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Meio milhão de famílias a mais: as mudanças no Minha Casa, Minha Vida que animam as construtoras na bolsa

25 de Março de 2026, 16:47

As mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida anunciadas na terça-feira (24) ampliam em até 24% a capacidade de compra dos participantes do sistema de financiamento de habitação popular com juros subsidiados. Isso significa uma inclusão potencial de até 500 mil de famílias na plataforma.

Esse avanço da base representa um impulso direto na geração de novos negócios para as construtoras — movimento que ainda não estava totalmente precificado nas ações. O mercado já especulava sobre a ampliação de limites, mas os ajustes feitos pelo Conselho Curador do FGTS vieram acima do esperado.

O mercado começou a incorporar esse novo cenário nesta quarta-feira (25), movimento refletido na alta dos papéis das incorporadoras.

Com a perspectiva de aumento dos negócios imobiliários em 2026, as ações de empresas com atuação nesses segmentos sobem até 8% nesta quarta-feira.

Por volta de 16h30, as ações ordinárias (ON) de MRV subiam 8%, enquanto os papéis da Tenda avançavam 2,46%. Já Cury e Direcional ganhavam, respectivamente, 3,26% e 1,14%.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. A alta mais forte da MRV ocorre em parte por conta de um ajuste após a queda acentuada ocorrida no último mês. As ações ordinárias da companhia chegaram a cair 14% após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O recuo ocorreu devido às preocupações com o alto endividamento e com os prejuízos da operação nos EUA, que estavam impactando a geração de caixa e os resultados gerais da empresa.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Mas o que mudou no Minha Casa, Minha Vida? O Conselho Curador do FGTS elevou tanto as faixas salariais elegíveis aos subsídios quanto os valores dos imóveis que podem ser adquiridos dentro do progama.

No caso das Faixas 3 e 4, as mais rentáveis e voltadas às famílias de classe média, os tetos de renda subiram R$ 1 mil em cada segmento para R$ 9,6 mil e R$ 13 mil.

Os valores de residências que podem ser financiadas aumentaram para até R$ 400 mil na Faixa 3 e até R$ 600 mil, no caso da 4.

Nos cálculos do Itaú BBA, os compradores agora elegíveis à Faixa 1 poderiam adquirir imóveis até 8% mais caros; na Faixa 2 teriam capacidade para pagar por unidades com preços 13% maiores; na Faixa 3, o avanço seria de 24%; e, na Faixa 4, de 17%.

Já o BTG Pactual calcula um aumento médio de 21% do ganho de poder de compra em cada faixa.

No caso da Faixa 4, os novos limites significam a inclusão de até 400 mil novas famílias elegíveis aos financiamentos só nesse segmento. O cálculo leva em conta os dados da PNAD contínua do IBGE. A pesquisa considera a classe média ou classe B um contingente de 11 milhões de famílias com rendas entre R$ 8 mil e R$ 24 mil mensais.



MCMV: novo teto de renda traz gás para Direcional (DIRR3) e outras ações do setor

25 de Março de 2026, 10:22

Nesta terça-feira, o Conselho do FGTS aprovou uma nova rodada de ajustes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), com aumento dos limites de renda em todas as faixas, além da elevação do teto dos imóveis nas Faixas 3 e 4.

Em resumo, os limites de renda foram elevados para R$ 3.200 na Faixa 1 do Minha Casa Minha Vida (+12%), R$ 5.000 na Faixa 2 (+6%), R$ 9.600 na Faixa 3 (+12%) e R$ 13.000 na Faixa 4 (+8%). O valor máximo dos imóveis foi ampliado para até R$ 400 mil na Faixa 3 (+14%) e até R$ 600 mil na Faixa 4 (+20%).

Está previsto um aumento de R$ 500 milhões nos subsídios (para cerca de R$ 13 bilhões), além da possibilidade de uso mais amplo do Fundo Social, que poderá financiar também a Faixa 4 a partir do segundo semestre de 2026.

Como mudanças do Minha Casa, Minha Vida podem impactar as vendas de imóveis?

