energia, dois vetores que, combinados, continuam sustentando uma tese para a Argentina.

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Ibovespa hoje: decisões monetárias e petróleo ainda acima de US$ 100 devem balançar bolsas globais; veja os destaques da semana

16 de Março de 2026, 09:50

O conflito no Oriente Médio permanece no centro das atenções. Donald Trump tem pressionado China e outros países a contribuírem para a segurança do Estreito de Ormuz, afirmando que os Estados Unidos estão em negociações com cerca de sete nações para formar uma força internacional destinada a garantir a navegação na região. A resposta internacional, no entanto, tem sido até agora bastante cautelosa, enquanto as mensagens contraditórias do presidente americano ampliam a incerteza sobre os objetivos e a duração da guerra. Ao mesmo tempo, o Irã rejeitou a possibilidade de negociações de cessar-fogo e intensificou ataques na região do Golfo. Com o conflito entrando em sua terceira semana, os preços do petróleo se mantêm cima da marca de US$ 100 por barril, elevando os riscos para a economia global, especialmente para países mais dependentes da importação de energia.

Nos mercados financeiros, esse choque energético segue dominando as expectativas. A alta do petróleo tem pressionado as perspectivas de inflação e levando investidores a postergarem as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, agora mais concentradas entre o fim de 2026 e o início de 2027. As bolsas globais operam sem direção clara, refletindo um ambiente de elevada incerteza, no qual o petróleo, o conflito geopolítico e as decisões de política monetária continuam sendo os principais vetores de volatilidade. Paralelamente, os dados mais recentes da economia chinesa indicaram um início de 2026 mais sólido do que o esperado. Ainda assim, permanece o risco de que a escalada do conflito e os preços mais elevados da energia acabem afetando o comércio internacional e o ritmo de crescimento da economia chinesa.

· 00:56 — Expectativas pressionadas

No Brasil, as expectativas de inflação voltaram a apresentar deterioração, segundo o Boletim Focus, refletindo principalmente a combinação de dados recentes de atividade mais fortes do que o esperado, inflação acima das projeções e o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril. Esse ambiente mais pressionado tem levado o mercado a revisar suas apostas para a próxima reunião do Copom. O cenário que anteriormente contemplava um corte inicial de 50 pontos-base na Selic praticamente saiu do radar, dando lugar à expectativa de um movimento mais cauteloso, de 25 pontos-base, em linha com o que o próprio Banco Central indicou como possibilidade em seu último comunicado. Há, inclusive, uma ala mais conservadora do mercado que já discute a hipótese de manutenção da taxa, embora essa alternativa ainda pareça excessivamente restritiva neste momento, já que um início mais contido era possível.

Diante desse quadro, uma estratégia plausível para a autoridade monetária seria iniciar o ciclo com um corte de 25 pontos-base acompanhado de um comunicado mais firme, reforçando a cautela em relação à trajetória futura dos juros. Ainda assim, o simples fato de o mercado passar a discutir um ritmo mais lento de afrouxamento já tem impacto relevante sobre os ativos domésticos. Na última sexta-feira, esse ajuste de expectativas contribuiu para que o Ibovespa voltasse a cair abaixo dos 180 mil pontos, enquanto o dólar superou a marca de R$ 5,30. Mesmo a divulgação de um IBC-Br mais fraco do que o esperado na manhã desta segunda-feira dificilmente será suficiente, por si só, para alterar de forma significativa esse quadro, já que o foco dos investidores permanece concentrado nas pressões inflacionárias e no cenário externo, especialmente no comportamento do petróleo.

· 01:44 — Vai manter?

Nos Estados Unidos, os investidores iniciam a semana com o foco voltado para a decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira (18), acompanhada da divulgação do Summary of Economic Projections (SEP) e da coletiva de Jerome Powell, que devem oferecer sinais mais claros sobre o caminho dos juros nos próximos meses. Embora o mercado espere manutenção das taxas, estamos atentos principalmente às novas projeções para crescimento, inflação e juros, justamente em um momento de forte estresse geopolítico, que tensiona as expectativas dos agentes financeiros.

· 02:32 — Outro grande evento da semana

O grande evento anual de inteligência artificial da Nvidia começa esta semana com a apresentação do CEO Jensen Huang, e os investidores estarão atentos principalmente às perspectivas de oferta de componentes críticos, aos possíveis impactos da guerra com o Irã nos custos de energia e à divulgação de novos produtos. O setor vive uma transição importante: nos últimos anos, os investimentos se concentraram no treinamento de modelos de IA, que respondeu por cerca de 88% dos gastos com chips, mas a próxima fase deverá priorizar a inferência, ou seja, a aplicação prática desses modelos, etapa em que o custo de computação se torna decisivo. Nesse contexto, ganha destaque a tecnologia de LPUs da Groq, cuja licença custou cerca de US$ 20 bilhões à Nvidia e pode ajudar a empresa a ampliar e diversificar seu portfólio de chips para manter liderança frente aos grandes provedores de nuvem que desenvolvem seus próprios semicondutores. Embora o evento possa não gerar uma forte reação nas ações, o mercado segue atento ao ritmo de expansão da empresa, cuja geração de caixa livre pode crescer 85% até 2027, superando US$ 178 bilhões, em um ambiente no qual o investimento em infraestrutura de IA pode atingir US$ 1 trilhão até 2028.

· 03:23 — Terceira semaana

A guerra entre EUA-Israel e Irã entra em sua terceira semana sem sinais claros de desescalada, enquanto o presidente Donald Trump enfrenta pressão crescente diante da forte alta do petróleo e das dificuldades em construir uma coalizão internacional para reabrir o Estreito de Ormuz. O líder americano tem alternado mensagens: por um lado, afirma desejar um encerramento relativamente rápido do conflito; por outro, intensifica os apelos para que aliados contribuam para garantir a segurança da rota marítima por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo. Do lado iraniano, os ataques com mísseis e drones seguem ocorrendo diariamente, ao mesmo tempo em que Teerã rejeita negociações imediatas de cessar-fogo. Nesse ambiente de escalada, o petróleo se mantém acima dos US$ 100 por barril e estimativas do Pentágono indicam que o conflito pode se estender mais semanas.

Apesar das pressões de Washington, o apoio internacional permanece limitado. Países como Austrália e Japão já descartaram o envio de navios militares, enquanto a China condena o conflito e dificilmente participará de uma operação para patrulhar o estreito, mesmo sendo altamente dependente do petróleo que transita pela região. Parte dos aliados europeus também demonstra resistência aos pedidos americanos, o que aumenta a incerteza sobre a capacidade de restabelecer plenamente o fluxo de embarcações no corredor energético. Trump chegou a ameaçar novos ataques à infraestrutura petrolífera iraniana, como a ilha de Khark, que já mencionei aqui, e alertou que a OTAN poderá enfrentar consequências políticas caso os aliados não apoiem o esforço americano. O resultado é um cenário de tensão geopolítica prolongada, com repercussões relevantes sobre o mercado global de energia e, por consequência, sobre inflação, política monetária e ativos financeiros no mundo.

· 04:17 — Problemas com crédito privado

Os temores em torno do mercado de crédito privado nos EUA voltaram a ganhar força diante de pressões de resgates em alguns fundos e da redução de exposição por parte de bancos, revelando fragilidades em um setor marcado por baixa transparência e liquidez limitada. Até agora, os problemas parecem restritos a nichos específicos e não configuram um contágio sistêmico como em 2008, até porque o sistema financeiro está menos alavancado e o Fed possui mais instrumentos para conter turbulências. Ainda assim, eventuais resgates podem reduzir a oferta de crédito e elevar seu custo, pressionando as condições financeiras e o crescimento. O setor cresceu rapidamente após a crise financeira global, atraindo investidores com retornos elevados, mas a combinação de alavancagem pouco visível, ativos ilíquidos e sinais recentes de estresse, como restrições a resgates em alguns fundos, reforça que, em ciclos de crédito, a liquidez costuma se tornar um problema apenas quando já é tarde demais.

· 05:09 — Grande recompra

A Berkshire Hathaway (BDR: BERK34) pode intensificar de maneira relevante seu programa de recompra de ações nos próximos períodos. Mantido o ritmo mais recente observado no início de março, cerca de US$ 225 milhões por dia, a companhia teria capacidade de recomprar mais de US$ 50 bilhões em ações por ano, o equivalente a aproximadamente 5% de seu valor de mercado, hoje próximo de US$ 1,1 trilhão. Trata-se de um movimento plenamente viável do ponto de vista financeiro. A Berkshire combina forte geração anual de lucros, ao redor de US$ 45 bilhões, com uma posição de caixa extremamente robusta, estimada em cerca de US$ 373 bilhões, o que lhe permite devolver capital aos acionistas sem comprometer sua solidez financeira nem sua capacidade de investir em novas oportunidades.

A política de recompra da companhia, atualmente liderada pelo CEO Greg Abel, segue a mesma filosofia histórica da Berkshire: a empresa recompra suas próprias ações apenas quando considera que elas estão sendo negociadas abaixo de seu valor intrínseco, calculado de maneira conservadora. Embora esse valor não seja divulgado publicamente, as ações hoje são negociadas em torno de 1,5 vez o valor patrimonial, patamar próximo ao centro de sua faixa histórica de negociação. Caso a companhia decida acelerar o ritmo de recompras, o impacto tende a ser positivo para os acionistas, já que a redução do número de ações em circulação aumenta o valor econômico de cada participação ao longo do tempo. Nesse contexto, a perspectiva de um programa de recompra mais ativo reforça uma visão construtiva para as BDRs da Berkshire (BERK34), que seguem oferecendo ao investidor exposição a uma das plataformas de capital mais sólidas, disciplinadas e resilientes do mercado global.

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Dividendos da semana: Gerdau (GGBR3) e Petrobras (PETR4) pagam proventos entre os dias 16 e 20 de março; fique ligado

15 de Março de 2026, 10:00

A próxima semana promete ser movimentada para investidores da bolsa brasileira. Dois grandes nomes do mercado nacional, Gerdau (GGBR4) e Petrobras (PETR4), têm dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) programados para distribuição aos seus acionistas.

No caso da Gerdau, os proventos serão distribuídos para ambos os tickers (GGBR3 e GGBR4), além de contemplar os investidores da Metalúrgica Gerdau (GOAU4), sua holding.

Para a Petrobras, há pagamentos de dividendos para o ticker PETR4, e dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) para o ticker PETR3.

Preparamos um calendário completo com todos os pagamentos previstos para a semana, para que você marque na sua agenda. Veja a seguir.

Dividendos da semana: não esqueça desses detalhes

Antes de passar ao calendário da semana, vale trazer dois pontos importantes à atenção do investidor:

  1. “Data com”, ou data de corte: apenas investidores que detinham posição nas ações até as datas informadas na tabela estarão aptos a receber os pagamentos;
  2. Tributação: JCPs estão sujeitos à alíquota de 15% do Imposto de Renda retido na fonte. Já dividendos são tributados em 10% na fonte, se ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.
EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por ação (R$)Data do pagamentoData de corte
Unifique FIQEDividendo0,07816/03/202629/12/2025
Gerdau GGBR4Dividendo0,1018/03/202610/3/2026
Gerdau GGBR3Dividendo0,1018/03/202610/3/2026
Metalurgica GerdauGOAU4Dividendo0,0519/03/202610/3/2026
Metalurgica GerdauGOAU3Dividendo0,0519/03/202610/3/2026
PetrobrasPETR3Dividendo0,29620/03/202622/12/2025
PetrobrasPETR4Dividendo0,29620/03/202622/12/2025
PetrobrasPETR3JCP0,17520/03/202622/12/2025
PetrobrasPETR4Dividendo0,17520/03/202622/12/2025

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Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3): qual ação de construtora vale a pena após o 4T25? Confira recomendação da Empiricus 

13 de Março de 2026, 16:26

A temporada de resultados do 4º trimestre de 2025 segue acontecendo no mercado brasileiro. Nessa semana, entre os dias 9 e 10 de março, foi a vez de três das principais construtoras brasileiras divulgarem seus resultados: Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e MRV (MRVE3).

Sabendo que os números são de grande relevância para os acionistas dessas empresas, Caio Araujo, analista da Empiricus Research, comentou os resultados em sua participação no programa Giro do Mercado, do Money Times, na última quarta-feira (11).

Afinal de contas, como interpretar os resultados, e quais ações valem a pena comprar após a divulgação? A seguir, vemos os destaques da semana à luz do analista.

Cenário do 4T25 é positivo para construtoras expostas ao Minha Casa, Minha Vida, segundo analista

Dando um panorama geral do setor de construtoras, o analista aponta que o cenário é positivo, especialmente para empresas mais expostas ao programa Minha Casa, Minha Vida:

“A gente teve revisões de faixa e de preço ao longo dos últimos anos. É um cenário favorável para a operação. Ao longo do tempo, temos visto as construtoras aumentando o ritmo de lançamentos, capturando margens melhores, especialmente as que têm uma capacidade orçamentária um pouco mais sofisticada. Entendo que para o setor, como um todo, os resultados foram bem saudáveis”.

Cury (CURY3): bons resultados podem se traduzir em dividendos

Após o fechamento de mercado da terça-feira (10), a Cury (CURY3) trouxe seus números do 4T52, com destaque para:

  • Lucro líquido de R$ 270 milhões no 4T25, alta de 63% na visão anual;
  • Receita líquida de R$ 1,4 bilhão, alta de 37,2% na visão trimestral.

Para o analista, os resultados foram realmente positivos: “Vemos Cury há alguns anos operando entre as melhores do setor. […] Temos um carrego das operações traduzido nas receitas, a margem bruta dos projetos aumentando, e a geração de caixa, que foi o principal destaque”.

Para Caio Araujo, os números reportados nesse trimestre podem ser uma boa notícia para investidores em busca de dividendos. “A Cury já é uma pagadora de dividendos há alguns anos, e tende a continuar nessa dinâmica, dada essa forte geração de caixa que, para mim, foi o destaque dos resultados.”

Segundo o analista, o consenso do mercado é de um dividend yield esperado em torno de 7% para 2026. “Entendo que seja interessante, dado o contexto da companhia”, conclui.

As ações reagiram aos resultados com alta de 4% no pregão da quarta-feira (11), uma das maiores altas do Ibovespa durante o dia.

MRV (MRVE3): apesar do bom carrego no MCMV, operações nos EUA pressionam resultados

A MRV (MRVE3) divulgou seus números após o fechamento da segunda-feira (9), com destaque para:

  • Lucro líquido ajustado de R$ 116 milhões, reversão do prejuízo registrado no trimestre anterior;
  • Receita líquida de R$ 3 bilhões no 4T25, acima das expectativas do mercado;

Boa parte dos resultados foi impulsionada pela MRV Incorporação, principal divisão de negócios da empresa. “Essa parte tem conseguido gerar caixa e se manter minimamente estável na relação entre dívida líquida e patrimônio líquido”, afirma o analista.

Porém, isso não apaga que o cenário da empresa continua desafiador, especialmente por conta das operações nos Estados Unidos, que não têm gerado os retornos esperados nos últimos anos, de acordo com o analista.  

A Resia, subsidiária norte-americana das operações, atualmente carrega uma dívida líquida na ordem de cerca de US$ 700 milhões.

 “É algo bem significativo, tem prejudicado o financeiro como um todo da companhia. Para a MRV, ainda é um cenário de recuperação”, afirma o analista. “Nas outras empresas, vemos um cenário mais positivo, de surfar o Minha Casa, Minha Vida”.

As ações encerraram em alta de 2% na B3 na terça-feira (10), mas os ganhos foram devolvidos nos dias seguintes. Somente no pregão da sexta-feira (13), até o fechamento deste texto, a queda ultrapassava os 4,5% no dia.

Direcional (DIRR3): investidores reagem aos resultados com ceticismo

No mesmo dia (11) que a MRV, a Direcional (DIRR3) também reportou seus números do 4T25, com destaque para:

  • Lucro líquido de R$ 211 milhões, alta de 27% na visão anual;
  • Receita líquida de R$ 1,2 bilhões, alta de 33% na visão anual.

Caio Araujo comenta que o resultado veio em linha com o consenso do mercado. Porém, a reação imediata do mercado foi de queda nas ações. Até a tarde da sexta-feira (13), as ações negociavam em queda de 1,86% no dia.

“Entendo que seja mais uma ótica de exigência do mercado em relação aos números da companhia, porque os números foram bons no geral”, afirma o analista.

A construtora, que se destacou em 2025 e se tornou uma “queridinha” dos investidores brasileiros, agora é alvo de altas expectativas, o que pode pressionar suas ações ao menor sinal de qualquer discrepância.

“Dado que houve pagamentos extraordinários de dividendos no final do ano passado, hoje a empresa tem uma alavancagem um pouco maior do que nos últimos anos, na ordem de 23% quando vemos dívida líquida sobre patrimônio líquido. Então os investidores estão um pouco mais céticos em relação a esse ponto”, conclui.

Nem Cury (CURY3), nem Direcional (DIRR3) ou MRV (MRVE3): outra ação de construtora é recomendação da Empiricus para o mês

“Gostamos do setor, é uma posição interessante. Só que não gostamos de todas as ações”, afirma Caio Araujo.

O analista comenta que, historicamente, Direcional (DIRR3) costuma figurar entre as recomendações da Empiricus.

Porém, com alta acumulada de cerca de 43% nos últimos 12 meses, ainda reflexo do bom ano de 2025, a casa entende que este é pode ser um bom momento de realização de lucros nos papéis.

Em contrapartida, uma outra construtora, que não é Direcional (DIRR3), Cury (CURY) e nem mesmo a MRV (MRVE3), é a principal ação do setor indicada pela Empiricus no momento, desde o início do mês.

Segundo a Empiricus, essa é uma construtora que traz características que fazem dela uma das ações mais positivamente expostas ao ciclo de cortes da Selic, amplamente esperado a partir da reunião do Copom da próxima quarta-feira (18).

Além disso, está preparada não apenas para surfar juros mais baixos, mas também para resistir a cenários mais adversos, e distribuir bons dividendos aos seus acionistas.

Por isso, ela está presente em duas das principais séries da casa: Double Income e Vacas Leiteiras, com foco em distribuição de proventos e geração de renda extra.

Um dia após a decisão de juros, no fechamento de mercado da quinta-feira (19), a construtora recomendada divulgará seus resultados do 4T25.

E se você quiser conhecer a tese completa por trás da recomendação desta outra construtora, temos uma boa notícia.

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Ibovespa hoje: guerra mantém petróleo acima de US$ 100 e governo zera PIS/Cofins do diesel para segurar preços; veja destaques desta sexta (13)

13 de Março de 2026, 10:00

As tensões no Oriente Médio continuam se intensificando. Donald Trump voltou a elevar o tom contra o Irã, reiterando que a contenção do programa nuclear de Teerã é uma prioridade estratégica, mesmo que isso implique custos econômicos decorrentes da alta do petróleo. Do lado iraniano, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, prometeu retaliar Estados Unidos e Israel, afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá efetivamente fechado e sinalizou que o país pode abrir novas frentes caso os ataques continuem.

Em paralelo, Israel intensificou bombardeios contra posições associadas ao Hezbollah em Beirute, enquanto relatos indicam que a Rússia estaria apoiando Teerã com imagens de satélite e conhecimento tático no uso de drones, ampliando a complexidade geopolítica do conflito. O impacto humanitário também cresce: milhões de pessoas já foram deslocadas na região, enquanto permanece elevada a incerteza sobre a duração e a intensidade da guerra.

Nos mercados, o reflexo mais imediato segue sendo observado no setor de energia. O petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, mesmo após os Estados Unidos adotarem medidas emergenciais para aliviar a pressão sobre os preços, incluindo a flexibilização temporária de sanções ao petróleo russo.

Assim, o ambiente global passou a operar em modo de maior aversão ao risco, com quedas nos futuros das bolsas americanas, recuo nos principais índices europeus e asiáticos e uma busca maior por alternativas para proteger as carteiras. Caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue, os preços da commodity podem voltar a testar níveis próximos aos picos históricos observados em crises energéticas anteriores, o que seria péssimo. Ao mesmo tempo, os mercados estão tão sensibilizados que pequenas notícias positivas poderiam servir de suporte para alguma recuperação, ao menos no curto prazo.

· 00:52 — Clima ruim

No Brasil, vimos o Ibovespa voltar a perder o patamar dos 180 mil pontos ontem, em um ambiente marcado pela combinação de turbulência geopolítica, inflação acima do esperado e preocupações crescentes com o endividamento corporativo, evidenciadas pela temporada recente de resultados. O dado de inflação mais forte do que o previsto levou os investidores a reforçarem a aposta em apenas 25 pontos-base de corte na reunião do Copom da próxima semana. A partir daqui, naturalmente, o foco do mercado se volta não apenas para a decisão em si, mas também para o tom do comunicado e para a trajetória posterior dos juros, já que o Banco Central parece ter sua margem de manobra mais limitada neste momento. Afinal, a atividade econômica segue mais resiliente do que o esperado, como mostraram as vendas no varejo divulgadas nesta semana, e a inflação continua pressionada. Nesse contexto, os dados de serviços ganham importância adicional: caso venham mais fortes, tendem a consolidar a leitura de um início de ciclo mais cauteloso, com corte de apenas 25 pontos.

Embora o Brasil possa se beneficiar, em alguma medida, de um petróleo mais alto por meio da melhora da balança comercial, o efeito inflacionário desse movimento é especialmente preocupante — ainda mais para o governo, em ano eleitoral. Como resposta, Brasília optou por mais um ajuste de curto prazo: o governo decidiu zerar PIS/Cofins sobre o diesel e criar uma subvenção de R$ 0,32 por litro nas refinarias, com o objetivo de reduzir em até R$ 0,64 o preço nas bombas. O custo total da medida pode chegar a R$ 30 bilhões, enquanto a compensação prevista, por meio da elevação para 12% da alíquota sobre a exportação de petróleo, deve gerar cerca de R$ 15 bilhões, ou seja, um valor claramente insuficiente para neutralizar o impacto fiscal. Na prática, isso significa mais pressão sobre o déficit e, consequentemente, mais pressão sobre a curva de juros. Vale lembrar que o nível ainda tão elevado das taxas no Brasil não decorre apenas da inflação corrente, mas também da ausência de uma âncora fiscal crível, que continua sendo um dos principais fatores por trás do prêmio exigido pelo mercado.

