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Em depoimento, tenente-coronel que matou esposa disse ter “testosterona de jovem”

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ao lado de sua esposa, Gisele Alves Santana
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldada e sua esposa, Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de matar a mulher, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, alegou em depoimento ter nível de testosterona equivalente ao de um jovem entre 16 e 21 anos. A declaração foi dada ao tratar da pressão por relações sexuais apontada no inquérito.

Segundo o relato, o oficial citou exames feitos no fim de janeiro que teriam indicado testosterona em 939. Ele afirmou que o índice foi alcançado “sem reposição hormonal”. O Metrópoles também informou que o militar falou em libido “altíssima” durante depoimento à Polícia Civil.

Mensagens extraídas do celular de Gisele mostram que Geraldo tratava a vida sexual do casal como contrapartida pelo fato de pagar despesas do apartamento onde os dois moravam, no Brás, em São Paulo. “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu ele em uma das conversas analisadas pela polícia.

Gisele rejeitou a cobrança e respondeu que não aceitava trocar sexo por moradia. “Por mim, separamos. Não vou trocar sexo por moradia. Ponto final”, afirmou em mensagem citada na investigação. Para a polícia, as conversas indicam desgaste no relacionamento e pressão do oficial contra a vítima.

A soldado morreu em 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal, com um tiro na cabeça. A primeira versão apresentada por Geraldo foi a de suicídio, mas a investigação mudou de rumo após perícias apontarem sinais incompatíveis com essa hipótese.

Laudos indicaram que a cena do crime foi alterada e que Gisele apresentava sinais de esganadura e luta corporal antes do disparo fatal. O laudo sexológico apontou indícios de relação sexual em período próximo à morte, contrariando a versão do tenente-coronel de que o casal não mantinha relação conjugal.

Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual. A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento que pode levar à expulsão do oficial da corporação.

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SP: PM investiga conduta de policiais que liberaram senador com carro sem placas

O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP)
O senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP)

A Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento interno para apurar a liberação do veículo do senador Alexandre Luiz Giordano após abordagem na segunda-feira (23), na zona norte da capital.

O parlamentar foi flagrado dirigindo uma Land Rover sem placas, com a CNH vencida e utilizando luzes estroboscópicas, equipamento semelhante ao “giroflex” de viaturas policiais.

Mesmo após ser autuado, o senador foi liberado e deixou o local dirigindo o próprio veículo. A corporação informou que ele possui imunidade parlamentar.

A liberação gerou questionamentos sobre o cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro. A PM afirmou que analisa os procedimentos adotados na ocorrência.

O carro do senador Alexandre Luiz Giordano (MDB-SP) em fuga

Segundo o registro da ocorrência, o senador tentou fugir da abordagem. Ele chegou a subir na calçada e quase atropelar um policial antes de ser interceptado.

Durante a ação, Giordano se identificou como “federal” e depois como “senador da República”. Ele também se recusou a apresentar documentos no primeiro momento.

Após a abordagem, os policiais localizaram as placas do veículo no porta-malas. O senador foi autuado por dirigir sem placas, com CNH vencida e pelo uso irregular de luzes estroboscópicas.

Especialista em direito de trânsito afirmou que, em situação comum, o veículo deveria ser apreendido e encaminhado ao pátio até regularização. O senador não respondeu aos contatos feitos após o caso.

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VÍDEO: Adrilles imita Nikolas, põe peruca e chama PL da Misoginia de “esdrúxulo”

O vereador bolsonarista Adrilles Jorge. Foto: Reprodução

A aprovação do Projeto de Lei (PL) que visa criminalizar o discurso de ódio contra mulheres, conhecido como “PL da Misoginia”, no Senado, provocou reações histéricas de políticos de direita. Um desses casos aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, onde o vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) usou o plenário para promover um espetáculo de misoginia e transfobia, em protesto contra a aprovação do projeto.

Durante a sessão, Adrilles Jorge, indignado com o avanço do projeto no Senado, fez uma performance polêmica. O vereador copiou uma ação do deputado Nikolas Ferreira e colocou uma peruca, em uma tentativa de atacar o “PL da misoginia” de maneira provocativa.

Ele afirmou que a lei, por não definir claramente o que é uma mulher, permitiria que qualquer homem se julgasse mulher e, consequentemente, promova discurso de ódio contra as mulheres.

“Eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, que ela não define o que é uma mulher, então, eu, enquanto homem, posso contestar as senhoras, eu posso agredir verbalmente as senhoras, porque aos homens […] as mulheres se colocam como vítimas preferenciais […] essa lei não resolve nada […] então, eu, como mulher, agora como Geórgia, posso falar como mulher porque a lei me permite assim”, disse o vereador durante a sessão.

TRANSFOBIA NA CÂMARA DE SP!

O vereador Adrilles Jorge, em mais um episódio de desrespeito, reproduz o mesmo comportamento de Nikolas Ferreira ao usar uma peruca no plenário para ridicularizar pessoas trans.

Poucos dias antes, Fabiana Bolsonaro também protagonizou uma cena… pic.twitter.com/BJmZ6NyIIL

— Duda Salabert (@DudaSalabert) March 25, 2026

Enquanto isso, o PL da Misoginia continua a tramitar na Câmara dos Deputados, onde será discutido por parlamentares e, se aprovado, seguirá para a sanção do presidente Lula. A proposta aprovada no Senado no dia 25 de abril define a misoginia como crime, equiparando-a ao racismo na legislação brasileira.

A medida visa punir comportamentos que manifestem ódio ou aversão às mulheres, fundamentados na crença da supremacia masculina. A nova lei inclui manifestações verbais, como injúrias e discursos de ódio, bem como ofensas que atentem contra a dignidade feminina.

Isso inclui também as agressões no ambiente digital, como em redes sociais e fóruns, onde muitos discursos misóginos têm sido proliferados. O projeto prevê penas de prisão que variam de dois a cinco anos, além de multas, para os envolvidos em práticas misóginas.

Em casos de incitação ou indução à misoginia, as penas podem ser de um a três anos, com a mesma penalidade de multa. A medida é vista como um avanço no combate a atitudes discriminatórias contra as mulheres, especialmente no cenário atual, onde os ataques à dignidade feminina têm aumentado na sociedade, principalmente pela internet.

Embora o projeto tenha sido aprovado por unanimidade no Senado, com 67 votos favoráveis, a reação de políticos de extrema-direita tem sido polarizada. O ato de Adrilles Jorge é apenas um exemplo das tentativas de impedir a implementação da proposta, com alegações de que a lei poderia ser mal interpretada ou abrir brechas para abusos.

O “PL da Misoginia” foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e teve a relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS), que destacou a importância da medida no enfrentamento de discursos de ódio. A senadora afirmou que a proposta visa combater não apenas agressões físicas, mas também discursos misóginos que têm ganhado força nas redes sociais.

Thronicke defendeu que o projeto é essencial para coibir a propagação de ideias que sustentam a superioridade masculina, especialmente em tempos de crescente radicalização política e social. “O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou ao defender o projeto.

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“Vou tomar banho”: as frases inusitadas do tenente-coronel após a morte da esposa PM

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi preso após uma série de comportamentos considerados “atípicos” e “gélidos” durante a investigação de sua morte. A soldado foi encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro, e o oficial, que inicialmente alegou suicídio, é agora suspeito de feminicídio e fraude processual. “Irmão, é tiro de .40”, disse Neto, com frieza, ao ser informado sobre o estado de saúde de Gisele, que ainda apresentava sinais vitais na ocasião. Com informações do Globo.

O comportamento de Neto, registrado por câmeras corporais da polícia, gerou desconfiança. O oficial insistiu em tomar banho, mesmo após ser alertado sobre o risco de destruir provas, como resíduos de pólvora nas mãos. “Eu sei o que estou falando… eu vou tomar banho, irmão!”, afirmou. Além disso, Neto demonstrou irritação quando percebeu que os policiais haviam alterado a disposição do quarto, questionando: “Quem foi que fez isso?”. Esse comportamento, somado à tentativa de alterar a cena, levou à prisão preventiva do tenente-coronel, que nega a acusação de homicídio.

A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais apontam que Gisele foi abordada de forma deliberada. O tiro foi disparado com a arma encostada na têmpora da vítima, e os exames confirmaram que o disparo não foi compatível com um suicídio. A posição da arma, que estava na mão da vítima, e as manchas de sangue encontradas na bermuda de Neto também desmentem a versão inicial apresentada por ele. A perícia identificou ainda marcas de sangue no banheiro, contradizendo a narrativa de que Neto estava distante da cena do crime.

