Visualização normal

Received before yesterday

EUA planejam ataques contra narcotraficantes na América Latina: “Onde quer que trafiquem drogas”

13 de Agosto de 2026, 20:58
Pete Hegseth, secretário de Guerra dos EUA, no Panamá. Foto: Aris Martinez/REUTERS

Os Estados Unidos planejam ampliar para operações em terra a campanha militar contra organizações do narcotráfico na América Latina. A estratégia prevê ações contra grupos considerados ameaças aos EUA e a países aliados, em uma expansão da ofensiva que já ocorre contra supostas embarcações usadas para o tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico Oriental.

A informação foi dada pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante uma visita ao Panamá. Segundo ele, Washington pretende levar para o território continental da América Latina a mesma capacidade operacional empregada nos ataques contra as chamadas “narcolanchas”.

“Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda”, afirmou Hegseth.

Vestindo uma camiseta verde-oliva e cercado por militares, o chefe do Pentágono disse que os Estados Unidos trabalham com países aliados para realizar operações terrestres contra organizações que Washington classifica como organizações terroristas designadas.

Hegseth citou especificamente Equador e Colômbia como parceiros nos preparativos para levar a ofensiva aos territórios onde atuam grupos do narcotráfico.

EUA querem repetir ataques realizados no Caribe e no Pacífico

De acordo com o secretário de Defesa, os EUA esperam, no curto prazo, desenvolver com os países aliados uma “capacidade operacional” semelhante à utilizada nos ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas.

“Será o mesmo efeito em terra”, afirmou Hegseth. “Por isso estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTO [organizações designadas terroristas] em terra.”

A campanha militar americana contra supostas embarcações do narcotráfico começou em setembro de 2025 e, segundo os dados apresentados na reportagem, já deixou ao menos 215 mortos em ataques realizados no Caribe e no Pacífico Oriental.

As operações provocaram críticas de juristas e organizações de direitos humanos, que questionam a legalidade dos ataques e afirmam que alguns deles podem configurar execuções extrajudiciais.

Hegseth, porém, defendeu abertamente a estratégia letal.

“Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano.”

Out with our warriors at the Jungle Operations Training Center in Panama.

No environment is too harsh, no terrain too tough. Incredibly proud of these lethal joint and partner forces. pic.twitter.com/cJHqoepLY9

— Secretary of War Pete Hegseth (@SecWar) August 13, 2026

Aliança de 19 países contra os cartéis

Os planos fazem parte da Coalizão Anticartéis das Américas, uma aliança liderada pelo governo de Donald Trump que reúne 19 países.

Entre os participantes estão Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. O México, apesar de abrigar alguns dos grupos criminosos mais poderosos da região, não integra a coalizão.

Durante sua passagem pelo Panamá, Hegseth participou de exercícios militares realizados anualmente no país com a participação de cerca de 20 nações.

O secretário afirmou que a ofensiva poderá alcançar qualquer lugar onde organizações de tráfico de drogas estejam operando.

Entre os grupos e atividades mencionados por Hegseth estão redes de tráfico de cocaína, o comércio de fentanil no México e remanescentes de guerrilhas colombianas.

A declaração representa uma ampliação significativa da atuação militar americana contra o narcotráfico na América Latina e abre a possibilidade de operações terrestres dos EUA e de seus aliados contra grupos classificados por Washington como organizações terroristas.

Justiça condena Nikolas a pagar R$ 20 mil ao PT por post sobre tráfico

31 de Julho de 2026, 15:56
Deputado federal Nikolas Ferreira durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados
Deputado federal Nikolas Ferreira durante sessão no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução

A Justiça do Distrito Federal condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 20 mil por danos morais ao Partido dos Trabalhadores (PT), após ele chamar a sigla de “PT – Partido dos Traficantes” em uma publicação no X. A sentença, assinada na quinta-feira (30), também prevê a remoção da postagem após o fim das possibilidades de recurso.

O juiz Wagner Pessoa Vieira, da 5ª Vara Cível de Brasília, concluiu que a mensagem ultrapassou os limites da crítica política ao relacionar diretamente o partido ao tráfico de drogas sem apresentar base factual. “A crítica política pode ser dura, ácida, irônica e injusta, mas não pode, sem suporte mínimo de veracidade, creditar associação direta da pessoa jurídica a crimes”, escreveu.

