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Localiza propõe emissão de ações preferenciais resgatáveis e aumento de capital de R$ 2 bi

Depois da Axia (ex-Eletrobras), foi a vez da Localiza propor a emissão de um novo tipo de ação preferencial (PN) que dará direito ao recebimento de dividendos (como toda ação preferencial), mas que terá o mesmo direito das ações ordinárias e que poderão ser resgatadas a critério da empresa: as ações preferenciais resgatáveis.

Segundo documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste sábado (6), o conselho de administração da empresa convocou uma assembleia para 29 de dezembro para aprovar o tema junto aos acionistas.

As PNs resgatáveis têm as mesmas condições das ações ON, inclusive em relação ao direito a voto e ao tag along, mecanismo importante para proteção dos acionistas porque garante que os minoritários tenham o direito de vender seus papéis nas mesmas condições que os controladores no caso da venda do controle da empresa.

As ações PNs resgatáveis passaram a ser uma alternativa para as empresas gerarem valor aos investidores, dadas as mudanças a partir do ano que vem na cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos, a forma mais tradicional de distribuir lucros aos acionistas. Após 2026, os dividendos anunciados pelas empresas que ultrapassarem R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano) terão 10% de IR recolhido na fonte.

O mecanismo das PNs resgatáveis é uma alternativa porque empresas como a Localiza integram o Novo Mercado, segmento de maior governança corporativa de B3, que proíbe a emissão de papéis preferenciais exatamente para garantir iguais direitos a todos os acionistas. Diante disso, a Localiza informou que já pediu para a B3 a dispensa, em caráter excepcional, dessa obrigatoriedade. A bolsa ainda não se manifestou, de acordo com o comunicado.

Aumento de capital de R$ 2 bilhões

A criação das PNs resgatáveis ocorrerá no contexto de um aumento de capital de R$ 2,06 bilhões, feito sem aporte de novos recursos, usando parte da reserva de lucros da empresa. Isso significa que não haverá diluição dos acionistas: ninguém precisa colocar dinheiro novo e todos recebem as novas ações resgatáveis como bonificação, proporcionalmente ao que já possuem.

Esse tipo de operação é propícia em um momento de incerteza e mudança tributária porque o aumento de capital será feito com reservas da própria empresa ainda este ano – enquanto a isenção de IR ainda está valendo –, sem uso de caixa e distribuído gratuitamente aos acionistas.

Em termos simples, é um mecanismo de remuneração indireta aos investidores.

A Localiza entregará as PNs gratuitamente aos acionistas como bonificação na proporção de 1 PN para cada 26 ONs na data da assembleia. As PNs passarão a ser negociadas “ex-direito” (data a partir da qual o investidor perde o direito à bonificação) a partir de 30 de dezembro e os papéis serão creditados aos acionistas em 5 de janeiro de 2026.

Como a bonificação sempre ocorre em números inteiros, quem tiver um número de ONs que não seja múltiplo de 26 receberá frações de PNs. A Lei das S.A., que rege as empresas de capital aberto, prevê um procedimento específico para isso: abre-se um prazo de 30 dias para que os investidores possam negociar frações entre si e recompor ações inteiras; terminado esse período, as frações remanescentes são vendidas em bolsa e o valor da transação é distribuído proporcionalmente aos acionistas que tinham as frações.

Os acionistas que desejarem garantir o recebimento de 1 PN inteira poderão, a seu critério, ajustar suas posições no mercado para atingir múltiplos de 26 ONs.

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Apple, Microsoft, Amazon… 5 dos BDRs das 7 Magníficas estão no negativo em 2025

É um massacre. Enquanto o Ibovespa sobe 30% no ano, o grosso dos BDRs das sete companhias mais valiosas dos EUA amargam quedas. Em alguns casos, duras quedas. 

BDRs, vale lembrar, são “recibos” de ações gringas. Você negocia na B3 em reais, como se fossem papéis brasileiros. E eles refletem a variação das ações para valer, aquelas negociadas em Nova York.

Esses papéis também flutuam ao sabor do câmbio – já que ações americanas são precificadas em moeda americana, lógico. As quedas do dólar puxam os BDRs para baixo. E haja queda. No ano, as notas verdes cedem 15,5%. E o cenário que temos é o seguinte: 

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O tombo da moeda americana cria distorções interessantes. A Alphabet vai bem, obrigado – até a Berkshire, que não tem comprado quase nada, fez uma fezinha de US$ 5 bilhões na dona do Google. A alta, na bolsa americana, é de 50,1% ano ano. Em reais, porém, a alta se restringe a 26,4%. 

