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Ceuta: entenda o impasse entre Espanha e Marrocos pelo único território europeu na África

Migrantes reunidos perto da fronteira entre Marrocos e Ceuta
Migrantes reunidos perto da fronteira entre Marrocos e o território espanhol de Ceuta. Foto: Reprodução

Ceuta, cidade autônoma espanhola de 18,5 quilômetros quadrados na costa africana do Mediterrâneo, reúne comunidades cristã, muçulmana, judaica e hindu em um território com pouco mais de 83 mil habitantes. As tradições dos quatro grupos influenciam o calendário de feriados, os templos e a culinária local.

A cidade fica separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar e, ao lado de Melilla, forma a única fronteira terrestre entre a União Europeia e a África, sendo o único território europeu no continente. Marrocos não reconhece a soberania espanhola sobre as duas cidades e as considera áreas ocupadas.

Cristãos e muçulmanos formam as maiores comunidades de Ceuta. No cotidiano local, os termos também podem indicar identidades culturais, familiares e linguísticas, além da prática religiosa.

A presença cristã remonta à Antiguidade, e a cidade ainda preserva ruínas de uma basílica do século 4. O cristianismo ganhou força depois da conquista portuguesa de Ceuta, em 1415, antes de o território passar ao controle espanhol; entre os símbolos católicos estão o Santuário de Santa Maria da África e a Catedral da Assunção.

‼️ [ 🇪🇸 ESPAGNE | 🇲🇦 MAROC ]

🔸 Le président du gouvernement de Ceuta affirme que près de 60.000 migrants ont franchi la frontière entre le Maroc et l’enclave espagnole ces derniers jours, soit l’équivalent d’environ 70 % de la population locale.

Les arrivées, composées… pic.twitter.com/xJaqh2aFBO

— Little Think Tank (@L_ThinkTank) July 31, 2026

Mesquitas, sinagoga e templo hindu marcam o território

A herança islâmica se relaciona aos séculos de domínio muçulmano e aos laços históricos e familiares com Marrocos. Em bairros como Hadú, Los Rosales e El Príncipe, mesquitas, mercados, casas de chá e o uso do darija, variedade árabe falada no país vizinho, integram a rotina dos moradores.

Grande parte dos muçulmanos de Ceuta é formada por cidadãos espanhóis nascidos na própria cidade. A Mesquita de Sidi Embarek está entre as maiores do território, enquanto a Mesquita de Muley El Mehdi foi inaugurada em 1940; o fim do Ramadã e o Eid al-Adha fazem parte da vida pública, e a festa do sacrifício integra o calendário oficial de feriados locais.

A comunidade judaica, menor em número, reúne descendentes de famílias sefarditas expulsas da Península Ibérica no fim do século 15 e de judeus berberes que viveram durante séculos em Marrocos.

A Sinagoga Bet-El, construída em 1971 a partir da união de três pequenos espaços religiosos, abriga celebrações como o Hanukkah, que também atrai representantes de outras comunidades.

Comerciantes sindis começaram a consolidar a comunidade hindu no fim do século 19, chegando por Gibraltar e Tânger para negociar tecidos, perfumes, incensos e, mais tarde, eletrônicos. O templo hindu abriu em 2007, e a cidade celebra o Diwali e o nascimento de Ganesha, quando a imagem da divindade percorre ruas e passa por locais ligados a outras religiões antes de seguir ao mar.

Procissões da Semana Santa, o fim do Ramadã, o Eid al-Adha, o Diwali e o Hanukkah ocupam ruas e praças de Ceuta. A diversidade também se reflete em tapas andaluzas, espetinhos temperados, doces árabes, pratos halal, receitas sefarditas, comida vegetariana hindu e chá de hortelã.

A convivência entre as comunidades não elimina desigualdades sociais e econômicas. Estudos sobre a cidade apontam concentração de pobreza e exclusão em bairros periféricos, como Príncipe Alfonso, além de problemas de moradia, educação, emprego e segregação residencial.

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Troca de mensagens mostra que senador agiu para “resguardar” André Valadão

pastor André Valadão com a mão no peito, sério, sem olhar para a câmera, de roupa preta
O pastor André Valadão – Reprodução

Mensagens enviadas pelo pastor André Valadão, líder da Igreja da Lagoinha em conversas no WhatsApp indicam a atuação de um senador em tratativas para “resguardar” o líder religioso. Os registros mostram orientações relacionadas ao momento considerado mais adequado para determinadas ações. As informações são do Metrópoles.

Em uma das mensagens encaminhadas por Valadão a um interlocutor, o texto de uma terceira pessoa afirma: “Pastor, será melhor esperar para final de fevereiro ou março , ele disse que vai estar mais tranquilo e ele vai fazer algumas ações para lhe resguardar”.

Na sequência, o pastor acrescenta ao diálogo: “Senador mandou esperar. Pra eu na ir mesmo pro 🇧🇷 [sic]”. As mensagens foram trocadas no dia 22 de janeiro deste ano.

Print de mensagens para André Valadão
Mensagens de WhatsApp para André Valadão – Reprodução

O nome de André Valadão aparece no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários. A apuração inclui conexões com pessoas ligadas ao entorno do líder religioso.

Entre os citados está o empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel atuou como pastor em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha localizada no bairro Belvedere, em Belo Horizonte.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou movimentações financeiras que somam R$ 40,9 milhões atribuídas ao empresário em repasses para a unidade religiosa.

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