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Ex-executivos da Americanas apagaram provas dos celulares, diz juíza

Fachada de loja Americanas
Fachada de unidade da rede Americanas. Foto: Reprodução

A juíza federal Giovana Teixeira Brantes Calmon apontou indícios de apagamento de provas em computadores e celulares que a Americanas entregou à Polícia Federal durante a investigação sobre a fraude contábil na varejista. A magistrada citou aparelhos atribuídos aos ex-executivos Miguel Gutierrez e Sergio Rial em despacho assinado em 22 de maio.

No caso de Gutierrez, que comandou a Americanas por mais de 20 anos, os aparelhos entregues como sendo de seu uso estavam com os padrões de fábrica restaurados. Para a juíza, a hipótese de os dispositivos nunca terem sido utilizados não se sustenta porque a própria empresa os apresentou à polícia como equipamentos usados pelo ex-CEO.

“Assim, é possível afirmar com convicção quase completa que os aparelhos foram ‘formatados’ antes de ser entregues para a Autoridade Policial”, escreveu Calmon. Ela também registrou que o computador atribuído a Sergio Rial continha pastas vazias.

A decisão cita ainda um perfil identificado como sendo de Carlos Gatto, ex-diretor da AME Digital, que os peritos não conseguiram acessar porque a senha não foi fornecida. Sobre o equipamento ligado a Rial, a juíza afirmou haver indício de que provas “muito provavelmente foram apagadas de forma definitiva”, possivelmente para impedir o acesso aos arquivos.

Miguel Gutierrez e Sergio Rial, ex-executivos da Americanas. Foto: reprodução

Decisão embasou buscas contra acionistas de referência

O despacho antecedeu a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em junho contra Beto Sicupira, o presidente do conselho de administração da Americanas, Eduardo Saggioro, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann. A medida questiona a versão dos acionistas de referência de que a antiga diretoria os enganou sobre a situação financeira da companhia.

Calmon reconheceu não haver provas documentais da participação dos acionistas em conversas explícitas sobre mecanismos usados para maquiar resultados, como operações de risco sacado, verbas de propaganda cooperada e alterações em cartas de circularização entre bancos e auditorias. Ainda assim, a magistrada avaliou que Gutierrez atuava como pessoa de confiança dos acionistas, com apoio da LTS, holding ligada a Lemann, Marcel Telles e Sicupira.

A defesa de Sergio Rial afirmou que a Americanas entregou o computador à Polícia Federal em 2 de junho de 2023, cinco meses depois de sua saída da empresa, e que o aparelho permaneceu sob posse da varejista nesse período. Os advogados disseram não existir prova de que Rial tenha usado o equipamento ou apagado arquivos e sustentaram que o perfil de acesso identificado no computador pertencia a outra pessoa. A defesa de Gutierrez informou que não comentaria o caso.

Em nota, a Americanas declarou que entregou computadores e demais elementos solicitados pelas autoridades em 2023 “no estado em que se encontravam quando requisitados”. Sicupira, Paulo Lemann e Saggioro afirmaram que as investigações, incluindo acordos de colaboração premiada, concluíram que os acionistas de referência e o conselho foram enganados sistematicamente pela antiga diretoria.

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Guerra no Irã se amplia e já afeta vários países; veja quais

O ataque israelense a Teerã em 2 de março de 2026. Foto: Divulgação

Diferente de conflitos anteriores, como a guerra entre Irã e Israel em junho de 2025 ou os combates entre Israel e Hamas, a atual Guerra no Irã extrapolou as fronteiras dos países diretamente envolvidos, se espalhando rapidamente pelo Oriente Médio.

Os combates, que entraram na terceira semana em março de 2026, começaram em 28 de fevereiro com bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, um ataque que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. A ofensiva atingiu alvos militares e civis, incluindo uma escola com estudantes.

Em resposta, o Irã iniciou ataques retaliatórios não apenas contra Israel, mas também contra embaixadas e bases americanas localizadas em países vizinhos, além de alvos civis, como prédios que supostamente abrigariam funcionários americanos.

