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A pergunta que o advogado da ex de Vorcaro não respondeu

A modelo Martha Graeff. Foto: reprodução

A defesa da modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou que ela não possui bens vinculados ao empresário e que vive de aluguel em Miami, nos Estados Unidos. Em entrevista ao “Estúdio I”, da GloboNews, na quinta-feira (19), o advogado Lúcio de Constantino disse que o patrimônio da influenciadora permaneceu inalterado antes, durante e após o relacionamento com o dono do Banco Master.

“A Martha possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’ Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, disse.

Apesar da afirmação, o imóvel citado é uma cobertura de alto padrão com cerca de 700 m² no complexo Four Seasons Surfside, em uma das áreas mais valorizadas de Miami. Segundo informações do caso, o contrato de aluguel teria sido pago antecipadamente por Vorcaro, e a mudança da modelo para o local ocorreu após o início do relacionamento.

A investigação da Operação Carbono Oculto identificou mensagens em que o banqueiro discutia a criação de um trust para Martha, com valores que poderiam ultrapassar R$ 520 milhões. A defesa, no entanto, nega que a influenciadora tenha conhecimento ou participação em qualquer estrutura financeira.

“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento com o senhor Daniel Vorcaro. Basta examinar as declarações de renda”, afirmou Constantino. “Ela inclusive questionou o que era um trust nas mensagens. Ela não sabia o que significava”.

Daniel Vorcaro e Martha Graeff. Foto: reprodução

Segundo o advogado, Martha chegou a buscar explicações sobre o termo e consultou um advogado nos Estados Unidos, que confirmou a inexistência de um trust em seu nome. “Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela”, disse.

Sobre bens de luxo mencionados nas investigações, como imóveis e carros de alto valor, a defesa afirmou desconhecimento. “Ela não conhece nada disso. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel. O patrimônio que ela tem foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais”.

Em nota, a defesa reforçou que “A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”.

O advogado também criticou a divulgação de mensagens íntimas envolvendo o casal, incluindo diálogos que mencionam encontros políticos e o nome do ministro Alexandre de Moraes. “São milhares de informações que estão estruturalmente desorganizadas. (…) Existe um meio eficaz para resolver isso [citação de autoridade] e não é fazer uma publicidade, não é fazer uma mídia agressiva de relações e de intimidade. Você tem um elemento próprio para investigar em condições idôneas e não se faz.”

Em uma das mensagens, Martha reage a uma suposta videochamada com o ministro: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.

Segundo a defesa, a exposição pública teve forte impacto emocional. “Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem divulgou esses dados”, afirmou Constantino.

O advogado relatou ainda que a cliente enfrenta um quadro de depressão após o escândalo. “Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão.”

“Aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”

Constantino também comentou o comportamento de Vorcaro nas mensagens. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”.

Martha Graeff foi convocada para depor na CPI do Crime Organizado, mas a defesa avalia que o depoimento pode ser prejudicado caso esteja baseado em mensagens consideradas inválidas judicialmente. “Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu.

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R$ 180 milhões: a empresa da Faria Lima que liga o Banco Master ao PCC

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

A investigação da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema financeiro, revelou a transferência de R$ 180 milhões de um fundo investigado para a Super Empreendimentos, empresa ligada ao entorno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso amplia o alcance das apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas envolvendo estruturas empresariais e fundos de investimento.

Segundo alerta enviado ao Coaf e obtido pelo Globo, o fundo Gold Style realizou os repasses entre 2020 e 2025. A comunicação aponta operações suspeitas para “ocultar beneficiários e partes envolvidas no mercado de valores mobiliários, utilizando de desdobramentos complexos” com o objetivo de esconder os controladores finais dos recursos.

A Super Empreendimentos já esteve vinculada ao núcleo familiar de Vorcaro. Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, foi diretor da empresa entre 2021 e 2024. A companhia também foi proprietária de uma mansão em Brasília, avaliada em R$ 36 milhões, utilizada por Vorcaro para encontros com autoridades.

De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a empresa teria sido usada como base financeira de um grupo clandestino responsável por monitorar, intimidar e coagir desafetos, incluindo autoridades e jornalistas. As investigações indicam que os pagamentos eram operacionalizados por Zettel em conjunto com Ana Claudia Queiroz de Paiva, sócia da empresa.

Daniel Vorcaro sentado, sério, ao lado de computador
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução

Conforme informações da Polícia Federal, os recursos saíam do caixa da Super e eram destinados a empresas de fachada ligadas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como líder operacional do grupo. A movimentação tinha como objetivo ocultar a origem e o destino do dinheiro.

O fundo Gold Style é administrado pela gestora Reag, também investigada no caso. A Justiça de São Paulo já apontou o fundo como um dos instrumentos financeiros utilizados em esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal liderado por Mohamad Hussein Mourad, suspeito de ligação com o PCC.

Além da Super, o alerta ao Coaf menciona movimentações para outras empresas sob investigação, como a BK Instituição de Pagamentos e a Aster Petróleo, que recebeu R$ 311 milhões e é considerada central nas fraudes apuradas.

As investigações também apontam a atuação da Reag em outros fundos utilizados para aquisição de usinas e movimentações financeiras suspeitas, além de sua presença na Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master.

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