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Spotify vai permitir que usuários furem a fila na compra de ingressos de shows

21 de Maio de 2026, 15:26

O Spotify anunciou uma série de iniciativas de benefícios para compra de ingressos de shows a um grande acordo de licenciamento de músicas com inteligência artificial que segundo a empresa sueca de streaming de áudio, vão impulsionar o crescimento nos próximos quatro anos.

No primeiro investor day conduzido pelos novos co-CEOs Gustav Söderström e Alex Norström, o Spotify apresentou uma visão centrada em ferramentas de personalização da experiência de escuta, seja para música, podcasts, audiolivros ou treinos. Os investidores gostaram do que ouviram: as ações da empresa subiram até 18% durante a apresentação.

Um dos anúncios mais aguardados foi um acordo de licenciamento com a Universal Music Group, que responde a uma das maiores preocupações de Wall Street em relação à inteligência artificial.

O contrato permitirá ao Spotify lançar uma ferramenta para que fãs criem versões e regravações das músicas de seus artistas favoritos desde que esses artistas e compositores optem por participar. Movida por IA generativa, a ferramenta será oferecida como um complemento pago para assinantes do Spotify Premium, abrindo novas fontes de receita tanto para a plataforma quanto para artistas e compositores, além do que já ganham com o streaming.

O Spotify vinha trabalhando com a indústria musical em formas de aproveitar o potencial da IA sem violar os direitos dos artistas. Em outubro do ano passado, a empresa havia anunciado um acordo com as maiores gravadoras para o uso “responsável” da tecnologia, mas sem detalhar como isso se traduziria na prática. O acordo com a Universal marca a entrada efetiva do Spotify na criação de música com IA.

“Não existe um player de mídia para a era generativa”, disse o co-CEO Gustav Söderström. “Acreditamos que o Spotify se tornará esse player.”

“Esta era da criação não precisa ameaçar o futuro da música”, disse Charlie Hellman, chefe de música do Spotify. “Como construímos o sistema de forma legal, confiável e alinhada, podemos garantir que o valor retorne às pessoas que o criaram.”

Fila furada

Outro anúncio de destaque foi uma parceria multianual com a Live Nation, maior promotora e vendedora de ingressos do mundo, para oferecer aos maiores fãs de cada artista a chance de comprar dois ingressos antes que entrem em venda para o público geral. O benefício, chamado de “Reserved“, será lançado primeiro nos Estados Unidos neste verão, com planos de expansão para outros mercados.

Mas não basta ser assinante Premium: os fãs serão selecionados com base em critérios como volume de streams e compartilhamentos do artista dentro do aplicativo. Quem for contemplado terá cerca de um dia para efetuar a compra. A disponibilidade de ingressos varia por artista, turnê e localidade.

A iniciativa mira um problema crônico enfrentado pelos fãs: a dificuldade de comprar ingressos pelo preço de face antes que revendedores e bots esgotem o estoque. Quem tenta garantir ingressos por meio de pré-vendas para membros de fã-clubes frequentemente enfrenta filas longas para um número limitado de lugares.

“Sem correr contra bots, sem ficar caçando códigos de pré-venda. Apenas dois ingressos reservados para você”, disse Rene Volker, diretora sênior de música ao vivo do Spotify. “Por quê? Porque você os mereceu.”

Metas e contexto

As apresentações desta quinta-feira foram desenhadas para reconquistar a confiança dos investidores e demonstrar que o Spotify ainda tem capacidade de inovar. Wall Street vinha cética quanto à capacidade da empresa de controlar custos e se manter à frente dos concorrentes — especialmente no campo da IA. Essas preocupações pesaram sobre as ações, que acumulavam queda de 25% até o fechamento de quarta-feira.

Para o período até 2030, o Spotify projetou crescimento anual composto em torno dos dois dígitos médios, margem bruta entre 35% e 40% e margem operacional acima de 20%. A empresa reafirmou também suas metas de longo prazo: 1 bilhão de assinantes, US$ 100 bilhões em receita e margem bruta acima de 40%.

O Spotify reforçou que vê podcasts e audiolivros como complementares à música — e que a combinação dos três formatos tem ajudado a converter ouvintes gratuitos em assinantes pagos. Hoje, mais de 500 milhões de pessoas já assistiram a um podcast em vídeo na plataforma, alta de quase 50% em um ano. Em poucos anos, o Spotify já capturou cerca de 20% do mercado de audiolivros nos Estados Unidos.

Usuários que consomem os três formatos — música, podcasts e audiolivros — acessam o Spotify quase todos os dias do mês. É o perfil que os executivos chamaram de “usuário do dia todo.”

Entre as novidades está o Personal Podcasts, que permite ao usuário escrever um prompt no aplicativo e receber um episódio curto e personalizado em resposta — como, por exemplo: “Me dê as novidades da minha cidade e fale sobre shows de artistas que eu amo.” “Vemos isso muito mais como um resumo diário e um motor de recomendações do que algo que substituiria seus podcasts favoritos”, disse Söderström.

O negócio de podcasts já é lucrativo há dois anos, segundo a empresa. Já o Audiobook+, plano que oferece horas extras de audiolivros por uma taxa adicional, já tem 1 milhão de assinantes e deve gerar US$ 100 milhões em receita anualizada.

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O anel que quer destronar o smartwatch: Oura Health pede IPO nos Estados Unidos

21 de Maio de 2026, 14:44

A Oura Health, fabricante de anéis inteligentes voltados ao monitoramento de saúde, condicionamento físico e sono, entrou com pedido confidencial para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, buscando aproveitar a crescente popularidade dos dispositivos vestíveis.

