O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que pretende visitar Jair Bolsonaro durante sua viagem ao Brasil neste mês.
O encontro, porém, dependerá de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília e tem restrições quanto às visitas que pode receber.
Pelas condições impostas por Moraes, Bolsonaro só pode receber familiares, advogados e integrantes de sua equipe médica. Qualquer um fora dessa lista precisa ser previamente autorizada pelo STF.
Em entrevista à rádio argentina Now, Milei confirmou que desembarcará no Brasil em 25 de julho para participar do ato de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
“No dia 25 viajo ao Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.
A visita faz parte da estratégia de Milei de fortalecer sua articulação com lideranças da extrema-direita na América Latina. O presidente argentino é um dos principais aliados internacionais da família Bolsonaro e tem afirmado repetidamente que Jair Bolsonaro é alvo de “perseguição judicial” no Brasil.
Ele também faz parte do grupo Escudo das Américas, montado por Marco Rubio, secretário de Estado americano, com governos lacaios na América Latina.
Os Estados Unidos realizarão, na próxima quinta-feira (16), em Washington, uma reunião internacional dedicada ao que o governo Donald Trump classifica como o “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O encontro será liderado por Rubio e contará com representantes de mais de 60 países convidados de diferentes regiões do mundo. O Brasil está na lista.
Segundo o Departamento de Estado, a conferência discutirá a cooperação internacional para enfrentar ameaças consideradas emergentes pelo governo americano. A falácia é uma preocupacão com o movimento “Antifa” (abreviação de antifascistas).
MILEI VIAJARÁ A BRASIL PARA RESPALDAR A FLAVIO BOLSONARO
El 25 de julio, Javier Milei viajará a San Pablo para participar del acto en que Flavio Bolsonaro será proclamado candidato presidencial de la derecha brasileña, y luego pasará por Brasilia para reunirse con el… pic.twitter.com/1BIoFKyXrJ
O governo do presidente Javier Milei, da Argentina, oficializou a eliminação gradual do imposto de exportação sobre produtos industriais. A medida alcança veículos fabricados no país vizinho e vendidos aqui no Brasil, o que pode impactar no preço dos carros. A medida reduz uma alíquota de 4,5% até zerá-la em junho de 2027. Na prática, […]
A Argentina entra em campo neste sábado (11) em busca de mais uma classificação para a semifinal da Copa do Mundo de 2026. A seleção comandada por Lionel Scaloni enfrenta a Suíça às 22h (horário de Brasília), no Estádio Arrowhead, em Kansas City, nos Estados Unidos, em confronto válido pelas quartas de final do Mundial. Leia tudo sobre a Copa do Mundo na TVT News.
A partida reúne duas seleções que já protagonizaram confrontos marcantes em Copas do Mundo. O reencontro acontece doze anos após o dramático duelo das oitavas de final da edição de 2014, disputada no Brasil, quando a Argentina precisou da prorrogação para vencer por 1 a 0 com gol de Ángel Di María após assistência de Lionel Messi.
O vencedor do confronto avança para as semi-finais. Para os argentinos, o objetivo é continuar a caminhada em busca de mais uma final. Já a Suíça tenta alcançar uma classificação histórica diante da atual campeã do mundo.
O confronto entre Argentina e Suíça terá transmissão ao vivo da CazéTV, disponível sem custo adicional no Disney+.
Jogo: Argentina x Suíça
Competição: Quartas de final da Copa do Mundo de 2026
Data: Sábado, 11 de julho
Horário: 22h (horário de Brasília)
Local: Estádio Arrowhead, Kansas City (Estados Unidos)
Transmissão: CazéTV (Disney+)
Além da vaga na semifinal, a partida representa mais um capítulo da rivalidade construída entre as seleções em Mundiais.
Reencontro após batalha histórica de 2014
Embora Argentina e Suíça não se enfrentem com frequência, os confrontos em Copas do Mundo ficaram marcados pelo equilíbrio.
O primeiro aconteceu na Copa de 1966, quando os argentinos venceram por 2 a 0 ainda na fase de grupos.
O segundo duelo entrou para a história do torneio realizado no Brasil. Em 2014, as equipes fizeram uma das partidas mais disputadas das oitavas de final. Durante 118 minutos, a defesa suíça conseguiu neutralizar praticamente todas as investidas argentinas.
Quando o jogo caminhava para a disputa por pênaltis, Messi recebeu pelo centro e encontrou Di María livre pela direita. O atacante finalizou cruzado para marcar o gol da classificação argentina.
Após aquela partida, o camisa 10 relembrou o sofrimento vivido em campo.
“Fiquei nervoso no final porque não conseguíamos marcar e qualquer erro poderia nos eliminar. Os minutos passavam e não queríamos ir para os pênaltis. Estávamos sofrendo, mas tivemos uma jogada especial; passei para o Ángel (Di María) e pudemos comemorar.”
Curiosamente, aquela assistência foi a última participação direta de Messi em gols durante a Copa de 2014. Antes disso, ele havia balançado as redes quatro vezes ainda na fase de grupos.
A vitória sobre a Suíça abriu caminho para a campanha que levou a Argentina até a decisão diante da Alemanha, encerrada apenas na prorrogação.
Messi continua sendo o centro das atenções
Mesmo aos 39 anos, Lionel Messi permanece como o principal nome do futebol argentino.
O capitão chega às quartas de final novamente sendo decisivo na construção das jogadas ofensivas da equipe de Lionel Scaloni. Além da experiência acumulada em cinco Copas do Mundo, o camisa 10 continua exercendo papel determinante dentro de campo pela capacidade de organizar o setor ofensivo, encontrar espaços e definir partidas em momentos de pressão.
O atacante argentino Lionel Messi (camisa 10) comemora com os companheiros de equipe após vencer a partida das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Egito, no Atlanta Stadium, em Atlanta, em 7 de julho de 2026. (Foto de Thomas COEX / AFP)
Sua presença faz com que qualquer adversário adapte a estratégia defensiva.
Não por acaso, a própria Suíça admite que será necessário um cuidado especial com o argentino.
Granit Xhaka, um dos líderes da seleção europeia, destacou o respeito pelo adversário antes do confronto.
“É um privilégio viver a mesma época de um jogador como o Messi. Perdemos em 2014, conhecemos sua qualidade e sabemos o que ele pode entregar.”
A declaração resume o tamanho da preocupação suíça. Mesmo veterano, Messi continua sendo tratado como o principal jogador da partida.
Argentina
A seleção argentina chega às quartas de final depois de superar momentos de dificuldade ao longo da competição.
