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Por que a China está apostando em pets, brinquedos e hobbies para reaquecer o consumo

A próxima ofensiva da China para estimular o consumo está ficando mais pessoal.

Durante anos, os esforços de Pequim para reaquecer os gastos se concentraram em categorias tradicionais de maior valor, como carros e eletrodomésticos. Agora, as autoridades estão sinalizando algo diferente. Um plano recente para impulsionar o consumo passou a promover gastos “baseados em interesses”, em categorias como pets, anime e brinquedos da moda.

Isso faz parte de uma mudança mais ampla para criar novos motores de demanda, num momento em que exportações e investimentos já não têm a mesma força de antes.

Isso importa porque sugere que a China não está apenas tentando fazer as famílias gastarem mais. O país está tentando direcionar esse gasto para categorias ligadas a estilo de vida, que geram consumo recorrente, têm apelo emocional e são mais fáceis de escalar por meio de marca, propriedade intelectual e experiências presenciais.

“O boom da economia emocional é um resultado inevitável do nosso tempo. Ele reflete uma mudança profunda na lógica do consumo, que deixa de ser centrada no produto para ser centrada nas pessoas, com os consumidores mais jovens se afastando das ‘necessidades práticas’ e se aproximando da ‘satisfação emocional’”, disse Yuan Shuai, diretor-adjunto do departamento de investimentos do Instituto de Pesquisa em Desenvolvimento Urbano da China.

Essa mudança já é grande o suficiente para aparecer em pesquisas de mercado. A chamada economia emocional da China atingiu cerca de 2,3 trilhões de yuans (US$ 335 bilhões) em 2025 e deve superar 4,5 trilhões de yuans até 2029, segundo a iiMedia Research. O mesmo relatório diz que os consumidores estão pagando cada vez mais não apenas pela função de um produto, mas também por ressonância emocional, identidade e conforto psicológico.

Não é que os consumidores chineses tenham, de repente, ficado obcecados por brinquedos fofos ou por pets supermimados. O ponto é que fandom, companhia, autoexpressão e experiências imersivas estão se tornando partes mais estruturadas da história do consumo.

Na prática, a China está tentando transformar os gastos com hobbies em uma indústria. Isso cria um novo tipo de vencedor no setor de consumo.

O exemplo mais óbvio é a Pop Mart International Group, cujos personagens colecionáveis ajudaram a transformar o gasto emocional em uma tese de investimento em bolsa. Mas a oportunidade é maior do que uma única empresa.

Negócios capazes de converter afeto em compras recorrentes — por meio de propriedade intelectual de personagens, licenciamento, eventos, assinaturas, acessórios e renovação constante de produtos — podem estar mais bem posicionados do que marcas ainda dependentes de transações pontuais.

Um relatório do governo divulgado em novembro sobre essa política destacou apoio oficial não apenas a pets e brinquedos, mas também ao desenvolvimento de produtos ligados às mudanças no estilo de vida dos consumidores.

Os pets talvez sejam um dos exemplos mais claros. Um cachorro ou um gato não é uma compra única. Ele gera uma longa cadeia de gastos com alimentação, banho e tosa, saúde, roupas, brinquedos, hospedagem e serviços. Do ponto de vista do consumo, isso significa demanda recorrente. Do ponto de vista do investidor, parece bem mais atraente do que apostar numa recuperação dos gastos discricionários de maior valor, ainda atrelados ao mercado imobiliário.

“Eu corto refeições em restaurantes antes de parar de comprar coisas para o meu gato”, disse Li Wen, uma trabalhadora de tecnologia de 29 anos, em Xangai. “Não parece um luxo. Parece uma forma de deixar a vida cotidiana um pouco melhor.”

A mesma lógica vale para produtos ligados a animação e brinquedos da moda. De fora, esses itens podem parecer supérfluos, mas fazem parte de um ecossistema mais amplo de vínculo afetivo que pode ser monetizado. Um personagem bem-sucedido pode vender bonecos, chaveiros, roupas, snacks, ingressos para eventos e produtos de marcas parceiras. Isso ajuda a explicar por que shoppings e áreas comerciais na China estão apostando cada vez mais em lojas temporárias, exposições e varejo temático para transformar entusiasmo online em fluxo de consumidores nas lojas físicas.

Há também uma razão estratégica mais profunda para que Pequim goste dessa tendência. O consumo baseado em interesses depende menos da riqueza gerada por imóveis financiados por dívida e é politicamente menos delicado do que o luxo ostensivo.

Ele combina com o humor atual da política econômica: apoiar a demanda doméstica, incentivar marcas locais, desenvolver serviços e cultivar novas categorias de consumo sem recorrer a mais um velho estímulo ao setor imobiliário.

A Reuters informou que as autoridades querem que o consumo represente uma parcela maior do PIB nos próximos cinco anos e que sua contribuição para o crescimento econômico aumente de forma constante até 2030.

Nada disso significa que toda tendência ligada a hobbies seja uma aposta segura. O consumo emocional pode ser volátil, passageiro e muito influenciado pelo hype das redes sociais. Reportagem do China Daily sobre a economia emocional também trouxe alertas de estudiosos e comentaristas de que o valor emocional é difícil de medir de forma consistente, o que abre espaço para distorções de preço, compras por impulso e excessos especulativos.

Por isso, os investidores deveriam se concentrar menos no item colecionável mais quente do momento e mais em quais empresas conseguem construir ecossistemas duradouros em torno do vínculo afetivo do consumidor. A questão central não é se os chineses vão continuar comprando coisas que os façam se sentir bem. As evidências indicam cada vez mais que sim. A pergunta é quais empresas conseguem transformar esse sentimento em receita recorrente.

A nova linguagem de consumo adotada por Pequim dá uma pista. O futuro do consumo na China pode não ser liderado apenas por geladeiras e sedãs. Ele também pode ser moldado por empresas que aprendam a vender identidade, conforto, fandom e diversão em escala.

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Não é só petróleo: guerra no Irã desorganiza cadeias globais e pressiona inflação

A guerra no Irã não está afetando apenas o petróleo. O conflito já desencadeou uma desorganização nas cadeias globais de suprimento que atinge setores como tecnologia, medicamentos e agricultura – e tende a se agravar quanto mais durar.

Navios petroleiros à deriva no Golfo Pérsico podem ser o símbolo mais visível do impacto econômico da guerra, mas os efeitos começam a se espalhar para áreas menos óbvias, afetando agricultores americanos, fabricantes de chips na Ásia e produtores de medicamentos na Europa. 

O conflito provocou um choque nas cadeias de suprimento que vem pressionando a economia global e elevando a inflação. Os Estados Unidos, até agora, parecem relativamente protegidos, em parte por conta de sua forte produção doméstica de energia e químicos. Embora os preços da gasolina tenham subido, não há filas em postos como na crise energética dos anos 1970.

Ainda assim, o economista Mark Zandi, da Moody’s, afirmou nesta semana que a guerra, combinada com o enfraquecimento do mercado de trabalho americano, elevou a probabilidade de uma recessão no próximo ano para um nível “desconfortavelmente alto” de 49%.

O restante do mundo enfrenta uma situação mais difícil. O maior impacto, em termos financeiros, vem da energia. A guerra interrompeu o acesso a cerca de 20% do petróleo global e a volumes semelhantes de gás natural liquefeito que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo. Desde o início do conflito, o preço do petróleo subiu cerca de 50%.

Inflação em risco

Mas os efeitos sobre outras commodities começam a causar problemas relevantes. A ureia, fertilizante essencial, e o hélio, usado na produção de microchips, estão em falta. O alumínio, que já enfrentava déficit antes da guerra, está se tornando ainda mais escasso e caro com a redução da produção no Oriente Médio.

Alguns desses insumos foram diretamente afetados por ataques – instalações no Catar que produzem hélio, enxofre e gás natural liquefeito foram atingidas e podem ficar fora de operação por anos.

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“Grande parte das pessoas está focada no mercado de energia, mas o impacto é muito mais amplo”, disse Chris Tang, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “As pessoas estão apenas começando a perceber isso.”

O impacto final sobre a economia global depende da duração da guerra, segundo economistas e especialistas em cadeias de suprimento.

Uma resolução rápida – em três a cinco semanas – elevaria a inflação, mas teria efeito limitado sobre o crescimento global. Já em um cenário mais prolongado, os riscos aumentam. 