A empresa informou nesta quinta-feira (21) que apresentou os documentos do IPO à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC, confirmando uma reportagem da Bloomberg News. O número de ações e a faixa de preço da oferta ainda não foram definidos, informou a Oura.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a companhia trabalha com Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Allen & Co. e Jefferies Financial na operação. A expectativa é que a empresa estreie na bolsa ainda este ano. Um porta-voz se recusou a comentar.

A Oura faz parte da retomada das ofertas de ações de empresas de tecnologia em 2026. A SpaceX, de Elon Musk, protocolou um prospecto de IPO na quarta-feira, enquanto a OpenAI, criadora do ChatGPT, prepara documentação semelhante para as próximas semanas, segundo a Bloomberg News.

Competição com relógios

A Oura ganhou popularidade nos últimos anos entre consumidores interessados em monitorar indicadores de saúde por meio de um dispositivo menos volumoso que um relógio. A empresa passou a competir com gigantes como Apple e Samsung Electronics, que também avançam no segmento de vestíveis. A Samsung lançou um anel inteligente há dois anos, enquanto a Apple trabalha em uma nova linha de dispositivos vestíveis com inteligência artificial.

Com escritórios principais em San Francisco e na Finlândia, a Oura foi fundada em 2013. Em setembro do ano passado, a empresa alcançou valuation de US$ 11 bilhões após uma rodada Série E que levantou US$ 875 milhões, segundo a Bloomberg News.

O CEO da companhia, Tom Hale, afirmou em setembro que a empresa já havia vendido 5,5 milhões de anéis, ante 2,5 milhões até junho de 2024. A expectativa é que a receita alcance US$ 1,5 bilhão em 2026, triplicando os US$ 500 milhões registrados em 2024.

Os anéis da empresa sincronizam com aplicativos para smartphones em iPhones e aparelhos Android. Em comparação aos smartwatches, os anéis inteligentes ainda representam uma fatia pequena do mercado global de dispositivos vestíveis, mas vêm ganhando popularidade rapidamente.

Justiça francesa condena Airbus e Air France por homicídio culposo em queda do voo Rio-Paris

21 de Maio de 2026, 11:40

A Airbus e a Air France foram consideradas culpadas por homicídio culposo no acidente aéreo do voo AF447, que caiu no trajeto entre o Brasil e Paris há 17 anos, após um tribunal de apelação francês reverter uma decisão anterior.

Segundo a Corte de Apelação de Paris, as empresas foram as únicas responsáveis pelo acidente que matou as 228 pessoas a bordo do Airbus A330. As companhias também foram condenadas ao pagamento de multa de 225 mil euros — o valor máximo previsto pela legislação.

A fabricante europeia de aeronaves e a unidade francesa da Air France-KLM haviam sido absolvidas em abril de 2023, depois de um tribunal de primeira instância concluir que houve erros de “imprudência”, mas sem um “vínculo causal incontestável” com o acidente. O Ministério Público de Paris recorreu da decisão.

A Airbus informou que recorrerá da nova sentença perante a Corte de Cassação da França. Em comunicado, a empresa afirmou que a decisão contradiz tanto as manifestações do Ministério Público quanto a absolvição de 2023.

A Air France não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

O voo Acidente do voo Air France 447 caiu 38 mil pés — cerca de 11,5 mil metros — em apenas três minutos no Oceano Atlântico, em 1º de junho de 2009, no acidente mais fatal da história da companhia aérea.

Após a tragédia, as investigações se concentraram em três sensores responsáveis por medir a velocidade da aeronave, que congelaram devido à formação de gelo quando os pilotos já estavam havia cerca de quatro horas em voo.

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Energisa vende cinco ativos de transmissão em operação de R$ 2,3 bilhões

21 de Maio de 2026, 09:28

A Energisa, grupo do setor elétrico com atuação em distribuição, transmissão, geração e comercialização de energia, anunciou a venda integral de cinco ativos de transmissão de energia, em uma operação avaliada em R$ 2,293 bilhões considerando o valor da empresa (enterprise value).

Segundo comunicado divulgado pela companhia, a medida faz parte da estratégia de otimização da estrutura de capital e reciclagem de investimentos.

A operação envolve a alienação de 100% das ações de transmissoras localizadas no Tocantins, Pará e Goiás, atualmente controladas pela Energisa e por sua subsidiária Energisa Transmissão e Energia.

Os ativos incluídos na transação são a Energisa Tocantins Transmissora de Energia I, Energisa Tocantins Transmissora de Energia II, Energisa Pará Transmissora de Energia I, Energisa Pará Transmissora de Energia II e Energisa Goiás Transmissora de Energia I.

O contrato considera como data-base 31 de dezembro de 2025. Descontada a dívida líquida dos ativos, estimada em R$ 748 milhões, o valor patrimonial (equity value) da operação chega a R$ 1,545 bilhão. O montante ainda será corrigido pelo CDI até a conclusão do fechamento do negócio.

A conclusão da operação depende de aprovações regulatórias, incluindo aval da Agência Nacional de Energia Elétrica e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Após o fechamento, a Energisa afirmou que continuará operando uma plataforma relevante no segmento de transmissão, com receita anual permitida de R$ 777 milhões, considerando cinco ativos operacionais e três em construção.

Segundo a companhia, os recursos obtidos com a venda serão destinados ao processo de desalavancagem, com foco na maximização de valor para os acionistas.

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Equatorial avalia participar do processo de privatização da Copasa

21 de Maio de 2026, 09:25

A Equatorial avaliar participar do processo de privatização da Copasa, empresa brasileira de saneamento básico pertencente ao governo de Minas Gerais, mesmo após a desistência da Sabesp, que era sua parceira no consórcio, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O conglomerado de serviços públicos Equatorial planejava apresentar uma proposta conjunta com a Sabesp para se tornar um investidor estratégico na Copasa, disseram as pessoas.