A Nvidia, rainha da IA, também segue testando limites, você sabe. Em julho, virou a primeira empresa a romper a barreira dos US$ 4 trilhões em valor de mercado. No final de outubro, inaugurou o patamar dos US$ 5 trilhões. Desde lá, Nvidia cai 12% (US$ 600 bilhões) – e o termo “bolha da IA” entrou de vez para o léxico popular do planeta. Mesmo assim, ela ainda sobe 35% no ano. Em reais, perém, a alta é menos gráfica: 14,5%.

E daí para baixo é todo mundo debaixo d’água: Microsoft (-0,8%), Apple (-8%), Meta (-13,8%) Amazon (-14,1%), Tesla (-17,2%). 

Mas o dólar não é o único vilão, claro. À parte a Microsoft, que sobe razoáveis 17,1% em sua moeda natal, o cenário é modorrento, com Apple abaixo dos 10%; e Amazon, Meta e Tesla praticamente no zero a zero. Aqui:

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Não é novidade: tem crescido entre investidores a percepção de que a bolsa americana está cara. E na letra fria dos dados está mesmo.

Sabe-se se uma bolsa está cara quando você olha o P/L (preço sobre lucro). Você soma o valor de mercado de todas as empresas do índice e divide pelo lucro que elas deram nos últimos 12 meses.

Se essa divisão dá 10, por exemplo, significa que as empresas valem, na média, 10 anos do lucro que elas propiciam hoje. Quanto dá o do S&P 500? 27,6. É mais do que a média dos últimos 10 anos, 22,8. E bem mais do que série de longo prazo (desde 1950), de 19. 

No Brasil é o contrário. P/L de 8,6, contra uma média maior, de 10,5, para os últimos 20 anos.

Em outros países emergentes, a situação é parecida. E tal como o Brasil eles têm recebido mais dinheiro de fora. Tanto dinheiro que as bolsas de alguns países latino americanos estão até mais exuberantes do que a nossa no ano: 

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Mas o fato é que os movimentos de mercado e de câmbio se retroalimentam. Quando cresce o fluxo de dólares para as bolsas dos emergentes, aumenta a oferta de dólares nesses países. E a moeda americana desvaloriza. É justamente o que está acontecendo: 

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Seja como for, a negociação de BDRs é relativamente pequena na B3. Um levantamento da Quantum Finance mostra que as Mag 7 movimentam algo entre 100 mil e 200 mil negócios por dia. Trata-se de um patamar equivalente ao de empresas brasileiras menos expressivas, que ficam de fora do ranking das 100 mais negociadas.

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Justiça decreta falência da Oi e mantém operação provisória de serviços essenciais

A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta segunda-feira (10) a falência do Grupo Oi, pondo fim à segunda tentativa de recuperação judicial da ex-“campeã nacional” das telecomunicações. A notícia fez as ações da Oi, já com pouca liquidez, despencarem 35%, para R$ 0,18.

A decisão, assinada pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial da Capital, atinge a Oi, Portugal Telecom International Finance (PTIF) e Oi Brasil Holdings Coöperatief U.A., e reconhece a situação de “insolvência técnica e patrimonial” do grupo.

O pedido partiu do próprio gestor judicial da companhia, o advogado Bruno Galvão Souza Pinto de Rezende, que na sexta-feira já havia solicitado o reconhecimento do estado de insolvência. A própria Oi admitiu, nos autos, que não tinha mais condições de cumprir o plano aprovado em seu segundo processo de recuperação judicial, nem de gerar fluxo de caixa suficiente para honrar todas as dívidas.

Em outubro, a dívida com fornecedores não sujeitos à recuperação chegou a cerca de R$ 1,7 bilhão, acima dos R$ 1,5 bilhão informados inicialmente e muito distante da receita mensal em torno de R$ 200 milhões que a companhia tem hoje. O gestor, então, classificou o cenário como insustentável.

Na decisão, a juíza afirma que “não há mais surpresas quanto ao estado do Grupo em recuperação judicial. A Oi é tecnicamente falida”. Segundo ela, a empresa descumpriu obrigações previstas no plano de recuperação homologado em 2024 e também deixou de pagar dívidas extraconcursais, enquadrando-se nas hipóteses do artigo 73, incisos IV e VI, da Lei 11.101/2005, que tratam do descumprimento do plano e da “liquidação substancial” por esvaziamento patrimonial em prejuízo de credores.