Nas oitavas de final, a equipe derrotou o Egito em uma partida bastante disputada. Antes disso, também enfrentou resistência contra Cabo Verde. As atuações mostraram uma equipe que precisou encontrar soluções diante de adversários organizados defensivamente, cenário que pode se repetir contra a Suíça.
O técnico Lionel Scaloni acredita que o estilo suíço apresenta características semelhantes ao encontrado na partida anterior.
“Vamos procurar manter o nosso padrão de jogo, mas entendemos que será um jogo problemático. Eles ficam fechados atrás e sabem sair no contra-ataque.”
Por isso, a tendência é que o treinador mantenha praticamente toda a estrutura utilizada na classificação anterior.
A provável escalação argentina conta com Emiliano Martínez; Nahuel Molina, Cristian Romero, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Leandro Paredes, Enzo Fernández, Rodrigo De Paul, Alexis Mac Allister e Lionel Messi; Julián Álvarez.
Messi celebra seu primeiro gol na partida de estreia da Argentina contra a Argélia – Foto: Roberto SCHMIDT / AFP
A base campeã mundial permanece praticamente intacta. Emiliano Martínez segue transmitindo segurança no gol, enquanto Cristian Romero lidera uma defesa que continua entre as mais consistentes do futebol internacional.
No meio-campo, Enzo Fernández, De Paul e Mac Allister garantem intensidade, marcação e qualidade na circulação da bola. Já Julián Álvarez movimenta constantemente a defesa adversária, criando espaços para Messi atuar entre as linhas.
Scaloni também aposta na experiência adquirida pelo grupo ao longo dos últimos ciclos internacionais. Grande parte dos jogadores atua junta há vários anos, fator considerado importante em partidas eliminatórias como a deste sábado.
Além do aspecto técnico, existe um componente emocional. A Argentina tenta dar mais um passo rumo à defesa do título conquistado no Catar, mantendo vivo o sonho do bicampeonato consecutivo.
Outro elemento que aumenta a confiança argentina é o retrospecto diante da Suíça em Copas do Mundo. Os sul-americanos venceram os dois confrontos anteriores e esperam ampliar essa vantagem.
Ainda assim, a comissão técnica evita qualquer excesso de confiança. O entendimento é de que a organização tática suíça pode transformar a partida em mais um duelo decidido nos detalhes, repetindo o equilíbrio observado em 2014.
Suíça
A Suíça chega às quartas de final apostando na organização coletiva e na consistência defensiva para tentar surpreender a atual campeã do mundo. Sob o comando de Murat Yakin, a equipe europeia consolidou um estilo de jogo baseado em linhas compactas, marcação intensa e transições rápidas, características que permitiram ao país permanecer entre as seleções mais competitivas do futebol internacional nos últimos anos.
Embora o treinador tenha evitado confirmar oficialmente a escalação, a tendência é que mantenha a estrutura utilizada ao longo da competição, realizando apenas mudanças pontuais em razão do desgaste físico acumulado durante o torneio.
A provável formação suíça é composta por Gregor Kobel; Zakaria, Nico Elvedi, Manuel Akanji e Ricardo Rodríguez; Remo Freuler, Granit Xhaka, Ardon Jashari, Fabian Rieder e Dan Ndoye; Breel Embolo.
Granit Xhaka, jogador da Suíça – Foto: Reprodução
O setor defensivo continua sendo considerado o principal ponto forte da equipe. Manuel Akanji lidera a zaga, enquanto Ricardo Rodríguez segue como uma das referências técnicas e de experiência do elenco. No meio-campo, Granit Xhaka é o responsável pela organização das jogadas e pela distribuição da bola, além de exercer papel importante na liderança do grupo.
Antes da partida, Murat Yakin também buscou aumentar a confiança de seus jogadores ao comentar o confronto contra os argentinos.
“Conhecemos como pensam os times sul-americanos, assim vamos vencer o campeão mundial.”
As declarações fazem parte do ambiente de confiança criado pela comissão técnica suíça, que acredita ser possível repetir atuações competitivas diante das principais seleções do planeta.
Ao mesmo tempo, a equipe reconhece que neutralizar Lionel Messi será uma das tarefas mais difíceis da competição. Xhaka, que enfrentou o camisa 10 nas oitavas de final da Copa de 2014, voltou a destacar a admiração pelo argentino.
“É um privilégio viver a mesma época de um jogador como o Messi. Perdemos em 2014, conhecemos sua qualidade e sabemos o que ele pode entregar.”
A expectativa suíça é transformar o duelo em uma partida de poucas oportunidades, apostando na disciplina defensiva e na eficiência dos contra-ataques para buscar uma vaga inédita entre os semifinalistas desta edição do Mundial.
Histórico favorece a Argentina
Este será o terceiro encontro entre Argentina e Suíça em Copas do Mundo.
O primeiro aconteceu na edição de 1966, disputada na Inglaterra. Pela fase de grupos, os argentinos venceram por 2 a 0, conquistando um resultado importante naquela campanha.
O reencontro veio apenas 48 anos depois, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. O duelo disputado na Neo Química Arena, em São Paulo, ficou marcado pelo equilíbrio durante praticamente toda a partida.
Após empate sem gols no tempo regulamentar, a classificação argentina veio somente aos 118 minutos da prorrogação. Messi conduziu a jogada pelo meio e encontrou Di María livre pela direita. O atacante finalizou cruzado para marcar o gol da vitória.
Agora, doze anos depois, três personagens daquele confronto estarão novamente em campo: Messi, pela Argentina, e Ricardo Rodríguez e Granit Xhaka, representando a Suíça.
O retrospecto geral também favorece os sul-americanos, que venceram os dois confrontos anteriores em Mundiais e tentam manter a escrita para seguir na luta pelo título.
Arbitragem
A Fifa escalou uma equipe portuguesa para comandar a partida.
Árbitro: João Pinheiro (Portugal)
Assistentes: Bruno Jesus e Luciano Maia (Portugal)
VAR: Guillermo Pacheco (México)
A expectativa é de um confronto equilibrado, com forte disputa física e intensidade durante os 90 minutos, características presentes nas campanhas das duas seleções até aqui.
Messi em lance de cartão vermelho e Cristiano Ronaldo. Foto: reprodução
A goleada da Argentina por 3 a 0 sobre a Argélia, na estreia da Copa do Mundo de 2026, foi marcada por uma grande polêmica envolvendo Lionel Messi. O craque argentino escapou de uma possível expulsão após uma entrada dura sobre o zagueiro argelino Aïssa Mandi, gerando críticas de torcedores, comentaristas e acusações de favorecimento por parte da FIFA.
