O Spotify implementou novos selos de verificação para artistas, que indicam que o perfil representa um artista real com conteúdo próprio, garantindo que cumpre os critérios de autenticidade e confiança da plataforma, em contraposição aos perfis gerados por inteligência artificial (IA).
A empresa continua apostando em recursos que ajudem os usuários a ter mais informações sobre os artistas e suas músicas, diante do aumento de perfis falsos, spam e conteúdo gerado por IA nas plataformas musicais, que prejudicam a experiência.
Nesse sentido, lançou os novos selos “Verificado pelo Spotify”, um distintivo que garante que o perfil do artista em questão foi revisado e cumpre os critérios de autenticidade da plataforma.
Assim, quando um artista estiver verificado, isso significará que se trata do perfil de um criador ou músico real, com uma presença identificável tanto dentro quanto fora da plataforma e com música ou conteúdo próprio. Isso também garante que o conteúdo em questão cumpre as normas do Spotify.
Portanto, os perfis que pareçam representar principalmente artistas gerados por IA ou personagens de IA “não poderão ser verificados”.
Conforme explicou em um comunicado em seu blog, para conceder esse selo, a empresa analisa perfis de artistas que apresentam atividade e participação constantes por parte dos ouvintes. Ou seja, perfis que os usuários procuram de forma ativa e intencional durante um período prolongado, e não apenas aqueles que apresentam picos pontuais de participação.
Da mesma forma, na análise, a empresa levará em consideração questões como datas de shows, produtos promocionais e contas de redes sociais vinculadas ao perfil, para determinar se se trata de uma pessoa real.
Para examinar cada conta do Spotify, a empresa combinará os padrões mencionados com a revisão e o julgamento humanos, com o objetivo de “identificar os verdadeiros artistas que atuam de boa-fé, em vez de descartar os falsos”.
No entanto, a empresa também esclareceu que, no panorama musical atual, o conceito de autenticidade do artista “é complexo e evolui rapidamente”; por isso, alertou que continuará aperfeiçoando essa abordagem para conceder os selos “ao longo do tempo”.
Esses novos selos, que consistem em um ícone de verificação verde claro acompanhado do texto “Verificado pelo Spotify”, aparecerão nos perfis dos artistas ao lado de seus nomes, bem como nas pesquisas.
Além disso, elas começarão a ser concedidas aos artistas de forma gradual ao longo do tempo, uma vez que a plataforma abrange “milhões de criadores de conteúdo e perfis de artistas”, e as revisões serão realizadas com “precisão e coerência”.
Apesar desse processo, o Spotify informou que, como parte do lançamento dos selos, 99% dos artistas que os ouvintes procuram ativamente já estão verificados, incluindo diversos gêneros e origens geográficas.
Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.
O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.
Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.
A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.
Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.
Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.
Trump cantor de rock – Foto: Reprodução
Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.
Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.
Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.
Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.
Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.
A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.
Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.
Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.
Em alguma hora no meio da tarde, dentro de qualquer grande empresa europeia, o diretor financeiro abre seu laptop, chama uma tela de análise preditiva e, sem muita cerimônia, deixa que um modelo de linguagem sugira o próximo movimento. Isso não é ficção, nem piloto experimental e não é iniciativa de um departamento de TI entusiasmado demais. Já é rotina, com número de pesquisa para provar.
Uma pesquisa da Deloitte realizada com cem diretores financeiros holandeses entre setembro (16) e outubro (17) de 2025, mostrou que 90% dos CFOs entrevistados já se apoiam em inteligência artificial para usar nas decisões que tomam. E vai além, mais de um terço deles espera que, dentro de cinco anos, a IA sustente mais da metade de suas escolhas mais importantes.
O número é expressivo, mas o que vem depois dele é onde a história fica interessante e até engraçado. Se 90% dos CFOs já usam as ferramentas, e mais de um terço acredita que elas vão dominar suas decisões em meia década, seria razoável imaginar que o dinheiro estivesse fluindo para essa direção com a mesma velocidade. Não está.