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado Gisele Alves. Foto: Reprodução

Relatos de colegas de trabalho de Gisele indicam que o relacionamento do casal era marcado por ciúmes e controle excessivo por parte de Neto. Ele frequentemente aparecia no ambiente de trabalho da esposa, utilizando sua posição hierárquica para desqualificar profissionalmente a soldado e monitorar suas atividades. O comportamento controlador de Neto gerou desconforto entre os colegas de Gisele, que relatam situações constrangedoras causadas pelo oficial.

A defesa de Neto, que insiste na tese do suicídio, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão de prisão preventiva. Os advogados alegam que houve uma descontextualização dos elementos utilizados para justificar a prisão e que aspectos da vida privada de Neto foram indevidamente expostos. A investigação continua, e a Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer completamente os eventos que levaram à morte de Gisele.

O caso está gerando grande repercussão, com denúncias de abuso psicológico e de controle de Neto sobre sua esposa. A prisão do tenente-coronel reflete o avanço das investigações de feminicídio e a busca por justiça, enquanto o impacto emocional na família e colegas de Gisele continua sendo um tema central da discussão.

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VÍDEO: “Banco Master é ovo da serpente de Bolsonaro e de Campos Neto”, diz Lula

Lula em evento em São Bernardo. Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a oposição tenta “empurrar” o escândalo do Banco Master para o Partido dos Trabalhadores, mas atribuiu a origem do caso ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A declaração foi feita em São Bernardo do Campo, durante evento que oficializou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

Ao comentar o cenário político, Lula criticou o nível dos debates e disse que há uma “promiscuidade generalizada” na política brasileira. O presidente citou tanto o caso do Banco Master quanto irregularidades no INSS como exemplos e defendeu que o governo atual foi responsável por revelar problemas.

“Quem descobriu toda a roubalheira na Previdência Social foi o nosso governo, foi a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF). Eu era favorável a que o PT abrisse uma CPI. Mas aí eu pensava que o partido que está no governo não deveria abrir a CPI. Eles [oposição] abriram. Em vez de a gente estar indo para cima deles, eles estão indo para cima de nós, tá? (24:07) Então, é importante saber que, quando na política a gente vacila, a gente paga um preço muito alto. Esse Banco Master, vira e mexe, eles estão tentando empurrar nas costas do PT e do governo. Esse Banco Master é obra, é o ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central”, afirmou.

Lula também relembrou que a transferência do Banco Master para o controle de Daniel Vorcaro foi autorizada em 2019, durante a gestão de Campos Neto no Banco Central. Segundo o presidente, é preciso atenção para evitar que a oposição associe o governo atual ao escândalo. Ele defendeu ainda uma postura mais firme da bancada petista diante das críticas.

“A bancada do PT tem que ter coragem de denunciar. A gente não pode se calar, temos que abrir a boca e ir para o enfrentamento. Não tem aquele negócio de Lulinha paz e amor. Também não quero ser o Lulinha paz e ódio. Eu quero ser Lulinha paz e amor, mas com amor mais duro, mais responsável, para não deixar nego [sic] colocar uma cagada no nosso pescoço”.

O evento também marcou a oficialização da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. O anúncio foi feito por dirigentes do PT e contou com a presença de ministros do governo. “O Fernando é o objetivo da nossa vinda aqui no sindicato, por conta da missão que ele vai assumir no nosso projeto aqui para frente (em São Paulo)”, afirmou Edinho Silva.

Mais cedo, Haddad já havia comunicado sua saída do Ministério da Fazenda. “Hoje pra mim é um dia especial, um dia que estou deixando o Ministério da Fazenda”, declarou. Lula confirmou que o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, assumirá o comando do ministério a partir desta sexta-feira (20).

