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UFRGS anuncia mudanças no Vestibular 2027 com provas em Caxias do Sul

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) anunciou nesta sexta-feira (21) mudanças no Vestibular 2027. Entre as novidades estão a inclusão de Caxias do Sul como local das provas, novos horários de aplicação, alteração na distribuição das disciplinas entre os dois dias de seleção e mudanças no momento em que os candidatos poderão deixar o local levando o caderno de questões.

As inscrições começam às 12h da próxima segunda-feira (24) e poderão ser feitas até 21 de setembro. O processo seletivo oferece 4.058 vagas distribuídas em 98 cursos de graduação. Para os candidatos que não obtiveram isenção, a taxa é de R$ 180, com pagamento até 22 de setembro.

A mudança nos horários amplia de 30 para 45 minutos o intervalo entre a abertura dos locais e o fechamento dos portões. Segundo a Comissão Permanente de Seleção (Coperse), a alteração busca melhorar a organização da entrada dos candidatos.

Caderno de questões

Outra mudança diz respeito à saída dos candidatos com o caderno de questões. A partir desta edição do vestibular, será permitido levar o material somente depois de cinco horas de prova, a partir das 19h30.

Quem quiser deixar o local antes desse período poderá sair após duas horas de aplicação, às 16h30, mas sem levar o caderno. Os materiais deixados nos locais serão descartados. Ao fim de cada dia de prova, a Coperse disponibilizará os cadernos no site oficial do Vestibular.

De acordo com o presidente da Coperse, Luís Mauro Rosa, a medida tem como objetivo qualificar cada vez mais o processo seletivo, tanto para os candidatos quanto para a Universidade. “É uma medida importante para reduzir a circulação do conteúdo das provas enquanto ainda há candidatos realizando o concurso e, consequentemente, ampliar a segurança da aplicação. É uma preocupação que também observamos em grandes processos seletivos nacionais”, destaca.

Caxias do Sul substitui Bento Gonçalves

Pela primeira vez, Caxias do Sul será uma das cidades de aplicação do Vestibular da UFRGS. A mudança ocorre em meio à previsão de instalação do novo campus da niversidade na Serra Gaúcha.

Com a alteração, Bento Gonçalves deixa de receber as provas. Permanecem como locais de aplicação  da prova: Porto Alegre, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo e Tramandaí. Na Capital, também haverá novos locais, cujos endereços serão divulgados posteriormente.

Disciplinas reorganizadas

A UFRGS também modificou a distribuição das disciplinas entre os dois dias de prova. No sábado, serão aplicadas questões de Biologia, Física, História, Matemática e Química.

No domingo, os candidatos responderão a questões de Geografia, Língua Portuguesa, Literatura em Língua Portuguesa e Língua Estrangeira Moderna, além da Redação.

Segundo a Coperse, a mudança não altera os conteúdos cobrados, mas busca distribuir de maneira mais equilibrada a carga e o nível de dificuldade das provas ao longo dos dois dias. Luís Mauro Rosa acrescenta que “não estamos mudando o conteúdo avaliado, mas procurando proporcionar uma experiência mais equilibrada ao candidato ao longo dos dois dias”.

Acessibilidade e inclusão

Outra novidade é a participação do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade (Incluir/UFRGS) na análise das solicitações de atendimento especial. A proposta é qualificar a avaliação dos pedidos e a organização dos atendimentos para candidatos com deficiência ou que necessitem de adaptações.

O edital completo, a relação de cursos e vagas, o cronograma e as orientações para os candidatos estão disponíveis na página oficial do Vestibular da UFRGS.

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Professor de Bento Gonçalves denuncia perseguição política após demissão por charge no Instagram

O professor de Geografia Rafael Martins da Costa era concursado há nove anos na rede municipal de ensino de Bento Gonçalves, até ser demitido no final do último mês de maio. O motivo foi o fato de os estudantes terem acesso ao Instagram pessoal do professor, onde ele publica charges de autoria própria. Rafael denuncia perseguição política por parte da Prefeitura, já que algumas charges criticam a gestão do então prefeito Diogo Siqueira (PL). Já a Secretaria Municipal de Educação (Smed) alega que Rafael publicava conteúdos com teor potencialmente violento. A pasta se refere a uma charge sobre o assassinato de Charlie Kirk.

A história começou em agosto de 2025, quando Rafael publicou duas charges ironizando a morte do ultraconservador estadunidense. Foi o suficiente para que, duas semanas depois, dois vereadores de direita de Bento Gonçalves trouxessem o conteúdo à tona nas redes sociais, acusando o professor de incitação à violência. Rafael não teve o nome citado, mas a notícia repercutiu na imprensa local.

