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PT recruta 50 mil “porta-vozes do Lula” para guerra digital contra bolsonarismo

Lula discursa em ato político do PT em Salvador
O presidente Lula, em evento do Partido dos Trabalhadores (PT). Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

O PT comemorou a inscrição de mais de 50 mil pessoas como “porta-vozes” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais, em uma iniciativa voltada a ampliar a presença digital da pré-campanha de reeleição e responder ao bolsonarismo na internet.

A plataforma foi lançada em 9 de junho para mobilizar simpatizantes a produzir e compartilhar conteúdos favoráveis ao governo. O partido quer atuar com força especial no WhatsApp, apontado como um dos principais terrenos da disputa política digital.

A pré-campanha celebrou o marco de 50 mil inscritos e estabeleceu uma meta mais alta: chegar a meio milhão de apoiadores nas redes até o início dos programas eleitorais no rádio e na TV.

Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT e idealizador da plataforma, disse que a proposta é transformar apoiadores em produtores de conteúdo local. “Nosso convite é para que esses simpatizantes abram a câmara, gravem, postem com seu sotaque, na sua comunidade, e a partir da sua realidade, os feitos do governo do presidente Lula”, afirmou.

Edinho Silva afirmou que foi um erro do PT não assinar a CPI do Banco Master
O presidente do PT, Edinho Silva, durante o aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores. Foto: Divulgação/PT Brasil

A direção petista quer dar mais unidade ao discurso durante a pré-campanha eleitoral. Em discursos, o presidente do PT, Edinho Silva, defendeu que a militância atue com mais força nas redes sociais, e não apenas nas ruas.

Os inscritos já começaram a receber missões para produzir ou compartilhar materiais sobre temas considerados prioritários pela estratégia de comunicação da campanha. A orientação mira assuntos de maior circulação e maior impacto político no ambiente digital.

O partido também pretende usar a rede de porta-vozes no combate à desinformação. A atuação desses apoiadores deve envolver respostas a conteúdos bolsonaristas e difusão de mensagens alinhadas ao governo Lula.

A plataforma funciona como uma ferramenta de mobilização da pré-campanha antes do período de propaganda eleitoral no rádio e na TV, etapa em que o PT espera chegar com uma base digital organizada e mais numerosa.

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Minirreforma eleitoral limita e parcela multa a partidos políticos

Da Agência Brasil

A aprovação da minirreforma eleitoral – em rápida votação simbólica e sem registro em painel – tem recebido críticas de diversas entidades da sociedade civil. O texto muda a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle – limitando e parcelando multas a partidos que tiverem as contas desaprovadas, e autoriza o envio de mensagens em massa a eleitores previamente cadastrados.

A matéria foi aprovada na noite de terça-feira (19) pela Câmara dos Deputados, sem que o texto entrasse na pauta. A votação simbólica e sem registro no painel identificando como cada parlamentar votou, despertou críticas:

“A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem identificação individualizada dos votos parlamentares, dificultando que a população conheça o posicionamento de seus representantes sobre as medidas”, diz nota de repúdio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

O texto segue agora para o Senado. Se aprovada e sancionada, a minirreforma trará mudanças relevantes na forma de fiscalização e punição de partidos políticos, limitando multas e protegendo os recursos do Fundo Partidário, que não poderá ser bloqueado.

Para o MCCE, formado por mais de 70 organizações da sociedade civil, caso se torne lei, a matéria vai fragilizar mecanismos de controle sobre o uso dos fundos Eleitoral e Partidário e representa um “grave retrocesso” para o país.

Já para o relator, deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), o projeto traz alterações estruturais e necessárias à Lei dos Partidos Políticos que vão otimizar a gestão partidária, garantir segurança jurídica das agremiações e harmonizar as normas de fiscalização com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.

Entenda

Em termos gerais, o projeto de lei aprovado (PL 4822/2025) altera regras da legislação eleitoral e partidária, modificando itens importantes como prestação de contas, punições e propaganda política.

Entre os principais pontos do projeto estão:

  • Limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas;
  • proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral;
  • autorização para envio de mensagens automatizadas a eleitores cadastrados;
  • redução do prazo para julgamento de contas pela Justiça Eleitoral, podendo levar ao encerramento do processo sem decisão definitiva;
  • possibilidade de parcelamento de dívidas de partidos em até 15 anos.

Parte dessas medidas é considerada sensível porque pode reduzir o alcance das sanções ou limitar instrumentos de controle do uso de recursos para partidos políticos.

Um dos exemplos é o teto para multas. Com a nova regra, irregularidades de alto valor passariam a ter punição limitada, o que reduz o caráter proporcional das penalidades.

Outro ponto é a proibição de penhora de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral. Na prática, a medida restringe a possibilidade de bloquear esses valores para pagamento de dívidas – o que pode dificultar a execução de decisões judiciais.

Na área de fiscalização, a redução do prazo para julgamento das contas — de cinco para três anos — pode levar ao encerramento de processos sem decisão, caso não sejam analisados dentro do período.

Além disso, o projeto estabelece que cada diretório partidário responde apenas por suas próprias irregularidades, o que pode fragmentar a responsabilização e dificultar a atuação da Justiça Eleitoral em casos mais amplos.

Propaganda eleitoral

A proposta também altera regras de campanha ao permitir o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Esse envio não será considerado irregular quando direcionado ao público cadastrados.

Para críticos da medida, esse ponto pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em massa.

MCCE

Em nota pública de repúdio, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral afirmou que o projeto representa “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária, uma vez que “enfraquece mecanismos de fiscalização e transparência partidária”.

“O projeto flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”, diz a nota.

Ainda segundo o MCCE, a proposta facilitará fusões partidárias, dificultando a responsabilização de legendas por irregularidades já apuradas, ao mesmo tempo em que fragiliza instrumentos de controle sobre o uso do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

“Também causa preocupação a autorização para disparos massivos automatizados de mensagens em campanhas eleitorais, medida que ignora os impactos da desinformação registrados nos últimos processos eleitorais”, acrescentou.

Tramitação sem debate

O MCCE também criticou diretamente a forma como o PL tramitou na Câmara:

“O tema foi incluído na pauta de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral.”

“O MCCE espera que o Senado Federal promova ampla discussão sobre a matéria e impeça a consolidação de medidas que representem retrocessos para a transparência, a igualdade política e a integridade eleitoral no Brasil”, conclui a nota.

O movimento tem, entre suas entidades participantes, CNBB, OAB e entidades de classe ligadas à Polícia Federal, aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

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