A expectativa é de impacto positivo nas vendas do setor. Com mais famílias elegíveis e maior capacidade de financiamento, a tendência é de continuidade da demanda por imóveis e, consequentemente, as construtoras podem dar andamento ao forte ritmo de lançamentos dos últimos períodos.

De modo geral, as mudanças já eram antecipadas pelo mercado, mas reforçam uma leitura positiva para o setor de habitação popular.

O cenário é favorável para construtoras com maior exposição ao segmento de baixa renda, que se beneficiam diretamente do aumento do público atendido, e para aquelas com atuação nas faixas intermediárias, onde o ganho de poder de compra foi relevante.

Entre as nossas preferências, destacamos o efeito positivo para a Direcional (DIRR3), que está bem posicionada nessas frentes e oferece ponto de entrada interessante após correção recente nas ações.

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Tenda (TEND3): A estratégia para zerar dívida, aumentar lucro e turbinar dividendos, segundo o CFO

17 de Março de 2026, 07:00

A construtora Tenda (TEND3), focada em habitação popular, pode ajustar suas projeções para 2026 caso o ritmo observado entre janeiro e fevereiro se mantenha, afirmou o CFO da companhia, Luiz Mauricio de Garcia, em entrevista ao Money Times. 

Segundo o executivo, as vendas brutas nos dois primeiros meses deste ano cresceram 27% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 1 bilhão. “Se esse cenário se mantiver, provavelmente [o guidance será revisado para cima]”, disse. 

A companhia, inclusive, projeta alcançar um lucro líquido entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões em 2026, o que representa, no ponto médio da estimativa, um crescimento de cerca de 51% quando comparado com o lucro recorrente apurado em 2025. 

De acordo com Garcia, o desempenho mais robusto tem sido impulsionado por fatores operacionais, como melhorias na execução das obras, além do bom momento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – eixo central da estratégia da empresa.  

Resultado forte e turnaround bem-sucedido

A Tenda já havia reportado números maiores no quarto trimestre de 2025 (4T25), quando o lucro líquido consolidado somou R$ 104,6 milhões, cerca de cinco vezes maior na comparação anual.  

A performance marcou a confirmação do chamado processo de reestruturação, conhecido no mercado como “turnaround”, que é voltado à recuperação da rentabilidade. 

“O número [do 4T25] foi consequência de um processo de reestruturação bem-sucedido que fizemos no pós-pandemia, além da força do mercado de habitação dentro do MCMV”, disse o CFO. 

A construtora, vale lembrar, enfrentou dificuldades entre 2021 e 2022 após acelerar o ritmo de lançamentos e apostar em um modelo de torres mais altas, se afastando do seu modelo tradicional de construção, inspirado em uma linha de montagem. 

Com a pandemia, obras foram atrasadas, enquanto os custos de construção aumentaram. Para se ter uma ideia, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE, disparou 18,65% em 2021. 

A alta pressionou os resultados e as margens da companhia, que chegou a reportar um prejuízo consolidado de R$ 547,3 milhões em 2022. 

Com o turnaround, porém, o movimento se inverteu, e a empresa registrou, em 2025, lucro líquido consolidado recorde de R$ 505,7 milhões. 

Não à toa, as ações TEND3 avançam mais de 110% na bolsa de valores (B3) no acumulado dos últimos 12 meses. Os papéis saíram de R$ 13,79, em março do ano passado, para os atuais R$ 29,37. 



O modelo de construção da Tenda 

Entre os fatores operacionais que ajudaram a melhorar as margens, para além do MCMV, está o modelo construtivo adotado pela companhia, que é baseado em formas de alumínio. 

Nesse sistema, moldes são feitos no formato das paredes e da estrutura do imóvel e o concreto é despejado dentro dessas formas. 

Na prática, o método segue uma lógica mais industrializada de construção, com montagem padronizada, o que reduz a necessidade de mão de obra, acelera o ritmo dos projetos e ajuda a diminuir gastos.  

Com isso, segundo o executivo, hoje a mão de obra representa cerca de 33% do custo de construção da Tenda, abaixo dos aproximadamente 45% observados em métodos tradicionais, como a alvenaria estrutural.  

“O resultado do 4T25 vem dos fatores que a gente colocou [reestruturação pós-pandemia e momento do MCMV] e, no lado de custo, a gente está sendo muito bem-sucedido nesse nosso modelo construtivo”, afirmou. 

