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TSE investiga suposto abuso de poder econômico em ato de Flávio Bolsonaro na Festa do Peão de Barretos

9 de Setembro de 2026, 17:57

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o prosseguimento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e Alfredo Gaspar , candidato a vice-presidente, por suposto abuso de poder econômico durante a 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, em São Paulo.

A decisão considera que os fatos apresentados pela Coligação Brasil Pronto pra Mais, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), podem, em tese, configurar irregularidade eleitoral e, por isso, devem ser apurados. O Estadão solicitou à campanha de Flávio e Gaspar uma manifestação sobre o tema. O espaço está aberto para o posicionamento.

A ação questiona a participação de Flávio no evento realizado em 22 de agosto. Segundo a coligação, o candidato teria utilizado o palco principal de shows, cuja estrutura seria custeada por empresas privadas, para fazer um discurso de caráter eleitoral diante de um público estimado em 60 mil pessoas.

A representação afirma ainda que Flávio foi apresentado à plateia após ser chamado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo locutor contratado para conduzir o evento.

Possível financiamento indireto

Na ação, a coligação liderada por Lula sustenta que a utilização do palco, da estrutura técnica e da audiência do festival teria representado uma forma indireta de financiamento empresarial da campanha. O argumento é de que os candidatos teriam recebido uma estrutura de grande alcance sem uma contrapartida financeira equivalente, o que seria vedado pela legislação eleitoral.

A representação também questiona o fato de o discurso ter ocorrido em um estádio, apontado pela parte autora como bem de uso comum, e sustenta que a exposição alcançada no evento foi ampliada posteriormente pela repercussão nas redes sociais e na imprensa.

A coligação pediu a produção de provas, incluindo vídeos, contratos de patrocínio, comprovantes de despesas e informações sobre o impacto digital das publicações relacionadas ao episódio.

TSE considera ação apta a prosseguir

Ao analisar a admissibilidade da ação, a Corregedoria-Geral Eleitoral entendeu que a petição apresenta fatos determinados, com indicação de data, local e possível benefício eleitoral obtido pelos investigados. A decisão destaca que a representação foi acompanhada de registros audiovisuais dos discursos, notícias sobre o episódio, informações sobre os patrocinadores do festival e indicação de testemunha.

O tribunal ressaltou, porém, que a análise nesta etapa é apenas de admissibilidade. A decisão sobre a produção das demais provas será tomada depois que os investigados apresentarem suas defesas, quando estará delimitado o conjunto de questões que ainda precisam ser esclarecidas.

Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar foram citados e terão cinco dias para apresentar defesa. Depois disso, o processo volta para análise da Corregedoria-Geral Eleitoral.

A coligação liderada por Lula pede, ao final, que, caso seja comprovado o abuso de poder econômico e reconhecida a gravidade exigida pela legislação, sejam cassados os registros de candidatura dos dois e declarada a inelegibilidade por oito anos.

Em primeira pesquisa do Datafolha, Tarcísio dispara e abre chance de vencer no 1º turno; veja números

5 de Julho de 2026, 09:11

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes com 46% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada na madrugada deste domingo, 5. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) aparece em segundo lugar, com 30%.

Dessa forma, Tarcísio dá a largada na corrida ao governo de São Paulo próximo dos 51% suficientes para ganhar no 1º turno.

O cenário de intenções de voto é o seguinte:

  • Tarcísio de Freitas (Republicanos): 46%
  • Fernando Haddad (PT): 30%
  • Vera Lúcia (PSTU): 5%
  • Vivian Mendes (Unidade Popular): 4%
  • Carlos Machado (PCB): 4%
  • Branco, nulo ou nenhum: 8%
  • Não sabe: 3%

A pesquisa é a primeira feita com esse cenário de candidatos e não é comparável com os levantamentos anteriores.

O Datafolha ouviu presencialmente 1.608 pessoas de 16 anos ou mais em 71 cidades do Estado de São Paulo entre os dias 1.º e 3 de julho. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais (p.p.), para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Os códigos de registro na Justiça Eleitoral são SP-01703/2026 e BR-06481/2026.

Considerando apenas os votos válidos – critério adotado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado da eleição – Tarcísio alcança 52%, contra 34% de Haddad. Apesar de o porcentual superar a maioria absoluta, a margem de erro de dois pontos porcentuais e a distância até a eleição impedem afirmar que a disputa seria decidida no primeiro turno.

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado, Tarcísio foi citado por 21%, oscilando um ponto porcentual para baixo em relação a março.