· 01:49 — Sem ter muito o que fazer

As bolsas americanas registraram mais um dia de fortes perdas, pressionadas pela escalada da guerra com o Irã e pelo avanço dos preços do petróleo. A tentativa americana de aliviar a crise com a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica foi vista pelo mercado como tardia e insuficiente, já que ainda não há solução clara para o bloqueio da rota energética. Além do impacto direto no preço da energia, o avanço do petróleo aumenta os riscos inflacionários e reduz a probabilidade de cortes de juros pelo Fed, pressionando ainda mais os mercados. Nesse contexto, investidores também acompanham a agenda econômica, com destaque para o PCE de janeiro, indicador preferido de inflação do Fed, que deve mostrar alta anual de 2,9%, além da revisão do PIB do quarto trimestre, possivelmente de 1,4% para 1,8%, e outros dados de atividade e confiança. Embora o consumo ainda se mantenha resiliente, sustentado pela queda na taxa de poupança das famílias, o aumento dos combustíveis pode afetar expectativas de inflação e crescimento nos próximos meses.

· 02:38 — Discurso duro

O presidente Donald Trump adotou uma retórica mais agressiva, prometendo continuar a ofensiva contra o regime iraniano, enquanto o novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã manterá o Estreito de Ormuz efetivamente fechado e poderá abrir novas frentes de combate caso os ataques continuem.

O custo humano e econômico do conflito também cresce rapidamente. Mais de 2.500 pessoas já morreram na região, enquanto os primeiros dias da ofensiva custaram mais de US$ 11 bilhões aos Estados Unidos, além do consumo acelerado de estoques de munição. Ao mesmo tempo, países produtores como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes foram forçados a reduzir a produção, ampliando o choque energético global. Ainda não há um plano claro para encerrar a guerra, o que aumenta a incerteza e o risco de novas escaladas com impacto direto sobre os mercados de energia.

· 03:25 — A busca por alternativas continua

A forte disparada do petróleo, que já acumula alta de cerca de 40% desde o início de março e 70% no ano, superando US$ 100 por barril, o maior nível em quase quatro anos, levou os Estados Unidos a adotar medidas emergenciais para aliviar o mercado de energia. Washington flexibilizou temporariamente sanções contra o petróleo russo, permitindo por um mês a compra de cargas atualmente retidas no mar, além de liberar 172 milhões de barris das reservas estratégicas como parte de uma ação coordenada da Agência Internacional de Energia para injetar 400 milhões de barris no mercado. A atual interrupção de oferta já é a maior da história do mercado global de petróleo. Paralelamente, o governo americano também considera suspender temporariamente a Lei Jones, que restringe o transporte doméstico de cargas a navios construídos e operados nos EUA, para facilitar o transporte interno de petróleo e aliviar os preços.

A crise energética provocada pela guerra no Oriente Médio também começa a forçar medidas emergenciais em outras regiões do mundo. Países do Sudeste Asiático, muito dependente de Ormuz, buscam reduzir o consumo de energia diante da alta dos combustíveis: a Tailândia determinou trabalho remoto para grande parte dos servidores públicos, a Malásia avalia medida semelhante e as Filipinas adotaram jornada de quatro dias semanais para funcionários do governo. Essas iniciativas refletem o impacto global do choque, que pressiona preços de combustíveis, petróleo e fertilizantes, criando um ambiente de incerteza enquanto o mercado tenta avaliar a duração do conflito e suas consequências para o equilíbrio entre oferta e demanda.

· 04:17 — O choque de oferta e o benefício russo

O Irã sinalizou que pretende continuar tentando bloquear o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, utilizando essa região como um alvo de alto impacto geopolítico, aumentando o custo do conflito para o Ocidente. Ataques recentes a petroleiros já levaram o Iraque a suspender parte de suas exportações e empurraram o preço do petróleo novamente para cima de US$ 100 por barril de ontem para hoje, aumentando a volatilidade nos mercados globais.

Ao mesmo tempo, a crise energética gerada pelo conflito abre espaço para movimentos geopolíticos mais amplos. A alta do petróleo tende a beneficiar países exportadores como a Rússia, aumentando sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia e ampliando sua influência diplomática. Nesse contexto, Moscou busca explorar a turbulência nos mercados de energia para fortalecer sua posição estratégica, testar a coesão europeia e potencialmente negociar condições mais favoráveis tanto na guerra quanto em suas relações com o Ocidente (já conseguiu algo dos americanos, inclusive, como comentei anteriormente).

· 05:03 — Se expondo à alta dos preços de energia

Como temos discutido, a escalada do conflito envolvendo o Irã provocou uma forte valorização do petróleo, movimento que já começa a ser sentido pelos consumidores nas bombas e que, gradualmente, passa também a se refletir com mais clareza nas ações do setor de energia. Em um primeiro momento, as empresas petrolíferas ficaram relativamente para trás. Parte do mercado acreditava que o choque de preços poderia ser apenas temporário, enquanto algumas companhias ainda enfrentavam riscos operacionais associados à instabilidade geopolítica. Mais recentemente, contudo, esse quadro começou a mudar. As ações do setor passaram a registrar ganhos mais expressivos, refletindo uma mudança gradual de percepção entre os investidores. O mercado começa a considerar a possibilidade de um conflito mais prolongado, leitura reforçada pela valorização dos contratos futuros de petróleo de prazos mais longos, sinal de que as disrupções no transporte marítimo e na infraestrutura energética podem persistir por mais tempo do que inicialmente se imaginava.

Nesse contexto, cresce a avaliação de que o mundo pode estar diante de um choque energético de proporções históricas. O eventual fechamento permanente do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado globalmente, tem sido apontado por analistas como potencialmente o maior choque de oferta já observado no mercado de energia. Ian Bremmer, da Eurasia Group, estima uma interrupção de 15 milhões de barris por dia, ressaltando que mesmo as maiores liberações coordenadas de reservas estratégicas dificilmente seriam capazes de compensar um déficit dessa magnitude. A própria Agência Internacional de Energia anunciou recentemente a maior liberação emergencial de petróleo de sua história. Ainda assim, o fato de o preço da commodity ter subido mesmo após o anúncio sugere que o mercado considera a resposta insuficiente para equilibrar oferta e demanda no curto prazo. Jeff Currie, ex-chefe global de commodities do Goldman Sachs, reforça essa leitura ao estimar uma disrupção potencial de até 18 milhões de barris por dia, volume muito superior aos grandes choques históricos, como o embargo árabe de 1973 ou a interrupção de oferta da Guerra do Golfo. Em outras palavras, estamos diante de um choque de oferta sem precedentes no mercado global.

Diante desse cenário, manter alguma exposição estrutural a commodities tende a fazer cada vez mais sentido dentro das carteiras de investimento. Mesmo que o conflito atual eventualmente se estabilize, vivemos um período marcado por sucessivos episódios de tensão geopolítica, reorganização das cadeias globais de suprimento e disputas estratégicas entre grandes potências. Como lembrou recentemente Rodolfo Amstalden em relatório, trata-se de um mundo mais fragmentado, no qual choques de oferta se tornam mais frequentes. Nesse contexto, o investidor se beneficia ao manter parte do portfólio exposta a ativos que historicamente se valorizam em momentos de escassez de recursos naturais.

Uma forma simples e eficiente de acessar essa tese é por meio do ETF de Commodities do BTG Pactual (CMDB11). O fundo oferece exposição direta às principais empresas brasileiras ligadas ao setor de commodities, incluindo companhias de petróleo, mineração e agronegócio. Na prática, o investidor passa a acessar, em um único ativo listado em bolsa, uma carteira diversificada de empresas exportadoras e geradoras de caixa, muitas vezes favorecidas tanto pela alta das matérias-primas quanto por um câmbio mais depreciado. Cerca de 40% da composição do ETF está ligada ao setor de óleo e gás, o que faz com que o produto seja particularmente beneficiado em momentos de valorização da energia. Além disso, o CMDB11 apresenta uma estrutura eficiente: possui taxa de gestão baixa (0,50% ao ano), não sofre incidência de come-cotas nem de IOF e conta com liquidez diária em bolsa, facilitando o acesso e a gestão da posição pelo investidor. Em síntese, trata-se de uma forma prática de capturar o potencial de valorização do ciclo de commodities no Brasil, combinando diversificação setorial com a conveniência de um ETF.

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Lucros até de madrugada? Conheça o R3R – Robô Três Rendas, que pode operar criptomoedas de forma automática

12 de Março de 2026, 11:26

Existe uma frase bastante repetida quando o assunto é sucesso financeiro: “trabalhe enquanto eles dormem”. A mensagem por trás sugere que, em um sistema meritocrático, aqueles que se esforçam para além do padrão acabam colhendo maiores recompensas.

Embora essa lógica possa fazer sentido em alguns contextos, a realidade mostra que nem sempre todo mundo pode ou consegue renunciar ao próprio descanso e aumentar o esforço em busca de resultados superiores.

Mas e se fosse possível estabelecer uma realidade diferente, na qual uma ferramenta totalmente automática busca lucros com operações no mercado enquanto todos dormem, inclusive o próprio usuário?

Essa é a visão por trás do R3R – Robô 3 Rendas, ferramenta criada por André Antunes, trader no mercado financeiro há mais de duas décadas, e sua equipe.

R3R – Robô Três Rendas: conheça a ferramenta que busca lucros até de madrugada

O R3R – Robô Três Rendas tem o objetivo de operar no mercado de criptomoedas em diferentes horários – até mesmo de noite ou madrugada no Brasil – acompanhando os movimentos dos investidores globais de três dos maiores mercados do mundo:

  • Ásia: durante à noite no Brasil;
  • Europa: durante à madrugada no Brasil;
  • Estados Unidos: durante à manhã.

Nesses horários, a ferramenta “escaneia” o mercado cripto automaticamente, em busca de oportunidades de trade que carreguem o maior potencial de geração de lucros. Após identificá-las, o próprio software também se encarrega de realizar as operações de compra e venda.

A ideia é usufruir do fato do mercado de criptomoedas funcionar 24 horas por dia, não se limitando aos horários nos quais estamos “acordados” no Brasil, e oferecendo ao usuário muito mais oportunidades de buscar uma renda extra.

Da parte do usuário, basta apenas instalar a ferramenta em sua conta na corretora de valores. Assim, é possível aumentar em até três vezes as chances de lucros “enquanto dorme”, automaticamente, sem sacrificar seu descanso. E, durante o dia, manter o foco em suas tarefas cotidianas enquanto o robô trabalha por conta própria.

No caso, o acompanhamento dos horários de mercado da Ásia, Europa e EUA se dá mais pela maior liquidez das negociações, não necessariamente por restrições de horários – que inexistem no mercado cripto.

Até R$ 6.250 diários? Entenda potencial de lucros do R3R – Robô Três Rendas

O R3R – Robô Três Rendas passou por uma fase de testes de 12 meses, antes de culminar em seu grande dia de lançamento ao público, que será no próximo dia 16 de março.

Por meio dos testes, uma excelente notícia foi encontrada: o robô está programado para buscar bons lucros para seus usuários a partir de aportes financeiros iniciais relativamente baixos.

A partir de R$ 1 mil ou R$ 2 mil, durante a fase de testes, foi possível lucrar desde R$ 50 até R$ 6.250 diários, com operações e estratégias específicas.

Ou seja, não é necessário ser um investidor de alto patrimônio para começar a  utilizá-la. A prioridade da ferramenta é impulsionar novos investidores em busca de uma mudança de vida por meio do mercado. Como já foi o caso do próprio André Antunes.

Quem é André Antunes, idealizador do R3R – Robô Três Rendas

André Antunes, também conhecido entre seus seguidores como “Scalper”, é o trader mais seguido no Brasil, com 1,9 milhão de seguidores únicos nas mídias sociais, e carrega consigo 20 anos de experiência no mercado financeiro.

De origem humilde, por muito tempo, viveu a mesma vida que a maioria dos brasileiros: trabalhando, pagando as contas, e sobrevivendo na medida do possível.

“Quando eu era mais novo, comecei a perceber que muitas famílias viviam exatamente no mesmo padrão financeiro por gerações. Meus avós viveram assim, meus pais também. Durante muito tempo, parecia que eu ia seguir o mesmo caminho, até que eu decidi quebrar esse ciclo”, afirma.

A “quebra de ciclo” veio quando Antunes aprendeu a operar no mercado financeiro. Após quatro anos operando, já havia conquistado seu primeiro milhão.

Hoje, é multimilionário e, com toda a sua expertise de duas décadas, dedica seu tempo a ensinar seguidores e alunos o mesmo caminho da independência financeira que conquistou, especialmente pelo mundo do day trade.

Porém, sabemos que operar no mercado financeiro pelos métodos “tradicionais” exige alta dedicação de tempo. Com isso, para fazer jus à “liberdade” em “liberdade financeira”, Antunes passou a focar na criação de ferramentas proprietárias que operem no mercado de forma automática.

E desse propósito, nasceu o R3R – Robô Três Rendas, que será liberado aos seus primeiros usuários a partir da próxima segunda-feira (16), em parceria com a Opt.me – frente de tecnologia de investimentos da Empiricus Research.

Gratuito: participe de evento de apresentação do R3R na próxima segunda-feira (16)

Se você deseja conhecer mais sobre o R3R – Robô Três Rendas, está convidado a participar de um evento online e gratuito na próxima segunda-feira (16), a partir das 19h.

No evento, todos os detalhes da ferramenta serão apresentados aos participantes. Assim, você poderá tirar suas dúvidas e concluir se essa é uma oportunidade que faz sentido para seus objetivos.

Para reservar seu lugar no evento, basta clicar no botão abaixo. Lembrando que é gratuito:

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Ibovespa hoje: como a volta do petróleo aos US$ 100 e piora do IPCA devem impactar a bolsa nesta quinta (12)?

12 de Março de 2026, 10:00

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã continua dominando os mercados globais de energia, levando a Agência Internacional de Energia (AIE) a anunciar a maior liberação de reservas estratégicas da história, de até 400 milhões de barris, numa tentativa de conter a escalada dos preços. Mesmo assim, novos ataques a navios no Estreito de Ormuz e a paralisação de portos no Iraque mantêm forte pressão sobre a oferta, fazendo que o Brent volte a se aproximar dos US$ 100 por barril.

O cenário é agravado por mensagens contraditórias da Casa Branca sobre a duração da guerra, enquanto o Irã condiciona um cessar-fogo a garantias de que não voltará a ser atacado (muito dificilmente isso seria viável no presente momento). A nova alta do petróleo tem provocado queda nas bolsas globais e maior aversão ao risco, com investidores preocupados com o impacto inflacionário e seus efeitos sobre a política monetária.

· 00:57 — Uma inflação surpreendente

No Brasil, os dados mais recentes reforçam um quadro de atividade e inflação um pouco mais pressionado do que o esperado, o que acaba reduzindo o espaço para um corte mais agressivo de juros na próxima reunião do Copom. As vendas no varejo divulgadas ontem vieram acima das expectativas, sinalizando uma atividade econômica ainda resiliente.

Para piorar, o IPCA de fevereiro registrou nesta manhã alta de 0,7% no mês, acima da projeção de 0,6% do mercado, confirmando a leitura já mais pressionada indicada pela prévia. Na prática, essa combinação praticamente consolida a expectativa de um corte mais cauteloso, de apenas 25 pontos-base na semana que vem, possivelmente acompanhado de um discurso mais conservador por parte do Banco Central. Esse cenário tende a reforçar a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário pode ser mais gradual, especialmente diante da recente alta do petróleo e da dificuldade de prever a duração do conflito no Oriente Médio. Nesse contexto, cresce também a possibilidade de um reajuste nos combustíveis pela Petrobras, o que adicionaria novas pressões inflacionárias no curto prazo.

Uma inflação mais elevada também tende a complicar ainda mais o ambiente político e econômico para o governo, que até agora não conseguiu colher os resultados esperados do pacote de estímulos implementado com vistas ao ciclo eleitoral, incluindo a proposta de ampliação da isenção do Imposto de Renda. Nesse cenário, ganhou destaque a mais recente pesquisa Genial/Quaest, que apontou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, sinalizando um ambiente político mais competitivo e aumentando a probabilidade de uma possível mudança no pêndulo político. Um cenário desse tipo poderia abrir espaço para um debate mais fiscalista, tema particularmente relevante para o mercado, já que a percepção de fragilidade das contas públicas foi um dos fatores que mantiveram a curva de juros brasileira pressionada por tanto tempo. Ainda assim, esse é um debate que permanece distante e cercado de incertezas.

No curto prazo, o que tem predominado é a combinação de risco geopolítico elevado, pressão nos preços do petróleo e surpresas na atividade e na inflação, fatores que ajudam a explicar a abertura do dia com juros em alta e maior pressão sobre os ativos de risco domésticos.

· 01:44 — Um número velho

Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor e fevereiro veio em linha com as expectativas, mostrando inflação de 2,4% em 12 meses e 2,5% no núcleo, sugerindo um quadro ainda relativamente estável antes da escalada do conflito no Oriente Médio. No entanto, o dado rapidamente perdeu relevância diante da disparada do petróleo e que deve pressionar a inflação nos próximos meses por meio de energia, alimentos e transporte. Ou seja, o número envelheceu rápido. Alguns componentes já indicavam pressão antes mesmo do choque do petróleo, enquanto o impacto gradual das tarifas comerciais também começa a aparecer em bens como eletrodomésticos e vestuário.

Agora, o foco do mercado se desloca para o PCE — a medida de inflação preferida do Federal Reserve — cujo núcleo pode ter avançado cerca de 0,4% no mês e 3,1% em termos anuais, reforçando a expectativa de que o Fed mantenha os juros onde estão enquanto monitora os efeitos inflacionários do choque energético.

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· 02:31 — Liberação recorde

A Agência Internacional de Energia anunciou a maior liberação coordenada de reservas estratégicas da história, com 400 milhões de barris, em resposta à grave interrupção no fornecimento global causada pelo conflito com o Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que retirou até 16 milhões de barris por dia do mercado. Apesar da medida, que mais que dobra o recorde anterior de 182 milhões de barris, o petróleo continuou subindo acima de US$ 100 por barril, refletindo dúvidas sobre a eficácia da iniciativa e a ausência de uma estratégia clara para reabrir a principal rota energética do mundo. Pragmaticamente, eles podem até ganhar tempo, mas a reabertura de Ormuz é a única solução, embora ainda não haja sinais claros de quando isso poderá ocorrer.

· 03:28 — Condições

O Irã sinalizou por meio de intermediários que aceitaria um cessar-fogo apenas se os Estados Unidos garantirem que nem Washington nem Israel voltarão a atacar o país, condição cuja viabilidade me parece baixa. Enquanto negociações informais avançam com mediação de países europeus e do Oriente Médio, o conflito já deixou quase 2 mil mortos e agravou a crise energética global. O Estreito de Ormuz permanece praticamente bloqueado, após ataques, minas e ameaças iranianas a embarcações comerciais, retirando cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia do mercado e elevando os preços em cerca de 40%, com mais pessimistas projetando cenários de até US$ 150 por barril. Apesar da liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia, o desbloqueio da rota, crucial para o comércio global de petróleo, segue complexo, levando os EUA a considerar escolta militar a petroleiros e programas de seguro para incentivar a navegação na região.

· 04:16 — Esgotamento de tração?

Apesar de ainda apresentar crescimento robusto e inflação controlada, com o PIB avançando 7,8% no último ano, a Índia começa a enfrentar pressões crescentes em seus mercados financeiros. Mesmo antes da escalada do conflito no Golfo e do risco ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o país já lidava com desafios como desvalorização da rupia, saída líquida de capital pelo segundo ano consecutivo e múltiplos elevados nas ações, que historicamente negocia com prêmio em relação a outros emergentes. A combinação de política fiscal mais austera, realização de lucros por investidores estrangeiros e menor fluxo de capital internacional vem reduzindo o suporte aos ativos indianos, que ficaram para trás na recente alta dos emergentes. Embora a trajetória estrutural de longo prazo da economia indiana permaneça robusta, o país pode enfrentar um período mais desafiador para seus mercados, à medida que se adapta a um ambiente global no qual os fluxos se tornaram menos automáticos.

· 05:09 — Mesmo com a volatilidade de março, uma estratégia segue gerando renda e valor no longo prazo

Uma das séries de que mais me orgulho de participar aqui na Empiricus é o Double Income. No ar desde 2018, as carteiras dessa estratégia, voltadas para geração de renda e construção de patrimônio no longo prazo, entregaram entre 135% e 140% do CDI até o fechamento de fevereiro, com base em uma seleção de ativos de qualidade capazes de distribuir proventos de maneira consistente. Essa característica confere à estratégia um perfil mais previsível e, em geral, mais resiliente em períodos de maior turbulência, como o que observamos desde o começo de março, quando a volta das tensões geopolíticas aumentou a volatilidade dos mercados globais.

Foi justamente a partir dessa experiência que surgiu a Carteira Automatizada Renda Extra, composta por 10 a 15 ativos brasileiros selecionados com um objetivo muito claro: ajudar o investidor a construir uma fonte recorrente de renda passiva ao longo do tempo. A carteira reúne ativos que distribuem dividendos, juros e outros proventos, formando um fluxo potencial de recebimentos periódicos que pode, se o investidor desejar, ser reinvestido automaticamente, ampliando o efeito da capitalização composta. Inspirada no Double Income, a estratégia combina renda fixa, ações e fundos imobiliários, com rebalanceamentos automáticos e periódicos, de forma a manter a alocação aderente à proposta original e focada na geração consistente de renda, sem abrir mão do potencial de valorização patrimonial no longo prazo.

