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Brasil 🇧🇷 é o terceiro emoji que mais cresceu no mundo – e a explicação não é o futebol

O Brasil apareceu em um lugar improvável entre os símbolos que mais ganharam espaço na internet global em 2025: o teclado do celular. A bandeira brasileira 🇧🇷 saltou 65 posições no ranking dos emojis mais usados no mundo e teve o terceiro maior crescimento do ano.

A explicação encontrada pelo New York Times não passou por futebol ou Carnaval, temas historicamente associados ao país, mas pela cultura gamer. O movimento parece pequeno diante do tamanho da internet, mas 185 milhões de brasileiros estão conectados, e algumas das principais plataformas digitais alcançam individualmente mais de 100 milhões de pessoas no país.

No WhatsApp, no TikTok, no YouTube e até no Reddit, o Brasil aparece com destaque não só pelo tamanho da audiência mas por comportamentos que destoam de outros mercados.

Isso ajuda a explicar por que empresas globais olham cada vez mais para o país para além do rótulo de grande mercado consumidor.

Bandeira do Brasil em alta

A bandeira brasileira 🇧🇷 terminou 2025 na 122ª posição entre os emojis mais usados no mundo, segundo levantamento citado pelo jornal americano. Um ano antes, ocupava o 187º lugar. Foram 65 posições de avanço, com alta de 70% em sua participação no total de emojis utilizados.

Entre os emojis com participação mínima de 0,1% analisados pelo New York Times, somente a flor murcha 🥀, com crescimento de 190%, e o coração feito com os dedos 🫰, com 109%, avançaram mais. A bandeira dos Estados Unidos, para fins de comparação, caiu 47 posições.

Levantamento New York Times/Divulgação

O levantamento partiu de uma amostra anônima de 665 milhões de emojis usados globalmente no Gboard, teclado do Google em aparelhos Android, e contou com análise de fóruns do Reddit para buscar padrões de linguagem.

O Times associou o avanço do emoji da bandeira brasileira à cultura gamer – um terreno em que o Brasil já tem escala.

Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais. No PC, League of Legends aparece como o título favorito, enquanto Counter-Strike, LoL, Valorant e Free Fire seguem entre os principais nomes do cenário competitivo brasileiro.

Fora dos games, o Digital 2026: Brazil, do DataReportal, estima 185 milhões de usuários de internet no Brasil, equivalentes a 86,9% da população, e cerca de 150 milhões de identidades ativas em redes sociais – 70,4% dos habitantes.

Nas plataformas, o alcance publicitário potencial no Brasil é de:

  • 150 milhões de pessoas no YouTube;
  • 147 milhões no Instagram;
  • 131 milhões de adultos no TikTok.

Reddit cresce no Brasil e entra na trilha do emoji

O Reddit tem presença menor no Brasil, mas cresceu rapidamente entre seus fóruns. No fim de 2025, a ferramenta publicitária da plataforma indicava alcance potencial de 19,9 milhões de pessoas no país — quase o mesmo registrado na França, de 20,5 milhões, e acima de mercados como Itália, Japão, Espanha e México.

Dados fornecidos pelo próprio Reddit à Exame mostram que o número de usuários ativos semanais no Brasil cresceu 95% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos Estados Unidos, maior mercado da plataforma, a alta foi de 18%.

O Reddit também foi usado pelo New York Times para investigar como diferentes gerações adotam emojis.

Para o jornal, símbolos digitais funcionam como marcadores de pertencimento a grupos e subculturas – ambientes em que novas formas de comunicação costumam surgir antes de alcançar públicos maiores.

O ‘Zap Zap’ que chamou a atenção de Zuckerberg

Nenhuma plataforma deixa essa particularidade brasileira tão explícita quanto o WhatsApp. A Meta não divulga atualmente quantos usuários do aplicativo estão no Brasil, mas executivos da companhia colocam o país entre seus principais mercados.

Em 2024, durante o Meta Conversations, em São Paulo, Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, destacou que brasileiros enviavam mais figurinhas, participavam mais de enquetes e mandavam quatro vezes mais mensagens de voz do que usuários de qualquer outro país.

O CEO disse ainda que o Brasil havia transformado o “Zap Zap” em algo próprio.

“A criatividade dos brasileiros no WhatsApp é realmente inspiradora, e nós queremos facilitar para que as pessoas façam ainda mais no WhatsApp”, afirmou Zuckerberg durante o evento.

