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Região metropolitana de Porto Alegre é uma das piores em mobilidade urbana no Brasil (por Chico Vicente)

Chico Vicente (*)

O Diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, publicou matéria recente na mídia nacional na qual destaca a péssima posição da região metropolitana de Porto Alegre no ranking nacional de autoridade metropolitana. Segundo ele, esta desarticulação afeta o acesso do Rio Grande do Sul a investimentos em mobilidade urbana. O entorno metropolitano se encontra numa posição de completa desintegração entre as redes municipais e a rede metropolitana.

De fato, o BNDES, em conjunto com o Ministério das Cidades, lançou neste mês a primeira fase dos estudos preliminares do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), a qual constituiu uma carteira de projetos com a elaboração de diagnósticos das 21 regiões metropolitanas no país com mais de 1 milhão de habitantes. A região metropolitana da Capital não está contemplada para receber quaisquer investimentos. Para a primeira etapa está prevista a liberação de 16 bilhões de reais numa carteira de investimentos que prevê mais de 400 bilhões de reais até 2054. Por causa desta triste realidade, a expansão do metrô até Alvorada, conectando com futuras ligações em direção a Cachoeirinha e Gravataí, passando pela Avenida Assis Brasil e uma eventual expansão até Viamão, terá seus estudos de viabilidade e de projetos adiados.

Isto acontece porque não há vontade política do Governo do Estado. Esta aversão pelo planejamento e pela gestão responsável dos recursos públicos resulta em caos territorial em termos de mobilidade, elevação de custos, de taxa de poluição, de tempo de viagem, de tarifa e de redução de conforto de viagem para os usuários dos transportes na região.

Na região metropolitana não existe integração tarifária, nem integração física, nem estruturas articuladas de integração modal. O Estado abdicou de sua função primordial estabelecida no Capítulo V da Constituição Estadual. Não existe qualquer articulação entre órgãos estaduais, municípios, operadores e usuários. Neste e em vários outros setores, o Estado não convidou a sociedade para o baile. Quem toca nessa banda desafinada, para um salão cada vez mais vazio, caro e desintegrado, é parcela do mercado constituída pela fração de capital que adora viver de subsídios públicos.

Atualmente, a tecnologia permite a plena integração tarifária e física de todos os modais de transporte público coletivo na Região Metropolitana, através da interoperabilidade de sistemas, tendo uma autoridade metropolitana como ente planejador, integrador e coordenador em toda a região. Exemplos como os adotados nas cidades de Madri, na Espanha, Lisboa, em Portugal, e Montpellier, na França, dentre outros, permitem antever uma redução de 30% no custo global desses serviços com reflexos positivos diretos no custo de passagens, tempos de percurso, redução de poluentes, de acidentes, de engarrafamentos e de repasses de dinheiro público.

A grave crise pela qual passa o transporte público no Brasil, com redução de demanda e de linhas, exige inteligência e compromisso social. Não se encontra nenhuma dessas duas premissas nas ações do atual gestor estadual para as cidades do entorno da Capital. A tentativa de extinção da METROPLAN, a falta de qualquer planejamento para valorização e integração da TRENSURB aos sistemas municipais, a absurda sobreposição de linhas concorrendo entre si e a entrega da bilhetagem para o setor privado deixaram a mobilidade urbana ao sabor da ineficiência, da falta de planejamento, da ganância e da desorganização.

Quase todos perdem com isso: Estado, operadores, trabalhadores do setor, usuários cotidianos e eventuais dos sistemas, além de gaúchos e gaúchas que habitam a região. Ganham apenas os visionários do caos na lógica da liberdade absoluta do capital sem regulação e aqueles que teimam em negar o papel político, econômico e social que cabe ao Estado, de acordo com as normas constitucionais vigentes.

Um cenário que precisa mudar. Em nome da racionalidade econômica, do planejamento público, dos interesses sociais dos cidadãos e cidadãs metropolitanos e da preservação do nosso meio ambiente, o próximo Governo do Estado deve, em conjunto com os municípios, constituir uma autoridade metropolitana de mobilidade, com todos os recursos e estruturas públicas necessárias para promover a integração tarifária, física e modal de todos os meios de transportes da região metropolitana de Porto Alegre.

