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Braskem sobe na bolsa com ampliação de programa de subsídios e expectativa por acordo com IG4

A possibilidade de resolução da novela envolvendo o futuro da Braskem movimentou o mercado de ações nesta quarta-feira (19). A companhia chegou a liderar as altas do dia no Ibovespa, saltando mais de 9% em sua máxima no intradia, mas devolveu os ganhos e sobe apenas 0,87% às 16h14. Duas notícias puxaram os papéis: a aprovação de um novo programa de incentivos para o setor químico e as notícias sobre o avanço nas negociações para a troca de controle da empresa.

Em relação ao comando da Braskem, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, informou que a gestora IG4 está próxima de firmar um acordo com os bancos credores da Novonor (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES) para assumir as ações da ex-Odebrecht na Braskem. A Novonor detém 50,1% das ações com direito a voto da Braskem e 38,3% do capital total da companhia.

O InvestNews confirmou a informação e apurou que ainda faltam detalhes jurídicos para a assinatura, o que poderá levar mais alguns dias, devendo ocorrer mais para o fim da próxima semana. Com a troca de controlador, uma nova diretoria deverá assumir a empresa petroquímica, conforme mostrado no fim de setembro.

A IG4, do gestor Paulo Mattos, firmou em agosto um acordo de exclusividade de 90 dias com os bancos credores da Novonor que possuem as ações da Braskem em garantia. O acordo vence nos próximos dias, o que explica a maior expectativa do investidor por uma resolução da história, mas as negociações seguirão mesmo sem a exclusividade.

A antiga Odebrecht contratou empréstimos e utilizou os papéis como alternativa de pagamento, caso não conseguisse honrar os compromissos. O valor da dívida da Novonor com os bancos gira em torno dos R$ 19 bilhões.

O InvestNews apurou que a Petrobras, sócia da Novonor no ativo, observa o desenrolar da negociação, mas ainda não recebeu comunicados contundentes por parte da gestora. A petroleira aguarda o desfecho da transação com o IG4 para definir possíveis aportes na Braskem. É possível que o tema seja colocado na pauta da próxima assembleia do comitê de investimentos, marcada para 26 de novembro.

A definição do cenário é crucial para se decidir sobre as formas de reestruturação de capital na Braskem, que poderá incluir reestruturação de ações e dívidas, e a participação da Petrobras nesse processo.

Algo que joga a favor da petroquímica é o acordo firmado com o governo de Alagoas para o pagamento de R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas ao desmoronamento do solo em bairros da capital alagoana, Maceió; um desastre causado pela extração de sal-gema pela petroquímica. O valor será pago ao longo de 10 anos.

Questionado sobre a possibilidade de desfecho do imbróglio na última teleconferência com analistas, o CEO da companhia, Roberto Ramos, reforçou que a empresa continua em “compasso de espera”. “Não somos nem atores coadjuvantes, nós somos espectadores. Talvez espectadores de primeira fila, mas apenas espectadores”, reiterou.

Além disso, a empresa foi beneficiada indiretamente pela aprovação do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ), novo programa de incentivo ao setor que substituirá o Regime Especial da Indústria Química (REIQ), no Senado.

Incentivos fiscais

A companhia aguardava a aprovação de um projeto de lei que expandiria o programa REIQ. Intitulado PRESIQ, o programa cria um novo regime para o período de 2027 a 2029, com possibilidade de créditos industriais de até 5% do valor de aquisição de matérias-primas (limitados a R$ 3 bilhões), dos quais 10% devem ser reinvestidos em P&D.

O projeto é visto por analistas do mercado como uma “salvação” para o caixa da Braskem, já que daria fôlego para que a companhia termine seus investimentos, sobretudo na ampliação de seu complexo industrial em construção no Rio de Janeiro.

Com a aprovação do projeto no Senado na última terça-feira (18), a XP Inc. estima um aumento de cerca de US$ 25 milhões no Ebitda da companhia em 2025 e de até 380 milhões para 2026 (entre +55-70%
em relação ao EBITDA da Braskem nos últimos 12 meses) com a extensão do REIQ. Entre 2027 a 2029, o impacto positivo esperado é de até US$ 280 milhões por ano. O projeto de lei agora segue para sanção presidencial.

Os incentivos propostos no projeto de lei podem ser divididos em duas partes. Em primeiro lugar, há a expansão do programa REIQ, que oferece um crédito fiscal de cerca de 0,73% sobre compras de nafta e outras matérias-primas.