“A forma de alumínio é quase como se fosse um sanduíche em que você concreta no meio. Isso simplifica e segue uma abordagem industrial. Essa metodologia navega melhor no ambiente de escassez e encarecimento de mão de obra, que tem sido o caso, já que o setor de construção civil no Brasil está muito aquecido.” 

Demanda estrutural por moradia 

A Tenda também vê a continuidade do cenário estruturalmente favorável para o segmento imobiliário no Brasil, impulsionado pela formação de novas famílias. 

O CFO lembrou, com base no último Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2022, que o país forma cerca de 1,4 milhão de novas famílias por ano, enquanto os programas habitacionais, como o próprio MCMV, contratam pouco mais de 600 mil imóveis. “A demanda é muito maior do que a oferta”, afirmou. 

Questionado sobre possíveis impactos do cenário político, o executivo pontuou que a empresa não vê riscos relevantes à frente, mesmo em caso de alternância de governo nas eleições de outubro. 

De acordo com ele, o Minha Casa, Minha Vida já atravessou diferentes gestões desde sua criação, em 2009, e se consolidou como uma política de Estado. “Não é um tema que preocupa.” 

Lançamentos devem acelerar 

Diante desse cenário, Garcia contou que a construtora pretende acelerar os lançamentos ao longo de 2026, se beneficiando dos ajustes previstos no programa habitacional.  

No início de março, o Ministério das Cidades propôs aumentar o limite de renda familiar em todas as faixas do MCMV, além de elevar o teto do valor dos imóveis para as faixas 3 e 4. 

Para a Tenda, o ponto central da proposta é o reajuste na faixa 1, que concentra cerca de metade da sua base de clientes. Pelos termos propostos, o limite de renda dessa faixa subiria dos atuais R$ 2.850 para R$ 3.200 

Para passar a vigorar, porém, os novos valores dependem de aprovação do Conselho Curador do FGTS, prevista para o dia 24 de março. 

Desafios da Alea 

Apesar da melhora nos resultados da operação principal, a Alea, frente de negócios do grupo voltada à construção de casas pré-fabricadas, segue pressionando os números consolidados.  

A subsidiária registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no 4T25, enquanto no acumulado de 2025 totalizou R$ 130,4 milhões. 

De acordo com o CFO, o principal desafio da unidade está no custo das obras executadas nos canteiros, que tem ficado acima do esperado. 

“Hoje, a Alea tem um modelo em que metade do processo construtivo é feito dentro de uma fábrica e a outra metade é feita no canteiro. E o problema de desvio de custo, razão pela qual a margem dela está negativa, é justamente esse gasto das obras no canteiro, que está muito mais caro do que o previsto”, afirmou.   

Para corrigir a distorção, o executivo disse que o grupo decidiu verticalizar a mão de obra — estratégia já utilizada pelo negócio Tenda — e reduzir a dispersão geográfica dos projetos. 

“Em Ribeirão Preto, Campinas e Bauru [no interior de São Paulo], por exemplo, contratamos uma equipe na principal cidade e, quando essa equipe terminar uma obra, ela vai para outra, porque todas estão num raio de atuação pequeno”, explicou. 

“Antigamente não era assim. Antigamente era muito disperso. Então, com isso, a gente consegue ter uma produtividade maior no canteiro.” 

Dividendos até estão no radar, mas a prioridade é outra 

Ao ser perguntado sobre a distribuição de proventos, o CFO apontou que a remuneração aos acionistas também está no radar da construtora, embora não seja a prioridade no curto prazo. 

Ele ressaltou que a Tenda pretende aumentar o pagamento de dividendos no futuro — mas, primeiro, quer reduzir sua alavancagem financeira. 

Atualmente, a empresa tem cerca de R$ 266 milhões em dívida líquida. A título de comparação, em 2022, o valor era de R$ 799,9 milhões. 

“O objetivo da companhia é voltar a pagar acima do mínimo obrigatório [de 25% do lucro líquido ajustado]. Aliás, nós já fizemos isso no ano passado. Mas nosso objetivo é seguir desalavancando a operação. Uma vez que a dívida líquida chegue a zero, a Tenda deve ter um volume de pagamento de dividendos mais alto”, afirmou. 