Agora que a Sabesp desistiu, a Equatorial ainda avalia se apresentará uma proposta com outros parceiros ou mesmo sozinha, afirmaram as pessoas. As empresas têm até 25 de maio para apresentar suas propostas, de acordo com o cronograma oficial da privatização.

O Valor Econômico noticiou na quarta-feira (20) que a Sabesp desistiu de participar do processo de privatização da Copasa.

A Sabesp não quis comentar. A Equatorial, que detém participação na Sabesp, não respondeu a um pedido de comentário.

A Aegea Saneamento e Participações SA também está demonstrando interesse na aquisição da Copasa, disseram fontes familiarizadas com o assunto anteriormente.

De acordo com o plano de privatização, o controle da Copasa será vendido em uma oferta pública na qual o estado de Minas Gerais poderá reter no máximo 5% da empresa, conforme comunicado da companhia. Atualmente, o estado detém 50,03%, segundo o site da empresa. Somente o estado venderá ações na oferta, podendo reter uma chamada “Golden Share”, que concede ao seu titular alguns direitos de veto.

Um “investidor de referência/estratégico” poderá adquirir 30% da empresa antes da oferta pública, com a possibilidade de o mesmo investidor adquirir mais ações no mercado durante a oferta pública, com um máximo de 45% dos direitos de voto, de acordo com o comunicado.

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A Zara quer ser premium. Para isso, lançou uma nova coleção com o Bad Bunny

21 de Maio de 2026, 08:53

A Zara lançou uma nova coleção em parceria com o cantor Bad Bunny, em mais um movimento da varejista de moda para ampliar o posicionamento de sua marca e se aproximar do segmento premium.

A coleção, batizada de “Benito Antonio” — nome de batismo do artista — conta com 150 peças e estará disponível no e-commerce e em lojas selecionadas ao redor do mundo, informou a controladora Inditex em comunicado divulgado na quarta-feira (20). O conjunto inclui calças, camisetas, bonés, bolsas e outros itens.

Desde que assumiu a presidência da Inditex, Marta Ortega, filha do fundador Amancio Ortega, tem liderado uma estratégia para reposicionar a Zara além do mercado de fast fashion tradicional, associando a marca a designers renomados, ícones da moda e celebridades, principalmente por meio de coleções limitadas.

Entre as parcerias recentes estão os designers Stefano Pilati e John Galliano, com quem a empresa anunciou uma colaboração de dois anos no início deste ano.

Esta não é a primeira colaboração entre a Zara e Bad Bunny, um dos artistas mais populares do mundo. O cantor porto-riquenho já usou uma camiseta da marca durante sua apresentação no Super Bowl e, neste mês, apareceu no Met Gala vestindo um smoking preto personalizado, desenhado por ele em parceria com a Zara.

A estratégia de reposicionamento da marca também inclui a reformulação de lojas flagship, com investimentos para torná-las maiores, mais produtivas e com estética mais sofisticada do que o varejo tradicional.

A família Ortega, por meio de Marta Ortega, segue controlando a maior parte da companhia. As ações da Inditex acumulam queda de 11,5% no ano.

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Contra a mediocridade, CEOs são implacáveis na avaliação do desempenho dos funcionários

21 de Maio de 2026, 06:00

A forma como o CEO da Unilever, Fernando Fernandez, inicia cada reunião na fabricante de bens de consumo diz muito sobre a mentalidade de executivos que acreditam que suas empresas perderam competitividade.

“Antes de dizer olá, eu digo: ‘Crescimento de volume, mix positivo, expansão consistente de margem para crescimento do lucro em moeda forte’”, afirmou o CEO a um analista do setor em uma entrevista gravada no ano passado.

Fernandez reconheceu que é uma forma estranha de cumprimentar as pessoas, mas disse que esse é o jeito de garantir que os funcionários entendam o que importa: ele quer resultados e está responsabilizando as equipes por isso.

Embora o discurso não seja novidade no mundo corporativo, a postura contrasta com a cultura empresarial da década passada, quando havia escassez de mão de obra e líderes tentavam demonstrar empatia e acolhimento enquanto desejavam, discretamente, que os funcionários trabalhassem mais.

Agora, com a ameaça crescente da inteligência artificial dando mais poder aos empregadores em um mercado de trabalho já enfraquecido para profissionais de escritório, um número crescente de CEOs em vários setores passou a verbalizar o que antes era dito apenas nos bastidores — frequentemente reforçando a mensagem com demissões.

“Seremos implacáveis na avaliação de nossos talentos, de nossas pessoas”, prometeu Philipp Navratil, da Nestlé, a investidores e analistas pouco depois de assumir o cargo no ano passado.

No Citigroup, a CEO Jane Fraser lembrou funcionários de que eles são avaliados por resultados, não por esforço. Já o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, aconselhou empregados em 2025 a “apertarem os cintos” para um ano “intenso”.

O CEO da 3M, Bill Brown, usa frequentemente a palavra “incansável” ao falar da cultura da empresa. Líderes de companhias como Novo Nordisk e HSBC Holdings também têm adotado tom semelhante.

Acabou a era da mediocridade

A mensagem implícita em todos os setores é clara: acabou a era de recompensar mediocridade com aumentos salariais, promoções e kombucha grátis no escritório — especialmente em empresas que perderam participação de mercado ou ficaram atrás de rivais em lucro e retorno aos acionistas.

O foco agora está em construir “culturas de performance”, nas quais as expectativas sobre trabalhadores aumentam, funcionários medianos correm risco de serem dispensados e executivos perdem a paciência com burocracias que reduzem eficiência.