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Ibovespa hoje: petróleo e inflação voltam ao centro das atenções; veja quais são as ‘bússolas do mercado’ desta quarta (11)

11 de Março de 2026, 10:00

O conflito no Oriente Médio continua sem um desfecho claro, e essa ausência de visibilidade tem alimentado episódios de forte volatilidade nos mercados globais. O preço do petróleo passou a oscilar de forma intensa, reagindo praticamente em tempo real a cada nova manchete sobre ataques militares, risco de bloqueio do Estreito de Ormuz e declarações muitas vezes contraditórias vindas de Washington sobre os objetivos e a duração da guerra. As preocupações aumentaram com relatos de que o Irã poderia instalar minas na região, enquanto autoridades americanas afirmam ter destruído embarcações que estariam envolvidas nessa operação e reiteram que responderão com força caso a principal rota energética do Golfo seja interrompida.  

Esse ambiente de incerteza tornou os ativos de risco especialmente sensíveis, em um momento em que parte relevante do mercado vinha operando com níveis elevados de alavancagem, o que favorece movimentos rápidos de desalavancagem e amplia a intensidade das oscilações. Ao mesmo tempo, governos e instituições internacionais procuram conter o estresse no mercado de energia. A Agência Internacional de Energia (AIE) discute a possibilidade de realizar a maior liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo da história. Paralelamente, países como Japão e Alemanha já sinalizam medidas emergenciais para ajudar a estabilizar os preços da energia.  

Essas iniciativas contribuíram para limitar parte da alta recente do petróleo e trouxeram algum alívio temporário. Apesar disso, voltamos a ver uma alta do barril nesta manhã, revertendo parte das grandes perdas de ontem. Nesse contexto, os investidores também acompanham com atenção a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, já que uma eventual estabilização mais rápida do conflito poderia abrir espaço para um Federal Reserve menos restritivo ao longo de 2026. 

· 00:57 — Recuperação no meio do tiroteio 

No Brasil, a bolsa registrou o segundo pregão consecutivo de alta, com sinais de que o capital estrangeiro voltou a ingressar no mercado local diante da melhora relativa da percepção de risco global. A acomodação recente nos preços do petróleo também ajudou a aliviar parte da pressão observada nos últimos dias. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump voltou a elevar o tom contra o Irã, ainda que continue afirmando que o conflito tende a ser breve, mesmo diante da escalada das tensões e da recusa iraniana em aceitar as condições impostas por Washington. Nesse contexto, chama atenção também o bom desempenho do real, que tem se mostrado mais forte do que outras moedas emergentes nos últimos dias. Isso faz sentido: preços mais elevados do petróleo tendem a favorecer a balança comercial brasileira, já que a commodity representa uma parcela relevante das exportações do país. 

Ainda assim, permanece no radar do mercado a discussão sobre o início do ciclo de cortes da Selic. Depois de dados recentes de inflação considerados desconfortáveis e agora com a elevação das incertezas externas, ganhou força a expectativa de que o Banco Central possa optar por um corte inicial mais moderado, de 25 pontos-base, na reunião da próxima semana. Há quem argumente que um movimento mais contido poderia prejudicar a credibilidade da autoridade monetária, por sinalizar falta de convicção. Respeitosamente, não me parece ser o caso. Uma eventual decisão de não cortar os juros poderia de fato gerar esse tipo de interpretação, já que representaria uma mudança relevante em relação à comunicação recente. No entanto, iniciar o ciclo de flexibilização de forma mais gradual foi uma possibilidade indicada pelo próprio Banco Central em sua última reunião. Assim, um corte de 25 pontos-base parece consistente com o cenário atual, especialmente se vier acompanhado de um discurso que destaque maior cautela diante do ambiente externo. Caso as condições melhorem adiante, nada impede que o ritmo de cortes volte a se intensificar. Em outras palavras, o ponto de partida do ciclo pode ter mudado, mas sua direção geral permanece a mesma, ainda que o percurso venha a ser um pouco mais gradual do que o esperado. 

Nesse contexto, ganham importância os dados divulgados nesta semana. Hoje (11), por exemplo, saem os números de vendas no varejo, que devem refletir os efeitos do atual nível restritivo da política monetária. A mediana das projeções aponta para uma queda de 0,1% no varejo restrito em janeiro, após retração de 0,4% no mês anterior, enquanto o varejo ampliado, que inclui bens duráveis, como veículos e materiais de construção, deve apresentar alta de 0,4%. Números ligeiramente mais fracos hoje tenderiam a reforçar a tese de início do ciclo de cortes já na próxima reunião, embora o mercado também aguarde com atenção o dado de inflação (IPCA) que será divulgado amanhã (12). 

Por fim, o ambiente político doméstico também segue no radar dos investidores. Ainda estamos na fase de digestão das pesquisas eleitorais mais recentes. Nesta manhã foi divulgada a sondagem Meio & Ideia, que reforça um cenário de disputa competitiva em eventual segundo turno, em linha com o que temos observado nas últimas semanas. Mais tarde será divulgada também a pesquisa Genial/Quaest, que tende a trazer novos elementos para o debate político. Vale lembrar que o governo ainda não iniciou plenamente sua campanha eleitoral, nem intensificou os ataques à oposição, algo que tende a ganhar força a partir de abril. Mesmo assim, o presidente Lula tem encontrado dificuldades para recuperar popularidade. Choques de preços, como os que podem surgir em um cenário de petróleo mais caro, tendem a piorar esse quadro. Além disso, algumas iniciativas do próprio governo acabam contribuindo para esse desgaste. Um exemplo é o projeto de regulamentação dos trabalhadores da chamada “gig economy”, como motoristas e entregadores de aplicativos, que pode elevar os custos do serviço, reduzir a demanda e, no limite, gerar efeitos negativos também sobre a percepção pública do governo. 

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· 01:22 — A tão esperada inflação 

Nos Estados Unidos, ao final do pregão, os principais índices americanos terminaram próximos da estabilidade. O comportamento do petróleo também teve papel central no humor dos investidores. Depois de superar US$ 100 por barril no início da semana, o Brent fechou em US$ 87,80, registrando queda superior a 11% no dia, embora ainda acumule valorização relevante no ano. Com isso, a atenção do mercado começa a se deslocar novamente para a agenda macroeconômica, em especial para a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor) dos Estados Unidos, que deve apontar alta mensal de 0,3%. O dado será relevante para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve, especialmente em um ambiente em que os preços de energia voltaram a pressionar o debate inflacionário. Vale lembrar, porém, que se trata de um dado de fevereiro e que, portanto, não captura toda a volatilidade de março. 

· 02:34 — O sobe e desce 

Bastou a declaração de Donald Trump sugerindo que a guerra poderia terminar “muito em breve” para provocar oscilações de até US$ 40 no preço do barril ao longo do dia e reverter quedas relevantes nas bolsas internacionais, incluindo o S&P 500. O mercado não parece ter um pingo de convicção em sua avaliação do conflito. Ao mesmo tempo, o cenário militar permanece tenso, com novos ataques na região do Estreito de Ormuz e uma troca contínua de ameaças entre os dois lados. A situação é agravada por sinais contraditórios vindos de Washington sobre os objetivos da operação e a possível duração do conflito, o que acaba ampliando a incerteza entre os investidores. 

Diante desse ambiente, governos e instituições internacionais passaram a discutir medidas para estabilizar os mercados de energia. A Agência Internacional de Energia avalia a possibilidade de liberar até 400 milhões de barris das reservas estratégicas, o que representaria uma das maiores intervenções coordenadas já realizadas no mercado de petróleo. A medida busca conter a disparada dos preços, depois de o barril ter se aproximado de US$ 120 antes de recuar novamente para a faixa de US$ 90. Ainda assim, é importante notar que a economia global hoje é relativamente menos dependente do petróleo do que no passado, como já comentei, o que tende a tornar o impacto sobre inflação e atividade relativamente menor do que no passado. 

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· 03:25 — Buscando alternativas 

A guerra no Oriente Médio e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz ampliaram as preocupações globais com segurança energética e estabilidade econômica. Países do Leste Europeu passaram a defender com mais urgência a expansão do sistema de oleodutos da OTAN, atualmente limitado até a Alemanha, como forma de fortalecer o abastecimento e reduzir vulnerabilidades logísticas da aliança. Ao mesmo tempo, o choque no fluxo de energia já começa a pressionar preços de alimentos e fertilizantes, o que pode afetar de maneira mais intensa países emergentes e altamente endividados. Nesse contexto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Europa cometeu um erro estratégico ao reduzir sua dependência de energia nuclear (concordo totalmente), e indicou que a União Europeia pretende acelerar o desenvolvimento de pequenos reatores nucleares modulares, vistos como uma alternativa relevante para reduzir a vulnerabilidade energética do bloco. 

· 04:11 — Tentando novamente 

O investidor bilionário Bill Ackman prepara um retorno ao mercado de IPOs por meio de uma oferta conjunta que envolve sua gestora, a Pershing Square Capital Management, e a criação de um novo fundo fechado chamado Pershing Square USA. É a segunda vez que ele tenta. 

A operação pode levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões e prevê uma estrutura particular: investidores que adquirirem 100 ações do novo fundo, ao preço de US$ 50 cada, receberão também 20 ações da gestora sem custo adicional (tentando viabilizar o IPO, que acabou não saindo da última vez). Trata-se de mais um passo de Ackman em sua estratégia de ampliar a presença da Pershing Square no mercado público e expandir sua base de investidores. Acompanho o trabalho do gestor há algum tempo e, uma vez devidamente listado, o veículo pode se tornar uma alternativa interessante para investidores mais sofisticados que buscam exposição a estratégias de gestão ativa de alta convicção no estrangeiro

· 05:09 — Sinais positivos 

Direcional Engenharia (DIRR3) divulgou resultados do 4T25 em linha com as expectativas do mercado, reforçando a sua trajetória de crescimento, sustentada pelo aumento consistente do volume de lançamentos e pela elevada eficiência operacional de seu modelo de negócios, concentrado nos segmentos econômico e de médio padrão. No trimestre, a empresa lançou R$ 1,9 bilhão em VGV, avanço de 4% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas somaram R$ 1,5 bilhão. Embora esse número represente uma leve retração de 3,9% frente ao mesmo período de 2024, o acumulado de R$ 6,2 bilhões em vendas ao longo de 2025 marcou o maior volume anual já registrado pela companhia. A velocidade de vendas (VSO) ficou em 21% no trimestre, pressionada principalmente pelo volume mais elevado de lançamentos concentrados no final do período. Já a receita líquida atingiu R$ 1,2 bilhão, crescimento de 33% na comparação anual, chegando a aproximadamente R$ 1,5 bilhão quando consideradas também as receitas provenientes de SPEs não consolidadas. 

O principal destaque do trimestre foi a rentabilidade, com a companhia registrando margem bruta ajustada recorde de 42,8%, refletindo ganhos de eficiência operacional e a maturação de projetos lançados em ciclos anteriores. O EBITDA ajustado alcançou R$ 346 milhões, alta de 39% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro líquido operacional somou R$ 211 milhões, avanço de 28%. Com isso, o ROE anualizado ajustado atingiu 44%, também um recorde para a empresa. Em termos de geração de caixa, a companhia reportou R$ 390 milhões de geração contábil no trimestre, impulsionada por eventos não recorrentes, como monetização de ativos e cessão de recebíveis. Ao final do período, a dívida líquida era de R$ 533 milhões, ou cerca de 23% do patrimônio líquido, o que ainda indica uma estrutura de capital equilibrada. 

De maneira geral, os resultados reforçam o momento operacional favorável da companhia, marcado por crescimento consistente de receita, novos recordes de rentabilidade e boa capacidade de execução. Além disso, a empresa já sinaliza perspectivas positivas para as vendas no início de 2026. Mesmo após a valorização recente, a Direcional (DIRR3) negocia atualmente a cerca de 7,3 vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo ainda bastante atrativo dentro do setor. As ações chegaram a recuar após a divulgação do resultado, o que pode abrir uma janela interessante de entrada para investidores. Com exposição no segmento econômico, disciplina operacional e elevada geração de valor, a companhia segue posicionada para capturar a demanda habitacional no país, mantendo uma visão construtiva para o papel como parte de uma carteira diversificada de ações brasileiras. 

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Mercado ganha fôlego com possível fim da guerra; veja o que esperar de Ibovespa, petróleo e dólar no Giro do Mercado

10 de Março de 2026, 16:15

Nesta terça-feira (10), os ativos globais mostram sinais de acomodação, após a forte aversão ao risco que impactou os mercados nas últimas semanas. A sinalização do possível encerramento da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã impulsionou a recuperação das bolsas após as perdas recentes.

No Giro do Mercado desta terça-feira, a jornalista Paula Comassetto conversa com o Lucas Costa, analista técnico do BTG Pactual, sobre os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior.

Nesta manhã, o mercado apresentou um alívio após as quedas da última semana, com incertezas sobre o preço do petróleo e a duração da guerra no Oriente Médio.

“Nos últimos anos, o mercado americano era o mais atrativo para os investidores, mas nos últimos meses aconteceu uma rotação global para países emergentes. Outra mudança veio com o aumento das tensões geopolíticas, o que incentivou a fuga de fluxo e a busca por ativos mais seguros”, explicou Costa.

Outro destaque do dia é a decisão dos ministros de Energia do G7 sobre a liberação conjunta de 300 milhões a 400 milhões de barris de petróleo. A esse respeito, o especialista do BTG afirmou que “hoje o que vemos são as reações da fala do Trump e essas notícias que saíram. Eu costumo trabalhar com alguns níveis de preço que são referências. Entre US$ 76 e US$ 78 é a expectativa de suporte a curto prazo”.

Hoje, o dólar apresentava movimento lateral em relação aos principais pares desenvolvidos, enquanto subia frente ao real. De acordo com Castro, o suporte técnico da moeda americana está em R$ 5, R$ 4,90 e R$ 4,85. Já as resistências são próximas de R$ 5,28, enquanto a média móvel de 200 dias é R$ 5,39.

No cenário doméstico, o Ibovespa (IBOV) subia na manhã desta terça. “Quando olhamos para a tendência de longo e médio prazo, a expectativa é de alta. O Ibov teve uma alta muito forte desde 2025, o que faz com que a visão fique um pouco distorcida. Mesmo com a queda da semana passada, não chegamos próximo da média móvel de 21 semanas”, afirmou o especialista do BTG.

Segundo Castro, ainda que o índice caísse até o patamar de 171 mil pontos, “tecnicamente ele ainda estaria em tendência de alta”.

No mundo corporativo, o GPA (PCAR3) anunciou um pedido de recuperação extrajudicial após firmar acordo com credores que representam R$ 2,1 bilhões em dívidas, com adesão de 46% dos créditos afetados.

*Com supervisão de Renan Sousa.

Ibovespa hoje: conflito no Irã, efeitos na Selic e bolsas em alerta; veja o que ecoa no mercado nesta terça (10)

10 de Março de 2026, 10:12

Os mercados globais reagiram com elevada volatilidade às declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que a guerra contra o Irã poderia terminar “muito em breve”, embora tenha reiterado que os Estados Unidos não interromperão a ofensiva até que o adversário seja plenamente derrotado. A sinalização de que o conflito poderia estar mais próximo do fim provocou uma queda relevante nos preços do petróleo e contribuiu para a recuperação das bolsas ao redor do mundo. Ainda assim, o ambiente permanece cercado de incerteza. Há relatos de congestionamentos de navios no Estreito de Ormuz, enquanto a retórica entre Washington e Teerã continua elevada, com o Irã ameaçando bloquear exportações de petróleo e os Estados Unidos prometendo respostas mais duras caso o fluxo energético na região seja interrompido.

Nesse contexto, o petróleo passou a ocupar o centro do debate nos mercados, funcionando como o principal canal de transmissão de risco para inflação, juros e ativos financeiros. Cada nova manchete relacionada ao conflito tem provocado mudanças rápidas na precificação dos ativos. A perspectiva de uma eventual descompressão das tensões trouxe algum alívio momentâneo e ajudou a sustentar a recuperação das bolsas na Ásia e na Europa, ao mesmo tempo em que o petróleo recuou para a região de US$ 90 por barril. Ainda assim, os investidores seguem atentos principalmente a dois fatores: a duração do conflito e o risco de interrupções no fluxo de energia pelo Golfo. Como tenho destacado, sinais de redução das tensões, ainda que modestos, tendem a favorecer os ativos em movimentos típicos de rebound.

• 00:55 – Tirando a pressão

No Brasil, acompanhamos ontem um movimento de recuperação dos mercados em linha com o alívio observado no exterior, à medida que os investidores digeriam as sinalizações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de uma resolução mais rápida do conflito no Oriente Médio. Curiosamente, embora o país devesse ser um dos beneficiários diretos de preços mais elevados do petróleo, dado seu peso crescente como exportador da commodity, o primeiro impacto costuma ser de aversão ao risco. Esse movimento também reflete um ajuste mais amplo nos fluxos globais, com certa reversão do trade em mercados emergentes que havia predominado ao longo do primeiro bimestre do ano.

Além disso, a preocupação com inflação voltou a ganhar espaço no debate. Nesse contexto, chama atenção a situação do mercado de combustíveis. Após quase 10 meses sem reajuste no preço do diesel, a Petrobras passou a recusar pedidos adicionais de combustível feitos por distribuidoras que tentavam ampliar estoques a preços ainda baixos, diante do risco de ter de importar diesel mais caro e revendê-lo com prejuízo. Como os combustíveis representam cerca de 5% do IPCA, um eventual choque de preços teria impacto direto sobre a inflação e limitaria o espaço de atuação do Banco Central. Não por acaso, o mercado passou a revisar suas expectativas para a política monetária: a hipótese de um corte de 50 pontos-base na Selic perdeu força, e o cenário mais provável passou a ser de uma redução de 25 pontos-base, embora já existam projeções que considerem inclusive a possibilidade de manutenção da taxa neste momento (não é cenário-base).

No campo político, também surgiram novas incertezas. Manchetes indicam que Fernando Haddad poderia antecipar sua saída do Ministério da Fazenda para iniciar a articulação de sua estratégia eleitoral em São Paulo. No maior colégio eleitoral do país, o atual governador Tarcísio de Freitas aparece como favorito nas pesquisas e poderia vencer já no primeiro turno, um quadro que tende a fragilizar a estratégia nacional do presidente Lula. Em caso de saída de Haddad, os nomes mais citados para assumir o comando da Fazenda são Dario Durigan, secretário-executivo da pasta, e Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional.

• 01:43 – Na expectativa pelos dados da semana

Nos Estados Unidos, após um início de sessão marcado por forte estresse, os mercados acionários americanos conseguiram encerrar o dia em alta depois que Donald Trump sugeriu que a guerra contra o Irã poderia terminar antes do esperado. O movimento representou uma mudança importante de humor ao longo do pregão de segunda-feira, revertendo perdas expressivas registradas nas primeiras horas de negociação. Além da geopolítica, o mercado volta agora suas atenções para a agenda econômica dos Estados Unidos, que será particularmente importante nesta semana. Estão previstas divulgações de indicadores centrais, como o CPI (quarta-feira) e o PCE (sexta-feira), além de novos dados sobre mercado de trabalho e confiança do consumidor. Em um ambiente ainda marcado por incertezas geopolíticas e sensibilidade aos preços de energia, a leitura desses dados será fundamental para calibrar as expectativas em relação ao Federal Reserve.

• 02:31 – Dia da marmota

Após uma segunda-feira marcada por intensa volatilidade, os preços do petróleo passaram a recuar depois de declarações do presidente Donald Trump, que sugeriu que o conflito com o Irã poderia terminar “em breve” e mencionou possíveis medidas para estabilizar o mercado de energia, como a proteção da navegação no Estreito de Ormuz e até uma eventual flexibilização de sanções relacionadas ao petróleo. O movimento ajudou a aliviar parte do estresse observado nos mercados depois de o barril ter se aproximado de US$ 120, com o Brent recuando posteriormente para níveis abaixo de US$ 100. Ainda assim, o quadro segue cercado de incerteza, já que o próprio Trump também afirmou que os Estados Unidos reagiriam com força caso Teerã tente interromper o fluxo de petróleo na região.

Apesar desse alívio momentâneo nos preços, o risco geopolítico continua elevado. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que poderá bloquear exportações de petróleo destinadas a países considerados hostis enquanto o país permanecer sob ataque, mantendo o mercado global de energia em permanente estado de alerta. Os efeitos da alta recente do petróleo já começam, inclusive, a transbordar para outros setores da economia, como a aviação, com companhias asiáticas elevando tarifas e preparando planos de contingência diante do aumento dos custos. Ao mesmo tempo, governos e instituições internacionais discutem possíveis respostas, entre elas a liberação de reservas estratégicas de petróleo pelo G7. Nesse contexto, a trajetória dos preços da energia continuará dependendo, sobretudo, de dois fatores centrais: a duração do conflito e o risco de interrupção mais prolongada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

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• 03:27 – Impactos inflacionários

A escalada do conflito com o Irã elevou as preocupações com o mercado global de energia, já que uma guerra prolongada poderia levar o petróleo a níveis próximos de US$ 150 por barril, especialmente se houver interrupção prolongada do Estreito de Ormuz. Nesse cenário, estima-se que o preço da gasolina nos Estados Unidos poderia subir para algo entre US$ 5 e US$ 5,50 por galão, repetindo um movimento semelhante ao observado após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Convertendo essa referência para padrões brasileiros, US$ 5,50 por galão equivaleria a algo próximo de R$ 7,60 por litro, o que ilustra o tamanho do potencial choque inflacionário se pressões semelhantes forem transmitidas.

Nos Estados Unidos, além do impacto direto sobre energia e inflação, que pode complicar ainda mais o trabalho do Federal Reserve, o conflito também ameaça desorganizar parte da agenda doméstica do presidente Donald Trump no Congresso. O aumento das tensões tende a consumir capital político e tempo legislativo, dificultando a tramitação de projetos relevantes, como propostas de reforma no mercado imobiliário, iniciativas de regulação do setor de criptomoedas e a definição do financiamento do Departamento de Segurança Interna.

