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O desafio da Petrobras e da Pemex na busca por petróleo em rochas de 160 milhões de anos

As duas maiores petroleiras da América Latina estão fazendo uma aposta de alto risco para tentar acessar uma vasta reserva de petróleo em rochas que não veem a luz do dia há 160 milhões de anos.

A Petrobras e a Pemex se uniram para investigar uma camada da crosta terrestre sob o Golfo do México que é mais antiga, mais profunda e potencialmente mais rica em petróleo do que os atuais megacampos do mundo.

Os riscos físicos, financeiros e ambientais são enormes, diante dos desafios de perfurar quilômetros abaixo do leito marinho, atravessando camadas instáveis de rocha submetidas a altas pressões.

O alvo é uma formação geológica na costa do estado mexicano de Campeche que a Pemex explorou sem sucesso em 2018. O local contrasta fortemente com os poços de alta produtividade do lado americano do Golfo, que extraem petróleo preso em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos.

Agora, Petrobras e Pemex tentam perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, de uma época em que dinossauros e moluscos ancestrais dominavam a terra e os mares.

Para a Pemex, trata-se de uma tentativa decisiva de revitalização, enquanto a empresa enfrenta uma pesada dívida, queda na produção de petróleo e uma reputação de ineficiência e riscos operacionais. Mas o esforço também é relevante para o mercado global de petróleo, já que a guerra no Irã e outras perturbações geopolíticas no Oriente Médio expuseram os riscos de concentrar uma parcela tão grande da oferta em uma única região.

O incentivo para perfurar essas formações mais antigas é que elas podem oferecer um retorno muito maior, pois são as chamadas rochas geradoras, onde matéria orgânica foi comprimida, aquecida e transformada em petróleo. Em contraste, as rochas mais jovens são apenas bolsões onde vazamentos provenientes das rochas geradoras ficaram presos ao longo do tempo.

Equipes das duas empresas começaram, nas últimas semanas, a analisar dados sísmicos e outras informações geológicas com o objetivo de realizar um feito que nunca foi alcançado fora do território brasileiro da Petrobras.

“A Petrobras está entrando em território desconhecido”, disse Pedro Zalan, geólogo que trabalhou em projetos de exploração durante 34 anos na empresa. A geologia do lado mexicano do Golfo “é particularmente favorável ao acúmulo de petróleo”.

A Petrobras tem experiência única na exploração de rochas geradoras em uma camada da crosta que os geólogos chamam de pré-sal. Uma série de gigantescas descobertas offshore na região do Rio de Janeiro, a partir de 2006, deu início a um ciclo de transformação na produção de petróleo do Brasil.

Tentativas posteriores de outras empresas de reproduzir esse sucesso em formações de pré-sal em Angola, Gabão e República do Congo fracassaram em grande parte.

“A Pemex, sozinha, não tem a tecnologia nem o capital necessários para esse tipo de projeto”, disse Mark Rowan, geólogo e consultor do Colorado especializado em descobertas em águas profundas no Golfo do México. “Mas o fato de ser de alto risco não significa que não haja hidrocarbonetos ali. As empresas estão dispostas a perfurar áreas muito arriscadas e a ser pioneiras porque as possíveis recompensas, se der certo, são enormes.”

Em 2018, a Pemex perfurou mais de 7.800 metros abaixo do leito marinho e atravessou a camada de sal de Campeche. Embora o poço exploratório tenha sido considerado improdutivo, na linguagem do setor isso não é necessariamente sinônimo de inútil. Os dados e conhecimentos obtidos com o poço podem fornecer pistas valiosas para os geólogos e engenheiros da Petrobras e da Pemex.

“Aparentemente, o que a Pemex encontrou não foi suficiente para fazê-la desistir”, disse Rowan. “Isso sugere que não havia nenhum fator que inviabilizasse completamente o projeto e, possivelmente, que havia algo que lhes deu uma razão concreta para continuar testando.”

Mesmo que haja petróleo sob a camada de sal, levá-lo à superfície será um desafio. Sob altas temperaturas e pressões em grandes profundidades, o sal se comporta mais como um líquido do que como um sólido, e atravessá-lo exige equipamentos e técnicas especializados.

