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Fundos de crédito privado têm resgates de mais de R$ 22 bilhões em abril diante de perdas

12 de Maio de 2026, 16:09

Depois de crises de grandes grupos como Raízen e GPA, que causaram perdas a investidores, fundos de crédito privado enfrentaram uma sangria de capital em abril.

Novos dados da Anbima – associação de entidades e empresas do mercado de capitais – confirmam o que dados prévios já mostravam: houve uma forte saída de recursos dos portfólios com títulos de renda fixa emitidos por empresas – CRIs, CRAs, debêntures.

Em uma das principais categorias, a de fundos com papéis com “duração livre”, ou seja, títulos de vencimentos variados, houve um resgate líquido de R$ 14,1 bilhões apenas em abril.

Em um recorte mais específico, a categoria de fundos com “duração livre grau de investimento”, que adquire apenas papéis com notas de crédito mais altas, registrou saídas de R$ 10,2 bilhões.

A saída líquida total foi de R$ 22,3 bilhões na soma das 8 categorias de fundos de crédito privado da Anbima – ou seja, os resgates ultrapassaram os depósitos.

Foi um movimento considerado natural dado o clima de perdas que se instaurou.

Não faltaram eventos que sacudiram o setor, afinal: as citadas recuperações extrajudiciais da Raízen, do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e da Kora Saúde, mais o pedido de proteção contra credores na Justiça da Oncoclínicas e os sinais de uma esperada reestruturação de dívidas da Braskem.

Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da Guerra do Irã e da consequente escalada de preços do petróleo.

Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Retornos de menos da metade do CDI

Como os resgates dos fundos de crédito levam em torno de 30 dias para serem contabilizados no valor das cotas, os impactos desse movimento começaram a ser vistos em abril.

A queda no valor das cotas fica evidente na rentabilidade da categoria “Renda Fixa Crédito Livre e Duração Livre”, uma das classificações da Anbima com maior número de fundos de crédito privado. No mês passado, a média de retorno de portfólios desse tipo ficou em 45% do CDI.

Outra categoria, a “Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre”, que concentra fundos com carteiras de crédito privado de longo prazo, amargou saídas liquidas de R$ 255,2 milhões em abril. O retorno médio também ficou significativamente abaixo do CDI, com rendimento por cota de 83% do referencial conservador.

Busca por posições conservadoras

Essa percepção de perda pode retroalimentar o movimento de saques.

Com isso, se fundos tiverem que vender mais ativos no mercado secundário para cobrir as saídas líquidas, podem ter de aceitar ainda mais descontos.

No mês passado, as duas únicas categorias de fundos de crédito privado que apresentaram captação líquida positiva foram a “Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre”, com entradas líquidas de R$ 8,2 bilhões, e a “Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento”, com aportes de R$ 1,4 bilhão.

São fundos com características mais defensivas dentro da classe de crédito privado – títulos com vencimento mais curtos são menos voláteis.

Investidores precisam ter paciência

O momento de perdas em fundos de crédito privado pede resiliência ao investidor. No médio e no longo prazos, os efeitos da volatilidade se diluem. Desmontar a posição agora vai significar vender na baixa e tornar real o prejuízo que está no papel.

Com uma eventual melhora do quadro no futuro, o valor das cotas tende a se recompor e pode até superar o nível de preços em que o investidor entrou.

Quem tiver mais tolerância ao risco pode até aproveitar os momentos de quedas mais acentuadas para adquirir mais cotas, olhando para um horizonte de mais de um ano.

O carrego, ou seja, o ganho por manter os títulos na carteira no longo prazo, está favorável, com taxas de retorno historicamente altas.

Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

27 de Abril de 2026, 08:42

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

LEIA MAISEstratégias para Viver de Renda: saiba tudo sobre a renda passiva na nova série do InvestNews

Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

Viajar, estudar e até apostar em bet: a visão de milhões de brasileiros sobre o que é investir

24 de Abril de 2026, 18:50

O que é investir? Muitos podem pensar em títulos de renda fixa, ações, poupança ou até criptoativos, mas uma nova pesquisa mostra que milhões de brasileiros adotam uma definição bem mais abrangente sobre o tema. Para uma parcela significativa da população, viajar, estudar, comprar a casa própria e até fazer apostas online podem ser classificados como investimentos.

Os dados são parte da 9ª edição do Raio-X do Investidor 2026, pesquisa recém-divulgada pela Anbima, associação que representa entidades e empresas do mercado de capitais no Brasil, em parceria com o Datafolha. Foram entrevistadas 5.832 pessoas de todas as classes sociais e nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual.

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Segundo o levantamento, um em cada quatro brasileiros – 24% dos entrevistados – afirmaram ter investido ao longo de 2025. Mas apenas 10% em aplicações financeiras propriamente ditas. A aparente contradição, na verdade, reflete essa visão mais flexível do que muitos brasileiros consideram como investimentos.

Do total da amostra, outros 9% citaram, por exemplo, que “investiram” na compra de um bem durável, como carro ou imóvel, enquanto outra parcela incluiu viagens, educação dos filhos, intercâmbio e até gastos com saúde. Uma fatia de 4% também citou empreendimentos e negócios.

A pesquisa revela ainda, sem especificar um período pré-determinado, que 5% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 7,8 milhões de pessoas, diz investir, mas sem utilizar nenhum produto financeiro. E quase a metade desse conjunto que afirma não fazer aplicações financeiras, ou 44%, apenas deixa o dinheiro guardado em casa.

A renda é um fator importante nessa visão. Isso porque a ideia de risco financeiro, ou seja, de obter um retorno menor do que poderia alcançar ou até amargar um prejuízo, passa a fazer sentido mesmo para quem já construiu um patrimônio e tem sobra de recursos após os gastos com educação, saúde e lazer.

“É uma pessoa que já tem o dinheiro para viajar, comprar carro ou imóvel e então a relação risco-retorno tem a ver com o CDI e a rentabilidade de produtos financeiros”, diz o consultor financeiro e conselheiro do Instituto Planejar, Carlos Castro. Para quem tem menos renda, “a prioridade não é se o investimento vai bater o CDI, mas se ele vai ter o dinheiro para fazer a viagem ou comprar o carro”.

A escritora e planejadora financeira Wanessa Guimarães acrescenta ainda que os brasileiros têm uma tendência de buscar retornos mais imediatos devido ao histórico de períodos com juros muito elevados. “É uma herança de décadas de rendimentos altos com pouco esforço.”

Os investidores ainda consideram a ideia de retorno como algo além do plano financeiro. “Quando a pessoa fala de escola dos filhos, pensa em entrega de capital humano, na casa, em um investimento tangível, na viagem, em retorno de bem-estar”, explica.

Caixinhas e poupança viram conceitos

Outra aparente contradição vem da citada preferência pela poupança como principal instrumento de investimentos. Um total de 22% apontou a tradicional caderneta entre os produtos que utiliza para aplicar seus recursos.

Por outro lado, uma parcela equivalente a um terço desse contingente, de 7%, citou que investe em títulos privados, que incluem os CDBs mas também letras de crédito imobiliário (LCI), do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA) e debêntures.

No entanto em valores o quadro é o inverso: enquanto a poupança atualmente tem um estoque de pouco mais de R$ 1 trilhão, os CDBs alcançam R$ 2,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

O superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi, explica que, durante a pesquisa, foi possível perceber que muitos entrevistados confundiam algumas aplicações com a caderneta. “Muita gente mencionou como poupança dinheiro guardado em ‘caixinhas’ de bancos digitais.” E a maior parte das “caixinhas” é, justamente, baseada em CDBs.

“A caixinha é justamente uma maneira de juntar o produto financeiro com a solução do problema, porque dá um nome da vida real para essa aplicação, tipo a caixinha da viagem”, diz Billi. “Quando uma instituição oferece um ‘fundo DI‘, isso é muito imaterial para a pessoa.”

Castro, da Planejar, lembra que até o Tesouro Direto tem buscado se aproximar mais da “vida real”, com nomes menos complicados para os títulos. “O Tesouro começou a se conectar com o investidor do varejo quando criou Renda A+, o Educa+ e agora vai ter também o Reserva Financeira.”

Bets como atalho

A chegada das plataformas de apostas online, conhecida como bets, também teve impacto no universo das aplicações financeiras. Cerca de 20% dos entrevistados disseram considerar as bets como uma forma de investimento. E os dados deixam claras as explicações por trás da visão.

A maior motivação, segundo quem aposta, vem da chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade. Esse tem sido o principal objetivo para 39% dos apostadores, enquanto a possibilidade de obter uma grande quantidade de dinheiro aparece em seguida com 37% das respostas.

“É que, na lógica de muita gente, se tem possibilidade de ganhar algo, essa pessoa considera um retorno, portanto parece ser um investimento”, afirma Guimarães. “Esse tipo de pensamento faz parte de uma espécie de lógica curto-prazista, de querer ganhar dinheiro rápido.”

O Rio-X do Investidor mostra ainda que uma parcela significativa tem problemas com descontrole financeiro nas apostas.

Um grupo que representa 39% de quem declarou fazer apostas online foi classificado como tendo risco moderado ou alto risco para o vício no jogo. A pesquisa usou a metodologia internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI) para essa medição.

E as apostas online concorrem diretamente com os investimentos tradicionais. A pesquisa indica que 17% dos brasileiros acessaram plataformas e aplicativos de bets no ano passado.

Outro levantamento, da consultoria Tendências junto com a Peers Consulting + Technology, revela que apenas as empresas autorizadas pelo governo no mercado de apostas online registraram uma receita bruta estimada em R$ 37 bilhões em 2025 – e que mais de 25 milhões de pessoas realizaram apostas.

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Meio milhão de famílias a mais: as mudanças no Minha Casa, Minha Vida que animam as construtoras na bolsa

25 de Março de 2026, 16:47

As mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida anunciadas na terça-feira (24) ampliam em até 24% a capacidade de compra dos participantes do sistema de financiamento de habitação popular com juros subsidiados. Isso significa uma inclusão potencial de até 500 mil de famílias na plataforma.

Esse avanço da base representa um impulso direto na geração de novos negócios para as construtoras — movimento que ainda não estava totalmente precificado nas ações. O mercado já especulava sobre a ampliação de limites, mas os ajustes feitos pelo Conselho Curador do FGTS vieram acima do esperado.

O mercado começou a incorporar esse novo cenário nesta quarta-feira (25), movimento refletido na alta dos papéis das incorporadoras.

Com a perspectiva de aumento dos negócios imobiliários em 2026, as ações de empresas com atuação nesses segmentos sobem até 8% nesta quarta-feira.

Por volta de 16h30, as ações ordinárias (ON) de MRV subiam 8%, enquanto os papéis da Tenda avançavam 2,46%. Já Cury e Direcional ganhavam, respectivamente, 3,26% e 1,14%.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. A alta mais forte da MRV ocorre em parte por conta de um ajuste após a queda acentuada ocorrida no último mês. As ações ordinárias da companhia chegaram a cair 14% após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O recuo ocorreu devido às preocupações com o alto endividamento e com os prejuízos da operação nos EUA, que estavam impactando a geração de caixa e os resultados gerais da empresa.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Mas o que mudou no Minha Casa, Minha Vida? O Conselho Curador do FGTS elevou tanto as faixas salariais elegíveis aos subsídios quanto os valores dos imóveis que podem ser adquiridos dentro do progama.

No caso das Faixas 3 e 4, as mais rentáveis e voltadas às famílias de classe média, os tetos de renda subiram R$ 1 mil em cada segmento para R$ 9,6 mil e R$ 13 mil.

Os valores de residências que podem ser financiadas aumentaram para até R$ 400 mil na Faixa 3 e até R$ 600 mil, no caso da 4.

Nos cálculos do Itaú BBA, os compradores agora elegíveis à Faixa 1 poderiam adquirir imóveis até 8% mais caros; na Faixa 2 teriam capacidade para pagar por unidades com preços 13% maiores; na Faixa 3, o avanço seria de 24%; e, na Faixa 4, de 17%.

Já o BTG Pactual calcula um aumento médio de 21% do ganho de poder de compra em cada faixa.

No caso da Faixa 4, os novos limites significam a inclusão de até 400 mil novas famílias elegíveis aos financiamentos só nesse segmento. O cálculo leva em conta os dados da PNAD contínua do IBGE. A pesquisa considera a classe média ou classe B um contingente de 11 milhões de famílias com rendas entre R$ 8 mil e R$ 24 mil mensais.



Mercados hoje: ata do Copom traz pistas sobre o que esperar dos cortes de juros no Brasil

24 de Março de 2026, 07:45

Bom dia!

Nesta terça-feira (24), com os mercados globais mais amenos, os investidores se voltam à divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. No encontro da semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, iniciando o ciclo de queda de juros. No entanto, o mercado busca pistas sobre o que o BC deve fazer daqui para a frente: vai manter um ritmo de conta-gotas na redução da taxa básica ou pode acelerar o passo? Lá fora, após a euforia de ontem, os investidores aguardam ações mais concretas sobre as eventuais negociações entre EUA e Irã para o fim do conflito.

Enquanto você dormia…

  • O humor global entrou em um modo de cautela após o rali de ontem perder tração. Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm praticamente estáveis: às 7h25, o S&P 500 futuro tem queda de -0,08%, enquanto o Nasdaq futuro tem alta de +0,01%.
  • Na Europa, as bolsas operam em queda leve. O Stoxx 600 recua -0,02%
  • Na Ásia, os investidores entraram no modo risco ainda embalados pela possibilidade de acordo ente EUA e Irã. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou a sessão em alta de +1,43%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +2,79%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,19% aos 99,32 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,88% aos US$ 100,89 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos avançam para 4,372% ao ano.

Destaques do dia

  • O mercado voltou a se preocupar com a oferta global de petróleo após sinais contraditórios sobre possíveis negociações entre EUA e Irã. A ausência de avanços concretos reduziu a confiança em uma solução rápida para tensões no Oriente Médio.
  • Ao mesmo tempo, dados de atividade na Europa vieram fracos, reforçando o cenário incômodo de crescimento fraco com pressão inflacionária — o famoso “cobertor curto”.
  • E daí? No Brasil, o setor de óleo e gás tendem a manter a tração no curto prazo, mas o efeito colateral pode ser uma curva de juros mais pressionada e maior cautela com ativos domésticos sensíveis à Selic.

Giro pelo mundo

  • Danone avança em proteínas: a empresa anunciou a compra da Huel por cerca de €1 bilhão, reforçando a estratégia em nutrição e bebidas proteicas — segmento que cresce acima da média global; o mercado deve observar impactos em margens e expansão internacional.
  • Japão libera estoques: o governo japonês indicou uso de reservas estratégicas de petróleo para conter impactos de preços; sinal importante de que países já começam a agir para mitigar choques de oferta.
  • Europa em marcha lenta: PMIs preliminares indicaram atividade quase estagnada na zona do euro em março, aumentando a pressão sobre o BCE em meio ao dilema entre crescimento fraco e inflação resistente.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no radar: o documento deve detalhar o corte de 0,25 p.p. da Selic e, principalmente, o grau de cautela do Banco Central diante de riscos externos — como o petróleo — e internos — como expectativas de inflação.
  • Segurança no sistema financeiro: o BTG Pactual sofreu uma fraude via Pix, que chegou a desviar R$ 100 milhões, dos quais a maior parte já foi recuperada. Houve alerta automatizado do BC, mas o caso levanta discussões sobre robustez do sistema e eventuais ajustes regulatórios.
  • Juros e petróleo: o cenário externo mais pressionado pode dificultar cortes mais agressivos da Selic, mantendo o mercado sensível a qualquer sinal do BC.

Giro corporativo

  • Movida: resultados de 2025 vieram com crescimento de receita, Ebitda e lucro, indicando melhora operacional; guidance aponta continuidade da recuperação, com atenção à alavancagem e custo financeiro.
  • Fleury, Porto e Oncoclínicas: negociações para criar uma nova empresa focada em oncologia avançam; o mercado acompanha potenciais sinergias e estrutura societária.
  • Casas Bahia: parceria com a Amazon reforça estratégia de ampliar canais digitais e acelerar vendas via marketplace, buscando ganho de escala e giro de estoque.
  • Embraer: pedido relevante da Finnair de até 46 jatos comerciais E195 E2 reacendeu o apetite pelo papel após período de volatilidade; investidores acompanham impacto na carteira de pedidos e no fluxo de entregas.

Agenda do dia

  • 08:00: Ata do Copom — detalha a decisão recente e sinaliza próximos passos da política monetária.
  • 10:45: PMI preliminar — EUA; indicador-chave para medir ritmo da economia e pressões inflacionárias.
  • 11:30: Estoques de petróleo — EUA; dado pode amplificar ou aliviar a pressão recente nos preços da commodity.

Ótima terça-feira e bons negócios!

Mercados hoje: EUA dão sinais de preparações para invasão por terra ao Irã e acendem alerta entre investidores

23 de Março de 2026, 07:45

Bom dia!

Nesta segunda-feira (23), as preocupações com a inflação global sobem mais um degrau: o petróleo negocia acima de US$ 110 o barril, enquanto os juros americanos de 10 anos já superam 4,4% ao ano, no maior patamar desde julho do ano passado. Outra preocupação do mercado vem dos sinais de que os EUA se preparam para operações com soldados em terra, o que marcaria uma nova fase mais complexa e duradoura da Guerra no Irã. Por aqui, o investidor acompanha o boletim Focus, que pode sinalizar como o mercado absorveu o corte de 0,25 da Selic e a comunicação do Banco Central sobre os rumos dos juros no país.

Enquanto você dormia…

  • O pano de fundo segue sendo o conflito no Oriente Médio, com o ultimato dos EUA ao Irã sobre o Estreito de Ormuz elevando o prêmio de risco global. O futuros das bolsas de Nova York se mantêm em queda: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,44% e o Nasdaq futuro caía -0,53%.
  • Na Europa, as bolsas caem em bloco. O Stoxx 600 tem recuo de -2,24%.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -3,48%. O Hang Seng, de Hong, Kong, fechou em baixa de -3,54%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,47% aos 100,12 pontos. O petróleo Brent sobe +1,16% a US$ 113,46 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos ao redor de 4,437% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo se mantém no centro do pregão. O principal vetor desta segunda-feira é a nova escalada entre EUA e Irã. O mercado passou a precificar um conflito mais longo e mais caro para a energia, com o Brent acima de US$ 113 o barril.
  • Ao mesmo tempo, os juros globais sobem porque o barril mais caro embaralha a aposta de cortes por bancos centrais.
  • E daí? Para o Brasil, o efeito é ambíguo: petroleiras como Petrobras e Prio tendem a seguir no radar positivo, enquanto setores dependentes de combustível, como o aéreo e o de logistica,a podem sentir a pressão.

Giro pelo mundo

  • EUA se preparam para invasão: o Pentágono está enviando milhares de fuzileiros navais adicionais para o Oriente Médio e fontes militares citam ‘preparações intensas’ para o envio de tropas terrestres ao Irã.
  • IEA no radar: a Agência Internacional de Energia discute eventual liberação de estoques estratégicos de petróleo caso a crise se intensifique — mercado monitora qualquer anúncio.
  • BCE mais duro: dirigentes reforçaram que podem agir se a inflação de energia contaminar o restante da economia — falas seguem ao longo da semana.

Giro pelo Brasil

  • Focus na mesa: boletim semanal do Banco Central ganha relevância após o corte recente da Selic para 14,75% — atenção às revisões de inflação e juros.
  • IR 2026: começa o prazo de entrega da declaração, com envio até o fim de maio — programa já disponível para os contribuintes.
  • Combustíveis: governo monitora impacto da alta global e avalia medidas para suavizar o preço do diesel — tema segue sensível.

Giro corporativo

  • CSN: companhia fechou empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para alongar dívidas e reforçar o caixa.
  • Desktop: Claro acertou a compra do controle por R$ 4 bilhões, acelerando a consolidação da fibra no interior — negócio depende de aprovações regulatórias.
  • Petrobras: refinarias seguem operando com alta utilização para reduzir pressão no mercado doméstico de combustíveis.

Agenda do dia

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Calendário de balanços: o que esperar de Americanas, Braskem e Azul na semana

23 de Março de 2026, 07:00

A temporada de balanços está quase no fim, mas alguns grandes nomes ainda merecem atenção dos investidores.

Entre as companhias que publicam os resultados do quarto trimestre de 2025 no período estão empresas que enfrentaram processos recentes de reestruturação e recuperação judicial, como Americanas, Braskem e Azul.

Ainda semana, o mercado acompanha também a divulgação dos números de Equatorial e Movida.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 23/03 a 27/03.

Segunda-feira (23 de março)

Movida (MOVI3)

O mercado tem expectativas melhores depois da prévia operacional da companhia: a receita veio acima do esperado em locação e venda de seminovos, as margens (fatia da receita que vira lucro depois de pagar os custos e despesas) seguiram resilientes e o lucro líquido preliminar de R$ 102 milhões superou a projeção divulgada pela empresa.

O endividamento caiu para 2,6 vezes na relação dívida líquida/Ebitda – indicador que mostra quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas mantendo o atual nível de geração operacional de caixa.

Para 2026, a leitura continua apoiada em disciplina de preços, continuidade da redução do endividamento e melhora do lucro, embora o ritmo de renovação de frota e o ambiente competitivo em seminovos sigam no radar.

Principais desafios

  1. Sustentar reajustes em locação sem perder ocupação e crescimento de clientes. É um ambiente mais desafiador em um momento no qual o cenário econômico tem sido desfavorável ao crescimento das viagens.
  2. Preservar margem de seminovos e acerto nas premissas de depreciação. O cenário de juros altos e maior endividamento dos consumidores pode manter pressionado o negócio de venda de carros usados do estoque.
  3. Continuar a redução do endividamento em um negócio ainda intensivo em capital e dependente do custo de crédito. O ritmo mais lento esperado para a queda de juros pode manter os custos ainda elevados neste ano.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 13,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 6,3%.

Quarta-feira (25 de março)

Americanas (AMER3)

O quarto trimestre de 2025 deve ser lido menos pelo lucro trimestral e mais pelos sinais de normalização operacional e financeira. A companhia ainda segue muito marcada pela recuperação judicial iniciada em 2023 e o mercado espera que ela seja encerrada neste ano, retirando a empresa do “modo sobrevivência” para uma companhia viável.

As atenções estarão sobre a geração de caixa, o nível de capital de giro (dinheiro necessário para cobrir as operações diárias, como salários e pagamento de fornecedores), estabilização da base de clientes e prova de que a reestruturação vai se tornar uma melhora operacional.

Principais desafios

  1. Recuperar tráfego, clientes e vendas sem voltar a queimar margem (vender com menos lucro para manter volume ou disputar mercado). Com a imagem da rede ainda abalada, a Americanas precisa implementar uma estratégia eficaz de expansão de vendas.
  2. Mostrar uma retomada consistente de participação de mercado.
  3. Encerrar a recuperação judicial e reconstruir credibilidade com credores e investidores.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 6,50. Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Equatorial (EQTL3)

A leitura esperada é de continuidade da tese que tornou a companhia uma das preferidas dos investidores que buscam empresas de valor: execução operacional sólida, com distribuição resiliente de lucro. Para 2026, a expectativa continua sendo de uma empresa com execução forte, portfólio diversificado e geração de valor, ainda que o crescimento do lucro possa ficar menos linear do que em 2025.