Recomendações para Tenda (TEND3) 

De sete bancos e casas de análise consultados pelo TradeMap, seis têm recomendação de compra para a construtora e um, de manter 

MRV&Co (MRVE3): ‘Pisamos na bola na execução’, diz CEO sobre operação nos EUA; empresa estuda separar Resia e reforça foco no Brasil

10 de Março de 2026, 15:56

A MRV&Co (MRVE3) não iniciará projetos novos na Resia, subsidiária do grupo que atua nos Estados Unidos (EUA), e avalia alternativas para separar a operação internacional do restante da empresa.

A sinalização foi feita nesta terça-feira (10) durante o MRV Day, evento realizado em São Paulo com investidores, jornalistas, analistas e executivos da companhia.

Segundo a direção do conglomerado, enquanto o destino da unidade internacional ainda está em definição, o foco estratégico passará a ser o desenvolvimento das operações no Brasil, incluindo as marcas MRV Incorporação, voltada à habitação popular, Luggo, de locação residencial, e Urba, de loteamento.

A Resia não deixará de existir. Ela continuará existindo em outro modelo societário. Mas vai chegar um momento em que o acionista da MRV&Co deixará de ter os ativos da Resia nessa estrutura”, disse o copresidente da MRV&Co, Rafael Menin, durante sua apresentação.

Adeus, Resia?

Enquanto avalia os próximos passos para a subsidiária norte-americana, o grupo informou que seguirá com o plano já anunciado de vender terrenos e empreendimentos nos Estados Unidos.

A estratégia prevê a alienação de US$ 800 milhões em ativos no exterior até o final de 2026, dos quais US$ 167 milhões já foram concluídos.

“Foi uma decisão difícil, mas entendemos que o foco total no Brasil é o caminho para termos um próximo triênio muito forte. Agora, precisamos fazer essa desalavancagem da Resia da forma mais geradora de valor possível”, afirmou Menin.

“A gente poderia fazer isso muito rápido e colocar muito caixa para dentro da empresa. Mas vendas aceleradas também podem destruir valor. Queremos alienar esses ativos nos EUA com a melhor cadência”, acrescentou.

Os erros da MRV, segundo o CEO

O executivo também reconheceu que a MRV&Co cometeu erros ao expandir diversas frentes de atuação ao mesmo tempo, o que elevou a complexidade do conglomerado.

Não à toa, a Resia registrou prejuízo de US$ 260 milhões em 2025, acima da perda de US$ 69,8 milhões registrada em 2024.

“Pisamos na bola na execução [nos EUA]. Abrimos muitas frentes ao mesmo tempo. O foco da administração daqui para frente serão as operações brasileiras”, contou.

O diretor financeiro (CFO) da companhia, Ricardo Paixão, também comentou sobre a unidade internacional, destacando os desafios que a expansão trouxe para a estrutura do grupo.

“Na Resia, tivemos alguns acertos e erros, e os erros fizeram a empresa ficar com um balanço muito grande e um endividamento bem elevado. E com endividamento muito alto, temos que ficar atentos, por isso estamos realizando desinvestimentos”, afirmou, dizendo que a estratégia não deve ser interpretada como uma descontinuação — ao menos por enquanto.

“Eu não chamaria de liquidação, mas, sim, de desalavancagem. As possíveis decisões mais para a frente podem ser vender o negócio todo, fazer uma cisão, parceria, spin-off ou até mesmo a liquidação. Mas, por ora, é prematuro qualificar assim”, disse.

Além dos terrenos que estão em processo de venda, a Resia também mantém uma fábrica nos Estados Unidos. Questionado sobre o futuro do ativo, Paixão ressaltou que a unidade ainda está sendo utilizada.

“A fábrica ainda não está à venda. Estamos usando para finalizar alguns contratos, mas, assim como outros ativos, pode entrar no plano de alienação em breve.”

Os erros da Resia, segundo o CFO

Ao ser perguntado sobre o que faria diferente hoje na estratégia da Resia, o executivo afirmou que, entre outras frentes, teria adotado uma expansão mais gradual.