Caso o Irã consiga bloquear o Estreito de Ormuz por meses e o petróleo permaneça acima de US$ 100, o crescimento global pode ser reduzido em cerca de 1 ponto percentual neste ano, segundo estimativas de economistas.

Outros problemas

Algumas regiões enfrentam riscos mais severos e podem entrar em recessão mais rapidamente. Ásia e Europa são as mais expostas no curto prazo. Historicamente, cerca de 80% do petróleo e do gás natural que passam pelo Estreito de Ormuz têm como destino a Ásia.

Na região, governos já adotam medidas emergenciais. A Índia enfrenta escassez de gás usado para cozinhar e abastecer fábricas, e limitou o consumo industrial. Restaurantes chegaram a fechar por falta de combustível. 

O Sri Lanka declarou feriados semanais para economizar energia, enquanto Bangladesh antecipou o fechamento de universidades e o Paquistão restringiu o uso de combustíveis por empresas.

Setores afetados

A crise também começa a afetar setores específicos. Na indústria de tecnologia, empresas de semicondutores na Coreia do Sul e em Taiwan enfrentam risco de escassez de hélio, gás essencial para a produção de chips.

O mercado de alumínio também foi afetado. Produtores no Oriente Médio, responsáveis por cerca de 9% da produção global, enfrentam dificuldades para exportar. Com a oferta reduzida, os preços tendem a subir, impactando produtos que vão de automóveis a painéis solares.

Na agricultura, o impacto é imediato. Os preços da ureia subiram mais de 30% desde o início da guerra, elevando o custo de produção para agricultores. Nos Estados Unidos, produtores de milho já enfrentam anos consecutivos de dificuldades financeiras, e a alta de custos pode pressionar ainda mais os preços dos alimentos.

Até mesmo a cadeia de suprimentos de medicamentos começa a sofrer. O Oriente Médio funciona como um hub logístico importante para a distribuição de remédios entre a Ásia e a Europa. 

Com aeroportos fechados, empresas farmacêuticas estão sendo forçadas a buscar rotas alternativas, elevando custos e aumentando o risco de interrupções no fornecimento de medicamentos críticos.

Os efeitos completos da crise ainda não apareceram. O transporte marítimo entre o Oriente Médio e a Ásia leva cerca de duas semanas, e o conflito começou há pouco mais de duas semanas.

Ou seja, o impacto pode se intensificar nas próximas semanas, dependendo da duração do bloqueio no Estreito de Ormuz. “O tempo é o inimigo para o cenário macroeconômico”, disse Joyce Chang, do JPMorgan.

Mesmo com uma eventual resolução do conflito, analistas já esperam mudanças duradouras nas cadeias globais de suprimento, com maior diversificação de fornecedores e menor dependência do Oriente Médio.

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Na Berkshire, conselheiros ganham só US$ 3 mil por ano e bônus em ações não existem. Por quê?

Quando se trata de governança corporativa, a Berkshire Hathaway é um retorno aos anos 1960 — e um caso praticamente único entre as grandes empresas americanas.

Isso ficou evidente no proxy statement de 2026 divulgado pela companhia na noite de sexta-feira. O documento mostrou que praticamente nada na forma como a empresa é administrada deve mudar sob o comando do CEO Greg Abel, que sucedeu Warren Buffett no início de 2026.

O relatório reflete a filosofia de governança de Buffett, que controla a empresa desde 1965.

A Berkshire não concede remuneração em ações a executivos — ou a qualquer funcionário, aliás — e chega a afirmar que “nunca pretende” fazê-lo. Todos recebem em dinheiro. O salário de Buffett foi de US$ 100 mil em 2025, exatamente o mesmo valor que ele recebe há décadas. Já Abel e o chefe da divisão de seguros, Ajit Jain, receberam US$ 22 milhões cada, pagos integralmente em dinheiro.

Isso significa que não há espaço para os jogos financeiros comuns na indústria de software, onde a remuneração em ações — considerada despesa pelas normas contábeis GAAP — é frequentemente adicionada de volta ao lucro em cálculos de “lucro ajustado” questionáveis. Buffett sempre foi um crítico dessa prática.

A remuneração dos conselheiros da Berkshire também parece saída dos anos 1960. Os membros do conselho recebem US$ 900 por reunião presencial e US$ 300 por reunião telefônica. A maioria dos conselheiros ganhou US$ 3 mil no ano passado (foram quatro reuniões) ou US$ 7 mil no caso dos integrantes do comitê de auditoria, que recebem um adicional de US$ 1 mil por trimestre.

Warren Buffett – Ilustração: The Wall Street Journal

Nas empresas do índice S&P 500, em comparação, a remuneração média de um conselheiros ultrapassa US$ 250 mil por ano.

Fazer parte do conselho da Berkshire provavelmente traz mais prestígio do que o de qualquer outra grande empresa.

conselheiros como o gestor de investimentos Chris Davis já disseram que o cargo representa uma espécie de “confiança pública” e honra, considerando o enorme número de acionistas da companhia — perto de três milhões — e o esforço do conselho para preservar a cultura singular da empresa.

Ao contrário de praticamente todas as grandes companhias, a Berkshire não oferece seguro para conselheiros e executivos (D&O insurance). Isso significa que os conselheiros assumem riscos financeiros ao ocupar o cargo — embora muitos acreditem que a empresa os apoiaria em caso de processos movidos por acionistas.

A Berkshire também não utiliza fórmulas complexas de remuneração para executivos, como fazem a maioria das grandes empresas com instrumentos como bônus baseados em tempo ou em desempenho.

Em 2025, Buffett foi responsável por definir a remuneração dos principais executivos. O proxy afirma que ele tomou a decisão de forma “subjetiva”, com base em sua avaliação do desempenho deles e em outros fatores.

A Berkshire não utiliza consultores de remuneração. Buffett detesta esse tipo de serviço — e o mesmo acontecia com o vice-presidente histórico da companhia, Charlie Munger. Ambos afirmavam que esses consultores prejudicam os acionistas ao inflar os salários de executivos. Munger, que morreu em 2023, chegou a dizer que preferiria “jogar uma cobra venenosa dentro da camisa” a contratar um consultor desse tipo.

No início desta década, a Berkshire pareceu desconectada ao se recusar a considerar diversidade na escolha de membros do conselho. Hoje, porém, essa posição parece ter sido visionária, diante da reação contra políticas de DEI (diversidade, equidade e inclusão) que se espalhou por empresas americanas. A companhia afirma que não considera “diversidade, seja qual for a definição”.

Segundo a Berkshire, o perfil buscado em um conselheiro é de “pessoas com altíssimo nível de integridade, visão de negócios, mentalidade de dono, interesse genuíno pela empresa e que tenham mantido um investimento significativo em ações da Berkshire por pelo menos três anos.”

Parece que os conselheiros seguem essa última exigência de participação relevante em ações.

A conselheira Susan Decker, que está no conselho desde 2007, possui a menor participação entre os 13 membros: cerca de US$ 1,5 milhão em ações.

O conselheiro Howard Buffett, um dos dois filhos de Warren Buffett, possui cerca de US$ 8 milhões em papéis. Howard, de 71 anos, deve se tornar presidente do conselho após a morte do pai, hoje com 95 anos.

Foto de Greg Abel, um homem alto careca que está com um casaco azul escuro
Greg Abel, sucessor de Warren Buffett – Foto: Getty Images/Kevin Dietsch

A irmã dele, Susan Buffett, de 72 anos, também conselheira, possui cerca de US$ 17 milhões em ações.

O conselho da Berkshire já foi criticado por avaliadores externos por uma suposta falta de independência, já que Warren Buffett exerce grande influência sobre ele.

Outro ponto criticado é a idade média do conselho: todos os membros têm mais de 60 anos. Consultores também apontam como problema o longo tempo de mandato de vários conselheiros, algo que poderia gerar “entrincheiramento”.

A maioria dos acionistas da Berkshire, porém, provavelmente está muito satisfeita com o conselho e com a forma como a empresa opera.

A participação de Warren Buffett na companhia — cerca de 196 mil ações Classe A, além de uma pequena quantidade de ações Classe B — vale aproximadamente US$ 146 bilhões, com o papel Classe A sendo negociado por volta de US$ 745 mil nesta segunda-feira.