“Queremos nos tornar uma empresa mais rápida, mais ágil e mais ousada nas decisões. E parte da cultura de performance é garantir que aqueles que entregam resultados sejam os que permanecem na empresa”, afirmou Navratil a investidores em outubro.

Cortes de empregos, 16 mil na Nestlé e 9 mil na Novo Nordisk, frequentemente fazem parte da estratégia, funcionando como aviso aos funcionários que permanecem.

Às vezes, a mensagem é explícita. Quando a Meta cortou 600 vagas de sua divisão de inteligência artificial em outubro, um dos executivos próximos a Zuckerberg disse que cada funcionário remanescente passaria a “suportar mais carga”. E haverá ainda mais responsabilidades na Meta, que no mês passado anunciou a demissão de 10% dos trabalhadores e decidiu deixar 6 mil vagas em aberto sem reposição.

Além de cortar empregos e prometer rigor contra funcionários considerados improdutivos, executivos aproveitam o momento para estabelecer metas financeiras mais ambiciosas.

Metas ambiciosas

Na Unilever, Fernandez criou novas metas de vendas e reformulou os bônus de executivos, tornando-os mais dependentes do desempenho de linhas específicas de negócios e menos sujeitos às oscilações cambiais, eliminando uma possível desculpa para resultados ruins.

Entre empresas do índice S&P 500, executivos usaram a expressão “cultura de performance” 633 vezes no ano passado em teleconferências de resultados e documentos corporativos, acima da média de cerca de 460 citações registrada nos quatro anos anteriores.

A mudança cultural costuma ser liderada por novos CEOs. Muitas vezes são executivos internos, como Georges Elhedery, do HSBC, que conhecem os problemas da companhia e têm clareza sobre onde há potencial de melhoria.

“Depois de 20 anos no banco, atuando em diferentes geografias, negócios e funções, construí muita experiência e uma grande rede de colegas que compartilharam suas preocupações e ideias”, disse Elhedery à Bloomberg em dezembro. “Fui definitivamente implacável em eliminar complexidades.”

Em alguns casos, a cultura de performance surge por pressão competitiva ou queda das ações. Em outros, o CEO simplesmente quer elevar o padrão de uma companhia que já vai bem.

No banco porto-riquenho Popular, o CEO Javier Ferrer afirmou que parte dos funcionários se surpreendeu com a busca por mais desempenho. “As pessoas dizem: ‘Estamos indo muito bem, então por que mudar?’”, contou Ferrer. “Mas eu prefiro pensar: ‘Estamos indo bem, mas não seria ótimo se pudéssemos fazer ainda melhor?’”

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Cristiano Ronaldo compra participação na LiveModeTV, dona da CazéTV

14 de Maio de 2026, 08:30

Cristiano Ronaldo, o primeiro jogador de futebol bilionário do mundo, comprou uma participação na LiveModeTV, canal internacional de streaming ligado à CazéTV, do Brasil, ampliando sua aposta em mídia digital antes da próxima Copa do Mundo.

“A missão é levar o esporte para todos, de uma maneira totalmente nova e inspiradora”, afirmou Ronaldo em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg News. O objetivo é ampliar alcance e engajamento “por meio de transmissões no YouTube e conteúdo distribuído em todas as plataformas de redes sociais”, acrescentou.

A LiveModeTV é o braço internacional da LiveMode, empresa por trás da plataforma CazéTV, fundada pelo influenciador Casimiro Miguel, e faz parte da expansão da companhia para além do Brasil. A LiveModeTV foi lançada recentemente em Portugal para oferecer cobertura gratuita e digital da Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Ronaldo, que é português, não revelou quanto investirá para adquirir uma “participação relevante” na recém-criada empresa de transmissões esportivas digitais fora do Brasil.

O movimento marca o mais recente negócio do jogador de 41 anos, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 1,4 bilhão.

Empresas de streaming vêm ampliando seus portfólios esportivos em busca de novas frentes de crescimento.

A CazéTV e a LiveMode criaram um novo modelo, exibindo principalmente conteúdos esportivos premium gratuitamente no YouTube e dependendo de receitas de publicidade e patrocínios em vez de assinaturas.

No Brasil, a CazéTV registrou 3,7 bilhões de visualizações em 2025 apenas no YouTube. A LiveMode espera ganhar escala internacional ao se associar a Ronaldo, que possui seu próprio canal no YouTube e é a pessoa mais popular do mundo no Instagram, com mais de 660 milhões de seguidores.

“O que ligas e competições esportivas ganham com canais como a CazéTV é uma nova audiência”, disse Minal Modha, da consultoria de mídia Ampere Analysis. “Muitas competições esportivas estão tendo dificuldade para engajar fãs jovens, e esses canais têm acesso a esse público.”

Embora Ronaldo tenha construído um amplo portfólio de negócios — incluindo sua marca CR7, hotéis, academias e um grupo de mídia — esses empreendimentos não são suas principais fontes de riqueza. A maior parte de sua fortuna vem dos ganhos da carreira, incluindo seu atual contrato com o Al-Nassr, um dos clubes de futebol mais populares e bem-sucedidos da Arábia Saudita.

Um dos jogadores profissionais mais longevos ainda em atividade, Ronaldo afirmou que pretende ser dono de vários clubes de futebol após se aposentar.

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CEO da Alliança renuncia ao cargo em meio à reestruturação da companhia

24 de Abril de 2026, 10:12

A Alliança Saúde anunciou mudanças relevantes em sua liderança após a renúncia do CEO, CFO interino e membro do conselho, Ricardo de Magalhães Sartim, que deixou todos os cargos por motivos pessoais.