“Não expandiríamos geograficamente tão rápido. Teríamos focado muito mais no mercado do estado da Flórida, onde tivemos sucesso”, contou ao Money Times.

“Também alocaríamos menos capital na compra de terrenos e tentaríamos fazer mais permutas financeiras. E talvez tivéssemos adiado o investimento na construção de uma fábrica nos Estados Unidos”, prosseguiu.

Questionado se a divisão norte-americana gera arrependimento dentro da MRV&Co, Paixão respondeu que em partes. “De ter feito, eu acho que não. Mas arrependimento da forma como foi feito, sim.”

Foco no mercado brasileiro

Durante o evento, a direção da companhia ainda destacou que segue otimista com o mercado imobiliário no Brasil, principalmente com o segmento voltado à baixa renda.

O copresidente, Rafael Menin, afirmou que o ambiente tem sido impulsionado, principalmente, por mudanças sucessivas nas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), além da ampliação de programas estaduais que oferecem subsídios adicionais para a compra de imóveis.

“Estamos entrando em um ciclo de excelência operacional”, disse o executivo. “Estamos construindo a melhor MRV da história.”

Ação da MRV recua mais de 10% após frustração com prévias do 3º tri

7 de Outubro de 2025, 11:58

Após apresentar uma prévia operacional no terceiro trimestre vista com fraca pelo mercado, as ações da construtora MRV negociam em forte queda. O papel ordinário (ON) apresenta um recuo de 10,31% a R$ 6,44, por volta de 11h45.

De acordo com os números divulgados nesta terça-feira (7), a companhia registrou queima de caixa em todos os segmentos. O resultado foi impactado por efeitos pontuais, como atrasos em repasses devido à suspensão de subsídios regionais. Esses fatores geraram um descasamento de R$ 93 milhões na geração de caixa do terceiro trimestre.

No consolidado, a MRV reportou um consumo de caixa de R$ 37 milhões, com impacto distribuído entre suas operações de habitação popular, média renda e loteamentos, além das subsidiárias Luggo e da Resia, que teve um consumo de recursos negativo de US$ 1,5 milhão mesmo após vendas de ativos.

“Esperávamos uma geração de caixa mais forte devido ao melhor ritmo de transferências e à sazonalidade”, afirmaram analistas do Citi em relatório a clientes.

Já os analistas do Itaú BBA consideraram haver uma “baixa visibilidade sobre os lucros” após os resultados apresentados.

Vendas e lançamentos abaixos do esperado

Os lançamentos somaram R$ 2,43 bilhões no trimestre, com uma alta de 4% em relação ao ano anterior, mas 28% abaixo das projeções. As vendas, por sua vez, totalizaram R$ 2,53 bilhões, uma queda de 11% na comparação anual e 9% abaixo do previsto.

Para o o Itaú BBA, os números refletem um ritmo mais fraco de comercialização, especialmente no programa Minha Casa Minha Vida, principal estratégia de comercialização da companhia.

A MRV afirmou que terminou o período entre julho e outubro com 1.400 unidades não repassadas a mais que o segundo trimestre para a MRV Incorporação. Esse fator também afetou a geração de caixa e a venda líquida reportada.

“Se isso não tivesse ocorrido, as vendas do terceiro trimestre de 2025 seriam similares às do segundo trimestre de 2025”, acrescentou a companhia em comunicado.

Na reconstrução da InterCement, um empresário argentino toma o lugar da antiga Camargo Corrêa

6 de Outubro de 2025, 06:00

O empresário argentino Marcelo Mindlin aprendeu cedo que ter dinheiro disponível é vital para atravessar as instabilidades econômicas do seu país. Também é adepto da doutrina de que é nas crises que surgem as melhores oportunidades de compra. Foi assim que, em 2016, adquiriu a operação da Petrobras na Argentina e transformou seu grupo, a Pampa Energía, na maior empresa privada de energia dos nossos vizinhos.

Agora, com a mesma cartilha, se prepara para suceder a família Camargo, dona da Mover (a antiga Camargo Corrêa) como um dos principais acionistas da InterCement, a terceira maior produtora de cimento do Brasil.