A magistrada critica o “aditamento” ao plano apresentado pela Oi neste ano, usado pela companhia como justificativa para interromper pagamentos. Ela observa que a proposta continha cláusulas ilegais apontadas pelo Ministério Público e, mesmo se viesse a ser aprovada, não teria capacidade de reverter a situação de insolvência.

Paralelamente, a empresa buscou um Chapter 11 nos Estados Unidos para repactuar dívidas extraconcursais e liberar garantias, numa estratégia que a juíza descreve como contrária à legislação brasileira e que, na prática, prolongou artificialmente a vida de uma companhia já inviável.

As operações da Oi continuarão provisoriamente para garantir a manutenção dos serviços essenciais e a liquidação ordenada dos ativos da companhia. A Oi oferece serviços integrados de telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura. Ela tinha cerca de R$ 35 bilhões (US$ 6,6 bilhões) em dívida bruta no segundo trimestre, de acordo com seu balanço.

O despacho também traz um diagnóstico duro sobre o modelo de negócios que restou da antiga supertele. De acordo com os relatórios da administração judicial e do observador do juízo, a Oi passou a depender quase exclusivamente da venda e da oneração de ativos, além da contratação de novos empréstimos, para se manter em funcionamento. “Não houve um momento sequer em que a atividade empresarial se mostrasse bastante para mantê-la”, registra a juíza, que conclui que já não há mais “empreendedorismo, criação de empregos, função social”, mas um “arremedo de empresa” utilizado como subterfúgio para a dilapidação de um patrimônio que já foi vasto.

A saga financeira da Oi

Os problemas da companhia se estendem por mais de uma década, começando com seu pedido de recuperação judicial de então R$ 65 bilhões — um recorde à época — em 2016, em um tribunal do Rio de Janeiro. Aquele pedido, vindo da então quarta maior operadora de telefonia móvel do Brasil, causou choques no sistema financeiro, que já estava sob pressão devido a uma recessão profunda que vinha afetando empresas em todo o país.

Com cerca de metade de sua dívida nas mãos de credores internacionais, o processo envolveu a criação de dois grupos de bonistas opositores, com nomes como Aurelius Capital Management e GoldenTree Asset Management, além de credores como o China Development Bank. O processo também acionou pagamentos de cerca de US$ 14 bilhões em contratos de swap de crédito (credit default swaps).

Seu primeiro processo de recuperação judicial foi concluído em dezembro de 2022. Apenas alguns meses depois, a Oi voltou a pedir proteção contra credores para evitar um cross default e o vencimento antecipado de suas obrigações, à medida que continuava a enfrentar dívida crescente e queima persistente de caixa. Outros fatores, na época, incluíam um súbito aumento das taxas de juros no Brasil e a perda contínua de clientes de telefonia fixa ao longo dos últimos anos.

Vendas de ações da Oi se intensificam à medida que problemas financeiros se agravam
Em ambos os pedidos feitos no Brasil, a Oi adotou medidas semelhantes nos Estados Unidos, onde entrou com pedido de Chapter 15, um processo auxiliar em que o tribunal americano reconhece o procedimento estrangeiro e lhe confere efeitos conforme a lei local aplicável.

Mas as tensões aumentaram em julho passado, depois que a Oi pediu o encerramento desse processo, afirmando em um documento que ainda estudava opções, que poderiam incluir o pedido de recuperação sob o Chapter 11 do Código de Falências dos EUA.

A ideia era que a Oi tentasse acessar até US$ 70 milhões em novo financiamento DIP (debtor-in-possession), após já ter recebido aprovação para US$ 400 milhões em dezembro de 2023.

Mas um fornecedor apoiado por fundos geridos pelo Banco BTG Pactual contestou a possibilidade de a Oi buscar proteção sob o Chapter 11, argumentando que a legislação brasileira proíbe que uma empresa recorra à proteção judicial contra credores mais de uma vez em um período de cinco anos. O debate jurídico girava em torno do que o tribunal confirmou ser uma tentativa inédita de conduzir processos de falência no Brasil e nos EUA sem que um tivesse prioridade sobre o outro.

Um tribunal americano havia sugerido que a Oi entrasse em um processo de mediação com o fornecedor no Brasil. Enquanto isso, um juiz brasileiro, no fim de agosto, recomendou que o tribunal dos EUA aguardasse uma decisão local antes de decidir se cancelaria ou não o Chapter 15. A Bloomberg News informou em agosto que a companhia buscaria o Chapter 11 assim que o processo de Chapter 15 fosse encerrado.