A mesma pesquisa apontou que mais de 80% das organizações ainda pretende gastar menos de um quarto do orçamento de tecnologia em IA nos próximos anos. Há, portanto, uma fissura visível entre o que os executivos esperam da tecnologia e o quanto estão dispostos a investir para que ela chegue lá.
Traduzindo do corporativês: acreditamos muito na IA, só não a ponto de gastar dinheiro de verdade com ela.
O mesmo estudo revelou que 70% dos CFOs europeus esperam crescimento de receita neste ano de 2026. Sabe como? Cortando gente e contratando serviços de IA. O famoso “fazer mais com menos”, o que na prática significa crescer achando que vai economizar.
Esse ponto merece atenção. Crescimento de receita e redução de pessoal vivem na mesma frase dentro das salas de conselho. Empresas de serviços e tecnologia estão em posição mais confortável para conciliar os dois objetivos, já que ganhos de produtividade por automação compensam a perda de volume humano.
Empresas manufatureiras, no entanto, segundo o levantamento, enfrentam perspectivas mais frágeis de receita e podem reduzir trabalhadores apenas para estabilizar as operações, sem crescimento real à vista.
CFO com mais poder e menos talento
Outro dado da pesquisa merece mais atenção do que costuma receber. Cerca de 80% dos CFOs entrevistados afirmaram que a influência do diretor financeiro dentro do conselho de administração aumentou nos últimos cinco anos. É um salto considerável de prestígio. O CFO, que durante décadas foi o guardião dos números, passou a ser convocado para moldar a direção estratégica dos negócios.
O problema é que esse poder bate em um limite. Falta de gente qualificada para operar as ferramentas que sustentariam esse novo papel.
Mais da metade dos CFOs identificou, no estudo, carências em habilidades ligadas a dados, tecnologia digital e IA dentro de suas próprias equipes. O executivo tem mais voz no conselho, quer usar IA para decidir melhor e mais rápido, mas não encontra os profissionais capazes de construir essa infraestrutura de dentro.
Me lembra o arquétipo do “cabeça de planilha”, o executivo que olha para qualquer problema e enxerga uma linha de custo a eliminar. No anos 90 a Boeing elevou esse perfil ao posto máximo e passou anos explicando para autoridades de aviação por que as portas dos aviões saíam voando sozinhas. Dar mais poder ao CFO sem dar a ele uma equipe capaz de entender o que a IA faz é, guardadas as proporções, a mesma aposta.
Fumaça após ataque aéreo israelense na aldeia Tayr Harfa, perto da fronteira entre Líbano e Israel. Foto: Kawnat Haju/AFP
A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta para a população de países vizinhos e de Israel, recomendando que evitassem se aproximar de áreas sob risco de “perigo iminente”. As localizações indicadas incluem partes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e uma ponte ferroviária em Tel Aviv, Israel.
Essas zonas foram designadas como “militares fechadas” e ficarão sob alerta a partir das 23h (horário de Teerã). A Guarda iraniana alertou a população a sair rapidamente dessas áreas e a procurar rotas seguras, enfatizando que ignorar o aviso poderia resultar em risco de vida.
O porta-voz Ibrahim Thul-Fiqari afirmou que os centros de Inteligência Artificial em Israel serão alvos de destruição e pediu que a população “saia o mais rápido possível” das áreas. A ameaça do Irã é uma retaliação a ataques a universidades iranianas.
Thul-Fiqari também mencionou a inclusão das instalações petrolíferas da Aramco e de Yanbu, além do oleoduto de Fujairah, na lista de alvos do país. O governo dos EUA, através da sua embaixada na Arábia Saudita, afirmou que acompanha a situação de perto e aconselhou os cidadãos americanos a reconsiderarem viagens à região.
