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Comitê pede que governo federal retire apoio ao Projeto Natureza da CMPC

O Comitê Técnico de Análise Crítica do EIA-RIMA do Projeto Natureza, que reúne organizações, pesquisadores, entidades socioambientais e representantes da sociedade civil, encaminhou ao governo federal uma carta em que pede a revisão do apoio institucional ao empreendimento da CMPC previsto para Barra do Ribeiro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A manifestação ocorre às vésperas da assinatura do contrato para implantação de um terminal da empresa no Porto de Rio Grande, prevista para esta sexta-feira (11).

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Na carta, o grupo sustenta que ainda existem questões ambientais, sociais, econômicas e jurídicas sem resposta no processo de licenciamento conduzido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). O documento também questiona compromissos assumidos pelo governo do Rio Grande do Sul com a empresa antes da conclusão do licenciamento e sustenta que decisões políticas ou econômicas não deveriam antecipar uma eventual autorização para a implantação do empreendimento.

O Projeto Natureza prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose da CMPC na Fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro. O empreendimento é anunciado pela empresa como um investimento de cerca de R$ 27 bilhões e envolve, além da unidade industrial, estruturas logísticas e portuárias.

Um dos principais pontos levantados pelo comitê é o impacto sobre o Guaíba. Segundo a carta, a fábrica deverá consumir cerca de 288 milhões de litros de água por dia e lançar aproximadamente 242 milhões de litros de efluentes diariamente no manancial. O documento afirma ainda que o ponto previsto para o lançamento ficaria a pouco mais de seis quilômetros de duas adutoras utilizadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para o abastecimento de Porto Alegre.

O grupo também sustenta que os efluentes previstos teriam carga orgânica e poderiam conter compostos organoclorados, citando dioxinas e furanos. A carta afirma que substâncias desse tipo já teriam sido identificadas em sedimentos associados à operação da CMPC em Guaíba e manifesta preocupação com possíveis efeitos sobre organismos aquáticos, pesca e populações que dependem do ambiente.

A manifestação relaciona ainda o empreendimento ao estado atual do Guaíba após as enchentes de 2024. Segundo o comitê, pesquisas recentes do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS indicariam que a qualidade da água ainda não teria retornado às condições anteriores ao desastre climático. O documento defende que, diante desse cenário, a prioridade deveria ser a recuperação da qualidade do manancial, e não a ampliação da pressão sobre o sistema.

Outro eixo central da carta é a consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas potencialmente atingidas pelo empreendimento. O comitê defende que essa etapa ainda não foi cumprida de forma adequada.

O processo de licenciamento já havia suscitado uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para a suspensão da liberação. Em março, o MPF apontou a existência de pelo menos oito aldeias Mbyá Guarani na área de influência direta e outras 18 na área de influência indireta do empreendimento.

A assinatura do contrato para o terminal em Rio Grande integra a estrutura logística do Projeto Natureza. O terminal da CMPC no Porto de Rio Grande prevê a cessão de uma área de 412 mil metros quadrados, com investimento estimado em cerca de R$ 1,3 bilhão.

A assinatura do contrato está mantida para esta sexta-feira (11). A empresa não confirmou se o ato será realizado na unidade da CMPC em Guaíba. A licença prévia do terminal foi emitida pela Fepam em junho. Já o licenciamento da fábrica de celulose em Barra do Ribeiro permanece em análise. Na carta enviada ao governo federal, o comitê questiona justamente o avanço de compromissos relacionados ao projeto enquanto a viabilidade ambiental da fábrica ainda não foi formalmente concluída.

Para as entidades, esse processo cria uma situação de potencial irreversibilidade e reduz o espaço para que o licenciamento cumpra sua função de avaliar a viabilidade ambiental do empreendimento antes de sua implantação.

A reportagem do Sul21 entrou em contato com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos para confirmar a eventual vinda da chefe da pasta, Esther Dweck, para a cerimônia nessa sexta-feira (11), mas não recebeu retorno até o fechamento dessa reportagem. A CMPC não quis se manifestar sobre as críticas ao projeto Natureza apresentadas na carta.

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VÍDEO: Quem eram as seis vítimas do acidente com lancha no Rio Grande, entre SP e MG

Mortos em acidente com lancha entre Rifaina, SP, e Sacramento, MG (de cima para baixo): Wesley Carlos da Silva; Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira; Bento e Viviane Aredes; e Erica Fernanda Lima — Foto: Redes sociais

Seis pessoas morreram em um acidente com uma lancha no Rio Grande, na divisa entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG), na noite de sábado (21). Entre as vítimas estão uma mãe e o filho de 4 anos, além de outras três mulheres e um homem. Outras nove pessoas sobreviveram.

Segundo o Corpo de Bombeiros, 15 ocupantes saíram de um bar flutuante e seguiam em direção a uma casa às margens do rio quando a embarcação colidiu contra um píer. Testemunhas relataram que a estrutura não tinha sinalização nem iluminação no momento da batida.

Com o impacto, parte dos passageiros foi arremessada e a lancha acabou virando na água. Ainda não há confirmação oficial se as mortes ocorreram por afogamento ou em decorrência de ferimentos causados pela colisão. Três vítimas usavam colete salva-vidas.

O piloto da embarcação, Wesley Carlos da Silva, de 45 anos, está entre os mortos. De acordo com os bombeiros, ele não possuía arrais, habilitação exigida pela Marinha para condução de embarcações desse porte.

Lancha batida contra um píer apagado no Rio Grande entre Rifaina e Sacramento — Foto: Reprodução

Também morreram Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira, de 40 anos; Viviane Aredes, de 36 anos; o filho dela, Bento Aredes, de 4 anos; Erica Fernanda Lima; e Marina Matias Rodrigues, de 22 anos. Todas as vítimas moravam em Franca (SP).

Viviane Aredes era irmã da primeira-dama de Patrocínio Paulista (SP) e completaria 36 anos neste domingo (22). Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Araxá (MG).

Três sobreviventes foram levados a uma unidade de saúde em Rifaina com ferimentos leves e receberam alta após atendimento. Equipes dos bombeiros de Sacramento e Uberaba participaram do resgate.

As circunstâncias do acidente seguem sob apuração. Autoridades devem analisar as condições da embarcação, do píer e a eventual responsabilidade pela ausência de sinalização no local da colisão. Veja o vídeo do resgate:

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