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China bloqueia a compra da Manus pela Meta, desfazendo um negócio de US$ 2 bilhões

A China decidiu bloquear a aquisição de US$ 2 bilhões da startup de IA Manus pela Meta, em um movimento surpreendente para desfazer um acordo controverso criticado pelo possível vazamento de tecnologia para os EUA.

A National Development and Reform Commission, principal órgão de planejamento econômico da China, determinou o cancelamento do negócio em um breve comunicado divulgado na segunda-feira (27). O órgão afirmou, em uma única linha, que decidiu proibir investimento estrangeiro na startup de acordo com leis e regulamentos, sem dar mais detalhes.

A decisão deve esfriar o setor de inteligência artificial em expansão na China e surge semanas antes de uma cúpula de alto nível entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.

Pequim intensificou o escrutínio sobre empresas-chave após o acordo, que já estava em grande parte concluído. Inicialmente celebrado como um modelo para startups com ambições globais, o negócio passou a ser criticado internamente pela perda de tecnologia valiosa para um rival geopolítico.

Os fundadores da Manus começaram na China, mas transferiram sede e equipe principal para Singapura em 2025. Não estava claro, quando o acordo foi anunciado em dezembro, se Pequim exerceria sua autoridade sobre uma transação realizada tecnicamente fora de suas fronteiras.

“O bloqueio da Manus é um momento esclarecedor”, disse o analista Ke Yan, da DZT Research. “A empresa estava incorporada em Singapura, com fundadores baseados lá, e ainda assim foi puxada de volta. O sinal de Pequim é que o que importa não é onde está a entidade legal.”

Revés para a Meta

O decreto pode representar um revés para a Meta em sua tentativa de competir em IA com rivais como a Microsoft, a Alphabet (dona do Google), além de OpenAI e Anthropic. A Manus ajudaria a Meta a avançar no desenvolvimento de agentes de IA — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Ainda assim, não está claro como a Meta desfaria o negócio. Funcionários da Manus já se juntaram à empresa, capital foi transferido e executivos passaram a integrar a equipe de IA da companhia. Parte da equipe já trabalha em escritórios da Meta em Singapura, enquanto investidores como Tencent, ZhenFund e Hongshan já receberam seus recursos.

A Meta afirmou que a transação seguiu as leis aplicáveis e que espera uma resolução da investigação chinesa, sem dar detalhes. As ações da empresa recuaram menos de 1% no pré-mercado.

Reguladores chineses exercem grande poder há anos, forçando mudanças em gigantes como Alibaba e a própria Tencent. Um paralelo próximo é a decisão de obrigar a Didi a sair da New York Stock Exchange após seu IPO em 2021.

Pequim e Washington disputam influência antes do encontro histórico de maio. À medida que a rivalidade em IA se intensifica, Xi busca proteger tecnologia e talentos chineses, ao mesmo tempo em que reforça a confiança no desenvolvimento doméstico — como mostrou recentemente a startup DeepSeek ao lançar seu modelo V4 integrado a chips da Huawei.

Os EUA vêm há anos restringindo o acesso da China a tecnologia americana, incluindo chips da Nvidia usados no treinamento de modelos de IA. Para analistas, a medida chinesa é uma resposta proporcional a essas restrições.

Autoridades chinesas também passaram a desencorajar novos movimentos semelhantes ao da Manus. Empresas como Moonshot AI e Stepfun foram orientadas a rejeitar capital americano sem aprovação explícita, e regras semelhantes devem atingir a ByteDance, dona do TikTok.

Essas restrições podem isolar ainda mais o setor tecnológico chinês de investidores estrangeiros, especialmente dos EUA, que historicamente financiaram grande parte do crescimento dessas empresas. Também seguem a decisão de limitar empresas chinesas incorporadas no exterior de abrir capital em Hong Kong.

O objetivo central é impedir que investidores americanos adquiram participação em setores sensíveis à segurança nacional, evitando o vazamento de tecnologia. O caso Manus reforça a preocupação de Pequim com startups fundadas por chineses que buscam expansão internacional.

Lançada em março de 2025, a Manus é um agente de IA capaz de automatizar tarefas complexas, desde análises do S&P 500 até a criação de apresentações comerciais. Um mês depois, sua controladora Butterfly Effect levantou US$ 75 milhões em rodada liderada pela Benchmark, o que levou a uma investigação do Tesouro dos EUA.

Em julho, a empresa transferiu sua equipe da China para Singapura, cortando dezenas de empregos. A Meta anunciou a aquisição em dezembro, após a Manus superar US$ 100 milhões em receita anualizada.

Ainda não está claro quais outras medidas Pequim adotará após a investigação. Segundo o Financial Times, os cofundadores Xiao Hong e Ji Yichao chegaram a ser impedidos de deixar a China.

Para especialistas, o movimento reflete a crescente importância estratégica da inteligência artificial para a China, especialmente na disputa tecnológica com os EUA. Assim como Washington tenta limitar o acesso chinês a semicondutores avançados, Pequim agora busca restringir o acesso americano à tecnologia de IA.

“É o reconhecimento da liderança chinesa de que a IA é um ativo estratégico”, disse Alfredo Montufar-Helu. “E crucial para definir quem sairá vencedor na competição com os EUA.”

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Startup de ‘verificação humana’ de Sam Altman recorre a marcas de consumo para crescer

O projeto de Sam Altman para ajudar humanos a se distinguirem de robôs na internet está apostando cada vez mais em marcas populares para promover sua ideia futurista.

Uma loja da Gap em San Francisco começou a ajudar visitantes a obter o World ID, o produto de “prova de humanidade” da startup Tools for Humanity, instalando um de seus dispositivos característicos chamados Orb, do tamanho de uma bola de vôlei, que captura imagens do rosto e dos olhos das pessoas.

Um cartão de pagamento planejado com a Visa permitirá que usuários do World ID gastem ativos digitais, incluindo Worldcoin, a criptomoeda que as pessoas recebem em muitos mercados como incentivo para se registrar.

Além disso, o aplicativo de relacionamento Tinder está testando o sistema no Japão para verificar se os usuários são humanos — e se realmente têm a idade que dizem ter.

Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT, cofundou a Tools for Humanity em 2019 com o objetivo de proteger transações online contra interferência de bots. Campanhas anteriores da empresa incluíram anúncios ao ar livre que zombavam dos testes captcha “não sou um robô” e uma campanha celebrando avanços da humanidade, como a invenção do avião. “Em um mundo de IA”, dizia a campanha, “seja humano”.