A intensificação das hostilidades arrastou mais países para o conflito, com o Hezbollah, do Líbano, retomando os ataques a Israel, ampliando a dimensão da guerra para o território libanês, incluindo a capital Beirute.

O Irã, que vinha sendo pressionado politicamente, havia aberto negociações com os Estados Unidos para um acordo que limitasse seu programa nuclear. No entanto, o ataque conjunto de EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro, deflagrou uma guerra que agora afeta vários países da região, com consequências econômicas e políticas significativas.

O Irã respondeu fechando o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo, e iniciou ataques contra navios que tentavam sair do Golfo Pérsico. Além dos Estados Unidos e Israel, outros países estão diretamente envolvidos na guerra, como o Líbano, o Emirados Árabes Unidos, o Catar e o Bahrein.

O Líbano foi novamente arrastado para o conflito devido aos ataques do Hezbollah contra Israel, com as forças israelenses realizando bombardeios pesados nas regiões do sul e do vale do Bekaa, além de Beirute. O número de mortos no Líbano devido aos ataques israelenses já ultrapassou 700.

Os Emirados Árabes Unidos, um dos maiores aliados dos EUA na região, também foram alvo de drones suicidas iranianos, com mais de 800 ataques registrados até março de 2026. Dubai, em particular, foi atingida em alvos estratégicos, como o hotel Palm Jumeirah e o Burj al-Khalifa, o edifício mais alto do mundo.

🇦🇪🇮🇷 Uma das torres mais altas de Dubai está em chamas após ser atingida por um drone kamikaze.

O Irã está realizando com frequência missões de assassinatos seletivos contra autoridades militares e agentes de inteligência dos EUA que operam nos países do Golfo. pic.twitter.com/Ufcbh7qhld

— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) March 12, 2026

O Catar, apesar de ter boas relações com o Irã, foi afetado pelos ataques iranianos. O país, que abriga a maior base aérea americana da região, teve sua produção de gás natural interrompida após a destruição de duas de suas instalações.

Além disso, a Força Aérea catari abateu dois caças iranianos em uma tentativa de se defender contra os ataques. Outros países do Golfo, como o Bahrein e Omã, também estão sendo impactados pelos ataques iranianos.

O Bahrein, aliado dos EUA e de maioria xiita, mas controlado por uma família real sunita, tem sido alvo frequente de drones iranianos, atingindo não apenas instalações militares americanas, mas também alvos civis. Omã, por outro lado, tem procurado manter sua neutralidade e atuado como mediador, mas também foi afetado, com a presença de bases americanas no país sendo atacada.

A Arábia Saudita, que mantém laços históricos com os Estados Unidos, também foi alvo de ataques iranianos, incluindo a embaixada americana e a refinaria de Ras Tanura, uma das maiores do mundo, que é essencial para a indústria petrolífera saudita.

A Jordânia, outro país da região com estreitas relações com potências orientais, tem visto seu espaço aéreo ser frequentemente violado por mísseis direcionados a Israel. No entanto, houve poucos ataques a bases americanas em seu território, se comparado aos seus vizinhos.

O Iraque, que abriga uma grande quantidade de bases americanas, tem sido um dos países mais atacados, especialmente em áreas como Bagdá e Erbil, no norte, onde há uma forte presença curda, hostil ao Irã. Outros países, embora não diretamente envolvidos, têm participado de forma marginal na guerra.

O Sri Lanka, por exemplo, viu um submarino americano afundar um navio militar iraniano, enquanto a Turquia utilizou baterias antiaéreas da Otan para derrubar mísseis iranianos. A ilha de Chipre, que abriga uma grande base militar britânica, também foi atacada por drones, com especulações de que o Hezbollah tenha sido o responsável.

Drones suicidas iranianos também atacaram um aeroporto e áreas civis no Azerbaijão, país vizinho ao Irã e grande produtor de petróleo. Autoridades de Baku afirmam estar considerando uma retaliação.

A França e o Reino Unido, embora cautelosos em se envolver diretamente no conflito, estão monitorando a situação de perto. O Reino Unido autorizou o uso de bases aéreas britânicas pelos EUA, enquanto a França enviou um porta-aviões para a região, embora sem participação ativa em missões militares.

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