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Mineradora canadense anuncia parceria com Japão para explorar terras raras no Brasil

A Aclara Resources, mineradora canadense, anunciou nesta terça-feira (8) um acordo para formar uma joint venture com a JOGMEC (Japan Organization for Metals and Energy Security) para explorar e desenvolver depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil. O Projeto Carina, em Goiás, ficará fora da parceria e continuará 100% controlado pela Aclara, segundo a companhia.

A JOGMEC é uma organização do governo japonês criada para reforçar a segurança do país no fornecimento de recursos minerais e energia considerados estratégicos. A entidade apoia projetos de exploração e desenvolvimento mineral por meio de financiamento, conhecimento técnico e compartilhamento de riscos, inclusive em parceria com empresas de mineração.

Pelos termos do acordo, a JOGMEC financiará integralmente até US$ 3 milhões (R$ 15,35 milhões) em gastos de exploração durante três anos. Sob determinadas condições, poderá aportar mais US$ 1,5 milhão (R$ 7,6 milhões), estendendo o período por mais um ano.

Após cumprir seus compromissos de financiamento, a JOGMEC terá a opção de adquirir uma participação de 30% em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

A entidade japonesa também terá o direito de comprar uma quantidade da produção equivalente à sua participação, acrescida de mais 10% da produção futura do empreendimento. A compra será realizada em condições comerciais de mercado.

Quem é a Aclara

A Aclara Resources é uma companhia listada na bolsa de Toronto que desenvolve projetos para extrair e processar terras raras, com foco nas chamadas terras raras pesadas. Esses minerais são utilizados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes empregados em motores elétricos, veículos elétricos e equipamentos tecnológicos.

A empresa trabalha com depósitos de argila iônica, um tipo de ocorrência mineral em que as terras raras ficam concentradas nas camadas de argila e podem ser extraídas por meio de processos químicos. O principal projeto da Aclara no Brasil é o Carina, localizado em Goiás. A companhia também desenvolve o Penco Module, na região de Biobío, no Chile.

Os dois projetos utilizam uma tecnologia própria da companhia, chamada Circular Mineral Harvesting, desenvolvida para a extração de terras raras de depósitos de argila iônica. Segundo a Aclara, o processo busca reduzir o consumo de água e o impacto ambiental por meio de reciclagem e princípios de economia circular.

A estratégia da Aclara vai além da extração do minério. A companhia busca controlar diferentes etapas da produção de terras raras e, por meio de uma subsidiária, desenvolve uma planta de separação nos Estados Unidos. A unidade deverá processar os carbonatos mistos produzidos a partir de seus projetos e separá-los em óxidos individuais de terras raras, uma etapa necessária para obter materiais mais refinados.

A companhia também mantém uma joint venture com a chilena CAP para desenvolver a produção de ligas de terras raras, que são utilizadas na fabricação de ímãs permanentes.Como funcionará a parceria

Durante o período inicial do acordo, a Aclara será responsável pela operação dos trabalhos de exploração. A JOGMEC poderá antecipar os aportes previstos no acordo, caso decida fazê-lo. Caso cumpra as condições estabelecidas, a entidade japonesa poderá exercer a opção de adquirir 30% de participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

Depois dessa etapa, os investimentos adicionais no projeto serão divididos entre os parceiros de acordo com suas respectivas participações.

A JOGMEC também poderá transferir sua participação e os direitos relacionados ao acordo para uma ou mais empresas japonesas ou para um consórcio do país, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas na joint venture.

Por que o Japão está interessado

A parceria faz parte de uma estratégia mais ampla do Japão para diversificar o fornecimento de minerais considerados estratégicos. A JOGMEC trabalha há décadas com empresas de exploração e mineração em diferentes países para identificar e desenvolver projetos de recursos minerais.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos como equipamentos eletrônicos, motores elétricos, sistemas de defesa e tecnologias ligadas à transição energética.

Dentro desse grupo, as terras raras pesadas têm importância estratégica por sua oferta mais restrita e por aplicações em ímãs permanentes de alto desempenho.