Isso representa 13,7% de participação econômica e 30,2% do poder de voto, já que as ações Classe A possuem direitos de voto superiores às Classe B.

O proxy da Berkshire também se destaca pela simplicidade: menos de 20 páginas, contra os documentos de mais de 100 páginas que a maioria das grandes empresas costuma publicar.

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5 maneiras de economizar e fugir de armadilhas pega-turista na França, segundo uma francesa

A França é o país mais visitado do mundo: recebe 100 milhões de turistas por ano.

Muitos deles se depararam com atrações lotadas, restaurantes caros e garçons mal-humorados em Paris. Mas não precisa ser assim. Sou francesa, e escrevo este artigo para ajudar os visitantes a escapar das armadilhas pega-turista.

De bairros em ascensão em Paris com restaurantes mais acessíveis a praias sem os preços absurdos da Riviera, aqui estão cinco dicas para visitar a França como um francês de verdade.

A França é muito mais do que Paris

Se você quer uma experiência francesa encantadora e sem gastar uma fortuna, comece saindo da cidade mais famosa do país.

Lembro do choque que levei em 2007 quando me mudei de Paris – minha cidade natal – para Toulouse, no sudoeste da França, para terminar o ensino médio: o clima era melhor, os garçons eram mais simpáticos e tudo custava mais ou menos a metade do que se pagava em Paris.

E não é só Toulouse. Todo o sudoeste, incluindo cidades como Bordeaux e Biarritz, oferece gastronomia incrível, ótimos roteiros de vinícolas e praias de areia fina – sem a multidão e os preços salgados da Riviera.

Se quiser curtir a França de um jeito genuíno, esqueça o boné e a clássica camiseta listrada azul-e-branca. Em vez disso, mergulhe nos festivais de música, arte e teatro que animam o país durante o verão europeu.

Os concertos ao ar livre de piano clássico em La Roque d’Anthéron, na Provença, têm ingressos entre €40 e €65. O festival de fotografia de Arles é reconhecido mundialmente e custa €32 por dia.

No Festival d’Avignon, também na Provença, os ingressos variam de €10 a €40 por espetáculo. O francês é essencial em algumas peças, mas há muitos shows de música e dança para quem não fala o idioma.

Adoro a Bretanha no verão, especialmente a ponta oeste chamada Finistère. Dá para fazer stand-up paddle por €12 a hora em Audierne ou uma aula de surfe de uma hora e meia por €45.

Bon appétit

Sejamos honestos: você vem para a França pela comida. Eu também.

Mas também quero evitar o famoso garçom grosseiro parisiense. Para isso, fico longe dos bistrôs em bairros chiques, que cobram caro e muitas vezes servem comida medíocre.

Restaurantes jovens e descolados em Paris, como Paloma ou Ober Mamma, costumam ser mais gostosos e mais baratos – especialmente nos bairros em alta do 18º, 19º e 20º arrondissements. E o atendimento é bem mais agradável.

Os menus de preço fixo servidos no almoço costumam ser ótimos negócios. Fotos dos pratos no cardápio são sinal claro de que o lugar é voltado para turistas. Se alguém estiver na calçada tentando te convencer a entrar, também é um alerta vermelho.

Gosto muito do bairro de Ménilmontant, em Paris, logo ao norte do Cemitério Père Lachaise, onde Jim Morrison está enterrado. Por lá, o restaurante Coup de Tête oferece refeições com entrada e prato principal, ou prato principal e sobremesa, por apenas €19,50.

Lembre-se: gorjeta na França não é obrigatória. Se o serviço for bom, deixar alguns euros na mesa é um gesto gentil, mas ninguém vai te julgar se não deixar nada. E ao contrário do que acontece nos EUA, o preço do cardápio já inclui todos os impostos. Se você for a um restaurante com prato a €19,50, é isso que você paga – um bife de vitela com arroz e um crème brûlée por cerca de R$ 120 na cotação atual.

Uma dica valiosa: procure restaurantes ao redor de feiras livres. Passe pelo Marché des Enfants Rouges, no 3º arrondissement de Paris, para comer ostras frescas e uma tábua de queijos, ou pelo Marché des Carmes em Toulouse para saborear costeletas de cordeiro e vieiras fritas.

Hospede-se onde os franceses se hospedam

Em Paris, em vez de um hotel próximo à Catedral de Notre-Dame ou à Torre Eiffel, procure opções perto do Canal Saint-Martin, da Rue de Bretagne ou do bairro de Gobelins – muito mais em conta.

Evite a alta temporada: de outubro a abril os preços são mais baixos, exceto no período de Natal.

Ao viajar pelo interior da França, prefira os “gîtes” ou “chambres d’hôtes” – as famosas pousadas locais. Você terá uma experiência muito mais autêntica com os franceses e pagará menos. É possível encontrar essas acomodações em plataformas como a Amivac, com diárias a partir de €31.

Aproveite as liquidações

Se for comprar itens de maior valor, como roupas ou bolsas de grife, peça o formulário de reembolso do IVA (imposto sobre valor agregado). Você pode entregá-lo no aeroporto na hora de embarcar de volta e recuperar os 20% de imposto que pagou.

Dá para achar boas pechinchas em feiras de antiguidades e brechós. A La Shoperie, perto de Oberkampf em Paris, é uma boa pedida para roupas vintage de luxo.

Você também pode planejar a viagem em torno das liquidações de verão, entre o fim de junho e o fim de julho. Le Bon Marché, uma loja de luxo no 7º arrondissement de Paris, realiza liquidações de duas semanas tanto em março quanto em outubro, chamadas de dias “Très Bon Marché”.

Use trem, óbvio

Os trens da França são rápidos e chegam praticamente a qualquer lugar. Para pagar menos, compre diretamente no site oficial da SNCF e não em agências de viagem online.

Compre com antecedência para garantir as tarifas mais baixas: às vezes é possível comprar passagens com até seis meses de antecedência.

Prefira os trens OUIGO ao invés dos TGVs para economizar. São igualmente rápidos, mas cobram pelos extras: €3 pelo Wi-Fi e €5 para escolher o assento. Uma passagem de ida e volta de Paris a Lyon pela OUIGO sai por cerca de US$ 77, enquanto o TGV no mesmo trajeto custa US$ 111.

Os TERs — trens regionais que atendem a maioria das cidades do interior – também costumam ser mais baratos. Os bilhetes podem ser comprados no site da SNCF ou em qualquer estação.

Bem, mes amis, são essas as minhas dicas para curtir a França de verdade. Bah, oui! – é bem provável que você encontre um garçom mal-humorado em algum momento. Encare com bom humor: faz parte da experiência. E para consolar: eles são igualmente grosseiros com os próprios franceses.

Por Alice Kantor

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Mercado de petróleo entra em fase crítica e redefine vencedores no setor de energia

A guerra com o Irã elevou os preços do petróleo em 27% desde que começou, com o benchmark internacional ultrapassando US$ 90 na sexta-feira (6) pela primeira vez desde 2024. A maior parte desses ganhos ocorreu por causa do receio de que a demanda global começaria a superar a oferta, mesmo com os produtores de petróleo mantendo a produção nas mesmas taxas que antes da guerra. Isso está começando a mudar.

O mercado de petróleo entrou em um novo estágio de crise: a oferta está começando a desaparecer, ameaçando uma escassez que poderia rapidamente levar os preços acima de US$100 por barril. O Irã está ampliando seus ataques na região, e a infraestrutura de petróleo está entre os alvos.

O Iraque disse que está reduzindo mais da metade de sua produção e o Kuwait foi forçado a fazer o mesmo depois que seus tanques de armazenamento de petróleo atingiram o limite, de acordo com uma reportagem publicada na sexta-feira no The Wall Street Journal.

Esses países não conseguem exportar petróleo porque o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, foi efetivamente bloqueado devido à guerra. Cerca de 20% do petróleo mundial é transportado através desse estreito.

“O cenário energético de pesadelo está chegando”, escreveu na sexta-feira o economista da Capital Economics David Oxley, que acredita que uma interrupção prolongada no estreito resultará em petróleo a US$ 100 por barril. Isso também elevaria ainda mais os preços da gasolina, depois de já terem subido 34 centavos por galão na última semana.

Os produtores vinham conseguindo manter o fluxo de petróleo e armazenar qualquer excesso em tanques em terra ou em navios no mar. Não mais. Cerca de 1,5 milhão de barris por dia de petróleo estão fora de operação no Iraque, segundo Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do J.P. Morgan.