Principais desafios

  1. Reduzir perdas (energia comprada que não se converteu em faturamento) e melhorar indicadores regulatórios nas distribuidoras com desempenho mais pressionado.
  2. Entregar valor do portfólio diversificado sem aumento excessivo de complexidade operacional. A Equatorial é, por exemplo, acionista de referência da Sabesp, com 15% de participação.
  3. Sustentar crescimento com disciplina de capital, especialmente em saneamento e novos projetos.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 47,30. Dividend yield em 2026 (consenso): 2,5%.

Quinta-feira (26 de março)

Braskem (BRKM3, BRKM5, BRKM6)

O mercado espera um quarto trimestre de 2025 fraco. A prévia operacional mostrou números pressionados, e a leitura predominante dos analistas é de margens de produtos petroquímicos – diferença entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas e da produção – ainda deprimidas, geração de caixa fraca e um incômodo nível de endividamento.

A gestora IG4 assumirá o controle da Braskem até o fim do mês. A nova administração vai precisar colocar em prática uma plano de reestruturação operacional, com melhora das margens, prejudicadas por um longo período no qual a companhia ficou sem uma liderança efetiva.

Principais desafios

  1. As margens petroquímicas globais seguem pressionadas por excesso de capacidade: há produção demais para demanda de menos, o que reduz a rentabilidade. A rápida expansão da capacidade petroquímica na China, focada na autossuficiência, continua a pressionar os preços mundialmente.
  2. Geração de caixa ainda apertada, com risco de nova pressão sobre o endividamento.
  3. Demanda ainda irregular e alta sensibilidade a cenário macroeconômico e de câmbio.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 15 (BRKM3 – ON), R$ 11,37 (BRKM5 – PNA), e R$ 9,50 (BRKM6 – PNB). Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Sexta-feira (27 de março)

Azul (AZUL53)

Os números do quarto trimestre vão sair com a companhia já em um contexto totalmente diferente. A Azul concluiu em fevereiro de 2026 o processo de recuperação judicial nos EUA, sob as regras do chamado Chapter 11, que é a legislação americana desse tipo de processo.

A “nova Azul” saiu do processo com estrutura de capital mais leve, menor endividamento e liquidez reforçada. Para 2026, em tese, a empresa pode apresentar melhora consistente de números operacionais.

O problema atual é a guerra no Oriente Médio, que fez os preços do petróleo e dos combustíveis saltarem. A alta do querosene de aviação pega em cheio nos custos. Além disso, um dólar mais forte globalmente também tende a pesar sobre o caixa das companhias aéreas em geral.

Principais desafios

  1. Mostrar uma melhora do balanço pós-Chapter 11, sobretudo na geração recorrente de caixa.
  2. Crescer com disciplina, sem voltar a elevar demais o endividamento e o custo fixo, em um cenário adverso, com alta dos preços de combustíveis, redução de demanda por viagens aéreas e potencial aumento da inflação se o conflito no Oriente Médio persistir.
  3. Administrar exposição estrutural ao dólar, leasing (aluguel de aeronaves) e combustível num setor ainda volátil.
  4. Preço-alvo em 2026 (Consenso): R$ 138,24. Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Mercados hoje: lideranças adiam greve de caminhoneiros, mas alta do diesel mantém risco elevado

20 de Março de 2026, 07:40

Bom dia!

O clima da sexta-feira (20) reprisa aquele que prevaleceu durante a semana inteira: mercados sob pressão. O petróleo resiste acima de US$ 110 o barril, nível que inspira temores sobre a volta da inflação. Os bancos centrais globais sinalizam ver a Guerra no Irã como a principal variável de curto prazo para o juros e a persistência do choque pode levar as autoridades a pausarem por mais tempo os ciclos de queda de taxas ou até mesmo darem uma guinada altista. Por aqui, o nosso BC fez eco às preocupações, mas sustentou a indicação de que vai continuar a cortar na próxima reunião. A subida dos preços do diesel passou a alimentar a possibilidade de uma greve de caminhoneiros, evento que, no passado, chegou a tirar mais de 0,2 ponto percentual do PIB.

Enquanto você dormia…

  • O desenvolvimento da Guerra no Irã ainda está no foco dos mercados. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em queda, prenunciando mais uma sessão de cautela: às 7h25, o S&P 500 futuro recua -0,68% e o Nasdaq futuro cai -0,93%.
  • Na Europa, as bolsas europeias ficam levemente negativas. O Stoxx 600 recua -0,28%.
  • Na Ásia, as bolsas tiveram queda, sensíveis ao choque de energia e à reprecificação de juros. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com recuo de -3,38%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve queda de -0,88%.
  • O índice dólar (DXT) está em alta de +0,34% aos 99,56 pontos. O petróleo Brent tem alta de +1,67%, aUS$ 110,47 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para 4,306% ao ano.

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Destaques do dia

  • O principal tema continua sendo o choque de energia ligado à escalada no conflito do Oriente Médio. Apesar de esforços dos EUA e aliados para elevar oferta e aliviar gargalos logísticos, o Brent se sustenta acima de US$ 110 e mantém a pressão inflacionária no radar global.
  • Esse cenário tem deixado bancos centrais mais cautelosos: Fed, BCE, Banco da Inglaterra e outros BCs mantiveram juros recentemente, mas o mercado já revisa a possibilidade de cortes mais lentos — ou até novas altas em alguns casos.
  • No Brasil, isso conversa diretamente com a Selic em 14,75% e com o tom mais conservador do Banco Central após o último corte.
  • E daí? Petrobras e Prio seguem no radar com petróleo forte. Por outro lado, juros globais elevados e risco de desaceleração podem pesar em cíclicas como Vale, Gerdau e CSN.

Giro pelo mundo

  • BYD na vitrine: a alta dos combustíveis está acelerando a demanda por veículos elétricos na Ásia; o mercado observa se vira tendência estrutural.
  • Japão em alerta: governo avalia reforçar estoques e importação de petróleo para reduzir vulnerabilidade energética.

Giro pelo Brasil

  • IR 2026: a Receita liberou o programa nesta sexta; o prazo começa na segunda e vai até 29 de maio — o clássico “deixa para depois” já está no radar.
  • Sem greve, por enquanto: lideranças de caminhoneiros decidiram suspender a proposta de greve que estava prevista para esta semana e serão recebidas em Brasília, pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
  • Diesel na conta: reajuste recente da Petrobras segue no radar por seus efeitos sobre inflação e percepção política. Combustível já sobe mais de 7% na bomba.
  • Canetas emagrecedoras no foco: A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Rybelsus, expira hoje, 20 de março. Versões potencialmente mais baratas do medicamento e a maior disponibilidade da tirzepatida — base do Mounjaro, da Eli Lilly — cria o cenário para uma expansão acelerada do mercado.

Giro corporativo

  • Santander/B3: CEO da B3, Gilson Finkelsztain, foi escolhido para suceder Mario Leão no Santander Brasil; atenção agora se volta para a sucessão na bolsa.
  • Hapvida no foco: após forte volatilidade pós-balanço, o papel virou termômetro de confiança em turnaround no setor de saúde.

Agenda do dia

Ótima sexta-feira e bons negócios!

BC assume risco sobre inflação com postura menos cautelosa, diz Solange Srour, do UBS

20 de Março de 2026, 06:15

O Banco Central sinalizou que poderá cortar os juros em sua próxima reunião, no fim de abril, mesmo que a Guerra do Irã ainda persista até lá. O risco, porém, é de que, embora o ciclo de queda de juros mal tenha começado, já precise ser interrompido, avaliou a diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, em entrevista ao InvestNews.

Na opinião da economista, o Comitê de Política Monetária, o Copom, não deveria ter iniciado o ciclo de redução da Selic. O BC cortou a taxa básica para 14,75% ao ano na quarta-feira (18), na primeira diminuição em quase dois anos.

“Pessoalmente, acho que o BC deveria ter adiado”, disse. “Ninguém sabe se a guerra vai demorar mais duas semanas ou quatro meses.”

Mesmo se o conflito terminar em breve, já existe uma inflação “contratada” devido ao aumento dos preços do petróleo, de energia e de insumos, como fertilizantes.

“A inflação deste ano já está mais perto de 4,5%. Mas se o choque durar mais duas semanas e o preço do petróleo ficar mais perto de US$ 100 do que de US$ 80, a inflação deste ano vai ficar mais próxima de 5%, eventualmente acima disso”, disse Srour.

Em um cenário no qual o conflito se estenda muito mais tempo e o choque de oferta e de preços de energia perdure por meses, “o risco é o de o BC cortar 0,50 ponto e ter de parar”.

Além disso, Srour lembra que, mesmo com um eventual cessar-fogo ou fim do conflito, ninguém sabe a extensão dos danos à infraestrutura produtiva de petróleo e gás na região.

“Não é só ‘ligou e desligou’. Se uma instalação foi destruída ou danificada, pode levar meses até que a região consiga retomar os níveis [de produção de petróleo] de antes da guerra. Isso significa que o efeito sobre a oferta vai durar muito mais tempo.”

A diretora do UBS GWM ressalta ainda que o mercado leu o comunicado da decisão da quarta-feira (18) como mais “suave” ou “dovish“, no jargão do mercado. Isso porque o Banco Central não só cortou como evitou deixar em aberto a possibilidade de uma pausa.

Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management
Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. Foto: Divulgação

“Ficou para o mercado uma mensagem de que, se tudo continuar do jeito que está, o banco continua cortando 0,25 ponto. E, se melhorar mais, pode cortar 0,50. Acho um pouco arriscada essa mensagem, se o BC pretende realmente atingir a meta de inflação no horizonte relevante.”

Segundo a economista, um dos principais riscos de uma comunicação menos cautelosa é iniciar um processo de desancoragem das expectativas de inflação. Ou seja, de os agentes de mercado passarem a embutir projeções cada vez mais elevadas para os preços no futuro.

A desacoragem, na prática, representa uma perda de confiança na capacidade de a política monetária controlar a alta dos preços, o que acaba por criar um efeito inflacionário. Nesse cenário, o BC pode reavaliar os rumos dos juros e até mesmo ter de elevar as taxas novamente.

O UBS GWM, por outro lado, ainda projeta uma probabilidade maior de os efeitos do conflito serem transitórios, o que possibilitaria ao Copom dar continuidade ao ciclo de cortes.

Nesse cenário mais positivo, o preço do petróleo voltaria a um patamar mais perto de US$ 85 o barril e a situação no Estreito de Ormuz se normalizaria até o fim de abril.

A economista do UBS mantém no cenário-base a possibilidade de a Selic terminar o ano no intervalo entre 12% e 12,5% ao ano. “Mas um ciclo de corte de três pontos [percentuais] ou menos já representa um espaço menor do que o mercado tinha começado a projetar antes da guerra.”

Dificuldades do BC no pós-guerra

As dificuldades da política monetária não vão acabar quando a guerra terminar. Para Srour, quando o peso do cenário internacional começar a diminuir, o doméstico passará a predominar.

“O ponto é que o desequilíbrio fiscal volta a se tornar o novo foco de atenção. Se houver uma sensação de que não vai haver uma inversão completa da política fiscal, se não houver uma âncora fiscal, que permita vislumbrar uma estabilização da dívida, acredito que o país terá uma crise de confiança.”

Nesse cenário, o esperado é que a curva de juros abra ainda mais, o câmbio deprecie e a aversão ao risco nos mercados volte a predominar.

“Seria o pior cenário, porque essa crise de confiança levaria a mais inflação e a uma desaceleração econômica. E o BC não teria outra alternativa a não ser subir juros novamente.”

Na visão da economista, o risco desse cenário se tornará mais presente conforme as eleições fiquem mais próximas. Para Srour, para evitar esse quadro, os candidatos com mais chances de vitória terão que sinalizar que vão endereçar a questão fiscal em seu mandato.

“É muito importante que o presidente eleito entenda que não tem muito tempo para apresentar esse ajuste. E não pode ser mais do mesmo, porque não será mais suficiente para segurar as expectativas.”

Mercados hoje: alta dos preços de energia já começa a pesar nas decisões dos bancos centrais

17 de Março de 2026, 07:46

Bom dia!

Nesta terça-feira (17), véspera das decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do nosso BC, as atenções continuam voltadas para a escalada do conflito no Irã. O momento é de expectativa antes da superquarta. Todos querem saber quais sinais os BCs vão passar em meio a crise global de preços de energia. A autoridade da Austrália foi a primeira a reagir nesse novo mundo do petróleo acima de US$ 100: subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual. Por aqui, o IGP-10 dos primeiros dias de março sai ainda em tempo de ser considerado pelo Copom, mas não deve trazer surpresas.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global amanheceu sem pânico, mas também sem muita vontade de cantar vitória antes de ver o que Fed e Copom vão sinalizar. Às 7h30, os futuros das bolas de Nova York mantinham queda, com o S&P 500 futuro caindo -0,28% e o Nasdaq futuro recuando -0,37%.
  • Na Europa, as bolsas sobem levemente. O Stoxx 600 tem suida de +0,28%.
  • Na Ásia, os investidores tentam digerir o vaivém do petróleo e a perspectiva de BCs mais duros com a inflação. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com baixa de -0,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +0,13%.
  • O índice dólar (DXY) se situa em 99,75 pontos, levemente abaixo de ontem. O petróleo Brent sobe +3,31% a US$ 103,51. barril. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para a faixa de 4,224% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo mantém volatilidade vista nos últimos dias. Se ontem os preços da commodity recuaram e até perderam o piso dos US$ 100, hoje voltam a avançar e a subir acima desse patamar.
  • As cotações reagem aos novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos, com impacto sobre infraestrutura energética.
  • A continuidade do conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz recolocam pressão sobre o movimento da inflação global justamente quando o Fed inicia sua reunião de dois dias nesta terça-feira. Ao mesmo tempo, outros BCs globais como o Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão também entram no radar nesta semana.
  • Na prática, o mercado passou a olhar menos para corte de juros e mais para o risco de os BCs começarem a cogitar a possibilidade de novas subidas de juros.
  • E daí? No Brasil, Petrobras e Prio tendem a continuar no foco com a alta do barril, enquanto o restante da bolsa pode sentir o combo petróleo mais caro + juros altos por mais tempo. A curva local também deve ouvir com atenção qualquer pista do Copom a partir de hoje.

Giro pelo mundo

  • Juros na Austrália: o RBA elevou a taxa básica em 25 pontos-base, para 4,1%, tornando-se o primeiro BC a subir juros desde a escalada do conflito no Oriente Médio; o recado reforça o viés de cautela global.
  • China e petróleo: a China aumentou estoques de petróleo no começo do ano, mas ainda evita usar essas reservas, o que ajuda a manter a discussão sobre oferta apertada no radar.
  • Fed no radar: começa nesta terça a reunião de dois dias do FOMC; a decisão sai na quarta-feira, às 15h, com coletiva às 15h30 no horário de Brasília.

Giro pelo Brasil

  • Imposto de Renda 2026: a Receita confirmou as regras da declaração, com entrega entre 23 de março e 29 de maio; entra no radar de pessoas físicas e também do noticiário de serviços financeiros.
  • Copom: a reunião começa nesta terça e a decisão sai amanhã. Com o choque recente do petróleo, o mercado vai procurar qualquer ajuste no tom do BC.

Giro corporativo

  • Porto + Oncoclínicas: o acordo prevê uma nova empresa com as 150 clínicas oncológicas, sob controle da Porto, em uma estrutura de R$ 1 bilhão que tenta separar os melhores ativos do passivo mais pesado da Oncoclínicas.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

Não é só Vale e Petrobras: de Grupo Ultra a SLC, investidor estrangeiro diversifica compras

16 de Março de 2026, 16:04

A guerra do Irã não interrompeu o apetite de investidores estrangeiros pela bolsa no Brasil, o que sinaliza a continuidade de uma força que sustenta o Ibovespa próximo a patamares recordes.

Nos últimos cinco pregões da B3 até dia 13, ou seja, já na segunda semana de embates no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, investidores internacionais acrescentaram mais R$ 1,1 bilhão líquido (aportes menos resgates) a um volume que já alcança R$ 43 bilhões só neste ano.

Esse capital de fora tem negociado em maior volume ações de empresas de commodities e serviços públicos (utilities) nas últimas semanas. E o interesse estrangeiro já vai muito além de Petrobras e Vale, segundo aponta um levantamento do time de pesquisa em ações do Itaú BBA.

O estrangeiro passou a comprar ações de companhias como SLC Agrícola (SLCE3), uma das maiores produtoras de soja do país; Copel (CPLE3), companhia de energia do Paraná; Grupo Ultra (UGPA3), dono da rede de postos Ipiranga e com atuação relevante em logística; e Copasa (CSMG3), companhia de saneamento mineira, que está em processo de privatização.

Todos os papéis acumulam altas acima de 18% no ano até a manhã desta segunda-feira (16): a SLC sobe 23,60%; a Copel tem alta de 18,95%; o Grupo Ultra avança 25%; e a Copasa tem ganho de 19,90%.

Existe um racional sobre o interesse do investidor por tais ativos. A procura pelo setor agrícola tem a ver com o período de safra no país. A colheita da soja, por exemplo, se estende de fevereiro a maio.

E as expectativas para a safra colocam a régua da produtividade no topo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um volume histórico de 177,8 milhões de toneladas para a soja. Já a previsão para a safra total de grãos é a de uma colheita recorde de 353,4 milhões de toneladas.

No caso das utilities, as companhias são vistas como sendo de perfil defensivo, especialmente em um momento no qual o preço da energia está em alta diante da Guerra do Irã.

Empresas de serviços públicos têm receitas previsíveis e recorrentes no longo prazo e regulações bem definidas. Esse grupo pode se beneficiar tanto do crescimento de demanda por energia quanto pelo próprio déficit de infraestrutura de saneamento no país.

O banco de investimento do Itaú desenvolveu um indicador que leva em conta variáveis como o desempenhos dos papéis em relação ao Ibovespa, o volume diário negociado, a volatilidade e a quantidade de dias em que a ação subiu mais que o principal índice da bolsa.

Entre as dez primeiras da lista aparecem ainda empresas financeiras, uma telecom e uma construtora: Vivo (VIVT3), Caixa Seguridade (CXSE3), Banco do Brasil (BBAS3) e Tenda (TEND3).

O indicador levou em conta os resultados dos últimos dois meses. Como estrangeiros basicamente dominaram os aportes na bolsa neste ano, o levantamento pode ser visto como um reflexo dos ativos mais negociados por investidores globais no período.

Por outro lado, tanto investidores individuais quanto institucionais locais registraram resgates líquidos (resgates menos aportes) de R$ 5,8 bilhões e R$ 32 bilhões nos últimos dois meses e meio, respectivamente.

Mercados hoje: alta do petróleo rouba a cena em semana de decisão de juros do Fed e do BC brasileiro

16 de Março de 2026, 07:43

Bom dia!
A semana começa em meio às expectativas sobre como a Guerra do Irã vai afetar as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A escalada do conflito voltou a colocar o petróleo no centro do radar e reacendeu temores de inflação mais persistente no mundo. Com isso, o mercado segue sem um consenso sobre qual sinalização o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai dar após a decisão na quarta-feira (18). E, por aqui, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Copom também na quarta-feira. Os impactos da guerra vão além do petróleo e combustíveis e já afetam setores como mercado de alumínio e fertilizantes.

Enquanto você dormia…

  • Os investidores acompanham a escalada geopolítica e o impacto da Guerra no Irã nas commodities. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,54% e o Nasdaq futuro subia +0,66%.
  • Na Europa, as bolsas operam em leve alta. O Stoxx 600 tem queda de -0,32%.
  • Na Ásia, o clima foi de esperar para ver em uma semana cheia de decisões importantes. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,13%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +1,45%, impulsionado por dados da China melhor que o esperado.
  • O índice dólar (DXY) segue em queda de -0,29% aos 100,07 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,48% cotado a US$ 103,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos chegaram em 4,257% ao ano.

Destaques do dia

  • Guerra no Golfo reacende choque do petróleo. A tensão no Oriente Médio continua no centro das atenções do mercado nesta segunda-feira.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu apoio de aliados para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica, enquanto o mercado avalia o risco de nova escalada no conflito.
  • O preço do Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação e pressionando expectativas para juros globais.
  • E daí? Petróleo elevado costuma reforçar o radar sobre empresas ligadas à commodity, como Petrobras. Ao mesmo tempo, energia mais cara pode pressionar inflação global e afetar moedas e bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.

Giro pelo mundo

  • Alumínio dispara: além do petróleo, a guerra no Oriente Médio também pressiona metais industriais, com o preço do alumínio subindo diante do risco de interrupções energéticas e logísticas na produção global.
  • Pressão sobre Ormuz: o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou aliados, como Reino Unido e França, além da China, que enviem navios para proteger o estreito sob o risco de enfrentarem mais elevações de tarifas, caso não atendam o chamado.

Giro pelo Brasil

  • Petróleo e inflação: a alta da commodity no exterior pode pressionar expectativas de inflação no mundo e também no Brasil, mantendo o mercado atento ao comportamento dos juros globais.
  • Fluxo estrangeiro: investidores monitoram o impacto da volatilidade global sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e o comportamento do real.
  • Megaleilão de térmicas: o governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes.

Giro corporativo

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus – BC. Pesquisa semanal com projeções do mercado sobre PIB, Selic, IPCA e câmbio.
  • 09:00: IBC-Br – BC. O índice de atividade do Banco Central é considerado a prévia do PIB.
  • 09:30: Índice Empire State de atividade industrial — EUA. Indicador antecipado da atividade manufatureira em março.
  • 11:00: Índice de confiança do mercado imobiliário (NAHB) — EUA. Termômetro do setor de construção e sensibilidade aos juros.
  • 15:00: Leilão de Treasuries — EUA. Pode mexer com os juros globais dependendo da demanda.

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Calendário de balanços: o que esperar de Natura, Itaúsa e MBRF na semana

16 de Março de 2026, 07:13

A nova semana de resultados do quarto trimestre de 2025 terá a divulgação de grandes frigoríficos a companhias de infraestrutura.

Entre as gigantes que divulgam os números financeiros nos próximos dias estão Minerva e MBRF, do lado das proteínas animais, e Cemig e Taesa, entre as companhias de energia.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 16/03 a 20/03:

Segunda-feira (16 de março)

Natura (NTCO3)

A retração do consumo ao longo do ano é apontada como um dos riscos no curto prazo. O mercado de beleza no Brasil desacelerou, pressionado por juros altos e menor poder de compra. As vendas da Natura já vinham desacelerando em 2025, inclusive no seu principal mercado. Analistas veem demanda fraca no Brasil e em parte da América Latina como um obstáculo para a recuperação do crescimento após a reestruturação que terminou com a venda das operações da Avon fora da América Latina.

  • Estratégia: a Natura concluiu a venda da Avon Internacional no fim do ano passado, mas manteve a marca na América Latina sob seu guarda-chuva. O foco da companhia para este ano é o projeto “Onda 2”, que integra as forças de vendas da Natura e Avon AL para reduzir custos logísticos e de marketing.
  • Foco regional: após voltar atrás na ambição global, o grupo passou a concentrar os esforços na ampliação dos mercados no Brasil e América Latina, que respondem por cerca de 85% das vendas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18. Dividend yield em 2026 (consenso): sem consenso

Itaúsa (ITSA3 e ITSA4)

O principal desafio estrutural da holding continua sendo sua concentração no Itaú Unibanco. O banco representa mais de 90% do resultado econômico da Itaúsa. Isso significa que o desempenho da holding está quase totalmente ligado ao ciclo do banco.