Próximos passos

Em seu texto, a juíza afirma que o quadro atual do Grupo Oi se aproxima da doutrina de “deepening insolvency”, abrindo espaço para eventual responsabilização de administradores e controladores por danos causados com o prolongamento da crise.

Apesar da decretação da falência, a sentença preserva, em caráter provisório, a operação da Oi Soluções e de estruturas associadas, como Serede e Tahto. Essas unidades concentram cerca de 4,6 mil contratos com órgãos públicos e 10 mil contratos com empresas privadas, responsáveis por serviços de dados, voz, IoT e infraestrutura de telecomunicações em todo o país.

Entre os clientes estão sistemas críticos, como as comunicações do CINDACTA (em transição para a Claro), conectividade de agências bancárias e lotéricas da Caixa, ministérios, universidades, Judiciário e telefones públicos em milhares de localidades onde a Oi é a única prestadora.

Com base em parecer da gestão judicial, a juíza entende que “a manutenção dos serviços de conectividade em processo de transição pode ser garantida de forma eficiente e integral, em um modelo de continuação provisória das atividades”, usando o caixa operacional mensal da companhia, enquanto o passivo concursal e extraconcursal é levado para a relação de credores a ser tratada na liquidação.

A mesma decisão confirma Bruno Rezende como administrador e gestor judicial único da massa falida, concentrando nele a condução tanto da liquidação quanto da operação provisória dos serviços essenciais. A Oi já vinha sendo administrada pelo interventor e por um comitê de transição, depois que sua diretoria e seu conselho de administração foram afastados por decisão judicial em setembro.

O plano inicial, segundo o relatório do gestor, é organizar uma liquidação “ordenada”, com a alienação da unidade produtiva que concentra esses contratos estratégicos – o que ajudaria a preservar empregos, assegurar continuidade dos serviços e, ao mesmo tempo, maximizar o valor de ativos em benefício dos credores, com destaque para a prioridade de pagamento aos trabalhadores.

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Oi aponta possível insolvência e pede continuidade provisória da operação

Outrora maior companhia de telecomunicações brasileira, a Oi informou nesta sexta-feira (7) que, devido a uma decisão judicial da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, o grupo pode estar em estado de insolvência. Em outras palavras, a companhia está reconhecendo que seu patrimônio total é insuficiente para arcar com suas obrigações previstas no processo de recuperação judicial em vigor.

Segundo a Oi, o gestor judicial, Bruno Rezende, propõe que as atividades do grupo continuem provisoriamente até a transferência completa dos serviços atualmente sob a responsabilidade da empresa. Essa medida tem como intuito manter a estrutura operacional para garantir a execução dos serviços até que a transição seja concluída. A companhia está em processo de recuperação judicial desde março de 2023, após escapar de uma primeira RJ iniciada em 2016.

A telecom enfrenta há anos um cenário de crise financeira. A companhia terminou 2024 com uma dívida bruta (valor de face) de R$ 37,5 bilhões. Em crise desde 2016, a empresa vendeu ativos como sua rede móvel e infraestrutura de fibra óptica para focar na operação de internet de alta velocidade.

Mesmo assim, em agosto de 2025, a Oi teve sua participação na V.tal reduzida para 27,26% após a emissão de novas ações da subsidiária, impactando sua estratégia de reestruturação em meio a um cenário financeiro desafiador.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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Investidores apostam forte que essas 8 ações vão cair. Mas o tiro pode sair pela culatra. Entenda

“Vender a pele do urso antes de caçar o urso”. É por causa dessa frase da Europa medieval chamam um mercado em queda de bear (o bull, para os momentos de alta, veio depois, como uma contraposição zoológica).

A frase medieval diz respeito a vender algo que você não possui. “Venda a descoberto”. E isso existe no mercado de ações praticamente desde o Dia 1, lá no século 17. Quem aposta que uma ação tal vai despencar faz venda a descoberto. Se a queda acontecer mesmo, você, apostador, ganha dinheiro.

Como vender algo que você não tem? Você aluga de quem tem e vende. Quando o preço cai, você compra de volta no mercado, devolve para o dono, e embolsa a diferença. Você faz dinheiro a partir do nada.

Isso é impossível no mercado de apartamentos ou de carros, claro. Na verdade, em qualquer mercado. Menos um: no mercado financeiro. Esse é o único no qual a modalidade de alugar coisas para vender faz parte do jogo. Para saber quais são as ações mais vendidas a descoberto, então, é só olhar para a lista das ações mais alugadas. Existem alguns outros critérios adicionais, mas o ponto de partida é esse.