O lance aconteceu poucos minutos depois de Messi abrir o placar para a Argentina. Em uma disputa de bola, o camisa 10 aparentou atingir a perna direita de Mandi com as travas da chuteira. O defensor caiu imediatamente no gramado, segurando a panturrilha e reclamando de dores.
Apesar da gravidade da jogada, o árbitro não aplicou sequer cartão amarelo ao argentino. O VAR também não recomendou revisão do lance, decisão que provocou forte reação nas redes sociais.
“Está óbvio que a FIFA vai proteger Messi novamente nesta Copa. Isso era cartão vermelho sem discussão”, escreveu um usuário na rede X. Outro afirmou que “nem o próprio Messi pareceu acreditar que escaparia sem punição”.
As a Messi fan I must confess he’s really been favoured by referee. That’s a red card offence! Period! pic.twitter.com/y1CnqFIVfG
A patacoada levanta suspeitas se o tratamento diferenciado será aplicado a outra estrela do torneio: Cristiano Ronaldo, que estreia nesta quarta contra o Congo às 14h.
As críticas foram além dos torcedores. Durante a transmissão da ESPN no Reino Unido, o ex-zagueiro inglês Nedum Onuoha afirmou que a jogada merecia expulsão.
“Provavelmente deveria ter sido cartão vermelho. O árbitro pode ter perdido o lance, mas é difícil entender como o VAR analisou a jogada e concluiu que não havia nada de errado”, disse.
O comentarista Alejandro Moreno foi ainda mais enfático.
“Foi 100% cartão vermelho para Lionel Messi. Esse tipo de decisão reforça a narrativa de que grandes estrelas recebem tratamento diferenciado”, afirmou.
Moreno também questionou por que o árbitro polonês Szymon Marciniak não foi chamado ao monitor para revisar a jogada.
“Você vê as travas percorrendo toda a parte de trás da perna do adversário, do joelho até o tornozelo. Foi uma entrada imprudente e deveria ter resultado em expulsão”, completou.
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão porque Messi permaneceu em campo e protagonizou a partida. O atacante de 38 anos marcou mais dois gols no segundo tempo, completando o primeiro hat-trick de sua carreira em Copas do Mundo e liderando a vitória argentina sobre a Argélia.
Enquanto os argentinos comemoram a atuação histórica de seu capitão, o debate sobre a arbitragem promete continuar nos próximos dias, com muitos torcedores questionando se outros jogadores receberiam o mesmo tratamento em uma situação semelhante.
Nesta terça (16), a atual campeã mundial, a Argentina enfrenta a Argélia. A partida está marcada para às 22h (horário de Brasília), em Kansas City (EUA), pela primeira rodada do Grupo J. Acompanhe tudo sobre a Copa do Mundo na TVT News.
Fechando a programação da terça-feira, a atual campeã mundial inicia sua caminhada rumo à defesa do título.
Onde assistir? A transmissão da partida será exclusiva da Cazé TV.
Argentina tenta evitar tropeços históricos em estreias
A equipe comandada por Lionel Scaloni chega ao Mundial depois de conquistar a Copa América de 2024 e terminar as Eliminatórias Sul-Americanas na primeira colocação.
Apesar do favoritismo, existe um retrospecto que incomoda os argentinos. Nas duas Copas disputadas após os títulos de 1978 e 1986, a seleção estreou com derrota.
Agora, o objetivo é começar a campanha de forma diferente.
Messi será novamente o centro das atenções. Aos 39 anos, o camisa 10 inicia sua sexta participação em Mundiais e amplia ainda mais sua condição de referência histórica da competição.
Lionel Messi posa com a taça da Copa do Mundo após a vitória da Argentina sobre a França na final da Copa do Mundo do Catar 2022, no Estádio de Lusail, em Lusail, ao norte de Doha, em 18 de dezembro de 2022. (Foto de Anne-Christine POUJOULAT / AFP)
Scaloni procurou transmitir tranquilidade antes da estreia.
“Temos a experiência do último Mundial. Não é fundamental o primeiro jogo, mais à frente é mais importante. Estamos confiantes.”
Além de Messi, a Argentina aposta em nomes como Lautaro Martínez, Enzo Fernández, Mac Allister e Emiliano Martínez.
Messi têm 13 gols em Copas
Messi chega ao torneio com 13 gols em Copas do Mundo e, junto com Mbappé, é um dos jogadores que têm chances de bater o recorde do alemão Klose, que tem 16.
O argentino também detém o recorde de maior número de partidas disputadas na competição, com 26 jogos. A estreia diante da Argélia marcará sua sexta participação em Mundiais, feito que será igualado apenas por Cristiano Ronaldo quando Portugal entrar em campo.
Além dos gols, Messi possui outro feito relevante: é o único jogador da história a registrar assistências em cinco edições diferentes da Copa do Mundo.
Provável escalação da Argentina
Dibu Martínez; Molina, Otamendi, Cuti Romero e Medina; De Paul, Mac Allister e Enzo Fernández; Almada, Messi e Lautaro Martínez.
Argélia entra na Copa com 16 jogadores que nasceram fora do país
A Argélia disputa sua quinta Copa do Mundo e tenta repetir a campanha de 2014, quando avançou para as oitavas de final.
A equipe chega embalada por resultados positivos nos amistosos preparatórios, incluindo vitória sobre a Holanda e goleada diante da Bolívia.
O principal destaque é Riyad Mahrez. Aos 35 anos, o capitão segue como principal referência técnica do elenco.
Outro nome que chama atenção é Luca Zidane, filho do ex-craque francês Zinedine Zidane.
A seleção africana encara o desafio de enfrentar uma das favoritas ao título logo na estreia.
Argélia leva à Copa uma seleção marcada pela diáspora e pela história de resistência
A estreia da Argélia na Copa do Mundo de 2026 diante da Argentina reúne muito mais do que um confronto esportivo.
A equipe africana chega ao torneio carregando uma trajetória profundamente ligada à história do país, à luta anticolonial e à formação de uma diáspora que hoje influencia diretamente a composição de sua seleção nacional.
Dos 26 jogadores, 16 nasceram fora da Argélia
Dos 26 jogadores convocados para o Mundial, 16 nasceram fora da Argélia. Entre eles, 13 nasceram na França, antiga potência colonial que controlou o território argelino por 132 anos.
O elenco também conta com atletas nascidos na Alemanha, Inglaterra e outros países europeus.
A presença desses jogadores reflete os movimentos migratórios que marcaram a história do país nas últimas décadas.