O PT entrou com a ação pedindo a exclusão da publicação e uma indenização de R$ 40 mil. O partido sustentou que a frase atingiu sua honra e sua imagem institucional ao vinculá-lo a uma atividade criminosa.

Na decisão, o magistrado afirmou que partidos políticos aceitam críticas mais severas no debate público, mas apontou que Nikolas publicou a acusação em seu perfil pessoal sem citar investigação, processo, dado oficial ou outro elemento concreto que sustentasse a associação.

Publicação difamatória de Nikolas no X. Foto: reprodução

Juiz rejeitou imunidade parlamentar alegada pela defesa

A defesa do deputado pediu a rejeição da ação e alegou que a postagem estava protegida pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão. Também afirmou que se tratava de crítica política, sem imputação de um crime específico, e solicitou que uma eventual indenização ficasse em R$ 5 mil.

Wagner Pessoa Vieira rejeitou esse argumento. Para o juiz, manifestações fora do Congresso só recebem proteção da imunidade quando mantêm vínculo com o exercício do mandato, como atos de fiscalização pública ou participação em debates legislativos.

O magistrado avaliou que a postagem não tratava de fiscalização parlamentar e teve como objetivo desqualificar um partido adversário. Ele afirmou que a indenização não busca censurar o debate político, mas impede que redes sociais sejam usadas para associar pessoas ou instituições a crimes sem fundamento.

Além dos R$ 20 mil, Nikolas terá de pagar as custas do processo e os honorários dos advogados do PT, definidos em 15% sobre o valor atualizado da indenização. Caso a publicação permaneça no ar cinco dias após o trânsito em julgado, o deputado poderá receber multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 60 mil.

“Guerra cultural”: o discurso de Eduardo Bolsonaro na premiere de “Dark Horse” nos EUA

17 de Junho de 2026, 09:04
Eduardo Bolsonaro em evento nos EUA. Foto: Madel Ngan/AFP

Alvo de investigação da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o financiamento da obra, o filme “Dark horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição pública na segunda-feira (15), em Las Vegas, nos Estados Unidos. A sessão ocorreu durante o Fraud Fighter Summit, encontro da direita estadunidense dedicado a temas como fraude eleitoral, corrupção e manipulação de processos eleitorais.

A premiere encerrou o primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O objetivo do filho do ex-presidente, segundo o blog da Bela Megale, era atrair distribuidores interessados em exibir “Dark horse” em salas de cinema nos Estados Unidos.

Após a exibição, Eduardo participou de um painel ao lado do diretor Cyrus Nowrasteh, mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin. Durante a conversa, o ex-deputado falou sobre a situação de saúde de Jair Bolsonaro e citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar da Operação Lava Jato.

Eduardo Bolsonaro durante discurso na Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude), em Las Vegas. Foto: reprodução

Eduardo afirmou que o filme faz parte de uma disputa cultural contra adversários ideológicos. “O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda”, disse Eduardo, que citou Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra de impacto duradouro. “É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”.

Questionado sobre eventual reação política contrária à produção, Eduardo mencionou apenas uma ação na Justiça Eleitoral, sem comentar outras controvérsias envolvendo o longa, como o suposto financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição”, disse Eduardo.

Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi produzido sem conhecimento do “establishment” e que órgãos públicos só souberam da obra no fim das filmagens, quando a equipe gravava cenas sobre a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta.

O diretor também afirmou que espera que o filme tenha impacto político no Brasil. “Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil”, disse Cyrus.

O evento ocorreu um dia antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuação nos EUA para coagir ministros da Corte por meio da articulação de sanções. No painel, ele admitiu ter trabalhado com o governo Trump para sancionar um ministro do Supremo.

“Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, disse Eduardo.

O Fraud Fighter Summit informou que os 700 lugares do evento, com ingressos a US$ 350, foram esgotados. A programação também previa participações de Stephen Bannon, Roseanne Barr e Hwang Kyo-ahn.

❌