No caso do Brasil, o efeito macroeconômico tende a ser mais ambíguo. Por um lado, preços mais altos do petróleo poderiam melhorar a balança comercial, já que a commodity representa uma das principais pautas de exportação do país, gerando impulso positivo para o PIB. Por outro, o choque inflacionário decorrente da alta dos combustíveis tende a limitar qualquer percepção de melhora econômica, reduzindo o espaço para cortes de juros e enfraquecendo o potencial de um ambiente mais construtivo para os ativos domésticos.

• 04:18 – Caminhando para mais uma mudança na América do Sul

No último fim de semana, a política colombiana ganhou novos contornos após a realização das eleições legislativas e das primárias presidenciais, eventos que ajudam a desenhar o cenário para a disputa nacional deste ano. A senadora de centro-direita Paloma Valencia saiu fortalecida ao vencer com ampla vantagem as primárias de seu campo político, que concentraram cerca de 83% dos votos entre as coalizões participantes, indicando uma mobilização mais intensa do eleitorado conservador. No Congresso, entretanto, o resultado voltou a produzir um parlamento fragmentado, sem maioria absoluta para nenhum bloco. O Pacto Histórico, do presidente Gustavo Petro, conquistou cerca de 25 cadeiras no Senado, seguido pelo Centro Democrático, com 17, enquanto partidos tradicionais como Liberal, Conservador e La U mantêm presença relevante. Esse equilíbrio tende a funcionar como um sistema de freios institucionais para conter propostas mais radicais, mas também reforça a necessidade de formação de coalizões para garantir governabilidade. Ainda assim, o arranjo político sugere que uma eventual coalizão envolvendo forças de centro e de direita tende a partir com alguma vantagem relativa, especialmente diante de um governo Petro que enfrenta níveis elevados de desgaste político (rejeição ao incumbente pós-pandêmica).

Com o primeiro turno presidencial marcado para 31 de maio e um eventual segundo turno em 21 de junho, o campo eleitoral começa a se consolidar em torno de seis ou sete candidatos competitivos. As pesquisas mais recentes apontam o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, como favorito no primeiro turno, com cerca de 34% das intenções de voto, seguido pelo conservador Abelardo de la Espriella, com aproximadamente 23%. Paloma Valencia, por sua vez, aparece mais atrás nas sondagens, mas ganhou impulso após o resultado expressivo nas primárias. A disputa tende a se intensificar nas próximas semanas, sobretudo porque partidos tradicionais como Liberal e Conservador ainda não declararam apoio formal a nenhum candidato, podendo desempenhar papel decisivo na formação de alianças eleitorais.

No cenário-base, nenhum candidato deve atingir a maioria absoluta no primeiro turno, o que torna o segundo turno o momento decisivo da eleição, em um ambiente ainda marcado por fragmentação partidária e elevado número de eleitores indecisos. Nesse contexto, não seria surpreendente observar uma dinâmica semelhante à vista em outros países da região, como no Chile, em que o candidato associado ao governo lidera no primeiro turno, mas acaba sendo superado no segundo turno por uma coalizão mais ampla de centro e direita, movimento observado em outras disputas sul-americanas.

• 05:06 – Infraestrutura de IA sustenta crescimento

A TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) registrou crescimento de cerca de 30% nas vendas, alcançando US$ 22,63 bilhões em receita nos dois primeiros meses de 2026, refletindo a forte demanda por chips utilizados em data centers e na infraestrutura ligada à inteligência artificial. Como já destaquei anteriormente, a empresa é a maior fabricante de semicondutores sob contrato do mundo, responsável por produzir chips avançados para gigantes da tecnologia como Nvidia, AMD, Broadcom e Apple. Por isso, ocupa uma posição absolutamente central na cadeia global de tecnologia, especialmente na produção dos processadores mais sofisticados utilizados em aplicações de IA.

Os resultados reforçam que, apesar das preocupações recentes envolvendo riscos geopolíticos e possíveis discussões sobre excesso de capacidade futura no setor, as grandes empresas de tecnologia continuam ampliando seus investimentos em infraestrutura digital. Companhias como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft planejam investir, juntas, mais de US$ 650 bilhões em 2026, o que sustenta uma demanda robusta por semicondutores avançados. Ainda assim, os investidores acompanham com atenção os desdobramentos das tensões geopolíticas e eventuais sinais de desaceleração na expansão de data centers, fatores que poderiam afetar o ritmo de encomendas de chips.

Mesmo diante dessas incertezas, os números recentes indicam que a demanda estrutural por chips voltados à inteligência artificial permanece extremamente forte, o que tende a beneficiar empresas líderes da cadeia de semicondutores. Nesse contexto, as ações da TSMC (BDR: TSMC34) continuam bem-posicionadas, sustentadas por seu domínio tecnológico e por sua posição estratégica como principal fornecedora global de chips avançados. Trata-se de um ativo que segue fazendo sentido como complementar a uma carteira internacional de ações, especialmente para investidores que buscam exposição a um dos principais vetores de crescimento global. Sempre, claro, dentro de uma carteira diversificada e respeitando os limites de risco adequados ao perfil de cada investidor.

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Ibovespa hoje: novo líder no Irã e petróleo acima de US$ 100; o que impacta o mercado nesta segunda (9)?

9 de Março de 2026, 10:00

A nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã reforçou a percepção de continuidade da linha dura do regime e sinalizou que Teerã não pretende recuar no conflito com Estados Unidos e Israel. A decisão elevou ainda mais as tensões geopolíticas e impulsionou os preços do petróleo, que voltaram a superar US$ 100 por barril, em meio a cortes de produção entre importantes produtores do Oriente Médio e ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz.

A escalada militar também levou à retirada de parte do corpo diplomático americano da região, ao aumento de ataques com mísseis e drones e à abertura de discussões dentro do G7 sobre uma eventual liberação coordenada de petróleo das reservas estratégicas, em uma tentativa de conter a disparada dos preços. Ainda assim, autoridades do Golfo já mencionam cenários mais extremos, enquanto o presidente Trump minimizou o movimento, afirmando que seria “um pequeno preço a pagar” pela segurança global (neutralizar programa nuclear iraniano).

Não estamos diante de um choque do petróleo nos moldes da década de 1970. Desde então, a economia global tornou-se relativamente menos dependente da commodity e o fluxo energético mundial tornou-se relativamente menos dependente do Estreito de Ormuz. Além disso, embora o preço do barril tenha avançado de forma expressiva nas últimas semanas, a magnitude do movimento ainda está distante da multiplicação abrupta observada naquele período. Ainda assim, o cenário atual não deve ser minimizado.

A disrupção logística em curso já é, em termos absolutos, a maior da história — reflexo de uma economia global muito mais ampla e integrada, com cadeias produtivas e fluxos energéticos significativamente maiores. Nesse contexto, mesmo sem repetir o choque clássico dos anos 1970, a perturbação no sistema de oferta de energia pode gerar impactos relevantes sobre inflação, expectativas e, consequentemente, sobre o comportamento dos ativos globais, como já vemos agora.

· 00:59 — Queda mais contida e eleição mais competitiva

No Brasil, a deterioração do ambiente internacional reduziu a probabilidade de o Banco Central iniciar o ciclo de cortes de juros com um movimento mais agressivo de 50 pontos-base, abrindo espaço para uma redução inicial mais cautelosa, de 25 pontos-base, em linha com o cenário que a própria autoridade monetária deixou como possibilidade em sua comunicação mais recente. Nesse contexto, ganha importância adicional a divulgação do IPCA de fevereiro, na quinta-feira. Ainda assim, a menos que o dado venha significativamente abaixo das expectativas, o cenário mais provável neste momento parece ser o de um início mais gradual do ciclo de flexibilização.

No campo político, a pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana trouxe sinais de mudança na dinâmica eleitoral, ao apontar uma redução da vantagem do presidente Lula em alguns cenários testados. O levantamento mostra Flávio Bolsonaro ganhando tração e aparecendo tecnicamente próximo em simulações de segundo turno. Vale lembrar que, como já comentei, o rali observado nos ativos brasileiros entre 2025 e o início de 2026 ocorreu praticamente sem incorporar um componente eleitoral relevante nos preços. Caso os investidores passem a considerar com mais força a possibilidade de um cenário político percebido como mais favorável ao mercado e à disciplina fiscal, esse fator pode se tornar um gatilho adicional para os ativos.

Na agenda, B3 passa a operar das 10h às 17h a partir desta segunda-feira (9), em função do início do horário de verão em Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.

· 01:47 — Olhando para a inflação

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego de fevereiro surpreendeu negativamente ao mostrar fechamento líquido de 92 mil vagas, quando o consenso esperava a criação de 60 mil postos de trabalho, enquanto a taxa de desemprego avançou para 4,4%. O dado pressionou os principais índices de Wall Street.

Em paralelo, o petróleo voltou a ocupar o centro das atenções: o barril acumulou alta de 36% na semana, no maior avanço semanal do WTI (referencial americano) desde 1983. Esse movimento reacendeu os temores de estagflação — um cenário especialmente desconfortável, em que a inflação sobe ao mesmo tempo em que a atividade econômica perde força —, o que dificulta a atuação do Federal Reserve, já que cortar juros para sustentar o crescimento se torna uma decisão mais complexa quando a inflação permanece pressionada.

Assim, ainda que o impacto direto da guerra sobre as bolsas permaneça, até aqui, relativamente contido, a persistência do choque do petróleo pode contaminar inflação, expectativas e política monetária, tornando cada vez mais delicado o equilíbrio entre crescimento e estabilidade de preços. Nesse contexto, a semana ganha relevância adicional, com a divulgação de indicadores decisivos, como o CPI e o PCE, além de novos dados sobre confiança do consumidor e atividade empresarial.

· 02:35 — Disrupção com contornos mais estruturais

A intensificação da guerra no Oriente Médio voltou a provocar forte turbulência nos mercados globais de energia. O preço do petróleo chegou a disparar até 29% em termos intradiários, marcando a maior alta desde abril de 2020 e levando o barril a se aproximar de US$ 120 durante a madrugada (já voltou para a casa dos US$ 105 por barril). O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores: cortes de produção entre países do Golfo, ataques à infraestrutura energética da região e o fechamento quase total do Estreito de Ormuz. Parte dessa alta foi posteriormente amenizada após a divulgação de que os ministros das Finanças do G7 discutem a possibilidade de uma liberação coordenada de petróleo a partir das reservas estratégicas, em articulação com a Agência Internacional de Energia. Ainda assim, mesmo após essa acomodação parcial, os preços permanecem acima de US$ 100. Em paralelo, o mercado de gás natural também reagiu com força: os contratos na Europa chegaram a subir cerca de 30%, refletindo o receio de novos choques de oferta.

No campo político, o Irã anunciou a nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país, uma escolha que sinaliza a continuidade da linha dura que marcou o comando de seu pai. Aos 56 anos, Mojtaba recebeu apoio decisivo da Assembleia de Peritos e mantém vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica, que rapidamente declarou lealdade ao novo líder.

Enquanto isso, Estados Unidos e Israel ampliam suas operações militares contra alvos iranianos, ao passo que Teerã afirma possuir capacidade para sustentar o conflito por até seis meses, intensificando ataques com drones e mísseis contra Israel e contra países do Golfo. Para os mercados, no entanto, mais relevante do que a mudança de liderança em si é a duração potencial do conflito e o risco de uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo da região. Esse ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos.

Segundo estimativas do FMI, cada aumento de 10% no preço do petróleo, caso persista ao longo de boa parte do ano, tende a adicionar cerca de 40 pontos-base à inflação global. Além disso, a interrupção logística no Golfo também ameaça o transporte de insumos agrícolas, como fertilizantes, elevando o risco de novos aumentos nos preços de alimentos e reforçando a possibilidade de uma pressão inflacionária mais ampla no mundo.

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· 03:21 — Sob pressão

Após enfrentar pressões competitivas crescentes, a OpenAI tem promovido ajustes estratégicos na evolução do ChatGPT, abandonando o plano de integrar diretamente à plataforma ferramentas de e-commerce, como compras online e reservas de viagens, e optando por deixar essa função a cargo de aplicativos de terceiros, uma mudança que reflete o entendimento de que essas atividades são melhor executadas por serviços especializados, enquanto o ChatGPT permanece focado em sua principal proposta de valor: inteligência conversacional e produtividade baseada em IA. Seja como for, o quadro estrutural permanece bastante robusto: a OpenAI segue entre as empresas de crescimento mais rápido do mundo, com valuation próximo de US$ 730 bilhões, cerca de 900 milhões de usuários ativos semanais no ChatGPT e discussões sobre um possível IPO, potencialmente já no quarto trimestre ainda deste ano.

· 04:16 — Não passou despercebida

A Anthropic caminha para atingir cerca de US$ 20 bilhões em receita anualizada, mais que dobrando o ritmo observado no fim de 2025, impulsionada pela forte adoção de seus modelos de inteligência artificial, como o Claude Code, o que evidencia a velocidade com que a companhia vem ganhando espaço em um mercado cada vez mais competitivo.

Apesar desse crescimento expressivo, a empresa passou a enfrentar um foco de incerteza após um impasse com o Pentágono, que classificou a companhia como um possível risco para a cadeia de suprimentos depois que ela se recusou a flexibilizar restrições ao uso de sua tecnologia em vigilância doméstica e armas totalmente autônomas. A decisão levou o governo americano a cancelar mais de US$ 200 milhões em contratos e a proibir o uso das ferramentas da Anthropic por agências federais, embora o impacto de longo prazo ainda permaneça incerto, uma vez que a demanda no setor privado continua forte e sustentando o avanço da companhia.

· 05:03 — Ficou para trás

O petróleo consolidou-se como o principal ativo do momento, deixando de representar apenas um choque geopolítico pontual para assumir também um papel relevante como choque macro global. Após um rali superior a 35% na semana passada, os contratos futuros romperam a marca de US$ 100 por barril e chegaram a ameaçar US$ 120 durante a madrugada, antes de recuar novamente para a região de US$ 105. O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores: a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, a escalada militar na região e, sobretudo, a ausência de sinais claros de normalização no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, o risco deixou de se limitar a um simples “prêmio de guerra” e passou a incorporar preocupações mais amplas, como interrupções logísticas prolongadas, possíveis ajustes forçados de produção e repasses inflacionários em escala global.

Do ponto de vista econômico, preços elevados do petróleo tendem a pressionar as expectativas de inflação, levando os bancos centrais a manter uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. Ao mesmo tempo, a energia mais cara reduz o poder de compra das famílias e pressiona margens de empresas, o que pode afetar o ritmo da atividade econômica e até ampliar o risco de um cenário de estagflação — crescimento mais fraco combinado com inflação persistente. Ainda assim, é importante lembrar que movimentos dessa natureza podem ser revertidos de forma relativamente rápida caso haja algum avanço diplomático ou normalização logística nas rotas energéticas. Curiosamente, nem todos os ativos de proteção reagiram como seria esperado nesse ambiente. O ouro e a prata, por exemplo, ainda não apresentaram a valorização típica observada em momentos de forte tensão geopolítica, mesmo diante de um cenário de crescimento mais frágil e maior volatilidade nos mercados de ações. Em parte, isso ocorre porque o avanço dos metais preciosos continua sendo limitado pela força do dólar e pelos juros reais elevados, que competem diretamente com o papel tradicional do ouro como reserva de valor.

Contudo, caso a alta do petróleo continue pressionando a inflação global, o ouro pode voltar a ganhar tração adicional, reforçando seu papel histórico como proteção contra eventuais erros de política monetária. Esse tipo de exposição, porém, deve sempre ser construído com critério e disciplina, respeitando o perfil de risco e os objetivos de cada investidor. Em termos gerais, alocações entre 2,5% e 5% do portfólio costumam ser suficientes para cumprir a função de proteção sem comprometer a diversificação da carteira.

Para quem investe no exterior, ETFs como o iShares Gold Trust (IAU) oferecem acesso direto ao ouro com elevada liquidez. No mercado brasileiro, alternativas como o ETF BTG Pactual B3 Ouro (GOLB11) cumprem papel semelhante. Já fundos de ouro dolarizados (sem hedge cambial) adicionam uma camada extra de proteção ao combinar exposição ao metal com defesa cambial. Em qualquer caso, a mensagem central permanece a mesma: disciplina na alocação, alinhada ao perfil do investidor, diversificação, dimensionamento adequado das posições e equilíbrio entre liquidez.

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Ibovespa hoje: resultado da Petrobras (PETR4) no 4T25, payroll dos EUA e petróleo mais pressionado; veja o que ecoa no mercado nesta sexta (6)

6 de Março de 2026, 09:34

Após uma semana marcada por forte volatilidade, provocada pela escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, os mercados globais iniciam a sexta-feira (6) sob um clima de cautela. O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, sofreu uma redução drástica, chegando a uma paralisação quase total em alguns momentos, o que elevou as preocupações com o abastecimento global de energia. Como reflexo, o petróleo permanece em patamar elevado, com o Brent orbitando a região de US$ 87 por barril. Ao mesmo tempo, o conflito continua se expandindo pela região, com episódios envolvendo diferentes países do Golfo, enquanto Washington avalia possíveis medidas para conter a alta do petróleo e seus efeitos sobre os preços da gasolina. Apesar de alguma recuperação pontual observada em mercados asiáticos, o ambiente global ainda é caracterizado por aversão ao risco, com bolsas pressionadas.

Nesse cenário, o petróleo passa a ocupar papel central como principal canal de transmissão do choque geopolítico para a economia global, reacendendo o debate sobre o equilíbrio entre inflação e crescimento. A alta da energia tende a pressionar as expectativas inflacionárias e manter os bancos centrais em estado de alerta, ao mesmo tempo em que reforça o interesse por commodities dentro do chamado macro-inflation trade. Nesse contexto, indicadores macroeconômicos, especialmente o payroll dos Estados Unidos hoje, ganham ainda mais relevância para calibrar as expectativas sobre a trajetória de juros do Federal Reserve. Paralelamente, governos e empresas buscam alternativas logísticas para preservar o fluxo de energia.

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· 00:54 — O ciclo de cortes

No Brasil, o mercado acionário voltou a perder fôlego ontem, com o Ibovespa recuando abaixo da marca de 181 mil pontos, em movimento que acompanhou a correção observada nos mercados internacionais. Parte desse ajuste reflete um processo natural de realização de lucros, após o rali recente que levou o índice a níveis historicamente elevados. Para o pregão de hoje, a atenção dos investidores se volta principalmente para a repercussão dos resultados da Petrobras, divulgados na noite de ontem. As ADRs da companhia em Nova York chegaram a registrar queda nas negociações após o fechamento, mas apresentam recuperação no pré-market desta manhã, indicando uma leitura inicial mais equilibrada por parte do mercado.

No resultado, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, com um nível de capex mais elevado e aumento da alavancagem, embora com melhora operacional nas áreas de refino e comercialização em relação ao trimestre anterior. O conselho de administração também aprovou o envio à assembleia da proposta de R$ 8,1 bilhões em juros sobre capital próprio referentes ao período, com data ex em 23 de abril e pagamentos previstos para maio e junho. Dado o peso da companhia no índice, a leitura desse resultado pode influenciar de forma relevante o humor do mercado local.

Na agenda econômica, o destaque fica para a pesquisa industrial do IBGE, divulgada em um momento em que o mercado tenta calibrar suas expectativas sobre a intensidade do início do ciclo de cortes de juros. A principal dúvida é se o Banco Central optará por um primeiro movimento de 50 pontos-base ou por um ajuste mais moderado de 25 pontos-base. Ontem, a taxa de desemprego subiu de 5,1% para 5,4%, enquanto declarações recentes do diretor de Política Monetária do BC indicaram que os planos de flexibilização monetária permanecem no radar da autoridade.

Na minha leitura, apesar de eventuais ruídos de curto prazo — especialmente vindos do cenário externo — a direção da política monetária no Brasil continua apontando para cortes de juros ao longo do ano. O ponto central parece ser mais o ritmo do que a direção do movimento. Mesmo que o início do ciclo seja conduzido de forma mais gradual, a perspectiva de juros mais baixos tende a continuar oferecendo suporte aos ativos de risco, especialmente em um ambiente em que o crescimento doméstico mostra sinais de moderação e a inflação, apesar de volátil, segue em trajetória de acomodação ao longo do horizonte relevante.

· 01:49 — E esse mercado de trabalho?

Em meio à volatilidade provocada pelas tensões no Oriente Médio, o principal foco dos investidores internacionais passou a ser o relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos, que será divulgado hoje. As expectativas apontam para a criação de cerca de 55 mil a 60 mil vagas em fevereiro, abaixo das 130 mil registradas em janeiro, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.

Neste momento, curiosamente, a taxa de desemprego tende a ser mais relevante para o Fed do que o número de vagas em si, já que o crescimento do payroll vem sendo limitado por fatores estruturais, como menor expansão populacional e demanda moderada por trabalho. Ainda assim, mesmo com um eventual dado mais fraco, que poderia aliviar a tensão, o mercado continua mais preocupado com pressões inflacionárias ligadas à alta da energia, o que já levou parte das apostas de cortes de juros a migrarem de julho para setembro.

· 02:37 — Impacto logístico

A escalada da guerra com o Irã já começa a provocar disrupções relevantes na logística global, especialmente após a forte redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. O fluxo marítimo caiu drasticamente, de cerca de 138 navios por dia para apenas dois em determinado momento, diante do aumento do risco militar, dos ataques a infraestruturas energéticas e da alta dos custos de seguro marítimo. Os efeitos vão além do petróleo: cadeias de suprimentos também começam a sentir impactos, com atrasos em entregas de empresas globais e pressões sobre setores dependentes da região, como fertilizantes, alimentos, eletrônicos e produtos farmacêuticos, além do aumento do custo do frete aéreo em rotas que cruzam o Oriente Médio.

Esse choque logístico tende a se refletir nos preços globais, especialmente por meio da alta da energia e do transporte. O petróleo reagiu com força — com o Brent acima de US$ 85 e o WTI próximo de US$ 81 por barril — reforçando o risco de pressões inflacionárias. Segundo o FMI, um aumento de 10% nos preços da energia mantido por um ano poderia elevar a inflação global em cerca de 0,4 ponto percentual e reduzir levemente o crescimento econômico em até 20 pontos-base. O impacto tende a aparecer principalmente na inflação cheia e no custo de bens transportados, enquanto a inflação núcleo deve sentir efeitos mais limitados. Ainda assim, a dinâmica reforça o risco de um ambiente macroeconômico mais desafiador, com energia mais cara.