Muitos são filhos ou netos de argelinos que migraram para a Europa, especialmente para a França, em busca de trabalho e melhores condições de vida.
Embora tenham crescido em outros países, optaram por defender a seleção ligada às origens de suas famílias.
Mahrez lidera geração formada entre dois continentes
Riyad Mahrez segurando a camisa do City quando foi renovado para a temporada de 2025 – Reprodução/Redes sociais
O principal nome da equipe é o capitão Riyad Mahrez. Nascido na França, o atacante construiu carreira de destaque no futebol europeu, especialmente durante sua passagem pelo Manchester City, da Inglaterra.
Ao lado dele estão outros atletas que fizeram toda a formação esportiva em território francês, como Amine Gouiri, atualmente no Olympique de Marselha, e Farès Chaïbi, meia do Eintracht Frankfurt, da Alemanha.
Outro exemplo é o zagueiro Aïssa Mandi, um dos remanescentes da campanha da Copa de 2014, quando a Argélia alcançou as oitavas de final pela primeira vez.
Goleiro Luca Zidane
O caso mais simbólico talvez seja o do goleiro Luca Zidane. Filho do ex-craque francês Zinedine Zidane, campeão mundial em 1998, ele nasceu na França, atuou pelas seleções de base francesas e construiu sua carreira no futebol espanhol.
Em 2025, aceitou defender a seleção do país de seus avós e rapidamente ganhou espaço no elenco principal.
Além dos atletas nascidos na França, a equipe também conta com Ibrahim Maza, uma das promessas da nova geração. O meia nasceu em Berlim, na Alemanha, e atualmente atua pelo Bayer Leverkusen.
Futebol e luta pela independência caminharam de mãos dadas na Argélia
A relação entre futebol e política faz parte da própria origem da seleção argelina.
Durante a luta pela independência contra o domínio francês, a Frente de Libertação Nacional (FLN) utilizou o esporte como instrumento de mobilização internacional.
Em 1958, ainda antes da independência formal do país, foi criada uma seleção não oficial composta por jogadores argelinos que atuavam em clubes franceses.
Mohamed Boumezrag, um ex-jogador argelino que jogou no futebol francês foi um dos que impulsionaram esse moimento.
Diversos atletas, como Rachid Mekhloufi e Mustapha Zitouni, abandonaram carreiras promissoras na França para integrar a equipe ligada ao movimento independentista. Desses jogadores, alguns eram até mesmo cotados para disputar a Copa do Mundo daquele ano.
Durante quatro anos, a equipe da FLN percorreu diversos países realizando partidas amistosas e divulgando internacionalmente a causa da independência argelina. O grupo disputou 92 partidas, com 65 vitórias.
Após o fim da guerra e a independência conquistada em 1962, aquela seleção deu lugar à equipe nacional oficialmente reconhecida.
Por isso, para muitos historiadores do esporte, a seleção argelina é uma das poucas do mundo cuja origem está diretamente ligada a um processo de libertação nacional.
Na Copa de 1982, disputada na Espanha, a seleção africana derrotou a Alemanha Ocidental por 2 a 1 na fase de grupos. Foi a primeira vez que uma equipe africana venceu uma seleção europeia em uma Copa do Mundo.
Mesmo com o resultado histórico, os argelinos acabaram eliminados após um episódio que ficou conhecido como “Vergonha de Gijón”. Alemanha Ocidental e Áustria entraram em campo sabendo exatamente do resultado necessário para que ambas avançassem.
Após o gol alemão no início da partida, as duas equipes praticamente deixaram de atacar, mantendo o placar de 1 a 0 até o apito final. O resultado eliminou a Argélia e provocou protestos em todo o mundo.
O episódio levou a FIFA a adotar uma mudança permanente no regulamento: desde então, os jogos da última rodada da fase de grupos passaram a ser disputados simultaneamente.
Provável escalação da Argélia
Zidane; Belghali, Mandi, Bensebaini e Ait-Nouri; Boudaoui, Maza e Bentaleb; Gouiri, Mahrez e Amoura.
Os Estados Unidos reafirmaram nesta sexta-feira (24) que mantêm posição de neutralidade sobre a soberania das Ilhas Malvinas, território disputado por Argentina e Reino Unido no Atlântico Sul. A declaração foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado após relatos de que Washington poderia rever sua postura como forma de pressionar aliados da Otan que não apoiaram plenamente a guerra contra o Irã.
“Nossa posição sobre as ilhas continua sendo a neutralidade. Sabemos que há uma disputa entre Argentina e Reino Unido devido a reivindicações sobre sua soberania”, declarou o porta-voz. Segundo ele, os Estados Unidos reconhecem “a administração de fato” do Reino Unido sobre o arquipélago, mas não tomam posição sobre as reivindicações de soberania.
A manifestação ocorreu depois que a Reuters informou que o Pentágono avalia medidas para punir aliados que resistiram a apoiar Washington na guerra contra o Irã, atualmente em cessar-fogo.
De acordo com a agência, um funcionário do governo estadunidense descreveu um e-mail interno no qual havia frustração com a relutância de países da Otan em conceder direitos de acesso, base e sobrevoo às forças dos EUA.
Entre as opções citadas estaria a suspensão da Espanha da Otan, medida que “teria um efeito limitado nas operações militares americanas, mas um impacto simbólico significativo”, segundo o e-mail. O texto também mencionava uma possível reavaliação do apoio diplomático estadunidense a antigas “possessões imperiais” europeias, como as Ilhas Malvinas.
Letreiro nas Ilhas Malvinas. Foto: reprodução
A Espanha, governada pelo premiê socialista Pedro Sánchez, fechou seu espaço aéreo para voos dos EUA ligados ao conflito e não autorizou o uso das bases de Rota e Morón por aviões estadunidenses. Em resposta, o presidente Donald Trump ameaçou cortar o comércio com os espanhóis e já havia sugerido anteriormente que o país fosse expulso da Otan.
Sánchez minimizou a reportagem e disse que seu governo “não trabalha” com e-mails, mas com documentos oficiais e posições públicas. “A posição do governo da Espanha é clara: absoluta colaboração com os aliados, mas sempre dentro do marco da legalidade internacional”, afirmou.
Sobre a possibilidade de suspensão da Espanha da Otan, completou: “Do nosso ponto de vista não há debate, cumprimos com as obrigações, somos um parceiro leal e, por isso, temos absoluta tranquilidade”.
No Reino Unido, um porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer também reagiu à hipótese de mudança na posição dos EUA sobre as Malvinas.