Mindlin lidera um grupo de investidores internacionais que comprou dívidas da InterCement de bancos brasileiros para concentrar a maior fatia do passivo e, assim, ganhar poder de negociação junto ao grupo Mover. Uma assembleia nesta segunda-feira (6) tende a selar a saída definitiva da família de Sebastião Camargo do negócio de cimentos, abrindo espaço para que os credores assumam a InterCement.

Estima-se que esse consórcio — que inclui também as gestoras Moneda, Redwood e Contrarian — já tenha reunido cerca de R$ 7,3 bilhões em títulos de dívida da InterCement, tornando-se o principal credor da companhia, que tem hoje cerca de R$ 9 bilhões em passivos.

“Numa Argentina com tanta volatilidade, a questão financeira é crucial. Quem fica endividado e é pego por uma dessas crises, acaba caindo. Mas, se uma dessas crises te pega com liquidez, você pode justamente aproveitá-la e crescer, seja investindo ou comprando ativos”, disse Mindlin em uma de suas poucas entrevistas, concedida recentemente ao economista Alfredo Zaiat.

O interesse de Mindlin tem nome e sobrenome: Loma Negra, dona de 45% do mercado de cimento da Argentina e que lucrou US$ 19,2 milhões no primeiro semestre deste ano, registrando recieta líquida de US$ 291 milhões. A InterCement tem 54% das ações de Loma Negra, enquanto o restante está em circulação no mercado acionário (o chamado “free float“).

Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement
Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement (Bloomberg)

Listada na Bolsa de Nova York, a companhia é a joia da coroa da InterCement e foi alvo de cobiça de grandes players do Brasil, entre eles Benjamin Steinbruch, o dono da CSN, que tentou até o fim do ano passado comprar a IC antes de seu pedido de recuperação judicial. Na imprensa argentina, Marcelo Mindlin já é tratado como o novo controlador de Loma Negra.

“As multinacionais continuam saindo do país. (…) Todas essas empresas foram compradas por empresários locais. Isso nunca tinha acontecido na Argentina. (…) Vejo que é uma época em que os empresários locais estão assumindo a dianteira e investindo no país”, prosseguiu Mindlin a Zait.

Além do valor simbólico de trazer de volta a icônica Loma Negra para mãos argentinas — a indústria criada por Amalia Fortabat em 1926 foi comprada pela Camargo Corrêa há 20 anos por US$ 1 bilhão —, o empresário também controla a construtora SACDE, uma das maiores do país, e pode encontrar na cimenteira a chance de verticalizar ainda mais seus negócios.

A grande dúvida agora, segundo profissionais do setor, é o destino das operações brasileiras da InterCement — um parque industrial de 10 fábricas e as marcas Cauê, Goiás e Zebu. Não estão claras as pretensões de Mindlin para essa parte da InterCement.

“A tendência é que o Mindlin fique com a Loma Negra e que o restante fique com os outros credores e seja vendido, já que não há sinergia com os negócios dele. Mas ainda é cedo para cravar”, afirma um executivo de um concorrente ouvido pelo InvestNews.

Gráfico de participação de mercado de cimentos no Brasil: Votorantim 35%, CSN 21%, InterCement 14%, Outros 30%.

Outra incógnita é qual o real tamanho da fatia que Mindlin terá na nova InterCement. O InvestNews procurou os representantes do empresário argentino na última semana, mas não obteve resposta. A InterCement e a Mover não comentam.

O futuro da InterCement

Fundada em 1939 por Sebastião Camargo e Sylvio Brand Corrêa como empreiteira, a Camargo Corrêa logo diversificou-se para outros setores. O cimento, insumo natural de suas obras, ganhou corpo com a criação da Camargo Corrêa Cimentos nos anos 1970. Sob o comando da família Camargo, a empresa se expandiu por nove países, com dezenas de fábricas e milhares de empregados e adotou o nome de InterCement.

Mas a crise que atingiu o grupo da família de Sebastião Camargo após a Lava Jato tornou suas dívidas impagáveis. Uma tentativa frustrada de abrir o capital da InterCement deflagrou uma crise ainda maior. Em dezembro, a InterCement e a Mover pediram recuperação judicial.