· 03:23 — Qual o objetivo final?

Inicialmente, o objetivo declarado dos Estados Unidos ao iniciar a ofensiva contra o Irã era promover uma mudança de regime em Teerã. A aposta de Washington era que uma campanha militar rápida, combinada com a eliminação de parte relevante da liderança política e militar iraniana, poderia enfraquecer o regime a ponto de provocar uma ruptura interna, seja por meio de divisões nas forças de segurança, seja por uma reação da própria população contra o governo dos aiatolás. Na prática, porém, essa estratégia rapidamente revelou seus limites. Apesar dos danos militares relevantes e da eliminação de figuras-chave do aparato de poder, a estrutura institucional da República Islâmica permaneceu intacta, o regime manteve capacidade de retaliação e não surgiram sinais claros de uma oposição organizada capaz de assumir o poder.

Esse ponto ficou ainda mais evidente após a morte de Ali Khamenei no contexto do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A Assembleia de Peritos, órgão formado por 88 clérigos responsável pela escolha do líder supremo, já se movimenta para definir um sucessor, com Mojtaba Khamenei, filho de Khamenei, entre os principais nomes considerados. Nesse contexto, torna-se cada vez mais claro que uma mudança de regime exigiria tropas em solo ou a existência de uma oposição interna organizada e capaz de assumir o poder, dois elementos que, no momento, parecem ausentes. Diante desse impasse, os EUA podem passar a perseguir um objetivo estratégico mais limitado, porém potencialmente decisivo do ponto de vista econômico: controlar ou neutralizar pontos críticos da infraestrutura petrolífera iraniana, em especial a ilha de Kharg, responsável por cerca de 80% a 90% das exportações de petróleo do país. O domínio ou a neutralização desse terminal daria a Washington influência sobre a principal fonte de receita do regime, pressionando economicamente Teerã sem a necessidade de uma ocupação do território.

Uma estratégia desse tipo poderia oferecer aos EUA uma forma de exercer pressão duradoura sobre o regime iraniano, reduzindo sua capacidade de financiar programas militares, nucleares ou redes de aliados regionais, ao mesmo tempo em que evita o custo político e militar de uma guerra terrestre prolongada. Ainda assim, trata-se de uma aposta arriscada. O regime iraniano poderia optar por destruir parte de sua própria infraestrutura antes de permitir qualquer forma de controle externo, movimento que provavelmente provocaria uma forte disparada nos preços do petróleo e ampliaria significativamente os custos econômicos globais do conflito. Em outras palavras, a estratégia pode aumentar a pressão sobre Teerã, mas também eleva os riscos para o próprio sistema energético internacional. O horizonte não é trivial.

· 04:16 — Ajuste de posição

A escalada do conflito no Irã provocou uma forte saída de capital estrangeiro das bolsas de mercados emergentes da Ásia, no ritmo mais intenso em quase quatro anos. Fundos globais retiraram cerca de US$ 11 bilhões da região (excluindo a China) nesta semana, com saídas expressivas de Taiwan, Coreia do Sul e Índia, refletindo a reavaliação de riscos geopolíticos pelos investidores. Ainda assim, o último pregão da semana trouxe algum alívio: as bolsas conseguiram se estabilizar parcialmente com a queda do dólar e esforços dos EUA para mitigar os efeitos da alta do petróleo.

· 05:01 — O que importa é o estrutural: lições de um mundo mais conflituoso

A recente operação militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã deve ser interpretada sobretudo sob uma ótica estratégica. Mais do que degradar capacidades militares iranianas no curto prazo, a ação também funciona como um sinal de dissuasão geopolítica, direcionado não apenas a Teerã, mas também a outras potências globais, como China e Rússia. Apesar das preocupações iniciais com o mercado de petróleo, interrupções estruturais e permanentes no fornecimento global de energia parecem pouco prováveis neste momento, o que tende a limitar impactos mais duradouros sobre inflação, crescimento econômico e política monetária. Para o investidor, o ponto central é olhar além da volatilidade e identificar tendências estruturais que podem ganhar força em um ambiente geopolítico tenso, como defesa.

Esse contexto de maior instabilidade internacional já começa, inclusive, a produzir respostas concretas na esfera da política em outras regiões. A França anunciou recentemente um reforço relevante em sua estratégia de dissuasão nuclear, com o presidente Emmanuel Macron sinalizando a expansão do arsenal atômico francês e a possibilidade de estender sua proteção nuclear a aliados europeus. A iniciativa envolve maior cooperação com países como Alemanha, Reino Unido, Polônia e Holanda, além da realização de exercícios conjuntos de dissuasão e até o eventual deslocamento de capacidades estratégicas para parceiros. O movimento reflete uma tendência mais ampla: a de uma Europa progressivamente mais responsável por sua própria segurança, em um cenário no qual os Estados Unidos reorganizam prioridades estratégicas e incentivam seus aliados a assumir maior protagonismo em defesa.

A implicação prática desse ambiente é relativamente clara. Em um mundo marcado por tensões geopolíticas persistentes e orçamentos militares estruturalmente mais elevados, o setor de defesa deixa de ser apenas um tema cíclico e passa a se consolidar como uma tese estrutural de longo prazo. Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa — como o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) — surgem como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada ao setor. Ainda assim, a disciplina na alocação continua sendo fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com um limite agregado em torno de 5% para a classe dos temáticos, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente a esse tipo de ativo.

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Alphabet (GOGL34), Microsoft (MSFT34) e mais: as apostas da Empiricus no mercado de ações internacionais em março

6 de Março de 2026, 08:00

O mês de março inicia com um cenário desafiador do ponto de vista geopolítico, trazendo maior aversão ao risco nos mercados globais. Porém, alguns ativos em especial ainda carregam alto potencial para investidores que desejam buscar lucros no momento.

Nesse sentido, a Empiricus Research trouxe alterações táticas em sua carteira recomendada de ações internacionais para março, assinada por Enzo Pacheco, analista da casa.  

Certezas de um lado, incertezas de outro: o contexto econômico que envolve as bolsas globais

A primeira semana do mês de março trouxe a grande escalada dos conflitos no Oriente Médio, protagonizados pelos Estados Unidos, Israel e Irã.

As primeiras notícias do conflito trataram de derrubar ativos de risco ao redor do mundo, deixando diversos índices (desde na bolsa norte-americana até nas asiáticas, e inclusive o Ibovespa, no Brasil) no vermelho.

Isso porque, em cenários de total incerteza como esse, muitos investidores optam por migrar parte de seus portfólios para ativos de proteção, como o ouro.

Porém, Enzo Pacheco, analista de ações internacionais da Empiricus Research, defende que é essencial que o investidor mantenha algum nível de exposição às bolsas internacionais – especialmente a norte-americana – independentemente do cenário.

Os Estados Unidos seguem sendo a casa das teses de investimento de maior relevância no mercado, como as big techs e outras empresas ligadas à inteligência artificial (IA).

Dito isso, para Pacheco, este é um “momento técnico”, que não diz respeito a zerar posições, mas sim aumentar a exposição a três ações bastante específicas, reveladas em relatório da última segunda-feira (2).

Alphabet (GOGL34), Microsoft (MSFT34) e Visa (VISA34): as ações internacionais ‘destaque’ para buscar lucros em março

Segundo Enzo Pacheco, a estratégia para o mês de março é aumentar a exposição em três teses de alta qualidade que estão descontadas atualmente e, assim, buscar valorizações assertivas: Alphabet (GOGL34), Microsoft (MSFT34) e Visa (VISA34).

  • Alphabet (Nasdaq: GOOG; B3: GOGL34)

A Alphabet, holding do Google, acumula queda de cerca de 9% em suas ações na Nasdaq nos últimos 30 dias. Para Pacheco, essa é uma oportunidade de compra.

“Aproveitamos o enfraquecimento recente do papel, que interrompeu o forte momentum de alta observado ao longo de quase todo o ano de 2025. Mesmo com a queda recente, a companhia mantém crescimento consistente em Google Cloud, forte geração de caixa e posição dominante em busca e publicidade digital, além de estar bem-posicionada para capturar a expansão de IA”, afirma o analista.

  • Microsoft (Nasdaq: MSFT; B3: MSFT34)

A Microsoft, bastante conhecida do grande público, viu suas ações sofrerem uma derrocada na bolsa norte-americana desde o dia 28 de janeiro, data em que divulgou seus últimos resultados trimestrais. Porém, já ensaiam uma recuperação – o que reforça que a tese não perdeu sua qualidade:

“Apesar da reação de mercado [aos resultados trimestrais], a empresa segue com ótimos fundamentos e perspectivas. Por isso, entendo esse momento como uma oportunidade para aumentarmos a posição a um preço mais favorável”, afirma Pacheco.

  • Visa (NYSE: V; B3: VISA34)

No caso da Visa, também amplamente conhecida, o valuation dos papéis também não acompanhou os bons resultados divulgados no 4º trimestre de 2025, segundo o analista:

“A companhia divulgou mais um resultado acima das expectativas, com crescimento de receita e lucro acima dos 10% pelo terceiro trimestre consecutivo. Ainda assim, o papel segue sendo negociado por um múltiplo preço/lucro projetado próximo das mínimas dos últimos cinco anos – patamar que se demonstrou um bom ponto de entrada do ativo nesse ínterim”.

Porém, apesar de serem os destaques do mês, as ações não são as únicas recomendações de compra de Enzo Pacheco. Na carteira de ações internacionais, elas estão acompanhadas de outros 7 nomes de peso, que representam diversos setores da economia global – uns mais defensivos, outros mais cíclicos – em nome da diversificação.

Acesso liberado: confira carteira completa com 10 ações internacionais para investir em março

A Empiricus está liberando, como cortesia para todos os leitores desse texto, o acesso à carteira recomendada das 10 ações internacionais mais promissoras do mês.

Além dos nomes citados, você pode conhecer outras empresas, como:

  • Uma gigante da tecnologia chinesa;
  • Uma empresa de Taiwan, apelidada de “a maior empresa mais desconhecida do mundo;
  • Uma farmacêutica da Dinamarca, cujos produtos têm dominado as prateleiras mundo afora.

Vale lembrar que, apesar de serem ativos estrangeiros, os papéis recomendados podem ser comprados na própria bolsa brasileira, por meio de BDRs.

Para acessar o relatório, basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções na tela. Lembrando que é totalmente gratuito:

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Ibovespa hoje: pesquisa do Datafolha e rumores de negociações entre Irã e CIA devem ecoar nos mercados nesta quinta (5); confira destaques

5 de Março de 2026, 09:18

Os mercados globais iniciam a quinta-feira (5) em tom levemente positivo, após um início de mês marcado por forte volatilidade provocada pela escalada da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã. Investidores continuam ajustando posições diante de um cenário ainda incerto, no qual o conflito no Oriente Médio permanece como o principal fator de risco no curto prazo. Apesar de alguma recuperação recente em algumas bolsas, inclusive a brasileira, a situação segue tensa, com novos ataques sendo registrados e ainda sem sinais claros de uma solução no horizonte imediato. Nesse contexto, o petróleo voltou a subir, com o Brent acima de US$ 82 por barril, refletindo as preocupações com o abastecimento global e as dificuldades no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de energia.

Na Ásia, os mercados acionários registraram uma recuperação relevante, liderada pela Coreia do Sul, onde o índice Kospi avançou cerca de 9,6%, recuperando boa parte das perdas do dia anterior, quando havia sofrido uma das quedas mais fortes de sua história recente. No Japão, o Nikkei subiu quase 2%, enquanto as bolsas chinesas também apresentaram ganhos após Pequim divulgar metas econômicas mais moderadas, com crescimento projetado entre 4,5% e 5% para os próximos anos. Nos Estados Unidos, o apoio do Senado à campanha militar contra o Irã indica que o conflito pode se prolongar por mais tempo do que inicialmente imaginado, o que tende a manter a volatilidade elevada nos mercados internacionais nas próximas semanas.

· 00:55 — Alívio nos mercados, atenção no radar

No Brasil, o principal índice da bolsa voltou a apresentar recuperação no pregão de ontem, acompanhando também a melhora observada nos mercados internacionais. O Ibovespa retomou o patamar dos 185 mil pontos, enquanto o dólar recuou e voltou a orbitar a região de R$ 5,20. Parte dessa melhora no humor dos investidores ocorreu após uma reportagem do The New York Times sugerir que integrantes da inteligência iraniana teriam procurado a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para discutir possíveis caminhos de negociação. Posteriormente, o governo iraniano negou a informação — algo que, em certa medida, já era esperado no contexto político do conflito —, mas o simples surgimento da possibilidade de diálogo contribuiu para reduzir momentaneamente o clima de aversão ao risco nos mercados globais.

No cenário doméstico, os investidores acompanham nesta quinta-feira a divulgação de novas pesquisas eleitorais, com destaque para os levantamentos do Datafolha para presidente e governadores. No campo corporativo, o noticiário também segue movimentado, com grande expectativa para a divulgação dos resultados da Petrobras, prevista para a noite de hoje. A atenção do mercado se concentra especialmente no anúncio de dividendos, dado o peso relevante da companhia dentro do Ibovespa e seu potencial de influenciar o humor do mercado na sexta-feira. Na agenda de indicadores, o foco recai sobre os dados do mercado de trabalho, com a divulgação da taxa de desemprego de janeiro pela Pnad Contínua, que pode confirmar a resiliência do emprego observada no Caged divulgado no início da semana. Caso essa leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido se confirme, aumenta a probabilidade de que o Copom opte por iniciar o ciclo de corte de juros com um movimento mais cauteloso.

Em Brasília, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos e com ampla maioria, a PEC da Segurança Pública, que altera as competências de União, estados e municípios para fortalecer o combate ao crime. O texto agora segue para análise do Senado. Trata-se de um tema com forte peso político e potencial de influenciar o debate público em um ano eleitoral. Já no Senado, foi aprovado por unanimidade o projeto que ratifica o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que agora segue para promulgação, representando um passo importante na consolidação de uma das maiores zonas de livre comércio entre blocos econômicos do mundo.

  • VEJA MAIS: novas vagas para conhecer estratégia validada por investidora do Shark Tank Brasil para escalar seu negócio em 2026 serão liberadas a partir de 9/3; inscreva-se 

· 01:48 — Humor levemente aprimorado

Nos Estados Unidos, os destaques do dia ficam para os pedidos semanais de seguro-desemprego e para os dados sobre custo da mão de obra, que ajudam a medir a dinâmica do mercado de trabalho e possíveis pressões inflacionárias. Mesmo em meio às tensões geopolíticas, o mercado acionário americano demonstrou resiliência, com os principais índices praticamente retornando aos níveis observados antes do início do conflito. Parte dessa recuperação foi impulsionada por um PMI de serviços mais forte do que o esperado, sinalizando que o setor (responsável pela maior parcela da economia americana) continua sustentando o crescimento. Ainda assim, ao longo do ano observa-se uma rotação gradual de investimentos, com parte do mercado questionando os valuations mais elevados de empresas de tecnologia e direcionando capital para setores ligados a infraestrutura, indústria e ativos descontados.

· 02:34 — Os famosos 15%

A política comercial dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções após o secretário do Tesouro, Scott Bessent, confirmar que o governo pretende elevar a tarifa global de importação de 10% para 15%, como prometido por Trump, medida que deve entrar em vigor ainda nesta semana e permanecer válida por 150 dias, enquanto o governo busca estabelecer uma nova base jurídica para restabelecer as tarifas que foram derrubadas pela Suprema Corte. Embora o impacto direto sobre a inflação seja incerto, o aumento das tarifas pode contribuir para manter as pressões inflacionárias por mais tempo, especialmente porque altas costumam ser repassadas aos preços com mais facilidade do que reduções, além de influenciar a percepção dos consumidores sobre o custo de vida. Paralelamente, uma decisão do Tribunal de Comércio Internacional abriu caminho para possíveis reembolsos de cerca de US$ 175 bilhões em tarifas cobradas anteriormente com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), o que pode beneficiar milhares de importadores, embora o governo ainda possa tentar contestar a implementação dos pagamentos.

· 03:26 — Mais um dia de guerra

No sexto dia da guerra envolvendo o Irã, o conflito passou a assumir contornos cada vez mais globais. Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano nas proximidades do Sri Lanka — o primeiro ataque desse tipo realizado por um submarino dos Estados Unidos contra uma embarcação de superfície desde a Segunda Guerra Mundial — ampliando significativamente o nível de tensão. Teerã prometeu retaliar, enquanto a dinâmica de ataques e contra-ataques já se espalha por diferentes pontos do Oriente Médio, com o Irã mirando bases e representações americanas e Israel intensificando suas operações contra aliados iranianos na região. A escalada já envolve um número crescente de países, e até mesmo a OTAN acabou entrando no episódio ao interceptar um míssil que se dirigia à Turquia. Em paralelo, o petróleo segue em trajetória de alta e se aproxima de US$ 85 por barril, refletindo o temor de que o conflito possa comprometer temporariamente o fluxo global de energia.

Os efeitos da guerra começam também a transbordar para além do campo militar. Na Ásia, a China orientou suas principais refinarias a suspender temporariamente exportações de combustíveis, priorizando o abastecimento doméstico em meio às incertezas do mercado energético. Já o Japão avalia a possibilidade de liberar petróleo de suas reservas estratégicas, uma medida preventiva diante do risco de interrupções no transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz. Ainda assim, a experiência histórica sugere que choques geopolíticos, embora gerem episódios de forte volatilidade do curto-prazo, como o que estamos vendo agora, costumam ter efeitos temporários sobre os mercados, frequentemente abrindo oportunidades de investimento quando os preços dos ativos recuam. O desfecho do conflito, contudo, permanece incerto, o que recomenda cautela adicional por parte dos investidores.

· 04:12 — Definindo metas

Os índices de gerentes de compras (PMIs) da China ficaram abaixo de 50 pontos em fevereiro, nível que indica contração da atividade econômica, embora parte desse movimento seja explicada por fatores sazonais, especialmente o impacto do Ano Novo Lunar, período em que fábricas e empresas costumam interromper suas operações. Em contraste, os PMIs privados apontaram expansão mais consistente tanto na indústria quanto no setor de serviços, sugerindo que a fraqueza dos dados oficiais tem caráter mais técnico do que estrutural. Ao mesmo tempo, Pequim definiu uma meta de expansão do PIB entre 4,5% e 5%, a mais baixa desde os anos 1990, refletindo o reconhecimento de que o modelo econômico chinês atravessa um período de transição, marcado por demanda doméstica mais fraca, desafios no setor imobiliário e a necessidade de desenvolver novos motores de crescimento, embora o governo ainda mantenha espaço para estímulos adicionais diante das incertezas internas e externas.

· 05:07 — Marca de entrada

A Apple (BDR: AAPL34; Nasdaq: AAPL) anunciou um novo laptop mais acessível, o MacBook Neo, com preço inicial de US$ 599 — um patamar significativamente inferior ao dos demais computadores da marca, já que o modelo mais barato até então partia de US$ 999. O novo dispositivo é leve, colorido e utiliza o mesmo chip presente nos iPhones, o que indica uma mudança sutil, porém relevante, na estratégia da companhia. Tradicionalmente posicionada como uma fabricante de tecnologia premium, a Apple passa a explorar com mais clareza um segmento de entrada, buscando ampliar sua presença em um mercado dominado por PCs mais baratos e, ao mesmo tempo, atrair novos usuários para dentro de seu ecossistema.

O lançamento faz parte de uma semana particularmente ativa em anúncios de produtos da empresa. Além do MacBook Neo, a Apple também apresentou um novo modelo de iPhone mais acessível, o iPhone 17e, ao mesmo tempo em que atualizou suas linhas mais avançadas, como MacBook Pro e MacBook Air, que continuam posicionadas em faixas de preço mais elevadas. Esse movimento revela uma estratégia mais abrangente: ampliar o portfólio para atender diferentes perfis de consumidores, desde usuários que buscam um primeiro dispositivo da marca até aqueles que demandam equipamentos mais sofisticados e de maior desempenho.

Mesmo com a expansão para produtos mais acessíveis, a lógica estratégica permanece clara: fortalecer o ecossistema Apple e ampliar sua base global de usuários. Quanto mais pessoas entram nesse ambiente, utilizando iPhone, Mac, iPad ou outros dispositivos, maior tende a ser a recorrência de receitas vindas de serviços, assinaturas e atualizações de hardware ao longo do tempo. Ao combinar dispositivos de entrada com produtos premium e manter forte integração entre hardware, software e serviços, a empresa preserva sua capacidade de monetização e reforça uma de suas maiores vantagens competitivas. Para o investidor, essa estratégia ajuda a sustentar a tese estrutural da companhia como um dos ativos mais robustos do setor de tecnologia. A Apple segue apoiada em marca extremamente forte, escala global, elevada geração de caixa e capacidade contínua de inovação. Nesse contexto, sigo vendo AAPL34 como uma posição interessante para complementar carteiras de ações internacionais — sempre, naturalmente, respeitando o dimensionamento adequado das posições e o perfil de risco de cada investidor.

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Fim da escala 6×1 pode atrapalhar seus negócios? Entenda como você pode aumentar o seu faturamento, mesmo com as possíveis mudanças

4 de Março de 2026, 11:38

A PEC para o fim da escala 6×1 está atualmente nas mãos do Congresso. Enquanto aguarda-se novas deliberações sobre o projeto, os brasileiros levam o debate para o cotidiano. Alguns empreendedores temem que a redução da jornada diminua os níveis de produtividade, assim como elevem as despesas com funcionários.

Por outro lado, há também quem defenda o fim da escala 6×1, em vista de um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal, além de benefícios para a saúde com a redução da carga horária.

Diante da possibilidade de mudanças, uma coisa é certa: este é um bom momento para revisar as estratégias do negócio. O empreendedor que se antecipa, calcula cenários e ajusta sua operação vai estar mais preparado para as transformações estruturais ou conjunturais que podem vir a acontecer.

