O grupo Abra — holding que controla as companhias aéreas Avianca e Gol, além de manter investimento na espanhola Wamos Air — fechou um acordo com a Embraer para a aquisição de até 45 jatos do modelo E195-E2.
A expectativa é a de que os modelos da Embraer sejam utilizados tanto pela Gol quanto pela Avianca. O anúncio aconteceu durante o Farnborough Airshow, que começou na segunda-feira (20) e vai até quinta-feira (24).
A aquisição marca uma virada da Embraer no mercado interno. Apenas a Azul utiliza os modelos da fabricante brasileira em sua frota. O pedido da controladora da Gol agora se soma ao da Latam feito no ano passado, com a primeira aeronave entrando em operação a partir de outubro.
No caso da Abra, as entregas estão programadas para começar no quarto trimestre de 2027 e serão feitas de forma progressiva.
A encomenda firme deverá reforçar o “backlog” (carteira de pedidos) do terceiro trimestre da Embraer assim que os requisitos finais forem atendidos.
A Embraer fabrica os jatos de corredor único da família E-Jets E2, com capacidade para até 146 passageiros, um degrau abaixo dos jatos de maior porte que hoje formam o núcleo tanto da Gol quanto da Avianca.
A lógica é a mesma que Azul e Latam já adotaram: usar aviões menores em rotas de menor demanda ou em aeroportos que não comportam um 737 de cerca de 180 assentos. Nesse caso, o E2 permite abrir frequências e cidades novas sem voar com o avião grande meio vazio. Além disso, permite usar um avião menor, que gasta menos combustível, em rotas que não têm lotado os 737.
Com o novo lote de jatos de última geração, o grupo Abra pretende ampliar sua presença na América Latina, fortalecendo rotas domésticas e regionais que exigem aeronaves com capacidade otimizada (right-sized capacity).
O modelo E195-E2 destaca-se pelo redução no consumo de combustível e na emissão de poluentes em relação a gerações anteriores.
Para Adrian Neuhauser, CEO do Grupo Abra, a chegada dos jatos brasileiros traz flexibilidade estratégica. “O E195-E2 dará ao grupo a agilidade necessária para buscar novas oportunidades de negócios, mantendo nossa disciplina na frota e entregando mais valor ao passageiro.”
Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, ressaltou o orgulho de apoiar o crescimento da gigante latino-americana. “O E195-E2 é uma das aeronaves de corredor único mais eficientes e ecológicas do mercado atual”, afirmou.
O Brasil é a Arábia Saudita do etanol. Com uma diferença: nossa produção abastece, sobretudo, o próprio Brasil. No ano passado, menos de 5% do etanol feito aqui foi para exportação.
Não é trivial um país em desenvolvimento ter criado e massificado um biocombustível. Isso só foi possível com uma boa dose de políticas públicas.
No caso mais recente, neste ano de 2026, incentivos fiscais tiraram da extinção o que era considerado um “dinossauro”: os “carros a álcool” – sem motor flex, ou seja, que só rodam com etanol mesmo.
Mas não é só isso. O incentivo ao etanol também tem feito com que as montadoras chinesas desenvolvam motores flex para crescer por aqui – já que na China isso não existe.
Oferta não falta. A fatia do etanol no agronegócio brasileiro só cresceu desde a criação do biocombustível, nos anos 1970. A produção chegou a 36 bilhões de litros em 2025, contra 600 milhões de litros naquela época.
E essa participação tende a crescer ainda mais, impulsionada pela expansão do etanol de milho – cuja produção costuma ser mais barata que a do etanol de cana.
Por essas razões, o etanol é hoje uma das grandes forças que moldam os rumos da indústria automotiva brasileira.
100% etanol
Ficou impraticável comprar gasolina na década de 1970. Com a crise do petróleo, a partir de 1973, o preço do barril quadruplicou em poucos meses. Era um problema para o Brasil, que importava mais de 80% do combustível que consumia.
A solução foi olhar para o que o país fazia de melhor desde a época das capitanias hereditárias: cana-de-açúcar. Assim nasceu o Proálcool, um programa federal que incentivava a produção de etanol em larga escala – e estimulava as montadoras a desenvolver carros movidos pelo novo combustível.
Funcionou. Ao longo dos anos 1980, os carros a etanol dominaram o mercado brasileiro. No auge, nove em cada dez veículos novos nas ruas funcionavam exclusivamente a álcool.
