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Presidente Lula discursa no G7 e fala em solidariedade internacional

16 de Junho de 2026, 15:51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da reunião ampliada do G7, em Évian, na França, e fez um apelo pela reconstrução da solidariedade internacional diante do agravamento das desigualdades, da crise climática e dos conflitos armados.

Em sua fala, Lula criticou o modelo econômico baseado na austeridade e na desregulamentação, defendeu maior protagonismo do Sul Global e cobrou compromisso efetivo dos países ricos com o financiamento ao desenvolvimento. Confira como foi o Lula na reunião do G7 com a TVT News.

Resumo do discurso de Lula no G7

  • Criticou o neoliberalismo e a austeridade fiscal como respostas insuficientes às crises globais;
  • Denunciou o aumento da desigualdade entre países ricos e pobres;
  • De frente com Trump, Cobrou recursos para cumprir a Agenda 2030 e os compromissos climáticos;
  • Alertou para a redução da ajuda internacional e seus impactos sociais;
  • Defendeu reformas no sistema financeiro internacional;
  • Apresentou iniciativas brasileiras contra a fome e em defesa das florestas;
  • Reivindicou respeito à soberania dos Estados;
  • Pediu democratização do acesso à inteligência artificial e à tecnologia.

Lula critica neoliberalismo e austeridade

Lula afirmou que o mundo permaneceu “aprisionado em dogmas” que defendem a desregulamentação dos mercados, o Estado mínimo e a austeridade fiscal como fins em si mesmos. Segundo ele, essas políticas contribuíram para aprofundar a desigualdade econômica e alimentar a crise política que afeta as democracias contemporâneas.

Presidente denuncia desigualdade entre Norte e Sul Global

O presidente destacou que a distância entre a prosperidade dos países desenvolvidos e a realidade vivida por bilhões de pessoas no Sul Global continua crescendo. Lula ressaltou que a extrema concentração de riqueza é resultado de décadas de políticas favoráveis aos mais ricos e afirmou que o avanço da desigualdade coloca em risco os compromissos internacionais de desenvolvimento.

Cobrança por justiça climática e financiamento

Ao abordar a crise climática, Lula afirmou que a COP-30 evidenciou novamente a diferença entre promessas e ações concretas. Ele defendeu a ampliação do financiamento climático para pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais, condição necessária para acelerar a implementação do Acordo de Paris e proteger as populações mais vulneráveis.

Redução da ajuda internacional afeta milhões

O presidente chamou atenção para a queda histórica da Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e para os cortes em organismos multilaterais. Segundo Lula, a redução dos recursos impacta diretamente a vida das pessoas, ampliando a fome, a evasão escolar, a vulnerabilidade das mulheres e a exposição de comunidades a doenças evitáveis.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ampliada do G7 sobre o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, em Évian-les-Bains – França. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Reforma financeira para combater desigualdades

Lula afirmou que os países em desenvolvimento não podem continuar sendo obrigados a escolher entre honrar dívidas e garantir direitos básicos à população. Para ele, o problema central não é a escassez de recursos, mas a ausência de vontade política para implementar soluções já conhecidas.

Brasil apresenta iniciativas de cooperação

O presidente destacou ações lideradas pelo Brasil, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a Aliança Global contra a Fome. Também citou o apoio ao Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, como instrumento para orientar políticas coordenadas.

Combate ao crime com respeito à soberania

Lula defendeu o fortalecimento da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado, ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. Ao mesmo tempo, ressaltou que esse esforço deve respeitar a soberania dos Estados e priorizar o diálogo institucional.

Tecnologia e inteligência artificial devem reduzir desigualdades

Ao final do discurso, Lula alertou que a inteligência artificial e as transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos de concentração de riqueza. O presidente defendeu transferência de tecnologia, industrialização e participação dos países detentores de minerais críticos nas etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas.

Confira o discurso completo do presidente Lula no G7

Discurso lido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião ampliada do G7 sobre o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, em Évian (França), em 16 de junho de 2026

Agradeço ao presidente Macron pelo convite para participar deste segmento ampliado em Évian.