“As Ilhas Falkland [como os britânicos chamam o arquipélago] votaram esmagadoramente a favor de permanecerem um território ultramarino britânico, e sempre apoiamos o direito dos ilhéus à autodeterminação e o fato de que a soberania reside no Reino Unido”, afirmou.
Argentina e Reino Unido travaram uma guerra pelas Malvinas entre 2 de abril e 14 de junho de 1982. O conflito terminou com vitória britânica e deixou 649 argentinos e 255 britânicos mortos. Buenos Aires reivindica a soberania do território por via diplomática há quase 200 anos, enquanto Londres rejeita qualquer pretensão argentina e defende a autodeterminação dos cerca de 3.600 habitantes do arquipélago.
Em 2013, um referendo realizado nas ilhas apontou que 99,8% dos moradores rejeitaram a incorporação pela Argentina e defenderam a manutenção do status de território ultramarino britânico.
Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina. Foto: reprodução
A Justiça da Argentina manteve o confisco de bens da ex-presidente Cristina Kirchner no processo em que ela foi condenada por corrupção e sentenciada a seis anos de prisão. A decisão foi confirmada por um tribunal de recursos, que rejeitou contestação apresentada pela defesa da líder peronista, segundo informou o jornal La Nación nesta sexta-feira (24).
O caso envolve a cobrança de cerca de US$ 500 milhões em indenizações de Kirchner e de outros condenados. A determinação já havia sido tomada em instância inferior e agora foi mantida pela Justiça argentina.
Em junho do ano passado, a Suprema Corte da Argentina também confirmou a condenação de 2022 e proibiu Cristina Kirchner de exercer cargos públicos. A ex-presidente foi condenada por um esquema de fraude relacionado ao direcionamento de obras rodoviárias públicas na Patagônia a um aliado político durante seu governo.
Atualmente, Kirchner cumpre pena em prisão domiciliar, em um apartamento em Buenos Aires. Mesmo condenada, ela segue como uma das principais lideranças do peronismo e continua à frente do Partido Justicialista.
De acordo com o La Nación, a ex-presidente transferiu diversas propriedades para os filhos como adiantamento de herança. Entre os bens citados estão hotéis e apartamentos localizados no sul da Argentina.
Cristina Kirchner no Congresso da Argentina. Foto: Gabriel Cano/Senado da Argentina
Processo por corrupção
O Ministério Público da Argentina pediu inicialmente uma pena de 12 anos de prisão para Cristina Kirchner por corrupção ligada à contratação de obras públicas. Depois, a punição foi fixada em seis anos.
O julgamento começou em maio de 2019 e apurou suspeitas de direcionamento e superfaturamento em obras públicas na província de Santa Cruz, berço político da família Kirchner.
Segundo os promotores, Cristina e outros integrantes de seu governo favoreceram empresas ligadas a Lázaro Báez. Muitas das obras investigadas não foram concluídas. Especialistas suspeitam que parte dos recursos desviados teria retornado à família Kirchner.
Pelo Código Penal argentino, condenados por esses crimes ficam impedidos de exercer cargos públicos. Ao defender a sentença, o promotor Diego Luciani afirmou: “Esta é provavelmente a maior manobra de corrupção já conhecida no país”.
Em 1º de setembro de 2022, quando era vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner foi vítima de uma tentativa de assassinato no bairro da Recoleta, em Buenos Aires. O brasileiro Fernando André Sabag Montiel, militante de extrema direita, apontou uma pistola para seu rosto, mas a arma falhou. Ele foi detido e condenado a 10 anos de prisão no ano passado.
Pessoas colocam cartazes em um poste em memória das vítimas da ditadura militar na Argentina. Foto: Divulgação
Por Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
Oficialmente denominada “Processo de Reorganização Nacional”, a ditadura militar que governou a Argentina entre 24 de março de 1976 e 10 de dezembro de 1983 aplicou um plano sistemático para sequestrar, torturar, roubar bebês, roubar bens, matar pessoas e desaparecer corpos até hoje procurados, vítimas de um terrorismo de Estado.
O golpe militar foi justificado pela luta contra o comunismo no contexto da guerra fria, apoiado por setores conservadores e amparado pela doutrina da Segurança Nacional ditada pelos Estados Unidos.
O plano sistemático contra opositores incluiu 814 centros clandestinos de prisão, tortura e morte, equivalentes a campos de extermínio, sendo o maior de todos a Escola de Mecânica da Armada (ESMA), hoje um museu da memória, onde entraram cerca de cinco mil pessoas e saíram em torno de 250.
Ricardo Coquet, de 73 anos, é um dos sobreviventes. Foi sequestrado em 10 de março de 1977 ao sair da famosa confeitaria Las Violetas de Buenos Aires.
“Fui me encontrar com um primo que me daria roupa e algum dinheiro. Todos os nossos camaradas estavam a ser capturados. Ao sairmos, quando caminhávamos ao carro dele, passou um caminhão com vários armados que me sequestraram. Eu tinha uma pastilha de cianureto, como muitos de nós, para o caso de sermos presos. Tomei a pastilha e avisei-lhes que não me venceriam. Além de vários golpes, deram-me injeções para evitar o efeito. Estavam preparados”, recorda Ricardo à RFI, então militante da Juventude Trabalhadora Peronista.
Ele foi levado para a ESMA, onde ficou até 3 de dezembro de 1978, quando ganhou “liberdade vigiada” após um acidente que lhe amputou quatro dedos na carpintaria do centro clandestino, onde realizava trabalhos sob regime de escravidão.
“O pior de ser um sequestrado sob tortura é a loucura de viver a cada minuto sem saber se você estará vivo no minuto seguinte. As torturas eram choque elétrico e golpes. Uma semana na solitária; outra semana de golpes. Sempre queriam que eu entregasse os demais militantes”, conta.
As vítimas denominadas pelos militares como “subversivos” eram, na sua maioria, militantes de movimentos e partidos de esquerda, estudantes universitários e sindicalistas.
“O caso argentino baseou-se no desaparecimento forçado como método modalidade mais comum, mas teve modalidades únicas como os voos da morte e o roubo sistemático de bebês”, aponta à RFI o historiador e escritor uruguaio, Aldo Marchesi, autor de “Hacer la Revolución”, sobre grupos armados durante as ditaduras dos países do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai).
Ricardo Coquet sobreviveu por quase dois anos na ESMA. Foto: Marcio Resende
Voos da Morte
A Junta Militar que governava o país era consciente que não poderia manter milhares de pessoas presas, que não poderia fuzilar e enterrar tamanha quantidade de pessoas sem que o movimento ganhasse estado público e recebesse críticas internacionais, sobretudo do Vaticano. Já havia o exemplo de fuzilamentos por parte do regime de Franco, na Espanha, e de Pinochet, no Chile. Era preciso desaparecer com os corpos e, para isso, a modalidade criada logo no primeiro ano do regime foram os “voos da morte”.