(*) Doutor em Geografia e superintendente de Desenvolvimento e Expansão da TRENSURB.

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Modernização bilionária da Via Dutra tem primeiro trecho inaugurado na Serra das Araras

Foi inaugurada nesta terça-feira (23) a primeira fase das obras da Nova Serra das Araras, trecho fluminense da Rodovia Presidente Dutra (BR-116). Focado na modernização de uma infraestrutura projetada originalmente na década de 1940, o projeto conta com um investimento de R$ 1,5 bilhão para o trecho da serra e visa destravar o gargalo logístico entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Nesta etapa inicial, foi liberado quatro quilômetros de pistas no sentido São Paulo. A nova estrutura conta com quatro faixas de rolamento, acostamento, faixas de segurança, iluminação integral e oito novos viadutos. O tráfego será liberado aos motoristas na quinta-feira (25), às 15h.

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O governo federal afirmou que o projeto está 70% concluído e o cronograma para a conclusão total do complexo foi antecipado em dois anos, reduzindo o prazo final de entrega de 2029 para 2027.

Financiamento do BNDES

A modernização da Serra das Araras faz parte de um plano macro de investimentos na concessão das rodovias Dutra e Rio-Santos (BR-101), que totalizam 626 quilômetros. Esse pacote recebe um aporte de R$ 10,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), consolidando-se como um dos maiores financiamentos de infraestrutura rodoviária da história da instituição.

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O investimento atua diretamente no principal eixo comercial do país. As duas rodovias conectam 34 municípios que concentram 60 milhões de habitantes e são responsáveis por 41% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Atualmente, a Serra das Araras recebe cerca de 390 mil veículos por mês, dos quais 36% correspondem ao transporte de cargas.

Retorno financeiro e ganho logístico

O investimento resultará, ao fim do projeto, em 16 quilômetros de novas pistas (8 km por sentido), 24 viadutos, duas áreas de escape para caminhões, monitoramento inteligente e cobertura de internet 4G.

Os reflexos econômicos do projeto incluem:

  • Aumento de velocidade: A velocidade máxima operacional permitida passará de 40 km/h para até 80 km/h.
  • Redução de custos e tempo: O tempo de viagem encolherá em até 25% na subida (sentido SP) e em até 50% na descida (sentido RJ), diminuindo o custo do frete e o consumo de combustível.
  • Geração de emprego: A movimentação financeira na região viabilizou a criação de 5 mil empregos diretos e indiretos.

O plano de investimentos financiado pelo BNDES também prevê a expansão de 40% na capacidade total das duas rodovias, o que inclui a duplicação de 80 km da Rio-Santos (entre Mangaratiba e Angra dos Reis) e a implementação de mais de 600 km de faixas adicionais.

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BNDES reduz taxa de juros em empréstimos para mulheres de cooperativas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quinta-feira (12) que vai reduzir o custo de empréstimos para mulheres que fazem parte de cooperativas de crédito. Leia em TVT News

A iniciativa começa a operar a partir de abril. O barateamento do crédito se dará por meio de redução do spread, a diferença entre o custo do dinheiro para o BNDES e quanto é cobrado de quem toma o financiamento.

Dessa forma, a remuneração do banco com os empréstimos passará de 0,85% para 0,50% ao ano para cooperadas das regiões Norte e Nordeste. Nas demais regiões, será reduzida de 1,25% para 0,85% ao ano.

O anúncio foi na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, durante evento para marcar o Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8).

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Prazos maiores

Além de pagar taxas mais baixas, as mulheres terão ampliação de prazo para quitar os financiamentos, que passará de 12 para até 15 anos, com dois anos de carência, isto é, prazo para começar a amortizar o empréstimo.

De acordo com o banco, a mudança permitirá reduzir o valor das parcelas e ampliar a capacidade de acesso ao crédito.