Os poços também precisam se mostrar economicamente viáveis, e a perfuração em águas profundas pode facilmente custar centenas de milhões de dólares por poço.

Além de explorar a região do pré-sal, as empresas planejam procurar petróleo sob rochas sedimentares formadas por avalanches de lama e areia a quilômetros abaixo da superfície do mar, além de investigar formações de sal mais jovens e rasas, disse Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da Petrobras, durante uma entrevista coletiva em 7 de agosto.

Superpetroleiras como Chevron e Shell produzem petróleo de campos chamados de subsal há mais de 30 anos. Embora essas reservas estejam sob águas muito profundas e também apresentem uma série de riscos, perfurar os recursos de pré-sal muito mais antigos que Petrobras e Pemex estão buscando representa um nível ainda maior de complexidade e risco.

Uma descoberta comparável ao campo de Tupi, descoberto pela Petrobras em 2006, seria o desenvolvimento mais importante da história de 88 anos da Pemex. Isso ajudaria a concretizar o objetivo de sucessivos presidentes mexicanos e presidentes-executivos da Pemex de revitalizar a produção da empresa, que já foi a joia da economia do país.

No Brasil, a exploração das reservas do pré-sal provocou um salto na produção de petróleo e transformou uma economia amplamente dependente das exportações agrícolas em uma potência energética regional.

O campo de Tupi, sozinho, já produziu 4 bilhões de barris de petróleo desde que entrou em operação, em 2010. Isso representa mais de US$ 300 bilhões em valor econômico, considerando os preços médios internacionais do petróleo no período.

“Depende muito do que os dados do poço de pré-sal perfurado pela Pemex em 2018 realmente mostram, e a empresa manteve os resultados desse estudo sob sigilo”, disse Jon Blickwede, geólogo e proprietário da Teyra GeoConsulting, de Houston. “Se a Pemex encontrou qualquer indício de hidrocarbonetos, seja gás ou petróleo, sob a camada de sal, isso seria extremamente significativo.”

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Nubank recebe autorização para operar como banco no México e prevê investimentos de US$ 4,2 bilhões

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Pouco mais de um ano após dar a partida na expansão de suas atividades no México, o Nubank anunciou, na sexta-feira, 10 de julho, que recebeu autorização das autoridades regulatórias para iniciar suas operações como banco no país. A autorização concedida pela Comisión Nacional Bancaria y de Valores (CNBV) representa a etapa final do processo […]

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Mercado Livre vende Ozempic no México enquanto Brasil discute regras para venda de remédios

Após a aquisição de uma farmácia física em São Paulo no ano passado — um pré-requisito regulatório para a venda online de medicamentos —, a expansão do Mercado Livre para o setor de saúde acaba de ganhar um capítulo importante fora do Brasil.

No México, a farmacêutica Novo Nordisk abriu uma loja oficial dentro da plataforma do Mercado Livre para comercializar, mediante receita médica, medicamentos à base de semaglutida, incluindo Ozempic, Wegovy e Rybelsus.

O movimento chama atenção não apenas pelo porte dos produtos envolvidos, mas pelo desenho do negócio. O diferencial do modelo mexicano não está na venda digital de medicamentos em si — já permitida em diversos mercados —, mas no fato de o próprio laboratório operar uma vitrine oficial dentro de um marketplace. Nesse arranjo, a fabricante passa a atuar como vendedora dentro da plataforma, algo que não é permitido no Brasil.

Na prática, é a própria Novo Nordisk quem aparece como seller dos produtos e mantém a relação comercial com o consumidor dentro do ecossistema do marketplace. O Mercado Livre fornece a infraestrutura da plataforma e o suporte logístico, incluindo o Mercado Envios, enquanto a entrega dos medicamentos fica a cargo de transportadoras farmacêuticas licenciadas.

Por que o México e não o Brasil?

A diferença central está na regulação. No México, a Ley General de Salud — supervisionada pela agência sanitária COFEPRIS — autoriza a venda digital de medicamentos sujeitos a prescrição, desde que haja licença sanitária válida e com a receita verificada por um profissional farmacêutico habilitado.