Ainda em 2003, uma das minhas primeiras tarefas como presidente do Brasil foi participar da Cúpula do então-G8 nesta bela cidade.

Desde aquele ano estive em outras nove cúpulas do G8 ou G7.

Em todas elas nos defrontamos com crises e desafios que afetam milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Mas em nenhuma conseguimos construir respostas coletivas e duradouras. 

Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. 

O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. 

Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas. 

A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo.

Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado.

O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial.

A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários.

Caminhamos na contramão da Agenda 2030.

Faltam 4 trilhões de dólares por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

A COP-30 voltou a evidenciar a distância entre os compromissos assumidos pelos países desenvolvidos e os recursos efetivamente mobilizados para cumpri-los. 

Para acelerar a implementação do Acordo de Paris, é preciso ampliar o financiamento climático para, pelo menos, um trilhão e trezentos bilhões de dólares.

Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe.

No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento.

O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento. 

A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. 

Não são cifras abstratas. 

Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento.

São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas.

Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. 

Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares.

Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica.

O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos. 

A Conferência de Sevilha sobre Financiamento para o Desenvolvimento apontou para a direção correta.

Embora a contribuição do setor privado seja bem-vinda, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento segue sendo responsabilidade primordial dos estados. 

Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças.

Está claro que o desafio não é administrar a escassez.

O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política.

Não faltam boas ideias.

Mecanismos inovadores como a troca de dívida por ação climática ou investimentos sociais podem contribuir para ampliar o espaço fiscal dos países mais vulneráveis. 

O Brasil tem dado a sua contribuição.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre vai canalizar investimentos para a conservação desse bioma e de seus habitantes.

A Aliança Global contra a Fome possibilita compartilhar experiências e auxiliar a implementação de políticas públicas eficazes na redução das desigualdades.

O estabelecimento do Painel Internacional sobre Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, apoiará com dados e evidências a formulação de respostas coordenadas a esse desafio. 

Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento.

Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas.

Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados.

A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um passo positivo.

Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. 

Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da INTERPOL, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas.

Outro desafio que não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial.

As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores.

Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais.

Muito obrigado.

Reprodução do discurso enviada pelo Palácio do Planalto

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Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump pode prejudicar o Brasil, avalia o Planalto

26 de Maio de 2026, 23:10
Flávio Bolsonaro se encontra com o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca – Foto: Divulgação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o encontro entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode gerar riscos para a pauta comercial entre os dois países. A avaliação foi relatada por integrantes do governo ouvidos sob reserva. Com informações da Folha.

Segundo integrantes do governo, a preocupação está relacionada à atuação de bolsonaristas no ano passado em defesa do tarifaço sobre produtos brasileiros. Apesar disso, integrantes do Executivo afirmam que as negociações com os Estados Unidos para retirar tarifas ainda existentes seguem avançando.

Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty minimizaram a possibilidade de impacto eleitoral da visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca. Interlocutores do presidente Lula afirmam que o principal efeito político interno continua relacionado à ligação do senador com Daniel Vorcaro.

Itamaraty
Palácio do Itamaraty. Foto: A C Moraes/Itamaraty

De acordo com a avaliação de diplomatas, não há risco de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro em razão da agenda realizada nos Estados Unidos. A análise é compartilhada por integrantes da área diplomática do governo.

Os diplomatas também afirmam que os encontros entre Lula e Trump e a melhora do processo de negociação entre Brasil e Estados Unidos têm produzido resultados positivos. A avaliação considera o atual estágio das conversas mantidas entre os dois países.