Uma forma de se preparar para diversos cenários é contar com boas orientações, de quem navega nesse mercado há mais tempo e já atravessou diferentes ciclos econômicos.

É nesse contexto que se destaca Carol Paiffer. Empresária, ela integra o quadro societário de mais de 114 empresas. Além disso, é reconhecida como uma das principais investidoras do país, com foco em startups e negócios de alto potencial de crescimento.

Ao longo de mais de vinte anos de carreira, ela acompanhou empresas de variados portes e setores. Desde 2020, Carol é uma das investidoras do Shark Tank Brasil. No programa, ela participou de seis temporadas desenvolvendo um olhar criterioso para identificar empresas lucrativas, escaláveis e competitivas.

Agora, ela quer ir além. Com um novo projeto em parceria com a Empiricus, o Impulso CNPJ, Carol quer ajudar empreendedores a montarem negócios de governança estruturada e rentabilidade em seu melhor potencial, preparados para quaisquer mudanças, inclusive na escala de trabalho.

Vantagens e desvantagens da escala 6×1 para empreendedores

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a redução da carga semanal para 36 horas, pode gerar impacto financeiro alto no comércio brasileiro.

Um estudo da CNC aponta para um custo adicional de R$ 122,4 bilhões ao ano, e uma elevação da folha salarial do setor em 21%.

Por outro lado, especialistas do assunto apontam que a jornada 6×1 ainda é o vestígio de um atraso e de que traria impactos positivos à qualidade de vida e produtividade dos trabalhadores.

A redução da carga de trabalho, também poderia trazer efeitos positivos para os empreendedores. Por exemplo, o aumento da produtividade de funcionários mais descansados, maior retenção de talentos e estímulos à inovação e tecnologia.

A 9ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, indicou que a maioria dos empreendedores consultados enxergam que os impactos do fim da jornada 6×1 serão positivos ou neutros no negócio.

Mas o ponto é que, não são todos os empreendedores que sabem identificar e quantificar os impactos do possível fim da escala 6×1 no negócio.

Neste momento, é importante entender como evitar que a carga horária reduzida tenha impactos negativos no seu negócio. Saber como usar as vantagens da nova jornada de trabalho para impulsionar a sua empresa pode ser fundamental.

Este é um dos objetivos do Impulso CNPJ. Em um ano com possíveis mudanças estruturais no mercado de trabalho, muitos feriados, Copa do Mundo e eleições, ter um plano sólido é a ponte que pode fazer o seu negócio atravessar todo esse cenário com crescimento.

E a sua empresa pode ser recrutada para esse projeto.

Impulso CNPJ:  inscrições para empresários em novo projeto de aceleração começam na próxima segunda (9)

Em meio aos debates sobre a jornada 6×1, vale lembrar que, independentemente do rumo da PEC, negócios bem estruturados tendem a se adaptar melhor.

Assim, em parceria com a Empiricus Research, o Impulso CNPJ traz uma abordagem 360º. O protocolo combina estratégia, visão financeira e posicionamento de mercado, voltado para aqueles que querem fortalecer suas empresas.

O programa vai selecionar um grupo exclusivo de empreendedores e acompanhada de mentores e empresários experientes, Carol Paiffer vai aplicar o exato protocolo utilizado nas startups que investe.

Entre as etapas Paiffer vai ajudar o empreendedor:

  • Entender como aumentar faturamento, margem e lucratividade;
  • Identificar avenidas de crescimento;
  • Formular um plano de expansão consistente;
  • Ajudar empresários a saírem do operacional para focar no estratégico e dedicarem tempo para a vida pessoal.

Mais do que um curso de formação tradicional, trata-se da metodologia da Shark Tank School, iniciativa oficial ligada ao ecossistema do programa que se tornou referência nacional em empreendedorismo.

O projeto terá início no dia 9 de março, às 19 horas. Nesta data, Paiffer vai apresentar todos os detalhes sobre o Impulso CNPJ e depois liberar as inscrições para os interessados.

Para participar do evento online e gratuito para saber mais, é só clicar no botão abaixo:

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Ibovespa hoje: alta do petróleo acende alertas sobre expectativa de cortes da taxa Selic; veja as principais manchetes desta quarta (4)

4 de Março de 2026, 09:11

A tensão geopolítica tem afetado de forma mais intensa os mercados asiáticos, dada a dependência da região do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos têm apresentado reações relativamente mais moderadas. A sinalização do presidente Donald Trump de que a Marinha americana poderá escoltar petroleiros e oferecer garantias para o transporte marítimo ajudou a aliviar parte do estresse dos mercados e a moderar a alta do petróleo, embora os preços da commodity ainda permaneçam em patamar elevado. Ainda assim, a manutenção desse tipo de escolta por um período prolongado também enfrenta limitações práticas, tanto pelos custos envolvidos quanto pelo grande volume de embarcações que transitam pela região. Com o conflito ainda em curso, os investidores permanecem atentos aos seus desdobramentos e aos possíveis efeitos sobre inflação, energia e crescimento global, em um ambiente que segue marcado por elevada incerteza.

Choques geopolíticos costumam provocar episódios de forte volatilidade nos mercados financeiros, mas a experiência histórica mostra que, na maioria das vezes, esses movimentos tendem a ser temporários e acabam abrindo oportunidades de compra quando os preços dos ativos recuam. Ainda assim, a escalada recente do conflito envolvendo o Irã desencadeou uma nova onda de aversão ao risco, marcada por quedas nas bolsas globais, valorização do dólar e forte alta do petróleo, configurando o choque energético mais relevante desde a invasão da Ucrânia. Embora parte dos investidores enxergue as correções recentes como possíveis pontos de entrada, permanece no radar o risco de cenários mais adversos caso o conflito se prolongue ou provoque disrupções significativas no comércio global de energia.

· 00:52 — Sentindo a pressão internacional

No Brasil, a alta do petróleo reacendeu preocupações inflacionárias e já começou a influenciar as expectativas para a política monetária. Não se engane: o ciclo de corte de juros deve, sim, começar. O ponto é que a combinação de incerteza geopolítica e petróleo mais caro, logo depois de uma leitura do IPCA-15 acima do esperado e de um Caged também mais forte do que as projeções, aumenta a pressão sobre o Banco Central. Nesse ambiente, o início do ciclo pode ser de 25 pontos-base, em vez de 50, e a trajetória de flexibilização tende a ficar mais gradual, a depender da duração e do desfecho do conflito, mesmo com sinais claros de desaceleração da atividade (percepção reforçada pelo PIB divulgado ontem). Em paralelo ao fortalecimento global do dólar, o Ibovespa registrou seu pior pregão desde o “Flávio Day” e voltou a orbitar a região dos 183 mil pontos, num movimento que também reflete realização de lucros: muitos investidores já estavam, francamente, procurando um pretexto para ajustar posições após a forte alta recente.

O fluxo estrangeiro segue robusto — em 2026, até o fim de fevereiro, já haviam entrado mais de R$ 40 bilhões —, mas o início de março foi turbulento. Ainda assim, em níveis como os atuais, faz sentido acompanhar com atenção a possibilidade de rebounds (recuperações) diante de qualquer sinalização positiva, por menor que seja.

A agenda de eventos, por ora, está relativamente esvaziada, com alguns resultados corporativos no horizonte. Em Brasília, enquanto o governo tenta recuperar popularidade com novas benesses (desta vez buscando ampliar limites de renda e o teto dos imóveis elegíveis no Minha Casa, Minha Vida), o Congresso discute temas relevantes para a agenda política e econômica: a Câmara pode votar a PEC da Segurança Pública, e o Senado analisa o acordo comercial Mercosul–União Europeia, cuja vigência pode começar já em maio.

· 01:43 — Escolta em Ormuz

Nos Estados Unidos, os mercados experimentaram forte aversão ao risco, refletindo a escalada das tensões no Oriente Médio e o agravamento do conflito envolvendo o Irã, com as bolsas abrindo em queda acentuada e o índice de volatilidade VIX (termômetro do medo nos mercados) chegando a subir cerca de 26% nas primeiras horas de negociação da terça-feira. Ao longo da sessão, porém, parte desse movimento foi revertida e as perdas nas bolsas americanas acabaram sendo mais moderadas, à medida que os investidores passaram a reavaliar o risco imediato de um choque energético mais severo. A melhora do humor ocorreu principalmente após declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que a Marinha dos Estados Unidos poderá escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, além de oferecer garantias e seguros para operações de transporte marítimo na região, sinalização que ajudou a reduzir os preços do petróleo ao longo do dia e a aliviar parte das preocupações com uma possível interrupção relevante no fornecimento global de energia.

· 02:35 — Novos incidentes

O conflito no Oriente Médio continua a se ampliar e ganhar novos contornos regionais. Israel avançou para novas posições no sul do Líbano pela primeira vez desde o cessar-fogo de 2024 e intensificou ataques contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, ao mesmo tempo em que prossegue a ofensiva conjunta com os Estados Unidos contra alvos ligados à República Islâmica. Em resposta, o Hezbollah lançou foguetes contra Israel, provocando uma forte retaliação que incluiu bombardeios aéreos e marítimos e resultou na morte de dezenas de pessoas no Líbano.

O agravamento do conflito já começa a produzir efeitos também fora do campo militar: companhias aéreas ao redor do mundo passaram a suspender ou redirecionar voos para destinos no Oriente Médio, diante do aumento dos riscos de segurança no espaço aéreo. Mais de 12 mil voos foram cancelados, inclusive em importantes centros globais de conexão como Dubai e Doha, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos e ampliando as disrupções no transporte aéreo internacional. O transtorno logístico é gigantesco.

· 03:26 — Mensurando o tamanho do choque

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado os custos de energia e transporte, neste momento especialmente por meio da alta do diesel, insumo central para fretes, geração de energia e aquecimento, reacendendo preocupações inflacionárias e estimulando a busca por ativos de proteção.

Nesse ambiente de maior aversão ao risco, o dólar volta a se destacar como principal refúgio dos investidores, mesmo diante da queda das bolsas e da volatilidade em outras classes de ativos. Ainda assim, embora episódios de forte alta nos preços de energia frequentemente remetam à memória do choque do petróleo de 1973, o contexto atual é distinto: a economia global é hoje menos dependente de energia, conta com fontes alternativas mais desenvolvidas e não enfrenta o mesmo grau de inflação ou aperto monetário observado em crises anteriores.

Além disso, a experiência histórica mostra que eventos geopolíticos raramente produzem quedas prolongadas nos mercados acionários. Por isso, caso o conflito permaneça limitado no tempo, a recente correção pode representar uma oportunidade de entrada — ainda que, como sempre nesses momentos, acompanhada de incertezas e riscos relevantes.

· 04:11 — Definindo a rota

A China iniciou o Congresso Nacional do Povo, a principal reunião política anual do país, na qual o governo define metas econômicas e sinaliza as prioridades estratégicas para os próximos anos. Em 2026, o encontro ganha peso adicional por servir de vitrine para o 15º Plano Quinquenal (2026–2030), que deve orientar o desenvolvimento da economia chinesa com ênfase em inteligência artificial, avanço tecnológico e fortalecimento do consumo interno, numa tentativa de reequilibrar o modelo de crescimento. Além disso, o governo tende a anunciar uma nova meta de expansão do PIB, possivelmente na faixa de 4,5% a 5% ao ano, refletindo um cenário menos confortável, marcado por tensões comerciais com os Estados Unidos, fragilidades persistentes no setor imobiliário e sinais de perda de tração em algumas frentes.

Nos últimos anos, muitos investidores esperavam que Pequim entregasse um estímulo fiscal mais contundente para reacelerar a demanda doméstica, mas a execução tem sido mais gradual e limitada — o que ajudou a explicar o desempenho relativamente mais fraco das ações chinesas frente a outros mercados globais. Um dos pontos centrais do debate é que o consumo das famílias representa apenas cerca de 41% do PIB, um patamar baixo em comparação internacional e que alimenta dúvidas sobre a capacidade do país de sustentar, por muito tempo, um crescimento próximo de 5% sem uma melhora mais visível do lado do consumidor. Por isso, o Congresso será acompanhado de perto por investidores no mundo todo, em busca de sinais mais claros sobre novos estímulos, sobre a disposição de reduzir a dependência das exportações e, ao mesmo tempo, sobre como a China pretende avançar em sua autonomia tecnológica, especialmente em semicondutores e na cadeia de IA, em um cenário de competição cada vez mais direta com os EUA em áreas mais estratégicas.

· 05:07 — Capturando a alta do petróleo

A escalada recente das tensões no Oriente Médio, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, recolocou o risco geopolítico no centro do mercado global de energia. O principal canal de impacto tem sido a logística do comércio internacional de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo, como já conversamos nesta semana. O aumento da presença militar na região, a retirada de cobertura de seguros marítimos e a redução do tráfego de navios vêm criando fricções importantes no transporte da commodity, elevando custos e incorporando um prêmio de risco geopolítico ao preço do petróleo Brent. Nesse contexto, a variável central para os mercados passa a ser a duração do conflito: episódios mais curtos tendem a gerar apenas volatilidade temporária, enquanto uma escalada prolongada poderia comprometer de forma mais estrutural os fluxos globais de energia.

Esse risco ganha dimensão adicional porque o Golfo Pérsico concentra uma parcela expressiva da oferta mundial de petróleo, funcionando como uma das principais rotas de exportação para grandes consumidores asiáticos, como China, Japão e Índia. Assim, qualquer perturbação relevante no trânsito marítimo da região tende a repercutir rapidamente nos preços internacionais da energia. Diferentemente de episódios recentes, como as disrupções na Venezuela ou conflitos regionais mais localizados, a atual escalada apresenta um potencial mais sistêmico por envolver diretamente países do Golfo e colocar em risco uma das principais artérias do comércio energético global. Nesse ambiente, o mercado já passou a incorporar um prêmio de risco ao petróleo, com o Brent negociando na faixa superior a US$ 80 por barril, podendo avançar ainda mais caso a tensão se intensifique. Esse pano de fundo tende a favorecer, de forma geral, empresas do setor de óleo e gás.

Entre as companhias brasileiras de energia, a Petrobras (PETR4) tende a se beneficiar de um ambiente de petróleo mais valorizado, ainda que de maneira mais gradual do que produtoras totalmente expostas ao preço internacional da commodity. Isso ocorre porque uma parcela relevante de suas operações está ligada ao refino e ao mercado doméstico de combustíveis, o que pode tornar o repasse das oscilações internacionais um pouco mais lento no curto prazo.

Ainda assim, a companhia permanece muito bem-posicionada para capturar esse cenário ao longo do tempo, apoiada em escala de produção robusta, ativos de elevada qualidade, especialmente no pré-sal, e forte geração de caixa. Em um contexto de petróleo mais valorizado, a PETR4 continua reunindo relevância estratégica, robusta capacidade operacional e potencial consistente de geração de valor, o que a torna uma alternativa interessante para complementar carteiras de ações brasileiras. Naturalmente, essa exposição deve ser feita com o devido dimensionamento das posições, sempre em linha com a alocação de risco do portfólio como um todo e com o perfil e os objetivos de cada investidor.

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Axia (AXIA6), Cyrela (CYRE3) e mais: Empiricus divulga seleção ‘Top Picks’ com as 10 ações mais promissoras de março

3 de Março de 2026, 17:02

Com a virada de mês, a Empiricus Research trouxe novidades para sua carteira Empiricus Top Picks, que reúne as 10 ações mais promissoras para investir no momento.

Pensando em março, os analistas da casa optaram pela entrada de dois novos papéis, considerados como uma oportunidade de buscar valorizações em breve, mesmo em um contexto incerto de mercado.

Contexto de mercado é desafiador para os ativos de risco: o que esperar?

O mês de março se inicia com um novo “tempero” nos mercados. A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se expandem em todo o Oriente Médio desde o último sábado (28), chegou para mexer com os ânimos dos investidores.

Na Bolsa dos EUA, índices como S&P 500 e Nasdaq Composite, registravam quedas até o fechamento deste texto, na tarde de terça-feira (3). 

A Bolsa brasileira, que vinha em um viés de alta desde o final de 2025, também não ficou imune: durante o pregão da terça, até o fechamento desse texto, o Ibovespa registrava queda de cerca de 3,7%.

Ainda é cedo para mensurar o verdadeiro impacto dos conflitos nos ativos de risco. Porém, os analistas da Empiricus indicam que, no cenário doméstico brasileiro, ainda há gatilhos que podem contribuir de forma positiva para a Bolsa:  

  • Continuidade na entrada de capital estrangeiro, com investidores “fugindo” dos ativos norte-americanos em meio à escalada dos conflitos;
  • Início do ciclo de cortes na taxa de juros (Selic), amplamente esperado para iniciar na reunião do Copom dos próximos dias 17 e 18 de março;
  • Possível mudança no pêndulo político pós-eleições presidenciais de outubro, em prol de um governo mais fiscalista.

Porém, vale ressaltar que ainda é necessário bastante cautela ao selecionar em quais ações específicas investir.

“Como não podemos dar esses fatores como certos, nossa sugestão é continuar com uma carteira equilibrada, com empresas que costumam mostrar solidez mesmo em ambientes adversos”, afirmam os analistas em relatório da última segunda-feira (2).

Top Picks de março: Axia (AXIA6) e Cyrela (CYRE3) são destaques para o mês

Dentre as principais alterações propostas para a Empiricus Top Picks, estão a saída das ações da Direcional (DIRR3) e Porto (PSSA3), em favor das ações de Cyrela (CYRE3) e Axia (AXIA6).

Segundo a Empiricus, esse é um momento de realização de lucros de ações que surfaram a toada otimista da bolsa até então. No caso da Direcional (DIRR3), as ações subiram 17% somente no mês de fevereiro. Já a Porto (PSSA3) acumulava alta de mais de 47% desde a última entrada na carteira.

E por que investir em Cyrela (CYRE3) e Axia (AXIA6), em especial?

Os analistas indicam que CYRE3 não acompanhou a alta da bolsa em fevereiro, abrindo uma oportunidade, atualmente, de capturar possíveis valorizações com uma ação de:

  • Excelência operacional;
  • Público mais resiliente;
  • Maior sensibilidade ao iminente ciclo de cortes de juros.

Já no caso de AXIA6, as ações negociam a “múltiplos atrativos em relação aos seus pares”: 7,8 vezes o valor da firma sobre o Ebitda. Ao mesmo tempo, a empresa segue apresentando melhora de eficiência e forte geração de caixa. “Um upside maior que a Porto no momento, em nossa opinião”, afirmam os analistas.

Mas aqui, vale lembrar que essas não são as únicas recomendações para o mês. Além dessas, a Empiricus Top Picks traz outras 8 ações em especial com teses não apenas de múltiplos descontados, mas também de resiliência para a carteira em cenários desafiadores.

E se você, leitor, quiser conhecer o restante das recomendações de perto, temos uma boa notícia.

Acesso liberado: confira a carteira Empiricus Top Picks gratuitamente

Você pode conferir, gratuitamente, a carteira recomendada Empiricus Top Picks, com as ações mais promissoras para investir no mês de março.

A Empiricus liberou o acesso ao relatório completo, no qual você encontra todos os papéis selecionados e a tese por trás de cada um.

Para acessar, basta clicar no botão abaixo:

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‘Impulso CNPJ’: descubra como sustentar faturamento do seu pequeno ou médio negócio com menos dias úteis em 2026

3 de Março de 2026, 11:56

Os empreendedores brasileiros, especialmente donos de pequenas ou médias empresas, terão alguns desafios sazonais pela frente em 2026. Isso porque, neste ano, uma combinação de fatores chega para influenciar, diretamente, nos níveis de produtividade dos negócios:

  • Alta incidência de feriados prolongados;
  • Jogos da Copa do Mundo entre os meses de junho e julho; e
  • Eleições presidenciais no mês de outubro.

Os eventos citados podem fazer com que muitas empresas fechem ou operem parcialmente em diversas datas do ano, concedendo algumas folgas a mais aos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, o fluxo de clientes nos comércios também pode diminuir, considerando que muitas famílias aproveitam a oportunidade para deixarem suas cidades e viajarem a outros destinos.

Tudo isso pode comprometer os números da empresa. Um estudo publicado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) já prevê uma queda de cerca de R$ 17 bilhões no faturamento do comércio do estado no ano, uma retração 14% maior em relação a 2025.

Fonte: Fecomercio, consultada em 02/03/2026

Segundo a Fecomercio, esse pode ser um impacto considerado pequeno na visão geral, mas de maior relevância para pequenos comerciantes.

Se esses desafios não forem devidamente endereçados, o mau planejamento pode acarretar prejuízos, ou até encerramento das atividades. Logo, o empreendedor deve aplicar a estratégia correta para escalar seu negócio, mesmo em um ano com menos dias úteis.

E foi pensando exatamente nisso que Carol Paiffer, uma das maiores empresárias do Brasil, apresenta um protocolo especial voltado para empreendedores no ano de 2026.

Impulso CNPJ: Conheça a estratégia validada por especialistas para escalar seu negócio em 2026

Carol Paiffer, empresária e uma das “investidoras-tubarão” do reality show Shark Tank Brasil, atua diretamente na gestão estratégica e captação de recursos das empresas nas quais investe.

Assim, diante dos desafios que 2026 impõe, a empresária decidiu lançar um novo projeto: o Impulso CNPJ.

Trata-se de um programa de aceleração de empresas licenciado pela Shark Tank School, em parceria com a Empiricus Research.

Por meio do programa, o participante entra em contato com os mesmos protocolos utilizados por Carol Paiffer nas empresas nas quais investe, para:

  • Gerenciar crises;
  • “Destravar” o crescimento do negócio;
  • Expandir suas operações.

“Eu quero te ajudar a montar esse plano, assim como faço com as empresas em que eu invisto. O meu objetivo é não só te fazer sobreviver em um ano caótico, mas fazer seu faturamento explodir até 2027”, afirma Paiffer, direcionando-se aos empreendedores que leem este texto. 

Para muito além de um “kit de sobrevivência” para 2026, os insights compartilhados podem não apenas trazer frutos já a partir do ano seguinte, mas também dar ao empreendedor uma mentalidade de liderança e posicionamento de mercado para o futuro.