Agora, porém, a empresa pretende depender mais de parcerias com marcas tradicionais para fazer grande parte da divulgação do World ID, disse Trevor Traina, diretor de negócios da companhia.

“Acho que estamos bem no limiar de um momento em que não precisamos dizer nada — nossos parceiros vão fazer todo o discurso”, afirmou Traina.

Segundo a empresa, os dispositivos Orb convertem imagens do rosto e da íris de uma pessoa em uma sequência anonimizada de números armazenada no próprio aparelho do usuário, sem que a Tools for Humanity guarde os dados. A companhia espera gerar receita cobrando uma taxa cada vez que um aplicativo usar o World ID para confirmar que alguém é humano.

Mas, por enquanto, a prioridade é a adoção em larga escala.

Além de distribuir Worldcoin para novos usuários do World ID, a empresa também paga a criptomoeda a operadores independentes dos dispositivos Orb em alguns mercados fora dos EUA cada vez que um novo ID é emitido. Segundo a companhia, quase 18 milhões de pessoas já receberam um World ID, incluindo 1,1 milhão na América do Norte.

Críticas

O uso de biometria e criptomoedas, porém, gerou críticas e resistência regulatória, incluindo proibições em alguns países por preocupações com segurança de dados. O Worldcoin chegou à maior parte dos EUA no ano passado, mas ainda não está disponível no estado de Nova York porque a empresa não obteve licença para distribuir moeda digital dos reguladores locais, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A empresa afirma que mantém diálogo com autoridades regulatórias nos EUA e em outros países.

“É uma dança constante com reguladores que, diante de tantas inovações, precisam trabalhar muito para acompanhar novas tecnologias”, disse Traina.

A Tools for Humanity também tomou medidas para responder a algumas preocupações. Por exemplo, eliminou a possibilidade anterior de armazenar dados biométricos externamente e agora os mantém apenas no próprio dispositivo do usuário. Os dispositivos Orb também são projetados para apagar os dados imediatamente após o processamento, segundo a empresa.

Mesmo assim, especialistas alertam que, se o sistema se tornar amplamente adotado, os World IDs podem se tornar alvos atraentes para roubos. Rory Mir, diretor de acesso aberto e engajamento tecnológico da Electronic Frontier Foundation, disse que operadores fraudulentos poderiam roubar ou revender essas identidades.

“No pior cenário, operadores fraudulentos poderiam simplesmente tomar o ID ou revendê-lo”, afirmou Mir. “Você não pode mudar sua íris se alguém conseguir acesso a essa informação.”

A porta-voz da empresa disse que esse cenário é apenas especulativo.

A Tools for Humanity espera que acordos com marcas como o Tinder ajudem a explicar melhor o World ID a céticos que não veem necessidade de um sistema de verificação humana ou suspeitam que o projeto seja apenas uma iniciativa ligada a criptomoedas.

Para empresas de marketing, parcerias com a startup também são uma forma de ganhar visibilidade, atrair novos clientes e, no caso do Tinder, ajudar a reduzir preocupações de segurança dos usuários.

A Gap instalou o Orb para despertar o interesse de jovens funcionários de empresas de tecnologia e IA que frequentam o centro de San Francisco. A varejista não receberá receita nem tokens WLD, não terá acesso aos dados coletados pelo dispositivo e atualmente não utiliza o World ID em suas operações.

O Tinder começou a testar o sistema no Japão porque aplicativos de relacionamento no país são obrigados por lei a verificar a idade dos usuários, disse Yoel Roth, vice-presidente sênior de confiança e segurança da Match Group, empresa controladora do aplicativo.

“Um dos maiores desafios da internet hoje é a confiança — e, para nós, isso se resume a combater bots e contas falsas”, afirmou Roth.

Segundo ele, o Tinder se interessou pelo World ID também porque o sistema exige pouquíssimos dados do usuário durante a verificação. A empresa ainda não promoveu ativamente a integração, mas já registrou milhares de usuários japoneses aderindo ao ID e agora avalia expandir o teste para outros mercados.

O cartão de pagamentos com Visa foi adiado em relação ao lançamento previsto para o ano passado, mas a empresa disse que o projeto continua em desenvolvimento. A Visa e a Tools for Humanity não comentaram sobre o cronograma.

Tinder, Visa e Tools for Humanity também não divulgaram detalhes financeiros de seus contratos.

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Como a dona do Claude virou inimiga de Trump por não querer sua IA na guerra

Em sua primeira reunião presencial com o Secretário de Defesa Pete Hegseth, Dario Amodei apresentou seu argumento sobre os riscos das armas autônomas controladas por IA.

Hegseth não quis ouvir, mesmo de um CEO cuja empresa desenvolveu ferramentas de IA que se tornaram fundamentais para o exército.

“Nenhum CEO vai dizer aos nossos combatentes o que podem ou não fazer”, disse Hegseth, após interromper Amodei no meio da frase, na reunião de 24 de fevereiro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A ruptura entre os dois homens, com personalidades e visões de mundo extremamente diferentes, nunca foi resolvida. Agora, a administração Trump, que defende a implementação rápida da IA como essencial para o crescimento econômico e a segurança nacional, se vê em conflito com uma gigante nacional do setor.

“Esta é uma disputa de personalidades disfarçada de conflito político”, disse Michael Horowitz, ex-funcionário do Departamento de Defesa que trabalhou com políticas de IA.

O conflito se resume a uma “quebra de confiança entre a Anthropic e o Pentágono, onde a Anthropic não confia que o Pentágono sabe o suficiente para usar sua tecnologia de forma responsável, e o Pentágono não confia que a Anthropic estará disposta a trabalhar nos casos de uso importantes que precisa”, afirmou.

Amodei, que mais de um ano antes havia garantido a funcionários ansiosos que o contrato da empresa com o exército dos EUA se resumia principalmente a burocracia, passou recentemente a enquadrar o conflito com o Pentágono como tendo graves implicações para o futuro da guerra moderna e até da sociedade.

Na sexta-feira, o presidente Trump ordenou que todas as agências federais deixassem de trabalhar com a Anthropic e atacou os executivos da empresa, chamando-os de “malucos de esquerda”.

Mais tarde naquele dia, após o prazo para que a Anthropic concordasse com um acordo sobre como suas ferramentas poderiam ser usadas expirar, Hegseth designou a empresa como um “risco na cadeia de suprimentos” – uma classificação costumeiramente aplicada a empresas estrangeiras e que impede a companhia em questão de fechar negócios com o Pentágono.

