Ali Khamenei, líder supremo do Irã assassinado por Israel e EUA. Foto: reprodução
A Assembleia dos Peritos, órgão responsável pela escolha do Líder Supremo do Irã, chegou a um consenso sobre o sucessor de Ali Khamenei, que lidera o país desde 1989. A informação foi confirmada pela agência de notícias iraniana Mehr, que destacou que as reuniões da assembleia ocorreram sob sigilo por questões de segurança. Embora o nome do novo Aiatolá tenha sido decidido, ele ainda não foi divulgado ao público.
De acordo com a agência, duas agências iranianas mencionaram dois aiatolás que participaram da assembleia, mas o nome final do escolhido continua sendo mantido em segredo. O aiatolá Mohammad-Mahdi Mirbagheri, um dos membros da assembleia, afirmou que a decisão reflete a opinião da maioria dos participantes, sem entrar em mais detalhes sobre o processo de escolha.
A Assembleia dos Peritos, composta por clérigos e autoridades religiosas de alto escalão, é a única entidade capaz de escolher e supervisionar o Líder Supremo do Irã. Esse órgão tem o poder de decidir sobre a liderança espiritual e política do país, fazendo da escolha de Khamenei um momento crucial para o futuro do regime iraniano. O sucessor será responsável por liderar o país em meio a desafios internos e internacionais.
🎥 WATCH: ~50 Israeli Air Force fighter jets dismantled Ali Khamenei’s underground military bunker beneath the Iranian regime’s leadership compound in Tehran. pic.twitter.com/Nw0tvvQMRX
O processo de escolha do novo Líder Supremo ocorre em um momento delicado, com o Irã enfrentando sérios desafios devido à guerra que afeta a região e a crescente pressão internacional. Após o início do conflito, o prédio da Assembleia dos Peritos, localizado em Qom, foi alvo de um ataque, o que gerou ainda mais tensão em torno da decisão sobre o novo líder.
A segurança em torno do processo de escolha tem sido uma prioridade para o governo iraniano, que tem trabalhado para proteger as instituições políticas mais importantes, como a Assembleia dos Peritos. As reuniões para a escolha do sucessor de Khamenei foram realizadas com alto nível de sigilo, visando evitar possíveis vazamentos ou interferências externas.
Israel Katz, ministro da Defesa de Israel. Foto: Attila Kisbenedek/AFP
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta quarta-feira (4) que qualquer sucessor do líder supremo do Irã será tratado como alvo militar. A declaração ocorre após a morte do aiatolá Ali Khamenei, atingido durante bombardeios realizados no sábado (28) por forças de Israel em conjunto com os Estados Unidos, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio.
Segundo comunicado divulgado pelo gabinete de Katz, o governo israelense considera que a liderança do regime iraniano continuará sendo um alvo prioritário das forças armadas do país. “Qualquer líder nomeado pelo regime terrorista iraniano será um alvo inequívoco para eliminação”, afirmou Katz.
“O primeiro-ministro e eu ordenamos que as forças armadas se preparem para agir por todos os meios necessários para cumprir essa missão”, acrescentou.
O novo líder supremo do Irã deve ser escolhido pela Assembleia dos Peritos, órgão responsável por definir a liderança religiosa e política do país. Até que a sucessão seja formalizada, o aiatolá Alireza Arafi foi designado como líder supremo interino.
Na terça-feira (3), o Exército de Israel afirmou ter atacado o prédio da Assembleia dos Peritos, responsável justamente pela escolha do líder supremo iraniano. De acordo com informações divulgadas pela imprensa israelense e por uma agência estatal iraniana, o ataque teria atingido o local onde se reúnem os clérigos responsáveis pela sucessão.
Terrifying scenes from Tehran this evening as US-Israeli Axis seem determined to make Tehran look like Gaza. European Politicians + Media were silent about the Genocide in Gaza, they’re silent again as Western Imperialism + Zionism commit War Crimes in Iran…
Com base em fontes do governo israelense, o jornal The Jerusalem Post informou que os 88 aiatolás que compõem a assembleia estariam presentes no momento do ataque, embora não haja confirmação oficial sobre vítimas entre os religiosos. O governo iraniano não comentou o possível bombardeio.
A morte de Ali Khamenei ocorreu durante ataques conjuntos realizados por Israel e pelos Estados Unidos no sábado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que o líder iraniano não conseguiu escapar das ações de inteligência conduzidas pelos dois países.
“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da história, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários”, escreveu Trump.
O governo iraniano reagiu com duras críticas. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, classificou o assassinato do líder religioso como um “crime religioso” e afirmou que o ataque terá consequências. Ele também declarou que os Estados Unidos traíram o processo diplomático ao atacar o Irã durante negociações sobre armamentos nucleares.