É como ter uma “amostra” do Shark Tank em toda a sua qualidade, descobrindo o que os “tubarões” fariam em seu lugar para manter o faturamento nos eixos.

Impulso CNPJ: evento online e gratuito apresenta proposta do programa na próxima segunda-feira (9)

Se você é pequeno ou médio empresário e está interessado em saber mais detalhes sobre o programa de aceleração Impulso CNPJ, você está convidado para um evento online e gratuito na próxima segunda-feira (9).

Nesta data, a partir das 19h, Carol Paiffer apresentará todo o passo a passo do programa. Assim, você pode avaliar se a proposta do programa de fato faz sentido para a sua empresa.

As inscrições para o evento são gratuitas. Basta clicar aqui, ou no botão abaixo, para garantir a sua. Esse pode ser o primeiro passo para a virada de chave da qual sua empresa precisa:

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Ibovespa hoje: PIB, disparada do petróleo e novos ataques no Irã em foco; o que esperar da bolsa nesta terça (3)?

3 de Março de 2026, 09:20

Donald Trump afirmou que os Estados Unidos farão “o que for preciso” contra o Irã e sinalizou que a operação militar pode se estender por semanas, à medida que os ataques aéreos continuam e o conflito ganha novas frentes na região. Paralelamente, intensifica-se a disputa de narrativas em torno do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Embora Washington sustente que a rota permanece aberta, as ameaças iranianas e as interrupções logísticas já elevam de forma significativa o risco geopolítico. O Brent negocia perto de US$ 85 por barril nesta manhã, com projeções que não descartam níveis acima de US$ 100 em um cenário mais adverso. Ao mesmo tempo, os preços do gás na Europa dispararam após a interrupção da produção na maior planta de GNL do Catar.

A reação dos mercados globais foi marcada por aversão a risco. Bolsas asiáticas registraram quedas relevantes, com destaque para o mercado sul-coreano, que recuou 7,2% depois de um bom começo de ano. Os futuros em Nova York operam em baixa, enquanto dólar e ouro se fortaleceram como ativos de proteção. Nos Estados Unidos, cresce a preocupação com os efeitos domésticos da alta da gasolina e com o possível aumento do custo fiscal da operação militar. Ao mesmo tempo, países do Golfo buscam articular saídas diplomáticas para evitar uma escalada mais ampla.

· 00:57 — Atividade econômica e dinâmica do mercado de trabalho

No Brasil, a agenda do dia concentra atenções na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre pelo IBGE e nos dados de emprego do Caged, do Ministério do Trabalho. Para o PIB, a expectativa é de crescimento de 0,1% na margem e de 1,7% na comparação anual, o que consolidaria uma alta próxima de 2,3% em 2025, sinalizando desaceleração em relação a 2024, em grande parte refletindo a perda de tração no segundo semestre, já sob os efeitos do aperto monetário. No Caged, o consenso aponta para um saldo positivo de 104 mil vagas formais. Caso os dados venham mais fortes do que o esperado, aumenta a chance de o mercado reforçar a leitura de um corte mais cauteloso da Selic em março, possivelmente de apenas 25 pontos-base, sobretudo após a surpresa altista do IPCA-15 na semana passada e em meio às tensões no Oriente Médio, que tendem a elevar a prudência do Banco Central.

Ontem, o pregão foi positivo para o Ibovespa, com destaque para a alta da Petrobras (PETR4), que deu suporte ao índice — movimento que pode ter continuidade hoje, considerando a manutenção da pressão altista do petróleo nesta manhã.

No campo político, investidores seguem atentos ao noticiário e, em particular, às pesquisas de opinião: a sondagem do Datafolha, esperada para esta semana (quinta-feira, 5), é vista como um dos principais eventos do curto prazo. Antes dela, o mercado acompanha hoje o levantamento do instituto Real Time Big Data, que deve ajudar a calibrar a leitura sobre o ambiente político e seus possíveis desdobramentos para os ativos domésticos.

· 01:49 — Comportamento contido

Apesar da escalada geopolítica no fim de semana, o mercado acionário americano reagiu com relativa serenidade. O comportamento reforça uma dinâmica recorrente: episódios como o que estamos assistindo neste momento tendem a provocar picos de volatilidade no curto prazo, mas, na ausência de efeitos econômicos mais persistentes, nem sempre alteram de forma estrutural o pano de fundo para as empresas. Em contrapartida, os ativos tradicionalmente associados à proteção responderam com mais intensidade, refletindo a busca por hedge em um ambiente incerto. Ao mesmo tempo, o setor de tecnologia mostrou resiliência, amparado por indicadores macro ainda relativamente robustos, enquanto os investidores seguem atentos à agenda de resultados corporativos e aos discursos de dirigentes do Fed para calibrar expectativas sobre crescimento, inflação e trajetória de juros.

· 02:34 — E o conflito continua

Os Estados Unidos e Israel deram continuidade aos bombardeios contra o Irã, aprofundando a ofensiva iniciada no fim de semana com a eliminação de integrantes centrais do regime, enquanto Teerã respondeu com ataques a aliados e bases americanas na região do Golfo, ampliando o risco de uma guerra regional mais prolongada. O conflito ganhou novas frentes, com confrontos envolvendo o Hezbollah no Líbano e ataques a instalações diplomáticas e energéticas. Ao mesmo tempo, Washington sinaliza que a campanha pode se estender por semanas e não descarta o envio de tropas terrestres, apesar de declarações ainda pouco claras sobre os objetivos finais da operação e as condições para encerrar as hostilidades.

Do ponto de vista econômico, os efeitos já começam a se espalhar por diferentes setores. O cancelamento de voos e a interrupção de rotas marítimas pressionam companhias aéreas e operadoras de cruzeiros, enquanto o gás natural liquefeito registra forte alta após paralisações no Catar. O petróleo também reage, impulsionado pelo aumento das tensões no Estreito de Ormuz, adicionando um prêmio de risco relevante aos preços. Em paralelo, ouro e ações do setor de defesa avançam como ativos de proteção. Investidores, contudo, vão além do movimento imediato e passam a avaliar riscos mais estruturais, como o impacto fiscal potencialmente maior para os Estados Unidos e os efeitos inflacionários decorrentes de energia mais cara, em um ambiente marcado por elevada incerteza quanto à duração e à intensidade do conflito.

· 03:25 — Impacto na inflação

No curto prazo, a elevação dos preços do petróleo e do gás ainda não configura, por si só, uma ameaça econômica de maior magnitude — para que isso ocorra, seria necessário que os preços permanecessem elevados por um período mais prolongado. A produção do Irã corresponde a cerca de 3% da oferta global, algo próximo de 3,3 milhões de barris por dia, o que ajuda a contextualizar o choque atual. Além disso, embora a recente alta do Brent tenha sido relevante, ela figura apenas como a 38ª maior variação desde 1980, sugerindo uma reação típica a um evento geopolítico pontual. Isso não elimina o risco: caso o conflito provoque danos persistentes à infraestrutura de produção ou às rotas de transporte, com o Estreito de Ormuz inoperante por mais tempo, o impacto inflacionário pode se tornar mais significativo.

· 04:12 — Relação voltando ao normal

Após alguns anos de tensão diplomática provocada pelo assassinato do líder separatista sikh Hardeep Singh Nijjar no Canadá, episódio que levou o então premiê Justin Trudeau a citar “alegações críveis” de envolvimento de Nova Déli, Canadá e Índia dão sinais concretos de reaproximação. Em reunião na capital indiana, Narendra Modi e Mark Carney firmaram um acordo nuclear de dez anos para fornecimento de urânio canadense à Índia e assumiram o compromisso de concluir um acordo de livre comércio até o fim do ano, movimento que reflete um pragmatismo crescente em meio à reorganização da ordem global, na qual interesses estratégicos, energéticos e comerciais passam a se sobrepor aos atritos políticos recentes.

· 05:03 — O início de uma nova era

A transição para a era pós-Buffett teve início sob maior escrutínio do mercado. Com Warren Buffett deixando o cargo de CEO para assumir a presidência do conselho, Greg Abel assume o comando da Berkshire em um momento delicado: as ações Classe B recuaram cerca de 5% após a divulgação de um lucro operacional 30% menor no quarto trimestre. Parte da reação negativa refletiu a frustração com a manutenção da política de alocação de capital (não houve recompra de ações no período nem sinalização de pagamento de dividendos) além de questionamentos sobre a comunicação, já que não foi realizada teleconferência e determinados pontos do balanço, como uma baixa contábil relevante, não receberam detalhamento mais amplo. Para um mercado acostumado à figura icônica de Buffett e atento a qualquer sinal de mudança, a estreia de Abel naturalmente elevou as expectativas.

Apesar disso, o pano de fundo estrutural da companhia permanece sólido. A Berkshire mantém uma posição de caixa excepcional, próxima de US$ 127 bilhões na holding, o que lhe confere ampla flexibilidade para realizar aquisições oportunísticas, recomprar ações ou implementar outras estratégias de geração de valor quando as condições se mostrarem mais atrativas. A escolha por preservar a disciplina histórica na alocação de capital pode ter desapontado investidores mais focados no curto prazo, mas está alinhada à filosofia de longo prazo que construiu o histórico da empresa. Em um ambiente potencialmente mais volátil para os mercados globais, esse balanço robusto, aliado à cultura de prudência e visão estratégica, tende a se transformar em vantagem competitiva. Por essa razão, continuo vendo a Berkshire como uma peça relevante para complementar carteiras internacionais, especialmente para investidores que valorizam resiliência e consistência ao longo do ciclo.

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Ibovespa hoje: conflito no Irã, petróleo e mais do 4T25; veja o que ficar de olho no mercado nesta segunda (2)

2 de Março de 2026, 10:04

Uma possível mudança de regime pode estar em curso no Irã após a neutralização do aiatolá Ali Khamenei e de outras lideranças centrais em ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, um choque geopolítico de grande magnitude, mas ainda sem um roteiro claro para o que vem depois. Historicamente, o que costuma separar sustos passageiros de crises mais duradouras nos mercados é, sobretudo, o impacto efetivo sobre a oferta de petróleo: choques prolongados (como o de 1973) tendem a gerar efeitos mais profundos, enquanto episódios rapidamente contidos, especialmente quando o risco ao suprimento é neutralizado, muitas vezes acabam se convertendo em janelas de oportunidade. Por ora, o Brent chegou a avançar mais de 12% na reabertura, ultrapassando US$ 80, e algumas projeções apontam para níveis próximos de US$ 100 caso haja interrupção prolongada no Estreito de Ormuz; ao mesmo tempo, o aumento de produção sinalizado pela Opep+ parece ter efeito limitado diante do risco logístico.

Em paralelo, Donald Trump tem alternado mensagens sobre os objetivos finais da ofensiva: em alguns momentos, fala em continuidade por semanas e em mudança de regime; em outros, sugere abertura para conversar com uma eventual nova liderança iraniana. Enquanto isso, retaliações e tensões se espalham pela região, elevando a pressão por clareza estratégica — um fator crucial para reduzir o “prêmio de guerra” embutido nos ativos. Soma-se a isso uma agenda macroeconômica cheia, com payroll nos EUA, PMIs nas principais economias europeias, Livro Bege do Fed, ata do BCE e as sessões do Congresso Nacional Popular da China, e a temporada de resultados.

· 00:57 — O que está acontecendo?

No fim de semana, Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações militares e nucleares, em uma ofensiva voltada a enfraquecer de maneira estrutural a capacidade militar do regime iraniano. De acordo com os comunicados oficiais, lideranças centrais foram neutralizadas, entre elas o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, além de integrantes do alto comando militar. A reação de Teerã foi imediata, com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas no Golfo e alvos em Israel, ampliando significativamente a tensão regional. O conflito provocou o fechamento temporário de espaços aéreos no Oriente Médio, paralisação de rotas comerciais relevantes, forte alta do petróleo e elevação perceptível do risco geopolítico global, enquanto lideranças internacionais passaram a defender contenção diante da possibilidade de uma escalada mais ampla.

Ao autorizar a ofensiva, Donald Trump consolidou uma inflexão relevante em relação ao discurso “América Primeiro” que marcou sua ascensão política, tradicionalmente associado a menor disposição para intervenções militares prolongadas no exterior. Em seu segundo mandato, porém, o presidente vem adotando postura mais assertiva e intervencionista no campo internacional, acumulando ações externas e tensionando inclusive relações com aliados históricos. A operação conjunta com Israel simboliza essa mudança e adiciona risco político doméstico às vésperas das eleições de meio de mandato, sobretudo diante da possibilidade de conflito prolongado, eventuais baixas americanas e pressão adicional sobre os preços de energia.

O Irã passou a tratar o embate como uma ameaça existencial, ampliando as retaliações e reforçando o temor de uma escalada regional com impactos diretos sobre o fornecimento global de petróleo — que já vinha acumulando alta relevante no ano. Trump declarou que a ofensiva pode se estender por até quatro semanas e que continuará até que os objetivos estratégicos sejam alcançados (novo acordo nuclear), ao mesmo tempo em que enfrenta críticas internas sobre a ausência de um plano claro para o período posterior ao conflito. O tema mobiliza a comunidade internacional, incluindo debates no âmbito da AIEA, e mantém os mercados sensíveis a cada novo desdobramento, em um ambiente de elevada incerteza geopolítica e energética.

· 01:51 — Desdobramentos para o mercado

Embora o Estreito de Ormuz nunca tenha sido totalmente fechado nas últimas décadas — mesmo sob tensão aguda —, o momento atual é visto como atípico pelo nível de ataques na região e pela possibilidade de um envolvimento militar mais prolongado. Trata-se de uma rota crítica: por ali escoa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo (algo como 15 milhões de barris por dia), além de volumes relevantes de gás natural liquefeito (LNG) do Catar. Um bloqueio completo segue sendo um cenário extremo, mas não pode ser descartado. Se isso acontecesse, não seria difícil imaginar o Brent se aproximando de US$ 125 por barril; no extremo oposto, uma estabilização política rápida poderia devolver os preços para a região de US$ 60. Entre esses dois polos, o cenário mais provável parece ser um “meio do caminho”: fluxo sob ameaça, prêmio de risco alto e petróleo orbitando níveis como US$ 80, mesmo com tentativas da OPEP+ de elevar a oferta — um esforço que tem efeito limitado diante dos riscos logísticos. Vale notar que, no momento, a principal restrição não parece ser um bloqueio militar formal, mas sim a paralisia do transporte marítimo pela retirada (ou encarecimento) da cobertura de seguros contra risco de guerra.

Nesse contexto, os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã — e as retaliações subsequentes — elevaram o risco geopolítico e adicionaram ao petróleo um “prêmio de guerra” estimado entre US$ 4 e US$ 10 por barril. O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia e direciona a maior parte de suas exportações à China; além disso, há décadas enfrenta suspeitas sobre ambições nucleares, o que amplia a complexidade estratégica do conflito. Em síntese, enquanto a incerteza em torno de Ormuz persistir, o petróleo tende a negociar com prêmio de risco elevado — mantendo pressão inflacionária global e ampliando a volatilidade dos ativos —, o que costuma favorecer energia e posições de proteção (como ouro e dólar) e recomendar cautela adicional tanto para bolsas quanto para a velocidade esperada de cortes de juros.

· 02:33 — Depois do IPCA-15…

No Brasil, a semana ganha relevância com a divulgação de dados importantes de atividade e emprego, após o Caged — inicialmente previsto para a última sexta-feira — ter sido adiado para terça-feira, além do PIB, que também ajudará a calibrar as expectativas para o ritmo da economia. Encerramos fevereiro com um pregão mais negativo, em contraste com o bom desempenho acumulado no mês. A combinação de um IPCA-15 acima do esperado (0,84% em fevereiro, levando o acumulado em 12 meses a 4,10%) e da escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã elevou a percepção de risco e reduziu o espaço para cortes mais acelerados da Selic. Os juros futuros avançaram e o Ibovespa recuou no pregão, embora ainda tenha encerrado fevereiro com alta próxima de 4% e acumule valorização ao redor de 17% no ano.

No campo corporativo, a temporada de balanços segue intensa, com destaque para a Petrobras na quinta-feira, além de resultados de empresas como Stone, Rumo, Ultrapar, Magazine Luiza, Localiza e Embraer ao longo da semana. Na agenda política, o presidente da Câmara, Hugo Motta, busca avançar com a PEC da Segurança Pública, enquanto o presidente Lula deve discutir com Geraldo Alckmin e Fernando Haddad a definição de candidaturas, em um momento de maior fragilidade do governo nas pesquisas, como vimos no levamento da Paraná Pesquisa da última sexta-feira.

· 03:26 — Nova rodada de preocupações

Nos Estados Unidos, as preocupações com o chamado “SaaSpocalypse” voltaram a pesar sobre o setor de tecnologia, interrompendo a recuperação observada nos últimos pregões: na sexta-feira, o ETF de software IGV recuou 1,3%, enquanto a Nvidia aprofundou as perdas (acumulando quase -10% em dois pregões), arrastando também nomes como Apple e Meta. O movimento ocorreu em um ambiente já mais carregado: o petróleo voltou a subir diante do risco geopolítico no Oriente Médio e o PPI americano veio acima do esperado, reforçando a leitura de que a inflação segue resistente e, portanto, pode adiar o início — ou reduzir o ritmo — de cortes de juros pelo Fed. O resultado foi um pregão mais defensivo em Nova York.

Fora da tecnologia, o estresse se espalhou para o setor financeiro: o índice KBW Nasdaq Bank caiu 4,9% após alertas sobre vulnerabilidades no crédito privado e o risco de novas inadimplências, reacendendo temores de contágio. Em contraste, poucas ações conseguiram escapar do mau humor — com Amazon e Alphabet fechando em alta, apoiadas por manchetes positivas ligadas à OpenAI. Com a temporada de balanços entrando na reta final (mais de 90% do S&p 500 já reportou), o mercado volta a procurar novos catalisadores, como o payroll e os PMIs da semana, além de resultados relevantes de CrowdStrike, Target, Broadcom e Costco.

· 04:12 — Novidades entre as gigantes de IA

O Departamento de Defesa dos EUA rompeu com a Anthropic após a empresa se recusar a flexibilizar restrições sobre o uso de sua IA em vigilância doméstica em massa e armas autônomas, classificando-a como risco para a cadeia de suprimentos, e fechou acordo semelhante com a OpenAI, como alternativa, que afirmou ter mantido princípios como proibição de vigilância em massa e responsabilidade humana no uso da força em seu contrato para operar em rede classificada – Sam Altman saiu na frente dessa vez. O episódio evidencia a disputa sobre quem define as regras no uso militar da IA, em um contexto em que o governo depende de empresas privadas para tecnologia de ponta, enquanto estas equilibram contratos públicos e reputação comercial. Paralelamente, a OpenAI anunciou uma rodada histórica de US$ 110 bilhões — com aportes de Amazon (até US$ 50 bi), Nvidia e SoftBank — que avalia a companhia em US$ 730 bilhões, reforçando a corrida por capital, poder computacional e liderança em uma indústria que avança mais rápido que sua regulação.

· 05:04 — O nosso bom e velho Kit Geopolítico voltou a funcionar

Os mercados globais atravessaram um período de volatilidade intensa diante do risco de escalada do conflito no Oriente Médio. O petróleo reagiu imediatamente: o Brent chegou a avançar cerca de 10%, enquanto o gás natural europeu disparou até 28%, refletindo o temor de interrupção prolongada no Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, observou-se o movimento clássico de aversão ao risco: fortalecimento do dólar, ouro acima de US$ 5.390 a onça e queda das bolsas (futuros do S&P 500 e o MSCI Ásia recuando). Em ambientes como este, os preços passam a refletir probabilidades — entre uma solução diplomática relativamente rápida e um conflito regional mais amplo, com potencial de gerar uma crise energética de maiores proporções.

Após os …

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Empreendedorismo ou trabalho não remunerado? Veja como alavancar sua carreira de CNPJ sob as orientações de investidora do Shark Tank Brasil

1 de Março de 2026, 08:00

Uma dúvida constante no empreendedorismo é definir o quanto será abdicado da vida pessoal para correr atrás do sucesso de uma empresa.

Como destaca Carol Paiffer, investidora do Shark Tank Brasil, o empreendimento precisa ser um ativo estratégico, e não um “trabalho não remunerado”, com jornadas intermináveis de 12 ou 14 horas por dia, que drenam o seu tempo para atividades de qualidade.

Para a empreendedora, faz sentido assumir maiores renúncias quando existe um planejamento estratégico, um objetivo final estabelecido e metas específicas para cada etapa de crescimento do negócio.

Esforço x Resultado: como colocar os dois na balança pela saúde própria e do negócio

Como empreendedor, é preciso assumir que assim como o sucesso, os riscos a serem tomados serão assumidos pelo próprio. Na visão da empresária, é natural que o protagonista de seu próprio negócio precise se esforçar mais, ainda mais nas fases de consolidação e expansão do negócio.

“O meu ponto é que muitas vezes esse esforço não é direcionado da forma correta e pode acabar sendo em vão. De nada adianta muito suor se esse trabalho não for empregado de uma maneira inteligente”, afirma Paiffer.

A empresária acumula mais de duas décadas de experiência nesse ecossistema e conta que já viu todos os tipos de erros:

  1. Empresário que virava noites, mas sem um plano claro do que projetar;
  2. Um líder que começa fazendo todas as funções e quando a empresa cresce não consegue sair do operacional e delegar;
  3. Negócios que deveriam ser motivo de orgulho virando sinônimos de exaustão.

Além disso, Carol Paiffer também alerta que muitos empreendedores focam demais nos próximos passos e não conseguem identificar as travas atuais do próprio negócio, como:

  • Custos invisíveis que corroem a margem, detonando o lucro da empresa;
  • Má precificação, deslocado do custo real ou da concorrência;
  • Um mix de produtos ofertados muito concentrado ou muito difuso.

“A verdade é que empreender não é só ter uma boa ideia. Brilho no olho e disposição para ‘arregaçar as mangas’ são precisos para desviar de obstáculos que vão ficando cada vez maiores”, ressalta.

