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Direitos autorais pode ameaçar a indústria de IA em 2024

Getty Images Se 2023 foi o ano em que a inteligência artificial mudou tudo, 2024 poderá ser lembrado como o ano em que a legislação de direitos autorais dos Estados Unidos mudou em relação à IA.
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A explosão da IA generativa e a popularidade de iniciativas apoiadas pela Microsoft, como a OpenAI, Meta, Midjourney e outros resultaram em uma série de casos de direitos autorais movidos por escritores, artistas e outros detentores de direitos autorais, que afirmam que a IA teve sucesso apenas graças ao trabalho deles. Os juízes até agora têm sido céticos em relação às alegações de infração pelos demandantes com base no conteúdo gerado por IA. No entanto, os tribunais ainda não abordaram a questão mais complicada e potencialmente bilionária de se as empresas de IA estão infringindo em grande escala ao treinar seus sistemas com uma grande quantidade de imagens, escritos e outros dados obtidos da internet. As empresas de tecnologia alertam que os processos judiciais podem criar grandes obstáculos para a crescente indústria de IA. Os demandantes afirmam que as empresas lhes devem por usar seu trabalho sem permissão ou compensação. Vários grupos de autores entraram com propostas de ações coletivas este ano devido ao uso de seus textos no treinamento de IA. Isso inclui escritores como John Grisham e o autor de "Game of Thrones", George R.R. Martin, até a comediante Sarah Silverman e o ex-governador do Arkansas Mike Huckabee. As empresas de tecnologia contrataram legiões de advogados de alguns dos maiores escritórios de advocacia dos EUA para enfrentar os casos. Elas defenderam o treinamento de IA, em comentários ao Gabinete de Direitos Autorais dos EUA, comparando-o à forma como os humanos aprendem novos conceitos e argumentando que seu uso do material se qualifica como "fair use" (uso justo) sob a lei de direitos autorais.

O que vem a seguir?

Um processo em andamento envolvendo a Thomson Reuters - controladora da Reuters News - pode ser um dos primeiros grandes indicadores para questões relacionadas a direitos autorais de IA. A empresa acusou a Ross Intelligence em 2020 de copiar ilegalmente milhares de "headnotes" de sua plataforma de pesquisa jurídica Westlaw. O portal resume decisões judiciais e foi usado para treinar um mecanismo de busca jurídica baseado em IA. Um juiz federal decidiu em setembro que o caso em Delaware tem de ir a julgamento para determinar se a Ross violou a lei. O processo pode estabelecer um precedente importante sobre uso justo e outras questões para a litigação de direitos autorais de IA. Um júri pode começar a ouvir o caso já em agosto.
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ChatGPT-4: versão da IA trará novas possibilidades para vídeos e imagens

A participação de Andreas Braun, CTO da Microsoft, em um evento de tecnologia na Alemanha, o “AI in Focus - Digital Kickoff”, gerou uma verdadeira euforia e aumentou a expectativa em torno da nova versão do ChatGPT, a 4. Braun afirmou que na próxima semana um novo modelo de linguagem natural desenvolvido pela OpenAI, empresa que recebeu investimento recente de US$ 10 bilhões da Microsoft será lançado. Segundo a agência de notícias alemã Heise, quatro integrantes das equipes de desenvolvimento da Microsoft estavam presentes no evento para apresentar o novo modelo que já integra a nova ferramenta Azure, dando origem ao Azure-OpenAI. A nova versão é esperada há algum tempo, mais especificamente desde o início de fevereiro. Sam Altman, CEO da empresa não concorda em dar detalhes da nova ferramenta. Tentou, até mesmo reduzir as expectativas afirmando que ela poderia gerar algum tipo de frustração. Leia mais: Maioria dos brasileiros usou ChatGPT por curiosidade e gratuidade “Na nova versão, teremos formatos e possibilidades totalmente diferentes, isso inclui vídeos e modelos multimodais capazes de captar informações de diferentes fontes. Esse novo pacote incluiria vídeos, imagens e outras referências que o sistema pudesse vasculhar na internet.” Outro avanço destacado por Braun é a capacidade de o sistema lidar melhor com a linguagem natural, um grande desafio para os sistemas de IA. Além disso, a versão 4 funcionará em vários idiomas. São muitas as perguntas sobre o ChatGPT-4, mas a verdade é que ele é muito aguardando, principalmente depois das informações trazidas pelo executivo da Microsoft.
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Microsoft vai investir US$ 1 bi na OpenAI