Embora a norma não tenha sido desenhada especificamente para marketplaces, ela permite, na prática, a atuação direta de laboratórios em plataformas digitais, apoiados por operadores logísticos licenciados.

No Brasil, o cenário é mais restritivo. As regras da Anvisa permitem a venda online de medicamentos apenas por farmácias e drogarias devidamente licenciadas. O e-commerce funciona como extensão digital desses estabelecimentos, o que impede que marketplaces atuem como vendedores diretos. Esse modelo está em vigor desde 2009, quando a agência regulamentou o comércio eletrônico de medicamentos.

No caso de medicamentos à base de semaglutida — como Ozempic, Wegovy e Rybelsus —, as restrições são ainda mais relevantes por se tratarem de produtos sujeitos à prescrição médica. A Lei 15.354/2026 trouxe alguma flexibilização ao permitir a terceirização de etapas logísticas e de entrega, mas não alterou o núcleo da regulação. Fabricantes continuam impedidos de vender diretamente ao consumidor final, e a comercialização permanece concentrada em farmácias autorizadas.

Operação no Brasil: estágio inicial e modelo híbrido

Nesse contexto, a operação farmacêutica do Mercado Livre no Brasil ainda se mantém em estágio inicial, centrada no Meli Farma, estruturado a partir de uma farmácia licenciada em São Paulo e voltado a produtos de higiene, cuidados pessoais e medicamentos isentos de prescrição.

A estratégia da companhia não se baseia na integração vertical nem na manutenção de estoque próprio, mas sim na integração de farmácias licenciadas ao seu ecossistema de marketplace. Essa abordagem reflete o modelo de marketplace de terceiros já consolidado em outras categorias e é consistente com iniciativas semelhantes em outros mercados.

México como laboratório estratégico

A parceria entre Mercado Livre e Novo Nordisk no México funciona como um importante laboratório estratégico. Ela demonstra como a companhia pode evoluir em ambientes regulatórios mais flexíveis, testando modelos em que a plataforma deixa de ser apenas intermediária entre farmácias e consumidores para se tornar uma infraestrutura mais direta de distribuição para a indústria farmacêutica.

Nesse arranjo, o Mercado Livre se posiciona como camada tecnológica e logística que conecta fabricantes, operadores licenciados e consumidores finais, ampliando o potencial de monetização e integração com seu ecossistema.

A entrada do Mercado Livre no setor farmacêutico deve ocorrer de forma gradual no Brasil. No entanto, a combinação de movimentos regulatórios no exterior e mudanças competitivas locais sugere um potencial de transformação mais relevante no médio e longo prazo.

A parceria com a Novo Nordisk reforça a tese de que categorias como GLP-1 podem se tornar estratégicas para plataformas digitais, dada sua recorrência, alto valor e demanda estrutural crescente. Caso o ambiente regulatório evolua, o Mercado Livre estaria posicionado para capturar valor não apenas como intermediário, mas como infraestrutura central do ecossistema farmacêutico digital. Por ora, a expansão segue condicionada às regras locais, que ainda limitam de forma relevante a atuação direta da companhia nesse setor.

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Migração, protestos e mais: ONGs apontam preocupações com direitos humanos na Copa

Muito além de um campeonato de futebol, a Copa do Mundo FIFA 2026, assim como os Jogos Olímpicos, é também conhecida por ser um momento de união e integração entre as nações. Nestes cenários, espera-se que apenas o esporte ocupe o foco, trazendo assim uma atmosfera de paz.

No entanto, em meio a protestos no México e incontáveis polêmicas envolvendo as políticas e o governo dos Estados Unidos, esta vem sendo considerada por muitos como a Copa mais politizada da história. Assim, com o início do torneio, organizações de defesa dos direitos humanos chamam atenção para abusos e violações nos países-sede.

LEIA MAIS: Calendário da Copa: saiba como acompanhar os 72 jogos da 1ª fase sem se perder

A Anistia Internacional, por exemplo, lançou o relatório “Humanity Must Win” (Humanidade Precisa Vencer, em tradução livre). “A Copa do Mundo da FIFA de 2026 está acontecendo em meio a uma grave crise de direitos humanos, com riscos e impactos significativos para torcedores, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais”, argumenta a entidade.