O plano de RJ da InterCement abriu caminho para que credores convertessem dívida em ações. Quem aceitasse a troca por equity ganharia direito a voto e participação no futuro da empresa; quem recusasse teria prazos longos, carência e fortes descontos para receber — em alguns casos superiores a 60%.

Na prática, a lógica é simples: quem concentrar a maior fatia dos bonds e debêntures será o controlador da InterCement. Com a saída definitiva da Mover do capital da companhia de cimento, a gestão passará a ser exclusiva dos credores liderados por Marcelo Mindlin.

Uma instalação industrial complexa com silos e torres sob um céu azul, cercada por algumas árvores e uma chaminé.
Instalação industrial da InterCement. Foto: Divulgação

Nos últimos meses, esse grupo comprou créditos de bancos que não tinham interesse em se tornar acionistas nem em esperar anos para reaver os recursos. Entre eles, estavam os dois principais credores da InterCement: Itaú e Banco do Brasil. 

Segundo reportagem do Pipeline, Mindlin e aliados já somam cerca de R$ 7,3 bilhões em títulos da empresa. Do total de R$ 9 bilhões da dívida, aproximadamente R$ 4 bilhões estariam vinculados à Loma Negra, que poderá ser vendida — seja para Mindlin ou para outro investidor. O restante será convertido em dívidas reestruturadas e ações da InterCement.

No fim de julho, a InterCement anunciou ter fechado um acordo com seus credores. O pacote inclui títulos participativos atrelados à Loma Negra, com direito a dividendos e a eventual venda, além de novas obrigações garantidas e suspensão de litígios. A engenharia financeira dá fôlego imediato à companhia e define como os credores serão remunerados até 2026, quando deve ser decidido o destino da joia argentina.

O acerto dos Camargo também envolve a venda da fatia de 14,86% que a Mover possui na Motiva (antiga CCR) para quitar a dívida com o Bradesco, outro grande credor. Pelo acordo, a Mover receberá R$ 450 milhões em dinheiro e até R$ 50 milhões adicionais em warrants — instrumentos que dão direito a ganhos extras caso a empresa atinja determinado valor de mercado.

O jeito Mindlin

Marcelo Mindlin nasceu em La Carlota, no interior de Córdoba, em 1964. Filho de médicos e de família judia, passou parte da juventude em Israel antes de regressar a Buenos Aires para estudar economia na Universidade de Buenos Aires (UBA) e fez um MBA no Centro de Estudios Macroeconómicos de Argentina (CEMA). No ranking de 2024 da revista Forbes, foi listado como o 31º pessoa mais rica da Argentina, com patrimônio estimado em US$ 900 milhões.

Entre 1991 e 2003, foi acionista e diretor financeiro da IRSA, um dos principais grupos imobiliários do país, além de iniciativas regionais como o Fondo de Valores Inmobiliarios, na Venezuela, e a Brazil Realty, no Brasil.

Em paralelo, criou em 1989 o Grupo Dolphin, embrião do atual Grupo Emes, seu veículo de private equity. A grande virada veio em 2005, com a fundação da Pampa Energía, hoje o maior grupo privado integrado de energia da Argentina, listada em Buenos Aires e em Nova York.

Empresário Marcelo Mindlin
Empresário Marcelo Mindlin (Bloomberg)

Mindlin construiu reputação com um estilo repetido à exaustão: comprar em momentos de crise e transformar ativos depreciados em plataformas de crescimento. Foi assim em 2016, quando comprou a Petrobras Argentina por US$ 875 milhões em meio à recessão e transformou-a em pilar da Pampa. O mesmo também ocorreu com a construtora IECSA, da família Macri, rebatizada como SACDE, que passou a disputar obras estratégicas como o gasoduto de Vaca Muerta. 

Agora, aplica a mesma lógica ao cimento: usar a estratégia “loan-to-own” — comprar dívida para converter em controle acionário — e assumir a InterCement, dona da Loma Negra na Argentina e com presença no Brasil.

Além da energia e da construção, Mindlin é co-controlador da seguradora Orígenes e fundador e presidente do Museu do Holocausto de Buenos Aires. Também mantém atuação filantrópica pela Fundação Pampa, voltada à educação, e pela ONG Tzedaká.

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