Os militares chamavam a modalidade de “traslados” porque os prisioneiros achavam que seriam transferidos para outro centro clandestino. Também eram conhecidos internamente como “voos de portas abertas”. Com a redemocratização, foram descobertos os voos nos quais aviões das Forças Armadas lançavam pessoas vivas, mas drogadas, ao rio da Prata e ao mar.
Cada voo transportava entre 25 e 30 pessoas às quais se injetava pentotal sódico, uma substância que as deixava em estado de sonolência. Eram lançadas nuas para que, uma vez decompostos os corpos e comidos por peixes, não deixassem rastros.
No entanto, vários corpos mutilados apareceram na margem uruguaia do rio da Prata, na costa atlântica do Uruguai e também em praias de localidades argentinas, sendo enterrados como desconhecidos em cemitérios locais.
As primeiras autópsias em restos humanos recuperados foram feitas pelo médico legista Roberto León Dios em 1977. Quando trabalharia sobre o terceiro cadáver, recebeu a ordem militar de interromper o estudo. Misteriosamente, o médico faleceu 40 dias depois.
As freiras francesas Alice Domond e Leonie Duquet e as Mães da Praça de Maio, Esther Ballestrino, María Eugenia Ponce e a fundadora, Azucena Villafor, foram vítimas de um voo da morte em 14 de dezembro de 1977, depois de torturadas, por indagarem sobre desaparecidos.
O ex-repressor da ESMA, Adolfo Scilingo, reconheceu ao jornalista Horacio Verbitsky, em 1995, que 4.400 pessoas foram lançadas. Os organismos de direitos humanos calculam em cinco mil.
Estupros
Com frequência, as mulheres presas eram sexualmente violentadas.
“No meu caso, não houve penetração, mas sofri abusos sexuais. Em outros casos, mulheres foram estupradas. Ficávamos todos nus. Recebia choques elétricos nas genitais e na boca. Recebi tantos golpes que perdi uma gravidez de dois meses. Se eles soubessem que eu estava grávida, não me soltariam e teriam roubado o meu bebê, como fizeram com todas. Não me roubaram o bebê, mas mataram-no com tantos golpes e choques”, descreve à RFI Betina Ehrenhaus, de 68 anos, presa na ESMA quando tinha 21 anos.
Betina era uma militante peronista. Foi sequestrada em agosto de 1979 junto com o marido, Pablo Lepiscopo, de 24 anos, também peronista. Os dois tinham um táxi, fonte de trabalho do casal, roubado pelos militares. Devido à dupla nacionalidade de Betina (alemã), ela foi libertada três dias depois de sessões de tortura.
“Pablo nunca apareceu. Acreditamos que tenha sido jogado no rio num voo da morte”, lamenta Betina.
Betina Ehrenhaus sobreviveu, mas perdeu o marido e uma gravidez na ESMA. Foto: Márcio Resende
Roubo de bebês
A ditadura aplicou um plano sistemático de roubo de bebês, filhos dos torturados e mortos. Os bebês eram destinados a famílias de militares e de policiais. As Avós da Praça de Maio ainda procuram 392 netos, tendo recuperado 140 até agora, incluindo quatro no ventre das mães, mortas quando estavam grávidas.
O plano sistemático e perverso de roubo de bebês foi uma exclusividade da ditadura argentina.
Na ESMA, funcionou uma maternidade clandestina que serviu como centro de rapto de bebês das prisioneiras.
Durante os anos de 1990, após duas leis que garantiram a impunidade dos envolvidos, o roubo de bebês foi o único crime que levou uma dezena de repressores à prisão, incluindo os ex-ditadores Reynaldo Bignone e Jorge Videla, embora com mais de 70 anos de idade gozassem de prisão domiciliária.
Mães e avós da Praça de Maio
Assim como a ditadura argentina foi a mais sangrenta também gerou uma reação social como nenhuma outra na América do Sul.
Quase um ano após o golpe, em abril de 1977, mães de desaparecidos começaram a reunir-se na Praça de Maio, em frente à sede do governo e a escassos quarteirões dos prédios públicos por onde as mães percorriam em busca de respostas sobre o paradeiro dos seus filhos.
As reuniões estavam proibidas pelo estado de sítio, motivo pelo qual as mães tinham de circular. Por isso, rondavam o centro da praça, enquanto trocavam informações.
Até hoje as poucas Mães da Praça de Maio ainda vivas rodam a praça, religiosamente, às quintas-feiras, havendo completado 2.501 rondas.
Em outubro de 1977, começaram a usar um lenço na cabeça como elemento comum para se reconhecerem. Também naquele mês, algumas mães perceberam que também tinham de procurar pelos seus netos, derivando num segundo grupo, as Avós da Praça de Maio.
Os anos de 1990 foram marcados pela impunidade proporcionada por duas leis. Em 1995, os filhos que procuravam os seus pais fundaram H.I.J.O.S (acrônimo de FILHOS): Filhos e Filhas pela Identidade e pela Justiça contra o Esquecimento e contra o Silêncio, na sigla em espanhol.
O objetivo desse terceiro coletivo era promover a memória e a restituição da identidade dos filhos de desaparecidos.
Com o fim da impunidade a partir de 2005, a dinâmica priorizou o acompanhamento dos processos judiciais.
Ao tentar eliminar opositores, os militares argentinos acabaram criando um exército de parentes dispostos a continuar a luta das vítimas.
Um filho e um neto
Miguel Santucho foi levado para Roma quando completou um ano de idade, em 29 de outubro de 1976. O pai já estava na Itália. Em 13 de julho de 1976, quando Miguel tinha oito meses, a mãe dele, uma tia e uma companheira, as três militantes do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, foram sequestradas. A mãe, Cristina Navajas, estudante de Sociologia, de 26 anos, estava grávida de dois meses. Segundo testemunhas, passou por três centros clandestinos. Foi vista pela última vez em 25 de abril de 1977 já sem o estado de gravidez.
Teria perdido o bebê ou teria parido? Miguel teria um irmão? Para reconstruir a sua história e para procurar esse eventual irmão, Miguel retornou a Buenos Aires, aos 17 anos, em 1993. Integrou o grupo HIJOS.