Mísseis iranianos lançados contra Israel. Foto: Reuters
A Guarda Revolucionária do Irã disse que um ataque relâmpago do país “remodelaria o planeta”. O porta-voz da Guarda, Ibrahim Thul-Fiqari, lançou uma série de ameaças ao governo dos EUA, dizendo que os abrigos fortificados de Washington seriam inúteis diante da “ira devastadora” do Irã. Ele afirmou que qualquer ação americana na região faria com que “os EUA ardessem no inferno”.
A Guarda Revolucionária também deixou claro que o Irã passou da fase de diálogo e está agora preparado para “erradicação e aniquilação total”. A situação se intensificou com o anúncio de ataques retaliatórios que deixariam a região no escuro.
Autoridades iranianas prometeram continuar lutando, desafiando os prazos estabelecidos pelos Estados Unidos, afirmando que têm capacidade para sustentar a guerra por mais seis meses, caso necessário.
Donald Trump, presidente dos EUA, também tem intensificado as ameaças, dizendo que um “momento revolucionário” pode ocorrer com o fim do prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano também afirmou que, caso o Irã não ceda, uma “mudança de regime completa” será imposta, provocando uma “morte de uma civilização inteira”.
Texto da Ombudsman da Folha sobre IA. Foto: Reprodução
Alexandra Moraes, a ombudsman da Folha de S.Paulo, publicou um texto crítico neste sábado (21) sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas colunas de opinião do jornal, admitindo que muitos autores utilizam a tecnologia, mas preferem não revelar essa prática. De acordo com o levantamento, 8,9% das colunas publicadas entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026 contêm conteúdo gerado por IA, sendo que 2,6% delas possuem mais de 80% do texto produzido por máquinas. A ombudsman questiona a transparência do jornal em relação ao uso de IA e critica a falta de uma postura mais aberta sobre o tema:
Com base no caso do mês passado sobre o uso de IA em coluna da Folha, fiz um levantamento para ver como anda o uso da inteligência artificial em colunas do jornal. Contei com ajuda da própria IA para extração e compilação dos dados. O Claude, da Anthropic, entrou com o código, e a ferramenta Pangram foi usada para fazer a avaliação.
Os dados foram coletados no último 22 de fevereiro, com 3.732 colunas de opinião publicadas desde 1º de setembro de 2025 até aquele dia. A ideia era dar uma olhada nos quase seis meses anteriores àquela polêmica da IA.
Em 332 colunas, ou 8,9%, havia texto de IA, segundo a ferramenta. Mas isso ia de pequenos trechos até a quase totalidade dos textos. Esta última era o foco. Em 98 artigos, o texto detectado como de IA ocupava mais de 80% do conteúdo. Eles eram 2,6% do total avaliado —apenas colunas opinativas, sem colunas de notas, reportagens, análises etc.
No topo, estava mesmo Natalia Beauty. De 25 artigos, 18 apareciam com mais de 80% de conteúdo gerado por IA. Cabe lembrar que a Folha considera que a colunista se saiu bem em seus argumentos e não vê problema no modus operandi, pelo contrário. […]
A taxa de erro é de menos de 0,5% se desconsiderado o modelo o1 Pro, da OpenAI, que a eleva a 2%, segundo um estudo sobre o Pangram conduzido por uma pesquisadora da Universidade de Maryland (e também conclui que humanos acostumados a usar a IA generativa são a melhor ferramenta de detecção). […]
O ideal seria revelar os nomes e fazer uma discussão aberta, mas a ausência é também um sintoma. Nenhum outro autor mostrou disposição de admitir o uso de IA como a colunista Natalia Beauty fez no mês passado. Talvez escaldados pela polêmica, foram do “ghosting” (parou de responder) à ameaça (“graves consequências e desdobramentos”). Menos pela ameaça e mais pela sensação iminente de tempestade em copo d’água, deixei os nomes para lá e me concentrei nos efeitos do levantamento. Até porque a questão central aqui é o jornal, não os autores em si. […]
O próprio jornal tem embarcado numa confusão que associa o questionamento ao ludismo. Não é disso que se trata —e até o ludita mais raivoso reconheceria que um breve banho de IA ajudaria a melhorar títulos, legendas e textos noticiosos que vão ao ar com erros de português e de acabamento.