  • Estratégia: tem concentrado esforços da gestão de passivos no alongamento de prazos. A holding foca em reduzir custos financeiros para liberar mais caixa para dividendos.
  • Ativos: estratégia da empresa tem sido manter o Itaú Unibanco como principal gerador de lucros, mas ampliando investimentos em empresas não financeiras. O portfólio da holding atual reúne participações na companhia de materiais de construção Dexco, na Alpargatas, que é dona da Havaianas, na companhia de infraestrutura Motiva (ex-CCR), na Aegea Saneamento, na Copa Energia e na NTS, especializada em gás natural.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 16 (ITSA4) e R$ 13,20 (ITSA3). Dividend yield em 2026 (consenso): 10%.

Terça-feira (17 de março)

Taesa (TAEE11)

Analistas apontam preocupação com o aumento da dívida da companhia. O nível de dívida chegou a mais de 4 vezes a métrica de dívida líquida/Ebitda em 2025, acima do nível considerado confortável para transmissoras de 2,5 vezes. Isso pode gerar percepção de risco de execução. A empresa precisa reduzir a alavancagem e aumentar a geração de caixa.

  • Alavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda gira em torno de 3,8 vezes. Não precisa de capitalização, mas tem pouco espaço para aumento de investimentos e de custos.
  • Proventos: continua sendo uma das favoritas do mercado. Seus contratos são corrigidos pela inflação, garantindo um rendimento real constante.
  • Estratégia: o endividamento tem crescido justamente devido ao momento de investimento em novas concessões, que são feitos por meio de dívidas antes de começarem a gerar caixa.
  • O que monitorar: Precisa ser agressiva em novos leilões de transmissão para repor a receita de concessões que vencerão nos próximos anos.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 37,70. Dividend yield em 2026 (consenso): 8%

Quarta-feira (18 de março)

Minerva (BEEF3)

Analistas projetam que 2026 deve ser um período mais difícil para o ciclo da carne bovina, que pode ficar negativo na oferta e demanda, com margens pressionadas em parte da cadeia. A Minerva, por sua vez, é uma das empresas brasileiras mais expostas ao mercado externo. Mudanças nas cotas de importação da China podem impactar preços e demanda.

  • Alavancagem: saltou com a compra de ativos da Marfrig na Argentina por R$ 7,5 bilhões. O nível de endividamento medido pela relação entre dívida líquida e ebitda subiu para 2,5 vezes no terceiro trimestre de 2025, patamar que acende uma luz amarela.
  • Estratégias: reduzir despesas financeiras pesadas por meio geração de caixa operacional. Foco em vender estoque e integrar rapidamente as plantas adquiridas da Marfrig na Argentina para capturar margem.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 7,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 3,80%.

MBRF (BRFS3)

O principal desafio é integrar as operações da Marfrig e da BRF, após a fusão que resultou na MBRF, concretizada em setembro de 2025. O sucesso da nova empresa depende em parte da captura de sinergias operacionais. Analistas estimam sinergias potenciais de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano. A fusão criou uma companhia com maior complexidade operacional, mas presença global e forte atuação em todas as áreas de proteína animal.

  • Estratégia: Programa “BRF+”, focado em eficiência fabril e redução de desperdícios de grãos. Em termos de endividamento, a companhia vive uma situação confortável com o nível medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda abaixo de 1 vez – o mercado enxerga como patamares saudáveis múltiplos abaixo de 2 vezes.
  • Mercados internacionais: a criação da Sadia Halal, no fim de 2025, é uma sociedade entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), braço do PIF – o maior fundo soberano do mundo – estruturada para atender o mercado de alimentos halal da Arábia Saudita e do Golfo.
  • Ativos: Pode buscar aquisições pontuais no mercado de “pet food” ou produtos processados de maior valor agregado.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,80. Dividend yield em 2026 (consenso): 33%.

Quinta-feira (19 de março)

Cemig (CMIG3 e CMIG4)

Controlada pelo governo de Minas Gerais, a Cemig tem o risco político associado ao acionista como um fator relevante para o rating de crédito e a avaliação da empresa. A migração de consumidores para a geração distribuída e o mercado livre pode afetar o segmento de distribuição no médio e longo prazos. Além disso, a empresa planeja investir cerca de R$ 7 bilhões em 2026 para expansão e modernização.

  • Estratégia: foco atual está no investimento em distribuição para aumentar a base de ativos remunerados pela Aneel. Apesar disso, a empresa tem um perfil de dívida bem alongado e baixo custo.
  • Desinvestimentos: Estratégia de venda de ativos considerados como não essenciais, como participações em gasodutos ou usinas menores para concentrar capital na transmissão e distribuição.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 12 (CMIG4) e R$ 15,70 (CMIG3). Dividend yield em 2026 (consenso): 11% a 14%.

Volatilidade no Tesouro Direto: título prefixado supera 14% ao ano e IPCA+ flerta com 8%

13 de Março de 2026, 12:02

O Tesouro Direto tem três “marcas psicológicas” que, quando atingidas, deixam mais evidentes a percepção de que o mercado passa por momento de maior estresse, diante do aumento das incertezas. Isso sob a ótica de investidores.

No caso dos títulos Tesouro Prefixado 2032, trata-se do patamar de 14% ao ano.

Para o Tesouro IPCA+ 2032, o papel mais curto desse tipo oferecido na plataforma, é o nível de retorno de 8% ao ano acima da inflação.

E, para o produto mais longo atrelado à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050, um retorno de 7% ao ano.

Desses três títulos, dois já superaram esses patamares nesta sexta-feira e um está bem perto disso.

O Tesouro Prefixado 2032 terminou a sexta-feira (13) em 14,25% ao ano, após o Tesouro Direto acionar o “circuit breaker”, um mecanismo que paralisa as negociações quando a volatilidade fica muito elevada.

Esse nível foi alcançado pela última vez em abril de 2025.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 alcançou a taxa de 7% ao ano e igualou a máxima do ano. A versão 2032 alcançou 7,93%, a um passo dos 8%, e no maior nível desde sua estréia na plataforma em fevereiro deste ano.

A alta das taxas de juros ocorre em momento de aumento das preocupações no mercado com a inflação. Se até fevereiro a avaliação era a de que a economia estava em processo de desaceleração da alta de preços, a partir deste mês de março a percepção deu uma guinada.

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No mês passado, as taxas atingiram as mínimas do ano. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, chegou a 6,73%, muito perto do menor patamar em pelo menos dois anos.

Já o Tesouro Prefixado 2032 alcançou 13,23% ao ano, também bem perto da mínima em dois anos. No caso desse título, a última vez em que a taxa passou de 14% foi em julho de 2025.

E, não por acaso, as taxas se movem por motivos semelhantes ao de agora, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã pela primeira vez, antecedendo o quadro atual de guerra. As cotações mais altas do petróleo representam uma ameaça relevante para a inflação no Brasil e no mundo.

No Tesouro Direto, taxas mais altas significam que o valor dos papéis cai. O investidor que tem esses títulos na carteira percebe esse efeito, porque o saldo em reais passa a diminuir.

A volatilidade dos títulos mais longos, ou seja, de prazos de vencimentos que podem ser de anos ou até décadas, costuma aumentar em momentos de estresse nos mercados. Esses papéis são muito sensíveis a mudanças macroeconômicas e eventos geopolíticos que afetem as perspectivas de inflação e juros.

De qualquer modo, é importante o detentor dos títulos lembrar que vender em momentos de estresse pode significar realizar o prejuízo que, por enquanto, está só na tela do computador ou celular.

Se o cenário melhorar, as taxas podem voltar a recuar – e os preços dos títulos subirem novamente.

Taxas mais altas – e as atuais estão em um nível historicamente elevado – podem também ser uma oportunidade de “travar” retornos considerados atrativos por muitos anos, se o investidor levar os títulos até o vencimento. Isso porque, nesse caso, sempre valem as condições contratadas ao adquirir o papel.

A forte oscilação vista neste momento, que remetem até à renda variável, deve-se ao efeito da chamada marcação a mercado, ou seja, da variação diária dos preços dos papéis.

A marcação a mercado reflete o quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo ativo naquele momento. E essa avaliação é afetada por vários fatores, como as perspectivas para inflação, juros, câmbio ou questões geopolíticas.

Em momento de alta volatilidade, que atinge de maneira mais acentuada os títulos com prazos mais longos, o melhor a fazer é evitar entrar em ondas de vendas.

Desde o início do conflito, o Tesouro Prefixado 2032 já perdeu 3,30% em termos de preços. Mas ainda acumula uma alta de 20% no ano.

O Tesouro IPCA+ 2032 recua 2% nas duas semanas do conflito no Oriente Médio. Mas, mesmo com essa queda, no ano, o papel está no “zero a zero”.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 apresenta uma perda de 4,8% desde quando eclodiu a guerra no Irã até o momento. Mas em 2026, ainda acumula uma alta de 2,2%.

Mercados hoje: inflação global volta ao centro das atenções com petróleo acima de US$ 100 e dados do PCE nos EUA

13 de Março de 2026, 07:36

Bom dia!

A sexta-feira (13) começa com o mercado fazendo contas. A inflação segue como uma das principais preocupações. Todos querem entender qual será o impacto sobre os preços de diversos setores globais, se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por mais tempo. As incertezas em torno da Guerra no Irã reforçam o dólar globalmente. Nesta sexta-feira, sai um dado visto como um dos mais importantes para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a poucos dias da decisão sobre juros: os números da inflação pelo PCE, a medida preferida do BC dos EUA. Por aqui, a combinação é parecida, mas com sotaque local: governo tentando amortecer o impacto da guerra sobre o diesel e evitar uma potencial greve de caminhoneiros, além, é claro, de aliviar o peso sobre a inflação.

Enquanto você dormia…

  • O humor lá fora segue cauteloso: ninguém está em pânico, mas também não parece disposto a bancar qualquer aposta sobre os rumos da Guerra no Irã e os impactos sobre a inflação. Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York seguem em leve alta: o S&P 500 futuro sobe +0,10% e o Nasdaq futuro avança +0,08%.
  • Na Europa, as bolsas caminham para a segunda semana seguida no vermelho. O Stoxx 600 cai -0,31%.
  • Na Ásia, o tom também foi negativo, com o petróleo acima de US$ 100, reacendendo o medo de inflação. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -1,16%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou -0,98%.
  • O índice dólar (DXY) ultrapassa a marca dos 100 pontos, com alta de +0,48% a 100,15 pontos. O petróleo Brent segue em alta de +0,36% cotado aUS$ 100,83 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos alcança 4,271% ao ano, mas seguem estáveis.

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Destaques do dia

  • Brasília tenta segurar o diesel enquanto o petróleo esquenta: o barril da commodity voltou a operar acima de US$ 100 nesta sexta-feira, mas passou a recuar após os EUA liberarem parte do petróleo russo de sanções tomadas na guerra contra a Ucrânia.
  • O preço do Brent segue próximo dos três dígitos acima de US$ 99 o barril. O problema é que o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda permanece apesar do discurso de vitória do governo americano.
  • Por aqui, o governo brasileiro anunciou um pacote que incluiu zerar PIS/Cofins do diesel, criar subvenção para importadores e produtores e cobrar imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre exportações de diesel. A equipe econômica estima alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas.
  • E daí? Para a bolsa local, o tema deixa Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e demais exportadoras de óleo no radar por causa do imposto, enquanto transporte e agro tendem a acompanhar de perto o efeito real do diesel mais barato na cadeia.

Giro pelo mundo

  • PCE na vitrine: o dado de inflação preferido do Fed mostra a inflação acima da meta de 2% ao ano. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • Petróleo manda no humor: com o Brent perto de US$ 100, o mercado reduz apostas de cortes de juros diante da pressão inflacionária.

Giro pelo Brasil

  • Diesel no centro da mesa: governo zerou PIS/Cofins e anunciou subvenção para tentar segurar a alta nas bombas para o diesel. No total, a previsão é de que haverá um alívio de R$ 0,64 por litro no preço do combustível.
  • Conta do pacote: a compensação vem com imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre diesel.

Giro corporativo

  • Sabesp amplia posição: a companhia comprou por R$ 171,6 milhões uma fatia de 23,17% das ações ordinárias da Emae que pertenciam ao fundo Oceania, ligada ao controlador da Ambipar, Tercio Borleghi Jr, com liquidação prevista para esta sexta-feira.
  • Gol muda de altitude: a aérea anunciou cinco Airbus A330, classe executiva e expansão internacional via Galeão, mirando elevar a fatia internacional de 17% para 25% até 2029.
  • Raízen ganha fôlego: a Justiça aceitou a recuperação extrajudicial da companhia para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas e suspendeu cobranças por até 180 dias.

Agenda do dia

  • 09:00: Pesquisa Mensal de Serviços de janeiro — Brasil. Ajuda a medir o pulso da atividade. (Consenso: +0,1% mês; +2,8% ano)
  • 09:30: PCE de janeiro — EUA. É a inflação que o Fed mais acompanha. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • 09:30: PIB do 4º trimestre — EUA. Termômetro do crescimento. O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre de 2025, bem abaixo das estimativas de +1,4%.
  • 09:30: Bens duráveis de janeiro — EUA. Sinal de investimento industrial. (Consenso: +1,2%)
  • 10:30: Fazenda detalha impactos do conflito no Oriente Médio — Brasil. Importa para inflação, combustíveis e fiscal.
  • 11:00: JOLTS e confiança do consumidor — EUA. Mais duas peças para o quebra-cabeça da economia americana. (Consenso: 6,7 mi e 55,0)

Ótima sexta-feira e bons negócios!

Recuperação extrajudicial da Raízen pode afetar outras empresas na bolsa, da JSL a MRS Logística

11 de Março de 2026, 12:36

A recuperação extrajudicial da gigante da energia Raízen vai respingar em várias empresas listadas na bolsa brasileira. São companhias com exposição em maior ou menor grau ao grupo produtor e distribuidor de etanol.

Setores como produtores de cana e fornecedores de insumos, transportadores rodoviários, hidroviários e ferroviários, além de parceiros estratégicos e clientes industriais, estão vulneráveis, avalia o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

A Raízen, por exemplo, é uma grande consumidora de fertilizantes. Mesmo com reaproveitamento de resíduos da produção de álcool, a empresa precisa de insumos complementares como nitrogênio e outros.

A Fertilizantes Heringer (FHER3) tem exposição relevante às operações da produtora de etanol. Uma reorganização operacional da Raízen em busca de redução de custos pode afetar a empresa. Nesta quarta-feira (10), por volta de 12h20, a ação da companhia de fertilizantes subia +2,16%, cotada a R$ 4,25.

Na área de logística, a Raízen utiliza por safra 750 caminhões para escoar 45 milhões de toneladas de cana.

A JSL (JSLG3), controlada da Simpar (SIMH3), tem um grande volume de contratos com a companhia de etanol. As ações da JSL e Simpar tinham quedas de -0,13% e -2,38%, cotadas a R$ 7,84 e R$ 11,51, respectivamente.

A Rumo (RAIL3), controlada pela Cosan, tem um contrato firmado em 2025 com a Raízen no valor de R$ 916 milhões para transporte ferroviário das commodities. A ON da Rumo recuava -0,12% no mesmo horário, negociada a R$ 17,03.

Outra companhia ferroviária com exposição às operações da Raízen é a MRS Logística (MRSA3B). Isso porque a companhia é fundamental para o escoamento de cargas pelo Porto de Santos, com operação do acesso ferroviário da Serra do Mar.

A Raízen, por sua vez, tem uma grande operação em Santos para escoar açúcar e etanol pelo porto paulista. A companhia é a maior exportadora do mundo dessas commodities.

Eventuais negociações sobre os contratos podem afetar os resultados das companhias de logística.

As ações da MRS são negociadas no mercado de balcão da B3, com foco em investidores institucionais, portanto a liquidez é limitada.

Para Cruz, da RB, “mesmo com a companhia afirmando que segue operando normalmente, o elevado endividamento combinado com ciclo agrícola mais desafiador aumenta a probabilidade de problemas em empresas envolvidas em sua cadeia”.

O que vai acontecer com as debêntures e CRAs da Raízen com a recuperação extrajudicial?

11 de Março de 2026, 10:52

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen vai impactar R$ 11,4 bilhões em dívidas ainda vigentes detidas por investidores de debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Do total, há R$ 5,4 bilhões alocados em cada instrumento.

Para os investidores, o impacto mais direto recai sobre os CRAs, dado que entre 60% e 90% das emissões desses certificados pela produtora e distribuidora de etanol foram parar nas mãos de pessoas físicas, segundo levantamento exclusivo obtido pelo InvestNews, realizado pela plataforma de crédito privado Vitrify.

Já no caso das debêntures, a maior parte está nas mãos de bancos e fundos de crédito.

Trata-se, portanto, do maior evento de perdas em crédito privado no mercado brasileiro desde o caso Americanas, no primeiro semestre de 2023.

Mas, em termos de volume de títulos de dívida privada, a Raízen supera – em muito – a situação da rede varejista, que tinha, na época, um volume de R$ 5 bilhões em debêntures e quase nada em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).

O que investidor deve fazer?

E o que o investidor deve fazer a partir de agora? Um gestor de crédito, que falou com o InvestNews e pediu para não ser identificado, recomendou às pessoas físicas aguardarem as negociações entre a companhia e os principais credores.

Como se trata de uma recuperação extrajudicial (REJ), e não uma recuperação judicial (RJ), a tendência é que os descontos propostos pela Raízen sejam menores do que as perdas se os títulos forem vendidos no mercado secundário.

Na recuperação extrajudicial, diferentemente da versão judicial, os papéis de crédito ainda podem ser vendidos nesse ambiente de negociação de títulos “usados”, em que os ativos são repassados a outro interessado antes dos vencimentos.

No entanto, diante das incertezas sobre as negociações, o valor dos títulos deve despencar. Uma consulta às plataformas digitais na manhã desta quarta-feira (11) mostrava uma ausência de oferta de debêntures e certificados da Raízen.

Antes da recuperação extrajudicial, esses papéis chegaram ser vendidos no mercado secundário com descontos de até 70% em relação ao valor original.

Diante do agravamento da crise, esse mercado ficou praticamente inviável neste primeiro momento, porque, enquanto as negociações não avançarem, não há bases concretas de precificação.

Outro problema: lastro em debêntures

Os R$ 5,4 bilhões em CRAs da Raízen no mercado têm ainda outra característica considerada problemática. Embora sejam instrumentos com garantias, que, no caso de um evento de crédito, seriam passíveis de serem acionadas, todas as emissões de certificados da produtora tiveram como lastro debêntures emitidas por empresas do próprio grupo.

Na prática, isso significa que não há, no momento, garantias a serem acionadas. Nesse caso, o tamanho do estrago em termos de descontos no valor dos ativos e de aumento de prazos de recebimento vai depender das negociações feitas pelos debenturistas.

“Nesse caso, o investidor não é credor direto da empresa emissora das debêntures; o fluxo de pagamento do CRA depende do desempenho desses ativos”, explica a especialista Letícia Domingues, do escritório Zonenschein Advocacia.

De qualquer modo, o investidor que comprou tais certificados não se envolve diretamente nas negociações com a Raízen, porque a empresa de securitização que estruturou as emissões fica responsável por representar os detentores de CRAs.

O esperado para as negociações é que os detentores de títulos de dívida vão ter de amargar algum desconto dos valores a receber, bem como um alongamento de prazos. Em outros casos de recuperação extrajudicial, houve até troca de indexadores dos papéis.

Dívidas vão ter “moratória” de três meses

Os descontos (haircut) tendem a ser menos agressivos do que no caso de uma recuperação judicial, em que os cortes podem atingir até 80% do valor da dívida. Em casos recentes de recuperação extrajudicial, houve perdas mais suaves, de até 20% do valor original, com foco maior no alongamento de prazos.

No caso das debêntures, muitas propostas incluíram a conversão dos títulos em participação acionária.

De qualquer modo, ainda é cedo para saber quais serão as condições propostas e aprovadas nas assembleias de credores.

Outro custo para os investidores é que, durante o prazo de standstill (período em que os credores suspendem temporariamente as cobranças para permitir a negociação da dívida), que deve ser de 90 dias, os pagamentos ficam congelados. É uma espécie de moratória em que os detentores da dívida ficam sem receber, enquanto a companhia negocia as novas condições.

Capacidade de pagamento

Em termos de capacidade de pagamento, a situação é menos preocupante. A Raízen ainda teria R$ 20 bilhões em caixa, o que seria suficiente para honrar as dívidas que vencem em 2026 e 2027.

Ou seja, a pressão do custo da dívida, que drena R$ 7,5 bilhões por ano da companhia, é maior do que a dos vencimentos próximos.

A companhia tem um vencimento de R$ 600 milhões neste mês de março. E, depois, apenas outro de R$ 352 milhões, mas em junho de 2027.

Ações de Magalu, Casas Bahia e outras varejistas sobem até 11%. O que está por trás das altas?

10 de Março de 2026, 16:34

As varejistas estão em alta na bolsa brasileira nesta terça-feira (10). As ações da Magalu e da Casas Bahia, por exemplo, duas das companhias com maiores bases de acionistas pessoas físicas, por volta das 16h, os papéis subiam 7% e 11%, respectivamente.

Todos os setores de empresas ligadas ao consumo cíclico também avançam com força na B3. A recuperação das ações de varejo e de outras companhias de consumo ocorre em meio ao clima mais favorável ao risco. A mudança veio na esteira da sinalização do governo dos Estados Unidos de que o fim da Guerra no Irã pode estar perto.

Além do alívio geopolítico e da redução de incertezas, as alta se amparam na percepção de que a alta do petróleo pode ter um efeito mais pontual e curto do que o esperado. Com isso, o mercado retoma as perspectivas de cortes de juros mais agressivos pelo Banco Central a partir da semana que vem.

Um cenário de Selic mais baixa ajuda os resultados das varejistas, do turismo e de outras companhias do chamado consumo discricionário.

O setor de varejo de moda também mostra forte avanço. As ações de Lojas Renner sobem 4,60% cotada a R$ 15,24. A rival C&A tem sua ação cotada a R$ 12,05, com subida de 6,17%.

A Azzas 2154, dona de 34 marcas, entre as quais Farm, Arezzo e Hering, tem alta de 6,50% cotada a R$ 27,54.

Em outro setores cíclicos como turismo e aluguel de automóveis, os ganhos são também significativos. A CVC, por exemplo, sobe 5,50% cotada a R$ 2,11.

Os papéis de Localiza e a da rival Movida avançam, respectivamente, 4,20% e 4,20% cotados a R$ 47,65 e R$ 12,94.

Aluguel de ações

Um fator técnico que pode ajudar a impulsionar os papéis das varejistas é o nível de aluguel de ações em relação ao “free float”, ou seja, a quantidade de ações negociadas na bolsa.

No caso da Magalu, são 16%. E para Casas Bahia esta taxa sobe para 31%. São patamares considerados elevados.

O aluguel é uma forma de os investidores apostarem na queda dos papéis. Essa estratégia é chamada no mercado de “short” ou posição vendida.

Níveis acima de 15% são altos porque já podem causar o chamado “short squeeze“, ou seja, uma corrida para cobrir posições (comprar as ações de volta para devolver a quem emprestou os papéis) e evitar prejuízos crescente após valorizações significativas das ações. O short squeeze retroalimenta e amplifica as altas.

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Vai viajar ao exterior? ETFs e outros ativos que pagam juros em dólar ajudam no planejamento

10 de Março de 2026, 14:09

Para quem pretende viajar ao exterior nos próximos meses, o momento voltou a ficar favorável para a compra do dólar, que caiu de novo para a casa de R$ 5,15, o menor nível em quase dois anos. A moeda americana tem oscilado com força nas últimas semanas diante da Guerra do Irã.