Em meio à crise, a Assembleia de Especialistas teria escolhido Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, segundo a emissora Iran International, que citou fontes ligadas ao regime. Filho mais velho de Ali Khamenei, Mojtaba tem 65 anos e, embora nunca tenha ocupado cargos políticos de grande visibilidade, é considerado influente dentro do aparato de poder iraniano.
Mojtaba Khamenei. Foto: Divulgação
Durante anos, Mojtaba atuou nos bastidores coordenando o gabinete do pai e estabelecendo relações dentro da estrutura da Guarda Revolucionária. Ele tem proximidade com Hossein Taib, ex-chefe da inteligência da organização, com quem mantém relações desde a guerra entre Irã e Iraque.
Apontado há anos como possível sucessor de Ali Khamenei, Mojtaba era visto como rival político do ex-presidente Ebrahim Raisi, morto em 2024. Dentro da hierarquia religiosa xiita, ele possui credenciais clericais consideradas mais fortes que as de Raisi, sendo descrito por meios iranianos como aiatolá.
O professor Arash Azizi, da Universidade Clemson, afirmou em 2024 que a ascensão de Mojtaba deixou de ser apenas uma hipótese. “Quando começaram a falar dele como sucessor, em 2009, achei que fosse boato. Agora está claro que ele se tornou uma figura importante, apesar de permanecer praticamente invisível ao público”, disse.
No sistema político iraniano, o líder supremo ocupa a posição mais poderosa do país. Ele atua como chefe de Estado, comandante das Forças Armadas e autoridade religiosa máxima, acima inclusive do presidente da República. O cargo se baseia no princípio do Velayat-e Faqih, segundo o qual um jurista islâmico deve governar a sociedade para garantir a aplicação da lei islâmica.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram nesta quarta-feira (4) que iniciaram “ataques em larga escala contra alvos do regime terrorista iraniano em Teerã”, intensificando a ofensiva militar iniciada no sábado no contexto da escalada de confrontos no Oriente Médio. Segundo o Exército israelense, esta é a décima onda de bombardeios desde o início do conflito mais recente.
Em comunicado divulgado pela manhã, as IDF informaram que ataques realizados durante a madrugada tiveram como alvo centros de comando ligados às forças de segurança interna do Irã e à milícia Basij, organização paramilitar associada ao regime iraniano. As operações fazem parte da estratégia israelense de atingir estruturas consideradas essenciais para o comando político e militar do país.
Moradores da capital iraniana relataram momentos de tensão durante os bombardeios. “Eles atacaram com bastante força na noite passada, foi uma noite ruim”, disse um residente do norte de Teerã à CNN. “Não sei exatamente onde atingiram, mas parecia que podíamos ouvir explosões ao nosso redor”.
Terrifying scenes from Tehran this evening as US-Israeli Axis seem determined to make Tehran look like Gaza. European Politicians + Media were silent about the Genocide in Gaza, they’re silent again as Western Imperialism + Zionism commit War Crimes in Iran…
O morador afirmou ainda que pensou em deixar a cidade diante da intensidade dos ataques. “Mas também não sabemos onde estão os alvos militares, então é difícil dizer onde seria seguro”, declarou.
A mídia estatal iraniana confirmou que explosões foram registradas em diversas regiões do país na manhã de quarta-feira. Uma imagem geolocalizada pela CNN mostra uma grande coluna de fumaça escura nas proximidades da cidade de Isfahan, indicando possíveis danos provocados pelos bombardeios.
Na terça-feira (3), as forças israelenses também atacaram o prédio da Assembleia dos Peritos do Irã, órgão responsável por escolher o líder supremo do país. Segundo fontes israelenses, os 88 aiatolás que compõem a assembleia estariam reunidos no local no momento da ofensiva, embora não haja confirmação oficial sobre vítimas entre os religiosos.
A imprensa iraniana relatou que o edifício foi “arrasado” durante o ataque e que o prédio localizado em Qom, onde os clérigos se reúnem para decisões políticas, sofreu destruição parcial. A Assembleia dos Peritos é considerada uma das instituições mais importantes do sistema político iraniano desde a Revolução de 1979, quando os aiatolás assumiram o poder.
O papel do órgão é selecionar o líder supremo do país, figura central na estrutura política e religiosa do Irã. O bombardeio ao local integra uma série de ataques israelenses contra instalações estratégicas do regime iraniano.
Entre os alvos citados por Israel estão o complexo presidencial em Teerã e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional, dois centros considerados fundamentais para a tomada de decisões políticas e militares do país. Segundo as IDF, essas instalações funcionariam como “complexos de liderança do regime terrorista iraniano”.
O Exército israelense afirmou que a destruição desses locais pode enfraquecer a capacidade de comando e controle do governo iraniano. Os bombardeios também atingiram instalações onde autoridades avaliavam temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano.