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No Azzas, Birman fala pela primeira vez após crise entre sócios e diz que foco está na operação

Alexandre Birman falou publicamente pela primeira vez desde que a crise com o sócio Roberto Jatahy quase implodiu de vez o Azzas 2154, o maior grupo de moda da América Latina, dona de marcas como Arezzo, Hering, Schutz e Reserva.

Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, nesta quinta-feira (13), Birman, que também é CEO da companhia, admitiu que a disputa desviou o foco da diretoria. Segundo ele, o assunto agora é tratado por uma equipe dedicada, enquanto a gestão voltou a se concentrar na operação.

“Nas primeiras semanas, elas tomaram um pouco da nossa energia, do nosso foco”, disse Birman, ao se referir às questões societárias que se tornaram públicas a partir de 12 de maio.

Ele acrescentou que hoje há um grupo de pessoas dedicado ao tema, permitindo que o restante da administração esteja voltado ao negócio.

A fala ocorre pouco mais de dois anos depois da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, período em que a companhia perdeu mais de R$ 6 bilhões em valor de mercado.

Na estreia do Azzas 2154 na B3, em agosto de 2024, o grupo valia R$ 10,2 bilhões. Hoje, a empresa está valendo cerca de R$ 3,2 bilhões.

A crise entre Birman e Jatahy colocou em xeque justamente a combinação que deu origem ao Azzas. Antes da fusão, os dois comandavam suas empresas com ampla autonomia. Depois dela, passaram a dividir decisões, capital e influência sobre uma companhia maior e mais complexa.

As divergências evoluíram para uma disputa aberta, levada à Justiça e à arbitragem. O Azzas não anunciou durante a teleconferência um acordo entre os acionistas nem apresentou uma estrutura para uma eventual cisão.

O principal movimento estratégico discutido pela administração foi a avaliação de alternativas para a Farm Rio, um dos ativos mais valiosos do grupo.

A companhia contratou o Morgan Stanley para assessorar o processo e, segundo Birman, os trabalhos seguem dentro do cronograma, com questões contábeis e jurídicas em análise.

Futuro da Farm

Ele ressaltou, porém, que nenhuma decisão foi tomada e que o processo ainda está em fase de preparação. Na call, Birman também apresentou uma justificativa operacional para a revisão estratégica.

Segundo ele, a Farm praticamente dobrou de tamanho entre 2024 e 2026 e deve faturar cerca de R$ 3,5 bilhões globalmente neste ano. Para continuar crescendo, porém, a marca precisa entrar em um novo ciclo de investimentos justamente no momento em que o Azzas busca reduzir estoques, capex e capital empregado.

Alexandre Birman e Roberto Jatahy, controladores da Azzas 2154
Alexandre Birman e Roberto Jatahy, controladores da Azzas 2154 (Divulgação)

Birman diz que o trabalho conduzido com o Morgan Stanley busca encontrar uma forma de sustentar o próximo ciclo de expansão global da Farm. A avaliação de cenários para a marca ocorre em meio às discussões sobre uma possível cisão do Azzas 2154.

Pessoas familiarizadas com as conversas disseram anteriormente ao InvestNews que a Farm poderia ser uma peça central para destravar uma cisão e que os recursos de uma eventual operação poderiam, entre outras finalidades, ajudar a financiar a saída de Jatahy do negócio.

Lucro cai

A discussão societária acontece em um momento de forte pressão sobre os resultados da companhia. A receita líquida do Azzas caiu 8,2% no segundo trimestre, para R$ 2,66 bilhões.

O resultado operacional (Ebitda) recorrente recuou 29,1%, para R$ 379,6 milhões, enquanto a margem Ebitda caiu 4,3 pontos percentuais, para 14,2%. O lucro líquido recorrente ficou em R$ 106,5 milhões, uma queda de 62,5% na comparação anual.

A companhia atribuiu boa parte da piora à queda de 13,6% dos canais de sell-in, que incluem vendas para franqueados e clientes multimarcas.

Segundo a administração, parte dessa redução foi deliberada, com o objetivo de diminuir os estoques dos parceiros e aproximar o volume comprado pelas lojas das vendas ao consumidor final.

A contrapartida veio no caixa. O Azzas gerou R$ 356,5 milhões de caixa operacional no trimestre, mais de três vezes o registrado um ano antes, e R$ 280,1 milhões após investimentos.

Ao final da teleconferência, Birman disse que a prioridade para o segundo semestre é transformar a estabilização dos estoques dos franqueados em retomada de vendas e melhora da alavancagem operacional.

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Azzas 2154 (AZZA3) confirma que contratou Morgan Stanley para ‘assessoria’ que pode virar venda bilionária de Farm Rio

A Azzas 2154 (AZZA3) confirmou a contratação do Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca “Farm Rio”, “com o objetivo de destravar valor dessa marca”, mostra documento enviado ao mercado nesta sexta-feira (19).

Mais cedo, o Neofeed informou que a companhia contratou o banco para vender a marca feminina.

Ainda de acordo com o site, o negócio envolve cerca de US$ 1 bilhão, o equivalente a R$ 5,1 bilhões no câmbio atual – valor acima do valor de mercado da companhia, de R$ 3,2 bilhões.

A transação é considerada uma maneira de destravar valor em uma companhia que está depreciada mais pelas desavenças dos sócios do que pelos ativos.

Com a notícia, a ação disparou 9% em segundos. De todas as formas, a empresa disse que não há qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida, proposta formal, instrumento vinculante celebrado ou definição acerca da efetiva implementação de qualquer eventual operação, tampouco sobre seus potenciais termos, condições, ativos envolvidos, cronograma ou viabilidade.

Disputa entre Jatahy e Birman

Por trás dessa possível operação, pode ser estar uma disputa entre os sócios. Em maio, a varejista tornou pública uma série de demandas societárias envolvendo os empresários Roberto Luiz Jatahy Gonçalves e Alexandre Café Birman, relacionadas à estrutura organizacional das unidades de vestuário feminino e masculino da companhia.

Em comunicado ao mercado, a Azzas 2154 afirmou que os processos decorrem de divergências sobre gestão e governança da empresa formada pela combinação de negócios entre os grupos Arezzo e Soma, concluída em 2024.

Entre as ações divulgadas, Roberto Jatahy ajuizou, em 8 de maio, uma medida cautelar na 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

O executivo pediu a manutenção da estrutura organizacional vigente antes de 22 de abril, além da preservação de seu cargo como Chief Brand Officer e da responsabilidade pela gestão das unidades de vestuário feminino e masculino.

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