Declarações de Donald Trump de que o conflito pode se estender menos que o esperado têm levado investidores a retomar a atenção a fundamentos. A janela para diversificação internacional voltou a reabrir, mas, como continua muito sensível ao noticiário, pode fechar rapidamente de novo.

De qualquer modo, quem tem de juntar recursos em moeda forte para viajar nos próximos meses pode aproveitar esses momentos de alívio antes de um novo repique.

O turista tem alternativas que vão muito além da compra da moeda física ou em carteiras digitais – as wallets. Há diferentes produtos – de ETFs (fundos passivos de índice) a BDRs de ETFs e mesmo renda fixa em dólar – que podem ser usados para montar uma reserva de viagem.

A melhor estratégia é aplicar regularmente os recursos em produtos que tragam exposição à moeda americana e que tenham alta liquidez.

O ETF USDB11, da Investo, por exemplo, segue um índice com títulos do mercado de renda fixa americana de melhor qualidade (grau de investimento) e prazos intermediários.

O investidor pode ainda aplicar em ETFs do exterior fazendo a aplicação na bolsa brasileira, por meio dos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos que representam cotas de fundos de índice internacionais. Por meio deles, é possível investir em ETFs de fora, mas na própria plataforma da bolsa brasileira e em reais.

A gestora BlackRock, por exemplo, disponibiliza BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Investir diretamente lá fora é opção

Outra maneira de montar sua reserva de viagem em dólar é investir diretamente em títulos de renda fixa de curto prazo emitidos pelo governo americano, as T-bills. São papéis com vencimentos entre 4 e 52 semanas, com alta liquidez no mercado secundário, o que permite ao investidor vendê-los rapidamente antes do vencimento se precisar do dinheiro.

Os americanos usam as T-Bills da mesma forma como os brasileiros usam o Tesouro Selic. É nesses papéis, cujas taxas variam hoje entre 3,5% e 3,7% ao ano, que os americanos montam suas reservas de emergência. Eles não são pós-fixados, como os nossos.

Mas, por serem prefixados de prazo curtíssimo, tais ativos tendem a fazer com que o saldo suba constantemente. Esse tipo de aplicação pode ser acessada pelos brasileiros por meio de plataformas de contas globais de empresas como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

ETFs estrangeiros facilitam investimento em dólar

Da mesma forma que é possível investir diretamente nas T-bils por meio de contas globais de investimentos, há a alternativa de ETFs internacionais.

Alguns ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo, por exemplo, mantêm uma carteira com até 80% de alocação em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

O ETF VBILL, da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,54%. Outro fundo, TBLL, da Invesco, nos últimos 12 meses teve rentabilidade de 4,5%.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços entre US$ 75 e US$ 100.

Os Estados Unidos também têm um produto equivalente ao fundo DI no Brasil. No mercado americano esse é o papel do chamado money market. O nome diz tudo: aplicações nesses fundos são consideradas como equivalente a dinheiro em caixa na contabilidade de empresas e instituições.

A remuneração desses produtos segue de perto as taxas de curto prazo definidas pelo banco central americano, o Federal Reserve. Em fevereiro de 2026, estavam em torno de 4,01% ao ano em dólar. O investimento mínimo é de US$ 1 mil.

Outra vantagem de investir para viajar

Essa aplicação em dólar pode trazer um benefício extra: compensar parte da volatilidade ao longo dos meses. Aqui é preciso fazer uma conta para explicar.

Um retorno de 4% ao ano bruto equivale a cerca de 0,33% ao mês. Então, se o dólar recuar 0,33% frente ao real em um mês, o ganho, basicamente, vai zerar essa diferença. Ou, eventualmente, suavizar essa queda.

Por outro lado, qualquer valorização da moeda americana vai se somar ao ganho mensal. Se a divisa dos EUA subir, digamos, 0,5% no mês, significa que sua reserva valorizou 0,88% em reais no período.

E porque o câmbio médio? É uma forma de fazer um “seguro” contra a volatilidade. Se o dólar subir, você vai ter comprado a moeda por um preço médio menor do que esperar até a véspera de embarcar para comprar tudo de uma vez.

Caso a moeda americana recue ainda mais, o preço médio, na prática, reduz a diferença entre o maior e o menor valor no período. Além disso, os juros da aplicação vão atenuar ou até mesmo compensar essa oscilação.

Câmbio pode mudar a qualquer momento

Esperar para comprar tudo de uma vez é uma aposta muito arriscada. A volatilidade pode voltar com força – e de repente – por vários motivos. Esses fatores vão desde incertezas eleitorais, a fatores geopolíticos e até mesmo alguma supresa na política monetária dos EUA e do Brasil.

A boa notícia: a fraqueza do dólar ainda é estrutural, ou seja, vem de fatores que tendem a se manter presentes, pelo menos, ao longo do semestre. No entanto, como não dá para prever o comportamento do câmbio, então vale a pena aproveitar a janela atual mais favorável que pode fechar a qualquer momento.

“O período eleitoral, por exemplo, pode introduzir maior volatilidade ao longo do segundo semestre”, ressalta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

E só para relembrar, a guerra no Irã ainda em andamento tem feito o dólar oscilar com força. Momentos como os da última semana, quando o dólar chegou a tocar os R$ 5,30, podem se tornar mais frequentes daqui para a frente.

Quer outro exemplo? No fim de 2024, as preocupações com a situação fiscal no Brasil pressionaram o real e levaram a cotação da moeda americana a mais de R$ 6,20. E esse cenário de trajetória de alta do endividamento púbico mudou pouco de lá para cá.

O próprio mercado vê o dólar na casa de R$ 5,41 no fim de 2026, segundo a pesquisa Focus, do BC, que faz um levantamento semanal das projeções de analistas e economistas de instituições financeiras.

Ações da Embraer caem até 7% após resultado. Para analistas, a recomendação é de compra

6 de Março de 2026, 14:00

As ações da Embraer operam em queda acentuada nesta sexta-feira (6) após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. E o recuo pode ser uma oportunidade de entrada no papel, segundo analistas.

As ações ordinárias (ON) chegaram a cair mais de 7% por volta de 13h, na cotação mínima do dia. Por volta das 14h, as perdas eram de 5%, com o papel negociado na casa de R$ 82.

O recuo ocorre a despeito de os números do quarto trimestre terem vindo acima das expectativas de analistas.

A queda das ações da Embraer nesta sexta-feira vem de uma reação pontual de investidores globais, preocupados com a evolução da guerra no Oriente Médio.

Como o papel é um dos preferidos os estrangeiros, o movimento de rebalanceamento em meio ao movimento de redução de exposição a risco em todo o mundo passou a penalizar a fabricante, assim como outras companhias que tenham alguma vulnerabilidade à crise do petróleo.

No caso da fabricante brasileira de aviões, a alta do preço do combustível de aviação traz insegurança sobre os rumos do setor. Isso porque os resultados das companhias aéreas são, historicamente, muito sensíveis às oscilações tanto cambiais quanto de produtos derivados do petróleo.

O ETF americano JETS, que acompanha o desempenho de ações da indústria global de aviação, apresenta um recuo de 3% nesta sexta-feira e de cerca de 7% na semana.

De qualquer modo, após o balanço da Embraer, diferentes bancos e casas de análise reforçaram a recomendação de compra para os papéis.

O JPMorgan manteve o preço-alvo em 12 meses da ação da companhia em R$ 108. O patamar representa um potencial de alta de 30% sobre as cotações atuais.

O Goldman Sachs avaliou o preço-alvo em 12 meses dos ADRs, ou seja, dos recibos de ações da Embraer negociados nos EUA, em US$ 78. Esse nível embute um potencial de ganho (upseide) de 26% em dólar para o recibo.

O Santander ajustou o preço-alvo dos ADRs para US$ 86. Isso representa um “upside” potencial de 38% frente ao nível atual das cotações.

Números recordes e perspectivas sólidas

O balanço do quarto trimestre foi considerado sólido pelo mercado. Os relatórios mostram que tanto a receita quanto o lucro operacional medido pelo Ebitda superaram em 4% o consenso do mercado.

A carteira de pedidos firmes (backlog) alcançou um recorde histórico no último trimestre de 2025. O faturamento potencial alcançou US$ 31,6 bilhões, com crescimento de 1% frente ao terceiro trimestre e de 20% quando comparado ao mesmo período de 2024.

A Embraer ainda planeja expandir sua atuação global. Há planos, por exemplo, de instalar uma fábrica de aviões comerciais na Índia, um dos maiores mercados de aviação do mundo.

Na carteira de produtos, as casas destacaram a parceria com a Northrop Grumman para o avião militar KC-390 e o lançamento dos novos jatos executivos Praetor 500E/600E, que são vistos como catalisadores para novas altas.

A companhia divulgou ainda metas consideradas otimistas para este ano, com previsão de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais em 2026, versus 78 em 2025. Na aviação executiva, o plano é expandir a capacidade para até 200 jatos por ano.

As perspectivas de longo prazo também trazem potencial de crescimento sustentado para os próximos anos. A parcerias internacionais já firmadas pela Embraer incluem a colaboração com a indiana Mahindra, que pode gerar pedidos de 40 a 80 aeronaves de defesa (KC-390) já em 2026. Há também uma parceria com o grupo Adani para o modelo de jato comercial E175.

Mercados hoje: desemprego no Brasil mexe com expectativas sobre juros com proximidade da reunião do Copom

5 de Março de 2026, 07:40

Bom dia!
A agenda da quinta-feira (5) tem a divulgação da taxa de desemprego de janeiro no Brasil. A expectativa é de que se mantenha perto das mínimas históricas. Os investidores avaliam se os números podem influenciar a decisão sobre juros do Banco Central daqui a pouco mais de uma semana. Ao mesmo tempo, a agenda econômica dos EUA começa a ganhar relevância com dados que antecedem o relatório oficial de emprego americano, o payroll, marcado para a sexta-feira. Nos mercados, mais um dia de alta do petróleo, com o Brent, a referência global em alta de quase 2% no início da manhã. A alta da commodity tem inspirado preocupação sobre um aumento de pressões inflacionárias.

Enquanto você dormia…

  • A madrugada foi de cautela nos mercados globais, com investidores monitorando os desdobramentos no Oriente Médio e seus efeitos sobre petróleo e inflação. Os futuros das bolsas de Nova York seguem quase estáveis: às 7h20, o S&P 500 futuro recua -0,02% e o Nasdaq futuro sobe +0,01%.
  • Na Europa, os investidores estão atentos à alta do petróleo e ao impacto potencial na inflação global. O Stoxx 600 avança +0,51%.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em alta. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com avanço de +1,90%. O Hang Seng, de Hong Kong, fechou com alta de +0,28%.
  • O índice dólar (DXY) tem alta de +0,12% aos 98,93 pontos. O petróleo Brent mantém-se em alta de +1,74% a US$ 82,80 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos avançam para 4,113% ao ano.

Destaques do dia

  • A escalada de tensões no Oriente Médio segue como principal fator de risco global. Com energia mais cara, investidores voltam a discutir o efeito sobre inflação global e sobre a trajetória de juros nas principais economias.
  • O movimento também fortalece ativos considerados defensivos, como dólar e ouro, enquanto aumenta a volatilidade nos mercados de ações.
  • E daí? Para o Brasil, petróleo mais alto tende a manter Petrobras, que divulga o balanço do quarto trimestre hoje, e as “junior oils” no radar. Já setores intensivos em combustível — como logística e companhias aéreas — podem enfrentar pressão de custos caso a alta da commodity se prolongue.

Giro pelo mundo

  • Mercado de trabalho dos EUA: pedidos semanais de seguro-desemprego saem hoje e ajudam a calibrar expectativas para o relatório oficial de emprego (payroll) que será divulgado amanhã.
  • Petróleo no foco: a commodity segue reagindo às tensões geopolíticas, o que reacende debates sobre inflação global e política monetária.

Giro pelo Brasil

  • Dados e expectativas: investidores acompanham indicadores recentes da economia brasileira em busca de sinais sobre o ritmo de desaceleração da atividade.
  • Petróleo e Petrobras: a trajetória do barril continua influenciando projeções para receitas e dividendos da companhia.

Giro corporativo

  • Raízen em reestruturação: a empresa avalia recorrer a uma recuperação extrajudicial e, ao mesmo tempo, levantar cerca de R$ 4 bilhões em capital junto aos controladores, para reforçar o caixa e enfrentar o aumento do endividamento.
  • Braskem e Cade: demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Agenda do dia

  • 09:00: Taxa de desemprego (jan) – Brasil. Dado é termômetro do aquecimento da economia e do consumo.
  • 09:30: Pedidos semanais de seguro-desemprego — EUA. Indicador ajuda a calibrar expectativas para o payroll de sexta-feira.
  • 12:00: Discurso de dirigente do Federal Reserve — investidores buscam sinais sobre juros.
  • 15:00: Balança comercial (fev) – Brasil.
  • 15:00: Estoques semanais de petróleo — EUA. Dado relevante para a dinâmica da commodity.
  • Ao longo do dia: mercado segue atento a novos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.

Ótima quinta-feira e bons negócios!

Mercados hoje: guerra no Oriente Médio continua no foco e petróleo segue em alta, acima de US$ 80 o barril

4 de Março de 2026, 07:32

Bom dia!
A quarta-feira (4) começa com um humor dos investidores um pouco melhor após a queda generalizada das bolsas no mundo e da subida do dólar. Os mercados reagiram ontem à escalada da guerra no Oriente Médio, com as ameaças do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, por onda passa um quinto do petróleo global. O dia também está cheio de indicadores. Na agenda dos EUA, saem dados de emprego privado pela ADP, que são vistos como uma prévia do “payroll”, o relatório de emprego oficial, que sai na sexta-feira (6). O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulga ainda o seu Livro Bege, com dados de atividade regionais, o que pode fornecer pistas sobre a visão da autoridade sobre os rumos dos juros.

Enquanto você dormia…

  • Lá fora, os investidores monitoram a escalada de tensões no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre o petróleo e a inflação global. Os futuros das bolsas de Nova York mantêm-se em leve alta, indicando recuperação parcial após as quedas de ontem: às 7h20, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,16% e o Nasdaq futuro seguia no mesmo ritmo com +0,16%.
  • Na Europa, os principais índices operam em alta nesta manhã. O Stoxx 600 sobe +0,74%.
  • Na Ásia, as bolsas asiáticas fecharam em queda. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -3,61%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu -2,01%.
  • O índice dólar (DXY) opera em queda de -0,21% aos 98,82 pontos. O petróleo Brent sobe mais +1,24% para US$ 82,41 o barril. O rendimento da Treasury de 10 anos tem leve alta para 4,075% ao ano.

Destaques do dia

  • A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
  • A reação mais imediata apareceu na commodity: o petróleo avançou nos mercados internacionais, reacendendo preocupações sobre inflação global.
  • E daí? Petróleo mais caro tende a beneficiar empresas do setor de energia e pressionar expectativas de inflação. No Brasil, petroleiras como Petrobras, que divulga seu balanço amanhã, e companhias ligadas à cadeia de óleo e gás tendem a se manter no radar.

Giro pelo mundo

  • Estreito de Ormuz fechado: declaração da Guarda Revolucionária do Irã sobre controle do Estreito de Ormuz elevou o risco geopolítico e impulsionou o petróleo.
  • Dados dos EUA no radar: investidores aguardam ADP de emprego e o Livro Bege do Fed para calibrar expectativas sobre atividade e juros.

Giro pelo Brasil

  • Compulsório liberado: o Banco Central liberou cerca de R$ 30 bilhões em compulsório em 2026 para ajudar bancos a recompor o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após efeitos ligados ao caso Master.

Giro corporativo

  • Reestruturação no GPA: a companhia contratou o escritório Munhoz Advogados para auxiliar na reestruturação de sua dívida.
  • Investimento na Raízen: a Shell pretende investir cerca de R$ 3,5 bilhões na empresa no Brasil, segundo o CEO da companhia. A Raízen é uma joint venture entre a empresa holandesa e a brasileira Cosan.

Agenda do dia

Ótima quarta-feira e bons negócios!

Show do trilhão: debêntures ‘usadas’ superam todo o volume do mercado de capitais ‘zero km’

23 de Janeiro de 2026, 17:54

O mercado secundário de debêntures já é maior do que todo o mercado primário de capitais. A compra e venda de títulos do gênero antes do vencimento movimentou um volume 13% maior do que a soma de todas as emissões feitas por empresas brasileiras em 2025.

Trata-se de um movimento que tem a ver com a entrada de cada vez mais investidores pessoa física no mercado de títulos privados, que oferecem um bônus de remuneração comparados aos títulos públicos (mais sobre isso adiante).

Esses títulos movimentaram quase um trilhão de reais ou, mais precisamente, R$ 947,4 bilhões no mercado secundário de debêntures no ano passado. Mais do que os R$ 838,8 bilhões que as empresas captaram por meio de emissões de títulos – contando ações, notas comerciais, notas promissórias, Fdics, FIIs, CRIs, CRAs e as debêntures primárias (vendidas diretamente pelas empresas).

Em tempo: o mercado secundário é o ambiente de negociação dos títulos “usados”, ou seja, aqueles já em circulação e que o investidor quer passar para a frente antes do vencimento. Já o primário se refere aos papéis “zero km” – os novos lançamentos, que as próprias empresas vendem ao público para levantar recursos.

Esse mercado de segunda mão cresceu de maneira acelerada principalmente nos últimos dois anos. Saltou de R$ 444 bilhões em 2023 para R$ 707 bilhões no ano seguinte, ou seja, um avanço de 59%. E de 2024 para 2025, o volume subiu para quase um trilhão de reais, com um incremento de mais 34%.

E agora o mercado secundário de debêntures já é quase duas vezes maior do que o mercado primário desses títulos. Veja aqui:

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O crescimento acelerado do mercado secundário mostra o seguinte: que o apetite dos investidores pelas debêntures cresceu mais rápido que a oferta.

E entra aí a fome do investidor pessoa física, principalmente no caso das debêntures incentivadas, que oferecem isenção de imposto de renda à pessoa física. Esse perfil de investidor adquiriu 12,2% desses títulos emitidos em 2025. Foi um crescimento expressivo na comparação a 2024, quando os aplicadores individuais responderam por 9,8% do volume.

As incentivadas bancam projetos de infraestrutura, e o governo as mantém livres de IR para estimular o setor. E o motivo da atração é óbvio. Há debêntures incentivadas pagando até IPCA+10% ao ano, por uma década. É bem mais do que os títulos do Tesouro para o mesmo período, que estão no patamar de IPCA+7%.

Claro que se trata de um prêmio por conta do risco. A hipótese de o Tesouro não pagar é basicamente nula. Já uma empresa pode falir e deixar seus credores na mão. É a velha ausência de almoço grátis: quanto maior a taxa, maior o risco.

De qualquer forma, a ascenção das debêntures se retroalimenta, tornando o ativo mais atraente. É que o crescimento do mercado secundário das debêntures ajuda na liquidez. Na prática, significa que o detentor do papel tem muito mais chances de vender o título antes do vencimento se precisar em lugar de ficar preso à aplicação por um período que pode alcançar mais de uma década.

As incentivadas, por exemplo, têm prazo médio entre 8 anos e 15 anos. Mas há muitos papéis que alcançam até 20 anos de duração – os projetos de infraestrutura que geram essas emissões costumam ser de longuíssimo prazo, afinal.

A MP que foi sem nunca ter sido

O cenário macroeconômico não foi o único fator de impulso a esse crescimento. Em meados de 2025, o governo editou uma medida provisória (MP) que derrubava a isenção de IR para todos os produtos até então isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA, FII e debêntures incentivadas. Isso a partir de janeiro de 2026. No fim, a ameaça não prosperou. A MP foi derrubada pelo Congresso em outubro do ano passado.

No entanto, durante todo o terceiro trimestre, houve uma espécie de corrida aos produtos isentos, porque as regras preservavam os investimentos feitos antes de 2026. Além dessa MP, o governo conseguiu aprovar uma reforma do próprio IR, que instituiu uma tributação de lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas com renda não tributada acima de R$ 600 mil por ano.

Essa mudança, que passou a valer a partir deste mês, incentivou a migração de recursos para instrumentos isentos. A avaliação de Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, reforça essa percepção. “A perspectiva de mexer nos títulos isentos e o potencial impacto da tributação de dividendos podem ter dado um impulso extra no terceiro e quarto trimestres.”

As emissões de debêntures incentivadas em 2025 cresceram 31,7% comparadas a 2024 para R$ 178 bilhões. Trata-se do nível mais elevado da série histórica da Anbima, que remonta a 2012.

Efeito Will Bank faz CDBs do Pleno (ex-Voiter) saltarem a até 170% do CDI

23 de Janeiro de 2026, 12:43

O trauma do caso Banco Master e Will Bank tem impactado o mercado secundário de títulos de renda fixa de outras instituições. Os investidores têm vendido com grandes descontos CDBs, LCIs e LCAs de duas instituições envolvidas em algum grau na história do conglomerado liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

As LCIs e LCAs do Banco de Brasília (BRB) têm sido oferecidas nas plataformas digitais a taxas de 108% do CDI. Vale lembrar que, como são papéis isentos de imposto de renda sobre os rendimentos, esses níveis de retorno equivalem a 139% do CDI em produtos com IR, como os CDBs.

Já os CDBs do antigo banco Voiter, que mudou de nome para Pleno, aparecem com taxas de até 170% do CDI.

O Banco Pleno foi adquirido em julho de 2025 por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-CEO do Banco Master, com aval do Banco Central — mesmo enquanto as autoridades já investigavam irregularidades relacionadas ao Master.

Lima chegou a ser preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Master, mas o Banco Pleno não foi alvo direto dessa investigação e segue operando sob nova direção.

Já o O BRB tem enfrentado uma série de questionamento das agências de rating. A Fitch rebaixou as notas de crédito do banco ema 26 de novembro e colocou em observação negativa. A agência citou enfraquecimento da governança e doscontroles de risco, além de suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

A Moody’s e a S&P Global retiraram todos os ratings (global e nacional) do BRB, que estavam sob observação negativa devido a questões de governança e gestão de risco. A S&P informou que a retirada foi feita a pedido do banco.

A mecânica das taxas

Vale lembrar que as taxas no mercado secundário são um termômetro do risco percebido pelos investidores. Isso porque os retornos oferecidos, na verdade, representam descontos sobre a remuneração original do papel.

O mercado secundário é o ambiente onde os detentores de títulos já emitidos vendem os papéis antes dos vencimentos. Quando querem se desfazer rapidamente dos CDBs e outros investimentos precisam oferecer descontos que se traduzem em taxas mais elevadas do que a originalmente contratada.

E como isso funciona? Os papéis são comercializados por meio das corretoras. É um processo semelhante ao do mercado de carros usados, onde o dono do veículo pode tanto deixar em consignação na vitrine da loja, quanto vender para a própria concessionária, que, depois, negocia com lucro.

Para passar o título para frente oferecendo uma taxa mais alta do que aquela pela qual comprou o papel, o investidor precisa vender por um preço menor do que o atual.

Por exemplo. Imagine um título a 110% do CDI com mais um ano de prazo e CDI de 15% ao ano. Vamos considerar que o valor atual do título, calculado a partir da aplicação das taxas contratadas, ou seja, o valor justo, seria de R$ 1.000. Para que esse mesmo título seja vendido no mercado secundário pagando 150% do CDI, o vendedor oferece um desconto sobre esse preço. Nesse caso, teria de vender o papel a R$ 951.