A Sports and Rights Alliance (Aliança Esporte e Direitos, em tradução livre), que também reúne uma série de organizações da sociedade civil, publicou uma carta aberta direcionada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. No documento, a aliança pede respeito aos direitos humanos durante o torneio, sob o mote “Mantenha o mundo na Copa do Mundo”.

Da mesma forma, nos Estados Unidos, uma coalizão de mais de 120 organizações da sociedade civil criou um guia de viagem para apoiar pessoas que vão ao país durante a Copa do Mundo, para assistir ou trabalhar, com orientações a respeito de direitos que devem ser assegurados.

Em resposta ao guia, a Fifa afirmou ao site The Athletic que “conforme o artigo 3º do Estatuto da Fifa, a Fifa está comprometida com o respeito a todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente e se empenhará em promover a proteção desses direitos.”

Ao mesmo veículo, Andrew Giuliani, diretor-executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo rechaçou qualquer ameaça à segurança do torneio e afirmou que “sob a liderança do presidente Trump, a Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo trabalhou incansavelmente para garantir que a Copa do Mundo de 2026 seja o evento esportivo mais incrível da história dos EUA”.

Políticas migratórias em foco nos Estados Unidos

3 de junho de 2026 – Protesto contra a política migratória do governo Trump em Chicago. Foto: REUTERS/Jim Vondruska

Os Estados Unidos são o principal foco de preocupações no campo dos direitos humanos. O ponto mais em evidência é a política migratória repressiva, que nos últimos meses incluiu abordagens violentas, detenção de crianças e deportação de milhares de pessoas.

“Talvez a ameaça mais grave tanto para os participantes visitantes quanto para os locais na Copa do Mundo venha da máquina de aplicação abusiva, discriminatória e mortal das leis de imigração e detenção em massa nos EUA”, avalia a Anistia Internacional.

A American Civil Liberties Union (ACLU), aponta que muitas das cidades-sede abrigam grandes comunidades de migrantes e ressalta que elas “vivem hoje com medo constante de discriminação racial, detenção desumana, separação de seus entes queridos e deportação sumária devido à política agressiva de imigração do presidente Trump.”

A Human Rights Watch pediu por uma “trégua do ICE” durante os jogos e instou os patrocinadores do evento a fazer o mesmo: “Os patrocinadores corporativos da FIFA pagam bilhões de dólares porque querem se associar ao ‘jogo bonito’, e não à cruel repressão à imigração promovida pelo governo dos EUA”, disse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch. “Os patrocinadores e parceiros da Copa do Mundo devem pedir uma trégua ao ICE como a melhor maneira de garantir que o torneio não seja prejudicado pelas políticas abusivas de imigração do governo Trump.”

Apesar dos alertas e apelos, os efeitos desta política já foram sentidos no Mundial. O caso que ganhou mais repercussão foi o do árbitro somali Omar Artan que foi impedido de entrar nos EUA ao desembarcar em Miami e não poderá mais apitar na competição.

Ele, porém, não foi o único. O fotógrafo oficial da seleção iraquiana, Talal Salah, também teve sua entrada negada e 15 membros da equipe técnica do Irã tiveram vistos negados, entre outros casos.

Liberdades de expressão e de imprensa em xeque

Duas ONGs que trabalham com a proteção das liberdades de expressão e de imprensa divulgaram alertas a jornalistas que cobrem o Mundial poucos dias antes do início do torneio. O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) instou os profissionais a tomar precauções. “Jornalistas já enfrentaram assédio, detenções, ameaças e violência enquanto cobrem grandes eventos esportivos”, explicou a organização.

Nos EUA, os alertas se voltam principalmente para a intensificação das operações de imigração e fiscalização alfandegária. “No México, a violência contra jornalistas locais é a mais preocupante. No Canadá, houve casos de jornalistas detidos na fronteira e, muito raramente, prisões de repórteres que cobriam protestos.”

Da mesma forma, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) “alerta os profissionais da imprensa para se prepararem para um ambiente de cobertura mais complexo, marcado por vigilância reforçada, fiscalização rigorosa nas fronteiras e crescentes preocupações com a liberdade de imprensa no México e nos Estados Unidos.”