Se você não é familiarizado com a mecânica da venda a descoberto, o intertítulo ali embaixo explica tudo direitinho. De outra forma, pode seguir por aqui mesmo.

A Quantum Finance fez um levantamento a pedido do InvestNews, com base no fechamento de mercado de de 31 de outubro. Ela detectou que oito empresas da B3 estavam com mais mais de 15% de suas ações em circulação (o free float) alugadas no dia 31 de outubro.

Trata-se de um nível particularmente alto, que mostra a existência de muitas apostas na queda de cada um desses papeis. Eis a lista:

Ação% do free float alugado
Gol63,1%
MBRF (antiga Marfrig)34,8%
Auren23,9%
Vamos18,3%
Casas Bahia18,1%
Ambipar15,7%
Intelbras15,7%
Simpar15,5%
Fonte: Quantum Finance.

As ações aqui contam histórias diferentes entre si, vale ressaltar.

A Gol, por exemplo, concluiu um processo de recuperação judicial nos EUA em junho deste ano e está prestes a sair da bolsa. O free float está em menos de 1%, abaixo do mínimo exigido pela bolsa. Ou seja, um grupo minúsculo de investidores está com esses papéis nas mãos. Quaisquer posições vendidas são suficientes para explicar esse número tão grande.

O caso da Ambipar também é único. Nunca é demais relembrar a total quebra de confiança do mercado com a empresa desde que ela pediu proteção contra credores por problemas financeiros deflagrados por operações de derivativos.

O free float da Ambipar é de 33%. Até o começo de setembro, antes de pedir proteção contra os credores, a ação chegou a subir 17%. Desde então, foi escada abaixo: a companhia entrou em recuperação judicial e o papel, que chegou a custar R$ 14, vale centavos hoje. Com uma queda desse tamanho, há quem se aventure para ganhar um pouco mais com movimentos de curto prazo. Pura especulação.

A MBRF já tem outra situação. Nesse caso, o motivo para tanta gente esperar uma queda dela são as incertezas envolvendo a fusão das empresas que deram origem a ela: a Marfrig e a BRF. A combinação dos negócios foi em maio e o papel só caiu desde então. A baixa chegou a 10%. A promessa da empresa é “sinergia e eficiência”. Para os investidores, porém, não ficou claro de onde isso virá. E incerteza também tem um preço – apostar na queda da ação, por exemplo.

Como funciona

Vamos dizer que uma ação esteja valendo R$ 10 e você acredita que ela vai cair mais. Então parte para uma venda a descoberto. Você aluga 10 mil ações no mercado – pagando uma pequena taxa por esse empréstimo – e vende tudo, na hora. Você embolsa R$ 100 mil.

Vamos dizer que o plano deu certo: o papel caiu para R$ 8. Você recompra as 10 mil ações por R$ 80 mil, devolve ao dono e fica com a diferença. Descontando o custo do aluguel, algo como R$ 800 se você ficar um mês com as ações, no nosso exemplo, o lucro será de R$ 19,2 mil.

Para efeitos práticos, você transforma R$ 800 (a taxa de aluguel) em R$ 19,2 mil. Lucro de 2.300%. É por abrir esse tipo de possibilidade que o mercado de venda a descoberto segue pujante há 4 séculos.

Mas essa moeda tem um outro lado, lógico.

Se os ventos do mercado sopram na direção contrária e o papel sobe para R$ 12, você precisa recomprar por R$ 120 mil para devolver o papel. Prejuízo de R$ 20 mil, mais a taxa de aluguel.

Agora imagine vários investidores na mesma situação. Conforme o preço sobe, muitos tentam recomprar as ações ao mesmo tempo para limitar o prejuízo. Essa corrida só faz o preço subir ainda mais. A cada nova alta, a pressão aumenta.

Mais. O próprio mercado percebe que, num caso como esse, a massa de vendidos garante demanda para as ações. Aí mais gente começa começa a comprar, jogando os preços ainda mais para cima. E o que temos aí é um short squeeze – quando o mercado “espreme” (squeeze) quem fez a venda a descoberto (o short sell).

O caso mais célebre de short squeeze dos últimos anos aconteceu nos EUA, em janeiro de 2021. Ele fez com que as ações de uma loja de games, a Game Stop, subisse 2.700% em um mês.