Liquidação e atraso do FGC

O trauma dos investidores não vem só da liquidação do conglomerado Master. Houve também a demora de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que reduziu significativamente o que, de fato, os investidores obtiveram de retorno com as aplicações.

Questionamentos do Tribunal de Contas da união (TCU) feitos ao Banco Central sobre o processo de liquidação do Master atrasou o início dos pagamentos por mais de dois meses. Com isso, o dinheiro dos investidores de CDBs do banco ficou parado sem rendimento, o que corroeu o retorno prometido originalmente.

Quem comprou um CDB do Master a 120% do CDI em janeiro do ano passado, por exemplo, vai receber, na verdade, algo perto de 102% do CDI. Isso porque o recurso ficou sem rendimento desde 18 de novembro, data da liquidação do banco. Ou seja, o risco não valeu a pena.

Isso porque o investidor poderia ter obtido retorno semelhante por meio de títulos de bancos de grande porte, com perfil muito mais sólido e sem ter de passar pelo estresse da liquidação e da espera pelo FGC.

Estrangeiro movimentou quase R$ 3 trilhões na bolsa brasileira em 2025. Saiba quais foram as ações preferidas

20 de Janeiro de 2026, 14:07

Já virou até lugar comum falar que quem aproveitou mesmo a alta da bolsa brasileira no ano passado foram os estrangeiros. Mas os dados da B3 dão uma dimensão do tamanho desse fluxo.

O chamado investidor não residente negociou R$ 2,8 trilhões em ações no mercado brasileiro à vista entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados da plataforma Datawise+, da B3 e Neoway.

O dinheiro de fora foi responsável por 62% do movimento total das ações brasileiras. Os dados da B3 mostram que se ampliarmos ainda mais o universo de ativos de renda variável, considerando além do mercado à vista, os BDRs, ETFs e fundos imobiliários (FII), a cifra pula para astronômicos R$ 3,5 trilhões.

O fluxo de fora aumentou em 15% comparado aos R$ 2,4 trilhões de 2024.

Só em dezembro de 2025, os estrangeiros negociaram R$ 255 bilhões, um crescimento de 6% na comparação com o mesmo período de 2024.

As ações preferidas dos estrangeiros foram:

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A lista coincide em grande parte com as ações de maior peso no Ibovespa. Do top 10 por esse quesito, não constam da lista acima apenas Axia, BTG e Embraer.

Já entre as que não estão entre as 10 maiores do Ibovespa, mas fazem parte das preferidas dos estrangeiros, temos WEG, Banco do Brasil e Ambev.

Renda fixa em 2026: o que esperar dos títulos atrelados ao CDI, prefixados e IPCA+

5 de Janeiro de 2026, 15:02

Os próximos 12 meses dificilmente se parecerão com os últimos 12. A afirmação do é do CEO da Sparta, Ulisses Nehmi, e ela define, em boa medida, como será o ano novo da renda fixa. Se 2025 foi um período de bonança para investimentos atrelados à Selic, 2026 será um meio termo.

Mesmo com a taxa básica de juros ainda em patamar elevado, a zona de conforto de juros no maior patamar em quase 20 anos vai começar a diminuir. Afinal, se nenhum “cisne negro” aparecer pelo caminho, a taxa básica deve cair e levar o investidor a deixar gradativamente o porto seguro em busca de mais diversificação.

Ainda assim, mesmo com a potencial da mudança no cenário de juros, é preciso ter em perspectiva os principais fatos relativos ao cenário da renda fixa no ano que vem para o investidor:

  • Apesar da possível queda da Selic e, consequentemente do CDI, os títulos pós-fixados ainda vão se beneficiar do juro real – quando descontamos a inflação – muito alto. O relatório Focus, do Banco Central, mostra que a mediana de estimativas do mercado coloca a taxa básica em 12,25% ao ano no fim de 2026. O IPCA, por sua vez, pode recuar para 4,05% no período. Isso significa uma taxa real de 8,19% ao ano daqui a 12 meses.
  • Se o cenário previsto pelo Focus prevalecer, com um corte de 2,75 ponto percentual, o nível do CDI vai se reduzindo gradativamente ao longo do ano. Nas premissas do mercado, o retorno médio do referencial pós-fixado em 2026 estaria em 13,6% ao ano, portanto, em um patamar muito próximo do acumulado em 2025, de 13,95%.
  • Em um cenário de volatilidade elevada devido às eleições, os títulos pós-fixados vão ser muito importantes para os investidores se protegerem contra os altos e baixos do mercado, mesmo com uma redução do retorno do CDI e da Selic.
  • Essa volatilidade vai ser mais sentida pelos papéis prefixados e atrelados à inflação (IPCA+) com vencimentos mais longos. Quanto mais distante esse prazo, mais volátil é o comportamento do título na marcação a mercado, ou seja, o preço vai variar diariamente de acordo com as notícias eleitorais, fiscais, de política monetária e geopolíticas.
  • O cenário de corte de juros pela frente, com expectativas de inflação ancoradas e a melhora da percepção de risco macroeconômico tendem a fechar a curva de juros, ou seja, reduzem os prêmios embutidos nos contratos futuros. Com isso, o momento seria favorável para os títulos prefixados e os IPCA+, em especial os de prazos intermediários, que podem se valorizar ao longo de 2026.
  • Como o nível de juro real dos papéis prefixados e IPCA+ está historicamente elevado, acima de 7% ao ano há uma janela para o investidor “travar” esse retorno por um prazo mais longo. Ou seja, quem carregar os títulos até o vencimento pode se beneficiar desses rendimentos por vários anos e aproveitar o efeito dos juros compostos. Um título prefixado com rendimento de 7% acima da inflação (casos dos IPCA+ de hoje) dobra o seu capital em 10 anos – em termos reais; ou seja, R$ 100 mil de hoje se transformam em R$ 200 mil de hoje daqui a uma década (caso o IPCA fique em 4% ao ano, isso significa R$ 284 mil em valor nominal).

Os riscos para 2026

Um fator importante no processo de reprecificação na renda fixa será o ritmo dos corte de juros. A gestora ASA prevê uma aceleração das reduções ao longo do primeiro semestre de 2026. Na visão do diretor de macroeconomia da gestora e ex-diretor do BC, Fabio Kanczuk, a Selic deve terminar o próximo ano em 11,50%. “A gente enxerga os juros abaixo de 12% no fim de 2026 e isso significa dar um corte de 0,75 ponto percentual no meio do caminho.”

Caso isso aconteça, o saldo de quem tem prefixados e IPCA+ na carteira tende a subir com força, provavelmente acima do CDI. Pois essa é a mecânica: o valor deles cresce conforme a expectativa para o futuro da Selic cai – algo que tende a acontecer num cenário de queda mais acelerada da Selic “no presente”.

Quais os riscos para 2026? Na visão de Kanczuk, o principal é que a curva de juros embute nos preços a perspectiva de um ajuste fiscal após as eleições, seja quem for eleito. “O fiscal ficou bem mais fragilizado a partir deste ano. Houve muitas mudanças nas regras e isso não se refletiu numa dinâmica muito pior dos preços dos ativos. Isso em grande medida porque o mercado está encomendando um ajuste fiscal a partir de 2027.”

Se as sinalizações dos líderes das pesquisas eleitorais forem no sentido contrário, ou seja, de ampliar os gastos públicos a partir de 2027, pode haver um estresse na curva de juros para refletir essa perspectiva. Isso significa que as taxas reais podem subir ainda mais e, consequentemente, reduzir o saldo de quem tem títulos prefixados e atrelados à inflação na carteira.

Crédito privado ainda pede seletividade

Com a aproximação do início do ciclo de queda da Selic, o mercado de crédito privado deve atravessar uma fase de transição.

A redução da Selic costuma reativar o interesse por classes de maior risco, caso dos títulos de renda fixa emitidos por empresas. No cenário de queda de juros, podem surgir oportunidades de entrada em títulos isentos de imposto de renda, como as debêntures incentivadas e os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio( CRA). Como o fluxo de recursos tende a a migrar para outros ativos, o chamado “spread”, ou seja, o prêmio pedido pelos investidores acima do retorno de papéis do Tesouro, pode subir novamente.

Ao longo de 2024 e 2025, esse prêmio ficou muito reduzido diante da elevada demanda pelos títulos isentos. Houve casos de companhias com perfil de crédito mais elevado, como Vale e Petrobras, que emitiram debêntures incentivadas com spread negativo, ou seja, com retorno nominal abaixo de títulos públicos de vencimentos semelhantes.

A Sparta enxerga o ambiente em um rumo de normalização, “menos dependente de fluxo e mais orientado por preço relativo e fundamentos”. Por isso, “continuamos construtivos nas estratégias indexadas ao IPCA e nas prefixadas para incentivados, onde a queda nas taxas de juros tende a ser o principal motor de retorno”.

Os analistas Viviane Silva, Melina Constantino e Fernando Cunha, do BB Investimentos, ressaltam o papel defensivo da renda fixa, incluindo o crédito privado, nos portfólios em meio a um ano que tem tudo para vivenciar muitos altos e baixos nos mercados. “A maior volatilidade registrada em outras classes de ativos reforça o espaço para que a renda fixa permaneça relevante na composição de portfólios.”

Para 2026, no caso do crédito privado a casa recomenda aos investidores manter uma estratégia conservadora e seletiva, de papéis de companhias com perfil de crédito mais elevado e fundamentos mais sólidos, o chamado “high grade”. “Embora a projeção de retornos seja mais modesta em comparação com ativos de maior risco – o ‘high yield’ –, os níveis altos de taxas dos juros reais e o incentivo fiscal continuam, em nossa visão, mantendo a competitividade da classe.”

Número de investidores de varejo em FIDCs cresce mais de 14 vezes em um ano

26 de Dezembro de 2025, 11:09

A quantidade de investidores de varejo que aplicam em fundos de investimentos em direitos creditório (FIDCs) aumentou mais de 14 vezes em um ano. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que a quantidade de contas desse perfil saltou de 2,4 mil em novembro de 2024 para 34,3 mil no mesmo mês deste ano. Trata-se de um avanço de 1.329%.

Mas os investidores de varejo não são a maioria nesse segmento. Os qualificados – aqueles com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações – representam mais de 72% das contas totais. São 239,7 mil qualificados ante um universo de 333 mil investidores.

E o chamado perfil profissional, ou seja, de quem tem mais de R$ 10 milhões em patrimônio financeiro quase empatam com o varejo. São 31,5 mil contas dessa faixa que aplicam em FIDCs, conforme dados de novembro.

O patrimônio líquido dos fundos de direitos creditórios caminha para chegar perto da barreira do trilhão em 2026, se mantiver o ritmo de crescimento deste ano. De novembro de 2024 até o mesmo mês de 2025, o volume aumentou em R$ 168 bilhões ou 22% de crescimento para R$ 741 bilhões.

O forte crescimento do varejo na base dos Fidcs é uma consequência direta da mudança de regulação. Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mudou as regras para permitir que os produtos sejam oferecidos ao investidor em geral. Até dois anos atrás, só ps perfis qualificado e profissional podiam acessar esses fundos.

“A tendência é de crescimento consistente dessa classe, impulsionada pela ampliação do uso de instrumentos de crédito estruturado e pelo interesse crescente do varejo”, afirma Julya Wellisch, diretora da Anbima.

número de gestoras de FIDCs cresceu 14,5% no mesmo período, saindo de 372 para 426 casas. Já o volume captado em ofertas de fundos do gênero também foi expressivo. De dezembro de 2024 a novembro de 2025, houve R$ 90,1 bilhões em emissões, com outros fundos de investimento sendo os principais compradores.

E como funciona o FIDC? Esse tipo de fundo negocia um direito de crédito, o recebível. Por serem operações montadas caso a caso para as empresas, é comum chamarem os FIDC dívida estruturada.

O FIDC compra esses recebíveis, por exemplo, de um estabelecimento comercial, como uma loja ou um supermercado. Na prática, pode adquirir esses direitos creditórios de qualquer tipo de empresa que tenha um recebível.

Depois, a gestora passa para a parte de disponibilizar as cotas para os investidores. O dinheiro aplicado é usado para financiar a empresa na outra ponta. Nessa estrutura, o fundo, na prática, oferece um crédito para quem precisa de caixa, que cede os recebíveis com desconto em troca de recursos imediatos, ou seja, uma operação de antecipação de recebíveis.

Os cotistas, por sua vez, participam dos lucros dessa antecipação. O investidor passa a lucrar com os juros e retornos embutidos na operação. O risco é de haver inadimplência de quem precisa pagar o recebível.

Os riscos dos FIDCs, em geral, são diferentes de acordo com o tipo de cota que os investidores têm na carteira. Na oferta, esses fundos trazem diferentes perfis de participação, que diferem ente si, entre outras condições, sobre quem recebe primeiro e quem absorve as perdas antes caso algo dê errado.

Há, basicamente, três tipos: a subordinada (júnior), a mezzanino e a sênior. A primeira absorve primeiro as perdas por inadimplência nos créditos do fundo, mas tem um potencial de ganho maior.

A mezzanino é um tipo de subordinada, mas com um risco menor. Também precisa arcar com os prejuízos, caso as subordinadas principais não sejam suficientes. Com isso, também tem um potencial de retorno superior ao das seniores, mas menor do que as juniores.

Já o terceiro tipo, as seniores, continua recebendo normalmente, mesmo com um certo grau de inadimplência. Devido a essa proteção, a CVM permitiu o acesso de investidores de varejo apenas a esse tipo de cota.

Qual o risco? É o de que o nível de inadimplência seja tão alto que esgote a proteção oferecida pelas subordinadas e isso afete o retorno. A cota sênior recebe penas o que foi acordado na aplicação, enquanto as subordinadas repartem o ganho restante sem limitações.

Bitcoin sobe mais de 1%, mas acumula queda de dois dígitos no ano

26 de Dezembro de 2025, 09:13

O mercado cripto se encaminha para fechar 2025 menor do que iniciou. A capitalização total recuou 10,24% desde 26 de dezembro de 2024. Saiu de US$ 3,32 trilhões para os atuais US$ 2,98 trilhões, conforme dados do site CoinMarketCap.

Entre as criptomoedas, o bitcoin (BTC) mantém a hegemonia com com um valor total de US$ 1,77 trilhão, ou seja, cerca de 60% de todo o mercado. De 26 de dezembro para cá, a principal cripto do global perdeu 10,7% do valor.

O BTC viveu momentos distintos ao longo de 2025. Chegou mesmo a alcançar a máxima histórica. Em 6 de outubro alcançou uma cotação recorde de US$ 126 mil, impulsionada pelo efeito Trump, após o presidente americano ter criado uma reserva estratégica de BTCs e seu governo ter acelerado a criação de leis e regulações para o setor.

Mas a partir desse auge, passou a recuar sob a pressão de saídas relevantes de recursos dos ETFs de bitcoin. Do pico histórico ao momento atual, o bitcoin caiu 30%.

O ethereum (ETH), por sua vez, registrou uma queda de 16,3% em seu valor de mercado nos últimos doze meses. A segunda maior moeda do setor recuou de US$ 3.492 para a faixa de US$ 2.971. A queda do ETH ocorre, principalmente, com o acirramento da concorrência com plataformas de contratos inteligentes mais novas e atraentes para os novos desenvolvedores.

Em 2025, quem brilhou mesmo foram as stablecoins de dólar, ou seja, moedas digitais pareadas e com lastro na moeda americana. Essas versões de dólar digital descentralizadas criaram um mercado próprio tanto como refúgio de valor, quanto como forma de substituir remessas e transferências de valores internacionais. Entre as duas mais importantes do mercado, a USDT, da Theter, movimenta mais de US$ 71 bilhões por dia, enquanto a USDC, da Circle, mantém um giro diário de US$ 10 bilhões.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h:

Bitcoin (BTC):  +1,24%, US$ 88.569,24

Ethereum (ETH): -3,19%, US$ 2.964,98

XRP (XRP): +0,73%, US$ 1,87

BNB (BNB): +0,30%, US$ 839,51

Solana (SOL): +1,81%, US$ 123,82

Outros destaques do mercado cripto

M&As criptos quadruplicam de valor em um ano. O setor de criptomoedas registrou um volume recorde de US$ 8,6 bilhões em fusões e aquisições em 2025, segundo levantamento do Financial Times. Conforme o jornal,  267 negócios foram fechados na indústria cripto no ano, um aumento de 18% em relação a 2024. Já o valor total representa um salto de quase 300% em comparação com o ano passado. A Coinbase realizou a maior aquisição do ano com a compra de US$ 2,9 bilhões da plataforma de negociação de opções cripto Deribit. Outras grandes fusões incluem a aquisição de US$ 1,5 bilhão da Kraken pela plataforma de futuros NinjaTrader, e a compra da Hidden Road pela Ripple US$ 1,25 bilhão.

Leilão na blockchain. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) fará um leilão de dez galpões utilizando o site da Nordeste Leilões e uma infraestrutura blockchain para registro de dados que a InspireIP desenvolveu. Todos os documentos do processo, como edital, laudos, fotos, anexos, retificações e toda a trilha de alterações foram registrados em blockchain. O objetivo é que o carimbo de data e hora assegure a integridade e a autenticidade das informações. A data do leilão ainda não está definida.

A música do bitcoin. O Ministério da Cultura (MinC) homologou o projeto cultural “Música do Bitcoin” para a fase de captação de recursos via leis de incentivo. A proposta recebeu o aval do governo para buscar o montante R$ 1 milhão junto à iniciativa privada. A empresa Rede Conexão Brasília aparece como a titular responsável pela execução da obra: a criação de um espetáculo de música instrumental que envolve a utilização de dados financeiros e da rede blockchain para a composição das peças sonoras.

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Mercados hoje: liquidez reduzida pode trazer volatilidade em dia com poucos indicadores

26 de Dezembro de 2025, 07:31

Bom dia!
A sexta-feira, 26 de dezembro, começa em clima de pós-Natal: vários mercados na Europa e na Ásia se mantêm fechados com uma emenda de feriado conhecida como “Boxing Day”. Com baixa liquidez, a maior parte dos investidores está fora do mercado abrindo seus presentes. Os poucos na linha de frente vão se manter cautelosos nos negócios. No Brasil, os termômetros (de verdade) devem superar os 30 graus, mas no mercado o dia deve se manter morno e as operações, com gostinho de ceia requentada.

Enquanto você dormia…

  • O feriado em vários mercados deixa o volume baixo. Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York se mantêm em leve queda: o S&P 500 futuro recua -0,05% e Nasdaq futuro em baixa de -0,02%.
  • A maior parte da Europa está no modo de feriado do “Boxing Day”. Com grande parte das bolsas fechadas, o volume financeiro permanece baixo. O índice europeu Stoxx 600 sobe +0,33%.
  • Na Ásia, parte dos mercados também está fechada por conta do “Boxing Day”. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em alta de +0,68%. O Hang Seng, de Hong Kong, encerrou com subida de +0,17%.
  • O índice dólar (DXY) opera estável perto de mínima de 2 meses, com alta de +0,11% aos 98 pontos. O petróleo Brent sobe +0,16% a US$ 62,36 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos estão em 4,15% ao ano.

Destaques do dia

  • A sexta-feira tem poucos indicadores para mover o mercado, mas, com um dia de baixa liquidez, os dados do Banco Central podem aumentar a relevância como catalisadores para os poucos negócios. A autoridade divulga a nota de crédito de novembro e o fluxo cambial semanal.
  • O crédito ajuda a medir o “pulso” de concessões, estoques e custo do dinheiro; fluxo cambial mostra se entra ou sai dólar do país — e, com pouca liquidez, o impacto pode aparecer mais rápido no câmbio.
  • E daí? Se o crédito surpreender (para cima ou para baixo) e o fluxo vier muito negativo ou positivo, pode mexer com a leitura de atividade e com o humor do pregão.

Giro pelo mundo

Giro pelo Brasil

  • BC no foco: crédito (8h30) e fluxo cambial (14h30) devem concentrar atenções num dia de agenda externa esvaziada.
  • Liquidez: retomada pós-feriado costuma aumentar a sensibilidade do câmbio a dados e fluxo — especialmente no fim de ano.

Giro corporativo

  • Canetas emagrecedoras: UBS estima mercado brasileiro de GLP-1 em R$ 11 bilhões em 2025 e perto de R$ 20 bilhões em 2026; gatilho é a expiração da patente da semaglutida em 20 de março de 2026 (prazo mantido pelo STJ).

Agenda do dia

Ótima sexta-feira e bons negócios!



À espera da Selic: por que 2026 virou o ano-chave dos fundos imobiliários

24 de Dezembro de 2025, 06:00

O mercado de fundos imobiliários vive em um dos momentos de maior ansiedade em, pelo menos, quatro anos. Tudo por conta da perspectiva de queda de juros em 2026. E não é para menos: a redução da Selic pelo Banco Central vai impactar quase que diretamente o valor das cotas desses portfólios.

Para os fundos imobiliários listados na bolsa, a reação aos cortes de juros é um movimento muito mais rápido e direto comparado àquele que ocorre no mercado imobiliário físico. Nesse caso, o ciclo de redução da Selic atua por meio do aumento de demanda pelo crédito, com a diminuição dos custos de financiamento.

No caso dos FIIs, o mecanismo é outro. É que a remuneração dos fundos se assemelha, na prática, a dos títulos públicos atrelados à inflação – o Tesouro IPCA+ (NTN-B). Grosso modo, é como se a valorização do imóvel no longo prazo pagasse a inflação, e a renda mensal que o fundo deposita na conta se torne o ganho real, aquele além do índice de preços.

Como se trata de uma aplicação com risco maior do que o dos títulos do Tesouro, os investidores pedem um prêmio sobre o rendimento das NTN-Bs de vencimentos mais distantes. Quando há uma elevação na curva de juros futuros longos (como aconteceu em 2025), o mercado se ajusta, ou seja, o preço das cotas cai e o “yield”, que é a relação entre o retorno com dividendos e o valor da cota, sobe.

Quando acontece uma queda de juros, o movimento ocorre ao contrário: os valores das cotas sobem, mas os yields caem. Ainda que a Selic seja uma taxa de curto prazo, o movimento de redução tende a movimentar os juros mais longos. Isso porque as expectativas se ajustam às perspectivas de menor custo de financiamentos e melhora da atividade econômica, em meio a uma inflação controlada. E é justamente o que se espera para 2026.

A onda da valorização

O momento tende a ser favorável para quem busca ganhar com o movimento de elevação dos preços das cotas ao longo do próximo ano. De acordo com o CEO da Integral Brei, Vitor Bidetti, há uma oportunidade para investidores se posicionarem até o início do ano, se quiserem aproveitar o potencial ciclo de queda da Selic.

“Entendo que 2026 pode ser um período de virada do mercado. Em períodos anteriores, a gente sempre viu os imobiliários dando uma arrancada relativamente forte após o início do ciclo de queda de taxa de juros.”

Para a sócia e diretora de Investimentos Imobiliários da Rio Bravo, Anita Scal, “agora é o momento de o investidor entrar para conseguir surfar a valorização da cota, além de aproveitar o dividendo ainda alto”. A especialista, no entanto, alerta: quem esperar o cenário macroeconômico melhorar ou decidir se posicionar apenas depois de o BC fazer o primeiro movimento corre o risco de deixar a onda passar. “O investidor, simplesmente, pode perder essa janela.”

O futuro do Ifix

Os especialistas veem um rali em potencial para 2026, mesmo com o Índice de Fundos Imobiliários da B3 (Ifix) em território amplamente positivo neste ano. O referencial acumula alta de 19,65% até 22 de dezembro, quando se somam a valorização das cotas e os ganhos com dividendos. O desempenho ganha do CDI, mas perde do Ibovespa, que sobe 31,7% no período.

