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Saúde não é mercadoria: contra as PPPs e terceirizações no GHC (Coluna da ASERGHC)

Por:Sul 21
11 de Julho de 2026, 08:00

Coluna da (ASERGHC)

A ASERGHC manifesta seu repúdio às terceirizações e às Parcerias Público-Privadas (PPPs), que avançam sobre a saúde pública e ameaçam o caráter público, universal e gratuito do SUS.

No Grupo Hospitalar Conceição, o novo hospital é apresentado como símbolo de modernização e ampliação da capacidade de atendimento. A construção de um hospital público, moderno e 100% SUS, é uma necessidade legítima. O problema é o modelo escolhido: uma PPP entregará à iniciativa privada serviços essenciais ao funcionamento da instituição.

Chamados de “bata-cinza”, setores como higienização, manutenção, segurança, nutrição, logística, tecnologia, engenharia e apoio administrativo não são secundários. Eles sustentam a assistência. Não existe SUS forte com trabalhadores precarizados, serviços fragmentados e áreas estratégicas subordinadas à lógica do lucro.

A realidade das terceirizações no GHC já foi denunciada pela ASERGHC ao Ministério Público do Trabalho: trabalhadores receberam menos de mil reais e sofreram violações de direitos. Esse é o modelo que agora querem ampliar.

As PPPs representam uma privatização disfarçada. O patrimônio permanece público, mas a operação cotidiana passa a depender de contratos privados de longa duração. O Estado paga, empresas lucram e o serviço público perde autonomia, qualidade e capacidade de planejamento.

A ASERGHC é favorável à construção de um novo hospital, mas rejeita que essa necessidade seja usada para aprofundar a terceirização do GHC.

Hospital novo, sim. GHC terceirizado, não.

Defendemos investimento público direto, fortalecimento das equipes próprias, transparência total nos projetos, participação dos trabalhadores, controle social, chamamento de aprovados, realização de concursos públicos, reversão das terceirizações e revogação do modelo de PPP previsto para o novo complexo do GHC.

(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição

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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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Porto Alegre inicia operação do Centro de Informação em Saúde e Clima

Por:Sul 21
10 de Julho de 2026, 17:06

Começou a funcionar em Porto Alegre nesta sexta-feira (10) um dos primeiros Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc) do país. A iniciativa representa um avanço estratégico para preparar o SUS diante dos efeitos das mudanças climáticas. Parceria do Município com o Governo Federal, a estrutura está instalada na sede da Diretoria de Vigilância em Saúde. As primeiras análises a serem feitas estão relacionadas com o efeito do frio e do calor na saúde das pessoas residentes na capital gaúcha.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou o Cisc nesta tarde. Acompanharam a agenda o prefeito Sebastião Melo, a vice-prefeita Betina Worm, a secretária estadual da Saúde, Lisiane Fagundes, o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, o coordenador da Defesa Civil, Coronel Evaldo Rodrigues, além da gestão da Diretoria de Vigilância em Saúde e de outras diretorias da Secretaria de Saúde.

Melo destacou a importância do federalismo cooperativo para o enfrentamento das mudanças climáticas no município. “Esse novo normal de eventos climáticos extremos veio para ficar, então toda medida de preparação e adaptação dos serviços deve ser muito celebrada. Temos aqui um bom exemplo de federalismo cooperativo que dá certo. Prefeitura, estado e União atuando em conjunto pela saúde de todos, especialmente nas crises”.

Os Centros serão implementados no país de forma gradual, em Porto Alegre, Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Santarém (PA), Belém (PA) e Salvador (BA). O objetivo é ampliar a capacidade dos municípios de antecipar riscos, monitorar eventos extremos e organizar respostas rápidas, integradas e baseadas em evidências.

O ministro destacou que a integração de dados sobre saúde e clima permitirá antecipar ações para atender a população e informar as comunidades sobre a situação sempre que necessário. “É importante lembrar que os desastres são graves, e há outras tragédias relacionadas ao aumento da temperatura e às mudanças climáticas”, enfatizou Padilha.

Sobre o trabalho do Cisc Porto Alegre, a diretora da DVS, Aline Medeiros, explica que o trabalho prevê modelos preditivos e trabalho integrado com outras áreas da Vigilância em Saúde e de outras diretorias da Secretaria de Saúde e da Defesa Civil da Capital.

O projeto de instalação do Cisc Porto Alegre começou em abril, quando uma comitiva da SMS visitou o Rio de Janeiro, em agenda institucional com o Ministério da Saúde. Posteriormente, em visita técnica a Porto Alegre, o Ministério da Saúde confirmou Porto Alegre como uma das cidades-piloto a ter o Cisc implementado.

O Ministério da Saúde apoiará o funcionamento do serviço, com a contratação dos profissionais e doação de equipamentos. A DVS cedeu o espaço e vai coordenar o Cisc. O processo seletivo para contratação de profissionais foi realizado em maio. Formalizaram interesse 176 pessoas. A seleção levou em conta currículo e entrevista, chegando em cinco profissionais: dois da área da ciência de dados, um da meteorologia, um da geografia, com ênfase em análise espacial, e um da epidemiologia.