No final daquele 18 de setembro, o prefeito Diogo Siqueira publicou um vídeo anunciando que estava afastando o professor do cargo de maneira cautelar. “Os desenhos podem parecer inofensivos, mas comemoram o assassinato de uma pessoa. Um professor que está influenciando as pessoas. Eu tenho uma filha, e eu não quero ver isso dentro de sala de aula. Não quero que nenhum pai passe por essa preocupação”, declarou.

Rafael acredita que a medida tomada pelo prefeito tenha relação, na verdade, com outras charges, publicadas em janeiro de 2025. Naquele início de ano, o professor usou os desenhos para tecer críticas ao Executivo municipal, que propunha uma lei para acabar com a licença-prêmio e os biênios de servidores públicos. O projeto foi aprovado, mas Rafael continuou se manifestando nas redes sociais e trabalhando normalmente. Até que veio a notícia de seu afastamento.

“É uma situação recorrente. Colegas, por qualquer motivo, sofrem punições. Outros professores também estão em processo administrativo. É uma coisa recente, ao meu ver, de 2017 para cá”, diz Rafael. O Sul21 procurou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bento Gonçalves (Sindiserp) para apurar se há outros casos de perseguição política, mas a organização não se manifestou.

 

“A partir do meu afastamento, um amigo advogado começou a me ajudar. Ele entrou com pedido de suspensão da decisão, que não foi aceito no judiciário de Bento Gonçalves. Logo, ele fez o pedido no Tribunal de Justiça em Porto Alegre e começamos uma longa espera pelo resultado”, explica Rafael.

Enquanto isso, alguns deputados manifestaram apoio a Rafael, assim como sindicatos e organizações políticas e culturais. O professor chegou a participar de uma reunião da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa. 

No contexto do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em que Rafael estava envolvido, ele foi chamado ainda em setembro para prestar depoimento na Prefeitura. “Me pediram explicação sobre a charge [sobre Kirk] e eu expliquei o sentido dela. Eles queriam entender por que é que eu fiz. Eu publiquei nas minhas redes, que não têm nada a ver com a escola”, afirma o professor. 

Nesse mesmo dia, Rafael descobriu que a Smed de Bento Gonçalves havia ido até a escola verificar o caderno e o material dos estudantes que tinham aula com ele. O que a equipe da Secretaria achou foi uma charge que o professor fez para os alunos, sobre um assunto tratado na aula de Geografia, mas com QR Code que levava para o perfil dele no Instagram. 

“Eu disponibilizo essas charges na internet para que outros professores baixem e usem. Caso eles façam cópias e distribuam para outros, o endereço do meu perfil vai junto. E foi assim que fiz na minha aula”, argumenta Rafael. “Não pedi para que meus alunos entrassem no link. Aliás, muito poucos alunos me seguem ou interagem com minhas publicações. Pode ter sido um erro meu”.

Em outubro de 2025, a Justiça ordenou que Rafael voltasse ao trabalho. Contudo, o processo administrativo ainda não tinha terminado. “O ano acabou, vieram as férias, as aulas voltaram, e nada de resposta da comissão disciplinar. Nem deixavam meu advogado ver o andamento do processo. Até que chegou o fim de maio deste ano e descobrimos a resposta do processo: eu estava demitido”, relembra o professor. “Fui demitido, acreditamos, por perseguição política. Por meu posicionamento de esquerda e contra a administração de Bento”.

A decisão, à qual o Sul21 teve acesso, é assinada pelo prefeito Amarildo Lucatelli (PP). Ele assumiu a Prefeitura de Bento Gonçalves quando Diogo Siqueira deixou o cargo para virar pré-candidato a deputado federal. Consta no documento que “o material pedagógico distribuído aos alunos continha QR Code direcionando ao perfil pessoal do professor, permitindo acesso a publicações alheias ao conteúdo estritamente didático”. O relatório cita ainda que “o servidor publicou, em rede social de acesso público, conteúdos com teor potencialmente violento e politicamente sensível”. A demissão de Rafael foi oficializada com a publicação de uma portaria em 28 de maio de 2026.

Procurada, a Smed disse que “a decisão foi adotada com base nos procedimentos legais e administrativos previstos na legislação vigente. O caso foi devidamente apurado por meio de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conduzido em observância aos princípios da legalidade e da ampla defesa”.

Já a defesa de Rafael entrou com recurso para tentar reverter a situação, a nível administrativo. O advogado também tenta uma liminar na Justiça para anular a demissão do professor. “Eu não tenho nenhuma falta grave, profissionalmente. O que está acontecendo é porque políticos de extrema-direita de Bento Gonçalves não gostaram de como eu me posiciono nas redes”, afirma Rafael. Ele e sua defesa estão se mobilizando junto a outros colegas e organizaram uma petição online, que já conta com mais de mil assinaturas.

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