Flávio Bolsonaro esteve em Washington nesta terça-feira (26). O encontro com Trump ocorreu em meio às discussões do governo sobre os possíveis reflexos da agenda para a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Choro bolsonarista contra o Itamaraty ignora regras de embaixadas; entenda

26 de Maio de 2026, 21:28
Flávio Bolsonaro durante entrevista após encontro com Trump em Wasington. Reprodução

Bolsonaristas reclamaram da negativa da Embaixada do Brasil em Washington ao pedido do senador Flávio Bolsonaro para usar o local em uma coletiva de imprensa após encontro com Donald Trump. O uso de embaixadas e consulados brasileiros no exterior, no entanto, segue regras diplomáticas, administrativas e protocolares do Itamaraty, e o acesso à estrutura não é informal nem automático.

As representações brasileiras no exterior podem ser usadas para apoio institucional, reuniões, agendas oficiais e articulações de interesse do Estado. O Ministério das Relações Exteriores mantém normas internas de protocolo e coordenação que determinam que agendas oficiais sejam previamente comunicadas às missões diplomáticas brasileiras.

Em viagens presidenciais ou ministeriais, por exemplo, o Cerimonial do Itamaraty é responsável por organizar programas, contatos e logística. O Decreto nº 70.274/1972, que regula o cerimonial público brasileiro, atribui ao Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores a elaboração do programa de visitas oficiais do presidente da República e do ministro das Relações Exteriores ao exterior.

Na prática diplomática, embaixadas e consulados não funcionam como espaços livres para uso político pessoal de autoridades. As representações pertencem ao Estado brasileiro e têm finalidade institucional. Pedidos de utilização para reuniões, eventos, apoio logístico, segurança, transporte oficial ou encontros políticos precisam passar por autorização e coordenação da chefia do posto diplomático — normalmente o embaixador ou cônsul responsável.

Também existe a necessidade operacional de antecedência. Embora não haja uma lei geral fixando prazo único em dias para toda autoridade, o protocolo diplomático trabalha com planejamento prévio porque as missões precisam organizar segurança, agenda, recepção, transporte, interlocução com autoridades locais e eventual uso da estrutura pública.

No caso de autoridades de alto escalão — como presidente da República, ministros, presidentes de Poderes, parlamentares em missão oficial ou governadores — a prática institucional é que as embaixadas sejam avisadas com antecedência suficiente para preparação diplomática. Em viagens improvisadas ou agendas não informadas previamente, a missão pode prestar assistência mínima, mas não é obrigada a disponibilizar estrutura ampla ou assumir atos que não tenham sido formalmente comunicados.

O caso de Flávio Bolsonaro em Washington ilustra esse limite. Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o gabinete do senador enviou na noite de segunda-feira (25) um pedido para usar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos como local de uma coletiva de imprensa após o encontro com Trump. A solicitação foi negada na terça-feira (26), por e-mail, sob o argumento de que Flávio Bolsonaro não estava em visita oficial.

Diplomatas ouvidos pela coluna afirmaram que, para o pedido ser atendido, o Senado precisaria ter informado oficialmente à embaixada que Flávio Bolsonaro estava em missão oficial. Segundo a apuração, isso não foi feito pela Casa Legislativa. Com a negativa, o senador realizou a coletiva em uma casa de eventos privada em Washington.

SBT censura fala de Flávio Bolsonaro sobre proibição de coletiva na Embaixada do Brasil https://t.co/qxcQPMDzsk pic.twitter.com/nHetBaGPiB

— Blog Thalita Moema (@blogdatm) May 26, 2026

O episódio também mostra a diferença entre viagem oficial e viagem político-partidária. Membros do Itamaraty lembraram que, em 2025, a embaixada brasileira em Washington prestou apoio a uma comitiva de senadores, inclusive de oposição ao governo Lula, porque a missão havia sido oficialmente comunicada pelo Senado. Na ocasião, participaram parlamentares como Tereza Cristina e Astronauta Marcos Pontes, ambos ex-ministros do governo Jair Bolsonaro, e a embaixada cedeu espaço para reuniões e uma coletiva de imprensa.

Quando a autoridade viaja em caráter pessoal ou político-partidário, o uso da estrutura estatal pode gerar questionamentos administrativos e políticos, especialmente se envolver servidores públicos, veículos oficiais, segurança diplomática ou instalações da embaixada para fins sem relação direta com interesses do Estado brasileiro. Nessas situações, entra em debate o limite entre representação institucional e atividade político-partidária.