“Sabíamos que a minha mãe estava grávida e que tinha mantido a gravidez por vários meses. Supúnhamos que podia ter dado à luz, mas também existia a possibilidade de nunca tivesse parido. Nunca tivemos uma confirmação, mas a minha avó sempre sentiu a presença do neto”, explica Miguel à RFI.
A família acredita que Cristina tenha sido lançada num voo da morte. A avó de Miguel, Nélida Gómez de Navajas, era uma Avó da Praça de Maio que procurava pelo neto, irmão de Miguel. As cinzas de Nélida foram lançadas ao rio em 2012 como último pedido para estar junto da filha.
Em julho de 2023, Miguel atendeu uma chamada de vídeo. Era Daniel, o neto número 137 dos 140 até agora recuperados.
“Muito obrigado por continuar sempre a procurar-me e por não desistir nunca”, disse o irmão nascido no cativeiro de tortura da sua mãe. O dois choraram.
Daniel foi registrado como Daniel Enrique González. É provável que Enrique seja uma homenagem ao militar que cedeu o sobrenome González ao seu apropriador — um policial que, segundo Daniel, sequestrava pessoas para serem levadas aos centros clandestinos de tortura. Como recompensa pelos serviços prestados, o policial teria recebido um bebê. Hoje, Daniel usa os sobrenomes de sua família biológica: Santucho Navajas.
Ele cresceu em uma casa que defendia a ditadura. Aos 21 anos, começou a duvidar de sua identidade. Com a mulher que o apropriou já falecida, passou a pressionar o homem que o havia registrado, mas ele sempre negava. Ironicamente, seus apropriadores o registraram como nascido em 24 de março de 1977, data que marcou o primeiro ano do golpe de Estado. Daniel passou a vida comemorando seu aniversário no mesmo dia em que a ditadura o tirou de sua mãe
Enquanto continuava a duvidar da sua origem e a pressionar pela verdade, convivia com o medo e com a culpa de denunciar o apropriador que terminaria preso. Foram necessários outros 20 anos dessa angústia, de terapia e de coragem para Daniel ir até as Avós da Praça de Maio. Três meses depois do exame de DNA, aos 46 anos de idade, Daniel encontrou a sua verdadeira família. Depois descobriu que a sua certidão de nascimento fora alterada e que nascera em 10 de janeiro de 1977.
“Eu nasci prematuro, com pouco peso, em más condições, provavelmente devido às condições do parto da minha mãe num centro clandestino, a receber torturas, a passar fome e frio. Nessas condições, fui entregue aos meus apropriadores que, cinicamente, registram-me com a data do golpe militar. Em qual Deus essa gente acreditava para fazer algo assim?”, questiona Daniel.
O apropriador foi indiciado e ficou em prisão domiciliária à espera do julgamento, mas faleceu antes de ser julgado. “Morreu dois dias depois de eu ter o meu novo documento com a minha verdadeira identidade”, ressalta.
Daniel (esquerda) e Miguel Santucho se encontraram em 2023. Foto: Márcio Resende
Polêmica com o número de vítimas
Os organismos de direitos humanos defendem que o número de desaparecidos chega a 30 mil pessoas.
Nos últimos anos, uma série de vozes críticas passaram a questionar a cifra porque nenhuma lista inclui os nomes dessas pessoas.
Em dezembro de 1983, assim que o país recuperou a Democracia, o presidente Raúl Alfonsín (1983-1989) criou a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP). Durante nove meses, a comissão reuniu provas com os nomes das vítimas para iniciar um processo penal contra as Juntas Militares.
Surgiu uma lista com 8.961 nomes confirmados, usada por críticos para questionar o número de 30 mil desaparecidos. No entanto, a própria CONADEP esclareceu que se tratava de “uma lista inevitavelmente incompleta”, devido à intensidade dos acontecimentos, à dificuldade de acessar todos os casos e ao medo que ainda mantinha muitas pessoas em silêncio.
“Sabemos também que muitos desaparecimentos não foram denunciados porque a vítima não tem familiares, porque os seus parentes preferem manter-se em silêncio ou porque vivem em locais muito afastados dos centros urbanos. Como esta comissão verificou durante as suas visitas ao interior do país, muitos familiares dos desaparecidos disseram-nos que, nos últimos anos, não sabiam a quem recorrer”, diz o relatório “Nunca Mais” da CONADEP.
O presidente Javier Milei, considerado um negacionista da ditadura, defende um número ainda inferior.
“Não foram 30 mil desaparecidos. São 8.753”, afirmou Milei.
Em março de 1977, quando completou um ano do golpe, Anistia Internacional divulgou que as vítimas já chegavam a 15 mil.
A partir de documentos desclassificados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em 2006 surgiu uma terceira cifra. Os documentos de inteligência revelaram que, até meados de 1978, os militares calculavam 22 mil vítimas entre desaparecidos e mortos, quando ainda viriam mais cinco anos de ditadura.
O emblemático número de 30 mil desaparecidos começou a ser difundido durante a terceira “Marcha da Resistência” em setembro de 1983.
Luis Labraña, ex-membro do principal grupo de guerrilheiros, os Montoneros, garante ser o inventor da cifra de 30 mil desaparecidos para chamar a atenção dos organismos de direitos humanos internacionais.
No entanto, investigações acadêmicas indicam que a soma de desaparecidos, de vítimas sobreviventes dos centros clandestinos, de presos políticos e de mortos, o número final aproxima-se dos 30 mil.
“Podemos calcular em 30 mil as vítimas da última ditadura que foram presas e desaparecidas, incluindo as que foram assassinadas e as que sobreviveram. O fato de que não se possa contar nem saber com exatidão o número foi parte do plano de repressão ilegal e clandestina: ocultar os nomes, os destinos, os corpos e visar à impunidade dos responsáveis pelos crimes que nunca colaboraram com a verdade”, diz o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), um dos principais organismos de direitos humanos da Argentina.
De qualquer forma, seja qualquer uma dessas cifras, nenhum outro país da região fez tantas vítimas em apenas sete anos. Nos 17 anos do ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, outro regime sanguinário, o número de mortos e desaparecidos chega a 3.065.
Referência mundial de Justiça
No mundo, a Argentina é o país que mais julgou e condenou seus próprios militares. Dentre todos, os militares argentinos foram os únicos que não obtiveram, inicialmente, uma lei de anistia. A derrota na Guerra das Malvinas, em 1982, acelerou sua saída do poder, mas sem que tivessem força política para negociar qualquer forma de proteção.
“O governo militar teria terminado do mesmo jeito, assim como 42 países no mundo democratizaram-se nos anos 1980, mas as condições teriam sido diferentes sem a guerra”, explica à RFI o historiador Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nova Maioria.