A empresária também relembra como é fundamental conseguir “olhar de fora” e corrigir os vícios do negócio, mesmo quando fere o próprio orgulho.

É diante de um mercado tão vasto de empreendedores e projetos interessantes que Carol está abrindo uma nova oportunidade para quem busca se destacar. Em seu novo projeto, a empresária quer lançar seu diagnóstico experiente para empresas e alavancar suas chances de sucesso.

Aprender com os melhores: investidora “tubarão” do Shark Tank Brasil abre vagas de formação para empreendedores

O novo projeto de Carol Paiffer, em parceria com a Empiricus Research, é intitulado Impulso CNPJ e traz uma proposta 360º. Ele combina estratégia, visão financeira, posicionamento de mercado, para além de um estudo puramente teórico.

No programa, Carol Paiffer vai se juntar a mentores e empresários experientes para aplicar o exato protocolo utilizado nas startups que ela investe para:  

  • Entender como aumentar faturamento, margem e lucratividade;
  • Identificar avenidas de crescimento;
  • Formular um plano de expansão consistente;
  • Ajudar empresários a saírem do operacional para focar no estratégico e também conseguirem tempo para a vida pessoal.

Mais do que um curso de formação tradicional, trata-se da metodologia da Shark Tank School, iniciativa oficial ligada ao ecossistema do programa que se tornou referência nacional em empreendedorismo.

No Impulso CNPJ, o empresário terá acesso a: 

  • Mentores experientes que já estruturaram negócios milionários;
  • O protocolo aplicado pela Shark Tank School para escalar empresas;
  • Direcionamento prático para aumentar margens e produtividade;
  • Estruturação para atrair grandes investidores.

O projeto terá início no dia 9 de março, às 19 horas. Nesta data, Paiffer vai apresentar todos os detalhes sobre o Impulso CNPJ e depois liberar as inscrições para os interessados.

Para participar do evento online e gratuito para saber mais, é só clicar no botão abaixo:

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Dividendos em março: Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e outras ações pagam proventos esse mês; confira calendário

27 de Fevereiro de 2026, 11:26

Neste mês de março, grandes nomes da Bolsa brasileira, como Gerdau (GGBR4), Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e outros, pagam dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) aos seus acionistas.

Pensando em deixar investidores bem informados, preparamos um calendário completo com todos os pagamentos previstos para as próximas semanas.

Porém, é importante estar atento à “data com”, ou data de corte: apenas investidores que detinham posição nas ações até as datas informadas na tabela estarão aptos a receber os pagamentos.

Agenda de dividendos: março de 2026

Abaixo, confira todas as empresas da B3 com pagamentos de proventos programados para o mês de março, além dos valores brutos por ação.

Vale ressaltar que JCPs estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda retido na fonte, à alíquota de 15%. Já dividendos são tributados em 10% na fonte, se ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por ação (R$) Data do pagamentoData de corte
BB Seguridade ParticipaçõesBBSE3Dividendo2,6072/3/202613/02/2026
BradescoBBDC3JCP0,0172/3/20262/2/2026
BradescoBBDC4JCP0,0192/3/20262/2/2026
BanestesBEES3JCP0,0292/3/20262/2/2026
BanestesBEES4JCP0,0292/3/20262/2/2026
Itaú ITUB3JCP0,0182/3/202630/01/2026
Itaú ITUB4JCP0,0182/3/202630/01/2026
AllosALOS3Dividendo0,2933/3/202620/02/2026
ValeVALE3JCP1,574/3/202612/12/2025
ValeVALE3Dividendo0,7684/3/202612/12/2025
Banco do BrasilBBAS3JCP0,2215/3/202624/02/2026
Itausa ITSA3JCP0,0186/3/20269/12/2025
Itausa ITSA4JCP0,0186/3/20269/12/2025
Itaú ITUB3JCP0,376/3/20269/12/2025
Itaú ITUB4JCP0,376/3/20269/12/2025
JHSF ParticipaçõesJHSF3Dividendo0,0699/3/202627/02/2026
Camil AlimentosCAML3Dividendo0,0739/3/20262/2/2026
Banco do BrasilBBAS3JCP0,0711/3/20262/3/2026
Inter co INBR32Dividendo0,59513/03/202622/02/2026
Bradespar BRAP3JCP0,61413/03/202618/12/2025
Bradespar BRAP4JCP0,67513/03/202618/12/2025
Bradespar BRAP3Dividendo0,19113/03/202618/12/2025
Bradespar BRAP4Dividendo0,2113/03/202618/12/2025
Unifique FIQEDividendo0,07816/03/202629/12/2025
Gerdau GGBR4Dividendo0,118/03/202610/3/2026
Gerdau GGBR3Dividendo0,118/03/202610/3/2026
Metalurgica GerdauGOAU4Dividendo0,0519/03/202610/3/2026
Metalurgica GerdauGOAU3Dividendo0,0519/03/202610/3/2026
PetrobrasPETR3Dividendo0,29620/03/202622/12/2025
PetrobrasPETR4Dividendo0,29620/03/202622/12/2025
PetrobrasPETR3JCP0,17520/03/202622/12/2025
PetrobrasPETR4Dividendo0,17520/03/202622/12/2025
M Dias BrancoMDIA3Dividendo1,4131/03/202624/03/2026
ISA Energia BrasilISAE3JCP0,25131/03/202620/02/2026
ISA Energia BrasilISAE4JCP0,25131/03/202620/02/2026
Allied TecnologiaALLD3Dividendo0,42131/03/202630/01/2026
Moura DubeuxMDNE3Dividendo0,59231/03/202630/12/2025
MetisaMTSA3JCP1,131/03/20261/12/2025
MetisaMTSA4JCP1,2131/03/20261/12/2025
MultiplanMULT3JCP0,22531/03/202631/03/2025
DimedPNVL3JCP0,07531/03/202616/12/2024

Em quais ações investir para buscar dividendos a partir de março de 2026? Descubra com o Empiricus+

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Ibovespa hoje: como IPCA-15 e Flávio na frente de Lula em pesquisa impactam a bolsa nesta sexta (27)?

27 de Fevereiro de 2026, 09:04

Os mercados globais iniciam o dia em compasso de espera, marginalmente mais negativos, refletindo a recente fraqueza do setor de tecnologia nos Estados Unidos. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq operam levemente no negativo após uma sessão pressionada principalmente por Nvidia (-5,5%), que caiu mesmo depois de divulgar resultados robustos, em meio a questionamentos sobre a sustentabilidade do ritmo de investimentos no setor. Outras empresas de tecnologia também sentiram o movimento, enquanto setores mais cíclicos mostraram desempenho relativamente melhor.

Na Europa, o Stoxx 600 avança de forma moderada, à espera de novos dados macroeconômicos e balanços corporativos, e na Ásia o fechamento foi misto. Na China, o yuan perdeu força após o banco central eliminar a exigência de compulsório sobre operações a termo, medida que reduz o custo de proteção cambial e dá mais flexibilidade ao mercado, enquanto investidores ainda apostam em possível valorização da moeda até o fim do ano. No radar, seguem o índice de preços ao produtor nos EUA e a retomada das negociações nucleares entre Washington e Teerã, que, por ora, seguem sem entrar em um acordo, mas mantém aberta essa chance.

· 00:57 — Abrindo caminho para 50 pontos de corte

No Brasil, o foco do mercado está no IPCA-15 de fevereiro, que pode ser determinante para a dinâmica dos juros. Um resultado abaixo do esperado tende a se somar à recente apreciação do real e fortalecer as apostas em um ciclo mais acelerado de cortes da Selic — com uma redução de 50 pontos-base em março já amplamente incorporada aos preços. A mediana aponta alta de 0,56% no mês, com desaceleração do acumulado em 12 meses para 3,81%, o que representaria a primeira leitura abaixo de 4% desde maio de 2024. Ainda assim, o Ibovespa passou por duas sessões consecutivas de correção e ontem recuou 0,13%, embora tenha se mantido acima dos 191 mil pontos, sinalizando o ajuste pode refletir realização pontual após o rali.

No campo político, pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas indica Flávio Bolsonaro à frente de Lula neste momento. É cedo para conclusões definitivas — a campanha ainda não começou formalmente e o governo tende a intensificar os ataques ao senador, algo que até aqui não ocorreu —, mas o desempenho atual surpreende e supera expectativas. A eleição deve ser apertada, porém a possibilidade de maior viabilidade para uma agenda minimamente mais fiscalista pode, ao longo do tempo, oferecer algum suporte aos ativos locais, ainda que essa discussão esteja longe de ser resolvida. Em paralelo, Fernando Haddad deve ser candidato do PT ao governo de São Paulo — não como favorito contra Tarcísio de Freitas, que pode vencer já no primeiro turno, mas como peça na estratégia de fortalecer Lula no maior colégio eleitoral do país. Haddad participa hoje à noite do podcast Flowe poderá comentar sobre.

· 01:42 — Depois de Nvidia, a inflação ao produtor é o destaque

Mesmo após resultados fortes da Nvidia, o mercado americano encerrou em queda, pressionados por uma baixa de 5,5% nas ações da fabricante de chips, à medida que investidores passaram a questionar a sustentabilidade dos elevados investimentos em data centers e infraestrutura de IA (o resultado foi ótimo e ação chama a atenção pelo elevado nível de crescimento sem um desempenho em linha recentemente); por outro lado, o setor de software se recuperou das quedas recentes. Até aqui, a temporada de resultado segue boa, com 75% das empresas do S&P superando estimativas.

No radar macro, cresce a atenção para o índice de preços ao produtor (IPP), que pode mostrar inflação ainda firme e reduzir o espaço para cortes de juros pelo Fed no curto prazo, mantendo a probabilidade elevada de manutenção das taxas na próxima reunião e reforçando a sensibilidade do mercado aos dados de inflação nas próximas semanas.

· 02:38 — IA sob os holofotes em diferentes frentes

A Anthropic entrou em confronto com o Departamento de Defesa dos EUA ao recusar acesso irrestrito ao seu modelo de IA sem garantias contra uso em vigilância em massa ou armas autônomas, colocando em risco um contrato de US$ 200 milhões, enquanto a Block anunciou corte de cerca de 40% do quadro de funcionários para acelerar a automação via IA, movimento que impulsionou suas ações e reforça como a tecnologia já provoca mudanças estruturais relevantes. Ainda que parte desses ajustes pudesse ocorrer independentemente da IA (talvez fosse uma reestruturação prevista já há algum tempo e postergada até aqui), a magnitude das decisões sugere um novo vetor econômico com potencial deflacionário, capaz de elevar margens e produtividade em alguns setores, mas também gerar desafios sociais significativos.

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· 03:25 — Mudança de paradigma

Uma mudança relevante pode estar em curso no ranking das maiores economias do mundo. Há anos na quinta posição — atrás de Estados Unidos, China, Alemanha e Japão —, a Índia vem se aproximando do Japão, impulsionada por uma população de 1,4 bilhão de habitantes, majoritariamente jovem, e também pela contração do PIB japonês em dólares. Esse movimento pode ganhar contornos mais claros com a divulgação de novos dados do PIB indiano sob metodologia revisada, que tende a ampliar o tamanho estimado da economia e reforçar a percepção de um reordenamento gradual na hierarquia econômica global. Trata-se, portanto, de um país que merece atenção crescente nos próximos anos. Ao mesmo tempo, como destacou a Citrini Research em seu famoso relatório, a Índia é particularmente sensível a possíveis disrupções no setor de serviços pela inteligência artificial — um ponto que adiciona complexidade à sua trajetória e exige cuidado por parte dos investidores.

· 04:13 — Guerra aberta

O Paquistão declarou “guerra aberta” ao Afeganistão após uma nova rodada de combates transfronteiriços e ataques aéreos, incluindo bombardeios em Cabul, Kandahar e Paktia, em resposta a confrontos entre forças paquistanesas e afegãs no longo trecho da fronteira de cerca de 2 600 km, marcando uma escalada significativa nas hostilidades. O ministro da Defesa paquistanês afirmou que “a paciência acabou”, acusando o governo Talibã de abrigar militantes e justificar a ação militar, enquanto ambos os lados reportam combates e perdas, refletindo uma deterioração das relações que já vinha em curso nos últimos meses. Essa escalada aumenta os riscos de instabilidade regional em uma área sensível, mesmo diante de esforços diplomáticos recentes que não conseguiram estender um cessar-fogo anterior.

· 05:01 — Desistiu

A disputa pela Warner Bros. Discovery teve um desfecho rápido e surpreendente: apesar de um acordo prévio com a Netflix, o conselho considerou superior a oferta hostil da Paramount Skydance, de US$ 31 por ação (avaliando a companhia em cerca de US$ 111 bilhões), frente aos US$ 27,75 por ação e aproximadamente US$ 83 bilhões oferecidos pela Netflix. Diante da possibilidade de elevar o preço, a Netflix optou por não entrar em uma guerra de ofertas, classificando a transação como uma oportunidade interessante “ao preço certo”, mas não estratégica a qualquer custo — e ainda deverá receber uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões. As ações reagiram positivamente, com alta de 10% no after market.

Embora o negócio ainda dependa de aprovação regulatória, o episódio reforça…

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Ibovespa hoje: digestão dos resultados da Nvidia, balanços de B3, Axia e Localiza, dados de inflação e mais; veja destaques desta quinta (26)

26 de Fevereiro de 2026, 09:31

A Nvidia voltou a entregar números robustos e projeta receita de US$ 78 bilhões no trimestre — acima do consenso —, reforçando que o ciclo de investimentos em inteligência artificial segue forte. Ainda assim, a reação do mercado foi contida no after-hours de ontem, um sinal de que as expectativas em torno do papel permanecem muito elevadas.

No universo de tecnologia, Salesforce e Snowflake recuaram bastante após guidance considerado tímido, reabrindo o debate sobre quem ganha e quem perde na nova dinâmica competitiva trazida pela IA. Em paralelo, o Alibaba intensifica sua aposta em ferramentas de programação baseadas em modelos de IA, enquanto episódios como o vazamento de dados envolvendo um chatbot da Anthropic lembram que a evolução tecnológica também amplia riscos operacionais e regulatórios.

No pano de fundo macro e geopolítico, Trump voltou a sinalizar a possibilidade de elevar tarifas globais para até 15%, como prometido no final de semana, e a China promete reagir, mantendo o ambiente comercial ainda incerto. As negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, com baixa expectativa de avanço, elevam o risco de escalada no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que Washington segue discutindo o conflito na Ucrânia com representantes do país. Com dados econômicos pontuais, falas de bancos centrais e atenção renovada ao mercado de trabalho, o cenário continua propenso a volatilidade — e a reprecificações rápidas nos ativos globais.

· 00:58 — Esperando mais recursos estrangeiros

No Brasil, o rali fez uma pausa natural ontem, após uma sequência intensa de recordes. Ainda assim, ao longo do pregão o Ibovespa voltou a renovar máxima intradiária, superando os 192 mil pontos, em reação à pesquisa eleitoral interpretada como mais favorável a uma eventual alternância política com viés mais fiscalista.

O dólar também recuou, já em R$ 5,12. Esses movimentos seguem refletindo o ingresso consistente de capital estrangeiro: apenas na última segunda-feira entraram R$ 3 bilhões, elevando o fluxo acumulado nos dois primeiros meses de 2026 para R$ 35,5 bilhões — já acima dos R$ 25 bilhões registrados em todo o ano passado, algo próximo de US$ 7 bilhões.

Caso o ano terminasse nesse patamar, seria o terceiro melhor da série histórica iniciada em 2001. Casas internacionais destacam que ainda há espaço para mais: a alocação média em emergentes nos portfólios globais está em torno de 5,5%, abaixo da média de 6,5% dos últimos dez anos. Um retorno a esse nível implicaria algo como US$ 350 bilhões adicionais para emergentes, dos quais US$ 25 a 30 bilhões poderiam ir para a América Latina e cerca de US$ 11 a 17 bilhões para o Brasil. Não por acaso, André Esteves, no BTG Summit, reiterou que o Ibovespa segue barato mesmo após os recordes e poderia avançar em direção aos 200 mil pontos.

Na agenda doméstica, o foco recai sobre resultados corporativos — como Axia, B3 e Localiza — após a frustração com o Nubank, além dos dados de inflação: o IGP-M de fevereiro é secundário diante do IPCA-15 de amanhã; já o Caged foi adiado para a próxima semana.

No front externo, a revogação de sobretaxas aplicadas com base na Lei de Emergência Econômica dos EUA reduziu tarifas de 40% ou 50% para 10% sobre cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras (34,9% do total aos EUA), com eliminação em casos como aeronaves — um sinal construtivo, ainda que o debate protecionista permaneça aberto.

O ambiente global tem ajudado, e há vetores locais positivos, como a perspectiva de cortes de juros e o rali associado ao ciclo eleitoral. Contudo, decisões como a elevação de tarifas de importação sobre produtos de tecnologia caminham na contramão desse momento, comprometendo parte da trajetória favorável e reiterando o risco de erros de política econômica justamente quando o cenário externo começa a oferecer uma janela de oportunidade.

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· 01:47 — Melhorando o humor

Nos Estados Unidos, Wall Street se recuperou após a queda no início da semana, com S&P 500, Nasdaq e Dow puxados por tecnologia e ativos de maior risco, à medida que o mercado revisou o pânico inicial provocado por um relatório alarmista sobre IA da Citrini Research, que comentei aqui.

Contra-argumentos ao cenário mais catastrófico e um evento da Anthropic ajudaram a aliviar a tensão, enquanto o balanço robusto da Nvidia — com lucro mais que dobrado, receita +73% e guidance acima do esperado — confirmou a força estrutural do setor, ainda que a reação tenha sido moderada diante de expectativas já muito elevadas. No pano de fundo, prevalece a leitura de que a IA tende a impulsionar produtividade, mas sem, por ora, justificar temores de ruptura abrupta, em uma semana ainda marcada por volatilidade e novos resultados.

· 02:32 — Fraqueza eleitoral

Uma pesquisa independente colocou o partido do primeiro-ministro Viktor Orbán 20 pontos atrás entre os eleitores decididos às vésperas da eleição de 12 de abril, cenário que, se confirmado, pode garantir ao oposicionista Tisza, de Peter Magyar, maioria qualificada no Parlamento e abrir espaço para reverter parte da trajetória institucional dos últimos 16 anos.

O resultado extrapola a política doméstica: aliado próximo de Donald Trump na Europa e uma das vozes mais complacentes com o Kremlin desde a invasão da Ucrânia, Orbán é observado com atenção por Bruxelas, que mantém mais de US$ 20 bilhões em recursos congelados por preocupações com Estado de Direito e corrupção; somam-se a isso os recentes vetos da Hungria, ao lado da Eslováquia, a novas sanções contra Moscou e a um empréstimo relevante à Ucrânia, o que confere à eleição húngara dimensão geopolítica mais ampla dentro da União Europeia.

· 03:29 — Diversificação

O chanceler alemão Friedrich Merz realizou sua primeira visita oficial a Pequim com o objetivo de reduzir o crescente déficit comercial da Alemanha com a China, seu principal parceiro comercial, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar a relação entre rivalidade estratégica e interdependência econômica.

Em meio a críticas europeias sobre subsídios e práticas comerciais chinesas, Merz se reuniu com Xi Jinping e Li Qiang buscando fortalecer laços bilaterais em um contexto global mais incerto. Sua viagem se soma às recentes idas de Emmanuel Macron e Keir Starmer à China, refletindo um movimento mais amplo de diversificação das parcerias internacionais diante dos ruídos vindos da atual Casa Branca — tendência que reforça a percepção de que estamos, cada vez mais, em um ambiente de nova Guerra Fria, com blocos se reorganizando e Pequim emergindo como destino frequente dessa reconfiguração.

· 04:15 — Dever de casa

O aguardado pacote de reformas do sistema financeiro indiano começa a produzir efeitos concretos e reforça a percepção de que o país está se preparando para atrair uma nova rodada de capital estrangeiro.

Em linha com essa estratégia, o Parlamento aprovou recentemente uma medida que permite até 100% de participação estrangeira em companhias de seguros, destravando um segmento historicamente subcapitalizado e com grande potencial de expansão. Paralelamente, os reguladores vêm atualizando as regras aplicáveis a bancos, fundos de pensão e ao mercado de capitais, com o objetivo de direcionar a poupança hoje concentrada em ativos pouco produtivos — como ouro e imóveis — para instrumentos financeiros de longo prazo, capazes de financiar investimentos em indústria e infraestrutura.

O movimento é coerente com a ambição de sustentar o crescimento estrutural da economia e ampliar a profundidade do mercado financeiro local. Ao fortalecer instituições, melhorar a alocação de capital e abrir espaço para maior participação internacional, a Índia demonstra disposição em fazer os ajustes necessários para aproveitar o ciclo global de investimentos. A lição é clara: países que desejam capturar as oportunidades do momento precisam agir com pragmatismo e rapidez. Quem demora a se adaptar corre o risco de perder o timing — e ver o bonde passar.

· 05:06 — Mais um belo resultado

A Nvidia voltou ao centro das atenções no encerramento da temporada de balanços das “Sete Magníficas”, divulgando números que a mantêm no centro da revolução da inteligência artificial. As ações chegaram a avançar quase 4% no after-hours após o resultado, mas perderam parte do fôlego ao longo do pregão noturno, refletindo a volatilidade típica de um papel cercado por expectativas extremamente elevadas — neste estágio, entregar um bom resultado já não é suficiente; o mercado exige desempenho quase perfeito. Na manhã de hoje, porém, os papéis voltaram a subir no pre-market, sinalizando que a leitura dos números foi, no conjunto, construtiva.

E os números foram, de fato, robustos. A companhia mais que dobrou o lucro no trimestre fiscal, alcançando US$ 42,96 bilhões, com lucro por ação ajustado de US$ 1,62, acima do consenso de US$ 1,54. A receita total avançou 73%, para US$ 68,13 bilhões, superando as estimativas, com destaque para o segmento de data centers, que cresceu 75% e atingiu US$ 62,3 bilhões. O guidance também surpreendeu positivamente, com projeção de…

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