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Lula quer Alckmin no Senado, mas mantém vice como opção

Alckmin e Lula em evento na UFABC nesta quinta. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a vaga de vice em sua chapa está “aberta” ao atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), mas indicou que o aliado pode avaliar uma candidatura ao Senado por São Paulo. A declaração foi feita durante evento que marcou a pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

Ao comentar o futuro político de seu companheiro de chapa em 2022, Lula revelou conversas recentes e destacou a relação de confiança entre os dois. “Conversei com o Alckmin essa semana. ‘O que você quer ser?’ Pedi para ele conversar com o Haddad. Ficarei imensamente feliz em ter ele como vice outra vez. É um companheiro que aprendi a gostar, é de muita lealdade, só me ajuda. Mas tem que conversar com o Haddad para saber onde a gente pode colher mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado não ajuda mais. Eles não têm senador para disputar conosco”.

Lula reforçou que a definição dependerá de articulações políticas em São Paulo, especialmente com Haddad. “Se ele for meu vice, estou tranquilo, mas o Haddad precisa de uma chapa para ganhar. E eles não tem candidato para ganhar da gente. Não sei se o Geraldo vai ser candidato ao Senado. A vaga de vice está aberta para ele”, afirmou.

No mesmo evento, Alckmin sinalizou apoio à candidatura de Haddad e prometeu participação ativa na campanha. “Escrevam aí: o Haddad vai ganhar essa eleição. E conte conosco, Haddad, pra gente percorrer a geografia de São Paulo, desde o litoral até as barrancas do Rio Paraná; desde o Rio Grande até o Rio Paranapiacaba. Ouvindo o povo, as críticas , sugestões, propostas, porque o Haddad vai apresentar a melhor plataforma, o melhor programa pra gente sair dessa inércia de São Paulo para um grande projeto de desenvolvimento, humanista, com alma, com sentimento, em benefício da nossa população”.

Fernando Haddad, por sua vez, confirmou a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes e afastou a ideia de que disputaria apenas para cumprir papel político. “Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo”, afirmou. Em seguida, completou: “Eu disputo a eleição para ganhar”.

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Como a candidatura de Kim Kataguiri ao governo de SP pode acabar favorecendo o PT

O deputado Kim Kataguiri. Foto: Divulgação

Dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) têm demonstrado, de forma discreta, apoio à candidatura de Kim Kataguiri, deputado federal e líder do partido Missão, ao governo de São Paulo. A aposta dos petistas é que uma disputa mais acirrada no estado, entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas, possa garantir a realização de um segundo turno, fortalecendo a campanha de Lula na corrida presidencial.

Em pesquisa do Datafolha divulgada no dia 8 de março, Kataguiri, que fundou o partido Missão, aparece com 5% das intenções de voto. O governador Tarcísio lidera com 44%, seguido de Haddad, com 31%. Outros possíveis candidatos, como Paulo Serra (PSDB) com 5% e Felipe D’Avila (Novo) com 3%, não devem seguir com as candidaturas, pois seus partidos têm sinalizado apoio à reeleição dele.

A presença dele como terceira via relevante poderia agitar o cenário eleitoral, abrindo caminho para um possível segundo turno. Esse resultado seria estratégico para o PT, que almeja uma palanque forte em São Paulo no segundo turno das eleições presidenciais, a fim de aumentar a competitividade contra Flávio Bolsonaro, o candidato da direita.

Em resposta à especulação sobre sua candidatura, Kim Kataguiri se mostrou irônico ao comentar o apoio implícito do PT. “Fico lisonjeado”, disse o deputado, destacando que a decisão sobre sua candidatura ao governo de São Paulo ou sua reeleição para a Câmara dos Deputados será tomada apenas em junho.

O deputado Kim Kataguiri atualmente é o líder do partido Missão. Foto: Divulgação

Atualmente, ele está se dedicado à construção das chapas do partido Missão nos estados e ao seu trabalho como líder do partido na Câmara dos Deputados. “Neste momento tenho gasto minhas energias com a construção das chapas do partido nos estados, e com o cargo de líder do Missão na Câmara, para o qual não conto com nenhuma estrutura na Casa”, afirmou Kataguiri, deixando claro que sua agenda política está focada em outras prioridades.

Apesar da ironia, a movimentação política em torno da possível candidatura de Kim não é vista como algo inesperado. O deputado, conhecido por sua postura “crítica e independente”, tem conquistado a atenção de setores que buscam uma alternativa à polarização entre PT e o bolsonarismo.

Para o PT, a chance de fortalecer a campanha presidencial de Haddad depende de uma disputa estadual acirrada. A candidatura de Kim poderia ser o elemento que faltava para criar uma polarização mais intensa, forçando um segundo turno, algo que aumentaria as chances de vitória para o partido nas eleições gerais.