Mas isso não deveria invalidar a cobrança por transparência diante do uso pesado no texto, ainda o principal produto do jornal.
A Folha afirma ter “entusiasmo crítico” com a IA. O comando do jornal já comparou a questão à troca das máquinas de escrever pelo computador e ao buscador do Google, com base na ideia de que ninguém cita termos que pesquisou para escrever um artigo. Pode ser, mas o buscador pré-IA não tinha o poder de entregar textos prontos. Quem fosse pego colando trechos catados no Google era tratado como plagiário. […]
A Folha afirma, em nota à ombudsman, que “é entusiasta do uso da inteligência artificial para melhorar a qualidade do serviço que presta ao leitor —como deixou claro em editorial recente— e acredita que, em um futuro não distante, a polêmica que essa tecnologia ainda provoca será vista como estéril, pura perda de tempo e energia”
Sede da BlackRock em Nova York, nos EUA. Foto: reprodução
A gestora BlackRock informou na sexta-feira (6) que limitou os resgates de um de seus principais fundos de crédito privado após um aumento inesperado nos pedidos de retirada por parte dos investidores. A decisão ocorre em meio a preocupações crescentes com o setor global de crédito privado, estimado em cerca de US$ 2 trilhões. Com informações da Reuters.
A decisão ocorreu em um momento de turbulência nos mercados financeiros. As ações da BlackRock chegaram a cair 6,7% na Bolsa de Nova York em meio a uma onda de vendas generalizada, após dados de emprego nos Estados Unidos abaixo das expectativas e à escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O fundo afetado é o HPS Corporate Lending Fund (HLend), que possui aproximadamente US$ 26 bilhões em ativos e foi criado para atrair investidores individuais de alta renda. No primeiro trimestre, o fundo recebeu pedidos de resgate que somaram US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de 9,3% do patrimônio líquido.
Diante da demanda, a gestora informou aos investidores que pagaria US$ 620 milhões em saques, valor correspondente ao limite trimestral de 5%. Esse percentual é o patamar padrão a partir do qual os gestores podem restringir novos pedidos de retirada.
Nos últimos meses, o sentimento dos investidores em relação ao crédito privado tem se deteriorado. Episódios recentes, como as falências de um fornecedor de autopeças nos Estados Unidos e de uma credora de veículos subprime, além do colapso de uma instituição de crédito hipotecário no Reino Unido, ampliaram os questionamentos sobre os padrões de concessão de crédito no setor.
Para Greggory Warren, analista sênior de ações da Morningstar, a situação revela riscos estruturais para investidores individuais. “Isso deve servir como um sinal de alerta para o setor e para os responsáveis pela regulamentação sobre as desvantagens dos fundos ilíquidos para os investidores de varejo”, afirmou em entrevista à Reuters.
Hospital atingido após bombardeios dos EUA e de Israel contra Teerã. Foto: Reprodução
A HLend é uma empresa de desenvolvimento de negócios adquirida pela BlackRock junto com sua gestora, a HPS Investment Partners, em uma operação de US$ 12 bilhões realizada em 2024. Segundo a gestora, esta é a primeira vez desde a criação do fundo que os pedidos de saque ultrapassam o limite de 5%.
As BDCs captam recursos principalmente de investidores individuais e os utilizam para conceder empréstimos a empresas de médio porte. Como esses ativos não podem ser vendidos rapidamente, um grande volume de resgates simultâneos pode criar dificuldades para o fundo.