A saída foi comunicada ao mercado nesta sexta-feira (24). A companhia informou que já iniciou o processo de sucessão para as posições ocupadas pelo executivo, que vinha concentrando funções no comando financeiro e estratégico da empresa.

Sartim também integrava o Conselho de Administração. Em comunicado, a Alliança agradeceu sua atuação e destacou as contribuições prestadas durante o período em que esteve à frente da gestão.

Na mesma data, o Conselho de Administração aprovou a eleição de João de Saint Brisson Paes de Carvalho como novo membro independente do colegiado. O mandato vai até a primeira assembleia geral a ser realizada após 19 de março de 2026. Segundo a companhia, o executivo possui experiência em administração, finanças e governança corporativa, com passagem por conselhos de administração e fiscais de diversas empresas.

Com as mudanças, o Conselho de Administração passa a ser composto por José Luiz Mendes Ramos Júnior (presidente), Thalis Leon de Ávila Saint Yves e João de Saint Brisson Paes de Carvalho, ambos conselheiros independentes.

O que está acontecendo com a empresa?

As mudanças ocorrem em meio a um momento delicado para a companhia. Recentemente, a Alliança informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, suspendendo cobranças e execuções, ao mesmo tempo em que iniciou um procedimento de mediação com credores.

As medidas fazem parte de um esforço para reorganizar a estrutura financeira e criar condições mais estáveis para negociações. A dívida líquida da empresa somava cerca de R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o último resultado divulgado.

De acordo com a companhia, a ação tem caráter transitório e busca garantir um ambiente de negociação equilibrado, sem impacto na continuidade das operações. Esse tipo de instrumento jurídico permite proteção temporária enquanto a empresa negocia suas obrigações, com respaldo na Lei de Recuperação Judicial e no Código de Processo Civil.

Apesar do cenário financeiro, a Alliança afirma que suas operações seguem normalmente, com funcionamento regular de clínicas e canais digitais.

O movimento ocorre após uma série de mudanças no controle da empresa. No início de março, o fundo Tessai, ligado à Geribá Investimentos, assumiu o controle da companhia com 59,84% do capital, após execução de garantias relacionadas a participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.

A troca de controle abriu espaço para mudanças na governança. Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou à presidência do conselho de administração, intensificando o processo de reestruturação.

A Fitch Ratings rebaixou o rating da Alliança para CCC+, citando preocupações com vencimentos de cerca de R$ 155 milhões em 2026 e um nível de caixa considerado insuficiente para cobrir obrigações de curto prazo.

A companhia afirma que segue implementando medidas para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, com foco em eficiência, ajuste de capital e sustentabilidade no médio e longo prazo, e que continuará informando o mercado sobre novos desdobramentos.

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Apple escolhe John Ternus como novo CEO depois de liderança de Tim Cook por 15 anos

20 de Abril de 2026, 17:55

A Apple anunciou nesta segunda-feira (20) que John Ternus, 50 anos, sucederá Tim Cook como CEO a partir de 1º de setembro, o que colocará fim a um dos mandatos mais longevos do Vale do Silício.

Cook, que comanda a big tech conhecida pelo iPhone e outros gadgets mais desejados do mundo desde 2011, como sucessor de Steve Jobs, assumirá o cargo de presidente do conselho de administração (chairman).

Ternus, atualmente vice-presidente sênior de engenharia de hardware, também passará a integrar o conselho da Apple quando assumir como CEO. Já o presidente não executivo do conselho, Arthur Levinson, se tornará o diretor independente líder da companhia a partir dessa data.

“Cook continuará em sua função de CEO até o verão (no Hemisfério Norte), enquanto trabalha em estreita colaboração com Ternus para uma transição suave”, afirmou a Apple em comunicado.

Primeira transição desde Jobs

Essa é a primeira transição de CEO da Apple desde que Tim Cook sucedeu Steve Jobs em 2011, pouco antes da morte do fundador com um câncer de pâncreas.

Cook, que completou 65 anos em novembro passado, vinha preparando discretamente a sucessão. No fim do ano passado, ele ampliou o papel de Ternus ao colocá-lo à frente das equipes de design, uma das áreas mais estratégicas da empresa.

Internamente, Ternus passou a ser descrito como “responsável executivo” pelo design, atuando como ponte entre as equipes criativas e a alta gestão. O movimento foi visto como um passo decisivo na consolidação do executivo como herdeiro natural do comando.

O design tem papel central na Apple desde a era Steve Jobs, sendo historicamente responsável pela integração entre hardware, software e experiência do usuário.

Em sua declaração, Cook elogiou o sucessor. “John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e lidera com integridade e honra. Ele é um visionário cujas contribuições para a Apple ao longo de 25 anos são incontáveis.”

25 anos na Apple

Ternus está na Apple há 25 anos, tendo ingressado na equipe de engenharia de produtos em 2001. Desde 2021, liderava a engenharia de hardware, supervisionando produtos como iPhone, iPad, Mac e AirPods, além de ter papel central na transição dos chips da Apple para arquitetura própria.

A mudança também redefine o papel de Cook, que como presidente do conselho deve se concentrar em relações institucionais e políticas globais. O executivo já mantém interlocução direta com governos, incluindo a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar da sucessão, Cook não deve se afastar completamente da Apple e continuará influente na estratégia da companhia. Ao longo da gestão de Cook, o valor de mercado da Apple aumentou cerca de 24 vezes, encerrando o pregão de segunda-feira em aproximadamente US$ 4 trilhões.