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Vice entra em rota de colisão com Ricardo Nunes ao denunciar corrupção na prefeitura de SP

O Ricardo Nunes e o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo. Foto: Divulgação

A relação entre o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo, e o prefeito Ricardo Nunes ficou estremecida após o registro de dois boletins de ocorrência por parte do vice sem que o prefeito fosse informado. A situação causou desconforto entre os dois, com a falta de comunicação gerando embaraços e desentendimentos.

Na manhã de segunda-feira (9), Araújo registrou o boletim de ocorrência alegando que teve o celular furtado e foi alvo de uma campanha difamatória devido ao seu trabalho investigativo dentro da Prefeitura de São Paulo. O vice-prefeito afirmou à polícia que as acusações contra ele estariam ligadas às suas ações para apurar possíveis irregularidades na administração municipal, incluindo a exoneração de servidores.

Ricardo Nunes, por sua vez, só tomou conhecimento das ocorrências quando leu sobre o caso na Folha, na noite de segunda-feira. Ele tentou entrar em contato com Araújo para discutir o assunto, mas o bolsonarista não atendeu. Na tarde de sexta-feira (13), ambos ainda não haviam abordado o tema diretamente.

Segundo fontes próximas ao prefeito, houve uma sugestão de que o vice-prefeito deveria ter comunicado o ocorrido a Nunes imediatamente, considerando que qualquer suspeita envolvendo membros da administração precisa ser apurada internamente.

O vice-prefeito de São Paulo Ricardo Mello Araújo. Foto: Divulgação

A forma como o vice-prefeito relatou o caso nos boletins de ocorrência gerou preocupação, pois a narrativa apresentada levantou suspeitas sobre a integridade de toda a gestão municipal. Ele afirmou que “a verdade vai aparecer se Deus quiser”, indicando sua confiança de que o caso será esclarecido.

No boletim, o vice-prefeito relatou que soube de um suposto plano para grampear seu celular e abrir uma conta corrente em seu nome no Uruguai. “Com a finalidade de desmoralizar minha imagem, devido às minhas atitudes de depurações e exonerações que estamos fazendo na Prefeitura de São Paulo”, relatou ele, no boletim.

Segundo o coronel, o intuito seria difamar sua figura pública, associando-o à corrupção, e assim desqualificar seu trabalho à frente das apurações e exonerações realizadas na administração municipal. “A ideia seria divulgar para a imprensa, passando a imagem de corrupto desmoralizando a imagem deste vice-prefeito”, relatou, sem esclarecer se o prefeito esta por dentro desta iniciativa.

Nunes comentou o incidente publicamente, questionando o tempo que Araújo levou para registrar o boletim de ocorrência. O prefeito lembrou que o furto do celular ocorreu no dia 1º de março, durante um protesto contra o presidente Lula e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, ele só registrou o boletim de ocorrência oito dias depois, o que gerou dúvidas sobre a urgência e a seriedade da situação.

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Haddad, Alckmin e Tebet lideram disputa pelo Senado, diz Datafolha

Fernando Haddad, Geraldo Alckmin e Simone Tebet. Foto: Divulgação

Uma pesquisa recente realizada pelo Datafolha revela o cenário eleitoral para o Senado em São Paulo nas eleições de 2026, destacando os principais candidatos à disputa por duas vagas. O levantamento, feito entre os dias 3 e 5 de março, aponta os nomes de Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Simone Tebet (MDB) como os mais bem posicionados.

No primeiro cenário, em que ele não tem a companhia do vice-presidente, o ministro da Fazenda lidera a corrida com 30% das intenções de voto. A ministra do Planejamento ocupa o segundo lugar, com 25%, seguida de Márcio França (PSB) com 20%.

Outros nomes de destaque incluem Marina Silva (Rede) com 18%, e Guilherme Boulos (PSOL), com 14%, empatado com o deputado Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas. Neste cenário, a pesquisa mostra que o eleitorado paulista ainda demonstra um número significativo de indecisos.

Quatro por cento dos entrevistados não souberam escolher para a primeira vaga, enquanto 6% se mostraram indecisos sobre a segunda vaga. Além disso, 15% dos eleitores não souberam ou preferiram não escolher para a primeira vaga, e 21% para a segunda vaga.