Segundo a empresa, o limite de 5% existe justamente para evitar “uma incompatibilidade estrutural entre o capital do investidor e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado nos quais a HLend investe”.
Warren explica que restrições desse tipo ajudam a evitar prejuízos maiores. “Ao impedir resgates por meio de mecanismos de bloqueio, os gestores de fundos podem evitar serem forçados a vender ativos, o que impactaria negativamente o retorno do investimento para os demais investidores, dada a opacidade e a iliquidez dos ativos nesses fundos”.
Dados divulgados pela empresa mostram que cerca de 19% da carteira do fundo está exposta ao setor de software, segmento que vem enfrentando pressão nos mercados diante do avanço de startups focadas em inteligência artificial.
Entre os dias 5 e 8 de março, o Serviço Social da Indústria (Sesi) realizará o 8º Festival Sesi de Educação, na Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera (SP). O evento sedia uma das maiores competições de robótica da América Latina, com a participação de mais de 2 mil estudantes, que disputarão vagas para a etapa mundial, em Houston, nos Estados Unidos. Leia sobre o torneio de robótica coma TVT News.
O que vai acontecer no Festival Sesi de Educação em São Paulo?
Competição da etapa nacional de Robótica em que participam 2 mil estudantes de escolas públicas e escolas SESI para disputar vaga na etapa internacional em Houston, EUA;
Seminário Internacional de Educação, que reúne especialistas, gestores, educadores abordando o uso da inteligência artificial no contexto educacional;
SESI Lab, que terá exposições do SESI Lab, com mais de 10 atrações 100% interativas para o público;
Estande 80 anos: o Conselho Nacional do SESI também terá um estande, marcando o aniversário de 8 décadas do Sesi que será comemorado em julho
Equipe de indígenas participa do torneio de robótica
A competição de robótica tem 4 modalidades No dia 5, terá a FIRST Lego League Challenge (FLLC), em que os alunos competem com robôs construídos de Lego. Nesta categoria, vai competir a equipe Jurunabots da escola Escola Indígena Francisca de Oliveira Lemos Juruna, de Vitória do Xingu, no Pará.
Escola Indígena Francisca de Oliveira Lemos Juruna, de Vitória do Xingu. | Foto: Arthur Corrêa/FIEPA
Em abril do ano passado, o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, esteve na escola Kirinapan Kuruaya, em Altamira, e entregou kits de robótica do SESI para as equipes.
Visita à unidade do SESI em Altamira (PA) | Foto: Arthur Corrêa/FIEPA
Como será o Festival Sesi de Educação em São Paulo
A programação do Festival Sesi de Educação também inclui o Seminário Internacional SESI de Educação, que reunirá especialistas, educadores, gestores escolares e lideranças educacionais para debater “O uso da Inteligência Artificial no contexto educacional”, no dia 6 de março.
“O Festival SESI reafirma nosso compromisso com uma formação conectada à inovação e à indústria. Este ano, além de celebrarmos o talento de nossos jovens em competições internacionais, debatemos a transformação digital e a inteligência artificial como aliadas da Educação Básica. Mais do que troféus, o currículo do SESI entrega competências técnicas e socioemocionais. Formamos jovens que dominam a tecnologia, sabem colaborar sob pressão e possuem a resiliência necessária para elevar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira”, explica o diretor superintendente do Sesi Paulo Mól.
Entre quinta e domingo, os visitantes poderão assistir a competições de quatro modalidades de robótica, que vão desde miniaturas de carros de Fórmula 1 até robôs de 1,2 metro de altura e 56 kg. Além disso, o público também poderá participar de oficinas maker e interagir com 10 aparatos do Sesi Lab itinerante.
Entenda tudo sobre o festival na página especial da Agência de Notícias da Indústria.