Raramente usado contra uma empresa dos EUA, o movimento — se resistir ao esperado desafio judicial da Anthropic — poderia prejudicar a sua capacidade da trabalhar com outros contratantes do governo, incluindo Lockheed Martin, Amazon e Microsoft, ameaçando relações comerciais que a tornaram uma das startups mais valiosas do mundo.

Em uma ironia, minutos antes de seu post, Trump autorizou ataques ao Irã — operações planejadas com a participação dos modelos Claude da Anthropic, segundo o Wall Street Journal.

Claude também desempenhou papel na operação militar de janeiro que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e tem sido usado para simulações de guerra e planejamento de missões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Por anos, a Anthropic tem sido a empresa de IA mais vocal na defesa de limites e salvaguardas para garantir o uso seguro da tecnologia. Essa postura às vezes frustrou oficiais da administração, que incorporaram amplamente as ferramentas da Anthropic no governo, mesmo sendo incomodados pelo desejo da empresa de controlar como eram usadas.

No início deste ano, a Anthropic baniu efetivamente o uso da palavra “patógeno” em prompts de modelos como parte de suas medidas para impedir que a IA criasse uma arma biológica em seus sistemas não classificados usados por muitas agências. O bloqueio dificultou que funcionários do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) utilizassem a ferramenta. Levou semanas para que os trabalhadores obtivessem permissão para contornar a proibição.

Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, na semana passada chamou Amodei de mentiroso por deturpar a oferta do Pentágono e o acusou de tentar “brincar de Deus”. Um funcionário da administração disse que outros CEOs de tecnologia, como Sundar Pichai (Google) ou Andy Jassy (Amazon), não ditariam ao governo como usar suas tecnologias e teriam encontrado um compromisso. Outro afirmou que ferramentas de IA do governo deveriam ser ideologicamente neutras.

Até segunda-feira, agências como o Departamento do Tesouro e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos informaram aos funcionários que suas ferramentas de IA não funcionariam mais com Claude.

Para críticos, essas medidas são o mais recente exemplo da administração pressionando uma empresa privada por métodos mais comuns em economias estatais.

“A administração Trump está seguindo o manual chinês e coagindo uma empresa americana”, disse Navtej Dhillon, ex-subdiretor do Conselho Econômico Nacional durante a administração Biden.

No cerne do conflito está uma questão inédita: quem deve controlar, em última instância, como ferramentas de IA de ponta são usadas em conflitos e na sociedade?

Amodei e Hegseth abordam a questão de maneiras diferentes. Pesquisador de óculos que frequentemente enrola seus cabelos cacheados, Amodei escreve documentos longos filosofando sobre a importância da segurança em IA e é conhecido por seu método deliberado de resolver problemas. É vegetariano desde a infância.

Hegseth é ex-apresentador da Fox News, com várias tatuagens ligadas à sua fé cristã e serviço militar. Vídeos dele levantando pesos circulam frequentemente nas redes sociais. Ele também influenciou a decisão de Trump de renomear o Departamento de Defesa para “Department of War”.

Até segunda-feira, o Pentágono não havia emitido formalmente a designação contra a Anthropic, levantando a possibilidade de um acordo ser alcançado.

Nos últimos dias, com a intensificação do conflito com o Pentágono, a Anthropic perdeu seu status como a única empresa de IA aprovada para uso em ambientes classificados. xAI de Elon Musk recentemente conseguiu acordo para ser usada nesses ambientes, e no final de sexta-feira, a OpenAI também anunciou o mesmo.

O conflito da Anthropic nunca foi pessoal e sempre envolveu o desejo do Pentágono de usar suas ferramentas de IA para todos os fins legais, disse um funcionário do Pentágono.

Professor Panda

Amodei cofundou a Anthropic em 2021 após sair da OpenAI, porque sentia que a empresa priorizava objetivos comerciais em detrimento da segurança em IA. Alguns funcionários o conhecem como “Professor Panda”. Amodei e os cofundadores da Anthropic comprometeram-se a doar 80% de suas ações fundadoras para caridade — uma participação agora avaliada em bilhões de dólares.

Amodei optou por não lançar uma versão inicial do Claude no verão de 2022, temendo que isso desencadeasse uma corrida tecnológica perigosa. A OpenAI lançou o ChatGPT algumas semanas depois, forçando a Anthropic a correr atrás.

Enquanto Amodei consolidava sua reputação por sua abordagem metódica ao desenvolvimento de IA, Michael e Hegseth tornaram-se conhecidos por sua postura agressiva nos negócios e na guerra. Michael ajudou a construir o Uber como diretor de operações quando a empresa era famosa por enfrentar concorrentes e reguladores de forma agressiva. Depois, trabalhou com dezenas de startups e defendeu a integração de tecnologia nas operações do Pentágono.

Michael tinha uma longa relação com Sam Altman (OpenAI), ajudando-o a vender sua primeira startup em 2012. Eles também trabalharam no mesmo ecossistema de startups enquanto Altman liderava o incubador Y Combinator de 2014 a 2019.

Enquanto a OpenAI avançava no mercado de consumidores, a ferramenta Claude da Anthropic conquistou um grupo fiel de desenvolvedores. Obteve sucesso em contratos corporativos e levantou capital rapidamente. A startup foi avaliada em US$ 380 bilhões após sua rodada mais recente de investimentos.

Grandes investimentos da Amazon foram particularmente benéficos e abriram caminho para o Pentágono. Em novembro de 2024, nos últimos dias da administração Biden, a Anthropic e a empresa de mineração de dados Palantir anunciaram parceria com a Amazon, dando às agências de inteligência e defesa dos EUA acesso aos modelos Claude.

A parceria permitiu que a Anthropic fosse rapidamente usada em ambientes classificados por meio dos sistemas da Palantir, tornando-a o primeiro desenvolvedor de modelos disponível para as operações mais sensíveis do Pentágono.

Alguns funcionários da Anthropic questionaram como a tecnologia seria usada. Haveria mecanismos de responsabilidade? As ferramentas poderiam ser usadas em operações que resultassem em mortes?

Amodei tranquilizou a equipe, dizendo que o trabalho era mais rotineiro do que suas perguntas sugeriam. Em uma reunião geral no final de 2024, ele comparou à ajuda do governo para agilizar tarefas burocráticas.

Mesmo com o crescimento da Anthropic, isso irritava os oficiais da administração no início do segundo mandato de Trump.

Os alertas públicos de Amodei sobre os perigos da IA e críticas a empresas que enviavam chips avançados para a China o colocaram como um dos poucos executivos de IA fora do compasso com Trump. No final de maio, Amodei alertou que a IA poderia destruir cerca de metade de todos os empregos de nível inicial de colarinho branco.