“Não nos preocupa”: o que diz o governo sobre encontro entre Flávio e Trump

21 de Maio de 2026, 15:26
Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: reprodução

Integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty reagiram com cautela à informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Aliados do parlamentar disseram que ele vai se reunir com o republicano na próxima semana.

Segundo diplomatas ouvidos pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, o governo brasileiro ainda não recebeu confirmação oficial sobre o encontro. Nos bastidores, interlocutores avaliam que a divulgação da agenda pode estar relacionada ao momento político enfrentado pelo senador.

A avaliação de parte dos diplomatas é que a notícia da possível reunião foi utilizada como cortina de fumaça para desviar o foco da crise envolvendo a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Lula também afirmam não ter recebido qualquer confirmação sobre a agenda entre o senador e Trump. Mesmo diante da possibilidade de o encontro ocorrer, assessores do governo minimizam eventuais efeitos políticos da reunião para o cenário nacional. “Não nos preocupa”, afirmou um assessor ligado ao presidente Lula.

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Casa Branca e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não confirmaram até o momento o encontro de Flávio e Trump.

Membros da pré-campanha do senador têm dito a veículos de imprensa que o convite partiu de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, e que a articulação para viabilizar o encontro envolveu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Se confirmado, o encontro deve ocorrer semanas após uma viagem de Lula aos Estados Unidos para reunião com Trump. O petista esteve na Casa Branca na primeira semana de maio para discutir o “tarifaço”, parcerias no setor de minérios e ações conjuntas de combate ao crime organizado.

Israel mata duas brasileiras no Líbano: menina de 11 anos e sua mãe

27 de Abril de 2026, 19:52
Fumaça após ataque israelense no Líbano neste domingo (26). Reprodução

O Itamaraty confirmou nesta segunda-feira (27) a morte de uma menina brasileira de 11 anos, da mãe dela, também brasileira, e do pai, libanês, após um ataque israelense no sul do Líbano.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a família estava em casa, no distrito de Bint Jeil, quando ocorreu o bombardeio. Um dos filhos do casal, irmão da criança morta, foi levado ao hospital.

O governo brasileiro disse ter recebido a notícia “com consternação e pesar” e atribuiu as mortes a um ataque das Forças de Defesa de Israel.

A ofensiva ocorreu no domingo (26), mesmo com um cessar-fogo em vigor entre Israel e o Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã. O acordo havia sido prorrogado até a segunda quinzena de maio.

De acordo com o Exército israelense, os ataques foram realizados após “repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah”. A ofensiva foi precedida por alerta de evacuação em cidades e vilarejos do sul libanês.

O Brasil tem defendido a saída imediata das tropas israelenses do Líbano e a extensão do cessar-fogo à região, com garantia da soberania libanesa.

Mortes de brasileiros no Líbano em decorrência de ataques israelenses: https://t.co/RSEJNUdU6d pic.twitter.com/3CXxNT4mIC

— Itamaraty Brasil 🇧🇷 (@ItamaratyGovBr) April 27, 2026

Abaixo, a íntegra da nota do Itamaraty:

governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel. Outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado. A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio.

Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).

Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah. Condena, ainda, as demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano, levadas a efeito, ao longo das últimas semanas, pelas forças israelenses, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses.

Nesse contexto, o Brasil exorta as partes ao cumprimento integral dos termos da Resolução 1701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que estabeleceu os termos do cessar-fogo que encerrou a guerra de 2006, e à imediata cessação das hostilidades, com a retirada completa das forças israelenses do território libanês.

A Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família dos brasileiros falecidos para prestar assistência consular, incluindo para o filho hospitalizado.

Assessor de Trump deu informações falsas ao Itamaraty; entenda

13 de Março de 2026, 16:24
O assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie. Foto: Divulgação

O Ministério das Relações Exteriores confirmou nesta sexta-feira (13) a revogação do visto concedido ao assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, integrante do governo de Donald Trump.