Linha de montagem de carros 100% a etanol na fábrica da Fiat em Betim (MG) nos anos 1980 (Anfavea)
O problema: a produção do combustível não acompanhou o ritmo. Para piorar: quando o preço internacional do açúcar subiu, muitas usinas preferiram transformar cana nesse alimento, não em etanol.
Os postos ficaram sem álcool. Sem outra alternativa, alguns motoristas dormiam nos carros esperando a chegada de um caminhão-tanque.
O trauma deixou sua marca. Nos anos 1990, os carros totalmente a etanol – naquela época, falava-se álcool – já haviam perdido uma fatia relevante do mercado.
Os últimos modelos do tipo, um Chevrolet Classic 1.0 e um Volkswagen Santana 1.8, saíram de linha apenas três anos depois da estreia dos motores flex no país, em 2003.
Fazia mais sentido adotar a versão flex: tanto para as montadoras, que conseguiram atender a dois públicos com um único modelo, quanto para os consumidores, que continuaram com a opção de abastecer com etanol mas sem depender totalmente das idas e vindas da safra de cana.
Mas agora, vinte anos depois, os veículos 100% etanol estão de volta.
Em junho, a Chevrolet, da GM, apresentou o Onix ECO, uma versão do Onix movida exclusivamente a etanol. Ele chega em duas carrocerias: hatch, com preço inicial de R$ 103.190, e sedã, a partir de R$ 106.990.
Esta é a primeira materialização de uma ideia que ganha força no setor.
A Stellantis, holding que reúne as marcas Fiat, Jeep, Peugeot e outras, diz ter tecnologia pronta para carros dedicados ao etanol – e espera para ver se há demanda por eles. A Volkswagen também já afirmou que vê espaço para esse mercado, embora ainda sem um produto confirmado.
Benefício tributário
Na Chevrolet, a ideia é que o Onix ECO sirva para atender, em especial, o mercado corporativo.
“Vemos bastante empresas buscando alternativas para cumprir as metas de ESG”, diz Vitor Oyama, gerente de marketing de produto da marca. Para esse público, o argumento da montadora é que o etanol chega mais barato do que migrar para elétricos.
Mas, na prática, o que faz o lançamento ganhar sentido mesmo é um “detalhe” tributário.
O Onix ECO foi desenhado para aproveitar as regras do chamado IPI Verde, um mecanismo criado em julho de 2025 para calibrar o imposto dos carros conforme seu impacto ambiental.
Para zerar o imposto, um modelo precisa, entre outras exigências, emitir menos carbono – levando em conta desde a produção do combustível até sua queima no motor.
Chevrolet Onix ECO, versão desenvolvida para rodar exclusivamente com etanol (Fonte: Divulgação/GM)
Não que os carros a gasolina não consigam cumprir esse requisito. Mas o etanol leva vantagem. Porque sua matéria-prima absorve carbono da atmosfera durante o cultivo, o que compensa parte do carbono que o carro libera ao rodar.
O incentivo faz diferença. A alíquota-base do IPI Verde para carros de passeio é de 6,3%. Em um carro na faixa dos R$ 100 mil, zerar esse imposto representa algo próximo de R$ 6 mil.
Na prática, isso permitiu à Chevrolet posicionar o Onix ECO entre os compactos automáticos mais baratos do mercado. O hatch parte de R$ 103.190, abaixo dos R$ 107.990 cobrados pelo Volkswagen Polo Sense automático, por exemplo.
“O incentivo do governo muda completamente a dimensão desse mercado. Se você olha só para a tecnologia, talvez ele fosse muito mais restrito”, diz Oyama.
Elétricos à brasileira
O benefício do IPI zero fica reservado aos carros compactos, mais “acessíveis”. Entram nessa lista, por exemplo, as versões 1.0 manuais do Kwid, do Mobi e do Argo.
Mas não são só eles que ganham alguma vantagem: carros eletrificados também têm descontos na alíquota.
Para os totalmente elétricos, o IPI cai, de cara, de 6,3% para 4,3%. Nos híbridos, o desconto depende do combustível que alimenta o motor a combustão: ele só existe quando o motor é flex ou movido a etanol.