Kaneva diz que o Kuwait reduziu a produção de suas refinarias em 600 mil barris por dia, retirando barris que normalmente seriam exportados. Para colocar isso em contexto, a oferta global total de petróleo é de cerca de 107 milhões de barris por dia, mas pequenas mudanças na produção têm grande impacto nos preços.

Além disso, apenas cerca de 78 milhões de barris são petróleo bruto, a fonte dos combustíveis que mantém o mundo funcionando (grande parte do restante são líquidos de gás natural, que são usados principalmente na produção de produtos químicos).

Os cortes de produção no Oriente Médio derrubam uma suposição fundamental que os operadores do setor de petróleo tinham antes da guerra.

A maioria dos analistas acreditava que o Irã não atacaria a infraestrutura regional de petróleo e nem bloquearia o estreito. Se as exportações de petróleo fossem interrompidas, isso prejudicaria sua própria receita e suas relações de longo prazo com potências regionais como a Arábia Saudita.

Claramente, agora todas as apostas estão suspensas. O Irã está ampliando seus ataques na região, e a infraestrutura de petróleo está entre os alvos.

“O regime iraniano está lutando por sua sobrevivência”, escreveu Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution. “Como não tem esperança de se igualar militarmente aos Estados Unidos e Israel, sua única estratégia é elevar os preços do petróleo o máximo possível, na esperança de que a opinião pública nos Estados Unidos se volte contra esta guerra.”

As ações de empresas de petróleo não subiram de forma generalizada com a escalada da guerra. As grandes petrolíferas – algumas das quais têm operações no Oriente Médio – registraram ganhos modestos ou nenhum ganho.

Entre as grandes empresas, a francesa Total Energies parece ter a maior produção no Oriente Médio, e suas ações na verdade têm caído. A ExxonMobil estava ligeiramente em queda na semana, embora tivesse subido fortemente para novos recordes em antecipação à guerra. A principal empresa de serviços petrolíferos SLB, que opera no Oriente Médio, caiu quase 9%.

Os grandes vencedores no setor de energia incluem as refinarias, que se beneficiaram da escassez global de combustíveis. Navios-tanque estrangeiros não conseguem chegar aos seus destinos por causa da guerra, e refinarias asiáticas começaram a limitar suas próprias exportações para garantir que haja oferta doméstica suficiente.

Além disso, compradores estão pagando mais por combustível de processadores americanos, elevando as margens. As ações da refinaria americana Valero Energy, por exemplo, subiram 10%.

Entre os produtores de petróleo, empresas de shale – petróleo extraído de rochas de xisto, formações rochosas muito compactas – dos Estados Unidos têm subido na bolsa devido à sua presumida segurança. Os produtores de shale podem entrar para compensar parte da produção perdida no Oriente Médio, embora poucos tenham se comprometido com isso até agora.

A partir daqui, a situação pode se tornar muito mais drástica. A Arábia Saudita tem mais capacidade de armazenamento do que o Kuwait, mas sua capacidade disponível também pode começar a se esgotar.

“Estamos em contagem regressiva para a próxima onda de paralisações de produção, impulsionadas por gargalos nas exportações e restrições nas refinarias”, escreveu Kaneva.

“Na trajetória atual, interrupções de cerca de 1,5 milhão de barris por dia podem subir para cerca de 3 milhões até o fim de semana; até o final da próxima semana, os cortes podem ultrapassar 4 milhões e potencialmente se aproximar de 6 milhões se o armazenamento de produtos refinados atingir a capacidade.”

No caso de a oferta desses produtores maiores do Golfo ser interrompida, os preços poderiam subir mais US$ 30 por barril, estima Kaneva. Há precedentes para que subam ainda mais. Nos primeiros dias do ataque da Rússia contra a Ucrânia, os preços saltaram para US$ 127.

Argumenta-se que esta guerra é mais perigosa para o mercado de petróleo do que a russa. Em 2022, a produção russa continuou fluindo. Desta vez, as torneiras estão começando a ser fechadas.

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O reinado do dólar pode estar chegando ao fim – e o investidor vai precisar se adaptar

O dólar está em declínio – e os investidores precisam aprender a conviver com isso. Os últimos 12 meses foram difíceis para a moeda americana. O índice do dólar que mede seu valor frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, o DXY, recuou 8% no período, e a lista de preocupações só cresce. 

Entre elas estão a fragmentação do sistema multilateral liderado pelos EUA, o aumento das preocupações com o uso do dólar como instrumento de sanções e bloqueios de ativos, dúvidas sobre a independência do Federal Reserve (Fed), inquietação com os gastos excessivos do governo americano e um reequilíbrio há muito esperado, à medida que crescimento e rendimentos no exterior se tornam relativamente mais atraentes.

Nada disso significa que o dólar vá perder repentinamente seu prestígio, abandonado em uma onda de vendas em pânico. Ele não está prestes a perder seu status de moeda de reserva global, nem a ser substituído de forma súbita pelo yuan chinês ou por qualquer outra moeda. 

Mas o dólar está se tornando menos popular como reserva de poupança, meio de troca comercial e ativo de refúgio. Isso torna a diversificação – por meio de ações e títulos internacionais, especialmente em mercados emergentes – e uma parcela de ouro como proteção, boas alternativas para os próximos anos.

Se investidores individuais e grandes instituições decidirem coletivamente reduzir sua exposição ao dólar, isso deixará marcas. “Parte do privilégio exorbitante dos EUA vai desaparecer”, afirma Daleep Singh, vice-presidente do PGIM e economista-chefe global, além de ex-vice-assessor de segurança nacional no governo Biden. 

O custo dessa perda de brilho pode incluir custos mais altos de financiamento, menor capacidade de absorver choques financeiros e menor poder de aplicar sanções. O dólar sempre foi mais poderoso do que o tamanho da economia americana sugeriria. Sua participação nas reservas globais e nas emissões internacionais de dívida varia entre 60% e 80% – o equivalente a duas ou três vezes a fatia dos EUA na economia mundial. 

Durante anos, críticos argumentaram que essa primazia seria corroída. Não foi. Não havia alternativa. Isso começou a mudar há mais de uma década, quando a China passou a reduzir sua dependência do dólar, diversificando reservas em ouro e promovendo maior uso do yuan. 

Ponto de mudança

Mas o verdadeiro impulso veio com a invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções e congelamentos de ativos que se seguiram. A instrumentalização do dólar levou bancos centrais a reduzir parte de suas posições e aumentar reservas em ouro. 

A pressão do presidente Donald Trump para anexar a Groenlândia e suas constantes ameaças tarifárias também abalaram aliados europeus e sua confiança nos EUA, forçando-os a considerar alternativas.

Pense nisso como uma “demissão silenciosa”, e não como um frenesi de “Sell América”. Em vez de liquidar títulos do Tesouro em massa, muitos bancos centrais estão deixando seus papéis vencerem e substituindo-os por ouro. Muitos investidores também estão reduzindo o risco de duration nos EUA, migrando para títulos de prazo mais curto.

Uma colagem com elementos financeiros mostra um executivo de costas, uma mão oferecendo cem dólares, e duas mãos com uma calculadora e gesto de decisão, sobre símbolos de cálculos.
Ilustração: Daniela Arbex

Nos dois últimos meses de 2025, os fluxos líquidos para fundos de ações de mercados emergentes totalizaram US$ 70,8 bilhões, enquanto os fundos de ações americanas captaram US$ 43 bilhões.

Em janeiro, os fundos de ações dos EUA registraram saídas líquidas de US$ 34 bilhões, enquanto fundos internacionais captaram US$ 31 bilhões e emergentes receberam US$ 15 bilhões.

A mudança mais relevante ocorreu entre bancos centrais. O ouro deve representar um quarto das reservas globais ao fim de 2025, ante 10% em 2017. China, Turquia e Rússia lideram esse movimento.

Diversificação

A participação do dólar nas reservas caiu para cerca de 57%, ante 64% em 2017. Países também passaram a utilizar mais o yuan em financiamentos comerciais e investimento direto na China. Ainda assim, os controles de capital chineses dificultam que o yuan se torne um verdadeiro concorrente como moeda de reserva.