Os Estados Unidos estão hoje na posição 64 – de um total de 180 – do ranking de liberdade de imprensa da RSF, a pior posição já registrada para o país. Além disso, no fim de 2025, a Relatoria Especial para Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou preocupação com o que chamou de um “crescente clima de violência” no país.

No México a questão da liberdade de expressão e de imprensa também preocupa especialistas. O México é considerado o país mais perigoso do Ocidente para jornalistas porque sete profissionais foram mortos em 2025 em decorrência do exercício da profissão, de acordo com o CPJ.

11 de junho de 2026 – Membros de grupos de busca de pessoas desaparecidas cujos parentes são vítimas de carteis de drogas mexicanos protestam perto do Estádio Azteca, na Cidade do México, no dia da abertura da Copa do Mundo. Foto: REUTERS/Rolando Ramos

Além disso, grandes manifestações vêm tomando as ruas do país, com cidadãos protestando por questões como acesso à terra, água, moradia, reajuste salarial de professores e reivindicando respostas pelas mais de 133.500 pessoas que estão desaparecidas no país. A reação das autoridades aos atos inspira preocupação.

Em Guadalajara, uma das cidades que receberá jogos da Copa, a Anistia Internacional reporta que autoridades ameaçaram remover cartazes em busca de pessoas desaparecidas da “Rotatória dos Desaparecidos”, enquanto em Monterrey a polícia tentou prender mulheres que participavam das buscas e exibiam faixas em uma ponte.

Os riscos à liberdade de expressão atingem até mesmo o Canadá. Recentemente, relembra a Anistia Internacional, o país presenciou uma onda de protestos contra o genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, o que incorreu em ações da polícia durante a dispersão que foram consideradasindevidas pela entidade. Outro ponto destacado é que a cidade de Toronto, uma das sedes do Mundial, introduziu “zonas de exclusão de protestos”, proibindo manifestações em determinados pontos da cidade.

Pessoas em situação de rua no Canadá

No Canadá, pessoas em situação de rua estão arriscadas a perder acesso a serviços essenciais, ter seus pertences confiscados e serem expulsas de locais públicos. A experiência prévia dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 em Vancouver e uma crescente crise habitacional no país fazem crescer os temores de que estas pessoas sejam desalojadas, aponta a Anistia Internacional.

O receio ganhou força quando, em Toronto, um abrigo que acolhe pessoas em situação de rua no inverno foi fechado um mês antes do previsto. O motivo foi o fato de que o local já estava reservado para uso pela FIFA como parte do acordo de organização da Copa do Mundo.

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Como a Copa expõe para o mundo a violência dos cartéis no México

ZAPOPAN, México — Neste subúrbio sofisticado e arborizado de Guadalajara, onde gramados bem cuidados ficam próximos de centros comerciais de alto padrão, 89 sacos com restos humanos foram encontrados no último ano, abandonados em ravinas ou retirados de valas comuns sem identificação.

A poucos quilômetros dessas descobertas macabras, torcedores de futebol vão lotar o Estádio Akron, em formato de vulcão, nos arredores de Guadalajara, para a primeira de quatro partidas da Copa do Mundo que serão disputadas no local, a partir de quinta-feira.

Quatro meses após uma onda de violência de cartéis paralisar Guadalajara e o estado de Jalisco, autoridades mexicanas montam um esquema de segurança multimilionário para convencer o mundo de que o torneio é seguro. Guadalajara é particularmente sensível por estar no estado-sede do Cartel de Jalisco Nova Geração — um dos maiores e mais violentos grupos de crime organizado do país.

Ao redor do Estádio Akron, um amplo perímetro foi fortemente cercado. No alto, um helicóptero Black Hawk com atiradores patrulhará o céu, enquanto uma frota de Tesla Cybertrucks no solo ajudará a sustentar um escudo eletrônico antidrone sobre o estádio.

Cerca de 100 mil agentes de segurança serão mobilizados em todos os locais-sede do país, incluindo Cidade do México e Monterrey.

