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Zema quer ser ponta-de-lança da Operação Delenda Supremo. Por Paulo Henrique Arantes

Romeu Zema – Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Romeu Zema integra o campo político dos direitistas travestidos de moderninhos, que administram a coisa pública pela ótica das redes sociais. Seus atos são forjados por marqueteiros para conquistarem seguidores, gerarem likes e aumentarem o engajamento, visando a consolidar uma persona pública antes de tudo falsa, descasada das liturgias a que são obrigados os governantes. São enganadores profissionais.

Candidato a presidente da República, o ex-governador de Minas Gerais, ou sua assessoria de marquetagem, percebeu que a onda do momento é atirar contra o Supremo Tribunal Federal. A Operação Delenda Supremo, ora em curso, é pilotada por políticos e empresários enroscados com a lei, golpistas da democracia, alas partidarizadas da Polícia Federal e boa parte da imprensa. Zema pretende ser ponta-de-lança do movimento.

Como quase metade do Brasil aprecia um ser abjeto como Jair Bolsonaro, por natural a corte que o condenou tornou-se alvo da turba e atacá-la, discurso eleiçoeiro certeiro. A intenção de voto em Romeu Zema deu um pequeno salto depois do bate-boca que travou com Gilmar Mendes, ministro que não leva desaforo para casa, mas que neste caso parece ter caído numa armadilha. A retórica do cerceamento da liberdade de expressão gruda como cola.

Gilmar Mendes – Foto: Sergio Lima/AFP

O que dá certa tranquilidade à parcela civilizada do eleitorado é que a desconstrução de Zema virá com facilidade, pelo ridículo do seu comportamento e por sua administração errática em Minas Gerais.

Ocupante do Palácio Tiradentes, Roma Zema não apenas comeu banana com casca para abordar pateticamente a questão alimentar. Antes, no Carnaval de 2019, surgiu vestido de gari, a varrer ruas em Belo Horizonte. A ação buscava sinalizar humildade e valorização do trabalho básico, mas não passou de encenação simbólica, típica de marketing político rasteiro, sem conexão com políticas públicas estruturais. Ao viajar de classe econômica, tentou posar de homem simples e econômico, mas a atitude nitidamente performática de se fazer passar por um cidadão comum prejudica, na prática, a gestão do Estado: o governador não pode estar limitado aos voos de carreira em suas viagens de trabalho, em nome da celeridade administrativa.

Ao longo dos seus mandatos, Zema publicou vídeos com linguagem coloquial, tentando se aproximar do eleitor comum. Tais conteúdos foram alvo de críticas por parecerem artificiais ou mal calibrados, especialmente quando tratavam de temas complexos mediante simplificação excessiva, gerando reações negativas.

O verdadeiro governo Zema guarda esqueletos assustadores no armário. Em 2021, auge da pandemia, o Ministério Público Federal abriu procedimentos para apurar compras de EPIs pelo governo de Minas por indícios de sobrepreço e favorecimento de fornecedores. A investigação foi encerrada, contudo, sem desdobramento penal.

Em 2026, o Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para apurar uma queda de 96% na destinação de recursos para prevenção contra enchentes no Estado, motivado por suspeitas de omissão administrativa e má gestão orçamentária. A investigação está em curso.

O neoliberal Romeu Zema, de outra parte, não consegue se livrar da ajuda estatal, como prova o avanço da dívida mineira, hoje na casa de R$ 200 bilhões, cerca de 90% dos quais com a União. O governador Zema obteve um novo acordo com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag),que estabelece parcelamento em até 30 anos, possibilidade de juros reais próximos de zero (IPCA + 0%) e exigência de contrapartidas (ajustes fiscais e eventualmente venda/federalização de ativos). Uma renegociação de pai para filho.

Só que o papagaio continua sendo tema de disputa no Supremo Tribunal Federal. O ministro Nunes Marques chegou a cobrar comprovantes de pagamento da dívida em 2026. Minas já conseguiu, no passado recente, suspender pagamentos por quase dois anos via decisões judiciais. Ou seja: o conflito federativo não desapareceu — só foi reorganizado. Registre-se que a dívida de Minas Gerais cresceu mais de 60% desde 2019, início da era Zema.