Mas diversificação não significa desdolarização. “Diversificação e fraqueza do dólar não devem ser confundidas com o fim do dólar”, afirma Joyce Chang, chefe global de pesquisa do J.P. Morgan.

Mesmo assim, a diversificação altera o comportamento dos ativos. Durante décadas, investidores estrangeiros podiam contar com a valorização do dólar em momentos de estresse, compensando perdas em ações americanas. Essa correlação começou a mudar.

Isso leva investidores a rever estratégias de hedge. Fundos de pensão com grande exposição a ações dos EUA estão repensando o risco cambial.

A expectativa de alguns estrategistas é de um ciclo de baixa de vários anos para o dólar, citando fragmentação de alianças e preocupações com dependência de cadeias produtivas.

Ilustração: João Brito

Ao mesmo tempo, condições econômicas fora dos EUA começam a melhorar. A Alemanha planeja investir 1 trilhão de euros em defesa e infraestrutura até 2035. O Japão busca reformas estruturais após vitória eleitoral robusta. 

Mercados emergentes combinam cortes de juros, reformas pró-negócios e boom de commodities. Os lucros em emergentes devem crescer 29% este ano, mais que o dobro do esperado nos EUA.

O dólar ainda pode ter períodos de força, especialmente se os EUA elevarem juros ou se tensões geopolíticas diminuírem. Além disso, a moeda segue próxima ao meio da faixa histórica das últimas três décadas — longe de qualquer colapso.

Ainda responde por mais de 90% das transações globais de câmbio e permanece a moeda dominante em mercados líquidos. Mas a dependência global diminuiu. O prêmio exigido para manter Treasuries longos subiu para cerca de 1,25 ponto percentual.

Para investidores, isso significa olhar além dos EUA. Fundos globais amplos, ETFs de mercados emergentes e exposição a títulos internacionais ganham relevância.

O ouro se tornou o sinal mais claro dessa mudança. Alguns estrategistas projetam que, se a alocação global subir modestamente, o metal poderia alcançar US$ 6.000, US$ 8.500 ou até US$ 10.000 até o fim da década.

Talvez não seja um movimento de “Sell América”. Mas, após décadas de domínio do dólar, pode ser hora de comprar mais fora dos EUA.

Escreva para Reshma Kapadia em reshma.kapadia@barrons.com

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A Nike finalmente entrou no jogo do pickleball. Mas será que é tarde demais?

A postura de “esperar para ver” da Nike diante desse esporte de raquete em rápido crescimento, que mistura tênis, badminton e pingue-pongue, começou a mudar depois que a empresa tornou a número 1 do ranking mundial de pickleball, Anna Leigh Waters, a primeira jogadora profissional da modalidade a integrar seu time de atletas patrocinados no início desta semana. Waters atuará como embaixadora global do pickleball para a gigante de artigos esportivos.

Parecia apenas uma questão de tempo. Com o crescimento explosivo recente do pickleball, consumidores vinham se perguntando por que uma líder global em vestuário esportivo ainda não havia feito movimentos relevantes nesse segmento. Agora, uma das principais dúvidas é se a Nike não entrou tarde demais nesse mercado.

A Nike não comentou imediatamente o assunto. Mas Lisa Delpy Neirotti, diretora do programa de gestão esportiva da School of Business da Universidade George Washington, disse ao MarketWatch que ainda há tempo para a Nike apostar no pickleball. “Eles precisam entrar no negócio, porque outras empresas já estão nele”, afirmou. “Não consigo acreditar em quanto dinheiro as pessoas estão gastando com pickleball.”

Adotar o esporte de raquete cria diversas oportunidades para novos gastos por parte dos praticantes, o que é uma boa notícia para as marcas esportivas. “Não é só moda, são também os calçados”, disse Neirotti, referindo-se aos tênis específicos para mudanças rápidas de direção em quadra. “Quanto mais as pessoas jogam, mais precisam comprar equipamentos.”

“Não consigo acreditar em quanto dinheiro as pessoas estão gastando com pickleball.”

O mercado de equipamentos de pickleball, sozinho, foi avaliado em US$ 1,61 bilhão em 2024 e deve crescer para US$ 3,1 bilhões até 2031, segundo a Meticulous Research. Cerca de 48,3 milhões de americanos jogaram pickleball ao menos uma vez em 2024, e a expectativa é que esse número continue crescendo. Nos EUA, existem 68.458 quadras conhecidas de pickleball, sendo que 18.455 foram adicionadas apenas em 2024.

Outros grandes nomes no mercado de pickleball incluem Skechers e Fila, que também patrocinam atletas da modalidade. Até esta semana, a própria Waters, de 18 anos, era atleta da Fila e usava os produtos da marca nos torneios. A Skechers, por sua vez, investiu cedo no pickleball e se tornou patrocinadora oficial do US Open Pickleball Championships, além de fornecedora oficial de calçados para eventos como o APP Tour, USA Pickleball e Major League Pickleball, ainda em 2022.

O pickleball também pode ser uma forma de a Nike continuar expandindo sua base de fãs, especialmente entre mulheres. “Elas estão conquistando o público feminino”, disse Neirotti. “É um esporte novo, e a [Nike] precisa estar presente. A empresa perderia espaço se não abraçar um esporte popular que coloca muita gente em movimento.”

O patrocínio da Nike a Waters também pode sinalizar investimentos futuros na modalidade, o que pode ser uma boa notícia para investidores que acompanharam as dificuldades das ações da empresa nos últimos anos.

As ações da Nike acumulam queda de 9,2% nos últimos 12 meses e de 55% nos últimos cinco anos. O CEO da Nike, Elliot Hill, afirmou na última teleconferência de resultados que a empresa está nas “entradas intermediárias” de um plano de recuperação. Sob sua liderança, a Nike vem tentando focar mais nas necessidades dos atletas.

A companhia citou uma recuperação recente das vendas na América do Norte, mas admitiu que partes de seus negócios internacionais continuam enfrentando dificuldades. A receita do segundo trimestre caiu 16% na Grande China e recuou 4% na região da Ásia-Pacífico e na América Latina, segundo o último balanço. A analista Adrienne Yih, do Barclays, manteve recomendação neutra para as ações da Nike, com preço-alvo de US$ 64.

Ainda assim, Neirotti acredita que a influência global do pickleball pode render frutos para a Nike fora dos EUA. “O pickleball está crescendo em todos os lugares”, disse. “Há regiões no Vietnã cheias de quadras de pickleball. Na China, o esporte também cresce, porque as quadras de badminton podem ser usadas para pickleball.”

Por enquanto, a aposta da Nike no pickleball ainda está em estágio inicial. A categoria “pickleball” no site da empresa mostra basicamente produtos da linha de tênis Nike Court, com apenas dois itens descritos como específicos para a modalidade.

Patrocinar estrelas em ascensão como Waters é uma estratégia conhecida da Nike. A empresa tem um longo histórico de contratar atletas jovens que se tornaram ícones do esporte, como Michael Jordan, LeBron James, Tiger Woods, Roger Federer e Rafael Nadal, crescendo junto com a marca ao longo dos anos.

Waters afirmou que espera seguir os passos desses ídolos. “Crescendo, eu via meus ídolos usarem o Swoosh em seus maiores momentos, então entrar para a família Nike é a realização de um sonho”, disse em comunicado anunciando sua saída da Fila. “A Nike é o padrão ouro em performance, e mal posso esperar para entrar em quadra representando uma marca que acredita na mesma busca incansável pela excelência que me motiva todos os dias.”

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Conheça a nova Berkshire sem Warren Buffett, igual à velha Berkshire

A tão aguardada sucessão do presidente na Berkshire Hathaway ocorrerá no final do ano, mas, pelo menos inicialmente, não parece que muitas mudanças virão — algo que deve agradar a muitos investidores.

Warren Buffett, 95, deixará o cargo após 60 anos na liderança, dando lugar a Greg Abel, 63, veterano executivo da Berkshire que atualmente comanda os vastos negócios não relacionados a seguros da empresa.

Embora Abel assuma como presidente, Buffett deve continuar exercendo grande influência na companhia, cujo valor de mercado é de US$ 1,1 trilhão. Ele permanecerá como presidente do conselho e acionista controlador, com 14% de participação econômica avaliada em US$ 147 bilhões e 30% dos votos. Buffett doa cerca de 5% de sua participação anualmente a instituições filantrópicas, mas não tem planos de vender nenhuma ação.

