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Duas manchetes contra o povo e uma sobre o filho assumindo a cadeira do pai. Por Moisés Mendes

22 de Fevereiro de 2026, 12:00
O presidente Lula

As manchetes de domingo dos três jornalões antecipam o que vem aí. São duas manchetes contra o povo e uma manchete de release de assessoria de campanha de Flávio.

Globo:
“Gasto com benefícios sociais dispara 500% e eleva pressão por revisão da política social”.

Essa é a linha de apoio da manchete: “Salto considera despesas de 2004 a 2025; Fazenda vê ineficiência, teme nó fiscal e defende unificação dos auxílios”.

Folha:
“Brasileiro trabalha menos que a média mundial”

A linha abaixo da manchete informa o seguinte: “País ocupa posições inferiores em classificações de esforço dadas a produtividade e a demografia de dezenas de nações”.

Estadão:
“Flávio Bolsonaro passa a ocupar a cadeira do pai na sede do PL para comandar a pré-campanha”.

A linha de apoio é essa: “Senador vai despachar do antigo gabinete de Jair Bolsonaro assim que voltar dos Estados Unidos, no que os aliados definem como nova fase do projeto eleitoral”.

As duas manchetes contra os trabalhadores e direitos da maioria (a da Folha contra o fim da escala 6X1) são complementadas com uma informação que pretende passar um gesto simbólico. O filho está assumindo a cadeira do pai, como nas monarquias.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo | Evaristo Sa/AFP

A manchete do Estadão sobre o filho era tão forçada e tão bolsonarista que ainda pela manhã o jornal a empurrou para baixo na tela e a transformou em chamada secundária com letrinhas miúdas.

Em destaque na capa, acima do título sobre a cadeira de Bolsonaro, o Estadão publicou uma chamada ‘séria’ sobre o programa do filho ungido:

“Privatizações, ferrovias e presídios: o que Flávio Bolsonaro já propôs em 8 áreas”

O jornalismo das corporações aderiu sem escrúpulos à candidatura bolsonarista. Enquanto aperta o cerco a Lula, a Alexandre de Moraes e ao Supremo.

O Estadão é, descaradamente, parte da campanha da extrema direita, e seus colunistas podem começar a despachar de salas ao lado do gabinete de Flávio em Brasília.

CPI do Crime quer ouvir Toffoli, Moraes e familiares sobre caso Master

22 de Fevereiro de 2026, 11:25
Os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) • STF

A CPI do Crime Organizado do Senado deve analisar, na quarta-feira (25), uma série de requerimentos relacionados ao caso do Banco Master. Entre os pedidos estão convites aos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes para prestar esclarecimentos sobre possíveis conexões com o conglomerado financeiro investigado.

A pauta também inclui a análise de quebras de sigilo e a convocação de sócios e executivos da instituição. Estão entre os alvos Daniel Vorcaro, apontado como dono do banco, Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.

Parlamentares ainda querem ouvir a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, para tratar de contrato firmado entre o Banco Master e seu escritório. O tema voltou à discussão após operação da Polícia Federal que investigou vazamentos de dados de familiares de integrantes do STF.

Outro eixo da comissão envolve o resort Tayayá, que teve como sócios familiares de Dias Toffoli. O empreendimento foi vendido ao Fundo Arllen, apontado como ligado a Vorcaro. Irmãos do ministro, além de outros envolvidos na gestão do resort, também aparecem em requerimentos.

O desgaste político em torno das ligações levou à substituição de Toffoli na relatoria do caso no STF. O novo relator sorteado foi o ministro André Mendonça, que passa a conduzir a análise das investigações no Supremo.

A CPI ainda deve votar convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master. Parlamentares querem esclarecimentos sobre reunião ocorrida em dezembro de 2024 entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a presença de Rui Costa e Guido Mantega.

Além das apurações sobre o banco, o colegiado tem previsto o depoimento do ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho.

A comissão deve deliberar sobre os requerimentos na próxima sessão. O desfecho pode ampliar o alcance político da investigação e intensificar o debate no Senado sobre possíveis vínculos entre agentes públicos, empresários e estruturas criminosas.

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