O fato de muita gente apostar na queda de uma ação não significa necessariamente que o investimento nela seja ruim. Papéis entram e saem dessas listas, que têm caráter meramente especulativo. Tampouco há qualquer garantia de que possa vir um short squeeze. Aqui, estamos mais no terreno das apostas do que dos investimentos. Por mais que esse jogo aconteça dentro das bolsas de valores.

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No embalo do otimismo global, Ibovespa marca novo recorde

O Ibovespa renovou o recorde de pontos dentro da sessão desta segunda-feira (27). Após a sinalização de que começa a ser encaminhado um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, os investidores voltaram a deixar uma parte do conservadorismo de lado e a buscar mais retornos em mercados considerados mais arriscados, como o Brasil.

A melhora nos conflitos comerciais é positiva porque retira incertezas do horizonte e abre perspectivas mais otimistas para a economia global. Com isso em vista, o Ibovespa renovou o recorde intradiário (dentro da sessão) em 147.976 pontos.

Perto das 14h50, o principal índice da B3 subia 0,50%, aos 146.904 pontos. Se fechar nesse nível, o indicador quebrará o recorde de fechamento pela oitava vez em 2025.

O movimento de alta se espalha pelas bolsas de todo o mundo. Os mercados emergentes, no geral, são os que mais têm se beneficiado da trégua nas inúmeras frentes da guerra de tarifas promovida pelo governo americano. O índice MSCI Emerging Markets, que acompanha a variação de um portfólio com 1,2 mil empresas de 24 países emergentes, tem avanço de 1,35%.

Em outras praças, o desempenho também é positivo. O S&P/BMV IPC, do México, sobe 1,17%, enquanto S&P CLX IPSA, do Chile, avança 0,36%. Na Ásia, o mercado também já antecipava o movimento positivo pelo mundo – o Hang Seng, de Hong Kong, por exemplo, subiu 1,05%.

No domingo (26), os principais negociadores comerciais das superpotências econômicas disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso prepara o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um entendimento concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

Entre as economias latino-americanas, a Argentina vive nesta segunda-feira uma situação particular. A vitória quase inesperada do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de meio de mandato no domingo (26) deu ao mandatário um novo impulso em sua busca de reformas.

A vitória tirou do radar dos investidores uma das maiores incertezas políticas recentes no país: a de que a agenda liberal do governo fosse barrada por um Congresso de maioria oposicionista. Como resultado, o S&P Merval, principal índice da bolsa argentina, dispara 20,50%. O peso argentino sobe 4,62% em relação ao dólar, para 1.412,45 pesos por unidade da moeda americana – movimento de destaque entre as divisas globais.

No Brasil, os investidores também se apoiam na avaliação positiva sobre o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A conversa marcou a primeira reunião oficial entre os dois governantes desde o início da atual crise diplomática. A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países.

No mercado de câmbio, o dólar vive um dia de fraqueza frente a outras divisas. O Índice Dólar (DXY), que acompanha a variação da moeda americana na comparação com as seis principais moedas do comércio internacional, recua 0,07%, para 98,88 pontos. Frente ao real, a queda é de 0,27%, cotada a R$ 5,3720; ante o peso mexicano, a baixa é de 0,23% e, contra o yuan, o recuo é de 0,15%.

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‘Regime Fácil’: B3 abre caminho para pequenas empresas acessarem mercado de capitais

A B3 deu um novo passo no trabalho de estimular que as companhias de menor porte acessem o mercado de capitais: a implementação do Regime Fácil (Facilitação do Acesso a Capital e de Incentivos a Listagens), iniciativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em parceria com a bolsa que facilita regras para pequenas e médias companhias abrirem capital.

O regime admite a listagem de ações e títulos de dívida – como debêntures e notas comerciais – e é voltado a empresas com faturamento bruto anual de até R$ 500 milhões. Para participar, a companhia deve ser uma sociedade anônima, ter conselho de administração e cumprir um arcabouço mínimo, como ter um formulário de referência mais simples, chamado de “formulário Fácil”.

As demonstrações financeiras devem ser auditadas, mas a empresa pode optar por uma divulgação somente anual e semestral, sem revisão trimestral, o que reduz custos.

A CVM lançou a consulta pública para instituir o Regime Fácil em 2024 e publicou as resoluções sobre o tema em julho deste ano. A iniciativa começa a vigorar a partir de 2 de janeiro de 2026, quando as companhias já poderão chegar ao mercado. O registro de companhia aberta também pode ser automático: em vez de dois pedidos, para a CVM e B3, a empresa ingressa pela bolsa e é automaticamente reconhecida pela autarquia.