De acordo com o novo projeto de lei, esse benefício aumentaria para 5,50% entre novembro e dezembro de 2025 e para 6,25% em 2026. Em relação ao Presiq, cria-se um novo regime para o período entre 2027 e 2029, no qual o governo concederia créditos fiscais até um limite máximo de R$ 3 bilhões por ano.

“Se o projeto de lei for aprovado, representará um alívio substancial para a Braskem, podendo interromper a queima recorrente de caixa da empresa em meio ao ciclo de baixa nos spreads petroquímicos globais”, afirmou a XP, em documento aos clientes assinado pelo analista Regis Carvalho. “Do limite máximo [do PRESIQ] de R$ 3 bilhões para todo o setor para 2027 a 2029, estimamos que aproximadamente R$ 1,5 bilhão (cerca de US$ 280 milhões) seria destinado à Braskem.”

O projeto de lei agora segue para sanção presidencial. O presidente tem 15 dias úteis para aprovar ou vetar a proposta, no todo ou em partes. Uma vez sancionado e publicado, o projeto de lei entrará em vigor imediatamente.

Além disso, a companhia também tem atuado junto à indústria no processo antidumping para o polietileno importado dos EUA e do Canadá. Nas contas da XP Inc, se aprovado, a medida poderia adicionar cerca de US$ 100 milhões em Ebitda para a Braskem.

Diante da queda da demanda global, a companhia defende a aplicação da medida protetiva para importação do polietileno para consumo interno e uma manutenção da alíquota de imposto de importação de 20% no Brasil para resinas de polietileno, polipropileno e PVC.

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Montadoras no Brasil podem parar produção se crise externa em oferta de chips persistir, diz secretário de Alckmin

O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Uallace Moreira afirmou nesta terça-feira (28) que algumas montadoras de automóveis no país podem paralisar suas produções dentro de duas a três semanas se uma crise internacional na oferta de chips persistir.

“Se não houver uma solução nesse espaço de tempo curto, em duas ou três semanas, pode haver um processo de paralisação de algumas montadoras, disse o secretário.

O secretário e o presidente em exercício, e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, se reuniram mais cedo com o presidente da associação de montadoras, Anfavea, Igor Calvet.

A crise de oferta foi provocada por uma disputa entre a Holanda e China sobre o controle da fabricante de microprocessadores Nexperia.

Moreira não identificou quais montadoras instaladas no Brasil podem ser as primeiras a serem afetadas por problemas na oferta de chips. A Anfavea já havia manifestado preocupação com a situação na semana passada, quando citou riscos gerados por uma escassez de chips semelhante à ocorrida na época da pandemia.

“O pedido do setor produtivo é uma tentativa de diálogo por parte do governo brasileiro com o governo chinês para deixar bem claro que o Brasil está fora desse conflito de natureza geopolítica e que, portanto, o Brasil não pode e não deve participar ou sofrer as consequências desse embargo”, disse o secretário.

Moreira disse também que Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro na China e também com o embaixador chinês no Brasil para que ele dê início de negociações entre os países. Segundo ele, o representante chinês se comprometeu a falar com autoridades chinesas enquanto o embaixador brasileiro deve fazer a interlocução entre as embaixadas e a Nexperia.

Moreira destacou ainda que, pela forma como os setores de semicondutores operam e o espaço que a Nexperia ocupa no mercado, cerca de 40%, não é possível mudar o fornecimento das peças para outro fornecedor.

Pequim anunciou as restrições depois que o governo holandês assumiu o controle da Nexperia devido a questões de propriedade intelectual relacionadas à controladora chinesa Wingtech, que foi colocada em uma lista de sanções do governo dos Estados Unidos no ano passado, sinalizando-a como um possível risco à segurança nacional norte-americana.

A Nexperia fabrica chips que não são considerados sofisticados, mas são necessários em grandes volumes e amplamente utilizados nas indústrias automotiva e de eletrônicos de consumo. A maioria dos chips da empresa é produzida na Europa e finalizada na China e não está claro quanto tempo os estoques vão durar.

Segundo a Anfavea, um veículo moderno usa, em média, de 1.000 a 3.000 chips.

Fontes do setor afirmaram à Reuters na semana passada que a troca de fornecedores é possível, com a Infineon, NXP e Texas Instruments sendo citadas como possíveis alternativas, mas isso demanda tempo devido aos processos de aprovação necessários pelas montadoras.