O czar de IA de Trump, David Sacks, chamou a Anthropic de “esquerdistas comprometidos” em seu podcast, citando laços da empresa com doadores democratas. A Anthropic havia contratado vários funcionários da era Biden. Amodei chamou Trump de “senhor feudal da guerra” antes das eleições de 2024.

Ainda assim, em julho, a Anthropic anunciou um contrato de até US$ 200 milhões com o Pentágono. Também fechou acordo com a agência central de compras do governo para permitir que outras agências usassem Claude.

Na mesma época, Sacks e outros funcionários trabalharam em uma ordem executiva contra “IA woke”, amplamente vista como uma ação contra a Anthropic.

O trabalho da empresa com os militares era visto por alguns no setor como forma de refutar alegações de ser “woke”, que a empresa considerou infundadas.

A Anthropic promoveu seu trabalho com o Pentágono em um evento em setembro na Union Station de Washington. Mas Amodei criticou novamente a administração por permitir a exportação de chips para países que poderiam representar ameaças de segurança. Ele afirmou que havia oficiais do governo que “parecem não entender, que ainda pensam que isto é uma corrida econômica para difundir nossa tecnologia pelo mundo, e não uma tentativa de construir a tecnologia mais poderosa que o mundo já viu”.

No final do ano passado, o Pentágono começou a discutir mudanças em contratos com empresas de IA para permitir o uso da tecnologia em todos os casos legais. A hesitação da Anthropic em dar aprovação irrestrita e a manutenção de limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas frustrou alguns funcionários da administração.

Altman e a OpenAI veem oportunidade

O conflito entre Anthropic e Pentágono se intensificou em janeiro, com relatos de que seu contrato poderia ser cancelado.

Após a operação na Venezuela, um funcionário da Anthropic perguntou a um colega da Palantir como Claude foi usado. Oficiais do Departamento de Defesa descobriram e ficaram irritados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Anthropic afirmou que foi apenas uma ligação rotineira entre parceiros.

Em um discurso em 12 de janeiro na SpaceX de Musk, Hegseth disse que Grok se juntaria à plataforma de IA militar do Pentágono, fazendo indiretas à Anthropic: “Não empregaremos modelos de IA que não permitam que você lute guerras.”

O Departamento de Defesa estava negociando, mas a Anthropic manteve seus limites. Queria que as proibições fossem explícitas, apesar das garantias do Pentágono de que não conduziria essas operações nem violaria a lei.

Na mesma época, veículos de mídia relataram que quando Michael perguntou a Amodei hipoteticamente se o Pentágono poderia usar Claude para destruir mísseis que se aproximavam dos EUA, o CEO respondeu que os oficiais deveriam verificar com a empresa primeiro. A resposta teria irritado a administração Trump. A Anthropic negou que Amodei tenha dito isso.

Desconfiados de um impasse, oficiais do Pentágono aceleraram discussões com o principal rival da Anthropic. Michael contatou Joe Larson (OpenAI) para verificar se a empresa poderia começar o processo de certificação para ser implantada em sistemas classificados. Oficiais já trabalhavam para garantir esse status para o Grok de Musk.

À medida que o relacionamento da Anthropic com a administração atingiu níveis baixos, aliados tentaram intermediar um acordo. Shyam Sankar (Palantir) sugeriu soluções para que a Anthropic aceitasse os termos do Pentágono, mantendo salvaguardas, depois aceitas pela OpenAI rival. A Anthropic rejeitou o acordo.

Em 24 de fevereiro, em reunião no Pentágono, Hegseth elogiou a qualidade dos modelos da Anthropic, reiterando a ameaça de rotulá-la como risco na cadeia de suprimentos. Ele também lançou uma ameaça maior: invocar a Defense Production Act, lei da Guerra Fria que dá ao governo controle de indústrias-chave, para obrigar a Anthropic a cumprir suas exigências. O secretário deu a Amodei até 17h01 de sexta-feira para aceitar o direito do exército de usar a tecnologia em todos os casos legais.

Na noite de quarta-feira, o Departamento de Defesa enviou nova linguagem sugerida para o contrato.

No mesmo dia, Sam Altman (OpenAI) entrou em contato com Michael, acreditando que o risco de acionar a Defense Production Act ou designar a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos não era bom para o país.

Mas ele também viu oportunidade para a OpenAI. A empresa propôs um contrato usando linguagem legal existente para manter limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas, sem pedir que o Pentágono alterasse sua política de uso. O contrato da OpenAI incluía outras medidas, como o envio de pesquisadores com autorização de segurança para monitorar o uso dos sistemas.

A OpenAI tem perfil político diferente da Anthropic: elogiou a estratégia tecnológica de Trump e prometeu investimentos para construir data centers para treinar modelos de IA. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa doaram US$ 25 milhões a um comitê político alinhado a Trump no ano passado.

Prazo perdido

Na quinta-feira, Amodei reiterou os limites da empresa: “Nova linguagem apresentada como compromisso vinha acompanhada de jargão legal que permitiria ignorar essas salvaguardas à vontade”, disse um porta-voz.

Alguns no Departamento de Defesa acharam que as partes estavam próximas de um acordo antes da declaração de Amodei. Senadores pediram a ambos que desescalassem a situação.

Naquele dia, Altman disse à equipe que a OpenAI estava trabalhando em um acordo que poderia resolver o impasse.

Com a aproximação do prazo de sexta-feira, Trump anunciou que estava direcionando agências federais a cessar trabalho com a Anthropic. Mas as negociações continuavam.

Às 17h01, Michael ligou para Amodei, que não atendeu. Michael então conversou com outro executivo da Anthropic oferecendo um acordo que, na visão da empresa, permitiria a coleta ou análise de grandes quantidades de dados de residentes dos EUA.

Alguns dentro da Anthropic acreditavam que o acordo estava quase fechado antes da proposta final, rejeitada. Funcionários da empresa haviam descoberto recentemente que estavam na fila para ganhar um contrato do Pentágono para usar IA em drones, mas ficaram de fora devido às negociações em andamento.

Michael contestou a forma como a empresa descreveu a oferta.

Momentos depois, Hegseth publicou nas redes sociais que estava designando a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos.

O que acontecerá a seguir não está claro, mas o impasse parece ter aumentado a popularidade da Anthropic entre os consumidores. Até domingo, Claude superou o ChatGPT, tornando-se o aplicativo mais baixado na App Store da Apple.

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A meta ousada da OpenAI: multiplicar a receita por 14 até 2030

A OpenAI projeta elevar sua receita anual de cerca de US$ 20 bilhões, registrados em 2025, para mais de US$ 280 bilhões até 2030. Se confirmada, a expansão representaria um salto de 14 vezes em apenas cinco anos – colocando a empresa no mesmo patamar de gigantes como Microsoft.