Outros 3% responderam que votariam no “atual governador”, sem mencionar seu nome. Haddad avançou de 2% para 8% das citações após deixar a Fazenda e oficializar a pré-candidatura. Além disso, 1% declarou preferência por um candidato do PT, sem citar o ex-ministro.

Solidariedade e PRD declaram apoio à reeleição de Tarcísio em SP

13 de Junho de 2026, 09:33

A federação PRD-Solidariedade fechou apoio à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A decisão, tomada após uma reunião no Palácio dos Bandeirantes nesta sexta-feira (12), reduz o espaço para o PSDB lançar o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), como candidato ao Executivo paulista.

O tucano afirmou no início da semana ao Estadão que a viabilidade de sua pré-candidatura depende da formação de uma aliança partidária. O Solidariedade era um dos partidos que ele havia informado que tinha havido avanço nas tratativas.

A reunião que selou o apoio a Tarcísio teve as presenças do presidente nacional da sigla, Paulinho da Força, do presidente nacional da federação, Ovasco Resende (PRD), e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

“Nós viemos aqui para dizer que estamos com o senhor no seu palanque e vamos dar todo apoio necessário à sua reeleição nesse grande projeto para São Paulo. São Paulo não pode parar, precisa avançar”, disse Resende em um vídeo gravado com o governador.

“Tarcísio, viemos aqui trazer todo apoio a você. São Paulo precisa continuar contigo e a nossa federação estará junto contigo”, afirmou Paulinho da Força.

O governador agradeceu o apoio dos dois partidos. “Saber que a gente vai contar com o PRD e Solidariedade nos deixa motivados, vamos estar juntos e a gente vai construir um Estado mais forte”, disse.

Tarcísio montou a maior coligação para a eleição deste ano. Antes do PRD e Solidariedade, ele já tinha o apoio de PL, PP, MDB, PSD e União Brasil, entre outras siglas.

Já Paulo Serra ainda conversa com o Democracia Cristã (DC), o Avante e o Missão, que pretende lançar candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.

Único outro pré-candidato confirmado, Fernando Haddad (PT) tem uma coligação de esquerda, com o apoio do PSB, PDT, PSOL, PCdoB, PV e Rede.

Há 20 anos, um “salve” parou São Paulo

6 de Junho de 2026, 11:00

Se você se surpreendeu com as notícias do entrelaçamento do PCC no mercado financeiro. Ou com o alcance global da facção criminosa que chamou a atenção até de Donald Trump e Marco Rubio, ou tem memória curta ou é muito jovem.

Por que quem viveu São Paulo em 2006 sabe exatamente do que o grupo criminoso é capaz.

Foi nessa época, na gestão do governador Geraldo Alckmin e seu vice, Cláudio Lembo (que viria a assumir o governo quando o titular foi candidatar-se a presidente), que o PCC parou São Paulo. Não a cidade – o que já seria muito. O Estado.

Os ataques do PCC criaram toques de recolher informais nas ruas, vitimaram dezenas de policiais, fizeram a PM criar bolsões de proteção em volta de delegacias, postos policiais e batalhões. Acuaram a população e o governo de maneira inédita.

Não vou me fazer de experiente. Nessa época, eu ainda estava longe do jornalismo, era menino. Mas lembro vivamente de sair do colégio com a orientação nervosa dos meus pais “direto para casa, sem paradas”.

Talvez por isso, a indicação que faço hoje tenha me despertado tantas memórias e traumas. Falo do podcast PCC – O Salve Geral, produzido pelos times da Rádio CBN e do jornal O Globo. A obra reconstrói detalhes dos ataques do PCC em 2006, suas razões, o medo provocado, as lendas urbanas que surgem a partir dele – e a verdade sobre o porquê e como eles terminaram.

O podcast tem 5 episódios que giram em torno de 50 minutos e é narrado pela repórter Aline Ribeiro. Há áudios inéditos, histórias nunca contadas e muitas testemunhas. Esse fato já havia sido assunto de um filme de ficção, sob o título quase homônimo, Salve Geral, com Andréa Beltrão e Denise Weinberg no elenco.

Mas a realidade é mais chocante que qualquer ficção. Nisso, o podcast nada de braçada e oferece ao ouvinte uma impressão poucas vezes vista do que houve há 20 anos.

PCC – O Salve Geral está disponível no site da Rádio CBN e nas plataformas de áudio. O filme Salve Geral, de 2009, está disponível na plataforma Mubi.

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