A Pesquisa WhatsApp no Brasil 2026, do Opinion Box, aponta que 77% dos entrevistados conversam com marcas e empresas pelo aplicativo e que sete em cada dez já compraram produtos ou contrataram serviços por ali. Outros 37% afirmam deixar o WhatsApp aberto durante todo o dia.

No fim de 2025, o Instagram, também da Meta, alcançava potencialmente 147 milhões de brasileiros por publicidade, avanço de 8% em um ano.

YouTube: impacto econômico

No YouTube, um estudo da Oxford Economics divulgado pela plataforma em 2026 estima que o ecossistema criativo contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o PIB do Brasil em 2025 e sustentou mais de 150 mil postos de trabalho, direta e indiretamente.

O Brasil já reúne mais de 100 mil canais com pelo menos 100 mil inscritos e mais de 10 mil acima da marca de 1 milhão. Mais de 85% do tempo de exibição de conteúdos produzidos por canais brasileiros vem do próprio público do país, segundo o YouTube.

Entre pequenas e médias empresas brasileiras que mantêm um canal na plataforma, 71% dizem que o YouTube é essencial para o crescimento do negócio. Em julho de 2025, mais de 25 milhões de usuários brasileiros fizeram buscas relacionadas a compras dentro do YouTube.

No fim de 2025, as ferramentas publicitárias do Google apontavam alcance potencial de 150 milhões de pessoas no Brasil, equivalente a 81,1% dos internautas brasileiros. Em números absolutos, o país estava praticamente empatado com a Indonésia e atrás apenas de Índia e Estados Unidos.

TikTok: 134 milhões de usuários

O apelo de redes sociais junto aos brasileiros parece ser universal. O TikTok, da chinesa ByteDance, tinha 134 milhões de usuários ativos mensais no Brasil em março de 2026, o que define o país como um de seus maiores mercados globais.

Segundo estudo da LCA Consultoria divulgado pelo TikTok, a atividade associada aos investimentos de pequenas e médias empresas em publicidade na plataforma adicionou entre R$ 18,6 bilhões e R$ 37,3 bilhões ao PIB brasileiro em 2025.

O levantamento calcula ainda que essa atividade sustentou entre 223 mil e 447 mil empregos.

Entre os empreendedores pesquisados, 52% afirmaram que o TikTok ajuda a alcançar novos mercados. Outros 69% usam a rede para conteúdos relacionados aos negócios, 62% para acompanhar tendências e 57% para desenvolver habilidades de marketing digital.

O crescimento também virou comércio dentro da própria plataforma. Dados do TikTok Shop mostram que 57,8% dos usuários pesquisados concluíram uma compra depois de descobrir um produto no aplicativo.

Pelas ferramentas publicitárias da plataforma, o alcance potencial no Brasil já havia crescido 17,6% entre o fim de 2024 e o fim de 2025, chegando a 131 milhões de adultos.

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Filmes de terror de baixo orçamento feitos por youtubers conquistam as bilheterias

“Backrooms”, filme baseado na série de mesmo nome que Kane Parsons, de 20 anos, mantém no YouTube, estreou com US$ 81,4 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e do Canadá no fim de semana – um recorde para a distribuidora independente A24.

A performance dessa sci-fi de terror, que custou US$ 10 milhões e gira em torno da descoberta de espaços labirínticos infinitos entre dimensões, ficou em um patamar parecido com o do mais recente “Star Wars”: “The Mandalorian e Grogu”, que estreou no feriado do Memorial Day, dia 25 de maio.

É também o terceiro sucesso seguido neste ano vindo de cineastas que começaram a carreira no YouTube. O fenômeno vem coroando novos diretores, fazendo a fortuna de produtores e reescrevendo a economia de Hollywood.

No começo de maio, a Focus Features, selo de filmes de nicho do estúdio Universal, da Comcast, lançou “Obsession”, do youtuber Curry Barker, de 26 anos. A produção custou menos de US$ 1 milhão e já fez US$ 104,7 milhões em bilheteria. Mais impressionante: a venda de ingressos está crescendo de um fim de semana para o outro – feito raro, conseguido por punhado de fenômenos culturais como “Titanic”, em 1997.