A projeção reflete o avanço das assinaturas de seus softwares de inteligência artificial para consumidores e empresas. A companhia também começou a testar publicidade para parte dos usuários, criando uma nova frente potencial de receita.

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou recentemente que a receita anualizada da empresa superou US$ 20 bilhões em 2025 — ante cerca de US$ 6 bilhões no ano anterior.

Para efeito de comparação, a meta de US$ 280 bilhões colocaria a OpenAI no mesmo patamar de gigantes consolidadas. Hoje, a Microsoft fatura algo próximo desse valor por ano, enquanto Apple e Alphabet superam a marca de US$ 400 bilhões anuais. 

Se a projeção se confirmar, a OpenAI atingiria, em menos de uma década de operação comercial em larga escala, uma escala de receita comparável à das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Como outras empresas do setor, a OpenAI busca ampliar a base de clientes pagantes para compensar os custos elevados com chips, data centers e talentos necessários ao desenvolvimento de seus modelos de IA.

A empresa já havia informado que pretende investir mais de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de inteligência artificial nos próximos anos. Agora, a companhia trabalha com um plano de desembolsar cerca de US$ 600 bilhões até 2030.

A OpenAI está perto de concluir a primeira fase de uma nova rodada de captação que pode levantar mais de US$ 100 bilhões. Com isso, a avaliação total da empresa pode superar US$ 850 bilhões.

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Larry Ellison, e não Musk, é o grande magnata tech de 2025

Quando o ano começou, um bilionário com laços estreitos com a Casa Branca era considerado o nome certo para o titã da tecnologia mais comentado de 2025. Mas, 12 meses caóticos depois, Larry Ellison, e não Elon Musk, pode reivindicar o título.

O cofundador e chairman da Oracle, de 81 anos, esteve onipresente — desempenhando um papel em praticamente todas as principais histórias de negócios do ano, desde o frenético boom (ou bolha) da inteligência artificial até os megacontratos que estão agitando Hollywood.

A Oracle planeja até mesmo adquirir uma participação no TikTok como parte de um plano um tanto tortuoso para ajudar o presidente americano Donald Trump a salvar o popular aplicativo de vídeos. Ao longo do caminho, a fortuna de Ellison cresceu e diminuiu com o preço das ações da Oracle — uma linha febril para uma era volátil.

O ano começou com o Stargate, talvez o projeto de data center mais audacioso de todos. Em 21 de janeiro, um dia após a posse de Trump, o presidente apareceu na Casa Branca com Ellison, Sam Altman, da OpenAI, e o líder do SoftBank Group, Masayoshi Son, para anunciar um plano de US$ 500 bilhões para construir infraestrutura de IA. Muitos superlativos foram proferidos naquele dia — 100.000 empregos — e alguns céticos consideraram a vasta soma mera aspiração.

Desde então, a Oracle embarcou em uma expansão histórica de data centers otimizados para IA, que progride mais rapidamente do que alguns esperavam. O esforço fez com que o fluxo de caixa da empresa se tornasse negativo pela primeira vez desde o início da década de 1990. Mas Ellison, que notoriamente ignorou a revolução da computação em nuvem há 15 anos, de repente se tornou um entusiasta da IA.

No verão no hemisfério Norte, a OpenAI fechou um acordo de cerca de US$ 300 bilhões para alugar uma enorme quantidade de poder computacional da Oracle, preparando o principal laboratório de IA para se tornar o maior cliente da Oracle.

Investidores ficaram eufóricos em setembro, quando a Oracle divulgou a dimensão total de seu negócio com a OpenAI. O patrimônio líquido de Ellison saltou para US$ 89 bilhões em um único dia, para US$ 388 bilhões, o maior aumento diário já registrado pelo índice de bilionários da Bloomberg. Isso o tornou brevemente a pessoa mais rica do mundo, superando Musk.

Sua crescente fortuna se encaixou bem com as aspirações de seu filho David de se tornar um magnata de Hollywood. Em agosto, a Skydance Media, de David Ellison, finalmente fechou o acordo para obter o controle da Paramount, uma aquisição financiada em grande parte por Ellison pai.

Semanas após fechar o acordo com a Paramount, David Ellison voltou sua atenção para a Warner Bros. Discovery, oferecendo-se para assumir o lar do Batman, Harry Potter e Pernalonga. Seu pai se ofereceu para ajudar a financiar o negócio e apresentou a proposta pessoalmente aos executivos da Warner Bros.

Foi em vão. A Warner Bros. rejeitou a oferta da Paramount Skydance e aceitou a da Netflix. O jovem Ellison respondeu com uma oferta hostil — uma jogada que seu pai havia feito no início dos anos 2000 para comprar a empresa de software PeopleSoft.

A segunda oferta pela Paramount foi rejeitada, com a Warner Bros. questionando a capacidade da empresa de cumprir a parte da oferta referente às ações. Em resposta, Larry Ellison concordou em garantir pessoalmente o financiamento de US$ 40,4 bilhões.

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Sob pressão do Google, OpenAI apresenta GPT-5.2, modelo mais avançado para trabalho profissional

A OpenAI anunciou na quinta-feira (11) o lançamento do GPT-5.2, chamando o modelo de inteligência artificial de seu mais avançado para o trabalho profissional do conhecimento.

O lançamento ocorre cerca de uma semana depois que o presidente da empresa, Sam Altman, declarou um esforço de “código vermelho” para melhorar a qualidade do ChatGPT  e atrasar o desenvolvimento de algumas outras iniciativas, incluindo publicidade.

A empresa tem estado em alerta máximo devido à crescente ameaça do mais recente modelo de IA do Google, o Gemini, que superou o ChatGPT em certos benchmarks, incluindo conhecimento em nível de especialista, puzzles de lógica, problemas de matemática e reconhecimento de imagem.

O novo modelo da OpenAI foi descrito pela empresa como melhor em benchmarks de matemática, ciência e codificação.

O negócio da OpenAI voltado para clientes corporativos também tem estado sob pressão da Anthropic, que recentemente intensificou seus esforços para vender para empresas.

“Nós projetamos o 5.2 para desbloquear ainda mais valor econômico para as pessoas”, disse Fidji Simo, presidente de aplicações da OpenAI, em uma teleconferência com repórteres na quinta-feira. “Ele é melhor na criação de planilhas, construção de apresentações, escrita de código, percepção de imagens, compreensão de longos contextos, uso de ferramentas e, em seguida, na vinculação de projetos complexos de múltiplas etapas.”

