A socióloga e primeira-dama brasileira, Rosângela da Silva. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu nesta sexta-feira (24) às declarações de Paolo Zampolli, enviado especial para parcerias globais do governo Donald Trump, e afirmou ser “impossível não se indignar” com o ataque feito às mulheres brasileiras.
“Dizer que somos uma ‘raça maldita’ e ‘programadas para causar confusão’ não nos diminui. Pois sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente”, escreveu Janja em seu Instagram. Ela também afirmou que as brasileiras rompem “diariamente, ciclos de violência e de silenciamento” e reforçou a reação contra o machismo, a misoginia, o feminicídio e outras formas de violência.
A manifestação ocorreu depois de Zampolli dar entrevista à emissora italiana RAI. Ao comentar a ex-companheira Amanda Ungaro, ele afirmou que mulheres brasileiras seriam “programadas para causar confusão”.
Na mesma conversa, o aliado de Trump agravou o tom e chamou brasileiras de “putas” e de “raça maldita”, o que ampliou a repercussão do caso no Brasil.
Zampolli foi casado por cerca de 20 anos com Amanda Ungaro, que o acusa de agressão física, psicológica e sexual. Ele nega as acusações.
O Ministério das Mulheres também repudiou as falas e afirmou que misoginia “não constitui opinião”, classificando esse tipo de manifestação como discurso de ódio e incitação à violência.
Em entrevista concedida a Rai3 Report, Zampolli, expert de política externa de Trump, a MULHER BRASILEIRA É: Zampolli:” Ah Lidia, eu sei lá… é uma dessas PUTAS BRASILEIRAS , essas RAÇAS BASTARDAS BRASILEIRAS QUE SÃO TODAS IGUAIS. Aquela (sic) estávamos juntos, eu trepava (sic)… pic.twitter.com/qG6tsEkF0E
— Prof.Marco Antonio Villa (@VillaMarcovilla) April 18, 2026
O apresentador Ratinho se pronunciou após repercussão de comentários transfóbicos feitos sobre a deputada federal Erika Hilton durante seu programa no SBT. As ofensas ocorreram após ele comentar a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Após a repercussão, o apresentador afirmou que suas falas fazem parte de crítica política e negou intenção de preconceito. “Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio.”
🚨VEJA: Ratinho se pronuncia após falas contra Érika Hilton:
“Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo. E eu não vou ficar em silêncio”.
Durante o programa, Ratinho questionou a escolha da deputada para o cargo e fez comentários sobre identidade de gênero. “Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disse.
O apresentador também declarou que não concorda com a eleição da parlamentar para a comissão. “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher.”
Em outro momento, Ratinho questionou se uma mulher trans poderia representar pautas femininas. “Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar.”
DESSERVIÇO! Ratinho dispara contra Érika Hilton ao vivo, e diz que a Deputada NÃO É MULHER.
A deputada respondeu nas redes sociais e afirmou não se preocupar com as críticas. “Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação.”
Ela também comentou a eleição para a presidência da comissão. “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher? E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.”
O SBT divulgou nota afirmando que as declarações não representam a posição da emissora. “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”
Erika Hilton informou que acionou o Ministério Público Federal para investigar o caso e pediu abertura de ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos. Segundo ela, as falas não atingem apenas pessoas trans. “Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram.”
A deputada também afirmou que pretende levar o caso adiante. “Ratinho e o SBT pagarão por seus atos. Eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.”
Sim, estou processando o apresentador Ratinho.
Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência.
Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim.… pic.twitter.com/F9Suqaf3b8
Grupo faz passeata pelas ruas da Lapa em defesa dos direitos das mulheres e contra a violência (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Quase metade dos homicídios de mulheres no Brasil em 2024 foi cometida com arma de fogo, segundo levantamento divulgado neste domingo (8) pelo Instituto Sou da Paz. O estudo mostra que 47% das mortes violentas de mulheres registradas no país naquele ano ocorreram com esse tipo de arma.
De acordo com a pesquisa “Pela Vida das Mulheres: o Papel da Arma de Fogo na Violência de Gênero”, o país registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
O total inclui todas as mortes classificadas como homicídio, como feminicídios, agressões letais e casos decorrentes de intervenção policial, conforme a metodologia adotada no estudo.
Entre 2020 e 2024, os homicídios de mulheres tiveram redução de 5%. No mesmo período, as mortes de homens caíram 15%. As mortes de mulheres por arma de fogo apresentaram queda de 12% nesse intervalo, embora o instrumento continue sendo o mais utilizado nesses crimes.
Segundo a pesquisadora em segurança pública do Instituto Sou da Paz, Malu Pinheiro, o alto poder letal das armas de fogo ajuda a explicar a predominância desse meio nas mortes de mulheres. “Nos casos de feminicídio em que foram utilizadas armas de fogo, há até 85% mais chances de a vítima morrer do que quando outros meios de agressão são utilizados”, afirmou.
