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Sob cerco dos EUA, Cuba sofre novo apagão nacional e milhões ficam sem luz

18 de Setembro de 2026, 20:27

 

Cuba apagão
Senhora descansa na porta da própria casa em meio a apagão que afeta Cuba. Foto: Ramon Espinosa – 18/09/2026/AP

Cuba sofreu nesta sexta-feira (18) mais um apagão nacional após o colapso de seu sistema elétrico, deixando milhões de pessoas sem energia. Segundo a Associated Press, o Ministério de Energia e Minas informou que começou a ativar protocolos de recuperação do serviço depois que a rede caiu em diferentes regiões da ilha.

Segundo as autoridades cubanas, a falha começou em linhas de transmissão na região oeste e provocou o colapso do sistema até a província de Matanzas. Na sequência, a parte oriental da ilha foi desconectada. O jornal estatal Granma informou ainda que condições meteorológicas instáveis agravaram a situação. Ao anoitecer, apenas 5% dos consumidores de Havana tinham recuperado a eletricidade.

A dimensão da crise elétrica cubana não pode ser separada do cerco econômico e energético imposto pelos Estados Unidos, com os colapsos da rede se tornando mais frequentes nos últimos dois anos e que vem se agravando desde janeiro, quando Washington intensificou o bloqueio de combustível com o objetivo declarado de pressionar por uma mudança política na ilha.

Donald Trump iniciou 2026 ameaçando impor tarifas a países que fornecessem petróleo a Cuba. Em maio, o governo estadunidense ampliou as sanções para atingir pessoas e empresas ligadas a setores como energia, mineração, finanças e segurança. Em junho, Washington incluiu nas restrições a estatal petrolífera Unión Cuba-Petróleo, a Cupet.

Cuba apagão
Foto: Ricardo Arduengo – 16/09/2026/Reuters

O cerco continuou avançando. No início de setembro, os Estados Unidos sancionaram o Banco Exterior de Cuba e outras estruturas financeiras e econômicas. Na quinta-feira (17), apenas um dia antes do novo apagão, Washington anunciou outra rodada contra oito entidades e três dirigentes ligados à exploração de níquel e ao complexo militar-industrial cubano. A ofensiva se soma a outras sanções aplicadas pelo governo Trump ao longo do ano.

As restrições atingem justamente a capacidade de Cuba de importar o combustível necessário às usinas termelétricas e peças para uma infraestrutura envelhecida. O bloqueio estadunidense não explica sozinho a falha de transmissão desta sexta-feira, mas amplia seus efeitos e reduz a capacidade do país de recuperar e modernizar a rede. É nesse ponto que a política predatória de Washington deixa de ser uma disputa diplomática abstrata e se materializa na rotina da população cubana.

Mesmo quando a rede nacional funciona, moradores enfrentam cortes que podem superar 30 horas consecutivas. A combinação entre apagões e cerco energético já provocou limitações no transporte, redução da jornada de trabalho, cancelamentos de voos e impactos sobre os serviços de saúde. Cozinhar, bombear água e manter internet e telefonia também se tornam tarefas incertas em uma ilha submetida há décadas ao bloqueio estadunidense.

Condenado por fraude, ex-ministro da ditadura é grande doador de Flávio Bolsonaro

9 de Setembro de 2026, 23:45
Ângelo Calmon de Sá
O ex-ministro da ditadura militar, Ângelo Calmon de Sá. Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

O ex-ministro Ângelo Calmon de Sá, banqueiro condenado por fraude e integrante de dois governos durante e logo após a ditadura militar, aparece entre os maiores doadores privados associados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Aos 91 anos, ele destinou R$ 400 mil à Direção Nacional do PL, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral analisados pela Folha de S.Paulo.

O dinheiro não foi transferido diretamente para a conta de Flávio Bolsonaro, mas para a direção nacional da legenda que financia sua candidatura. No levantamento da Folha, Calmon de Sá aparece como o terceiro maior doador pessoa física ligado à campanha, atrás de Fernando de Castro Marques, da União Química, e Erasmo Carlos Battistella, da Be8, que destinaram R$ 500 mil cada.

A relação financeira do banqueiro com o partido não começou nesta eleição. Em 2024, Calmon de Sá já havia destinado R$ 300 mil ao PL, em três repasses registrados como contribuições para a manutenção da legenda.