Em janeiro, Mark Fischbach, conhecido entre seus seguidores no YouTube como Markiplier, estava prestes a lançar “Iron Lung”, filme de US$ 3 milhões, em apenas 60 salas independentes. Fischbach tocou uma campanha de base, pedindo aos fãs que ligassem para os cinemas da cidade e solicitassem sessões do filme. Acabou conquistando as grandes redes, como AMC, Regal e Cinemark, e fechou com US$ 41,4 milhões em bilheteria nos Estados Unidos e Canadá.

Parsons publicou o primeiro dos 24 episódios de “Backrooms” no YouTube em 2022. A série de “creepypasta” — termo da cultura dos memes para histórias ou conceitos de terror que viram lenda da internet — viralizou, somando cerca de 200 milhões de visualizações em episódios que variam de 30 segundos a 45 minutos. Em 2023, a A24 anunciou que desenvolveria um longa do “Backrooms” com Parsons, então com 17 anos.

A produção juntou figurões do cinema: James Wan, fundador do selo de terror Atomic Monster; Shawn Levy, diretor de “Deadpool & Wolverine”; e Peter Chernin, ex-chefe do estúdio 20th Century Fox.

“A chave de Hollywood sempre foi encontrar novos talentos cedo”, disse Chernin em entrevista ao podcast “The Town” na sexta-feira. “A próxima geração está fazendo vídeos curtos no YouTube e no TikTok.”

Por Thomas Buckley

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Separação do TikTok da ByteDance deve ser finalizada esta semana

A consolidação da venda da empresa que controla a plataforma TikTok nos Estados Unidos, um dos maiores negócios da unicórnio chinesa ByteDance, deve se concretizar nesta quinta-feira (22). A operação ocorre sob forte pressão do governo dos Estados Unidos, iniciada no primeiro mandato de Donald Trump e reforçada em sua segunda campanha à presidência. O governo chinês tratou o negócio como uma forma de manter boas relações comerciais.

Com o acordo, o poder de decisão e o controle de dados passam das mãos chinesas, que ainda terão 20% de participação, para investidores americanos e aliados, como o fundo MGX, da família real dos Emirados Árabes Unidos, e a Oracle, que ficará responsável pelo armazenamento de dados. A transação está estimada em US$ 14 bilhões. O TikTok é a quarta maior plataforma dos EUA, com cerca de 170 milhões de usuários.

De acordo com o memorando interno da ByteDance, a joint venture americana será uma entidade independente, responsável pelo controle da proteção de dados, da moderação de conteúdo e da segurança dos algoritmos. A nova empresa terá um conselho de administração com sete membros, majoritariamente americanos.

Do capital do TikTok nos EUA, 50% será de novos investidores, Oracle, Silver Lake e MGX, com 15% cada. Os 30,1% permanecerão com afiliadas da ByteDance e 19,9% continuarão com a própria ByteDance. A empresa chinesa deve licenciar sua tecnologia de recomendação baseada em inteligência artificial para a nova entidade, que usará os dados americanos protegidos pela Oracle para treinar um novo sistema.

O acordo elimina um tema persistente nas relações entre Pequim e Washington e se alinha a uma lei de segurança nacional aprovada durante o governo Joe Biden, que estabelecia a separação entre TikTok US e ByteDance. A aprovação final da China ainda não foi divulgada.

Entre os pontos estratégicos da operação está a manutenção da experiência do usuário nos EUA, mas com maior controle local sobre algoritmos, moderação e dados de cidadãos americanos. Isso evita riscos de exposição a influências estrangeiras sobre os dados dos usuários e sobre o conteúdo da plataforma.

Expansão internacional e no Brasil

A ByteDance continua operando suas plataformas fora dos EUA de forma independente. No Brasil, a empresa iniciou em janeiro as obras de um novo data center em Caucaia, no Ceará, desenvolvido pela OMNIA, braço do Grupo Pátria. Com capacidade de 200 MW, o empreendimento será o maior da América Latina e terá infraestrutura de energia solar e eólica próprias, com investimento estimado em R$ 200 bilhões.

O novo data center servirá para consolidar a presença do TikTok no Brasil, apoiar operações de comércio eletrônico e transmissões ao vivo, e atender às demandas regulatórias locais de proteção de dados e segurança cibernética.

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Larry Ellison, e não Musk, é o grande magnata tech de 2025

Quando o ano começou, um bilionário com laços estreitos com a Casa Branca era considerado o nome certo para o titã da tecnologia mais comentado de 2025. Mas, 12 meses caóticos depois, Larry Ellison, e não Elon Musk, pode reivindicar o título.