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Acionistas aprovam fusão da Odontoprev com Bradesco Saúde e avançam na criação da Bradsaúde

7 de Abril de 2026, 09:35

A Odontoprev informou que aprovou, em assembleia geral extraordinária realizada na última segunda-feira (6), todas as matérias relacionadas à combinação de negócios com a Bradesco Saúde. A operação envolve a incorporação das ações da Bradesco Saúde pela Odontoprev, além da transferência da carteira de planos odontológicos e de ativos e passivos operacionais da companhia para a Mediservice Operadora de Planos de Saúde.

Segundo fato relevante, a aprovação da incorporação de ações garante direito de recesso aos acionistas dissidentes, ou seja, aqueles que não concordarem com a operação poderão sair da companhia, vendendo suas ações de volta à empresa e recebendo o valor correspondente em dinheiro, com prazos e procedimentos a serem divulgados oportunamente.

A companhia destacou ainda que todas as condições precedentes já foram cumpridas, incluindo as autorizações da Agência Nacional de Saúde Suplementar, obtidas em 30 de março e 2 de abril. A eficácia da incorporação está prevista para 30 de abril de 2026, sujeita à homologação final pelos conselhos de administração, devendo ocorrer antes mesmo do encerramento do prazo para exercício do direito de retirada.

Bradsaúde

A aprovação ocorre no contexto da reestruturação anunciada no fim de fevereiro pelo Banco Bradesco, que prevê a criação da Bradsaúde, nova holding que concentrará os ativos de saúde do grupo. A companhia nasce com receita combinada de cerca de R$ 52 bilhões, mais de 13 milhões de beneficiários, aproximadamente 3.600 leitos hospitalares e 35 clínicas, considerando os dados consolidados de 2025.

Como parte da reorganização, a Odontoprev será alçada ao papel de consolidadora do ecossistema de saúde do Bradesco, passando a controlar a totalidade dos negócios do grupo no segmento e simplificando a estrutura societária. Na prática, a operação configura um “IPO reverso”, no qual a nova estrutura acessa o mercado por meio da empresa já listada na B3.

A cisão parcial dos ativos foi avaliada pela KPMG em R$ 16,1 bilhões. Com a operação, o Bradesco receberá mais de 2,3 bilhões de ações da companhia combinada, passando a deter cerca de 91,35% do capital total e votante, enquanto os atuais acionistas da Odontoprev ficarão com aproximadamente 8,65%. A troca implica uma avaliação equivalente a cerca de 18,65% do ecossistema de saúde do grupo após a conclusão.

Após a consolidação, a Bradsaúde reunirá diferentes frentes do negócio, incluindo planos de saúde e odontológicos, hospitais, clínicas de atenção primária e oncológicas, serviços médicos, healthtechs e investimentos em laboratórios e centros de diagnóstico. A estrutura integrará ativos como Bradesco Saúde, Odontoprev, Mediservice, Atlântica Hospitais, Orizon, a rede de clínicas Meu Doutor Novamed, Croma Oncologia e operações de diagnóstico.

Por fim, a Odontoprev informou que está formalizando junto à B3 a alteração de seu ticker para “SAUD3”, em data a ser divulgada após a conclusão da operação, mantendo o mercado informado sobre os próximos desdobramentos.

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H&M tem vendas fracas no 1º trimestre, melhora rentabilidade e reforça presença no Brasil

26 de Março de 2026, 11:10

A varejista sueca de fast fashion H&M registrou vendas abaixo do esperado no primeiro trimestre, em um período marcado por consumo fraco e fortes efeitos cambiais, mas conseguiu melhorar a rentabilidade com controle de custos.

As vendas líquidas em moedas locais caíram 1%, para 49,6 bilhões de coroas suecas (US$ 5,3 bilhões), abaixo da expectativa de 50,46 bilhões de coroas suecas (US$ 5,4 bilhões). Ainda assim, o controle de custos ajudou a companhia a superar as estimativas de lucro operacional, que somou 1,51 bilhão de coroas suecas (US$ 162 milhões), acima do esperado pelo mercado.

A empresa também projeta crescimento de 1% nas vendas em março, na comparação anual. As ações chegaram a cair até 6,6% em Estocolmo, na maior queda intradiária desde setembro de 2024.

O CEO da varejista, Daniel Erver, que assumiu em 2024, tem priorizado a estabilização das operações após anos de dificuldades. Medidas para reduzir estoques e ampliar vendas a preço cheio impulsionaram a rentabilidade, com a margem operacional avançando de cerca de 3% em 2022 para 8% em 2025 — e atingindo 8,4% nos últimos 12 meses.

Apesar disso, analistas veem uma recuperação ainda desigual. “A H&M tomou medidas para melhorar sua oferta, mas muitas variáveis precisam avançar juntas.” A H&M segue pressionada por concorrentes, como Shein e Primark, e por rivais mais ágeis, como a Inditex, dona da Zara, cujas vendas cresceram até 9% no início do ano.

Estratégia: omnichannel e eficiência

A H&M informou que continua investindo na integração entre lojas físicas, e-commerce, marketplaces e redes sociais, buscando ampliar conveniência e engajamento do consumidor.

A empresa também avançou na eficiência de estoques, historicamente um desafio, e destacou que os níveis atuais estão em “boa forma”. Decisões mais rápidas e maior integração com fornecedores têm permitido ajustar melhor a oferta e aumentar a relevância das coleções.

Expansão com foco no Brasil

A companhia planeja abrir cerca de 80 lojas e fechar aproximadamente 160 em 2026, como parte da otimização de sua rede global, que hoje soma 4.050 unidades. Na América Latina, o Brasil se tornou peça central da estratégia. A H&M elevou para 11 o número de lojas previstas no país, reforçando a aposta no maior mercado da região.

A operação brasileira começou em 2025, com a estreia em São Paulo, e já inclui unidades na capital paulista e em Campinas. Para este ano, estão previstas sete novas lojas, incluindo duas no Rio de Janeiro, duas no Rio Grande do Sul e uma em Sorocaba (SP).