Isso significa que questões importantes, como pagamento de dividendos, recompra de ações e a utilização do caixa da empresa — que ultrapassa US$ 350 bilhões — podem permanecer indefinidas por algum tempo, possivelmente até após a morte de Buffett. A Berkshire não paga dividendos e não realiza recompra de ações desde maio de 2024.

Os investidores adotam uma postura de espera em relação à gestão de Abel, vendo a saída de Buffett do cargo de presidente como um ponto negativo.

As ações da Berkshire encerram 2025 de forma discreta. As ações Classe A, que fecharam a quarta-feira em US$ 751.245, subiram 10% no ano até agora, contra um retorno total de 19% do índice S&P 500. O papel está cerca de 7% abaixo da máxima registrada em maio.

Enquanto as ações superaram levemente o mercado nos últimos 20 anos, estão atrás na última década, com retorno anualizado de 14,1% em comparação com 14,9%, segundo dados da Bloomberg.

A Berkshire anunciou algumas mudanças na gestão no início de dezembro, mas nenhuma foi significativa, exceto a saída de Todd Combs, gestor de investimentos e presidente da Geico, unidade de seguros de automóveis da Berkshire. Combs deixou a empresa para assumir um cargo de investimentos no JPMorgan Chase.

Ainda não está claro como o portfólio de ações de US$ 300 bilhões da Berkshire será gerido. Ted Weschler, gestor da empresa que junto a Combs administrava cerca de 10% do portfólio, assumirá toda a gestão ou Abel terá influência direta? Weschler é experiente, mas seu desempenho desde que ingressou na Berkshire em 2012 ainda é desconhecido, e alguns observadores apontam que algumas ações adquiridas por ele, como DaVita e Sirius XM, tiveram desempenho inferior.

Também não se sabe por quanto tempo Ajit Jain, 74, chefe das operações de seguros da Berkshire, permanecerá no cargo, nem quem será seu substituto definitivo.

Abel passará a gestão diária de um grupo de negócios de consumo ao chefe da NetJets, Adam Johnson, mas continuará supervisionando as principais unidades, incluindo a ferrovia BNSF e a gigante de utilidades Berkshire Hathaway Energy.

Na assembleia anual de acionistas em maio, Buffett indicou que planeja estar no escritório diariamente: “Vou continuar vindo e pode chegar a hora de investirmos muito dinheiro. E se isso acontecer, acredito que poderei ajudar o conselho.”

Muitos acionistas provavelmente se sentem confortáveis com Buffett ainda à frente e com a perspectiva de poucas mudanças. Abel deve focar no que faz melhor: melhorar operações. Entre os fiéis, a lógica é clara: por que mudar algo que funcionou tão bem por décadas?

O caixa da Berkshire pode continuar crescendo, deixando a empresa pronta para uma grande movimentação, possivelmente guiada por Buffett, caso surjam oportunidades.

O próximo marco será quando Abel apresentar sua visão para a Berkshire em sua primeira carta aos acionistas, prevista para o final de fevereiro. Até lá, a rotina deve continuar normalmente.

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Walmart e Target: marcas próprias ganham força no varejo americano e se tornam nova fonte de lucro

As marcas próprias deixaram de ser apenas versões mais baratas das grandes marcas nacionais. Em redes como Walmart, Target e Kroger, os produtos de marca do varejista passaram a apostar em ingredientes mais saudáveis, sabores inovadores e posicionamento premium para atrair consumidores cada vez mais exigentes.

O crescimento das marcas próprias tem superado o das marcas tradicionais desde 2022, segundo a Private Label Manufacturers Association, com base em dados da Circana. No primeiro semestre de 2025, as vendas em dólares das marcas próprias nos Estados Unidos cresceram 4,4% em relação ao ano anterior — puxadas por um salto de 13% em alimentos refrigerados. No mesmo período, as marcas nacionais avançaram apenas 1,1%.

Com isso, a participação das marcas próprias atingiu um recorde histórico: 21% das compras de supermercado nos EUA.

Embora o preço mais baixo continue sendo um atrativo importante, a disputa vai muito além da economia. Há anos a Costco fideliza clientes com a linha premium Kirkland Signature, enquanto o Trader Joe’s construiu sua identidade em produtos exclusivos, que não existem em outros varejistas.

Um estudo de 2025 da consultoria First Insight mostra que 84% dos consumidores confiam na qualidade das marcas próprias tanto quanto — ou mais — do que nas marcas nacionais. Quase três quartos dos entrevistados não conseguem identificar corretamente um produto de marca própria quando ele é exibido lado a lado com uma marca tradicional.

“Os consumidores já não são fiéis a nomes de marcas como antes. Eles são fiéis a preço, qualidade e marketing”, diz Greg Petro, CEO da First Insight. “Isso cria um ambiente altamente competitivo, no qual as melhores marcas — não necessariamente as mais conhecidas — vencem. Quando uma marca nacional tropeça, abre espaço para as marcas próprias ganharem participação.”

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Desde 2019, as vendas anuais de alimentos e bebidas da Target cresceram mais de US$ 8 bilhões, chegando a US$ 24 bilhões em 2024. Cerca de metade desse avanço veio das marcas próprias, como a Good & Gather — com produtos sem sabores artificiais, corantes, adoçantes ou xarope de milho de alta frutose —, a linha indulgente Favorite Day e a marca de entrada Market Pantry.

Com equipes próprias de analistas de tendências, cientistas de alimentos, designers de produto e gestores de fornecedores, a Target lança centenas de novos itens por ano em suas marcas próprias, a maioria com preço abaixo de US$ 5.

Entre os produtos de destaque lançados em 2025 estão o Good & Gather Organic Peppermint Chocolate Coffee Creamer e a massa de biscoito de gengibre da linha Favorite Day.

“As marcas próprias de alimentos e bebidas não são apenas substitutas das marcas tradicionais. Investimos muito tempo em entender o que o consumidor precisa e desenhar produtos a partir disso”, disse Jasmine Vasquez, vice-presidente da divisão de marcas próprias de alimentos e bebidas da Target. Segundo ela, mais de 60% dos produtos da empresa não têm equivalente direto entre as marcas nacionais.

No ano passado, o Walmart lançou a Bettergoods — sua maior marca própria de alimentos em duas décadas. A linha aposta em sabores inspirados por chefs, ingredientes mais saudáveis e produtos que atendem a diferentes restrições alimentares, quase todos com preços abaixo de US$ 5.

Scott Morris, vice-presidente sênior de marcas próprias do Walmart, afirma que a empresa monitora tendências culinárias globais para identificar sabores emergentes que ainda não chegaram ao consumo de massa. A ideia é traduzi-los em formatos familiares ao consumidor.

Entre os itens que viraram favoritos estão empanadas de carne bulgogi, asas de frango com tempero seco de alho e manteiga e pasta de pistache. “Queremos que seja acessível, para não parecer algo distante ou difícil de entender”, diz Morris.

Os dados iniciais indicam que a estratégia está funcionando. Segundo o executivo, mais de 60% dos consumidores que compraram produtos da Bettergoods nunca haviam adquirido marcas próprias do Walmart antes. O CFO John David Rainey afirmou recentemente que 40% dos clientes que experimentaram a linha voltaram a comprar.

No Kroger, as marcas próprias crescem mais rápido do que as marcas nacionais há nove trimestres consecutivos. O CEO interino, Ronald Sargent, classificou essas marcas como um “ativo estratégico crítico”, que impulsiona vendas, aumenta a fidelização e oferece margens superiores.

Produtos premium e saudáveis têm sido especialmente atraentes para consumidores de renda mais alta, que buscam economizar sem abrir mão da qualidade. Em setembro, o Kroger adicionou mais de 80 refeições e lanches ricos em proteína — de palitos de french toast a salgadinhos de cheddar com jalapeño — à linha orgânica e saudável Simple Truth, a maior expansão da marca até hoje.

A experiência internacional sugere que ainda há espaço para crescimento nos Estados Unidos. A participação das marcas próprias supera 40% na Europa e fica entre 25% e 30% no Canadá, bem acima dos cerca de 20% registrados no mercado americano, segundo Angus McOuat, sócio da prática de consumo da McKinsey.