Os riscos são elevados tanto para o governo mexicano quanto para as economias subterrâneas que operam paralelamente ao Estado. Analistas de segurança afirmam que organizações criminosas no México, especialmente o cartel de Jalisco, com forte presença em Guadalajara, provavelmente irão impor uma trégua tática durante o torneio, aproveitando a oportunidade para lucrar com a venda de drogas e outros serviços ilícitos aos grandes fluxos de turistas.

Ao mesmo tempo, grupos ativistas trabalham para garantir que os visitantes não deixem de enxergar a violência que molda a vida em Guadalajara e em grande parte do país.

Mais de 130 mil pessoas estão desaparecidas no México, a maioria sequestrada ou morta por cartéis, em alguns casos com cooperação de autoridades policiais. Familiares colam cartazes com fotos dessas pessoas fora de locais da Copa, e também participam de protestos que ameaçam interromper o acesso ao Estádio Azteca, na Cidade do México, durante o jogo de abertura.

“Queremos que as pessoas saibam o que acontece no México”, disse Héctor Flores, cofundador do grupo Light of Hope, cujos voluntários encontraram um crânio humano em uma ravina em Zapopan na semana passada. “Pessoas desaparecem todos os dias aqui, e parece que ninguém se importa, exceto as famílias.”

Outros grupos também se juntam às manifestações. Nas últimas duas semanas, uma ala combativa do sindicato nacional de professores bloqueou grandes vias de transporte, derrubou estátuas de jogadores da Copa e vandalizou anúncios com grafites antigoverno. Outras organizações de esquerda também se mobilizam para os protestos de quinta-feira.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, busca projetar uma imagem de estabilidade e prometeu que o governo não reprimirá manifestações. Ela fechou escolas e determinou que servidores federais trabalhem de casa na quinta-feira para reduzir o potencial de caos na Cidade do México.

“Vamos ao mesmo tempo garantir que a celebração de abertura da Copa do Mundo ocorra bem, de forma pacífica e tranquila”, disse Sheinbaum na segunda-feira.

A tensão em torno do torneio atingiu o pico em fevereiro, quando forças de segurança mexicanas mataram o líder do Cartel de Jalisco, Nemesio “El Mencho” Oseguera, em um violento tiroteio. O cartel respondeu sequestrando e incendiando ônibus para bloquear estradas em todo o estado, queimando lojas de conveniência e matando mais de duas dezenas de membros da Guarda Nacional.

Gabriela Cuevas, representante do México na FIFA para a Copa do Mundo, minimizou o risco de uma nova escalada durante os jogos, afirmando que o estado estava “completamente normalizado” 72 horas após os confrontos de fevereiro. Ela destacou a longa experiência do México na realização de grandes eventos, incluindo uma apresentação oficial do troféu da FIFA em Guadalajara dias após os distúrbios.

Tequila e mariachi

O México segue sendo um dos principais destinos turísticos do mundo, impulsionado por produtos culturais globais de Jalisco, como tequila e mariachi.

O Departamento de Estado dos EUA recentemente alertou torcedores que irão aos jogos no México sobre risco de furtos e golpes, recomendando evitar táxis de rua. Ainda assim, a demanda permanece forte: Guadalajara, junto com Vancouver, tem uma das maiores taxas de ocupação hoteleira entre todas as cidades-sede do torneio.

Ex-autoridades de segurança mexicanas e americanas observam que, embora os confrontos de fevereiro tenham exposto o fraco controle do governo sobre partes de Jalisco, os cartéis entendem a lógica econômica do momento. Um ataque direto a turistas estrangeiros ou qualquer interrupção do torneio multibilionário provocaria uma resposta federal sem precedentes, possivelmente com apoio de inteligência e segurança dos EUA — um cenário que os cartéis querem evitar.

Em vez disso, o submundo do crime vê o torneio como uma oportunidade de lucro. Um estudo conjunto da Organização Mundial do Comércio e da FIFA projeta que cada torcedor gastará mais de US$ 400 por dia, criando fluxos de receita temporários altamente lucrativos.

“O crime organizado vai lucrar com a Copa do Mundo oferecendo todo tipo de coisa”, disse Eduardo Guerrero, analista de segurança na Cidade do México. “Drogas, prostituição, transporte clandestino. Os mercados ilegais vão se expandir rapidamente com o aumento da demanda.”