A iniciativa acontece em um momento de seca prolongada de IPOs, as ofertas iniciais de ações. Para facilitar a chegada das empresas de menor porte, as ofertas serão flexíveis. É possível seguir um modelo semelhante ao IPO, com coordenador e colocação para investidores institucionais e pessoas físicas, ou com dispensas e alocação para um único investidor profissional ou grupo pequeno, com oferta direta, procedimento especial criado para o regime. No rito simplificado, há limite de captação de R$ 300 milhões por ano.

Os títulos serão negociados no mesmo ambiente da B3, com visibilidade e acesso para todo o público, incluindo investidores de varejo. Para identificação, o nome de pregão das companhias terá um sufixo que sinaliza adesão ao Regime Fácil.

A B3, no passado, já havia realizado uma iniciativa com o mesmo modelo, o Bovespa Mais. Segundo Flavia Mouta, diretora de Emissores e Relacionamento da B3, o que muda agora é que o mercado está mais maduro para receber uma iniciativa desse modelo. “É uma tentativa que parece mais adequada ao cenário atual”, diz.

Diversas empresas na bolsa já podem, pelo seu porte, participar do novo programa. A migração para o Regime Fácil pode ser proposta pela companhia, mas deve ser aprovada em assembleia de acionistas. A migração traz dispensas regulatórias, mas sujeita a empresa ao limite de oferta.

Até aqui, segundo Mouta, a procura por migração foi reduzida, mas diversas conversas com empresas estão em curso para “destravar” operações no ano que vem. Ela afirma que, pelas conversas, a procura no segmento de renda fixa está mais aquecida do que para ações, mas não citou nomes e nem números de companhias interessadas.

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Um grande ano para as ações dos EUA? Nem tanto, comparado ao resto do mundo

Confira o ranking dos índices de ações com melhor desempenho neste ano — e os Estados Unidos não aparecem nem no Top 10. Nem no Top 25. Dobre essa lista, e o S&P 500 ainda estará ausente. É preciso chegar até a 66ª posição para o índice mais valioso do mundo aparecer — atrás até do Athex, da Grécia, e do TA-35, de Israel. É uma das piores performances relativas desde a crise financeira global.

A subperformance é ainda mais surpreendente considerando a alta de 11% do S&P 500 em 2025, com múltiplos recordes históricos. Mesmo assim, o índice americano fica atrás de outros mercados desenvolvidos, como o DAX da Alemanha e o Nikkei 225 do Japão, e também de índices da Coreia do Sul, Espanha e Gana, quando medidos em dólares.

Dólar cai e impulsiona bolsas estrangeiras

Esse último detalhe é crucial — embora não determinante. O dólar caiu 7,3% neste ano, o que ajudou a inflar os retornos de bolsas estrangeiras em termos de dólar. Esse é o principal fator por trás de ganhos de pelo menos 39% em países como Colômbia e Marrocos.

Mas mesmo em moeda local, o S&P 500 ocupa apenas a 57ª posição, um desempenho pouco condizente com um índice que abriga as seis empresas mais valiosas do mundo, além de gigantes como Coca-Cola, McDonald’s e Walt Disney.

Participantes do mercado afirmam que a fraqueza reflete também uma mudança de mentalidade entre investidores estrangeiros, que passaram a mirar “campeões domésticos” à medida que o presidente Donald Trump intensifica sua guerra comercial global. As tensões aumentaram na sexta-feira, quando ele renovou ameaças de tarifas à China. Mesmo dentro dos EUA, investidores estão sendo mais seletivos, focando em big techs em vez de índices amplos.

Some-se a isso uma crescente preocupação com a estabilidade política e fiscal do país. O pacote de gastos e cortes de impostos de Trump deve ampliar o déficit. O governo está paralisado desde o início de outubro, o presidente tem ameaçado a independência do banco central e as decisões de investimento público tornaram-se menos técnicas e mais políticas.

Esses fatores abalaram a confiança na economia americana, enfraqueceram o dólar e impulsionaram uma disparada no preço do ouro. Embora os rendimentos dos Treasuries de longo prazo não tenham subido na mesma proporção, permanecem elevados em relação aos últimos anos.

A deterioração fiscal dos EUA e a crescente incerteza política estão corroendo a confiança dos investidores, enfraquecendo o dólar e levando à busca por oportunidades fora do mercado americano, disse Jasmine Duan, estrategista sênior do RBC Wealth Management Asia.