Marina Silva e Guilherme Boulos. Foto: Divulgação

No segundo cenário, sem a participação de Haddad, Alckmin assume a liderança com 31% das intenções de voto. A pesquisa mostra um quadro mais equilibrado, com Tebet mantendo a segunda posição com 25%, seguida de Marina Silva, que alcança 21%. Márcio França, também do PSB, aparece com 20%.

Boulos mantém uma posição de destaque com 15%, enquanto Derrite e Ricardo Salles (Novo) empataram com 13%. Outros candidatos, como Paulinho da Força (Solidariedade) e Rosana Valle (PL), ficam bem atrás na pesquisa, com 9% e 6%, respectivamente.

A quantidade de votos em branco, nulos ou indecisos permanece alta, com 14% para a primeira vaga e 20% para a segunda vaga. A pesquisa foi realizada com 1.608 entrevistas distribuídas em 71 municípios do estado de São Paulo, com a participação de pessoas de 16 anos ou mais.

A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BR-06798/2026 e SP-04136/2026.

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Deputado do MBL provoca tumulto em ato do Dia da Mulher na Avenida Paulista

Guto Zacarias em debate – Imagem: Fábio Vieira/Especial Metrópoles @fabiovieirafotorua

O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), provocou tumulto na Avenida Paulista na tarde deste domingo (8), durante uma manifestação organizada por grupos de esquerda no Dia Internacional da Mulher.

O parlamentar montou uma tenda no local da manifestação com um cartaz que dizia: “Pix de R$ 1 mil pra quem me convencer que Lula está fazendo um bom governo”. A ação ocorreu enquanto manifestantes participavam de um ato que tinha como pauta principal o combate ao feminicídio.

A presença do deputado e a mensagem exibida no cartaz provocaram reação de manifestantes. Um grupo se aproximou da tenda e iniciou uma discussão com Zacarias, pedindo em coro que ele recuasse do local.

A iniciativa do parlamentar ocorreu de forma semelhante à de outros políticos de direita presentes na Avenida Paulista. O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) também participou de ações durante os atos realizados na data.

A manifestação organizada por movimentos de esquerda reuniu participantes que levaram às ruas pautas relacionadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Entre as reivindicações estavam o combate aos feminicídios e melhorias nas condições de trabalho.

Outras demandas apresentadas durante o ato incluíam o fim da escala de trabalho 6×1, críticas à violência policial contra populações negras e periféricas e a retomada do serviço de aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha.

Pela manhã, a Avenida Paulista também recebeu uma caminhada convocada por lideranças políticas de direita. Entre elas estava a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos), mãe de Isabella Nardoni, morta em 2008 aos 5 anos de idade.

Durante discurso no evento, a vereadora afirmou: “Eu sou uma vítima que ficou”. Ela também declarou: “Quem fala sobre quem ficou? Precisamos falar sobre os filhos do feminicídio, as famílias do entorno, porque muitas dessas mulheres são mães. Eu sou uma vítima secundária, então a gente precisa falar também sobre os cuidados com quem está fica.”

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Jovem Pan é condenada a pagar R$ 30 mil aos pais de estudante morto por PMs após informação falsa

O estudante de medicina, Marco Aurélio Cardenas Acosta – Foto/ Reprodução

A Jovem Pan foi condenada a pagar R$ 30 mil de indenização aos pais de Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de medicina morto por PMs em São Paulo, em novembro de 2024. A decisão foi tomada pela 30ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, após a emissora ser acusada de veicular informações falsas sobre a morte de Marco Aurélio durante seu programa Morning Show. A família do estudante havia pedido R$ 70 mil de indenização, alegando que a emissora ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao fazer acusações infundadas.

“Depois de muito tempo, a verdade começa a chegar. É a primeira vitória após macularem a imagem e a vida do meu filho. Essa é a minha mensagem para um pouco de justiça que se começa a fazer”, disse Júlio Cesar Acosta, pai do estudante.