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Vitor Salles

O empresário presidiu o Banco do Brasil durante a ditadura de Emílio Garrastazu Médici e foi ministro da Indústria e Comércio de Ernesto Geisel entre 1977 e 1979. Anos mais tarde, Fernando Collor o nomeou ministro do Desenvolvimento Regional. Depois das passagens pelo governo, Calmon de Sá voltou ao comando do Banco Econômico, instituição que entrou em intervenção do Banco Central em 1995 e foi liquidada no ano seguinte.

Durante a crise do banco, o BC descobriu o episódio conhecido como “pasta rosa”, envolvendo US$ 2,4 milhões destinados a candidaturas nas eleições de 1990. À época, doações empresariais eram proibidas, e a investigação apontou o uso de registros de pagamentos por serviços fictícios para encobrir as transferências.

Em 2007, Calmon de Sá foi condenado pela Justiça Federal a 13 anos e quatro meses de prisão em regime fechado. Na sentença citada pela Folha, o juiz o classificou como principal estrategista das irregularidades e como destinatário de recursos captados no exterior e desviados para o banco. A reportagem afirma que não há registros de que a pena tenha sido cumprida; a defesa apresentou ao longo dos anos recursos e pedidos de habeas corpus, inclusive com alegações de prescrição.

A contribuição ocorre enquanto Flávio Bolsonaro concentra os maiores gastos da eleição presidencial. A campanha do candidato do PL já declarou R$ 49,5 milhões em despesas, e R$ 42 milhões de sua arrecadação vieram do Fundo Eleitoral repassado pela própria legenda.

Cuba mergulha em novo apagão nacional em menos de uma semana sob pressão dos EUA

22 de Março de 2026, 23:17
A cidade de Havana às escuras. Foto: YAMIL LAGE / AFP

Cuba voltou a ficar às escuras pelo segundo apagão nacional em menos de uma semana, após um novo colapso da rede elétrica do país — o terceiro apenas neste mês de março.

A crise ocorre em meio a fortes restrições no fornecimento de combustível, graças a um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.

A União Elétrica de Cuba, ligada ao Ministério de Energia e Minas, anunciou no sábado um apagão total em toda a ilha. Inicialmente, não houve explicação oficial para a falha. Mais tarde, autoridades informaram que o problema começou com uma pane inesperada em uma unidade geradora da usina termelétrica de Nuevitas, na província de Camagüey.

Segundo o governo, a falha desencadeou um efeito cascata que derrubou outras unidades do sistema elétrico. Para conter os danos, foram ativadas “micro-ilhas” de geração, destinadas a garantir energia a serviços essenciais, como hospitais e sistemas de abastecimento de água.

As autoridades afirmaram que trabalham para restabelecer o fornecimento. O blecaute anterior havia ocorrido apenas cinco dias antes, na segunda-feira. Este foi o segundo em uma semana e o terceiro em março, evidenciando a fragilidade do sistema.

🇨🇺 | La Habana a oscuras: nuevo apagón general en Cuba, el segundo en una semana. pic.twitter.com/agVqzIJy1H

— Alerta Mundial (@AlertaMundoNews) March 22, 2026

Com a chegada da noite, ruas de Havana ficaram praticamente às escuras. Moradores usavam lanternas e celulares para se locomover. Em áreas turísticas do centro histórico, alguns restaurantes conseguiram permanecer abertos graças a geradores, enquanto músicos tocavam para os clientes.Na capital, os cubanos já convivem com cortes diários de energia que podem durar até 15 horas. No interior da ilha, a situação é ainda mais grave.

A crise energética se agravou desde que o país deixou de importar petróleo, em 9 de janeiro. A escassez impactou não apenas a geração de eletricidade, mas também o setor aéreo, com redução de voos e prejuízos ao turismo — uma das principais fontes de renda da ilha.

O apagão ocorreu no mesmo momento em que um comboio internacional de ajuda começava a chegar a Havana, trazendo suprimentos médicos, alimentos, água e painéis solares.

A situação piorou ainda mais após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro — fato que abalou o principal parceiro energético de Cuba.

Trump tem afirmado repetidamente que o regime cubano está à beira do colapso e chegou a declarar que poderia “tomar” Cuba em breve.

Em resposta, o presidente Miguel Díaz-Canel advertiu que qualquer agressão externa enfrentará “uma resistência inquebrantável”.

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