Segundo o Itamaraty, a decisão foi tomada após a identificação de irregularidades nas informações apresentadas pelo norte-americano ao solicitar entrada no Brasil. De acordo com a pasta, o pedido de visto continha dados incompletos e inconsistentes sobre o objetivo da viagem.

“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, informou o ministério em nota oficial.

A visita de Beattie havia gerado controvérsia após vir à tona que ele pretendia se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena na unidade militar conhecida como Papudinha, em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado. O encontro chegou a ser solicitado ao Supremo Tribunal Federal pela defesa do ex-presidente.

O ministro Alexandre de Moraes chegou a pedir esclarecimentos ao Itamaraty sobre a viagem do assessor norte-americano. Inicialmente, havia autorização para a visita, mas a decisão foi revista depois que o governo brasileiro informou que o visto havia sido concedido apenas para compromisso privado e que não havia agenda diplomática oficial prevista.

O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação

Além do encontro com Bolsonaro, também foi informado que o assessor pretendia conversar com o deputado Sóstenes Cavalcante, líder da oposição na Câmara. A possibilidade de reuniões políticas levou integrantes do governo a interpretarem a viagem como tentativa de interferência em assuntos internos do país.

O presidente Lula comentou o caso e afirmou que o norte-americano não poderia entrar no Brasil enquanto houvesse restrições a autoridades brasileiras nos Estados Unidos. “Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde que está bloqueado”, declarou.

Com a revogação do visto, Darren Beattie fica impedido de entrar no território brasileiro. O Itamaraty afirmou que a decisão segue normas legais aplicadas em casos de inconsistência nas informações fornecidas durante o pedido de entrada, medida prevista tanto na legislação brasileira quanto em regras internacionais.

Acesso negado: Moraes nega visita de assessor de Trump ao Bolsonaro

12 de Março de 2026, 20:35

Sem reunião golpista na Papudinha. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, negou a visita do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente inelegível e preso, Jair Bolsonaro. Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira havia alertado que a visita era uma inteferência nos assuntos brasileiros. Leia em TVT News

Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro na Papudinha

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, na prisão.

Na decisão, Moraes disse que a visita do assessor do presidente Donald Trump não foi comunicada à diplomacia brasileira e não está inserida na agenda oficial que será cumprida no Brasil.

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“A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, decidiu o ministro.

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Darren Beattie já falou em “censura e perseguição” a Bolsonaro. Foto: Departamento de Estado dos EUA/Divulgação

Mauro Vieira alertou que visita de assessor de Trump seria ingerência nos assuntos brasileiros

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou a Moraes que a visita a Bolsonaro pode configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.

Segundo Vieira, a embaixada do Estados Unidos no Brasil informou ao governo brasileiro que Darren Beattie vem ao Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo, na próxima quarta-feira (18).

O chanceler acrescentou ainda que a representação norte-americana não mencionou eventuais visitas fora da agenda oficial.

No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita seja realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil. A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses prisão na ação penal da trama golpista e cumpre pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

O local é conhecido como Papudinha e é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes. 

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Ex-ministro de Lula foi impedido de seguir viagem no Panamá após interrogatório sobre prisão na ditadura

8 de Março de 2026, 17:42
O ex-ministro de Lula, Franklin Martins. Foto: Divulgação

O ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social de Lula, Franklin Martins, revelou neste domingo (8) um incidente ocorrido durante sua viagem ao Panamá, onde foi impedido de seguir para a Guatemala devido a um questionamento sobre sua atuação política no Brasil durante a ditadura militar.

O relato foi encaminhado ao Itamaraty, que já acionou as autoridades panamenhas para solicitar esclarecimentos sobre o caso. O chanceler Mauro Vieira se envolveu diretamente e o chefe da diplomacia do Panamá, Javier Martinez-Acha, pediu desculpas pelo erro, reafirmando que Martins é “muito bem-vindo ao Panamá”.