INFOGRÁFICO – Homicídios de mulheres no Brasil – Foto: Arte/g1
O levantamento aponta que 1.492 homicídios de mulheres registrados em 2024 foram classificados como feminicídio, quando o crime ocorre em razão da condição de gênero da vítima. Esses casos representaram cerca de 40% das mortes de mulheres registradas no país.
Entre os feminicídios, o meio mais utilizado foi a arma branca, responsável por 48% dos casos, seguida pelas armas de fogo, presentes em 23% dos crimes.
Os dados também indicam que grande parte das mortes ocorre dentro de residências. Em 2024, 35% dos homicídios de mulheres foram registrados em casa e 29% em vias públicas. Quando são excluídos os casos sem informação sobre o local, 45% ocorreram em residências e 37% em espaços públicos.
O estudo também aponta o perfil das vítimas. Mulheres negras, considerando pretas e pardas, representaram 67,5% das vítimas de homicídio no país. A maioria das mortes ocorreu entre mulheres de 18 a 44 anos, faixa etária que concentra 68% dos casos.
Guto Zacarias em debate – Imagem: Fábio Vieira/Especial Metrópoles @fabiovieirafotorua
O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), provocou tumulto na Avenida Paulista na tarde deste domingo (8), durante uma manifestação organizada por grupos de esquerda no Dia Internacional da Mulher.
O parlamentar montou uma tenda no local da manifestação com um cartaz que dizia: “Pix de R$ 1 mil pra quem me convencer que Lula está fazendo um bom governo”. A ação ocorreu enquanto manifestantes participavam de um ato que tinha como pauta principal o combate ao feminicídio.
A presença do deputado e a mensagem exibida no cartaz provocaram reação de manifestantes. Um grupo se aproximou da tenda e iniciou uma discussão com Zacarias, pedindo em coro que ele recuasse do local.
A iniciativa do parlamentar ocorreu de forma semelhante à de outros políticos de direita presentes na Avenida Paulista. O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) também participou de ações durante os atos realizados na data.
A manifestação organizada por movimentos de esquerda reuniu participantes que levaram às ruas pautas relacionadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Entre as reivindicações estavam o combate aos feminicídios e melhorias nas condições de trabalho.
Outras demandas apresentadas durante o ato incluíam o fim da escala de trabalho 6×1, críticas à violência policial contra populações negras e periféricas e a retomada do serviço de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.
Pela manhã, a Avenida Paulista também recebeu uma caminhada convocada por lideranças políticas de direita. Entre elas estava a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, morta em 2008 aos 5 anos de idade.
Durante discurso no evento, a vereadora afirmou: “Eu sou uma vítima que ficou”. Ela também declarou: “Quem fala sobre quem ficou? Precisamos falar sobre os filhos do feminicídio, as famílias do entorno, porque muitas dessas mulheres são mães. Eu sou uma vítima secundária, então a gente precisa falar também sobre os cuidados com quem está fica.”
Mirele Santana de Macedo foi escolhida para representar Santos (SP) na sede da ONU, em Nova York (EUA). Foto: Carlos Nogueira/Prefeitura de Santos/Divulgação)
Mirele Santana de Macedo, assistente social de Santos, foi selecionada para representar o Brasil na sede da ONU, em Nova York, durante a 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, que ocorre entre os dias 9 e 19 de março. Ela participará do maior fórum anual da ONU dedicado à promoção dos direitos das mulheres, um espaço internacional vital para o debate e formulação de políticas públicas sobre igualdade de gênero e o combate à violência contra a mulher.
A seleção de Mirele foi realizada por meio de um processo público nacional, com base em seu mérito profissional, qualificação técnica e vasta experiência na área. Ela foi escolhida para integrar a delegação brasileira por seu trabalho relevante e reconhecido na assistência social, especialmente no apoio a mulheres vítimas de violência doméstica.
De acordo com a Prefeitura de Santos, o evento é um dos mais importantes do mundo no que se refere à formulação de políticas voltadas à igualdade de gênero. Mirele destacou a importância de trocar experiências com representantes de outros países, especialmente considerando que Santos é uma cidade pioneira no Brasil em políticas públicas voltadas para o acolhimento e assistência às mulheres em situação de risco iminente.
Sede da ONU, em Nova York. Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A assistente social trabalha na Casa de Abrigo de Santos, um local com endereço protegido que atende mulheres e seus filhos em risco de morte. Ela tem se dedicado à causa desde 2010, realizando um trabalho essencial no acolhimento dessas mulheres, muitas das quais são vítimas de violência doméstica grave.
A 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU ocorrerá logo após o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, e discutirá os direitos, a justiça e as ações necessárias para proteger todas as mulheres e meninas. Este ano, o foco será garantir a igualdade de gênero e fortalecer os direitos das mulheres ao redor do mundo.
A ONU Mulheres ressaltou a importância do evento como um momento decisivo para o futuro da igualdade de gênero. De acordo com a instituição, os debates e decisões do fórum terão um impacto direto em leis, políticas e ações nos países participantes, influenciando as próximas gerações e a forma como a justiça será aplicada às mulheres e meninas. A ONU adverte que a luta pela igualdade está em um ponto crucial, com o risco de retroceder em muitos avanços conquistados.