Hoje, os híbridos flex ainda representam uma fatia pequena do mercado brasileiro de eletrificados. Mas vêm ganhando espaço. No primeiro semestre de 2026, responderam por 11% das vendas do segmento, com 24 mil unidades emplacadas – mais do que em todo o ano de 2025, quando foram vendidas 21 mil.
Trata-se de uma tecnologia desenvolvida particularmente para o mercado brasileiro.
A pioneira foi a Toyota, com o Corolla híbrido flex, lançado em 2019 como o primeiro carro do tipo no mundo.
Agora, as chinesas também entraram nessa corrida. A GWM passou a vender a família Haval H6 com motor flex, em versões híbridas convencionais e plug-in.
A BYD, por sua vez, escolheu o Brasil para estrear globalmente seu sistema DM-i flex, capaz de combinar eletrificação com etanol ou gasolina.
É uma adaptação local de plataformas globais: para crescer no Brasil, não basta eletrificar. É preciso falar a língua do etanol.
Mais álcool na gasolina
Há ainda uma terceira frente que impulsiona o crescimento do etanol no mercado automotivo brasileiro.
Desde agosto de 2025, a gasolina vendida nos postos brasileiros tem 30% de etanol anidro – o chamado E30. Antes, a mistura obrigatória era de 27%.
Não é um aumento trivial.
A gasolina ainda domina os tanques brasileiros: em 2025, foram vendidos 46,6 bilhões de litros, contra 21,2 bilhões de litros de etanol hidratado (aquele vendido direto na bomba, sem misturar com a gasolina).
Com isso, o país tem que elevar a mistura obrigatória em três pontos percentuais, o que significa incorporar 1,4 bilhão de litros extras de etanol por ano à gasolina.
Ou seja: mesmo quem não abastece diretamente com etanol passou a consumir mais o combustível no tanque.
E pode vir mais por aí.
O governo federal estuda elevar a mistura obrigatória para 32%, como forma de reduzir a dependência de gasolina importada e amortecer os impactos das oscilações do preço do petróleo sobre o mercado brasileiro.
A análise da proposta, porém, já foi adiada três vezes pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A mais recente ocorreu na última quarta-feira (8), quando a reunião do colegiado foi cancelada sem apontar uma nova data.
Em uma ofensiva para diversificar sua matriz energética e reduzir a forte dependência do petróleo importado, a Índia lançou oficialmente no mercado um novo combustível com altíssimo teor de etanol nesta sexta-feira (5).
Atualmente, a nação sul-asiática já comercializa em toda a sua rede varejista a gasolina com 20% de etanol, conhecida como E20. O novo combustível, batizado de E85, contará com cerca de 85% de etanol em sua composição e promete ser menos poluente que os concorrentes convencionais.
Além do apelo ecológico, o bolso do consumidor também deve sentir o reflexo: o E85 terá um preço 20 rúpias mais barato por litro do que a gasolina E20, ou uma economia de 20% para o bolso.
O anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo, Hardeep Puri, que apresentou a novidade em um posto da Indian Oil Corp., na capital Nova Déli. Inicialmente, o produto começará a ser vendido em 50 postos de combustíveis espalhados pelo país.
De acordo com Puri, a Índia possui hoje uma capacidade instalada para produzir 19 bilhões de litros de etanol, sendo que o programa de mistura atual consome 11,5 bilhões de litros. A chegada do E85 ao mercado surge justamente como um motor para alavancar essa demanda pelo biocombustível.
Um crescimento acentuado na demanda pela nova mistura de combustível, no entanto, pode levar a Índia a buscar etanol no mercado externo. Essa necessidade coloca o Brasil, um dos maiores produtores do álcool combustível, em posição privilegiada.
O Brasil produziu em 2025 um pouco mais de 37 bilhões de litros.
Além da demanda por etanol, a novidade na Índia pode também trazer demanda extra para o açúcar do país. Isso porque como a Índia precisa desviar parte de sua safra de cana para garantir a mistura de etanol, a sua oferta global de açúcar diminui. Isso frequentemente exige que o mercado busque o Brasil (maior produtor mundial) para suprir essa lacuna.
Sem tração nos veículos elétricos
A estratégia da Índia ganha força diante do ritmo lento da transição para a mobilidade elétrica no país, travada pelos altos custos dos veículos e por uma infraestrutura de recarga ainda bastante limitada.