No médio prazo, a empresa pretende estar presente em todos os estados brasileiros até 2028, com expansão de até nove lojas por ano. A estratégia inclui preços mais competitivos e maior uso de produção local.

Riscos no radar

A H&M alertou para riscos crescentes ligados ao conflito no Oriente Médio. Segundo o presidente da companhia, o impacto direto nas operações ainda foi limitado, mas um cenário prolongado pode gerar efeitos indiretos relevantes.

O principal risco está na alta dos preços de energia e nos custos de transporte, que tendem a pressionar toda a cadeia global de suprimentos. O executivo também mencionou a possibilidade de efeitos em cascata — conhecidos como “efeito chicote” — em que pequenas disrupções iniciais acabam amplificadas ao longo da cadeia, tornando difícil prever o impacto final.

Além disso, o aumento de custos pode chegar ao consumidor em um momento em que os orçamentos já estão pressionados, especialmente em meio à inflação persistente de alimentos no Reino Unido e em partes da Europa.

“Se o conflito se prolongar e houver novas disrupções, podemos ver impactos significativos no comportamento do consumidor”, afirmou o CEO.

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Alliança Saúde busca proteção contra credores após mudança de controle e saída de Tanure

19 de Março de 2026, 09:26

A Alliança Saúde informou ao mercado que ajuizou uma ação cautelar em caráter antecedente na Comarca de São Paulo, que suspende cobranças e execuções. Ao mesmo tempo, iniciou um procedimento de mediação com seus credores.

As medidas ocorrem em meio aos esforços da companhia para reorganizar sua estrutura financeira e criar condições mais estáveis para a condução de negociações.

A dívida líquida total estava em R$ 500 milhões ao fim de setembro, segundo o mais recente resultado financeiro divulgado. Os números do quarto trimestre serão divulgados em 31 de março.

De acordo com o fato revelante publicado nesta quinta-feira (19), a ação cautelar tem caráter transitório e está alinhada ao objetivo de assegurar um ambiente negocial equilibrado durante o processo de mediação, sem que haja impacto sobre a continuidade das operações.

Esse tipo de medida funciona como um instrumento jurídico de urgência, solicitado antes de um processo principal, que permite à empresa obter proteção temporária da Justiça — como a suspensão de cobranças ou execuções — enquanto negocia com credores.

A iniciativa está amparada na Lei de Recuperação Judicial e Falências e no Código de Processo Civil, que autorizam intervenções rápidas para evitar deterioração da situação financeira e viabilizar acordos.

A Alliança ressaltou que suas atividades seguem normalmente, com o funcionamento regular de seu ecossistema de atendimento, que inclui clínicas e canais digitais, sem alterações na condução ordinária dos negócios.

Paralelamente, a companhia afirmou que continua avançando na implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco em ganho de eficiência, ajuste da estrutura de capital e reforço da sustentabilidade no médio e longo prazo. A empresa não detalhou o montante das dívidas envolvidas no processo.

Mudança de controle

O movimento ocorre após uma série de mudanças relevantes no controle e na governança da empresa ao longo do mês.

No início de março, o fundo Tessai passou a deter o controle da companhia, com 59,84% do capital, após adquirir participações anteriormente ligadas ao empresário Nelson Tanure.

O fundo é ligado à gestora Geribá Investimentos, especializada em situações especiais, e assumiu a posição após credores executarem garantias envolvendo ações da companhia.

A transação abriu espaço para possíveis mudanças na estrutura administrativa, incluindo a composição do conselho de administração, sujeitas às aprovações necessárias.

Poucos dias depois, Isabella Corrêa renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração. Ela é filha de Nelson Tanure, que havia perdido o controle da companhia após a execução das garantias. A empresa informou que já iniciou o processo de sucessão para a posição.

Na semana passada, a agência de classificação de risco, a Fitch Ratings rebaixou a classificação local da Alliança para CCC+, de A, e alertou para cerca de R$ 155 milhões em vencimentos em 2026, principalmente relacionados a pagamentos de principal e juros de debêntures em abril e outubro.

O caixa ao fim de setembro de 2025 era insuficiente para cobrir essas obrigações de curto prazo, elevando o risco de refinanciamento da companhia.

“A companhia continuará com a implementação de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco no aumento da eficiência, no ajuste de sua estrutura de capital e no reforço de sua sustentabilidade econômico-financeira”, diz o comunicado.

A conta não fechou: teto de preços da Aneel frustra estratégia da Eneva

10 de Fevereiro de 2026, 15:23

A aprovação do edital do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) pela Aneel trouxe frustração a agentes do setor e aumentou as incertezas em torno dos planos da Eneva, uma das principais interessadas no certame.

Este leilão de 2026 é estratégico para a Eneva porque abre a oportunidade de renovar contratos de cerca de 2 gigawatts (GW) de usinas termelétricas a gás natural já em operação, cujos acordos vencem entre 2026 e 2031.

Mas os preços que a Aneel aprovou ficaram bem abaixo do concenso de mercado. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou preços-teto de até R$ 1,4 milhão por megawatt (MW) ano para usinas termelétricas a gás natural e carvão, além de valores de até R$ 1,6 milhão/MW.ano para novos empreendimentos. Os patamares ficaram bem abaixo da expectativa de mercado, que girava em torno de R$ 3 milhões/MW.ano.

Os preços-teto equivalem a R$ 182 por megawatt-hora (MWh) para novos projetos termelétricos e R$ 128/MWh para usinas existentes. Abaixo do consenso de mercado – que apontava para valores entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh. Em relatório, o UBS BB afirmou que, se confirmados, os números são “muito negativos” para a Eneva.