A aplicação da IA a tais tarefas será crítica à medida que as empresas buscam obter valor da ia e gerar um retorno sobre esses investimentos.

Simo, ex-ceo da instacart, ingressou na OpenAI este ano e é encarregada de ajudar a criadora do ChatGPT  a se tornar um negócio global lucrativo.

Ainda não está claro se o mais recente modelo da OpenAI, focado em produtividade e trabalho, conquistará clientes ou a ajudará a competir contra rivais. Muitas empresas ainda estão no início do uso de ia e ainda não viram retornos generalizados da tecnologia.

O GPT-5.2 mostra melhorias em raciocínio, codificação e trabalho com uma variedade de entradas, de texto a áudio, vídeo, e mais todas áreas em que a OpenAI enfrentou desafios do google e da Anthropic, disse arun chandrasekaran, analista da empresa de pesquisa de mercado e consultoria de TI Gartner. A empresa também progrediu em capacidades de trabalho do conhecimento essenciais para tornar o ChatGPT  o assistente de ia de escolha para trabalhadores profissionais, ele acrescentou.

Crescente Competição

Ray Wang, fundador e principal analista da constellation research, disse que o GPT-5.2 é uma boa resposta ao Gemini do Google, mas não o suficiente para reverter o ímpeto de seu rival. Para as empresas, “o que a OpenAI fez foi facilitar a criação de ferramentas de produtividade de escritório”, disse Wang. “O Gemini ainda é mais integrado.”

A OpenAI não teve atualizações na quinta-feira sobre a geração de imagens no GPT-5.2. Essa capacidade tem sido um diferencial fundamental para o Gemini do Google desde o lançamento de seu gerador de imagens, nano banana, em agosto, e Altman listou a melhoria da tecnologia como uma prioridade chave em seu memorando de código vermelho para os funcionários.

No entanto, em comparação com a versão anterior de seu modelo, o GPT-5.1, lançado em meados de novembro, o GPT-5.2 “representa um salto enorme” em uma variedade de tarefas de trabalhadores profissionais, disse aaron levie, ceo e cofundador da box. As tarefas que os trabalhadores do conhecimento comumente assumem incluem a criação de planilhas e apresentações de slides.

No domínio do trabalho no mundo real, a OpenAI disse que o GPT-5.2 venceu ou empatou com os principais profissionais do setor em 70,9% das tarefas de trabalho do conhecimento no GDPVAL, sua própria métrica para medir o trabalho do conhecimento em 44 ocupações. Essas ocupações incluem empregos em setores como manufatura, serviços profissionais, saúde e finanças, onde as pessoas frequentemente trabalham com planilhas e apresentações.

O acesso ao GPT-5.2 começou a ser liberado para usuários pagantes do ChatGPT  na quinta-feira.

A primeira versão do GPT-5, lançada em agosto, foi turbulenta e mostrou a luta da OpenAI para permanecer a líder indiscutível em ia. Na época, os usuários inundaram as mídias sociais com exemplos embaraçosos de como o chatbot falhou ao responder a perguntas simples de matemática ou desenhar com precisão um mapa da américa do norte.

Simo, da OpenAI, disse na teleconferência de quinta-feira que o lançamento do GPT-5.2 havia sido planejado por muitos meses e não deveria ser considerado parte de seu esforço de código vermelho.

“Código vermelho, apenas para colocar as coisas em perspectiva, isso não é algo incomum”, disse ela. “Tivemos um aumento de recursos focados no ChatGPT  em geral. Eu diria que isso ajuda no lançamento deste modelo, mas não é a razão pela qual ele está sendo lançado nesta semana em particular.”

Também na quinta-feira, a disney disse que investiria US$ 1 bilhão na OpenAI e licenciaria seus personagens para uso no ChatGPT e Sora.

A news corp, proprietária do The Wall Street Journal, tem uma parceria de licenciamento de conteúdo com a OpenAI.

Escreva para Belle Lin em belle.lin@wsj.com.

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Apple enfrenta maior debandada de executivos em décadas – e rivais se beneficiam

A Apple, por muito tempo um modelo de estabilidade no Vale do Silício, está passando por sua maior reestruturação de pessoas em décadas, com executivos seniores e engenheiros essenciais para os negócios deixando a companhia e migrando para concorrentes diretos, como Meta e OpenAI.

Só na última semana, os chefes de inteligência artificial e de design de interface pediram demissão. Em seguida, a empresa anunciou que sua diretora jurídica e o chefe de relações governamentais também estão saindo. Todos esses quatro executivos se reportavam diretamente ao CEO, Tim Cook, o que mostra a enorme rotatividade no alto escalão da companhia.

E mais mudanças podem vir. Johny Srouji, vice-presidente sênior de tecnologias de hardware e um dos executivos mais respeitados da empresa, disse recentemente a Cook que está seriamente considerando sair em um futuro próximo, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Srouji, arquiteto do prestigiado esforço da Apple de desenvolver chips próprios, já informou colegas de que pretende se juntar a outra empresa caso realmente saia.

Ao mesmo tempo, talentos da área de inteligência artificial têm migrado para rivais, e empresas como Meta e OpenAI, além de diversas outras startups, já contrataram muitos dos engenheiros da Apple. Isso ameaça atrasar o esforço da empresa para alcançar concorrentes em IA, área na qual historicamente teve dificuldades para se destacar.

Esse conjunto de saídas forma um dos períodos mais turbulentos da gestão de Cook. Embora o CEO não deva deixar o cargo tão cedo, a Apple agora precisa reconstruir suas equipes e descobrir como prosperar na era da IA.

Dentro da empresa, algumas das demissões geram preocupação profunda e Cook tenta evitar novas perdas oferecendo pacotes de remuneração mais robustos a funcionários importantes. Em outros casos, as saídas refletem executivos veteranos próximos da aposentadoria. Ainda assim, o volume de mudanças configura uma inquietante fuga de cérebros.

Embora Cook insista que a Apple está trabalhando em sua linha de produtos mais inovadora da história, que deve incluir iPhones e iPads dobráveis, óculos inteligentes e robôs, a empresa não lança uma nova categoria de produto verdadeiramente bem-sucedida há uma década. Isso a torna vulnerável a concorrentes mais ágeis e preparados para desenvolver a próxima geração de dispositivos centrados em IA.

Procurada, a Apple preferiu não comentar.