Competições de robótica em São Paulo selecionam para o mundial nos EUA
Cerca de 2,3 mil estudantes de escolas públicas e particulares participarão da competição após meses de dedicação e torneios regionais classificatórios. Formadas por jovens com idades entre 9 e 19 anos, as equipes mostram habilidades em programação, construção dos robôs e em projetos de inovação e ações sociais norteadas pelo tema da temporada, sobre oceanos.
Mais que o reconhecimento nacional, os vencedores de cada modalidade garantem vaga no torneio mundial da FIRST, sediado em Houston, nos Estados Unidos, entre 29 de abril e 2 de maio. A disputa em São Paulo classificará 13 equipes para a competição internacional:
3 na FIRST Lego League Challenge (FLLC),
5 na FIRST Tech Challenge (FTC),
5 na FIRST Robotics Competition (FRC).
Desde que o Sesi passou a organizar as competições da FIRST no Brasil, em 2012, mais de 45 mil estudantes participaram dos torneios, acumulando mais de 110 prêmios internacionais apenas na modalidade iniciante (FLLC).
“Essas conquistas ampliam a projeção internacional do Brasil e fortalecem nossa presença nas competições mundiais. Na categoria FLLC, as equipes brasileiras já são reconhecidas globalmente pelo desempenho consistente e, no ano passado, fomos tricampeões mundiais em Houston”, lembra o superintendente de Educação do SESI, Wisley Pereira.
Na STEM Racing, duas equipes serão classificadas para o mundial da modalidade, que será realizado em Singapura novamente este ano, em outubro.
Nesta 8ª edição do festival, o tema arqueologia, junto à robótica, dialoga com a história da instituição, que se transformou e se atualizou ao longo das oito décadas de existência. O Conselho Nacional do SESI apoiará a realização do evento, com um estande na Bienal, contando um pouco dessa trajetória.
“O Festival SESI de Educação representa um espaço de encontro, aprendizado e parceria entre as equipes de robótica de estudantes de todo o Brasil. Além disso, fortalece a metodologia STEAM ao desenvolver habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, estimulando uma aprendizagem progressiva e preparando nossos jovens para os desafios da vida. Estar presente nesse ambiente, apresentando a trajetória do SESI ao longo de seus 80 anos, é uma oportunidade de compartilhar conhecimento e mostrar ao público o compromisso permanente da instituição com a educação e a formação ao longo da vida”, afirma o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior.
Especialistas debatem sobre a IA na educação
No dia 6 de março, das 9h às 16h, especialistas vão conversar sobre o impacto, os desafios e as possibilidades da transformação digital na Educação Básica no Seminário Internacional SESI de Educação. O evento vai analisar como a IA e outras tecnologias emergentes podem fortalecer políticas educacionais, aprimorar a gestão das redes de ensino e apoiar práticas pedagógicas com atenção à equidade e à qualidade da aprendizagem.
O diretor de Educação e Competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher; a presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães; o vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, são alguns dos nomes confirmados no Seminário, promovido em parceria com a Fundação Roberto Marinho.
Na mesa de 2025, debate sobre o Novo Plano Nacional de Educação e próximos passos. Participantes: Helena Singer, socióloga líder da Estratégia de Juventude América Latina da Ashoka; deputado federal Pedro Uczai; Hélvia Paranaguá, secretária de Educação do DF; e Fausto Augusto Junior, presidente do Conselho Nacional SESI. Foto: Cristiano /SESI
SESI Lab na Robótica
O SESI Lab, museu de arte, ciência e tecnologia de Brasília, vai marcar presença na maior competição de robótica do país. O museu levará uma exposição 100% interativa com 10 atrações que explicam, na prática, diferentes conceitos científicos e fenômenos naturais e sociais.
Um dos aparatos é o famoso “Sombras Coloridas”, que revela as cores que compõem a luz branca e cria, literalmente, sombras coloridas. Outro aparato é o “Piano Voltaico”, onde cada tecla pressionada pelo visitante emite um som e aciona um circuito eletrônico diferente que pode ser visualizado pela tela de policarbonato.