Durante a visita às instalações, foi realizada conexão com os outros Cisc. A  diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Agnes Soares, apresentou as ações federais para enfrentar as mudanças climáticas no âmbito do SUS.

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SUS precisa de financiamento, gestão e respeito aos trabalhadores (Coluna da ASERGHC)

Por:Sul 21
17 de Junho de 2026, 08:00

ASERGHC (*)

Mais de 70% da população brasileira depende diretamente do Sistema Único de Saúde. Esse dado deveria orientar qualquer debate sério sobre os desafios da saúde no Brasil. Estamos falando do sistema que garante atendimento, vacinação, urgência, emergência, consultas, exames, cirurgias e cuidado cotidiano para a maioria do povo brasileiro.

O SUS é uma das maiores conquistas sociais do país. Mas nenhuma conquista se sustenta apenas com discurso.

Não existe SUS forte com subfinanciamento permanente. A saúde pública deixa de ser tratada como direito quando o orçamento aparece sempre como obstáculo, e não como instrumento para garantir cuidado à população.

O debate sobre a saúde costuma falar em filas, falta de leitos, demora em exames e cirurgias, dificuldade de acesso e falta de profissionais. Tudo isso é verdade. Mas esses problemas são resultado de escolhas políticas, de modelos de gestão e de uma lógica fiscal que insiste em adaptar as necessidades da população ao tamanho do orçamento disponível.

A pergunta deveria ser outra: quanto custa garantir saúde pública de verdade para um país como o Brasil?

No lugar dessa pergunta, o que se impõe é a lógica do ajuste fiscal. O governo federal anunciou novo bloqueio bilionário de despesas no Orçamento de 2026 para cumprir as regras fiscais. A Saúde também aparece entre as áreas atingidas. Na prática, o recado é conhecido por quem vive o SUS diariamente: o direito é universal, mas o financiamento segue limitado.

Essa contradição tem consequência concreta. Aparece quando o usuário espera meses por um exame ou tem uma cirurgia adiada. Aparece quando faltam trabalhadores em uma escala. Aparece quando a enfermagem é remanejada para tapar buracos da gestão. Aparece quando trabalhadores adoecem e depois são tratados como se o problema fosse individual, e não resultado de um ambiente de trabalho cada vez mais desorganizado e adoecedor.

O GHC deveria ser referência de fortalecimento do SUS. Pela sua história, pelo seu tamanho e pelo papel que ocupa na rede pública, deveria ser exemplo de gestão técnica, democrática, transparente e comprometida com trabalhadores e usuários. Mas o que se vê hoje é uma instituição pressionada por problemas internos graves, enquanto a direção assume novas responsabilidades fora da sua base original.

A gestão do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, e do Hospital de Pronto-Socorro de Pelotas é apresentada como expansão da capacidade pública. Mas é preciso perguntar: com qual estrutura? Com qual planejamento? Com qual modelo de gestão? Com qual participação dos trabalhadores?

Não se trata de negar a importância de ampliar o atendimento à população. O SUS precisa crescer e responder às demandas reprimidas. Mas expansão sem base sólida não é fortalecimento. Pode ser apenas vitrine. Quando uma instituição não resolve problemas estruturais dentro das suas próprias unidades, assumir novas frentes de gestão pode significar mais improviso e mais distanciamento entre a direção e a realidade concreta do trabalho.

No lugar de anúncios grandiosos, o SUS precisa de serviços funcionando, equipes completas e valorizadas, processos organizados, chefias qualificadas, orçamento suficiente e respeito aos trabalhadores.

O problema central do GHC é a falta de gestão. As trabalhadoras e os trabalhadores sabem disso porque vivem essa realidade na prática. Sabem o que significa entrar em um plantão com equipe reduzida. Sabem o que significa ser deslocado sem critério. Sabem o que significa acumular tarefas que não fazem parte da sua função. Sabem o que significa ver a assistência ser comprometida por decisões tomadas por indicados políticos sem qualificação técnica.

A solução passa por financiamento adequado do SUS, valorização dos quadros de carreira e enfrentamento da precarização do trabalho. Passa também por reduzir o peso das indicações políticas, profissionalizar a gestão e democratizar as decisões.

Não se administra hospital público apenas com cargos de confiança assim como não é possível organizar uma rede complexa com improviso. Não se fortalece o SUS tratando trabalhadores como peça substituível em uma engrenagem desregulada. O GHC precisa enfrentar o adoecimento dos trabalhadores, os remanejamentos abusivos, a falta de dimensionamento adequado, a ausência de uma política efetiva de saúde do trabalhador e a fragmentação dos processos de trabalho. Precisa ouvir quem trabalha nos hospitais todos os dias.

Antes de vender soluções para fora, a direção precisa responder às denúncias de dentro.

Os desafios do SUS não serão resolvidos com expansão desordenada, bloqueio de recursos e gestão distante da realidade. Serão enfrentados com financiamento público adequado, gestão profissional, participação dos trabalhadores e compromisso real com a população.

O SUS que defendemos precisa ser universal, público, financiado e democrático. E o GHC que precisamos não é um laboratório de improvisos, nem uma plataforma de expansão para gestores. É uma instituição pública forte, comprometida com os usuários e capaz de cuidar sem adoecer quem cuida.

(*) Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição

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As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.

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