A derrota na guerra teve impacto, então, nas condições particulares da transição argentina. “O julgamento de militares hoje é consequência da incapacidade dos militares de negociar a transição devido ao enfraquecimento pela guerra”, avalia Fraga.
E assim como a Argentina foi uma referência, em 1983, para os países vizinhos ainda sob ditaduras, a falta de uma anistia para os militares argentinos alertou os ditadores da região para se cuidarem.
“A forma como os militares argentinos deixaram o poder não foi necessariamente para ser imitada, mas para que os vizinhos saíssem com uma anistia na mão”, compara Rosendo Fraga.
Países como Uruguai, Paraguai e, sobretudo, Chile, tiveram esse cuidado. A lei de anistia do Brasil, de 1979, é anterior ao exemplo argentino.
A influência argentina foi decisiva para a democratização do Chile. O ex-presidente argentino Raúl Alfonsín, comprometido com grupos anti-Pinochet, teve um papel fundamental na vitória do “Não” — o voto contra a continuidade do ditador Augusto Pinochet no plebiscito de 1988.
Pouco antes de deixarem o poder, em 22 de setembro de 1983, os militares argentinos tentaram aprovar uma “Lei de Autoanistia”, chamada de “Pacificação Nacional”. No entanto, cinco dias após assumir a presidência em um governo democrático, Alfonsín anulou o decreto, declarando-o “insanamente nulo”. Essa decisão marcou o início do difícil processo de “Memória, Verdade e Justiça” na Argentina.
Em 1985, a CONADEP forneceu as bases para o julgamento dos principais responsáveis pelos crimes da ditadura argentina. Esse processo, conhecido como “Julgamento das Juntas Militares”, é considerado um marco histórico mundial.
O “Julgamento das Juntas Militares” começou em 22 de abril de 1985 e terminou em 9 de dezembro do mesmo ano. Dos nove militares de alta patente que integravam as três primeiras Juntas, cinco foram condenados:
Jorge Videla e Emilio Massera: prisão perpétua;
Roberto Viola: 17 anos de prisão;
Armando Lambruschini: 8 anos de prisão;
Orlando Agosti: 4 anos e 6 meses de prisão.
A reação dos militares, no entanto, foi imediata. Entre 1986 e 1987, uma série de levantes ameaçou a frágil democracia argentina, recém-reconquistada. Sob pressão, o Congresso aprovou duas leis que garantiram impunidade aos torturadores e criminosos da ditadura:
Lei de Obediência Devida (1986): alegava que militares de postos inferiores não poderiam ser punidos, pois estavam “apenas cumprindo ordens” — exceto em casos de estupro ou roubo de bebês.
Lei de Ponto Final (1987): determinava a interrupção imediata de todos os processos judiciais contra acusados de desaparecimentos forçados.
A impunidade se consolidou em 1990, quando o então presidente Carlos Menem (1989-1999) indultou os condenados no “Julgamento das Juntas Militares”, encerrando suas penas.
A virada começou apenas em 1998, quando o Congresso revogou as leis de Obediência Devida e Ponto Final. O processo ganhou força em 2003, quando o presidente Néstor Kirchner (2003-2007) impulsionou a anulação definitiva das leis, desta vez com apoio do Congresso. Dois anos depois, em 2005, a Corte Suprema argentina declarou as leis inconstitucionais, abrindo caminho para uma nova fase.
A Argentina iniciou, assim, a maior onda de julgamentos contra militares da História — superando até mesmo os processos de Nuremberg, que condenaram líderes nazistas. O país se tornou um marco global na luta por verdade e justiça, como destaca o historiador Aldo Marchesi: “A Argentina tornou-se uma referência mundial em matéria de verdade e de justiça. Há estudos que mostram como esse modelo foi replicado por outros países pelo mundo”.
Desde 2006, a Justiça argentina já condenou 1.202 pessoas por crimes de lesa-humanidade, em 353 sentenças. A maioria recebeu pena de prisão perpétua, reconhecendo os crimes como genocídio.
Atualmente, 539 pessoas cumprem pena, das quais 454 estão em prisão domiciliar (devido a idade avançada ou condições de saúde) e 213 foram absolvidas ao longo do processo.
Atualmente, 13 processos estão em julgamento na Argentina. Outros 60 estão próximos de serem julgados, enquanto 280 ainda estão em fase de investigação.
A Argentina se consolidou como o país que mais avançou no mundo em matéria de Justiça para crimes contra a humanidade. Esse progresso se deve a:
Quantidade de provas coletadas;
Responsáveis individualizados e identificados;
Número de julgamentos realizados;
Condenações proferidas;
Volume de testemunhos registrados.
O desafio da Justiça agora é julgar os responsáveis civis, empresários e grupos econômicos, ideólogos ou cúmplices dos militares.
Outro desafio enfrentado pelos organismos de direitos humanos é ter acesso aos arquivos do Estado, que contém informações essenciais para o avanço dos processos judiciais. Os organismos denunciam que o governo Milei bloqueou o acesso a esses arquivos, desmantelou equipes especializadas nesses arquivos e retirou o Estado como parte acusadora nos processos.
Brasileiros homenageados
Apesar dos avanços, o camainho para a justiça volta a enfrentar ameaças, desta vez vindas das novas gerações que se desconectaram do processo histórico e do atual governo do presidente Javier Milei, que defende o papel da ditadura.
Uma sondagem do CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais) e do observatório Pulsar, da Universidade de Buenos Aires, indica que, apesar desigualdades persistentes na democracia, a rejeição à ditadura militar continua forte na Argentina. O estudo denominado “Olhares retrospectivos sobre a ditadura argentina 50 anos depois” indica que 71% consideram que a ditadura foi “ruim” ou “muito ruim”, 63% afirmam que não houve motivos que justificassem o golpe de Estado e 70% acreditam que o Estado deve continuar a julgar os militares pelas violações aos direitos humanos.
No marco dos 50 anos do golpe de Estado, organizações sociais, movimentos de direitos humanos e partidos políticos de esquerda vão fazer uma grande manifestação em defesa da Memória, Verdade e Justiça, mas também contra o presidente Javier Milei.
Na manifestação da tarde desta terça-feira, pela primeira vez, brasileiros desaparecidos na Argentina serão homenageados. São 12 brasileiros que foram vítimas no contexto da Operação Condor – uma aliança entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores, mesmo que eles cruzassem fronteiras.
Entre os homenageados estará Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenorinho, pianista que acompanhava Vinicius de Moraes e Toquinho em apresentações aqui em Buenos Aires.