Chance de El Niño muito forte no final do ano sobe para 81%, diz agência americana


Começou a funcionar em Porto Alegre nesta sexta-feira (10) um dos primeiros Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc) do país. A iniciativa representa um avanço estratégico para preparar o SUS diante dos efeitos das mudanças climáticas. Parceria do Município com o Governo Federal, a estrutura está instalada na sede da Diretoria de Vigilância em Saúde. As primeiras análises a serem feitas estão relacionadas com o efeito do frio e do calor na saúde das pessoas residentes na capital gaúcha.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou o Cisc nesta tarde. Acompanharam a agenda o prefeito Sebastião Melo, a vice-prefeita Betina Worm, a secretária estadual da Saúde, Lisiane Fagundes, o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, o coordenador da Defesa Civil, Coronel Evaldo Rodrigues, além da gestão da Diretoria de Vigilância em Saúde e de outras diretorias da Secretaria de Saúde.
Melo destacou a importância do federalismo cooperativo para o enfrentamento das mudanças climáticas no município. “Esse novo normal de eventos climáticos extremos veio para ficar, então toda medida de preparação e adaptação dos serviços deve ser muito celebrada. Temos aqui um bom exemplo de federalismo cooperativo que dá certo. Prefeitura, estado e União atuando em conjunto pela saúde de todos, especialmente nas crises”.
Os Centros serão implementados no país de forma gradual, em Porto Alegre, Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Santarém (PA), Belém (PA) e Salvador (BA). O objetivo é ampliar a capacidade dos municípios de antecipar riscos, monitorar eventos extremos e organizar respostas rápidas, integradas e baseadas em evidências.
O ministro destacou que a integração de dados sobre saúde e clima permitirá antecipar ações para atender a população e informar as comunidades sobre a situação sempre que necessário. “É importante lembrar que os desastres são graves, e há outras tragédias relacionadas ao aumento da temperatura e às mudanças climáticas”, enfatizou Padilha.
Sobre o trabalho do Cisc Porto Alegre, a diretora da DVS, Aline Medeiros, explica que o trabalho prevê modelos preditivos e trabalho integrado com outras áreas da Vigilância em Saúde e de outras diretorias da Secretaria de Saúde e da Defesa Civil da Capital.
O projeto de instalação do Cisc Porto Alegre começou em abril, quando uma comitiva da SMS visitou o Rio de Janeiro, em agenda institucional com o Ministério da Saúde. Posteriormente, em visita técnica a Porto Alegre, o Ministério da Saúde confirmou Porto Alegre como uma das cidades-piloto a ter o Cisc implementado.
O Ministério da Saúde apoiará o funcionamento do serviço, com a contratação dos profissionais e doação de equipamentos. A DVS cedeu o espaço e vai coordenar o Cisc. O processo seletivo para contratação de profissionais foi realizado em maio. Formalizaram interesse 176 pessoas. A seleção levou em conta currículo e entrevista, chegando em cinco profissionais: dois da área da ciência de dados, um da meteorologia, um da geografia, com ênfase em análise espacial, e um da epidemiologia.
Durante a visita às instalações, foi realizada conexão com os outros Cisc. A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Agnes Soares, apresentou as ações federais para enfrentar as mudanças climáticas no âmbito do SUS.
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O Presidente Lula (PT) criticou tensões geopolíticas e cobrou mais atuação internacional durante discurso na COP-15, conferência da ONU sobre espécies migratórias, realizada neste domingo (22) em Campo Grande (MS). Sem citar diretamente países, ele fez referências ao cenário de conflitos no Oriente Médio e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.
“Esta COP-15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, disse o presidente. Lula também afirmou que o Conselho de Segurança da ONU “tem sido omisso na busca por soluções de conflitos” e alertou para os riscos globais. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, afirmou.
Ao defender maior cooperação internacional, Lula destacou que “no lugar de muros e discursos de ódio”, são necessárias “políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”. A fala ocorre em meio a debates globais sobre migração e segurança, além do aumento de conflitos internacionais.
No campo interno, o presidente também fez críticas à gestão ambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro, associando o período a prejuízos na imagem externa do Brasil. “Até pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”, afirmou.
Veja a fala de Lula:
Segundo Lula, o cenário mudou a partir de 2023, com redução do desmatamento na Amazônia pela metade, queda superior a 30% no Cerrado e diminuição de mais de 90% das queimadas no Pantanal. Ele também destacou iniciativas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a Coalizão de Mercados de Carbono e a realização da COP-30 no Brasil.
O presidente lembrou ainda a importância histórica da convenção sobre espécies migratórias, criada em 1979, que contribuiu para a preservação de quase 1.200 espécies. “Contribuiu para a recuperação da baleia jubarte, da tartaruga-verde, que estavam prestes a desaparecer”, afirmou.
Durante a conferência, o governo brasileiro anunciou medidas ambientais, incluindo a criação de uma nova unidade de conservação em Minas Gerais, com 41 mil hectares, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal em mais 47 mil hectares e a expansão da Estação Ecológica de Taiamã para 68 mil hectares.
Lula também defendeu a aprovação do Acordo de Escazú pelo Senado e afirmou esperar que a COP-15 contribua para a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul e de uma área marinha protegida na Antártica.