“Ridiculamente inflados”: diretor de Dark Horse sobre valores do filme
O diretor norte-americano Cyrus Nowrasteh afirmou que os valores divulgados como orçamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram “ridiculamente inflados”. Leia em TVT News.
A declaração foi publicada pelo cineasta na rede social X nesta quinta-feira (10) e acrescenta novos elementos ao debate sobre os recursos envolvidos na produção, que é alvo de investigação da Polícia Federal.
O diretor reagiu a uma publicação que comparava o orçamento atribuído ao longa com os custos de filmes vencedores do Oscar e contestou a forma como os valores vêm sendo apresentados.
Segundo Nowrasteh, as cifras divulgadas não corresponderiam apenas aos gastos necessários para realizar o filme. Os números incluiriam também projeções relacionadas às despesas de marketing e publicidade, que, nos Estados Unidos, são normalmente contabilizadas separadamente dos custos de produção.
“Os números sendo divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para ‘Dark Horse’”, escreveu o diretor.
A declaração ocorre em meio às investigações sobre o financiamento da cinebiografia e após a divulgação de informações sobre uma suposta negociação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Diretor separa custos de produção e gastos com publicidade
Ao explicar sua posição, Cyrus Nowrasteh afirmou que despesas com divulgação podem ultrapassar os valores empregados diretamente na realização de uma produção cinematográfica. Para ele, a inclusão dessas diferentes despesas em uma mesma cifra provoca uma distorção na comparação com outros filmes.
“Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil. Por favor, tenha isso em mente. Os custos de produção deste filme foram menores que a maioria, se não todos, dos filmes listados”, afirmou.
A discussão surgiu depois que o valor atribuído a “Dark Horse” foi comparado pelo jornal O Globo aos orçamentos de produções vencedoras do Oscar. Entre os filmes mencionados na comparação estão “Anora”, “Parasita”, “Moonlight” e “A Forma da Água”, que tiveram custos de produção inferiores a US$ 24 milhões.
Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil em maio, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões, valor que correspondia a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção.
Para o jornalista Paulo Motoryn, a manifestação de Nowrasteh merece atenção diante das apurações que investigam os recursos relacionados a “Dark Horse”.
“A gente tem o diretor do ‘Dark Horse’ falando que os custos estão sendo inflados e que os custos da produção são muito menores que os outros filmes listados”, afirmou Motoryn.
Segundo o jornalista, a declaração pode representar mais um elemento a ser considerado na análise dos valores envolvidos no projeto.
“É uma pista muito importante para nossa investigação, seja do jornalismo, seja da Polícia Federal”, disse.
A controvérsia sobre os recursos destinados ao longa ocorre enquanto a Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas ao financiamento da produção.
Flávio Bolsonaro é investigado pela PF no caso Dark Horse
Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as informações que integram a apuração, os investigadores analisam a atuação de Flávio Bolsonaro na obtenção e na cobrança de recursos junto a Daniel Vorcaro.
Mensagens, ligações e registros de encontros encontrados no celular do banqueiro indicariam, segundo os investigadores, uma participação direta do senador nas tratativas relacionadas ao financiamento do projeto.
Operação teve buscas contra Mario Frias e produtora
Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada ao financiamento de “Dark Horse”. Entre os alvos de mandados de busca e apreensão estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do filme.
Karina também é apontada como responsável por entidades que receberam recursos provenientes de emendas parlamentares, outro ponto que integra o contexto investigado pelas autoridades.
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