Na avaliação do Citi, o impacto vai além dos preços definidos no leilão. O banco destacou mudanças recentes nas regras do sistema de transporte de gás como um fator adicional de pressão sobre o modelo de negócios da companhia. Na semana passada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou um desconto de 15% na tarifa de transporte da capacidade de saída para contratos firmes com prazo igual ou superior a dez anos.

A medida ocorreu após outra alteração regulatória que passou a exigir que as usinas elegíveis ao leilão contratem capacidade firme de gás equivalente a pelo menos 70% da capacidade da usina. Para o Citi, o esforço do governo em reduzir os preços da energia tende a dificultar a viabilização econômica de projetos termelétricos, especialmente os de maior porte.

Com esses novos parâmetros, o Citi também apontou risco de revisão para baixo do preço-alvo da Eneva e avaliou que, com os preços atuais, pode ser difícil para o governo recontratar nova capacidade nos volumes planejados.

Sistema elétrico brasileiro

O LRCAP tem como objetivo reforçar a segurança do sistema elétrico diante do aumento da participação de fontes renováveis intermitentes na matriz. O governo pretende contratar mais de 2 GW de capacidade nos leilões previstos para março em 18 de março, para usinas a gás, carvão e hidrelétricas, e em 20 de março, para térmicas a diesel e óleo combustível.

Além da Eneva, o leilão é acompanhado por outros grandes geradores termelétricos, como a Âmbar, do grupo J&F, e a Petrobras, além de empresas do setor hidrelétrico interessadas em expansões de usinas existentes. Na tarde desta terça-feira, as ações da Eneva operavam em forte queda na bolsa, de cerca de 15%, refletindo a leitura negativa do mercado sobre os parâmetros do certame. Na mínima, os papéis da companhia desabaram 19%.

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Honda também puxa o freio no desenvolvimento de elétricos, depois de Stellantis, Ford e GM

10 de Fevereiro de 2026, 10:18

A Honda se juntou ao coro de montadoras globais que alertam para o alto custo da desaceleração da demanda por veículos elétricos, além das pressões persistentes provocadas pelas tarifas de importação dos Estados Unidos.

A montadora japonesa afirmou que despesas pontuais relacionadas a veículos elétricos, incluindo prejuízos e perdas por impairment em carros vendidos nos EUA e baixas contábeis de ativos de desenvolvimento, somaram US$ 1,7 bilhão nos nove meses encerrados em 31 de dezembro. Além disso, a empresa sofreu um impacto adicional de US$ 1,8 bilhão devido às tarifas de importação americanas.

Segundo a Honda, o conjunto de desafios atuais “torna necessário reavaliar fundamentalmente a estratégia e reconstruir a competitividade”. Entre os principais fatores estão a desaceleração do crescimento dos veículos elétricos, políticas comerciais mais protecionistas, riscos elevados na cadeia de suprimentos e a intensificação da concorrência global.

Noriya Kaihara, vice-presidente executivo da Honda, disse que a eletrificação imaginada pela empresa não se concretizou e que será necessário reavaliar o momento de lançar veículos elétricos na América do Norte.

Stellantis lidera correção estratégica

A Honda não está sozinha nesse movimento de rever a estratégia em setor elétricos. A Stellantis, dona de marcas como Jeep e Fiat, anunciou na semana passada que teve um impacto de US$ 26,5 bilhões após um reset estratégico. A montadora afirmou que superestimou a demanda por veículos e precisou realinhar seu portfólio de produtos.

O presidente da Stellantis, Antonio Filosa, disse que as despesas refletem, em grande parte, o custo de ter superestimado o ritmo da transição energética, afastando a empresa “das necessidades, possibilidades e desejos reais de muitos compradores de automóveis”.

Filosa responsabilizou seu antecessor, Carlos Tavares, por concentrar investimentos quase exclusivamente em veículos elétricos e não ajustar a estratégia diante das mudanças do mercado. Segundo ele, os encargos também evidenciam “o impacto de uma execução operacional ruim anterior, cujos efeitos estão sendo progressivamente tratados por nossa nova equipe”.

Além de Jeep e Fiat, a Stellantis é dona de marcas como Peugeot, Citroën e Ram — algumas não comercializadas no Brasil — e controla a montadora chinesa Leapmotor, especializada em elétricos, que entrou no mercado brasileiro no ano passado. Como parte da reformulação, Filosa prometeu investir US$ 13 bilhões nos Estados Unidos, adiou lançamentos de veículos elétricos e trouxe de volta motores V8 para revitalizar a marca de picapes Ram. A empresa também cancelou investimentos, incluindo uma joint venture planejada em hidrogênio, e vem reduzindo preços para recuperar participação de mercado.

Outras montadoras puxam o freio

A correção estratégica se espalha pela indústria. A Ford contabilizou US$ 19,5 bilhões em despesas ao cancelar ou reduzir projetos de veículos elétricos, redirecionando investimentos para híbridos e motores a combustão diante da fraca demanda e do corte de incentivos nos EUA.

A General Motors anunciou encargos de cerca de US$ 6 bilhões relacionados à reorganização de ativos e contratos ligados a EVs. Já Volkswagen e Porsche registraram impactos combinados de aproximadamente US$ 6 bilhões ao adiar modelos totalmente elétricos em favor de híbridos ou motores a combustão em algumas linhas.

No total, montadoras globais já contabilizaram cerca de US$ 60 bilhões em ajustes recentes ligados à reavaliação de estratégias para veículos elétricos, refletindo a adoção mais lenta pelo consumidor, mudanças regulatórias e a concorrência crescente de fabricantes chineses.

(com informações da Bloomberg)

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