Além disso, entre 5 e 8 de março, acompanhando a agenda de competições da robótica, o público poderá participar da oficina “Construindo Circuitos com Massinha”, onde os visitantes vão criar esculturas com massinha condutiva, materiais condutivos e isolantes, enquanto aprendem sobre os princípios básicos dos circuitos elétricos. São 40 vagas por oficina e a inscrição pode ser feita lá na hora.
Serviço
8º Festival SESI de Educação Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera, São Paulo Aberto ao público.
Programação:
– Quinta-feira (5): 8h às 20h30 – Evento fechado para o público. Chegada das equipes, abertura oficial das competições de robótica às 17h e a Festa da Amizade.
– Sexta-feira (6): 8h às 18h – Competições e SESI Lab itinerante. Entrada liberada até às 17h. Seminário Internacional SESI de Educação das 9h às 16h. Entrada liberada até às 17h.
– Sábado (7): 8h às 18h – Competições e SESI Lab itinerante. Entrada liberada até às 17h.
– Domingo (8): 7h30 às 18h – Finais das competições, cerimônia de premiação e SESI Lab itinerante. Entrada liberada até às 17h.
Mrinank Sharma, responsável pela área de pesquisa em salvaguardas da Anthropic, anunciou sua saída do cargo por meio de uma carta pública divulgada na rede X na segunda (9), que rapidamente alcançou grande repercussão. “O mundo está em perigo”, escreveu.
No texto, ele afirma que chegou o momento de seguir outro caminho e alerta que o planeta vive uma situação de risco não apenas por causa da inteligência artificial, mas por um conjunto de crises interligadas que se aprofundam ao mesmo tempo.
A Anthropic é uma empresa de pesquisa em inteligência artificial fundada por ex-integrantes da OpenAI e é focada no desenvolvimento de sistemas avançados de IA com ênfase em segurança, alinhamento ético e redução de riscos.
A companhia é responsável pelo modelo Claude, concorrente direto do ChatGPT, e defende uma abordagem chamada “IA constitucional”, na qual regras explícitas orientam o comportamento dos sistemas.
Na carta de despedida, Sharma diz ter vivenciado, dentro da empresa, a dificuldade recorrente de permitir que valores éticos orientem decisões práticas. Segundo ele, há pressões constantes para relativizar princípios considerados centrais, ainda que não detalhe episódios específicos.
Em um dos trechos, afirma que a humanidade se aproxima de um ponto crítico em que a capacidade de intervir no mundo cresce mais rápido do que a sabedoria para lidar com esse poder.
Com doutorado em aprendizado de máquina pela Universidade de Oxford, Sharma ingressou na Anthropic em 2023 e liderou pesquisas voltadas à mitigação de riscos associados à IA.
Entre os temas trabalhados estavam a prevenção do uso de sistemas de linguagem em atividades criminosas, como bioterrorismo, e estudos sobre comportamentos de chatbots que tendem a reforçar excessivamente crenças dos usuários, criando relações de dependência ou distorções da realidade.
Pouco antes de deixar a empresa, Sharma publicou um estudo apontando que interações com chatbots podem gerar percepções distorcidas do mundo em milhares de casos diários, especialmente em áreas sensíveis como saúde emocional e relações pessoais.
Para ele, os dados evidenciam a necessidade de sistemas que preservem a autonomia humana, em vez de enfraquecê-la.
Após a saída, o pesquisador afirmou que pretende se dedicar a outros caminhos, incluindo estudos em poesia e ao que chamou de “fala corajosa”, buscando uma atuação pública coerente com seus valores. O episódio se soma a uma série de desligamentos recentes no setor de inteligência artificial motivados por preocupações éticas, reforçando o debate sobre os limites, responsabilidades e impactos sociais do avanço acelerado dessas tecnologias.
Leia a carta na íntegra:
Caros colegas,
Decidi deixar a Anthropic. Meu último dia será 9 de fevereiro.