Scal, porém, observa que a elevação no ano, basicamente, reduziu os descontos médios vistos nas negociações na bolsa. Outro ponto importante é que o segmento tem pouquíssima participação de estrangeiros, ao contrário das ações que, até o momento, têm tido um desempenho puxado pelos recursos de fora.

Nesse cenário, se a queda de juros levar investidores a deixarem o conforto da renda fixa, parte desses recursos deve voltar para os FIIs. Um fluxo maior pode estender a alta do Ifix ao longo do próximo ano.

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A volta das ofertas?

Além disso, a perspectiva de um ritmo mais forte para a redução da Selic também anima os gestores. A mediana de estimativas da Focus coloca a Selic em 12,25% no fim de 2026. Isso representa um corte de 2,75 pontos percentuais no ano que vem. Como o BC vai fazer oito reuniões para decidir o rumo dos juros de janeiro a dezembro, teria de fazer cortes de, pelo menos, 0,5 ponto percentual em, pelo menos, metade desses encontros.

Outra aposta dos gestores é sobre a retomada de listagens de novos fundos na bolsa e um aumento das emissões, o que tende a ajudar a aquecer ainda mais o mercado. “Muitos fundos já estão se preparando para fazer follow-ons (ofertas subsequentes de cotas) ou para se listarem na bolsa”, diz Scal.

Bidetti, da Integral, enxerga a possibilidade de o mercado destravar as ofertas iniciais de novos FIIs (IPO) já no primeiro semestre de 2026. A abertura de capital de novos fundos na B3 está paralisada há mais de três anos,

Eleições no radar

O movimento de IPOs, porém, pode desacelerar na medida em que as eleições se aproximarem, no segundo semestre. Conforme a diretora da Rio Bravo, a volatilidade será pontual, mas tende a travar o mercado se for muito forte.

Essa instabilidade pode tornar os investidores mais cautelosos e segurar as captações, enquanto a incerteza persistir. “No momento em que sai uma pesquisa e o mercado não gosta, as cotas começam a cair e fica mais difícil sair uma operação.” 

O CEO da Integral lembra, porém, que o ciclo de juros será uma força mais duradoura e mais impactante para o mercado dos fundos imobiliários. “O ano eleitoral traz volatilidade maior do que em outros momentos, mas o mais importante é a tendência. O ciclo de juros vai durar 2026 inteiro e, provavelmente, se estender até 2027. Depois das eleições, será mais significativo saber se os juros vão cair para um dígito.”

Corrida dos dividendos esquenta: empresas já aprovaram mais de R$ 124 bilhões no 4º trimestre

17 de Dezembro de 2025, 11:08

A corrida dos dividendos e dos juros sobre capital próprio (JCP) antes do fim da isenção atingiu a temperatura máxima. Mais e mais empresas anunciam a distribuição de proventos em dezembro para aproveitar a janela que acaba no fim do mês. Um levantamento do Itaú BBA mostra que o montante anunciado já atingiu R$ 124,1 bilhões desde outubro. E isso pode ser um combustível para o mercado de ações, ao menos no curto prazo, na visão de especialistas.

Trata-se de um crescimento de 126% comparado ao valor do terceiro trimestre de 2025, segundo levantamento feito pelo chefe de estratégias de renda variável do Itaú BBA, Daniel Gewehr. A distribuição anunciada também cresceu 34,6% ante os últimos três meses de 2024.

Do total de R$ 124 bilhões anunciados, R$ 52,9 bilhões serão pagos ainda em 2025, enquanto outros R$ 57,8 bilhões ficarão para 2026.

O ranking dos maiores pagadores

No topo da lista por valores nominais, destacam-se gigantes como a Vale, com R$ 15,3 bilhões, a Petrobras, com R$ 12,2 bilhões, e a Ambev, com R$ 11,5 bilhões. Já em termos de taxa de retorno por ação, conhecido como “dividend yield“, o pódio é formado por quatro incorporadoras: a LOG Commercial Properties, com 15,5%, seguido da Direcional, que apresenta um dividend yield de 9,2%, e empatadas em terceiro, Syne e Cyrela, ambas com 8,6%.

Conforme o Itaú, em termos setoriais, quem distribuiu mais proventos até agora foam as companhias financeiras, com um volume total de R$ 36,4 bilhões. Em seguida aparecem os grupos de materiais básicos, com R$ 18,4 bilhões, e consumo básico, com R$ 13 bilhões.

Vem muito mais por aí

Mas a casa de análise espera muito mais. Até o fim do ano, os especialistas veem possibilidade de, pelo menos, mais 20 empresas anunciarem novas distribuição de lucros. Conforme os analistas, diante das estimativas de reservas de lucros e as estratégias de alocação de capital, várias companhias listadas podem anunciar um volume de dividendos e JCP de “magnitude similar ao que já foi anunciado”.

O Itaú BBA afirma ainda que um grupo de 20 empresas – com destaques para os setores financeiro e imobiliário – podem anunciar proventos com retornos (dividend yields) acima de 5% ao ano.

Entre as empresas que anunciaram nesta semana a distribuição de dividendos e JCP, a LOG Comercial Properties, especializada em espaços logísticos, ultrapassou a meta de “payout” para o ano, ou seja, vai distribuir um percentual maior do lucro do que os 50% previstos inicialmente para 2025. O grupo aprovou na terça-feira (16) o pagamento de dividendos intermediários no valor total de R$ 278,6 milhões, correspondentes a R$ 3,1876 por ação ordinária.

A nova distribuição elevou o total distribuído em 2025 para R$ 346 milhões, com retorno por ação de 15,5% anual, ou seja, superando o CDI. O diretor financeiro (CFO) e de relações com investidores (RI) da companhia, Rafael Saliba, explica que a companhia ainda não “guidance”, ou seja, indicação de metas para 2026. Porém as perspectivas para os proventos são positivas, porque o próximo ano vai ter diversos fatores de impulso para o setor, como, por exemplo, a possibilidade de um ciclo de corte de juros.

Várias companhias se juntam à corrida

A Vivo foi outra companhia que aprovou nesta semana o pagamento de R$ 350 milhões em JCP. O valor por ação será de R$ 0,11. Terão direito ao provento os acionistas com posição acionária até 29 de dezembro de 2025. O pagamento será realizado até 30 de abril de 2026.

O conselho da administradora de shoppings Allos aprovou nesta quarta-feira o pagamento de R$ 438 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,29 por ação. O valor será distribuído em três parcelas iguais de R$ 146 milhões cada, com base na reserva para investimentos do balanço de 2024.

A companhia aprovou R$ 255 milhões em juros sobre capital próprio, com valor bruto estimado de R$ 0,75 por ação. O pagamento ocorrerá até 31 de dezembro de 2026 e ações negociadas ex-JCP a partir de 22 de dezembro de 2025.

Nessa corrida dos dividendos, também entraram a Camil Alimentos, que distribuir R$ 420 milhões em dividendos, em 12 parcelas entre março de 2026 e dezembro de 2028; e a M. Dias Branco, que terá dividendos extraordinários de R$ 200 milhões, equivalentes a R$ 0,59 por ação, com data máxima para ter direito a receber quem tiver posição acionária até 21 de dezembro.

Mercados hoje: investidores mantêm foco total para os dados de emprego nos EUA e a ata do Copom no Brasil

16 de Dezembro de 2025, 07:32

Bom dia!
A terça-feira, 16 de dezembro, começa com os mercados no modo cautela antes da divulgação de dados importantes para as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Lá fora, investidores aguardam uma bateria de indicadores nos EUA, como o relatório do mercado de trabalho, o “payroll“, que atrasou com a paralisação do governo entre outubro e novembro. Por aqui, a ata do Copom é o principal prato do dia. O documento do nosso BC pode ajudar a fornecer pistas sobre os rumos dos juros em 2026, É dia de ler com calma e reagir sem pressa.

Enquanto você dormia…

  • O mercado internacional em ritmo contido: investidores evitam grandes apostas antes dos dados americanos. Os futuros das bolsas de Nova York mantêm queda antes do payroll: às 7h20, o S&P 500 futuro tem recuo de -0,40% e o Nasdaq futuro cai -0,57%.
  • Na Europa, o índice Stoxx 600 tem queda de -0,16%.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa, pressionada por ações de tecnologia e por novas dúvidas sobre o ritmo da economia chinesa. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com queda de -1,56% e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou -1,54%.
  • O índice dólar (DXY) está praticamente estável com leve queda de -0,10% aos 98,21 pontos. O petróleo Brent tem forte queda de -1,80% para US$ 59,47 o barril. Os juros do Treasury de 10 anos se mantêm em 4,17% ao ano.


Destaques do dia

  • Ata do Copom e pacote de dados nos EUA concentram as atenções. O mercado busca sinais mais claros sobre o balanço de riscos, especialmente a avaliação do BC sobre inflação, atividade e política fiscal. O índice de atividade do BC, o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB e divulgado na segunda-feira (15), mostrou retração de -0,2% em outubro ante setembro em mais um sinal de desaceleração econômica. A leitura reforçou a visão de que os cortes de juros estão próximos.
  • Nos Estados Unidos, o dia é carregado: saem os relatórios de emprego de outubro e novembro, divulgados com atraso após a paralisação do governo, além das vendas no varejo e dos índices de gerentes de compras (PMIs). Para o payroll, o consenso aponta criação modesta de 40 mil vagas em novembro, taxa de desemprego em 4,4% e crescimento fraco das vendas no varejo.
  • E como isso impacta os mercados? Um conjunto de dados mais fracos nos EUA pode aliviar a pressão sobre os juros globais e ajudar ativos de risco. Já uma ata do Copom mais dura tende a manter a curva de juros doméstica pressionada, com reflexos diretos em câmbio e na bolsa.


Giro pelo mundo

  • Elétrico na berlinda: a Ford anunciou que vai reconhecer US$ 19,5 bilhões em encargos ligados à reestruturação de sua operação de veículos elétricos, com mudanças no portfólio e metas de tornar o negócio lucrativo até 2029.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no centro do debate: o documento pode ajustar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros em 2026 e influenciar diretamente os contratos de juros futuros ao longo do dia.
  • Atividade em desaceleração: o IBC-Br mostrou queda de 0,2% em outubro, reforçando o debate sobre perda de fôlego da economia no segundo semestre.

Giro corporativo

  • Braskem: a gestora IG4 acertou os termos para assumir o controle da companhia, com apoio de bancos credores e participação da Petrobras. O acordo ainda depende de aprovações regulatórias e pode levar até 60 dias para ser formalizado.
  • Mineração de ouro: a chinesa CMOC fechou a compra de ativos de ouro no Brasil que pertenciam à Equinox por US$ 1 bilhão, em uma operação que inclui pagamento em dinheiro e parcela contingente atrelada a desempenho.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

Tesouro Direto: taxas dos títulos IPCA+ recuam e voltam para perto das mínimas do semestre

12 de Dezembro de 2025, 11:57

O Banco Central evitou sinalizar qualquer chance de um corte da Selic já em janeiro de 2026. Mas, mesmo assim, as taxas do Tesouro Direto passaram a cair depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa básica em 15% ao ano na quarta-feira (10).

Nesta sexta-feira (12), os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+, voltaram a cair. Agora estão em patamares mais próximos das mínimas vistas antes dos ruídos políticos contaminarem os mercados e fazerem os retornos desses papéis retomarem ao nível de 8% ao ano.

O Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, saiu de 7,98% de juro acima da inflação vista na super quarta-feira (10) da política monetária para 7,79% nesta sexta-feira (12). O Tesouro IPCA+ 2040, que chegou a 7,01% no dia do Copom, voltou para 6,87% ao ano. E o papel mais longo da plataforma Tesouro Direto, o IPCA+ 2050, está com rendimento de inflação mais 6,88% contra 7,02% visto pouco antes da decisão de juros.

As mínimas anteriores ao episódio do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro foram alcançadas entre fim de novembro e início do mês. O Tesouro IPCA+ 2029 chegou a 7,64% ao ano em 4 de dezembro. O Tesouro IPCA+ 2040 no mesmo dia chegou a 6,82%. E o Tesouro IPCA+ 2050 foi negociado a 6,78% no mesmo dia.

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Menos política e mais visão sobre juros

Mas o que mudou de lá para cá? Em primeiro lugar, o ruído politico arrefeceu. Ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenha reafirmado sua pré-candidatura como o escolhido do próprio pai, os investidores passaram a considerar o evento mais como uma jogada para tentar aprovar uma anistia ao ex-presidente no Congresso. Ou seja, os nomes na futura corrida presidencial ainda não estão definidos.

Mas o fator mais importante veio mesmo do cenário para juros. Ainda que o Copom tenha evitado alimentar expectativas para um corte de taxas no início do próximo ano, o mercado entendeu que o ciclo de reduções está mais perto do que nunca. Mesmo se o BC não baixar em janeiro, a visão é a de que a primeira diminuição da Selic não passa de março.

E tem mais: diante de um juro real no maior patamar em 10 anos, combinado a uma inflação que mostra estar controlada, à convergência de expectativas para o cenário vislumbrado pelo Copom no horizonte relevante – que vai até o segundo trimestre de 2027 – e sinais claros de desaceleração da atividade, os investidores veem crescentes possibilidade de a autoridade ter de acelerar o passo nos cortes.

Mercado vê cortes mais amplos

O último boletim Focus do BC, que reúne projeções para indicadores como Selic, IPCA, PIB e câmbio, mostra a mediana de estimativas do mercado para a taxa de juros no fim de 2026 em 12,25% ao ano. Isso representa uma queda de 2,75% no ano que vem. Se o Copom optar por iniciar o ciclo com um corte de 0,25 ponto percentual teria de realizar reduções de 0,50 ponto em, ao menos, metade das oito reuniões no ano.

Esse, por exemplo, é o cenário base do Citi. O economista-chefe do banco no Brasil, Leonardo Porto, enxerga o Copom cortando  0,25 ponto já a partir de janeiro e acelerando posteriormente para ajustes de 0,50 pp. Isso até que a Selic alcance 12% no fim do próximo ano.

Já existem casas, como o Itaú, que começam a ver espaço para o juro cair a 11% ao ano no fim de 2026. Nesse caso, o banco central teria de realizar cortes de 0,5 ponto percentual em todas as reuniões do ano que vem, começando já em janeiro.

Mercados hoje: véspera da ‘super quarta’ de Fed e Copom mantém investidores cautelosos

9 de Dezembro de 2025, 07:44

Bom dia!

A terça-feira, 9 de dezembro, amanhece em clima de contagem regressiva para a “super quarta”, que junta as decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do BC brasileiro. Lá fora, o humor é levemente positivo, mas ninguém quer mexer muito na carteira antes de ter certeza que os juros vão cair nos EUA e quais os sinais para 2026.

Por aqui, o Ibovespa tenta dar continuidade à recuperação tímida da segunda-feira após o tombo eleitoral de sexta-feira. O clima é de atenção aos números da prévia de inflação de dezembro do IGP-M, para aplacar um pouco da ansiedade do mercado antes do IPCA de novembro, que o IBGE divulga na própria “super quarta”.

Enquanto você dormia…

  • Lá fora, o clima é de cautela moderada: investidores ajustam posição antes do Fed, mas a liberação de vendas de chips da Nvidia para a China ajuda o apetite por risco em tecnologia. Às 7h30, os futuros das bolsas de Nova York estavam em alta. O S&P 500 futuro tinha subida de +0,07% e o Nasdaq futuro, alta de +0,05%.
  • Na Europa, o Stoxx 600 subia +0,2%.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou em alta de +0,14%. O Hang Seng, de Hong Kong, terminou com queda de -1,29%.
  • O índice dólar (DXY) registra leve baixa de -0,12% aos 99,03 pontos. O petróleo Brent sobe +0,27% a US$ 62,65 o barril. O juro da Treasury de 10 anos opera estável aos 4,16% ao ano.

Destaques do dia

  • Hoje os holofotes se dividem: o relatório Jolts de vagas abertas nos EUA, de um lado, e, de outro, a prévia da inflação em dezembro pelo IGP-M, além de indicadores da produção industrial no Brasil. O IGP-M registrou alta de 0,15% na primeira prévia de dezembro, após um avanço de 0,48% em igual leitura de novembro
  • No pano de fundo, o início das reuniões de Fed e Copom vão manter os investidores em compasso de espera.
  • Vale lembrar que o IBGE divulga o IPCA de novembro, o índice oficial de inflação no país, amanhã de manhã, ou seja, aos 46 minutos do segundo tempo do jogo da política monetária, mas ainda a tempo de o Copom avaliar os dados na decisão.
  • E o que isso importa? Curva de juros e câmbio devem reagir a qualquer surpresa nos dados de emprego nos EUA e inflação no Brasil. Na bolsa, bancos, empresas mais alavancadas e papéis sensíveis a juros (shopping, varejo, construção) ficam no radar.

Giro pelo mundo

  • Nvidia liberada na China: Donald Trump autorizou a Nvidia a vender o chip de IA H200 para a China em troca de 25% das vendas para o governo americano, destravando um mercado bilionário que estava fechado pelos controles de exportação. Radar para big techs e semicondutores.
  • IBM vai às compras: a IBM anunciou acordo de US$ 11 bilhões para comprar a Confluent, reforçando o portfólio de dados e nuvem em meio ao boom de IA. O foco é como o mercado de software “old school” se reposiciona na corrida da IA.
  • A Paramount não desistiu de comprar a Warner Bros. Ontem, a companhia fez uma nova pela Warner, poucos dias depois de a empresa ter fechado um acordo com a Netflix. A Paramount ofereceu US$ 30 (R$ 164) o que representa um valor total de US$ 108,4 bilhões. A nova proposta supera a oferta da Netflix, de US$ 27,75 (R$ 151,49) por ação.

Giro pelo Brasil

  • Flávio Bolsonaro “irreversível”: o senador reafirmou que sua pré-candidatura ao Planalto em 2026 não está à venda, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e apoio ao filho. O mercado segue monitorando o efeito desse xadrez político pré-eleitoral.
  • Porto de Santos em disputa: o TCU recomendou restringir a participação de operadores já atuantes no leilão do mega terminal Tecon 10, em Santos, para evitar concentração. O desenho final do edital é o gatilho para impactos em logística e infraestrutura listada.
  • Indústria e veículos em marcha lenta: dados da Anfavea mostram queda de quase 6% nas vendas de veículos em novembro e crescimento tímido no ano, bem abaixo das projeções do setor — um lembrete de que juros altos ainda pesam no crédito.

Giro corporativo

  • “Presente de Natal” para GPA e Casas Bahia: Grupo Pão de Açúcar e Casas Bahia acertaram a venda de suas fatias na financeira FIC para o Itaú, em uma operação de R$ 786 milhões; cerca de R$ 520 milhões entram agora no caixa das duas varejistas, com o Assaí recebendo sua parte só em dois anos. O aval de Cade e BC é o próximo passo.
  • Dia e o CDB do Banco Master: em recuperação judicial, o Dia tinha R$ 163,3 milhões em um CDB ligado ao conglomerado do Banco Master, em liquidação pelo BC. Por ora, garantiu só R$ 20 milhões de volta — cerca de 12%. O restante está previsto em parcelas incertas e um precatório de R$ 116 milhões.

Agenda do dia

  • 08:00 – IGP-M (1ª prévia de dezembro) — Brasil/FGV. Indicador registrou alta de 0,15% na primeira prévia de dezembro, após um avanço de 0,48% registrado em igual leitura de novembro.
  • 09:00 – Pesquisa Industrial Mensal Regional (outubro) — Brasil/IBGE. Mostra a força (ou fraqueza) da indústria às vésperas da decisão do Copom.
  • 08:30 – Início do primeiro dia de reunião do Fed – EUA.
  • 10:00 – Início do primeiro dia de reunião do Copom (BC) – Brasil.
  • 10:00 – Indicadores Industriais (outubro) — Brasil/CNI. Complementa o quadro da atividade, especialmente para setores dependentes de crédito de longo prazo.
  • 10:00 – Anúncio do programa “CNH do Brasil” — Palácio do Planalto. Mudanças nas regras da carteira de motorista e digitalização do processo; impacto indireto em educação e serviços automotivos.
  • 12:00 – Relatório Jolts de vagas abertas (outubro) — EUA. Dado-chave para calibrar a temperatura do mercado de trabalho às vésperas da decisão do Fed.

Ótima terça-feira e bons negócios!

Derretimento da bolsa: um aperitivo da turbulência que as eleições trarão em 2026

5 de Dezembro de 2025, 18:43

Estava tudo indo bem. O Ibovespa chegou a passar dos 165 mil pontos de manhã, impulsionado pelo otimismo de fora, após um dado de inflação bem comportado nos EUA. Mas o ruído eleitoral provou ser bem mais forte do que qualquer outra influência. E revelou um preview do que podemos esperar quando a corrida pela presidência estiver a todo vapor a partir do segundo semestre.

O gatilho para a queda de 4,25% do Ibovespa nesta sexta-feira veio da evidência de uma divisão na direita: a divulgação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro indicou o filho, o senador Flávio Bolsonaro, como seu “candidato oficial”.

Os investidores de peso não escondem que seu nome preferido para a disputa eleitoral é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com a agenda liberal que ele poderia trazer . “A escolha de Flávio elevou a incerteza sobre a articulação política da oposição e desencadeou um ajuste generalizado de preço”, afirmou o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini.

Ou seja, mesmo que Tarcísio ou outro nome da direita disputem o pleito, sabe-se que Bolsonaro tem um eleitorado cativo, e que consegue transferir votos para o filho. Isso pode tornar mais fácil o caminho da reeleição do presidente Lula – cenário que o mercado não gostaria de ver, dado o desapego do atual governo pelo controle dos gastos públicos.

E sem um controle efetivo dessa parte, a fiscal, um cenário de juros em níveis razoáveis se torna menos provável. Tanto que os contratos de juros futuros dispararam, com todos os vencimentos entre 2027 e 2033 acima dos 13%. Desnecessário lembrar que, com os juros nas alturas a perder de vista, não há renda variável que aguente. Daí o sell off desta sexta.

E com o cenário turbulento por aqui, parte dos investidores aumenta sua posição em dólar, para colocar o dinheiro em portos mais seguros. Daí a alta de 2,31%, a R$ 5,432, maior patamar desde 16 de outubro.

Daqui para a frente podemos esperar mais episódios como o dessa sexta. “As eleições vão trazer grande volatilidade e ter impacto em câmbio, juros futuros, na bolsa e na percepção dos mercados para 2027”, diz o executivo-chefe de investimentos do UBS Wealth Management, Luciano Telo.

Esse encerramento de semana, vimos todos, é a prova empírica dessa afirmação.

O ano de 2026 terá dupla personalidade, dizem Solange Srour e Luciano Telo, do UBS

5 de Dezembro de 2025, 14:58

O Brasil verá um 2026 de dupla personalidade. A primeira metade do ano vai ser parecida com o momento atual, ou seja, de alta da bolsa, fluxo estrangeiro para a renda variável e uma renda fixa lotada de recursos dos brasileiros. Mas daí, a partir do segundo semestre, começam as grandes incertezas.

Aqui no Brasil, as eleições para presidente, governador e Congresso prometem tornar os mercados mais voláteis. No mínimo. Só que tem mais: lá nos EUA vai ter a renovação de parte relevante do Congresso, em novembro, e mudanças no comando do Fed, o banco central americano, a partir de maio. Enquanto isso, teremos cortes de juros no Brasil e, possivelmente, nos Estados Unidos, um dólar ainda fraco, preocupações com uma eventual bolha de inteligência artificial e os mercados tentando digerir tudo.