A Microsoft informou hoje (22) que está investindo US$ 1 bilhão na OpenAI e que as duas empresas formaram uma parceria para desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial por meio do serviço de computação em nuvem Azure, da gigante do software. LEIA MAIS: Microsoft tem resultado trimestral acima do esperado A OpenAI foi fundada em 2015 como uma entidade não lucrativa e com US$ 1 bilhão em financiamento dos investidores do Vale do Silício Sam Altman, Peter Thiel e Reid Hoffman, cocriador da rede social LinkedIn. O grupo depois criou uma entidade voltada ao lucro para poder receber investimentos externos. Desde sua fundação, a OpenAI utilizou pesquisadores de inteligência artificial para avançar no campo, como ensinar uma mão robótica a executar tarefas humanas por meio de utilização apenas de software, o que reduz o custo e o tempo para se treinar robôs. O grupo também está focado em segurança e nas implicações da tecnologia de inteligência artificial, pesquisando como os computadores podem gerar reportagens realistas com pouco mais que sugestões de manchetes e alertando pesquisadores a considerar como seus trabalhos e algoritmos podem ser usados com implicações negativas antes das descobertas serem publicadas. A OpenAI afirmou que o investimento da Microsoft vai ajudar o grupo a pesquisar "inteligência artificial geral", ou AGI, na sigla em inglês. A tecnologia AGI é o santo Graal do campo e significa que um sistema de computação pode dominar um assunto tão bem ou melhor que humanos, e também dominar mais campos do conhecimento que um humano. "Acreditamos que é crucial que a AGI seja desenvolvida de maneira segura e que os benefícios econômicos disso sejam amplamente distribuídos", disse Altman. As duas partes não responderam perguntas da Reuters sobre os termos do acordo. Quando a OpenAI criou a estrutura com fins lucrativos em março, afirmou que os investidores que colocarem dinheiro na nova entidade terão seus retornos limitados e que a missão da parte não lucrativa da entidade teria precedência sobre a área voltada ao lucro. VEJA TAMBÉM: Microsoft e AT&T fazem parceria de mais de US$ 2 bi As duas empresas também negaram dizer se o investimento da Microsoft será feito em dinheiro ou se vai envolver créditos para utilização do serviço de computação em nuvem Azure. Serviços de computação em nuvem são uma grande fonte de custo para a OpenAI, que gastou US$ 7,9 milhões na atividade no ano fiscal de 2017, ou cerca de um quarto de suas despesas naquele ano, segundo dados da Receita Federal dos Estados Unidos.
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Como é possível acabar com o gap de gênero na tecnologia