Obrigado. Há muito aqui que inspira e que me inspirou. Para citar algumas dessas coisas: um desejo sincero e uma disposição real para estar presente em uma situação tão desafiadora, aspirando a contribuir de forma impactante e com integridade; a disposição para tomar decisões difíceis e defender o que é correto; uma quantidade quase absurda de brilho intelectual e determinação; e, claro, a considerável gentileza que permeia nossa cultura.
Alcancei aqui o que me propus a fazer. Cheguei a São Francisco há dois anos, após concluir meu doutorado, querendo contribuir para a segurança em inteligência artificial. Sinto-me privilegiado por ter conseguido contribuir com o que fiz aqui: compreender a bajulação em sistemas de IA e suas causas; desenvolver defesas para reduzir riscos de bioterrorismo assistido por IA; efetivamente colocar essas defesas em produção; e escrever um dos primeiros estudos de caso em segurança de IA. Tenho especial orgulho dos meus esforços recentes para nos ajudar a viver nossos valores por meio de mecanismos internos de transparência; e também do meu projeto final sobre como assistentes de IA podem nos tornar menos humanos ou distorcer nossa humanidade. Obrigado pela confiança.
Ainda assim, ficou claro para mim que chegou o momento de seguir em frente. Tenho constantemente me confrontado com a nossa situação. O mundo está em perigo. E não apenas por causa da IA ou de biotecnologias, mas por uma série inteira de crises interconectadas que estão se desenrolando neste exato momento. Parece que estamos nos aproximando de um limiar no qual nossa sabedoria precisa crescer na mesma proporção da nossa capacidade de afetar o mundo, para que não enfrentemos as consequências. Além disso, ao longo do meu tempo aqui, vi repetidamente o quão difícil é permitir que nossos valores realmente orientem nossas ações. Vi isso em mim mesmo, dentro da organização — onde enfrentamos constantemente pressões para deixar de lado o que mais importa — e também na sociedade em geral.
É ao sustentar essa situação e ao escutar da melhor forma que consigo que aquilo que devo fazer se torna claro. Quero contribuir de uma forma que esteja plenamente alinhada com minha integridade e que me permita colocar em jogo mais das minhas particularidades. Quero explorar as questões que considero verdadeiramente essenciais para mim — aquelas que, como diria David Whyte, “não têm o direito de desaparecer”, as questões que Rilke nos implora que “vivamos”. Para mim, isso significa partir.
O que vem a seguir, eu não sei. Tenho um carinho especial pela famosa citação zen: “não saber é o mais íntimo”. Minha intenção é criar espaço para deixar de lado as estruturas que me sustentaram nesses últimos anos e ver o que pode emergir na ausência delas. Sinto-me chamado à escrita que dialogue de forma plena com o lugar em que nos encontramos, e que coloque a verdade poética ao lado da verdade científica como formas igualmente válidas de conhecimento — ambas, acredito, com algo essencial a contribuir no desenvolvimento de novas tecnologias. Espero explorar uma formação em poesia e me dedicar à prática da fala corajosa. Também estou animado para aprofundar minha prática em facilitação, mentoria, construção de comunidades e trabalho em grupo. Veremos o que se desenrola.
Obrigado, e adeus. Aprendi muito aqui e desejo o melhor a todos vocês. Deixo vocês com um dos meus poemas favoritos, “The Way It Is”, de William Stafford.
Boa sorte, Mrinank
The Way It Is
Há um fio que você segue. Ele passa entre as coisas que mudam. Mas ele não muda. As pessoas perguntam o que você está buscando. Você precisa explicar sobre o fio. Mas é difícil para os outros verem. Enquanto você o segura, você não se perde. Tragédias acontecem; pessoas se machucam ou morrem; e você sofre e envelhece. Nada do que você faz pode impedir o desdobramento do tempo. Você nunca solta o fio.