O acordo com a Aclara também cria uma possível rota de fornecimento para o Japão. Caso a exploração avance e o projeto entre em produção, a JOGMEC terá direito de comprar uma parcela da produção correspondente à sua participação, além de 10% adicionais, conforme as condições previstas no contrato.

Para a Aclara, a parceria permite financiar a exploração de novos projetos no Brasil e ampliar seu portfólio de terras raras pesadas. A companhia afirmou que a entrada da JOGMEC ocorreu após uma análise técnica de seu portfólio de exploração.

A empresa pretende ainda ampliar a exploração de novas áreas e desenvolver projetos existentes em suas concessões no Brasil, Chile e Peru, com o objetivo de aumentar a produção futura de terras raras pesadas.

Próximos passos

A participação de 30% da JOGMEC não é automática. A entidade japonesa terá primeiro de cumprir os compromissos de financiamento previstos no acordo para então exercer a opção de adquirir a participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

O projeto que será escolhido para a eventual participação da JOGMEC também não foi especificado no anúncio.

O acordo, portanto, prevê uma primeira fase de exploração financiada pela organização japonesa antes de uma eventual entrada como sócia do empreendimento.

As informações sobre investimentos futuros, aquisição de participação, exploração, produção e desenvolvimento dos projetos são consideradas prospectivas pela Aclara e estão sujeitas a riscos, incluindo mudanças na legislação de mineração, obtenção de licenças, custos de desenvolvimento e operação e os próprios riscos das atividades de mineração.

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Japão está perto de importar carne bovina brasileira, diz ministro

O Japão está muito perto de importar carne bovina do Brasil, em uma medida que representaria mais um golpe para as exportações americanas.

“Está avançando rapidamente”, disse o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Favaro, à Bloomberg News, na Malásia, na segunda-feira (27). “Algo que estava parado há mais de 25 anos está agora muito perto de acontecer. Faltam apenas alguns detalhes.”

“O Japão é formado por consumidores de alta renda, mas é muito exigente”, disse Favaro. Uma das exigências era que o Brasil fosse declarado livre de febre aftosa, certificação obtida no início deste ano.

Favaro afirmou que o Brasil está na fase final do protocolo sanitário e que “uma vez concluído, o mercado será aberto”, o que ele espera que aconteça até o final do ano.

Brasil vende, Japão compra

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, enquanto o Japão é um grande importador global que, até agora, depende principalmente do fornecimento dos EUA e da Austrália.

O acordo significa demanda adicional pela carne bovina brasileira, em um momento em que as vendas para os EUA caíram após as tarifas de 50% impostas pelo governo Trump.

Uma medida que permita a entrada de carne bovina brasileira no Japão também colocaria em risco os embarques rivais dos EUA, justamente em um momento em que os EUA enfrentam uma grave escassez de gado. Isso elevou os preços futuros do gado vivo a níveis sem precedentes neste ano e eliminou bilhões de dólares em lucros para os frigoríficos americanos.

Os comentários de Fávaro ocorrem após visitas de autoridades japonesas neste ano para inspecionar as condições dos animais no Brasil. O presidente Lula se envolveu diretamente nas negociações para acessar o mercado japonês em março, durante sua visita ao Japão. “O Brasil está pronto”, disse Lula na época.

“Seria ótimo para o Brasil, porque o Japão é um mercado premium — para o Japão é possível exportar cortes nobres de carne bovina”, disse Gilberto Tomazoni, CEO da fornecedora de carnes JBS, na segunda-feira, durante uma conferência em São Paulo.

Ainda assim, ele alertou que pode levar algum tempo até que as vendas para o Japão se recuperem, já que esse mercado demanda produtos de alta qualidade e normalmente leva tempo para construir essas relações comerciais.

Além disso, as negociações entre o Brasil e o Japão foram conduzidas sob o governo japonês anterior. Com o novo governo em Tóquio, o Brasil terá que retomar o diálogo.

Desde que Lula iniciou seu terceiro mandato em 2023, 466 novos mercados foram abertos para produtos brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura. Em entrevista coletiva em Kuala Lumpur nesta segunda-feira (27), Lula disse esperar que esse número chegue a 500 até o final de seu mandato, em 2026.

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