Novo CEO da Apple assume em setembro e pode mudar estratégia de gastos
John Ternus assumirá o comando da Apple como novo CEO daqui a apenas duas semanas, e os investidores não deveriam se surpreender se ele mudar a estratégia de gastos da fabricante do iPhone para impulsionar seus softwares de inteligência artificial.
Ternus substituirá Tim Cook como CEO em 1º de setembro. Cook ocupa o cargo desde agosto de 2011 e é amplamente considerado um executivo que teve uma trajetória bem-sucedida à frente da empresa.
As ações da Apple registraram retorno total de 2.740% durante sua gestão, enquanto o valor de mercado da companhia saltou de US$ 346,4 bilhões para US$ 4,63 trilhões, segundo dados da Dow Jones Market Data.
“Tim Cook levou a Apple de uma empresa impulsionada por um pequeno número de ciclos de produtos a uma instituição capaz de gerar crescimento, fluxo de caixa, fidelidade dos clientes e inovação em escala e complexidade enormes”, escreveu Wamsi Mohan, analista da BofA Securities, em nota nesta quinta-feira.
Ele observou que os principais focos de Cook incluíram o crescimento do negócio de serviços da Apple, a criação de um ecossistema integrado de produtos que mantém os clientes voltando à marca e a ênfase na privacidade de seus dispositivos e plataformas.
“Esperamos que grande parte da estrutura central da Apple permaneça inalterada sob o comando do novo CEO, John Ternus”, disse Mohan.
Mas Ternus pode mudar pelo menos uma estratégia de longa data que ajudou a diferenciar a Apple de suas concorrentes de tecnologia de megacapitalização.
A Apple anunciou, ao divulgar os resultados do segundo trimestre fiscal, em abril, que não adotaria mais como meta manter a chamada neutralidade de caixa líquido — situação em que o dinheiro e os investimentos da empresa equivalem aproximadamente ao valor de sua dívida. A partir de agora, a companhia passará a avaliar de forma independente quanto manter em caixa e quanto tomar em dívida.
A Apple havia estabelecido originalmente a meta de neutralidade de caixa líquido em 2018. Na época, a empresa tinha US$ 163 bilhões em “caixa líquido”, resultado da soma de caixa e investimentos menos a dívida. Para reduzir esse valor, a Apple decidiu devolver recursos aos acionistas por meio de recompras de ações e dividendos.
“A Apple se afastou do objetivo de neutralidade de caixa líquido, o que, em nossa opinião, pode sinalizar um período de maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), despesas de capital (Capex) e operações maiores de fusões e aquisições (M&A)”, disse Mohan.
Ele acrescentou que, embora o aumento dos gastos e das operações de M&A não tenha sido uma prioridade da Apple durante a gestão de Cook, a empresa pode precisar mudar de estratégia para acompanhar a velocidade cada vez maior da inovação na era da inteligência artificial.
A Barron’s procurou a Apple para comentar.
Apple aumenta gastos com IA
A Apple já vem gastando mais para melhorar suas ofertas de inteligência artificial. A empresa aumentou em 32% os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, para US$ 11,7 bilhões, no terceiro trimestre fiscal. O movimento contribuiu para elevar as despesas operacionais em 23%, para US$ 19,1 bilhões.
Ainda assim, a empresa continua gastando significativamente menos do que outras gigantes da tecnologia. A Amazon.com, por exemplo, registrou US$ 54 bilhões em despesas de capital (Capex) no segundo trimestre.
Diante de gastos tão elevados que reduzem o fluxo de caixa livre de empresas concorrentes, alguns investidores têm se mostrado satisfeitos com a postura mais conservadora da Apple.
Um aumento dos gastos pode assustar alguns acionistas, mas a Apple precisa começar a lançar atualizações relevantes de inteligência artificial para animar tanto Wall Street quanto os consumidores. Isso pode ser motivo suficiente para que Ternus abra mais a carteira da Apple.
Escreva para Angela Palumbo pelo e-mail angela.palumbo@dowjones.com.








