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PF aponta que mensagens mostram atuação de Flávio Bolsonaro em tratativas sobre financiamento de Dark Horse

Um relatório da Polícia Federal divulgado nesta sexta (11) aponta que mensagens e registros de comunicação extraídos do celular de Daniel Vorcaro mostram a participação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em tratativas relacionadas ao financiamento de Dark Horse. Vocaro é o ex-banqueiro responsável pelo escândalo do Banco Master. Leia em TVT News.

As correspondências digitais analisadas pela PF registram contatos com o banqueiro, reuniões presenciais e cobranças relacionadas aos pagamentos da produção ao longo de 2025.

Para a PF, a sequência de mensagens indica que Flávio aparece como interlocutor direto de Vorcaro em diferentes momentos das tratativas sobre o filme, incluindo cobranças de pagamentos, reuniões e conversas sobre o andamento das gravações.

De acordo com a PF, as primeiras articulações identificadas ocorreram em dezembro de 2024. No dia 8 daquele mês, Thiago Miranda Silva procurou Vorcaro para marcar uma reunião com Flávio Bolsonaro e informou que um dos assuntos seria o “filme do presidente”. O encontro foi agendado para 11 de dezembro. Dois dias antes, Thiago encaminhou a Vorcaro uma mensagem atribuída a Flávio informando que o então deputado federal Mário Frias participaria da reunião por ser o idealizador do projeto.

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Flávio e Vorcaro mantiveram contato direto durante as negociações

Segundo a análise da Polícia Federal, em janeiro de 2025 os registros passaram a incluir cobranças relacionadas aos aportes. No dia 20, Thiago Miranda cobrou Vorcaro sobre o primeiro pagamento e enviou uma captura de tela de conversa com um contato identificado como Flávio Bolsonaro, na qual era solicitada uma resposta do jurídico do investidor.

Em 28 de janeiro, Vorcaro questionou Fabiano Zettel sobre o pagamento. Ao saber que o valor ainda não havia sido repassado, afirmou que aquele seria “o mais importante disparado” e que não poderia haver nova falha no cumprimento da obrigação.

A partir de agosto, aparecem registros de interlocução direta entre Flávio e Vorcaro. Em 20 de agosto, mensagens indicam um provável encontro presencial entre os dois. Vorcaro informou o horário e Flávio respondeu que estava “a caminho”.

Em 8 de setembro, Flávio enviou um áudio ao banqueiro cobrando pagamentos relacionados ao filme. Segundo a PF, o senador demonstrava preocupação com possíveis atrasos nos compromissos assumidos pela produção com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro respondeu pedindo desculpas e afirmou que tentaria solucionar a situação.

Cobranças ocorreram durante as gravações

Ainda segundo os documentos analisados pela PF, em 15 de setembro, Thiago Miranda informou a Vorcaro que Flávio queria um encontro pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado. No dia seguinte, há registro de uma ligação entre Vorcaro e Flávio, na mesma época em que ocorreu uma remessa da Entre Investimentos para a Havengate Development Fund, conforme o material citado pela investigação.

Em 22 de outubro, Flávio voltou a tratar com Vorcaro sobre os recursos. O senador informou que o filme estava no terceiro dia de gravações e que a produção estava “no limite”. Ele pediu que o banqueiro avisasse caso não pudesse realizar o aporte, para que pudesse buscar outra alternativa.

Vorcaro respondeu que resolveria a situação. Na mesma data, Flávio o convidou para jantar com o ator principal e o diretor do filme em São Paulo. Dias depois, entretanto, Thiago Miranda voltou a cobrar o banqueiro, indicando que o pagamento que teria sido liberado ainda não havia chegado ao destino.

PF registra contato entre Flávio e Vorcaro antes da prisão

Os documentos analisados pela Polícia Federal também registram uma tentativa de contato entre Flávio e Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro. Após tentar falar por telefone, o senador enviou uma mensagem na qual afirmou: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

No dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai. A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada no dia seguinte.

Os documentos também apontam questões que, segundo a investigação, precisam ser esclarecidas, como a origem dos recursos destinados à produção, a utilização da Entre Investimentos como intermediária, a função da Havengate Development Fund e os destinatários finais dos valores enviados ao exterior.

Contrato previa investimento de US$ 24 milhões

Entre os documentos extraídos do aparelho de Vorcaro está um contrato que, segundo a PF, previa investimento total de US$ 24 milhões para a produção de Dark Horse. Também foi localizado o “Plano de Negócios Capitão do Povo V5”, encaminhado por Thiago Miranda, com projeções de receita bruta de bilheteria de US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no conservador e US$ 100 milhões no otimista.

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STF afasta presidente do Tribunal de Contas do Maranhão por 180 dias

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento cautelar, por 180 dias, de Daniel Itapary Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). A medida atende a pedido da Polícia Federal (PF) no âmbito de investigação sobre suspeitas de desvio de recursos públicos, obstrução de Justiça e fatos relacionados a um homicídio ocorrido em São Luís, em 2022. Saiba mais na TVT News.

Segundo a decisão, tomada na Petição (Pet) 15900, há indícios que justificam o aprofundamento das apurações e risco de interferência nas investigações caso o conselheiro permaneça no cargo.

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Daniel Brandão aparece na investigação por suposta participação em fatos relacionados ao homicídio e por possível ligação com o esquema de pagamentos ilícitos. Entre os elementos considerados pelo relator estão depoimentos, dados extraídos de celulares, movimentações financeiras e outros elementos reunidos pela Polícia Federal.

A decisão ressalta, porém, que a investigação ainda está em curso e que não há, neste momento, julgamento definitivo sobre a existência dos crimes ou sobre a responsabilidade do investigado. Nessa fase, o ministro afirma que são avaliados indícios suficientes para justificar medidas cautelares.

O ministro do STF também considera relevante o fato de Daniel Brandão exercer a presidência do Tribunal de Contas, órgão que fiscaliza contas e contratos do governo estadual e de empresas relacionadas à família Brandão. Dino destacou ainda que Daniel Brandão é sobrinho do governador do Maranhão e que sua permanência no cargo poderia representar risco à apuração dos fatos.

Medidas cautelares

Além do afastamento da presidência do TCE-MA, Daniel Brandão está proibido de acessar os sistemas e as dependências do tribunal, participar de eventos em razão do cargo e utilizar bens e serviços da corte de contas. Ele também não pode manter contato com Gilbson Júnior (condenado pelo homicídio de 2022), com familiares dele e da vítima e com outros investigados.

A decisão tem efeito imediato, e caberá ao próprio TCE-MA adotar as providências para a substituição do comando.

Foro

Na decisão, Dino assinala que sua competência para atuar no caso está relacionada ao Habeas Corpus (HC) 264120, apresentado no STF em razão da suposta interferência indevida do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que tem foro por prerrogativa de função na Corte. Além disso, o caso envolve atos atribuídos ao deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e ao governador Carlos Brandão, inclusive quando exercia mandato na Câmara dos Deputados.

Veja a íntegra da decisão do STF.

Por Adriana Romeo/CR/CF

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