Naturalmente, analistas há anos preveem uma rotação das ações dos EUA para o resto do mundo — previsões que raramente se concretizam. A recente queda do dólar desacelerou nas últimas semanas, à medida que tensões políticas aumentam em países como França, Japão e Argentina.

E embora o S&P 500 esteja bem atrás dos três líderes — Gana, Zâmbia e Grécia, todos com altas de pelo menos 61% — sua valorização de 11% em 2025 criou cerca de US$ 6 trilhões em valor de mercado, o equivalente a mais de um terço de toda a capitalização do índice europeu Stoxx 600.

Os EUA também vêm de dois anos consecutivos de ganhos acima de 20%, superando com folga índices como o Euro Stoxx 50 e o Nikkei 225. Considerando o período de 2022 a 2024, o S&P 500 ocupava o 10º lugar global em desempenho.

Europa e Ásia ganham espaço

Ainda assim, há razões claras para o avanço das bolsas fora dos EUA. As taxas de juros na Europa estão pela metade das americanas, o que garante financiamento mais barato às empresas. Além disso, as companhias negociam a valuations cerca de 35% menores que as dos EUA.

Na Alemanha, a Rheinmetall AG mais que triplicou de valor, impulsionando o DAX a uma alta de 22%, após o governo prometer mais gastos em defesa. Bancos europeus, antes defasados, foram revitalizados — o Banco Santander, na Espanha, quase dobrou de valor.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi subiu 50% no ano, à medida que investidores apostam que a nova política de incentivo a acionistas aumentará retornos. O país, destaque na fabricação de chips, tem campeões nacionais em inteligência artificial — como Samsung Electronics e SK Hynix, que se valorizaram após fechar acordos de fornecimento com a OpenAI.

A Ásia tem sido uma ótima plataforma de diversificação de portfólio e de busca por alfa dentro das classes de ativos, afirmou Sophie Huynh, gestora da BNP Paribas Asset Management.

No Japão, a expectativa de um novo premiê com postura pró-estímulo levou o mercado a recordes históricos. As ações da SoftBank Group dispararam 142%, puxando o Nikkei 225. Fabricantes de equipamentos de defesa, como Mitsubishi Heavy Industries e Japan Steel Works, também subiram com o otimismo sobre novos gastos públicos.

Gestores globais voltaram à China após anos de aversão, atraídos pelos avanços em alta tecnologia. Os planos da Alibaba para investir mais em IA e a ambição da Huawei de desafiar a Nvidia ajudaram as ações chinesas a registrar sua melhor sequência mensal desde 2018. O índice Hang Seng Tech acumula alta de 40% no ano — mais que o dobro do Nasdaq 100.

A forte recuperação do S&P 500 desde abril elevou as avaliações a níveis que preocupam e incentivam a diversificação. O índice negocia a 22 vezes o lucro projetado, um prêmio de 46% em relação ao resto do mundo. É também notoriamente concentrado: as gigantes de tecnologia e empresas correlatas respondem por mais de um terço do peso total.

Uma valorização de 53% desde o fim de 2022 deixou investidores estrangeiros superexpostos aos EUA.

Os investidores deveriam reequilibrar suas carteiras, realizando lucros nos EUA e aumentando a exposição à Europa, Ásia e emergentes, disse Kristina Hooper, estrategista-chefe da Man Group, o maior hedge fund listado em bolsa do mundo. Os EUA continuarão atrás dos outros mercados.

Por ora, os estrangeiros seguem comprando ações americanas em ritmo recorde, conforme o medo de recessão diminui. Isso faz sentido, já que as grandes protagonistas da febre da IA — como a Nvidia — estão sediadas lá.

Mas muitos estão redirecionando recursos. Uma pesquisa do Bank of America mostrou que, em setembro, investidores globais estavam com posição líquida 14% abaixo do peso médio em ações dos EUA, enquanto estavam 15% acima na zona do euro e 27% acima em emergentes.

Há também sinais de que os estrangeiros estão mais seletivos — e não é difícil entender por quê: apenas seis ações responderam por mais da metade dos ganhos do S&P 500 neste ano. Um índice alternativo, que elimina o viés de capitalização, sobe apenas 5,6% em 2025.

Os últimos dois anos foram apenas sobre os EUA, porque os lucros das techs dispararam enquanto o resto do mundo andava de lado, disse Beata Manthey, chefe de estratégia de ações globais do Citigroup. Neste ano, a diferença entre o trade de IA e o resto do mundo diminuiu — e vai diminuir ainda mais em 2026. Há muito mais temas para escolher agora.

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