“Praticamente todos os meus clientes do varejo querem expandir seus negócios de marcas próprias”, afirma McOuat. “Eles buscam maior penetração, mais produtos e equipes maiores para sustentar esse crescimento.”

As marcas próprias têm avançado especialmente em categorias como salgadinhos e doces — áreas historicamente protegidas pelas grandes marcas — à medida que os preços elevados levam os consumidores a repensar suas escolhas.

Desafio

Embora as marcas nacionais ainda tenham vantagens em poder de marketing e conexão emocional com o consumidor, justificar preços premium ficou mais difícil.

“O nível de exigência subiu”, diz Nik Modi, co-chefe global de pesquisa em consumo e varejo do RBC Capital Markets. “A equação de valor ficou muito mais complexa. O desafio agora é combinar preço, qualidade e relevância.”

Na General Mills, as vendas das massas Pillsbury se recuperaram após a empresa reformular receitas, reduzir preços e reforçar campanhas de marketing com o mascote Pillsbury Doughboy. O cereal Cheerios Protein também vem se destacando e já se tornou um negócio de US$ 100 milhões, superando concorrentes menores, segundo a companhia. Embora tenha menos proteína do que algumas alternativas, o produto é mais barato e agrada mais ao paladar.

“Esse é o nosso ponto ideal”, disse o CEO Jeffrey Harmening em uma conferência com investidores em novembro.

Segundo McOuat, da McKinsey, muitas empresas de alimentos embalados vêm revisando seus portfólios para decidir quais marcas precisam reduzir custos, quais devem se tornar mais premium e inovadoras — e quais talvez precisem ser descontinuadas.

Esse movimento pode resultar em fusões, aquisições e venda de ativos nos próximos meses. “As empresas precisam focar recursos e decidir claramente o que querem ser — e o que não querem ser”, afirma Modi.

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Por que as criptomoedas e as ações estão seguindo direções diferentes?

As criptomoedas ficaram de fora do rali mais amplo do mercado na sexta-feira (21). Enquanto o Nasdaq, fortemente voltado para tecnologia, se recuperou da queda de quinta-feira, os investidores em criptoativos não estão prontos para assumir mais risco.

O Bitcoin estava sendo negociado com queda de quase 2%, a US$ 84.859 na sexta-feira, enquanto os três principais índices de ações subiam aproximadamente na mesma proporção.

A explicação simples é que o Bitcoin caiu mais de 30% desde o pico de 6 de outubro, deixando muitos investidores com prejuízo em algumas de suas compras. Como o cripto é frequentemente mantido em contas de margem, alguns provavelmente tiveram que vender para cobrir perdas, empurrando o preço ainda mais para baixo.

O mercado de ações mais amplo, embora volátil, ainda está relativamente alto. O S&P 500 está apenas 4% abaixo do pico de final de outubro, em torno de 6.890 pontos.

“Do ponto de vista da demanda, parece haver uma sensação inicial, porém crescente, de preocupação que poderia evoluir para um pânico completo se a pressão de venda continuar a se intensificar além do que já ocorreu, já que preços mais baixos provocariam mais vendas em um tipo de ciclo de desastre”, escreveram os analistas da empresa de pesquisa financeira Sevens Report na sexta-feira.

A maior criptomoeda do mundo está sendo negociada 33% abaixo de sua máxima histórica de US$ 126.272 no início de outubro. Ela também caminha para sua pior semana desde novembro de 2022, quando o colapso da exchange de criptomoedas FTX desencadeou uma forte liquidação.

Outros ativos digitais não se saíram melhor. Ethereum (ETH) caiu 3,8%, Solana (SOL) caiu 3,9% e XRP caiu 2,8%.

Vários fatores impulsionaram a recente queda nos preços de criptoativos:

Primeiro, os investidores não têm certeza se o Federal Reserve reduzirá as taxas de juros no próximo mês. Caso o banco central mantenha os custos de empréstimo estáveis, isso tornaria o Bitcoin e seus pares menos atraentes em comparação com investimentos que rendem juros, como títulos e contas poupança.

Segundo, o mercado decidiu que este é um bom momento para se desfazer de ativos de risco, diante de dúvidas sobre avaliações elevadas em inteligência artificial.

Terceiro, muitos investidores compraram Bitcoin por volta de US$ 90.000. Com o ativo sendo negociado agora abaixo desse valor, eles podem hesitar em continuar comprando enquanto estão no prejuízo, especialmente se tiverem usado dinheiro emprestado e agora enfrentarem chamadas de margem — quando corretores exigem mais dinheiro dos investidores para cobrir os empréstimos. Isso, por sua vez, pode levar a vendas forçadas, pressionando ainda mais negativamente o preço do ativo.

Não conte com a queda parando por aqui. Podem ocorrer oscilações de preço significativas na próxima semana, já que os volumes provavelmente serão baixos a partir de quinta-feira devido ao feriado de Ação de Graças. Isso significa que não seria necessário muita pressão para que o Bitcoin continue caindo.

“A liquidez provavelmente secará nos mercados esta semana e à medida que nos aproximamos da temporada de feriados”, disse Adam Morgan McCarthy, chefe de pesquisa do provedor de dados cripto Kaiko, ao Barron’s. “Isso pode exacerbar os movimentos se os investidores continuarem ajustando posições antes dos feriados e a liquidez se tornar ainda mais escassa.”

Escreva para Anita Hamilton em anita.hamilton@barrons.com e George Glover em george.glover@dowjones.com

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Eli Lilly é a primeira farmacêutica a chegar a US$ 1 trilhão em valor de mercado

A Eli Lilly atingiu brevemente uma capitalização de mercado superior a US$ 1 trilhão nesta sexta-feira, tornando-se a única farmacêutica a alcançar esse marco histórico.

A empresa adicionou mais de US$ 400 bilhões ao seu valor de mercado desde o início de agosto, com as ações acumulando alta superior a 35% no ano.

No terceiro trimestre, os produtos da Lilly dominaram 57,9% do mercado norte-americano de análogos de incretina, superando a rival Novo Nordisk.

Agora, há dez empresas avaliadas em mais de US$ 1 trilhão — ou pelo menos houve, por alguns instantes, na manhã de sexta-feira, quando a Eli Lilly LLY +1,42% entrou rapidamente para o clube dos treze dígitos.

A fabricante do blockbuster de obesidade Zepbound era negociada a US$ 1.050 no meio do dia. Mais cedo, quando o preço das ações ultrapassou US$ 1.057,77, a capitalização de mercado superou temporariamente US$ 1 trilhão.

É a única farmacêutica a atingir tal valor; as demais empresas americanas acima de US$ 1 trilhão são gigantes de tecnologia e o conglomerado Berkshire Hathaway BRK.B +1,11%.

O momento trilionário da Lilly acontece após uma impressionante escalada que acrescentou mais de US$ 400 bilhões ao seu valor desde o início de agosto. A ação acumula alta de mais de 35% em 2025.

O mais surpreendente é que a disparada não decorre de um único resultado clínico ou relatório financeiro. Analistas apontam uma combinação de fatores: redução das pressões políticas, ganho constante de participação no mercado de medicamentos para perda de peso à custa da rival Novo Nordisk NOVO.B -3,02%, e uma migração mais ampla de investidores para ações de saúde em meio à aversão crescente ao setor de tecnologia.

Favorita em Wall Street

A Lilly há muito é uma favorita de Wall Street, negociada com múltiplos de lucro superiores aos de outras gigantes farmacêuticas. Mas o salto acelerou a partir de 2023, impulsionado pelo entusiasmo com o Zepbound — o que levou as ações a acumularem alta de quase 200% desde então.

Embora o Wegovy, da Novo, tenha sido lançado anos antes, a Lilly ganhou tração no mercado. No terceiro trimestre, a empresa afirmou que seus medicamentos detinham 57,9% do mercado americano de análogos de incretina — categoria que inclui Zepbound e Wegovy.

A pipeline também anima investidores. A Lilly se prepara para lançar o orforglipron, uma pílula para perda de peso altamente aguardada, apesar de dados mistos. Há ainda o retatrutide, que pode ser mais eficaz que o Zepbound, e o eloralintide, outro medicamento promissor com mecanismo diferente.