O cofundador e chairman da Oracle, de 81 anos, esteve onipresente — desempenhando um papel em praticamente todas as principais histórias de negócios do ano, desde o frenético boom (ou bolha) da inteligência artificial até os megacontratos que estão agitando Hollywood.

A Oracle planeja até mesmo adquirir uma participação no TikTok como parte de um plano um tanto tortuoso para ajudar o presidente americano Donald Trump a salvar o popular aplicativo de vídeos. Ao longo do caminho, a fortuna de Ellison cresceu e diminuiu com o preço das ações da Oracle — uma linha febril para uma era volátil.

O ano começou com o Stargate, talvez o projeto de data center mais audacioso de todos. Em 21 de janeiro, um dia após a posse de Trump, o presidente apareceu na Casa Branca com Ellison, Sam Altman, da OpenAI, e o líder do SoftBank Group, Masayoshi Son, para anunciar um plano de US$ 500 bilhões para construir infraestrutura de IA. Muitos superlativos foram proferidos naquele dia — 100.000 empregos — e alguns céticos consideraram a vasta soma mera aspiração.

Desde então, a Oracle embarcou em uma expansão histórica de data centers otimizados para IA, que progride mais rapidamente do que alguns esperavam. O esforço fez com que o fluxo de caixa da empresa se tornasse negativo pela primeira vez desde o início da década de 1990. Mas Ellison, que notoriamente ignorou a revolução da computação em nuvem há 15 anos, de repente se tornou um entusiasta da IA.

No verão no hemisfério Norte, a OpenAI fechou um acordo de cerca de US$ 300 bilhões para alugar uma enorme quantidade de poder computacional da Oracle, preparando o principal laboratório de IA para se tornar o maior cliente da Oracle.

Investidores ficaram eufóricos em setembro, quando a Oracle divulgou a dimensão total de seu negócio com a OpenAI. O patrimônio líquido de Ellison saltou para US$ 89 bilhões em um único dia, para US$ 388 bilhões, o maior aumento diário já registrado pelo índice de bilionários da Bloomberg. Isso o tornou brevemente a pessoa mais rica do mundo, superando Musk.

Sua crescente fortuna se encaixou bem com as aspirações de seu filho David de se tornar um magnata de Hollywood. Em agosto, a Skydance Media, de David Ellison, finalmente fechou o acordo para obter o controle da Paramount, uma aquisição financiada em grande parte por Ellison pai.

Semanas após fechar o acordo com a Paramount, David Ellison voltou sua atenção para a Warner Bros. Discovery, oferecendo-se para assumir o lar do Batman, Harry Potter e Pernalonga. Seu pai se ofereceu para ajudar a financiar o negócio e apresentou a proposta pessoalmente aos executivos da Warner Bros.

Foi em vão. A Warner Bros. rejeitou a oferta da Paramount Skydance e aceitou a da Netflix. O jovem Ellison respondeu com uma oferta hostil — uma jogada que seu pai havia feito no início dos anos 2000 para comprar a empresa de software PeopleSoft.

A segunda oferta pela Paramount foi rejeitada, com a Warner Bros. questionando a capacidade da empresa de cumprir a parte da oferta referente às ações. Em resposta, Larry Ellison concordou em garantir pessoalmente o financiamento de US$ 40,4 bilhões.

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A nova habilidade profissional em alta: ser um tiktoker no trabalho

Em um dia de folga das funções de preparar lattes e Frappuccinos, a barista da Starbucks Bridget Baron entrou no trabalho para fazer algo que a empresa normalmente desaprova: postar um TikTok durante o expediente.

Para este vídeo, no entanto, a jovem de 21 anos usou um tripé fornecido pela empresa e vestiu o avental com o logo da Starbucks. O vídeo em que ela mostrava a preparação de chantilly em bebidas de fim de ano acumulou mais de 800 mil visualizações — proporcionando à Starbucks um rápido impacto de marketing viral.

Há uma tradição de funcionários postarem sobre a vida no trabalho. Mas, geralmente, é para satirizar o atendimento ao cliente ou a cultura corporativa, e muitos fazem isso sem aprovação explícita ou sem revelar onde trabalham.