De qualquer forma, a visão do executivo-chefe de investimentos (CIO) do UBS Wealth Mangement, Luciano Telo, e da chefe de macroeconomia no Brasil do banco suíço, Solange Srour, é de copo meio cheio: a bolsa vai continuar a valer a pena, assim como manter ações de big techs na carteira. É claro que tudo será temperado com uma boa dose de volatilidade.

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Quem tem medo da bolha de IA? O UBS não. Telo até reconhece que as bolsas americanas operam com valuations elevados, ou seja, valores de mercado que incorporam uma visão de resultados futuros para lá de exuberantes. Porém, não se trata de uma interpretação pontual dos investidores. A inteligência artificial é uma realidade e vai se manter como a principal influência sobre a economia dos EUA ao longo dos próximos anos.

Ou seja: quem tentar antecipar momentos de correção pode perder o bonde, já que é razoável a chance de não ocorrer uma queda substancial.

Emergentes ganham espaço

Na avaliação do UBS, os mercados emergentes devem se consolidar como uma das grandes estrelas dos portfólios globais em 2026. A questão central para os investidores é: os recursos de fora vão continuar a migrar para as bolsas e outros ativos dos países em desenvolvimento? A resposta do CIO do UBS WM é “sim”.

Com a expectativa de um dólar que vai se manter fraco e em meio a continuação de cortes de juros pelo Fed, os mercados emergentes passam a ocupar um papel mais relevante nas projeções para 2026.

O Brasil, por exemplo, surge como um potencial destino de recursos internacionais. Esse fluxo marcou o desempenho positivo do Ibovespa ao longo de 2025. E deve se estender, pelo menos, na primeira metade do ano que vem. Os especialistas do UBS veem ainda muitos fatores para as ações se manterem em alta. Conforme Telo, os ativos brasileiros seguem descontados em relação a outros emergentes.

Além disso, mesmo que o BC comece a cortar os juros no início do ano, as taxas do país vão se manter atrativas por um longo tempo. O cenário base do UBS é que o ciclo de reduções da Selic comece em março ou abril de 2026 e a taxa básica termine o próximo ano em 12,5%. As ações brasileiras, por sua vez, vão continuar a se beneficiar do dólar fraco e dos juros globais mais baixos.

E quais motivos para manter o otimismo com a renda variável no ano que vem? O afrouxamento monetário duplo, aqui e lá fora, vai funcionar como o principal catalisador para o desempenho das ações. Taxas de juros menores vão reduzir o custo de capital para as empresas listadas. As mais endividadas ganham um alívio com a redução das pressões financeiras.

Além dos juros menores, o banco espera um crescimento de lucros das companhias brasileiras de cerca de 18% no próximo ano. A alta seria resultado de uma demanda doméstica estável, salários reais em alta e investimentos estrangeiros crescentes.

O que pode dar errado?

A partir do fim do primeiro trimestre, a sucessão no Fed vai se tornar um evento importante para o mercado. Ainda que o mandato do atual presidente da autoridade, Jerome Powell, termine apenas em maio, a partir do momento em que o presidente americano, Donald Trump, confirmar um nome para a sucessão, o BC dos EUA passará, na prática, a ter dois chefes para o mercado. Isso porque os investidores vão começar a prestar tanta atenção às falas do futuro chairman quanto do atual.

Srour alerta que, caso o mercado interprete os sinais do novo presidente do Fed como sendo de alguém que vai se submeter à vontade do governo, isso poderia causar uma perda de credibilidade. Como a pressão de Trump é por juros mais baixos a qualquer custo, o mercado começaria a alimentar preocupações sobre uma volta dos riscos inflacionários e, com isso, novas turbulências vão atingir as bolsas e os juros. Em tal cenário, as taxas longas dos títulos americanos podem subir, exigindo prêmio maior do Tesouro dos EUA e das companhias para captar recursos.

Além disso, um presidente do Fed inclinado aos cortes de juros mais amplos não necessariamente implicaria em um dólar mais fraco, se o cenário de desconfiança se enraizar. Ao contrário, a incerteza poderia até levar a uma valorização global da moeda americana. Juros longos mais altos e dólar apreciado são uma combinação ruim para países como o Brasil, porque torna muito mais caro o financiamento externo.

O câmbio é um calcanhar de Aquiles

Mas tem ainda um outro lado da moeda. O Fed tem sinalizado que pode pausar os cortes de juros no início de 2026. O BC dos EUA enfatiza que as reduções atuais têm como objetivo combater o enfraquecimento do mercado de trabalho e evitar um aumento mais forte do desemprego. Por outro lado, os integrantes da autoridade sempre que podem manifestam o incômodo com o nível da inflação corrente ainda longe de sua meta de 2% ao ano.

Se o Fed tomar um rumo visto como mais duro ou hawkish, no jargão do mercado,  o dólar pode voltar a se fortalecer. Srour calcula que, nesse cenário de desvalorização do real frente à moeda americana, pode haver um repasse de cerca de 10% para a inflação brasileira por meio de preços de importados e bens transacionáveis. Ou seja: de cada 1% de inflação no Brasil, 0,10% viria de uma eventual alta da moeda americana.

Um outro fator será o cenário de votação. Conforme a eleição se aproximar no Brasil, alguns tópicos voltam a ganhar força. Srour reforça que o Brasil vai precisar enfrentar a questão fiscal, seja qual governo for eleito.

Com juros reais no maior patamar da história recente, desaceleração do PIB e esgotamento do impulso fiscal dos últimos anos, a trajetória da dívida pode se tornar insustentável sem reformas significativas. O déficit nominal (que conta os gastos do governo com os juros da dívida) alcançou 8,05% do PIB, e a dívida bruta deve fechar 2025 em cerca de 80% do PIB, níveis que elevam o prêmio de risco e deixam o câmbio sensível a choques.

A economista ressalta que qualquer governo eleito terá de apresentar um plano estruturado logo no início do mandato, com medidas impopulares e foco no controle de gastos obrigatórios — não apenas em aumento de arrecadação, que já está no recorde histórico. Se essa sinalização ocorrer ao longo da campanha, o mercado pode reagir de maneira otimista. “Programas críveis de ajuste fiscal geram reação imediata do mercado”, afirma.

2025 termina melhor que o esperado

Apesar dos choques externos, como as tarifas impostas durante o ano, os especialistas do UBS lembram que 2025 vai terminar de maneira bem mais benigna do que se imaginava no início do ano.

A economia global segue surpreendendo positivamente, com comércio internacional resiliente e inflação desacelerando em vários países. Esse ambiente tem ajudado a sustentar o desempenho dos emergentes, inclusive o Brasil, que deve encerrar 2025 com um crescimento do PIB próximo de 2% e inflação em torno de 4,5%, no teto da meta do BC.

O Brasil, portanto, vai navegar em 2026 entre avanços econômicos concretos e desafios estruturais que ainda demandam solução — especialmente no campo fiscal, como sempre.

Mercados hoje: inflação nos EUA e no Brasil calibram expectativas de investidores

5 de Dezembro de 2025, 07:25

Bom dia!
A sexta-feira, 5 de dezembro, começa com todo mundo de olho no único dado oficial de inflação de consumo nos EUA que o Federal Reserve (Fed) vai ter antes de decidir sobre os juros na semana que vem. É o PCE, indicador de inflação preferido do banco central americano. Os números ainda se referem a setembro porque a divulgação ficou prejudicada durante a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, o shutdown. E você sabe como é: se os resultados vierem conforme o esperado, a percepção de corte de juros iminente pode ajudar a manter os investidores de bom humor. Por aqui, após novo recorde na quinta-feira, o Ibovespa pode se manter no modo para o alto e avante. Se o exterior ajudar.

Enquanto você dormia…

  • Os futuros das bolsas de Nova York abrem em alta leve. Às 7h, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,16% e o Nasdaq de +0,34%.
  • A Europa mantém um compasso de espera: o Stoxx 600 sobe +0,32% à espera do PIB da zona do euro no 3º tri.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou em queda de -1,03% ainda sob efeito da perspectiva de subida de juros pelo banco central japonês, o BoJ. O índice Hang Seng, de Hong Kong, por sua vez, subiu +0,58% ante a possibilidade de o governo chinês implementar novos estímulos.
  • O índice dólar (DXY) recua -0,06% aos 98,99 potnos, perto da mínima de cinco semanas, com o mercado precificando cortes de juros nos EUA em 2026. O petróleo Brent tem alta de +0,21% a US$ 63,39 o barril. O juro da Treasury de 10 anos tem leva alta a 4,11% ao ano.


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Destaques do dia

  • Os mercados entram na sexta de olhos grudados no índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), o termômetro de inflação preferido do Fed. Os investidores apostam majoritariamente em um corte de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed daqui a cinco dias. A ferramenta FedWatch da CME aponta cerca de 87,2% de chance de corte na próxima renião, movimento que ajudou a sustentar a alta recente das bolsas.
  • No Brasil, a manhã é de indicadores de inflação: IGP-DI de novembro e preços ao produtor (IPP) de outubro. O IGPD-DI veio praticamente estável: 0,1%. Em 12 meses, segue em queda, de 0,44%. O IPP também veio em queda: -0,48%; em 12 meses, -1,82%. O pano de fundo é o PIB do 3º trimestre, que cresceu só 0,1% na margem, abaixo do esperado, reforçando a leitura de desaceleração da economia e mantendo vivo o debate sobre corte da Selic em janeiro.
  • E como isso impacta os negócios? Se o PCE vier mais comportado, reforça o cenário de juros menores nos EUA e mantém a combinação que ajudou o Ibovespa a bater 164.455 pontos ontem e o dólar mais fraco pouco acima dos R$ 5,30.

Giro pelo mundo

  • Paramount contesta a forma como a Warner Bros está conduzindo seu processo de venda. Paramount, Netflix e Comcast apresentaram propostas da segunda rodada para adquirir parte ou todos os ativos da Warner. Na quinta-feira (4), a Netflix figurava como a principal candidata.

Giro pelo Brasil

  • PIB perde fôlego: o PIB cresceu 0,1% no 3º tri contra o 2º, abaixo da projeção de 0,2%, com serviços e consumo das famílias andando devagar e Selic a 15% pesando na atividade. Os dados reforçam a visão de que o juro alto está fazendo seu trabalho a poucos dias da próxima reunião do BC na terça e quarta da semana que vem.
  • Lei de Diretrizes Orçamentárias 2026 aprovada: Congresso chancelou LDO com meta de superávit de 0,25% do PIB para o governo central em 2026, permitindo ao executivo mirar o piso da banda e abrindo exceção de até R$ 10 bilhões para estatais em reequilíbrio, como os Correios; próximos passos são a sanção presidencial e a votação do Orçamento.
  • Ibovespa na máxima: o índice fechou quinta-feira (4) em alta de 1,67%, aos 164.455 pontos, novo recorde nominal, embalado por apostas de Selic menor em 2026 após o PIB fraco; dólar chegou a ficar abaixo de R$ 5,30 e terminou perto de R$ 5,31.

Giro corporativo

  • InterCement em reconstrução: Lago Escondido, veículo de investimento ligado a Joe Lewis, deverá ficar com cerca de 19,5% da fabricante de cimentos ainda controlada pela antiga Camargo Corrêa (hoje Mover), após a conversão de créditos da recuperação judicial.
  • O argentino Marcelo Mindlin deve alcançar aproximadamente 8% do capital da Intercement no novo desenho acionário. A entrada de Mindlin e Lewis ocorre por meio da Latcem, o veículo montado pelos credores para receber até 38,5% das ações. 
  • Petrobras e Shell arremataram juntas, sem concorrência, duas das três áreas ofertadas em leilão inédito de participações da União em campos em produção no pré-sal.
  • Os lances do consórcio formado pelas empresas, que já são sócias nos dois campos, somaram cerca de R$8,8 bilhões em arrecadação ao governo federal, abaixo dos R$10,2 bilhões previstos pelo governo.

Agenda do dia

  • 08:00 – IGP-DI (novembro) — FGV. Termômetro importante de preços ao atacado e contratos indexados, ajudando a calibrar expectativas de inflação.
  • 09:00 – Índice de Preços ao Produtor (outubro) — IBGE. Mostra pressão de custos na indústria e o potencial repasse para o varejo.
  • 07:00 – PIB 3º tri (zona do euro) — Eurostat. Ajuda a medir o fôlego da economia europeia num momento de juros altos e crescimento fraco.
  • 11:00 – STF em plenário virtual sobre marco temporal — Brasil. Tema sensível para agronegócio e imagem externa do país, com possível impacto em percepção de risco das exportações.
  • 12:00 – PCE (setembro) — EUA. Indicador de inflação preferido do Fed; consenso gira em torno de alta mensal de 0,2% ante agosto.
  • 12:00 – Confiança do consumidor (dezembro) — EUA (Univ. Michigan). Sinaliza humor das famílias americanas às vésperas da decisão do Fed.

Ótima sexta-feira e bons negócios!

Valor dos títulos IPCA+ passa por altas comparáveis à do Ibovespa

3 de Dezembro de 2025, 12:30

Os juros do Tesouro IPCA+ passa por uma baixa fora do comum. Queda do juro significa alta no preço. E no saldo de quem tem os títulos na carteira.

O IPCA+ 2040, uma boa referência por não ser um título nem tão curto mas nem tão longo, chegou na manhã desta quarta à menor taxa no ano: 6,86%(de juro real, acima da inflação). Abaixo dos 6,88% da últma mínima, que aconteceu em julho.

E foi rápido. Até outro dia, em 14 de outubro, a taxa estava em 7,44% (o último pico recente). Cai o juro sobre o preço. O preço unitário do título subiu de R$ 1.583 para R$ 1.737. Alta de 9,5%.

Quanto mais longo o vencimento, mais volátil o título. Ou seja: as altas e baixas vêm mais bruscas. Como o momento é de alta, temos que IPCA+2050 sobe ainda mais: 10,7%.

São números comparáveis aos 13% que o Ibovespa subiu no mesmo intervalo, em pleno rali.

chart visualization

O juro de longo prazo no país tem reagido tanto aos sinais do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), quanto aos dados de inflação no Brasil que alimentam as expectativas sobre cortes de juros. Lá fora integrantes do Fed, incluindo o presidente Jerome Powell, reforçaram nas últimas semanas as indicações sobre uma potencial redução de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 e 10 de dezembro.

A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária dos EUA, mostra que 89,2% do mercado enxerga um corte de juros pelo Fed na semana que vem.

Nesta quarta-feira, o relatório da empresa ADP, que na falta do “payroll” oficial tem ajudado a jogar luz sobre a evolução do mercado de trabalho privado, mostrou um saldo líquido negativo, com fechamento de 32 mil postos de trabalho em novembro. Como o Fed reforçou em sua comunicação que o foco dos atuais cortes têm sido as preocupações com o enfraquecimento do emprego nos EUA, os dados aumentaram as expectativas de redução de juros na próxima semana.

Nesta semana, está programada a divulgação na sexta-feira do índice de preços de despesas de consumo pessoal, o PCE na sigla em inglês, o referencial de inflação preferido do Fed. O número a ser conhecido, referente a setembro, foi adiado por mais de um mês. No entanto, o dado ganha significado especial devido ao momento da publicação: às vésperas da reunião da autoridade americana.

No Brasil, o BC procurou afastar a esperança de um corte já na semana que vem. No entanto, os números de inflação têm reforçado a perspectiva de quem o início do ciclo de cortes da Selic se aproxima. O mercado trabalha com uma expectativa de redução dos juros a partir do primeiro trimestre de 2026. O boletim Focus, do BC, que reúne as projeções de instituições que atuam no mercado financeiro, mostra que a medida das estimativas coloca a taxa básica em 12% ao ano no fim de 2026.

Trata-se de uma redução de três pontos percentuais comparado ao nível atual de 15% ao ano. Isso significa que, se o Comitê de Política Monetária (Copom) cortasse os juros desde a primeira reunião no ano que vem, entre 27 e 28 de janeiro, teria de reduzir a Selic em todos os oito encontros do ano e em um ritmo maior do que 0,25 ponto.

Além disso, o Focus mostra que as expectativas sobre a inflação futura mantêm o rumo de convergência para a meta do BC de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O relatório coloca a mediana das projeções do IPCA de 2025 em 4,43%, portanto, já dentro do intervalo da meta da autoridade.

Em um mês, a estimativa caiu de 4,55% para o patamar atual. No entanto, o ritmo dessa evolução ainda permanece moderado. O relatório mostra que o mercado só enxerga uma convergência para o centro da meta a partir de 2028, quando o IPCA fecharia em 3,5%.

Mercados hoje: em clima de Dia de Ação de Graças, investidores ligam o modo cautela

27 de Novembro de 2025, 07:43

Bom dia!
A quinta-feira, 27 de novembro, é Dia de Ação de Graças nos EUA. Em Nova York, as bolsas permanecem fechadas e, na sexta-feira, abrem só até 15h, no horário de Brasília. Por aqui, o dólar mais fraco ajuda a inspirar mais fôlego aos ativos locais. Na quarta-feira, o Ibovespa voltou ao território dos recordes e agora busca ultrapassar a marca psicológica dos 160 mil pontos. Será que vai?

Enquanto você dormia…

  • Os mercados americanos não funcionam hoje. Nem bolsa, nem títulos do Tesouro dos EUA. As operações serão retomadas na sexta-feira, mas com um pregão mais curto com fechamento às 15h no horário daqui.
  • Na Europa, a expectativa de uma política monetária mais branda nos EUA mantém as bolas em modo cautela. Às 7h20, o índice Stoxx 600 tem leve queda de -0,16%.
  • As bolsas da Ásia fecharam em alta em um dia de menor liquidez. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, fechou em alta de +1,23%. O Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, terminou a sessão com avanço de +0,07%
  • O índice dólar (DXY) se mantém praticamente estável com levíssima alta de +0,08% aos 99,67 pontos por volta de 7h20. O petróleo Brent opera estável com um recuo de -0,03% a US$ 62,52 o barril. O mercado de Treasuries tira folga nesta quinta-feira.

Destaques do dia

  • O Ibovespa subiu 1,7%, alcançando 158.555 pontos — novo recorde nominal da série histórica da bolsa, impulsionado por apostas de corte da taxa de juros nos EUA.
  • E o que isso importa? O novo recorde de pontos no fechamento pode dar gás aos papéis cíclicos, como consumo, exportadoras e empresas com receita em dólar. Só para lembrar, o índice registrou a maior sequência de altas seguidas entre fim de outubro e início de novembro com 15 avanços seguidos. Os investidores estão de olho na possibilidade de a bolsa manter o tradicional rali no fim do ano.


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Giro pelo mundo

  • Feriadão nos EUA mantém mercados em modo espera. Como as bolsas de Nova York e as negociações de títulos do Tesouro americano tiraram uma folga nesta quinta-feira, os investidores se mantêm cautelosos, avessos a grandes apostas em um momento de baixa liquidez.

Giro pelo Brasil

  • IR sobre dividendos: a nova regra de isenção sancionada para algumas faixas de renda muda o perfil de retorno das empresas e pode afetar quem investe em empresas com histórico de pagamento de proventos mais agressivo.

Giro corporativo

  • Os irmãos Ederson e Everton Muffato, controladores da rede de supermercados que leva o nome da família, compraram uma participação equivalente a 10,26% do Assaí. A fatia foi adquirida por meio de dois fundos geridos por BTG Pactual e WHG, tornando a dupla o segundo maior acionista da rede de atacarejo.
  • CSN está negociando a venda de suas ações na MRS Logística, operadora de uma das principais malhas ferroviárias do país, para a CSN Mineração, sua controlada direta. A operação pode envolver até 18,75% do capital que a siderúrgica detém na MRS – uma fatia avaliada em cerca de R$ 3,26 bilhões.
  • O novo plano de negócios da Petrobras será votado pelo conselho de administração hoje, com uma coletiva prevista para a sexta-feira. A expectativa é de redução do volume de investimentos previstos originalmente diante da queda dos preços do barril de petróleo.

Agenda do dia

  • 08:00: Divulgação do índice de inflação IGP-M (FGV)
  • 10:00: Tesouro publica o Relatório Mensal da Dívida (RMD) de setembro
  • 14:30: Divulgação do Caged, com números do mercado de trabalho no Brasil (IBGE).
  • 15:00: Fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento.

Ótima quinta-feira e bons negócios!

Ibovespa sobe 1,7% e bate novo recorde com expectativas sobre corte de juros

26 de Novembro de 2025, 16:35

A bolsa brasileira voltou a renovar máximas históricas nesta quarta-feira (26). No fim do pregão, o Ibovespa subiu 1,7% a 158.555 pontos, um novo recorde nominal frente aos 158.467 pontos, marcado em 11 de novembro. Já o dólar caiu 0,77% cotado a R$ 5,333.

Lá fora, as bolsas de Nova York também tiveram um dia de alta na véspera de um dos principais feriados americanos, o Dia de Ação de Graças, que acontece na quinta-feira (27). No fim da sessão, S&P 500 subiu 0,69%, o Nasdaq avançou 0,82% e o Dow Jones teve alta de 0,67%.

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Aqui como lá fora, o tom mais otimista vem de uma percepção de que os cortes de juros se aproximam. No caso dos investidores globais, o bom humor e o interesse em buscar mais retorno em ativos e mercados considerados mais arriscados, caso dos emergentes, surgem na esteira da sinalização de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro ainda está sobre a mesa.

A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas no rumo da política monetária dos EUA, mostra que 84,9% do mercado já considera certa uma redução dessa magnitude nas taxas durante o encontro do Fed entre 9 e 10 de dezembro. Esse percentual era de menos de 40% há duas semanas.

Por aqui, o resultado do IPCA-15 na primeira quinzena de novembro, considerado uma prévia do IPCA “cheio”, mostrou que a inflação no acumulado de 12 meses já entrou dentro da meta do BC, ainda que no topo do intervalo, aos 4,5%.

Outra boa notícia veio do grupo alimentos e bebidas, considerado um dos mais voláteis, que variou apenas 0,09%. Além disso, houve queda nos preços de combustíveis (-0,46%) e nos de energia elétrica (-0,38%). Os dados voltaram a alimentar as expectativas de que o cenário para a retomada dos cortes da Selic está se consolidando.


 

Mercados hoje: cenário político e IPCA-15 concentram a atenção de investidores no Brasil

26 de Novembro de 2025, 07:44

Bom dia!
O clima desta quarta-feira, 26 de novembro, amanheceu lá fora em modo véspera de feriado de Ação de Graças nos EUA, que ocorre na quinta-feira (27). Os futuros das bolsas de Nova York sinalizam um pregão mais ameno após os mercados digerirem os sinais de um Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mais suave. Aqui no Brasil, o noticiário político volta aos holofotes com o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e a aprovação de pautas-bombas para o orçamento público no Congresso. Vamos aos destaques?

Enquanto você dormia…

  • Os futuros das bolsas de Nova York sobem como reflexo do otimismo sobre a chance cada vez maior de corte de juros nos EUA nas próximas semanas. Às 7h20, S&P 500 futuro tinha alta de +0,37% e o Nasdaq futuro avançava +0,48%.
  • Na Europa os mercados avançam moderadamente, também impulsionados pela expectativa sobre um Fed mais inclinado à redução de taxas. O índice Stoxx 600, que abrange vários mercados na Europa, subia +0,38% por volta de 7h20.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em alta. O índice Nikkei, da bolsas japonesa, terminou a sessão com subida de 1,85%. O Hang Seng, de Hong Kong, foi mais modesto e encerrou o pregão com avanço de 0,13%.
  • O índice dólar (DXY) já está em clima de feriado com queda de -0,01% aos 99,81 pontos. O petróleo Brent amanhece em queda de -0,31% a US$ 61,60 o barril. A Treasury de 10 anos, referiencia do mercado de juros nos EUA, negociava em queda a 4,008%.