Na reportagem, o apresentador André Marinho afirmou que Marco Aurélio estava “visivelmente sob efeito de alguma coisa” e que teria tentado “tirar a arma do policial”, o que não foi confirmado pela investigação. Imagens de câmeras corporais dos PMs envolvidos no caso mostram que a situação começou quando Marco Aurélio deu um tapa no retrovisor de uma viatura e correu para dentro de um hotel. Ao ser seguido pelos policiais, ele foi abordado e baleado por um dos PMs, Guilherme Augusto Macedo.

A ação policial ocorreu na Rua Cubatão, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, onde Marco Aurélio estava hospedado com uma amiga. Os policiais alegaram que ele teria sacado uma arma, mas essa versão foi negada pela família. A mãe do jovem, Silvia Monica Cardenas Prado, afirmou que o filho “não estava armado” e que foi vítima de uma abordagem violenta e injustificada. Ela considerou a sentença como um primeiro passo em direção à justiça para seu filho.

Marco Aurélio encurralado por PM – Foto: Reprodução

A juíza Priscila Bittar Neves, que proferiu a decisão, afirmou que os laudos e imagens anexadas ao processo “desmentem as afirmações feitas pela Jovem Pan”. A sentença também determinou que a emissora veiculasse um direito de resposta no programa Morning Show, com a mesma duração da reportagem que deu origem ao processo, de forma a corrigir a informação errada.

A condenação da Jovem Pan ocorre em um momento de crescente cobrança sobre a responsabilidade da mídia, especialmente em casos envolvendo pessoas que não podem se defender. A sentença reafirma a importância da veracidade das informações transmitidas pela imprensa e os danos que a disseminação de notícias falsas pode causar à honra e à dignidade de indivíduos.

O caso de Marco Aurélio Cardenas Acosta também gerou um debate sobre o uso excessivo da força por parte da polícia em situações de abordagem envolvendo jovens. A morte do estudante e a condenação da Jovem Pan refletem a busca por justiça e transparência em casos de violência policial e na cobertura midiática de tragédias.

A Jovem Pan afirmou que não comenta ações judiciais e que recorrerá da decisão. A família de Marco Aurélio, entretanto, considera a condenação um passo importante para a reparação do dano moral causado pela falsa acusação.

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MDB pressiona Tarcísio em busca de cargos políticos; entenda

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foto: Divulgação

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recebeu na noite de segunda-feira (9) o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para uma conversa no Palácio dos Bandeirantes. O encontro tratou da composição da chapa majoritária para as eleições de 2026 e abriu uma rodada inicial de negociações políticas.

Segundo relatos feitos ao Metrópoles, Baleia Rossi apresentou a reivindicação do MDB por espaço na chapa encabeçada por ele. O partido pediu a indicação do candidato a vice-governador ou uma das duas vagas ao Senado que estarão em disputa no próximo pleito.

De acordo com fontes do governo paulista, o dirigente emedebista argumentou que o pedido se baseia no peso político e no tamanho do MDB no cenário nacional e estadual. A avaliação do partido é de que essa relevância justifica a participação direta na chapa majoritária.

Tarcísio respondeu que considera o pleito “legítimo”, assim como as demandas apresentadas por outras siglas da base aliada. O governador, no entanto, afirmou que pretende deixar a definição de nomes para um momento mais adiante do calendário eleitoral.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Foto: Divulgação

Nos bastidores, aliados interpretam a resposta como uma tentativa de manter abertas as conversas com diferentes partidos, sem assumir compromissos antecipados. A estratégia permitiria ao Palácio dos Bandeirantes preservar margem de negociação até a consolidação do quadro eleitoral.

Atualmente, a vaga de vice-governador é ocupada por Felício Ramuth (PSD). Tarcísio tem sinalizado a intenção de manter Ramuth na chapa, mesmo que isso implique uma eventual mudança partidária do vice.

Em relação ao Senado, o cenário é parcialmente definido. Uma das vagas já está prometida ao deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo e aliado próximo do governador.

A segunda vaga permanece em aberto e é vista como o principal ponto de disputa entre os partidos da base. O MDB trabalha para ocupar esse espaço, enquanto o governo avalia o equilíbrio político necessário para sustentar a coalizão em 2026.

Estive ontem à noite com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Falamos sobre o cenário eleitoral no Brasil e em São Paulo, onde o MDB vai reforçar sua parceria firmada há quatro anos, que sido marcada por por lealdade e respeito mútuo.

— Baleia Rossi (@Baleia_Rossi) February 10, 2026

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