Agora, em vez de desencorajar a prática, empresas como Starbucks e Delta Air Lines estão apostando nela — transformando funcionários em seus próprios influenciadores de mídias sociais. E querem participar da criação do conteúdo.

A estratégia permite que os empregadores mostrem seus locais de trabalho como ambientes felizes e gerem um marketing espontâneo com seus funcionários jovens e nativos digitais. Para os empregados, é uma oportunidade de canalizar suas habilidades de criação de conteúdo para maior visibilidade e acesso a benefícios, como viagens de trabalho e treinamentos de desenvolvimento profissional.

Também pode servir como um diferencial no currículo.

@bridgetthebarista

The holidays officially start when the red cups drop ❤️ @starbucks @starbuckspartners #RedCupSeason #GreenApronCreator

♬ original sound – Bridget

“Cresci nas redes sociais e adoro criar conteúdo”, disse Baron, que estuda ciência da computação em Charlotte, na Carolina do Norte, e deseja se tornar designer de experiência do usuário. Recentemente, ela adicionou “criadora de conteúdo” à sua experiência de trabalho na Starbucks no LinkedIn. Depois de três anos na empresa, afirmou: “Achei que seria um ótimo ponto de interseção entre as duas coisas.”

Baron foi uma das 53 baristas escolhidas desde 2024 para a iniciativa Green Apron Creators da Starbucks, que incentiva funcionários a postar vídeos durante o trabalho. A empresa envia sugestões ocasionais sobre promoções, como o retorno do xarope Apple Crisp. Os criadores são pagos por postagem, embora a empresa não tenha divulgado os valores.

Em programas similares na Ulta Beauty e na sede alemã da Hugo Boss, esses funcionários geralmente não são estrelas de mídia social por conta própria. Baron, por exemplo, tem menos de 1.000 seguidores no TikTok.

Fora desses programas, a Starbucks ainda proíbe que baristas postem durante o expediente, com o avental ou atrás do balcão, a menos que as postagens sejam previamente aprovadas e coordenadas com a equipe de marketing ou comunicação da marca.

Nos últimos anos, um barista relatou ter sido demitido após postar um pedido de bebida detalhado de um cliente. Outra funcionária foi demitida depois de um desabafo sobre seu turno viralizar. A empresa não comentou casos específicos, mas afirmou que analisa o histórico de violações de políticas e se a conduta viola seus valores antes de disciplinar funcionários.

Às vezes, transformar funcionários em influenciadores atende a uma estratégia de negócios específica. A rede de restaurantes Portillo’s planeja expandir nacionalmente, então deseja aumentar o reconhecimento da marca além de sua base principalmente na região de Chicago e contratar mais pessoas, disse Jill Waite, diretora de pessoas da empresa.

Neste ano, Portillo’s escolheu 15 funcionários para seu programa Maxwell Street Mavens — nomeado por um item popular do menu, a salsicha Maxwell Street Polish — com base no conteúdo que publicaram no LinkedIn e em canais internos.

Zach Hawkins, gerente da unidade de Chandler, no Arizona, é um deles. Hawkins, 33 anos, disse que geralmente não se sente confortável diante das câmeras, mas viu o programa como uma oportunidade de se desenvolver profissional e pessoalmente.

Recentemente, Portillo’s enviou instruções para Hawkins e outros funcionários-criadores produzirem vídeos relacionados à National Italian Beef Week e à National Hot Dog Week. Inspirado, ele vestiu uma camiseta de cachorro-quente e fez um colega se fantasiar de cachorro-quente. Amantes de hot dogs no estilo Chicago têm forte aversão a ketchup, então filmaram uma cena em que o colega afastava a garrafa de ketchup da mão de Hawkins, criando uma pequena bagunça.

Incluindo edição, a produção levou cerca de 45 minutos. Depois, o vídeo foi enviado para aprovação antes de ser publicado.

“Com tantos influenciadores por aí, acho ótimo que estamos acompanhando os tempos e usando nossos próprios recursos”, disse Hawkins. Portillo’s não oferece compensação extra, mas está estudando incentivos como brindes da empresa, disse Waite.

@zachhawkins33

If you’ve never had a delicious #italianbeefsandwich from @portilloshotdogs you’re missing out! Here is how we make them. Warning, it will make you hungry! #Portillos #portillossurprise #portillosarizona #delicious #food #beef

♬ original sound – zach

Transformar funcionários em influenciadores internos precisa parecer autêntico, disse Josh Bersin, analista de trabalho e consultor corporativo. Se o funcionário parecer roteirizado e inverossímil, tudo será em vão.