O mercado de perda de peso é complexo e já derrubou ações no passado, quando tanto Lilly quanto Novo enfrentaram concorrência de farmácias de manipulação vendendo versões legais dos injetáveis das companhias. Este ano, a complexidade veio da administração Trump, que firmou um acordo permitindo que as empresas acessem o mercado do Medicare para seus medicamentos de perda de peso em troca de preços menores para pacientes que pagam do próprio bolso. Até agora, investidores parecem achar que a Lilly se saiu bem nas negociações.

As ações de saúde vêm superando o mercado desde outubro — mas a Lilly desponta ainda mais. No período, os papéis da empresa subiram 37%, enquanto o Health Care Select Sector SPDR avança 10,5%, e o índice S&P 500 Pharmaceuticals sobe 19%. O S&P 500 mais amplo caiu 2,3%.

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Nvidia chega a US$ 5 trilhões e revive memórias da bolha das pontocom (mas existem diferenças)

Com a Nvidia rompendo a marca dos US$ 5 trilhões em valor de mercado, o entusiasmo com a inteligência artificial levou o S&P 500 a níveis recordes — e os investidores a um déjà vu da bolha das pontocom. Mas, desta vez, analistas dizem que os fundamentos parecem mais sólidos do que no fim dos anos 1990.

O avanço das ações de tecnologia tem sido tão forte que o setor agora domina o S&P 500 como nunca antes. O peso das gigantes de tecnologia no índice já supera o de qualquer outro momento da história, incluindo o auge da bolha das pontocom, quando o setor chegou a representar 35% do total. E, com a Nvidia ultrapassando os US$ 5 trilhões, as seis maiores ações do índice concentram cerca de 38% dos US$ 58,2 trilhões de valor total — o maior nível de concentração já registrado.

Mas, para Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial, a semelhança com a virada dos anos 2000 para aqui. Ele argumenta que os investidores não deveriam se deixar assustar por comparações com o colapso das pontocom enquanto o atual mercado de alta entra no seu quarto ano.

Talvez o aspecto mais preocupante das máximas de hoje seja o fato de que o setor de tecnologia do S&P 500 agora tem o maior peso já registrado no índice, superando o nível de 35% do auge da bolha no fim dos anos 1990.

E, com a Nvidia agora rompendo os US$ 5 trilhões, as seis maiores ações do S&P 500 respondem por cerca de 38% dos US$ 58,2 trilhões de valor do índice — um nível de concentração estonteante e também o mais alto já registrado.

“A disparada, liderada por ações de tecnologia surfando a onda da inteligência artificial, fez muitos observadores questionarem se o mercado está em uma bolha e se uma versão 2.0 do crash das pontocom pode estar chegando”, escreveu Buchbinder em nota publicada na terça-feira.

Ele não é um deles.

Para começar, ele observa que, embora os múltiplos atribuídos tanto às megacaps quanto aos seus pares de tecnologia da informação sejam elevados — um prêmio de 34% em relação ao S&P 500 —, eles seguem bem abaixo do pico de 50% das ações de tecnologia no fim dos anos 1990.

Buchbinder também argumenta que uma boa parcela dos bilhões gastos em IA — que ajudaram a adicionar US$ 4,5 trilhões ao valor de mercado da Nvidia desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 — está sendo financiada pelo fluxo de caixa das gigantes de tecnologia já estabelecidas.

“Dadas as fundações sólidas, incluindo um crescimento de lucros de 20% que pode ser mantido até 2026 à medida que o investimento em capital para IA continua acelerando, e as melhores revisões de lucros entre os 11 setores do S&P nos últimos três e seis meses, não achamos que a corrida da tecnologia esteja necessariamente no fim”, escreveu.

Também vale notar alguns dos muitos comparativos que circulavam nesta quarta-feira antes da abertura histórica da Nvidia.

A fabricante de chips de IA adicionou cerca de US$ 1 trilhão em valor nos últimos 112 dias — um patamar que supera a capitalização combinada de Exxon Mobil e Mastercard, duas empresas que existem, juntas, há 155 anos.

Em outras palavras, a Nvidia concentra os motores mais importantes da “nova economia” — chips e dados — em um valor cinco vezes maior que os da “velha economia” — petróleo e dinheiro — representados por Exxon e Mastercard.

Em 1999, a diferença entre a Microsoft — então a empresa mais valiosa do mundo, com US$ 350 bilhões — e a Exxon Mobil era de menos de US$ 200 bilhões.

Quatro das maiores ações do mercado divulgarão resultados do trimestre de setembro nesta semana: Microsoft, Meta, Amazon e a Alphabet, controladora do Google, devem apresentar planos para gastar ainda mais bilhões em uma corrida por IA que, ao fim da década, custará trilhões em novo capital.

“Todo o complexo de semicondutores de IA, armazenamento, memória, redes, óptica e hardware de servidores depende das tendências futuras de capex dessas três empresas”, disse Jordan Klein, analista de tecnologia, mídia e telecom da Mizuho Securities.

Também não parece que os investidores estejam dispostos a apostar contra elas, mesmo que o pano de fundo lembre muito a última vez em que a tecnologia definia o mercado de alta.

Escreva para Martin Baccardax em martin.baccardax@barrons.com

Foto: Justin Sullivan/Getty Images

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Como a paralisação do governo americano pode atrapalhar a vida de quem planeja aproveitar o outono nos EUA

Viajantes que adiaram as férias de verão para aproveitar custos mais baixos e menos multidões neste outono podem ter uma surpresa desagradável se a paralisação do governo começar esta semana. É que a falta de acordo entre Democratas e Republicanos no parlamento promete paralisar o funcionalismo público do país em outubro – o chamado shutdown. E isso pode prejudicar diretamente quem está com viagem marcada para os Estados Unidos ou dentro do país.

O que está em jogo é que o ano fiscal americano começa no dia 1º de outubro. É nesta data que o governo anuncia o orçamento que as agências federais americanas terão à disposição pelos próximos 12 meses. Se o orçamento não for aprovado, então os pagamentos dos serviços públicos simplesmente deixam de ser feitos. E isso pode simplesmente paralisar as atividades do governo.

Justamente nessa data é que muitos viajantes costumam desembarcar nos aeroportos americanos, aproveitando-se do início da baixa temporada – e dos descontos nas passagens.

Embora controladores de tráfego aéreo e agentes de segurança de aeroportos sejam considerados trabalhadores essenciais – e por isso sejam obrigados a continuar trabalhando durante a paralisação –, nenhum dos grupos recebe pagamento até que o financiamento seja restabelecido. Isso pode resultar em filas de segurança mais longas ou até mesmo voos cancelados se a paralisação durar mais do que algumas semanas.

Durante a paralisação de 35 dias entre 2018 e 2019, houve um aumento no número de controladores que ligaram dizendo que estavam doentes, o que causou atrasos em voos de diversos aeroportos, incluindo La Guardia, Newark e Filadélfia, em Nova York, pouco antes do financiamento ser restaurado no final de janeiro.

Enquanto isso, o absenteísmo entre os agentes de segurança do aeroporto aumentou de 3% para 10%, o que resultou em filas mais longas para os viajantes.

Provavelmente, essa é a pior situação para os viajantes após uma paralisação. Os passaportes continuarão sendo processados, já que isso é pago por taxas. As inspeções de segurança continuarão, assim como a manutenção e a operação dos auxílios à navegação usados ​​por controladores e pilotos.

Outros impactos serão mais indiretos, como o potencial agravamento da escassez de controladores de tráfego aéreo a longo prazo. Embora o treinamento inicial para novos recrutas nas instalações da agência em Oklahoma City continue, o treinamento de campo adicional nos centros de controle será suspenso até que o financiamento seja retomado. As contratações também serão suspensas.

Se a paralisação terminar rapidamente, esses atrasos podem não ter um impacto de longo prazo no número de controladores de tráfego aéreo. Mas, com poucos sinais de comprometimento, as chances de uma paralisação estão atualmente em 73% no site de apostas Polymarket.

Analistas do Bank of America escreveram na semana passada que esperam que a paralisação não dure mais do que duas semanas “porque achamos que os democratas não estarão dispostos a incorrer no custo político de uma longa paralisação antes das eleições de meio de mandato do ano que vem”.

Outros preveem que a medida se arrastará por muito mais tempo, já que não há um prazo final para se chegar a um acordo. Isso poderia resultar em até 40% dos mais de dois milhões de funcionários públicos federais afastados, e em um sofrimento muito mais generalizado do que longas filas no aeroporto.

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