Diante dos desafios de conter protestos e redes criminosas, autoridades regionais estão optando por dissuasão em vez de confronto direto. Juan Pablo Hernández, chefe de segurança do estado de Jalisco, confirmou que o governo evitará operações agressivas contra cartéis durante o período do torneio.

“Não é viável realizar operações que possam gerar confrontos e colocar a população em risco, incluindo turistas”, disse Hernández. “Em vez disso, nossa estratégia é uma demonstração de força ampla e visível para manter a paz.”

Na semana passada, Hernández apresentou publicamente os recursos disponíveis para a Copa, com uma exposição de motocicletas, cães-robôs de desativação de bombas, Cybertrucks, drones de vigilância, jammers antidrone, veículos blindados, armas automáticas e especialistas em explosivos.

No total, o estado de Jalisco gastou cerca de US$ 11 milhões em equipamentos de alta tecnologia.

Para as famílias de desaparecidos no México, os milhões gastos em “escudos tecnológicos” para estádios são um insulto. Os desaparecimentos mais que dobraram na última década, segundo o think tank México Evalúa. O estado de Jalisco lidera o país, com mais de 16 mil casos sem solução.

Ativistas afirmam que órgãos responsáveis por localizar desaparecidos têm tão poucos recursos e funcionários que as buscas frequentemente levam meses para começar.

Para forçar visitantes internacionais a encarar essa realidade, grupos ativistas estão atuando na paisagem visual do torneio. Fora da zona oficial de fãs da FIFA em Guadalajara, o coletivo Light of Hope colou paredes com fotos de familiares desaparecidos, modificadas digitalmente para parecerem figurinhas oficiais da Copa do Mundo.

“Falta recurso e falta vontade”, disse Jaime Aguilar, voluntário dos Search Warriors of Jalisco, que buscam valas clandestinas no estado. “Os recursos existem. Com a Copa do Mundo, estamos vendo um enorme desperdício de dinheiro para cumprir exigências da FIFA.”

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Petrobras e Pemex podem formar parceria em exploração de petróleo

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, sobre uma possível parceria de exploração entre as estatais de petróleo dos dois países no Golfo do México.

Falando em um evento nesta sexta-feira (20), ele disse que fez a ligação a pedido de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, para sugerir que a companhia trabalhe com a Pemex (Petróleos Mexicanos).

“Você sabia que a Pemex poderia receber uma ajuda significativa da Petrobras para explorar petróleo em conjunto no Golfo do México, a uma profundidade de 2.500 metros?”, disse Lula que perguntou a Sheinbaum, sem dar mais detalhes sobre a conversa ou uma eventual parceria.

A Petrobras não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Especialista em operações em águas profundas e em busca de expandir sua atuação no exterior para aumentar a produção e recompor reservas de petróleo e gás, a empresa não tem operações atualmente no México.

O gabinete de Sheinbaum, a Pemex e o Ministério de Energia do México também não responderam de imediato.

A presidente mexicana vem buscando parceiros privados para ajudar a Pemex a elevar a produção e reverter a queda na extração de petróleo, que hoje está na metade do pico registrado há duas décadas. Poucas grandes empresas internacionais, além do Grupo Carso, do bilionário Carlos Slim, anunciaram projetos.

Reserca estratégica de petróleo

Durante o evento, Lula também sugeriu que o Brasil e a Petrobras avaliem a criação de uma reserva estratégica de petróleo, nos moldes das mantidas por Estados Unidos, China e outros países, para formar estoques de emergência e reduzir impactos de crises.

Os comentários ocorrem em meio à alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra dos EUA no Irã, o que tem pressionado a Petrobras e o governo brasileiro.

“Não é algo rápido, leva tempo, mas é estratégico e a Petrobras e o governo precisam pensar nisso”, disse Lula. “Precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador para não sermos vítimas do que está acontecendo hoje.”

O presidente também afirmou que a Petrobras tentará recomprar uma refinaria na Bahia vendida à Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, em 2021.