Saída do chefe de IA expõe tropeços da Apple no setor

A demissão do chefe de IA, John Giannandrea, ocorreu após vários fracassos em IA generativa. A plataforma Apple Intelligence sofreu atrasos e entregou recursos abaixo do esperado. Uma reformulação muito anunciada da assistente Siri está há cerca de um ano e meio atrasada. Além disso, o software dependerá fortemente de uma parceria com a Alphabet, dona do Google, para preencher lacunas de capacidade.

Diante disso, a Apple começou a afastar Giannandrea do cargo em março, mas permitiu que ele permaneça até a próxima primavera. Dentro da empresa, muitos já esperavam sua saída e alguns até se dizem surpresos de ele ainda estar lá. Demiti-lo mais cedo, porém, seria interpretado publicamente como admissão de problema, segundo fontes.

O veterano do design Alan Dye está deixando a Apple rumo ao Reality Labs da Meta, uma deserção notável para um dos maiores rivais da companhia.

No dia seguinte à notícia, a Apple anunciou que havia contratado uma executiva da própria Meta: Jennifer Newstead, diretora jurídica da empresa de redes sociais e que ocupará o mesmo cargo na rival. Ela ajudou a conduzir a batalha bem-sucedida da Meta contra a FTC, órgão antitruste dos EUA que processou a companhia por prática anticompetitivas, experiência valiosa diante da disputa legal da Apple com o Departamento de Justiça dos EUA pelo mesmo motivo.

Newstead substituirá Kate Adams, que ocupou o cargo por oito anos e se aposentará no fim de 2026. Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais, também está se aposentando e suas funções serão distribuídas entre outros executivos.

A saída de Adams causou impacto, especialmente dado o número de disputas legais que ela conduzia, mas seu tempo de serviço é considerado longo. A saída de Jackson, por sua vez, já era amplamente esperada.

Essas saídas vêm após outra ainda maior: Jeff Williams, braço direito de Cook e diretor de operações (COO) por uma década, aposentou-se no mês passado. Outro veterano, o diretor financeiro (CFO) Luca Maestri, assumiu um cargo menor no início de 2025 e deve se aposentar em breve.

Especulação sobre CEO cresce, mas saída não é iminente

Cook completou 65 anos no mês passado, aumentando especulações sobre sua aposentadoria. Pessoas próximas afirmam que ele não deve sair tão cedo, embora o planejamento sucessório exista há anos. John Ternus, chefe de engenharia de hardware, de 50 anos, é visto internamente como o principal candidato.

Quando Cook deixar o cargo, deve assumir a presidência do conselho e manter grande influência. Isso torna improvável que a Apple escolha um CEO externo, apesar de nomes como Tony Fadell, ex-Apple e criador do iPod, serem ventilados fora da empresa. Mas Fadell deixou a Apple há 15 anos em termos pouco amistosos.

Internamente, comenta-se também sobre questões envolvendo a saúde de Cook, como tremores nas mãos percebidos durante reuniões da empresa. Pessoas próximas garantem que ele está saudável.

Principal risco imediato: saída de Johny Srouji

Srouji é peça vital para a empresa por ser responsável pela arquitetura dos chips Apple Silicon, pilar do sucesso recente da Apple. Cook tenta retê-lo, oferecendo aumento substancial de salário e a possibilidade de ampliar seu papel. Uma hipótese discutida seria promovê-lo a diretor de tecnologia (CTO), tornando-o possivelmente o segundo nome mais poderoso da Apple.

Mas isso exigiria promover Ternus a CEO, passo para o qual a empresa talvez ainda não esteja pronta. E alguns afirmam que Srouji não gostaria de trabalhar sob outro CEO, mesmo com um título maior. Se Srouji sair, seus sucessores naturais seriam seus dois principais subordinados: Zongjian Chen ou Sribalan Santhanam.

As mudanças já vêm alterando a estrutura de poder. Mais autoridade está concentrada em quatro executivos: Ternus, Eddy Cue (serviços), Craig Federighi (software) e o novo COO, Sabih Khan. Os esforços de IA foram redistribuídos, com Federighi se tornando o chefe de IA na prática.

Equipes de IA, robótica e design são esvaziadas

O esvaziamento não se limita ao alto escalão da companhia. A Apple enfrenta uma fuga de talentos em engenharia. A ordem interna é reforçar contratação e retenção.

Robby Walker, responsável pela Siri e por um projeto de busca semelhante ao ChatGPT, saiu em outubro. Sua substituta, Ke Yang, deixou a empresa em poucas semanas e foi para o novo Superintelligence Labs da Meta.

Para preencher lacunas deixadas por Giannandrea, a Apple contratou Amar Subramanya, ex-Google e Microsoft, como vice-presidente de IA.

Mas houve um colapso mais amplo na organização de IA, intensificado pela saída do chefe de modelos de IA, Ruoming Pang. Ele e outros nomes de peso, como Tom Gunter e Frank Chu, foram para a Meta, que atrai talentos com pacotes de remuneração muito altos.

A equipe de robótica de IA também foi atingida, inclusive seu líder Jian Zhang, que igualmente foi para a Meta. Esse grupo trabalha em tecnologias para futuros produtos, como um robô de mesa e um robô móvel. A equipe de hardware do robô de mesa também perdeu talentos, alguns indo para a OpenAI.

A área de interface do usuário também sofreu baixas, culminando na saída de Dye, do design. Seu desejo era integrar IA mais profundamente aos produtos, algo que sentia que a Apple não estava acompanhando. Billy Sorrentino, outro líder dessa área, também foi para a Meta.

O grupo de design industrial da Apple, responsável pelo design físico dos produtos, praticamente se desfez na última meia década, com muitos profissionais seguindo Jony Ive para seu estúdio LoveFrom ou migrando para outras empresas.

Stephen Lemay substituirá Dye. Cook também está assumindo mais responsabilidade sobre design, função anteriormente de Jeff Williams.

Apesar do caos, há otimismo interno sobre Lemay, um designer veterano com 20 anos de casa.

OpenAI e Meta se beneficiam

Jony Ive agora trabalha com a OpenAI em novos dispositivos reforçados por IA. A OpenAI comprou a startup de Ive por mais de US$ 6 bilhões para acelerar seu esforço em hardware, mirando diretamente o território da Apple.

A OpenAI também contratou dezenas de engenheiros da Apple, incluindo profissionais de iPhone, Mac, câmeras, chips, áudio, Apple Watch e Vision Pro.

Houve outras perdas notáveis: Abidur Chowdhury, que narrou o lançamento do iPhone Air em setembro, saiu para uma startup de IA, uma surpresa interna. E a Apple perdeu o reitor da Apple University, programa criado para preservar sua cultura após a morte de Steve Jobs.