Nesse cenário, as autoridades indianas enxergam os veículos compatíveis com etanol como um caminho complementar e estratégico para cortar o consumo de petróleo, exigindo muito menos investimentos em infraestrutura do que a criação de uma rede nacional de carregamento para elétricos.
Esse movimento é crucial para o país, cuja demanda por gasolina — consumida majoritariamente por veículos de duas rodas — cresceu a uma média anual de 9% nos últimos cinco anos, inflando a conta de importação de petróleo.
Dando sinais claros do empenho do governo em estruturar um ecossistema de transporte que sustente esse maior uso do biocombustível, o ministro Puri apresentou novos modelos de motocicletas da Hero MotoCorp Ltd. e o hatch Wagon R, da Maruti Suzuki India Ltd., ambos já preparados para rodar com o E85.
O chefe da pasta do Petróleo revelou ainda que o governo estuda medidas políticas para acelerar a adoção de veículos híbridos e projetou que o novo combustível deverá estar disponível em até 500 postos até o final deste ano.
Apesar do otimismo do governo, o combustível chega às bombas em meio a discussões persistentes no mercado sobre o impacto de misturas tão ricas em etanol no rendimento por quilômetro e na durabilidade dos motores. Tentando mitigar os receios, o Ministério do Petróleo declarou no ano passado que a gasolina E20 já oferece melhor aceleração, maior suavidade na condução e menores emissões de carbono em comparação ao combustível convencional — benefícios que, segundo a pasta, tendem a ser amplificados com a chegada de misturas de etanol ainda mais concentradas.
O governo federal estendeu por mais dois meses o conjunto de medidas voltadas a conter o avanço dos preços dos combustíveis, pressionados pelo conflito no Oriente Médio.
“As ações dão continuidade às medidas emergenciais adotadas pelo governo diante da volatilidade do mercado mundial de petróleo”, informou o Palácio do Planalto em nota, acrescentando que o pacote, que se encerraria em 31 de maio, agora vai até 31 de julho.
No caso do diesel, a partir de 1º de junho será mantido o pagamento de uma subvenção de R$ 1,12 por litro a refinarias nacionais e importadores do combustível, mas os dois subsídios anunciados em abril serão consolidados em um só — um sistema “mais eficiente e ágil para garantir a estabilização dos preços”, segundo o governo.
Uma portaria do Ministério da Fazenda também anunciou subvenção, válida a partir de 1º de junho, a produtores e importadores de óleo diesel para compensar custos tributários ligados à comercialização do combustível. O pagamento substitui – e equivale, em valor – à desoneração de R$ 0,35 de PIS/Cofins sobre o diesel, diz a nota.
No gás liquefeito de petróleo (GLP), o subsídio a produtores e importadores foi prorrogado até 31 de julho, e os recursos federais destinados aos pagamentos passaram de R$ 330 milhões para R$ 660 milhões. A medida permite uma subvenção equivalente a R$ 11 por botijão de 13 quilos vendido no período.
Em outro decreto, o governo estendeu até 31 de julho a desoneração de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e sobre o biodiesel usado na mistura obrigatória com o diesel rodoviário.
“Os preços dos combustíveis já começaram a cair, mas acreditamos ser necessário continuar atuando enquanto houver incerteza no mercado internacional”, afirmou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, em nota divulgada neste sábado.
O comunicado deste sábado não traz estimativa atualizada do custo da prorrogação. Em abril, quando as primeiras medidas foram anunciadas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o impacto fiscal seria de R$ 10 bilhões — e disse que esse custo seria, em boa parte, compensado por tributos sobre exportações de petróleo e outras receitas correlatas, o que permitiria ao governo cumprir a meta fiscal de 2026.
“Mantemos o compromisso com a neutralidade fiscal e reforçamos os esforços das equipes de fiscalização no uso dos recursos públicos”, declarou Durigan na nota deste sábado.
O Brasil está adotando medidas para aumentar o uso de etanol na gasolina em uma tentativa de conter os impactos da alta dos custos dos combustíveis, à medida que a guerra no Oriente Médio se prolonga.
O segundo maior produtor mundial de biocombustível está avançando com planos para uma nova exigência de mistura obrigatória de 32% de etanol na gasolina, segundo comunicado do Ministério de Minas e Energia nesta sexta-feira (24). O percentual atual é de 30%, e a ampla oferta de biocombustível, somada aos preços baixos, ajuda a aliviar a pressão sobre os combustíveis nos postos brasileiros.