As cooperativas de crédito contam com cerca de 20 milhões de associados, e as mulheres representam cerca de 44,5%.

Hoje, pouco mais de um quarto (27%) das operações do programa de financiamento do BNDES são contratadas por mulheres. 

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o cooperativismo é uma prioridade do banco.

“Se a gente não constrói esse acesso, não aumenta a participação das mulheres nas cooperativas. As cooperativas trazem resultado, ensinamento, segurança a famílias. Muitas mulheres são mães solo, responsáveis por pequena propriedade rural ou pequena empresa”, declarou.

 

Rio de Janeiro (RJ), 12/03/2026 – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quase R$ 100 bi

Desde 2023, o banco de fomento do governo federal alterou medidas do programa de financiamento por cooperativas. Uma das alterações subiu o limite do financiamento de R$ 30 mil para até R$ 100 mil.

De 2023 a 2025, o volume de crédito com recursos do BNDES repassados por bancos cooperativos e cooperativas de crédito alcançou R$ 99,5 bilhões.

A diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES, Maria Fernanda Coelho, apontou durante o evento que o cooperativismo de crédito é uma “ferramenta poderosa” de inclusão financeira e desenvolvimento regional. 

“Com condições mais favoráveis para mulheres, queremos estimular mais empreendedoras e trabalhadoras a acessar crédito, fortalecer suas cooperativas e ampliar suas oportunidades de geração de renda”, disse.

Cooperativismo

Com informações da Organização das Cooperativas Brasileiras, o BNDES afirma que o cooperativismo reúne mais de 25,8 milhões de cooperados em 4.384 cooperativas brasileiras. Mais de 578 mil empregos diretos são gerados por cooperativas, e o impacto na economia chega a R$ 757,9 bilhões.

Cooperativas funcionam como se fossem empresas em que os trabalhadores são sócios do negócio. Os associados, líderes e representantes têm total responsabilidade pela gestão e fiscalização da cooperativa.

Por não terem fins lucrativos, os resultados positivos da atividade econômica desempenhada são distribuídos entre os cooperados.

Mais iniciativas do BNDES

No evento em reverência ao Dia Internacional da Mulher, o BNDES anunciou mais medidas direcionadas a impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de mulheres.

Uma delas é a liberação de até R$ 80 milhões para o programa BNDES Periferias, voltado para favelas e áreas periféricas.

O programa vai apoiar organizações da sociedade civil e instituições sem fins lucrativos que desenvolvam programas de capacitação de mulheres periféricas empreendedoras. As iniciativas podem incluir formação profissional, capacitação em gestão, mentorias, acesso a redes de mercado e capital.

Ainda dentro do BNDES Periferias, haverá incentivo a projetos direcionados ao “trabalho de cuidado”. Entre os serviços que poderão ser beneficiados estão cuidados domiciliares a crianças, idosos ou pessoas com deficiência; lavanderias coletivas e cozinhas comunitárias, entre outros.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que as periferias são os territórios onde as mulheres são mais vulneráveis.

“Obviamente não é só para mulheres, mas são as mulheres as grandes cuidadoras”, afirmou.

Rio de Janeiro (RJ), 12/03/2026 – A diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, durante anúncio de apoio a ações de proteção às mulheres e empreendedorismo feminino na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Segurança

O banco público anunciou também uma linha de financiamento voltada para estados e municípios que tenham políticas públicas na área de segurança da mulher. São recursos, por exemplo, para a construção de delegacias da mulher, fortalecimento de patrulha Maria da Penha e até iluminação pública.

O financiamento poderá alcançar até 90% do valor do projeto, com prazo total de até 24 anos.

A diretora Tereza Campello sustenta que as ações anunciadas contribuem para reduzir fatores de risco que “perpetuam a violência”.

“A violência contra as mulheres é um fenômeno complexo, que exige respostas integradas. Prevenção, proteção, investigação, responsabilização e autonomia econômica precisam caminhar juntas”.

Pacto

O presidente do BNDES assinou uma carta de adesão ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio. O termo reafirma o compromisso institucional com a promoção da igualdade de gênero e com o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

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