Mas, se o empregado for carismático, “ele pode acabar viralizando”, afirmou.

Deltalina, apelido da comissária que começou a protagonizar vídeos de segurança da Delta em 2008, ficou famosa por sua brincadeira de balançar o dedo na tela. Reconhecida pessoalmente por anos, ela voltou a aparecer em um vídeo de segurança destacando funcionários da Delta com uniformes de todas as eras da companhia.

Para um novo projeto com funcionários-criadores, a Delta selecionou 15 funcionários da linha de frente, incluindo pilotos, comissários e agentes de atendimento, e os levou à sede da empresa em Atlanta para orientação. Lá, a empresa explicou a diferença entre uma interação rápida dentro do avião e vídeos de mídia social que permanecem na internet, disse Tim Mapes, diretor de comunicações da Delta. Alguns funcionários já tinham seguidores nas redes sociais.

Entre eles estava Pamela Kucera, 64 anos, que começou a postar dicas de viagem no TikTok e Instagram há três anos, incentivada pela filha. No início, Kucera achava que ninguém se interessaria por conselhos de uma comissária “velha”. Mas ganhou milhares de seguidores ao dar dicas para novos funcionários e explicar conceitos como senioridade e escalas de tripulação.

Agora influenciadora oficial da Delta, Kucera assiste a tutoriais sobre edição de vídeos com música, criação de narrações e legendas. Estima dedicar cinco horas por semana à produção de conteúdo, entrevistando colegas e compartilhando memórias favoritas com passageiros.

“Isso dá uma ótima noção de quem somos na Delta”, disse ela.

Escreva para Allison Pohle em allison.pohle@wsj.com

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TikTok lança projeto de R$ 200 bilhões no Ceará – maior investimento da ByteDance fora da China

O TikTok, da chinesa ByteDance, vai investir mais de R$ 200 bilhões para construir um data center no Ceará – um valor quatro vezes maior que os R$ 50 bilhões mencionados nas negociações iniciais, reveladas pela Reuters em abril. 

O projeto, que marcará a primeira megaestrutura da empresa na América Latina, será instalado no complexo portuário do Pecém, em parceria com a Omnia, empresa de data centers controlada pela Patria Investimentos, e pela geradora renovável Casa dos Ventos.

Embora o número de R$ 200 bilhões chame atenção, o valor está alinhado ao padrão das big techs no mundo. Meta, Google, Amazon e Microsoft hoje investem de US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões por ano em infraestrutura para IA e data centers.

De acordo com Monica Guise, diretora de Políticas Públicas do TikTok no Brasil, o data center do TikTok começará com 300 megawatts de capacidade elétrica — na prática, isso significa operar uma estrutura de dados que consome o equivalente ao de uma cidade média de 350 mil a 400 mil habitantes.

É o tipo de escala vista apenas em data centers que Meta, Google e Amazon instalaram nos últimos anos para sustentar modelos de recomendação e inteligência artificial. “É um investimento histórico e um passo fundamental para a empresa no Brasil”, disse Monica, durante evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Ceará.

O Brasil, nesse contexto, virou peça estratégica para a ByteDance. O país tem energia renovável em abundância, uma malha de cabos submarinos que conecta Fortaleza aos principais hubs internacionais e um mercado gigantesco para a plataforma. Some a isso a medida provisória assinada em setembro por Lula, que reduziu impostos e facilitou a importação de equipamentos para data centers. A equação fecha.

Autoridades afirmaram ainda que o desenvolvimento no Pecém já possui autorizações essenciais, incluindo a licença que permite exportação de dados — tema sensível em meio às discussões regulatórias globais sobre plataformas digitais.

Energia eólica

A operação do novo data center será 100% abastecida por energia eólica, mas não por contratos tradicionais: os parques serão erguidos exclusivamente para a dona do TikTok pela Casa dos Ventos. 

“O nosso data center vai usar energia 100% limpa, de parques que estão sendo construídos agora especialmente para este projeto”, disse Guise.

Esse modelo customizado aumenta o capex, mas garante estabilidade elétrica, custo previsível e menor pegada de carbono — item valioso para gigantes globais de tecnologia.

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