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Lucro da Tesla cai após elevação dos custos mitigar vendas recordes de veículos elétricos

O lucro da Tesla caiu mais do que o esperado, já que o aumento acentuado dos custos reduziu um trimestre recorde de vendas de veículos.

O lucro ajustado foi de 50 centavos por ação no período, uma queda de 31% em relação ao ano anterior, informou a empresa em um comunicado nesta quarta-feira (22). Analistas esperavam uma média de 54 centavos, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. A receita de US$ 28,1 bilhões superou as expectativas.  

Os resultados mostram que a fabricante de veículos elétricos não está imune aos custos crescentes que afetaram a indústria automobilística do país ao longo do ano, com a reformulação radical das políticas do presidente dos EUA, Donald Trump. As despesas operacionais da Tesla dispararam 50%, para US$ 3,4 bilhões no trimestre, enquanto a empresa espera um impacto de cerca de US$ 400 milhões com as tarifas americanas. 

O CEO Elon Musk promete um futuro construído em torno da inteligência artificial, robôs humanoides e tecnologia de direção autônoma — pontos que ele destacou na teleconferência da Tesla com investidores. Os investidores aderiram amplamente à visão de Musk, impulsionando as ações da empresa em alta de 8,7% no acumulado do ano até o fechamento de quarta-feira. 

Mas há incerteza quanto ao cronograma de desenvolvimento desses negócios e aos custos associados à sua expansão. O negócio principal da Tesla, a venda de veículos, também enfrenta um escrutínio renovado, à medida que a concorrência se intensifica e os incentivos fiscais dos EUA são gradualmente eliminados. 

“Estamos entrando em um momento em que há muitas dúvidas sobre a trajetória de crescimento dos lucros de curto e médio prazo para a Tesla”, disse Garrett Nelson, analista sênior de pesquisa de ações da CFRA. 

O diretor financeiro Vaibhav Taneja reconheceu que a concorrência e as tarifas representam obstáculos para a empresa.  

As ações da Tesla caíram 4,1% às 18h05 no pregão estendido em Nova York. As ações ampliaram as quedas após Musk concluir seus comentários introdutórios na teleconferência da Tesla, sinalizando a decepção dos investidores com o fato de a empresa ter oferecido apenas detalhes limitados. 

“O mercado está percebendo que a Tesla opera como uma plataforma de IA, mas reporta como uma montadora”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital. Dec Mullarkey, diretor-gerente da SLC Management, disse que “não há muito aqui para inspirar os investidores”. 

A Tesla reiterou a declaração do trimestre anterior de que é “difícil mensurar” como as mudanças nas políticas comerciais e fiscais globais impactariam seus negócios e operações. A empresa prevê que os resultados dependam do ambiente econômico mais amplo, bem como da sua velocidade em acelerar os esforços de autonomia e aumentar a produção de produtos essenciais.

Analistas pesquisados ​​pela Bloomberg esperam que a Tesla relate o segundo ano consecutivo de queda nas entregas de veículos. 

Vendas recordes

No início deste mês, a Tesla relatou vendas recordes no terceiro trimestre, com os clientes correndo para aproveitar um crédito fiscal de US$ 7.500 para compras de veículos elétricos que expirou em 30 de setembro, proporcionando um impulso temporário ao principal negócio automotivo da empresa.

Na quarta-feira, a Tesla reportou US$ 417 milhões em receita com créditos regulatórios recebidos de outras montadoras que excedem os padrões de emissões — apenas um pouco abaixo do valor do trimestre anterior. Mudanças de política sob o governo Trump reduziram a demanda por esses créditos. A Tesla afirmou que prevê um declínio nesse segmento. 

Musk espera que o negócio de robotáxis da Tesla , lançado em Austin em junho, se expanda para até 10 áreas metropolitanas até o final do ano, caso a empresa receba as aprovações necessárias. Ele também afirmou que a empresa removerá a maioria dos operadores de segurança humana dos robotáxis em Austin ainda este ano. Não está claro quantos veículos estão operando atualmente lá, após o lançamento da fabricante de veículos elétricos com cerca de dez a vinte unidades. 

A Tesla também opera um serviço de transporte compartilhado na área da Baía de São Francisco que não é totalmente autônomo e se assemelha mais ao Uber. Possui licenças de teste para Arizona e Nevada. 

O fluxo de caixa livre foi de quase US$ 4 bilhões, um aumento significativo em relação ao ano anterior e bem acima da estimativa média dos analistas de US$ 1,25 bilhão.  

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