“A medida tem potencial para reduzir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 500 milhões de litros por mês”, afirmou o comunicado. “Com isso, o Brasil fortalece sua soberania energética e avança rumo à autossuficiência em gasolina, eliminando importações do combustível.”
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações destinadas a proteger os consumidores dos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio e ocorre enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca a reeleição em cerca de seis meses.
Autoridades disseram na quinta-feira que o governo também pedirá ao Congresso autorização para usar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis como gasolina, diesel, etanol e biodiesel. Isso ocorre após uma série de cortes de tributos e subsídios para diesel, gás de cozinha e combustível de aviação, além de linhas de crédito para companhias aéreas afetadas pelos custos mais altos.
O Brasil há muito tempo usa o etanol como instrumento em choques de preços de energia, com motores movidos exclusivamente a etanol produzidos desde o fim da década de 1970 ajudando a reduzir a dependência de importações de gasolina. Mais recentemente, uma lei de biocombustíveis sob o governo Lula estabeleceu a meta de atingir uma mistura de até 35% no futuro próximo, ainda dependendo de testes técnicos.
A implementação final da nova mistura ainda depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve, em grande parte, seguir a recomendação do Ministério de Minas e Energia.
A petrolífera BP concordou em vender uma participação de 65% em seu negócio de lubrificantes Castrol para a empresa norte-americana de private equity Stonepeak, por cerca de US$6 bilhões.
A decisão é um passo significativo no plano de desinvestimento de US$20 bilhões da gigante do petróleo, com o objetivo de reduzir a dívida e aumentar os retornos.
O acordo, anunciado nesta quarta-feira, 24, avalia a Castrol em US$10,1 bilhões e marca a venda de ativos mais ambiciosa da companhia britânica até o momento, em seus esforços para simplificar as operações e reduzir os investimentos em energia renovável.
A BP manterá uma participação de 35% em uma nova joint venture com a Stonepeak, que poderá ser vendida após um período de bloqueio de dois anos.
As ações da BP chegaram a subir mais de 1% na quarta-feira, após o anúncio, antes de migrarem para o território negativo.
Embora o negócio avalie a Castrol em cerca de US$10 bilhões, o valor da empresa cai para cerca de US$8 bilhões após o ajuste para participações minoritárias e obrigações semelhantes a dívidas, disseram os analistas da RBC em uma nota nesta quarta-feira.
A venda, que inclui US$800 milhões para pagamentos acelerados de dividendos, ocorre depois que a BP colocou a centenária unidade de lubrificantes sob revisão no início deste ano, como parte de uma estratégia mais ampla para se concentrar em seu negócio principal de petróleo e gás.
A BP usará os recursos da venda para reduzir a dívida, disse a companhia. A petrolífera espera que o negócio seja concluído até o final de 2026.
A Vibra Energia registrou um lucro líquido de R$ 407 milhões no terceiro trimestre, contra R$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2024 – uma queda de 90%, informou a companhia dona da rede de postos de combustíveis BR nesta quarta-feira (5).
O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, em inglês) ajustado somou R$ 1,8 bilhão entre julho e setembro, queda de 9,1% ante o mesmo período do ano passado. A receita líquida ajustada somou R$ 48,6 bilhões, uma alta de 4,6% frente igual intervalo em 2024.
Segundo a empresa, o desempenho do trimestre foi afetado principalmente por efeitos não recorrentes de recuperações tributárias, venda de imóveis e despesas operacionais extraordinárias.
A companhia reportou um volume de vendas de 9,3 milhões de metros cúbicos, queda de 1,4% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior, enquanto a margem bruta por metro cúbico ficou em R$ 264.
A companhia informou também que as despesas operacionais ajustadas totalizaram R$ 822 milhões no intervalo de julho a setembro, aumento de 22% em relação ao mesmo período um ano antes. O valor já exclui itens não recorrentes, como recuperações tributárias de R$ 78 milhões e venda de imóveis no montante de R$ 83 milhões.
Em comunicado que acompanha o balanço, o presidente da empresa, Ernesto Pousada, afirma que as medidas de combate ao crime organizado a partir da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal já abrangem 18 distribuidoras, ou 4% do mercado nacional.