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OpenAI começa a transformar o ChatGPT num sistema operacional. Testamos

O ChatGPT está se transformando num sistema operacional, ou seja, num agente que controla outros aplicativos.

Na segunda-feira passada, a OpenAI lançou a integração entre o GPT e alguns apps. Isso significa que você agora pode usar outros aplicativos direto no Chat.

Agora, no início, são bem poucos, mas dá pra ter uma boa ideia de como a coisa funciona.

Vamos ver o caso do Spotify. Você pode pedir para o Chat montar uma playlist, na linha “faz uma só com músicas que tocaram na trilha sonora do filme tal”. Pronto.

Ele faz a Playlist e já joga dentro do Spotify. Na prática, você passa a interagir com outros apps da mesma forma como lida com o GPT: na base da conversa, como se estivesse falando com um amigo.

Neste episódio da sére IA:Modo de Usar, o jornalista Pedro Burgos mostra os detalhes.

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Sam Altman corre o mundo em busca de parceiros que sustentem o avanço da OpenAI

O CEO da OpenAI, Sam Altman, embarcou em uma campanha global para arrecadação de fundos, buscando financiamento e parceiros que possam ajudar a atender à demanda insaciável da startup por capacidade computacional.

Em uma tentativa de garantir suprimentos de longo prazo e de baixo custo para o impressionante plano de infraestrutura multitrilionário da OpenAI, Altman tem explorado alternativas de financiamento com parceiros da cadeia de suprimentos, disseram pessoas familiarizadas com suas reuniões.

Desde o final de setembro, o chefe do ChatGPT viajou para Taiwan, Coreia do Sul e Japão para acelerar a capacidade mundial de construção de chips de inteligência artificial. Ele se reuniu com empresas como a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC) e a Foxconn, bem como a Samsung e a SK Hynix, disseram as pessoas que acompanharam o assunto de perto.

Altman estava pressionando essas empresas, muitas das quais são fornecedoras da Nvidia, uma das maiores fabricantes de chips de IA do mundo, a aumentar a capacidade de produção e priorizar os pedidos da OpenAI, disseram pessoas que acompanharam o assunto.

Ele planeja visitar investidores nos Emirados Árabes Unidos para arrecadar fundos para financiar a expansão da infraestrutura e a pesquisa da OpenAI.

Desde a introdução do ChatGPT, a cadeia de suprimentos de computação tem enfrentado gargalos de fabricação para atender à crescente demanda global.

A TSMC produz chips para a Nvidia, enquanto a Foxconn monta os servidores com esses chips. A Samsung e a SK Hynix, da Coreia do Sul, fornecem chips de memória para ambos os sistemas.

OpenAI busca financiamento

A viagem de Altman lembra uma visita que ele fez no início de 2024, quando apresentou planos de infraestrutura com um valor exorbitante de até US$ 7 trilhões para as mesmas empresas e buscou financiamento dos Emirados Árabes Unidos.

Seu esforço anterior foi então rejeitado por alguns líderes do setor, que não o consideraram realista, dada a baixa receita gerada pelos serviços de IA na época. Logo após essa viagem, o CEO da TSMC, C.C. Wei, disse que Altman era “agressivo demais para se acreditar”.

Desta vez, ele está recebendo mais apoio.

Uma onda de confiança renovada na OpenAI veio de seu acordo de sucesso com a Nvidia, no qual a gigante dos chips concordou em alugar até cinco milhões de seus chips de IA para a fabricante do ChatGPT ao longo do tempo e investir até US$ 100 bilhões para viabilizar o projeto.

O anúncio ajudou a reforçar a visão de Altman para o poder computacional e elevou as ações de fornecedores de chips em todo o mundo.

Cerca de três anos após o lançamento do chatbot de IA, a OpenAI agora está avaliada em US$ 500 bilhões, em pé de igualdade com empresas corporativas globais como Netflix e Exxon Mobil.

Nos últimos dias, Altman se reuniu com líderes de tecnologia como Samsung e SK Hynix, bem como com a empresa japonesa de eletrônicos e indústria Hitachi. Os anúncios de suas parcerias impulsionaram as ações das três empresas, seguindo o mesmo padrão observado com os acordos nos EUA.

Altman contratou as duas empresas sul-coreanas como parceiras em chips de memória. Eles disseram que a demanda geral da OpenAI poderia chegar a até 900.000 wafers por mês, o que é mais que o dobro da capacidade global atual de memória de alta largura de banda. Eles planejam desenvolver data centers de IA em conjunto com a OpenAI na Coreia do Sul.

No Japão, a OpenAI e a Hitachi concordaram que o conglomerado japonês apoiaria a OpenAI no desenvolvimento de infraestrutura de IA, incluindo o fornecimento de equipamentos para transmissão e distribuição de energia para os data centers da startup americana. A OpenAI forneceria seus modelos e outras tecnologias para a Hitachi.

Altman manteve discussões com algumas das empresas sobre a fabricação e implantação dos futuros sistemas Rubin da Nvidia, disseram as pessoas familiarizadas com as viagens. A OpenAI estará entre os primeiros clientes a receber os sistemas Rubin no segundo semestre de 2026.

Durante sua parada no Oriente Médio, Altman planejou se reunir com os fundos de investimento MGX e Mubadala de Abu Dhabi, bem como com o parceiro operacional da OpenAI, G42, disseram pessoas familiarizadas com os planos. O potencial novo capital seria parcialmente usado para financiar o data center Stargate em Abu Dhabi, disseram as pessoas que acompanham o assunto.

Celular mostra a página do ChatGPT, que pertence à OpenAI
Foto: Adobe Stock Photo

A OpenAI informou a seus investidores e parceiros comerciais que provavelmente gastará cerca de US$ 16 bilhões em aluguel de servidores de computação este ano, e que o gasto poderá chegar a cerca de US$ 400 bilhões em 2029, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Na semana passada, a empresa reacendeu o entusiasmo global com seu modelo de geração de vídeo Sora 2. Participantes do setor esperam que tais modelos e aplicações aumentem a demanda por capacidade computacional de forma muito mais agressiva do que os modelos baseados em texto.

“Nossa visão é simples: queremos criar uma fábrica capaz de produzir um gigawatt de nova infraestrutura de IA por semana”, escreveu Altman em um blog recente.

No mês passado, a OpenAI e a Nvidia anunciaram que implantariam pelo menos 10 gigawatts dos sistemas de computação da Nvidia para que a OpenAI treinasse e executasse sua próxima geração de modelos. A OpenAI também anunciou cinco novos data centers nos EUA, construídos em parceria com a Oracle e o conglomerado de tecnologia japonês SoftBank.

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