A desigualdade de gênero, de raça e de etnia no segmento da tecnologia impacta não só a cultura, como também os lucros das empresas. Em 2017, a McKinsey descobriu que as 25 melhores empresas em diversidade de gênero nas equipes executivas possuíam 21% mais probabilidade de obter lucros acima da média. LEIA MAIS: Melhores empregadores para diversidade na América Contudo, apenas 26% das mulheres que possuem formação nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia ou matemática acabam trabalhando no mercado após a graduação, diferente dos homens, que representam 40%, segundo reportagem da revista norte-americana “Wiired”. As mulheres contratadas para trabalhar na área também acabam saindo dela mais cedo do que os homens. Com isso, foi descoberto que apenas 53% das mulheres do ramo tecnológico acreditam ter o mesmo acesso a cargos de liderança que os homens, e 46% dizem receber menos que seus pares do sexo masculino. Conversei com Lori Wright, gerente geral da Microsoft Teams e Skype, a fim de conhecer sua carreira e obter alguns conselhos sobre a questão de gênero no mundo da tecnologia. Leia, a seguir, os melhores momentos a entrevista: FORBES: Como a sua carreira na Microsoft se consolidou? Lori Wright: Entrei na Microsoft depois de 20 anos trabalhando na indústria da tecnologia. Durante essas duas décadas, tive vários cargos, abrangendo praticamente todas as áreas, do marketing a vendas. Comecei na Microsoft depois de ter sido diretora de marketing de uma startup em crescimento. FORBES: Quais são suas responsabilidades como gerente geral da Microsoft? LW: Sou responsável pelo lado comercial dos aplicativos de colaboração do Office 365. Isso inclui produtos muito famosos, como o Outlook e o SharePoint, e algumas tecnologias mais recentes, como o Microsoft Teams and Stream. Além disso, a minha função também exige que eu lidere as equipes de marketing dos produtos. FORBES: Como você acha que podemos incentivar mais mulheres a trabalhar com tecnologia e obter cargos mais altos? LW: Acredito que as mulheres só vão trabalhar e permanecer na área de tecnologia quando se sentirem bem-vindas e tiverem mais voz. Elas precisam enxergar a tecnologia como um lugar de pertencimento. E a tecnologia precisa trabalhar duro para ajudar as mulheres a fazer parte do mercado, caso contrário, as empresas começarão a oferecer produtos que representam apenas metade da população, a masculina. Meu conselho para que as mulheres cheguem aos cargos de liderança é encontrar um defensor ferrenho dentro da empresa, assim como um fora dela. Estes podem ser trabalhos exigentes, que fazem com que a mulher precise de uma “defesa extra” para que prospere. Ter pessoas que a defendam internamente e a coloquem para cima nos dias ruis é muito importante. FORBES: Quais são as características mais importantes para obter sucesso em sua função? LW: A empatia para com o cliente e o trabalho em equipe são as duas primeiras coisas que me vêm à mente. Empatia porque você deve ser capaz de entender as necessidades e desejos de seus clientes, a fim de fornecer os produtos certos e garantir a satisfação. Trabalho em equipe já que a companhia para a qual atuo é gigante. Para que eu seja bem-sucedida no meu papel é preciso trabalhar com milhares de pessoas, de maneira que possa cumprir minhas principais responsabilidades. Mas, trabalhando bem, ganho elogios de milhares de pessoas que querem obter os mesmos objetivos que eu. SAIBA TAMBÉM: Executiva da Sanofi no Canadá combina ciência e diversidade FORBES: Como foi e qual é a maior lição que você aprendeu no trabalho? LW: Resiliência. No começo da carreira, eu ficava brava quando alguém não concordava com uma ideia minha, ou se as coisas não saíssem sempre do meu jeito. Depois de um tempo, aprendi que o negócio, às vezes, pode ser confuso, e que é importante ficar confortável com a bagunça na qual as coisas acontecem. Nem tudo ocorre da forma que esperamos, e as pessoas nem sempre concordam conosco. O que importa é a maneira como você lida com os contratempos. No meu caso, o sono e as perspectivas ajudaram bastante. FORBES: O que você queria de ter conhecimento no começo da sua carreira? LW: Eu gostaria de ter conhecido meu valor e de ter tido mais confiança em mim mesma. Tenho a sorte de ter pessoas que reconhecem o meu valor mesmo quando estou para baixo. Elas me dão uma força quando me encontro fora da minha zona de conforto. É por isso que encorajo as pessoas a encontrarem a "líder de torcida" de seus respectivos trabalhos, alguém que consiga apoiar e ajude nos momentos mais inesperados. FORBES: Qual é o melhor conselho que você já recebeu? LW: Seja você mesmo, sempre - isso significa saber o que é importante para você e aprender a priorizar essas coisas. FORBES: Poderia dar um conselho para outras jovens profissionais? LW: Sonhe alto. Gaste seu tempo com sabedoria. Conheça o máximo de pessoas possível: uma rede forte pode abrir portas que você nem sabe que existem. Construa uma vida que você ama e seja uma pessoa de quem se orgulha, mas não se esqueça de ajudar os demais durante a sua jornada.
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