Lula tem sido crítico da venda da refinaria de Mataripe, realizada durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Vamos recomprar”, disse Lula. “Pode demorar, mas vamos comprar de volta.”

@investnewsbr

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Braskem Idesa negocia financiamento com credores para possível recuperação judicial nos EUA

A Braskem Idesa, do México, está em negociações com credores para obter financiamento que permitiria à empresa atravessar um eventual processo de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A companhia busca estruturar um chamado financiamento “debtor-in-possession” (DIP), disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas ao tratar de assuntos privados. As discussões continuam em andamento e os planos para um Chapter 11 ainda não estão definidos.

A Braskem Idesa — joint venture entre a brasileira Braskem e a mexicana Grupo Idesa — vem negociando com credores para reestruturar sua dívida, mas até agora não conseguiu chegar a um acordo.

A Braskem Idesa não respondeu aos pedidos de comentário.

No mês passado, a companhia deixou de pagar juros de seus títulos em dólar com vencimento em 2032, marcando mais um capítulo de suas dificuldades financeiras em meio à prolongada desaceleração do setor petroquímico. Em novembro, já havia perdido o pagamento de um cupom de títulos com vencimento em 2029, e a Fitch Ratings rebaixou a empresa para o segundo nível mais baixo de sua escala de classificação.

A Braskem Idesa tinha US$ 46 milhões em caixa no fim de setembro, menos da metade do montante registrado no fim de junho, segundo seus resultados mais recentes. A empresa deve divulgar seu próximo balanço em março.

A controladora Braskem também enfrenta pressões de endividamento e planeja apresentar aos credores um plano de reestruturação extrajudicial. O conglomerado Novonor SA está em processo de finalização da venda de sua participação de controle na Braskem para um fundo assessorado pela gestora IG4 Capital.

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WEG amplia produção no México para evitar tarifas dos EUA sobre o Brasil

A fabricante de equipamentos industriais WEG espera compensar o impacto das tarifas americanas até o primeiro semestre de 2026, após um impacto maior que o esperado nos resultados do quarto trimestre deste ano.

O diretor financeiro (CFO) da WEG, André Luis Rodrigues, disse que a empresa está adiantando alguns investimentos e reformulando sua cadeia de suprimentos, transferindo a produção que será vendida para os Estados Unidos do Brasil para o México.

A medida vem após os EUA aplicarem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros no início de agosto.

“Estamos acelerando os investimentos no México”, disse Rodrigues.

Segundo ele, a meta é que toda produção do Mèxico seja destinada aos EUA.

Já a produção brasileira abastece o México e a América Central.

“A gente não vê esse cenário se perpetuar por um longo período, mas é difícil dizer quando vai ser revertido”, disse o CFO.

A WEG também está investindo mais recursos nos EUA, onde fabrica transformadores, entre outros produtos, e emprega cerca de 2.200 funcionários.

Em setembro, a empresa anunciou um investimento de US$ 77 milhões para expandir a capacidade de uma instalação americana.

A WEG divulgou resultados acima do esperado para o terceiro trimestre. Entre eles, o lucro líquido de R$ 1,65 bilhão, acima da média das estimativas dos analistas.

A WEG reiterou seu guidance de margem sobre o ebitda entre 21,8% e 22,4% para este ano.

Resultados da WEG

“O desempenho no terceiro trimestre foi ligeiramente melhor do que as estimativas”, disse o analista do Citi André Mazini em uma nota a clientes.

Dados do comércio exterior do Brasil de setembro mostram que as exportações de motores e geradores elétricos de Jaraguá do Sul, que são principalmente remessas da WEG, caíram 13% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um relatório do Bank of America.

A empresa informou que sua atividade industrial no exterior permaneceu positiva em seus principais mercados, apesar das novas tarifas.

Com um câmbio mais forte e um cenário doméstico desafiador — incluindo uma taxa básica de juros de 15% e as eleições presidenciais do próximo ano — a empresa ainda espera continuar expandindo sua lucratividade.

“Independentemente do cenário macroeconômico, a WEG vem constantemente encontrando maneiras de aumentar o seu lucro líquido”, disse Rodrigues. “A gente vai buscar oportunidades para seguir aumentando o lucro por ação.”

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