Apesar do acordo do Propag, relatórios da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais indicam que o Estado iniciou 2026 com uma disponibilidade de caixa líquida negativa em mais de R$ 11 bilhões. Isso ocorre porque, embora a dívida tenha sido alongada, o fluxo de pagamentos e a renúncia fiscal aprovada em 2025 ainda pressionam o orçamento mineiro no curto prazo.

Como todo neoliberal brasileiro, Zema não vive sem uma mãozinha da União.

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Pré-candidato ao governo de MG, Ben Mendes (MBL), é filmado agredindo gerente de loja

 

 

Benoni Benjamin Cardoso Mendes, envolvido na agressão – Foto: Reprodução

A confusão envolvendo o influenciador Ben Mendes, pré-candidato ao governo de Minas Gerais pelo partido Missão, em uma loja de Betim, na Grande BH, levantou questões sérias sobre a postura do político. Não é a primeira vez que ele se mete em confusão.

Desta vez, o incidente, ocorrido na última sexta-feira (13), terminou em agressões, sendo registrado por câmeras de segurança. Imagens mostram Mendes agredindo fisicamente uma gerente de 52 anos após um desentendimento sobre a retirada de mercadorias. Ele alegou que só estava se defendendo, mas a violência que se seguiu ao episódio mostra exatamente o contrário.

Segundo a versão da Polícia Militar, a confusão teve início após um funcionário de Mendes não conseguir retirar um produto na loja sem apresentar a guia de compra.

Quando o influenciador entrou para resolver a situação, o que se seguiu foi um ambiente marcado por troca de agressões físicas e verbais. Mendes tentou, no relato à PM, se apresentar como vítima, mas as testemunhas, incluindo funcionários da loja, confirmaram que ele também foi responsável pelos empurrões, tapas e até pela destruição de um celular.

Vídeo completo pic.twitter.com/s6VgvpEFBM

— Charlie Borges ⬛️⬜️🟨 (@charlie_boy406) March 14, 2026

Tudo isso protagonizado por um pré-candidato ao governo e que ainda tentou minimizar a gravidade dos fatos. Em outro episódio, o influenciador agrediu um motociclista em Betim.

A Polícia Civil abriu uma investigação para apurar os acontecimentos, e as partes envolvidas foram ouvidas na delegacia. Mendes piorou tudo ao se recusar a assinar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Um fanfarrão agressor de mulheres que devia era ir para a cadeia.

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Zema diz que não vai revelar empresas beneficiadas por isenções fiscais em MG

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que não pretende divulgar a lista de empresas beneficiadas por isenções fiscais concedidas pelo Estado mineiro. Segundo ele, o ato seria “pernicioso” para o governo. A declaração foi feita durante o lançamento do novo Portal da Transparência de Minas Gerais, nesta segunda-feira (9). “Nós não vamos […]
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Suicídio na PF: como ocorreu a morte de “Sicário”, preso na operação contra Vorcaro

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’. Foto: Reprodução

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, tirou a própria vida enquanto estava preso na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele havia sido detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de obstrução de Justiça em apurações relacionadas ao Banco Master.

De acordo com informações divulgadas pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na superintendência da corporação. Policiais que estavam no local prestaram socorro imediato após tomarem conhecimento da situação.

Segundo apuração da revista “Veja”, Mourão utilizou um método de enforcamento dentro da cela. A PF informou que agentes iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram equipes de atendimento médico para prestar assistência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e o detento foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, para avaliação e atendimento médico. Mourão, no entanto, não resistiu.

Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Foto: Reprodução

A Polícia Federal comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação informou que todos os registros em vídeo do episódio serão encaminhados às autoridades responsáveis.

Segundo as investigações, Mourão era apontado como responsável pela gestão de um grupo informal conhecido como “A Turma”, descrito nas apurações como uma estrutura utilizada para coletar informações de interesse de Daniel Vorcaro e pressionar desafetos ligados ao caso investigado.

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