Visualização normal

Received before yesterdayNegócios

Correios renegociaram 98,2% das dívidas com fornecedores, com economia de R$ 321 milhões

13 de Março de 2026, 17:54

A cúpula dos Correios avalia positivamente os primeiros resultados do plano de reestruturação da empresa, com o cumprimento das metas de receita e despesa. No momento, a avaliação é de que as medidas têm servido para dar folga ao caixa da estatal e manter a sua liquidez. A expectativa, no entanto, ainda é de que haja um prejuízo expressivo em 2026, a ser revertido apenas em 2027.

De janeiro até esta sexta-feira, 13, a empresa economizou R$ 321 milhões com a renegociação de 98,2% das suas dívidas com fornecedores e prestadores de serviços. Pelo processo, esses credores concordam em abrir mão de multas e juros para receber os valores. Parte desses pagamentos ainda é parcelada nominalmente, ou seja, sem o acréscimo de correções.

A negociação tem sido possível por causa dos R$ 12 bilhões obtidos pelos Correios por meio de um empréstimo com um consórcio de bancos com garantia da União, firmado no fim de 2025.

A estatal tenta se reestruturar após a maior crise da sua história, que levou a um prejuízo de R$ 6,057 bilhões de janeiro a setembro do ano passado. Em 2026, o governo estima um déficit primário de R$ 9,101 bilhões.

Para reforçar a liquidez, os Correios também conseguiram parcelar um total de R$ 1,2 bilhão em pagamentos de precatórios e impostos. Esses valores não são uma economia propriamente dita, porque ainda precisam ser pagos, mas o seu espalhamento no tempo alivia o caixa da companhia.

No curto prazo, a expectativa também é de turbinar o caixa por meio da venda de imóveis. Ainda este mês, os Correios planejam ofertar em leilão cerca de R$ 600 milhões em prédios de propriedade da companhia, especialmente em cidades médias e grandes. A tendência é que entre 20% e 40% da oferta seja vendida, até um total de R$ 120 milhões. O plano de reestruturação prevê, ao todo, a venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis da empresa.

A estatal implementou ainda um plano de demissão voluntária (PDV) que tem como objetivo desligar até 10 mil funcionários. Ao todo, 500 já deixaram a empresa, e outros mil devem ser desligados até a próxima segunda-feira, 16.

A expectativa é que a meta total seja atingida este ano, à medida que ações como o fechamento de pontos físicos também estimulam os desligamentos. Os Correios já fecharam 127 pontos, ante uma meta de mil.

A direção dos Correios analisa, nos bastidores, que há três dimensões políticas a serem equilibradas dentro da companhia. A do governo, a dos trabalhadores e a da sociedade. Enquanto a estatal observa apoio do Executivo, tem tido dificuldades em convencer seus funcionários de que a reestruturação é um processo doloroso, mas necessário para a recuperação da empresa.

Apenas com uma revisão no plano de saúde dos empregados, o Postal Saúde, a empresa economizou cerca de R$ 70 milhões em janeiro. A expectativa é de que a economia total em 2026 fique entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões.

Números internos a que a reportagem teve acesso indicam que houve um salto, já em 2026, de 65% para 91% de entregas no prazo prometido. O ideal, para elevar as receitas, é de 97%.

Para tentar ganhar em qualidade de serviço, os Correios fizeram um processo seletivo para superintendentes, além de impor metas de economia para as unidades que chegam, ao todo, a R$ 1 bilhão ao ano.

Está em estudo ainda uma forma de recompensar os funcionários pelas metas atingidas, mas a falta de caixa dificulta que esses incentivos sejam feitos em dinheiro como em outras corporações. Por enquanto, os objetivos ajudam os trabalhadores da estatal a seguirem mais rapidamente na progressão de carreira.

Plano contra crise dos Correios prevê venda de imóveis, PDV e fechamento de mil agências

29 de Dezembro de 2025, 14:07

Os Correios detalharam nesta segunda-feira (29) um amplo plano de reestruturação para tentar reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízos, que combina captação de crédito, corte de gastos com pessoal, venda de ativos e redução da rede de atendimento. A principal âncora do plano é a tomada de um empréstimo de R$ 12 bilhões, considerada essencial para aliviar a crise de caixa e viabilizar a reorganização da estatal.

O anúncio foi feito pelo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, durante entrevista coletiva. Segundo ele, o modelo econômico-financeiro dos Correios “deixou de ser viável” e exige ajustes imediatos para evitar um cenário ainda mais adverso nos próximos anos.

O contrato de financiamento foi publicado no Diário Oficial da União no último sábado (27) e envolve um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa e Bradesco, com aportes de R$ 3 bilhões cada, além de Itaú e Santander, que vão emprestar R$ 1,5 bilhão cada.

Do total contratado, R$ 10 bilhões entram no caixa da empresa até quarta-feira (31), enquanto o restante deve ser liberado em janeiro de 2026. O acordo tem validade até 2040, conta com garantia da União, prazo de carência de três anos e prevê pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029.

O empréstimo foi autorizado pelo Tesouro Nacional e reduz o risco para os bancos, já que o governo federal se compromete a honrar as parcelas caso a estatal se torne inadimplente.

Durante a coletiva de imprensa, Rondon não descartou a possibilidade de novas captações, afirmando que o plano original previa até R$ 20 bilhões em crédito, mas que parte da operação foi barrada pelo Tesouro devido às taxas de juros consideradas elevadas.

Corte de pessoal e fechamento de agências

No eixo de redução de despesas, os Correios planejam cortar R$ 2,1 bilhões por ano em gastos com pessoal, por meio da implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa é reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos, o equivalente a 18% da folha de pagamentos.

Além disso, o plano prevê o fechamento de cerca de mil agências deficitárias, dentro de uma rede que hoje soma aproximadamente 5 mil unidades em todo o país.

A estatal também pretende levantar R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis não operacionais, após revisão completa de sua carteira imobiliária, como forma de gerar caixa extraordinário e reduzir custos de manutenção.

Outro ponto sensível é a reformulação do plano de saúde dos funcionários, o Postal Saúde, que, segundo Rondon, precisa ser revisto devido ao alto custo. A expectativa é reduzir as despesas em cerca de R$ 500 milhões por ano.

A Postal Saúde enfrenta dificuldades financeiras e apontou, em suas demonstrações de 2024, risco à continuidade operacional. A operadora depende diretamente dos repasses dos Correios e foi afetada por uma perda de liquidez após a devolução de R$ 221 milhões à estatal, decorrente de uma transação frustrada.

Queda de receitas e impacto do Remessa Conforme

No lado das receitas, os Correios vêm sofrendo com um ambiente mais competitivo e com mudanças regulatórias. Até setembro de 2025, a empresa registrou uma queda de quase R$ 2 bilhões na receita, na comparação com o mesmo período de 2024.

Um dos principais fatores foi a implementação do programa Remessa Conforme, que instituiu imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — medida que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”. Com a nova regra, empresas privadas passaram a poder distribuir encomendas internacionais no Brasil, reduzindo a exclusividade operacional dos Correios.

A estatal fechou 2024 com receita de R$ 18,9 bilhões, abaixo dos R$ 19,2 bilhões em 2023 e dos R$ 19,8 bilhões em 2022. Para 2027, o plano projeta uma recuperação para R$ 21 bilhões, sustentada por novas estratégias comerciais e operacionais.

Apesar do foco imediato em ajuste fiscal e estabilização, os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/Brics). Os investimentos serão direcionados à automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística.

Segundo a empresa, o objetivo é recuperar a saúde financeira em 2026 e voltar a registrar lucro de forma sustentável a partir de 2027.

“Se a rota não for ajustada rapidamente, o prejuízo pode chegar a R$ 23 bilhões em 2026”, disse Rondon. “Não haverá mudança substancial em 2025, e ainda esperamos uma leve piora em 2026. A virada vem depois.”

Governo exclui R$ 10 bilhões da meta fiscal para salvar os Correios

4 de Dezembro de 2025, 18:53

A equipe econômica do Brasil excluiu R$ 10 bilhões da meta fiscal do próximo ano como parte de um plano para ajudar os Correios, que enfrentam uma grave crise financeira.

O aporte, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será efetuado somente depois de aprovado um plano de reestruturação para a estatal, disse ele nesta quinta-feira (4).

“Pode haver. O Tesouro está estudando. Vamos considerar todas as variáveis para tomar a decisão”, disse Haddad a jornalistas sobre a possibilidade. “Não tem nada a ver com arcabouço fiscal, se houver um aporte é dentro das regras atuais.”

A exclusão de R$ 10 bilhões da meta fiscal das estatais incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, aprovado no Congresso nesta quinta-feira (4), foi uma ação preventiva, para permitir que o governo eventualmente faça o aporte nos Correios caso essa seja a decisão, complementou o ministro.

A proposta não menciona os Correios, entretanto.

O peso da exceção

A demanda aumentou a preocupação dos investidores com a crescente dívida pública do Brasil. Após a divulgação do plano da pasta, o real apagou os ganhos e teve desempenho inferior ao da maioria das moedas latino-americanas, em meio a renovadas preocupações fiscais. 

O país tem enfrentado dificuldades para atingir sua meta de balanço fiscal primário equilibrado, excluindo pagamentos de juros, neste ano. O governo já está tendo que congelar recursos para cumprir o limite inferior da meta, que inclui uma margem de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para 2026, a meta é um superávit primário de 0,25%, mas a proposta orçamentária já prevê exceções para reduzir gastos desse objetivo. Além dos R$ 10 bilhões destinados aos Correios, a equipe econômica poderá também reduzir a meta em R$ 5 bilhões por meio de investimentos. O orçamento permite ainda que as empresas públicas apresentem um déficit de R$ 6,7 bilhões no próximo ano. 

Serviço postal 

Os Correios possuem mais de R$ 8,7 bilhões em passivos não cobertos e estão trabalhando em um plano de reestruturação que precisa ser aprovado pelo Tesouro. 

Suas finanças se deterioraram no último ano, à medida que o Brasil impôs tarifas sobre a importação de bens de baixo valor, o que reduziu as compras de brasileiros em plataformas globais de comércio eletrônico. A maior parte desses pedidos era processada pela empresa pública, e a redução no volume agravou o consumo de caixa da empresa.

No início desta semana, o Tesouro rejeitou uma proposta de um consórcio bancário para um empréstimo aos Correios, alegando que a taxa de juros oferecida era muito alta para uma operação com garantia governamental.

Agora, o Tesouro está analisando outras soluções. A possível injeção de capital por parte do governo agravaria ainda mais as contas públicas. 

“Precisamos aprovar o plano de recuperação primeiro. Não faremos nenhum investimento sem um plano de recuperação aprovado, nem empréstimos, nem investimentos, nem garantias”, disse Haddad. “Tudo depende do plano de reestruturação da empresa.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Governo topou ser o fiador do empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios, diz Folha

29 de Novembro de 2025, 19:28

O governo prepara um decreto para que o Tesouro Nacional seja o fiador de um empréstimo bancário de R$ 20 bilhões para os Correios. A informação é da Folha de S.Paulo, a partir de fontes próximas ao Poder Executivo. 

A contratação do empréstimo foi aprovada pelo conselho de administração da estatal neste sábado. Falta o aval da União. Mas, de acordo com o jornal, ele já existe.  

O financiamento será concedido por um consórcio formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra, com o Tesouro Nacional como fiador — ou seja, se houver calote, é o governo que assume a conta.

Como os Correios acumulam prejuízos desde 2022 e registram um saldo negativo de R$ 6,1 bilhões neste ano até setembro, havia resistência de técnicos do Tesouro em conceder o aval. 

Em última instância, a medida mina ainda mais a credibilidade fiscal do governo, o que pressiona os juros dos títulos públicos para cima e torna ainda mais cara a rolagem da dívida pública. Com a questão fiscal mal resolvida, por fim, sobra pouco espaço para quedas efetivas na Selic, que está no maior patamar em 19 anos (15% ao ano).  

A expectativa do governo, de acordo com a Folha, é publicar as normas nos próximos dias e concluir a operação, cuja taxa de juros ficou em 136% do CDI

Correios buscam aporte de R$ 20 bilhões e aposta em PDV para dar tração a plano de reestruturação

15 de Outubro de 2025, 16:52

Os Correios confirmaram nesta quarta-feira (15) que irão realizar uma operação de crédito no valor de R$20 bilhões para dar conta da necessidade de caixa de 2025 e 2026, segundo comunicado da empresa.

A medida faz parte do plano de reestruturação apresentado pela estatal, que contém três grupos de medidas: corte de despesas operacionais e administrativas; busca pela diversificação de receitas, com recuperação da capacidade de geração de caixa; e recuperação da liquidez da empresa.

De acordo com a nota divulgada pela estatal, a operação de crédito faz parte do terceiro bloco de medidas. O modelo proposto é de um consórcio de bancos, informou a empresa.

Desenho do aporte

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, confirmou a informação em entrevista coletiva concedida em Brasília nesta quarta. Além do empréstimo de R$ 20 bilhões, a estatal também implementará um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV).

“O primeiro ponto fundamental que estamos entabulando neste momento é um programa de demissão voluntário para reduzir a estrutura de gastos da empresa e começar o equacionamento entre receita e despesa”, afirmou.

Rondon detalhou que o programa não será linear, e sim focado em áreas com excesso de carga de trabalho. Com isso, a empresa acredita que não irá comprometer sua capacidade operacional.

Os Correios, que faziam parte do programa de desestatização do governo de Jair Bolsonaro, acumula perdas desde 2022, com prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025. A crise, segundo a companhia, foi agravada por questões como a “taxa das blusinhas”, que impactou compras internacionais e reduziu receitas.

❌