Confira o relato de Franklin Martins na íntegra:

”No dia 6 de março de 2026, pouco depois da 01:00 h da madrugada, deixei o aeroporto do Galeão a bordo de um avião da Copa Airlines. Meu destino final era a Cidade da Guatemala, onde participaria durante três dias de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar. No trajeto, faria uma conexão na Cidade do Panamá.

Lá chegamos por volta das 06:00 da manhã. O voo para a capital da Guatemala deveria sair duas horas e meia depois. Ao desembarcar do avião, no final do “finger” que dava para a entrada da área internacional do aeroporto, dois policiais à paisana pediam aos passageiros seus passaportes, que eram examinados rapidamente e devolvidos. Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo.

Levou-me até as dependências de uma área fechada, ainda na parte internacional do aeroporto, que não possuía qualquer identificação. Ao chegarmos, pediu que eu me sentasse numa cadeira em frente à mesa e dirigiu-se à sala ao lado. Falou com alguém e voltou em poucos minutos. Os dois ambientes eram separados por uma grande parede de vidro. Através dela, os chefes dos interrogadores e outros policiais, sem serem vistos pelo interrogado, poderiam acompanhar tudo que estava acontecendo e sendo dito na sala ao lado.

O agente pediu-me que preenchesse um documento com meus dados (nome, profissão, idade, endereço, motivo da viagem, se já tinha sido preso, motivo da prisão etc). Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações. E começou a fazer perguntas que, de um modo geral, apenas repetiam o que já estava informado no documento que eu havia preenchido. Pediu-me provas de que eu iria participar de um seminário numa universidade da Guatemala. Mostrei-lhe a programação, que ele fotografou. Tirou fotos minhas também e colheu minhas impressões digitais três vezes.

Visivelmente, o policial estava querendo ganhar tempo. Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas. Depois de mais algumas perguntas sem importância, pediu-me que aguardasse. Entrou na sala ao lado, separada da dependência em que estávamos pela grande parede de vidro. E não voltou mais.

Depois de uns 20 minutos sozinho na sala, preocupado com a possibilidade de perder o voo do Panamá para a Guatemala, que sairia às oito e pouco da manhã, bati na porta várias vezes. Não responderam. Pouco depois, outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso.

Pedi então que eles entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou me permitissem fazer uma ligação telefônica para nossa representação diplomática. O policial respondeu que não fariam isso. Alegou que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva das autoridades panamenhas.

Por volta das 10:00hs da manhã, deixei a sala acompanhado por dois policiais – sem identificação, mas provavelmente integrantes da Policía Nacional – e fui levado para o andar de baixo, sendo confinado numa sala de Migración de Panamá, ao lado dos guichês de controle dos passaportes dos viajantes. Lá fiquei por mais quatro horas sem qualquer explicação. Novamente, fui fotografado de frente e perfil. Colheram por duas vezes minhas impressões digitais.

Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hamburguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os “retenidos”. Voltaram a falar na Lei de 2008, mas deixaram escapar que sua aplicação havia se tornado mais rígida depois de decretos recentes do governo. Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança.

Pouco depois das 14:00hs, outro funcionário da Migración, levando meu passaporte e a passagem da Copa Airlines da Cidade do Panamá para o Rio de Janeiro, acompanhou-me até o portão de embarque. O documento foi entregue à chefe dos comissários de bordo, com a determinação de que só me fosse devolvido no Rio. Ao chegarmos na Cidade Maravilhosa, a aeromoça entregou-o a uma funcionária brasileira da Copa Airlines, que me acompanhou até a sala da Polícia Federal ao lado dos guichês de controle dos passaportes. Em um minuto, recebi de volta o documento.

Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo.

Será que quem lutou contra a ditadura militar no Brasil e, em algum momento, foi condenado pelos tribunais militares daquela época, não deve ser alertado se for visitar o Panamá ou mesmo fazer uma conexão para outro país? Não seria o caso do governo brasileiro, através de seus representantes diplomáticos, conversar sobre esses abusos com as autoridades panamenhas?”

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