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Destaques do dia

  • Senado dispara “pauta-bomba” com impacto bilionário sobre orçamento nas próximas décadas. A casa legislativa aprovou na terça-feira (25) o projeto que regulamenta a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), garantindo integralidade (salário cheio) e paridade (reajustes iguais aos da ativa). A aprovação foi por 57 votos a zero, com duas abstenções.
  • O custo estimado? Algo na casa de R$ 40 bilhões em dez anos só para a União — e para os municípios, o risco é maior: a Confederação Nacional de Municípios (CNM) calcula um impacto de até R$ 103 bilhões, por conta do aumento do déficit nos regimes próprios de previdência.
  • E como isso afeta os mercados? O aperto nas contas públicas pode aumentar o estresse sobre os juros e sobre investimentos do governo, que terá de compensar o gasto com medidas com contenção de despesas ou aumento de arrecadação. O estresse fiscal pode pesar no humor do câmbio e nas curvas de juros.


Giro pelo mundo

  • Corte de juros nos EUA no radar: A expectativa por um corte de 0,25 ponto percentual pelo Fed em dezembro segue crescendo; dados econômicos dos EUA nos próximos dias serão cruciais para confirmar o preço.
  • Com menor percepção de ameaça geopolítica recente, investidores voltam a buscar ativos mais arriscados — o que beneficia mercados emergentes.

Giro pelo Brasil

  • Pauta-bomba aprovada: A aposentadoria especial para ACS/ACE avança e deve pressionar o orçamento público nos próximos anos.
  • Hoje é dia de IPCA-15. O índice divulgado pelo IBGE funciona como uma prévia da inflação para o mês de novembro e pode mexer com os ponteiros das expectativas sobre o início do ciclo de cortes da Selic.
  • Nesta quarta-feira (26), o presidente Luis Inácio Lula da Silva deve sancionar a lei aprovada no Congresso de isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil válida a partir de 2026. A nova legislação prevê como compensação a tributação de dividendos e outras rendas no limite de 10% para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês.

Giro corporativo

  • Reestruturação no varejo: O grupo Casas Bahia convocou debenturistas para assembleia em dezembro — a ideia é aprovar aumento de capital e alongamento da dívida, em uma tentativa de reduzir a alavancagem.

Agenda do dia

Ótima quarta-feira e bons negócios!

Mercados hoje: ata do Fed e expectativa com o balanço da Nvidia vão mover os negócios

19 de Novembro de 2025, 07:26


Bom dia!

O clima nos mercados nesta quarta-feira, 19 de novembro, é de expectativa contida — os investidores aguardam os resultados do terceiro trimestre da empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia, que serão divulgados após o fechamento das bolsas americanas. Os números viraram uma espécie de tira teima das ações de inteligência artificial: podem tirar os mercados da encruzilhada sobre a continuidade – ou não – da euforia com as big techs.

Lá fora, os olhos também estarão atentos à ata do último encontro do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que pode dar pistas sobre a possibilidade de haver cortes na reunião de dezembro. Aqui no Brasil, as atenções estão sobre as notícias do mundo corporativo.

Enquanto você dormia…

  • Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York tinham leve alta em meio às dúvidas sobre as big techs: S&P 500 futuro subia +0,08% e Nasdaq futuro avançava +0,08%.
  • Na Europa, também prevalece cautela, com as bolsas impactadas por papéis de tecnologia: o índice Stoxxx 600 operava em alta moderada de 0,07%
  • Na Ásia, a bolsa de Tóquio fechou em queda, com o índice Nikkei em baixa de -0,34% e o Hang Seng, de Hong Kong, com recuo de -0,38%.
  • O índice dólar (DXY) operava em alta de 0,13% a 99,68 pontos. O petróleo Brent caía -0,74% para US$ 64,43 o barril, diante de sinais de excesso de oferta. Já a Treasury de 10 anos subia para 4,12% ao ano.

Destaques do dia

  • O Banco Central decretou extrajudicialmente a liquidação do Banco Master na terça-feira (18). A instituição tinha enfrentado problemas de liquidez e, simultaneamente, o controlador Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, em uma operação para apurar fraudes contra o sistema financeiro.
  • E o que isso significa? A medida reforça atenção sobre instituições de menor porte no Brasil e pode aumentar o grau de aversão ao risco local com impacto sobre ações de bancos. Na renda fixa, os aplicadores vão ficar mais reticentes com papéis de bancos menores e emissores de CDB com retorno elevado.

Giro pelo mundo

  • Juros nos EUA: discursos de integrantes do Fed têm sinalizado que o Fed pode adiar cortes de taxas, o que pressiona mercados. A ata da reunião de política monetária divulgada hoje vai fornecer mais pistas sobre a visão dos integrantes da autoridade.
  • As ações de tecnologia permanecem nos holofotes, mas com investidores atentos aos números da Nvidia, que se tornou uma espécie de símbolo da revolução da IA.

Giro pelo Brasil

  • Banco Master: liquidação extrajudicial decretada — donos de CBDs agora vão precisar esperar pelo FGC para receber o dinheiro de volta. Liquidação pode ter impacto no endurecimento das regras do fundo garantidor.

Giro corporativo

  • Oncoclínicas (ONCO3): admite exposição em cerca de R$ 433 milhões em CDBs do Banco Master e previsão de perda de R$ 230 milhões.
  • Motiva (ex-CCR): vendeu 20 aeroportos à mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste (SUR) (ASUR) por R$ 11,5 bilhões.

Agenda do dia


Ótima quarta-feira e bons negócios!

Você tem CDB do Master? Chegou a hora de acionar o FGC

18 de Novembro de 2025, 13:58

Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) será acionado para a cobertura dos títulos que estão dentro dos parâmetros de ressarcimento estabelecidos pelo Fundo. Estão cobertos os CDBs, poupança, RDB, LCI e LCA dentro de um limite de R$ 250 mil por CPF, mesmo que as aplicações tenham sido feitas em bancos ou corretoras diferentes. O limite vale também para o total investido em um único emissor.

A partir da decretação da liquidação extrajudicial, o liquidante nomeado pelo BC consolida a lista de todos os credores (investidores) e os respectivos valores devidos até a data e a envia para o FGC.

Nesse caso, títulos garantidos pelo fundo – como os CDBs – não podem mais ser negociados no mercado secundário, segundo advogados ouvidos pelo InvestNews.

Isso significa que, quem tiver mais do que R$ 250 mil aplicados em papéis do Banco Master, mesmo que seja em títulos diferentes comprados em corretoras diferentes, ficará sem cobertura para a parcela acima desse teto.

Um exemplo: uma pessoa aplicou R$ 300 mil em dois CDBs no mesmo banco, cada um no valor de R$ 150 mil. Nesse caso, desses R$ 300 mil, R$ 50 mil estão desprotegidos, ou seja, não serão ressarcidos pelo FGC.

E veja: isso vale mesmo se o investidor tiver comprado R$ 150 mil em uma corretora A e outros R$ 150 mil em uma B de CDBs do mesmo banco.

Outro exemplo para prestar atenção: um investidor que comprou exatamente R$ 250 mil em um CDB. Nesse caso, a cobertura vale só para o valor investido, chamado de “principal”. Todo o rendimento do CDB excederá os R$ 250 mil e estará desprotegido.

Além disso, é importante ter em mente que o FGC cobrirá os R$ 250 mil até a data da intervenção, considerando na conta o principal e a rentabilidade do papel até aquela data, ainda que o título só viesse a vencer meses ou anos mais tarde.

Vamos supor que um investidor tenha depositado, em setembro de 2024, R$ 50 mil em um CDB com rendimento de 140% do CDI e validade de três anos. O aplicador receberá os R$ 50 mil acrescidos de 18,5% de retorno do CDI de setembro de 2024 a novembro de 2025, ou R$ 63 mil brutos. Os dois anos restantes de validade do certificado não são considerados.

Em uma outra situação, se um investidor aplicou, por exemplo, R$ 210 mil no mesmo CDB também em setembro de 2024, e nas mesmas condições. Em 15 meses o valor terá alcançado R$ 264 mil (brutos). Portanto, os R$ 14 mil acima do teto não estão cobertos pelo FGC e o detentor do título vai receber apenas R$ 250 mil.

Existe ainda a questão do imposto de renda sobre os rendimentos. O leão da Receita Federal “morde” sua parte mesmo na liquidação. Para o Fisco, o pagamento feito pelo FGC conta como um resgate da aplicação.

Desse modo, o FGC já deposita o valor líquido na sua conta. A alíquota segue a tabela regressiva padrão da renda fixa, que varia de 22,5% (para aplicações até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias), contando o tempo desde o dia em que você investiu até 18 de novembro, data da liquidação. Se o investidor tiver um LCI ou um LCA do Master, como são títulos isentos não há recolhimento de IR.

A partir do acionamento do FGC, o investidor terá de se cadastrar no aplicativo do fundo e indicar a conta bancária de sua titularidade para receber o pagamento (veja aqui o passo a passo). O processo todo, baseado nos casos mais recentes de acionamento do mecanismo, mostram que o fundo pode levar mais de um mês, dependendo da complexidade do caso, para efetuar o ressarcimento dos valores.

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Mercados hoje: investidores mantêm expectativas sobre continuidade de conversas de tarifas com os EUA

17 de Novembro de 2025, 07:50

Bom dia!
A semana começa no modo espera. Os mercados se mantêm no aguardo dos dados sobre a economia dos EUA que ficaram represados durante a paralisação do governo americano e agora voltam ao foco dos investidores. O “payroll“, o relatório sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, pode sair na quinta-feira (20). Por aqui a segunda-feira, 17 de novembro, tem boletim Focus, que tem ajudado a confirmar o movimento de convergência das expectativas de inflação futura, além do indicador conhecido como a prévia do PIB, o IBC-Br, divulgado pelo Banco Central, e a expectativa de novos sinais sobre o avanço das conversas em direção a um acordo comercial com os EUA.

Enquanto você dormia…

  • Os mercados internacionais começam a semana em modo cauteloso, mas com viés levemente positivo em Nova York. Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York estavam em alta, com o S&P 500 futuro subindo +0,33% e o Nasdaq 100 futuro em elevação de +0,58%.
  • Na Europa, as bolsas caem com os investidores de olho nos números da economia americana. O Stoxx 600 segue com queda de -0,33%.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em queda, com o índice Nikkei, de Tóquio, em baixa de -0,10% após o dado fraco de PIB japonês. O Hang Seng, de Hong Koing, caiu -0,71% em meio a um certo cansaço no rali de tecnologia.
  • O índice dólar (DXY) tem leve alta de 0,08% a 99,4 pontos; o petróleo Brent recua 0,26% para US$ 64,22 o barril; a Treasury de 10 anos segue em 4,15% ao ano.

Destaques do dia

  • A semana começa com a tentativa do governo brasileiro de retomar as conversas sobre um acordo comercial com os Estados Unidos, depois de o governo Trump anunciar redução de tarifas sobre carne bovina, café e outros alimentos. Enquanto isso na COP30, o Brasil tenta destravar um acordo mais amplo sobre investimentos na agenda verde.
  • E como isso impacta os mercados? Um potencial alívio tarifário para o agronegócio deixa no radar as grandes exportadoras ligadas a alimentos e proteínas, além de papéis mais sensíveis ao ciclo doméstico de juros e crescimento.

Giro pelo mundo

  • Sucessão na Apple: a Apple intensificou o plano de sucessão de Tim Cook, 65 anos, com a possibilidade de ele deixar o cargo já em 2026; John Ternus, chefe de hardware, desponta como favorito. O mercado acompanha qualquer sinal de cronograma mais claro nas próximas divulgações de resultados.
  • Dados represados: após o fim do shutdown nos EUA, voltam à agenda os indicadores atrasados, começando hoje pelos gastos com construção de agosto, seguidos de pedidos à indústria, comércio exterior e, na quinta, o payroll de setembro – todos com potencial de mexer na curva de juros americana.
  • Nvidia no centro do palco: na quarta-feira, 19 de novembro, saem os números de terceiro trimestre da Nvidia, com consenso apontando para receita na casa de US$ 54 bilhões a 57 bilhões e foco total na demanda por chips de IA e no discurso para 2026. É um dos grandes testes para o humor com tecnologia nesta reta final de ano.

Giro pelo Brasil

  • Focus e expectativas: o boletim Focus das 8h25 volta a ganhar peso depois de semanas de estabilidade nas projeções de IPCA 2025 em torno de 4,55%. O mercado olha se há algum movimento após o último Relatório de Inflação do BC.
  • IBC-Br em dia de agenda curta: às 9h, sai o IBC-Br de setembro, conhecido como a prévia do PIB, com estimativas apontando para pequena variação na margem após meses de sinais de desaceleração. A leitura ajuda a fechar o quadro do PIB do terceiro trimestre.
  • COP30 política: começa hoje a fase política da COP30, com ministros e vice-ministros negociando textos finais e eventuais acordos de financiamento climático – tema sensível para projetos de infraestrutura e energia no Brasil nos próximos anos.

Giro corporativo

  • Ovos made in USA: a Mantiqueira, em joint venture com a JBS, fechou a compra da americana Hickman’s Egg Ranch, reforçando a presença no mercado de ovos dos EUA. A operação é vista como peça-chave de uma estratégia de longo prazo de internacionalização da Mantiqueira, aproveitando a estrutura da sócia JBS no exterior.
  • Cosan no vermelho: a Cosan reportou prejuízo de cerca de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre, revertendo lucro de um ano antes, em grande parte por menor contribuição de equivalência patrimonial – com atenção dos analistas para o desempenho de Raízen e da carteira de participações.

Agenda do dia

  • 08h00: Inflação pelo IPC-S (1ª quadrissemana de novembro) da FGV — Brasil. Termômetro de curto prazo da inflação de serviços.
  • 08h25: Boletim Focus — Banco Central do Brasil. Mercado atento a qualquer mudança nas projeções de IPCA, PIB e Selic para 2025 e 2026.
  • 09h00: IBC-Br de setembro — Brasil. Indicador visto como uma révia mensal do PIB; ajuda a calibrar o ritmo de desaceleração da economia no 3º trimestre.
  • 09h00: Palestra d presidente do BC, Gabriel Galípolo, em São Paulo. Fala do chefe da autoridade monetária em evento empresarial pode trazer nuances sobre a leitura da autoridade monetária para atividade e inflação.
  • 12h00 : Gastos com construção (ago) — EUA, Census Bureau. Primeiro dado da leva de indicadores atrasados pelo shutdown, importante para as projeções de PIB.
  • Tarde: início das negociações políticas da COP30 — Belém. Ministros e vice-ministros negociam texto final e possíveis acordos de financiamento climático.

Mercados hoje: luz no fim do túnel para encerrar o ‘shutdown’ anima os futuros de Nova York

10 de Novembro de 2025, 07:01

Bom dia!
A semana começa com clima de esperança lá fora. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta nesta segunda-feira, 10 de novembro, embalados pela expectativa de um possível acordo no Congresso dos EUA para encerrar o maior “shutdown” da história. Por aqui, a semana é carregada: ata do Copom, IPCA e uma bateria de balanços.

Enquanto você dormia…

  • Às 7h, os futuros de Nova York apresentavam otimismo: S&P 500 +0,93% e Nasdaq +1,48% , após avanço de votação no Senado para encerrar o shutdown.
  • As bolsas da Europa abriram em alta, com o Stoxx 600 subindo 1,21% ; Ásia fechou no azul, com o índice Nikkei, do Japão, em alta de 1,26% e o sul-coreano Kospi com subida de 3,02%.
  • Às 7h, o índice dólar (DXY) se mantinha estável perto de 99,7 pontos; o petróleo Brent tinha alta de 0,7% cotado a US$ 64 o barril; já a Treasury de 10 anos subia para 4,14% ao ano.

Destaque do dia

  • O shutdown pode estar com os dias contados. O Senado americano avançou na madrugada de segunda-feira em um acordo para pôr fim à paralisação parcial do governo dos EUA, já no 40º dia. A votação final, porém, ainda não está marcada e a medida precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados.
  • E daí? O alívio global tende a fazer os investidores ficarem mais propensos a acrescentar risco nas carteiras. É um cenário que tem ajudado, especialmente, as bolsas de emergentes. No Brasil, o ambiente externo pode ajudar a manter o Ibovespa no ritmo dos recordes. O principal índice acionário brasileiro marcou a 10ª máxima de fechamento seguida na sexta-feira passada. Os mercados também vão estar de olho nos balanços, com uma semana cheia de resultados.

Giro pelo mundo

Giro pelo Brasil

  • A semana vem carregada de divulgações: Ata do Copom (terça), IPCA de outubro (terça), além de índice de serviços (quarta) e vendas do varejo (quinta).
  • COP30: após cúpula de líderes, começa nesta segunda-feira (10) a fase “mão na massa” das negociações, com foco em metas e financiamento. Trigger: anúncios setoriais e compromissos de transição.

Giro corporativo

  • Terras raras em Goiás: EUA aportarão US$ 465 milhões ou R$ 2,5 bilhões na Serra Verde, que têm operações de mineração de terras raras no Estado do Centro-Oeste.

Agenda do dia

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Ação em foco: Petrobras retoma alta com a volta dos dividendos generosos

7 de Novembro de 2025, 18:18

O terceiro trimestre da Petrobras marca uma espécie de volta ao jogo para a petroleira. Após uma primeira metade do ano turbulenta, impactada pela queda dos preços do petróleo global e por um aumento de custos na cadeia do setor, a gigante de óleo e gás, começa a reverter boa parte dos ventos contra que levaram PETR4 a cair 14,3% no ano.

A ação fechou em alta de 3,77% no pregão desta sexta, a R$ 32,18. Apesar dos resultados operacionais acima do esperado no terceiro trimestre, os investidores se animaram mesmo com a distribuição de dividendos intercalares, relativos ao terceiro trimestre, acima do esperado.

A Petrobras registrou lucro líquido de US$ 6,03 bilhões – R$ 32,7 bilhões – no terceiro trimestre, alta de 2,7% na comparação anual, e confirmou o pagamento de proventos no valor de R$ 12,16 bilhões, equivalente a R$ 0,94 por ação. Trata-se de um aumento de 40% ante os dividendos anunciados no segundo trimestre.

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Na comparação com o segundo trimestre, a alta no lucro foi de 23%. “Isso é positivo considerando a queda do preço do Brent. Esse desempenho reflete, principalmente, o aumento da produção”, afirma João Daronco, analista da Suno. Entre 20 de junho e o final de setembro, ou seja, o grosso do trimestre, o barril caiu 15%.

Nada mau para quem começou o ano divulgando um prejuízo líquido de R$ 17 bilhões. O resultado se refere ao quarto trimestre de 2024, cujos números vieram a público em fevereiro.

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Já nos primeiros três meses de 2025, os números apresentaram uma melhora significativa. A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 35 bilhões. Mas o balanço trouxe um dado que deixou muitos analistas com a pulga atrás da orelha: um aumento de quase US$ 2 bilhões nos investimentos, que poderia atrapalhar o tráfego de dividendos no futuro.

Muitos especialistas que acompanham a companhia passaram a questionar a aceleração dos gastos com produção e exploração. Isso diante de um cenário de queda de preços da commodity, além de um potencial excesso de oferta em meio aos sinais de retomada de aumentos de produção por parte dos principais países produtores integrantes da Opep+, o que de fato ocorreu.

A partir de abril, a Organização de Países Produtores de Petróleo passou a autorizar, mês a mês, a elevação da produção. No acumulado até o momento, o grupo permitiu aos associados aumentar a meta agregada em mais de 2,9 milhões de barris diários. O número equivale a uma oferta extra de 2,7% do total global.

O barril do petróleo Brent tem sido negociado nos últimos meses na faixa dos US$ 63 a US$ 70, no menor patamar desde meados de 2021. No ano, a cotação da commodity saiu da casa de US$ 80 para os atuais US$ 64.

O golpe mais forte para a ação da Petrobras, no entanto, veio mesmo após os resultados do segundo trimestre. Por causa da queda do preço do petróleo no período, a empresa decidiu rever alguns investimentos e a política de distribuição de dividendos extraordinários, ou seja, além da política normal da empresa, que é a de distribuir 25% do lucro A Petrobras anunciou em agosto que não faria mais pagamentos de proventos extras em 2025, uma prática que se tornou sua marca nos anos anteriores.

PETR4 chegou a recuar 8% na semana após a divulgação de resultados do segundo trimestre. A contínua queda do preço do barril ao longo do terceiro trimestre também pressionou os papéis da petroleira que, na mínima do ano, alcançou R$ 29,17 em 9 de junho.

Ao longo da segunda metade do ano até agora, a cotação do papel se manteve entre esse piso de R$ 29 e o teto de R$ 32,77, ocorrido em 30 de julho.

O jogo parece que começou a mudar no terceiro trimestre. Os fantasmas do passado recente enfraqueceram, mesmo com o Brent no menor nível desde 2021, conforme indicaram a volta dos dividendos e os resultados acima do esperado.

A ampliação dos proventos retomou um dos principais atrativos do papel, ainda que a aprovação no Senado da tributação sobre dividendos a partir de 2026 possa ter inspirado a petroleira a antecipar o pagamento antes que 2025 acabe e a nova regra passe a valer.

No lado operacional, o terceiro trimestre trouxe o recorde histórico de produção. A marca de 3,14 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) significa uma expansão de 17% em relação ao mesmo período do ano passado.

Só no pré-sal, a companhia alcançou 2,56 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Entre os destaques, o campo de Búzios, o maior produtor do país, atingiu pela primeira vez 1 milhão de barris por dia (89% aí ficam com a Petrobras; 11%, com as estatais chinesas CNPC e CNOOC, sócias na empreitada).

No médio prazo, os novos sistemas de produção, que entrarão em operação até 2027, devem somar mais 900 mil barris diários adicionais de capacidade.

Um outro fator que tende a pesar favoravelmente para a companhia foi a obtenção, em 20 de outubro, da licença operacional para perfuração do primeiro poço na Margem Equatorial, no litoral do Amapá, avaliada como a principal nova fronteira exploratória – e que pode significar quase um novo pré-sal para a companhia. A Petrobras prevê a perfuração de oito poços exploratórios na região nessa primeira fase.

O único – e maior – vento contra, porém, ainda não saiu do radar. Os preços deprimidos do petróleo, por enquanto, estão na conta. Se caírem mais, porém, podem trazer novos revezes para a ação da gigante estatal.

Mas, para alívio do mercado, no fim de outubro a Opep+ decidiu pausar as elevações com medo de um excesso de petróleo na praça. A lembrança de crises recentes, quando, em 2020, o preço do barril chegou a cair abaixo de US$ 20, certamente pesou.

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Mercados hoje: dividendos extras da Petrobras animam investidores

7 de Novembro de 2025, 07:34

Bom dia!
A sexta-feira, 7 de novembro, começa em clima de cautela lá fora, mas nada para se preocupar. As ansiedade diante da percepção de valorização excessiva das big techs ainda se mostra presente, mas os futuros das bolsas de Nova York indicam uma visão de copo meio cheio. Aqui, o dia começa com Petrobras em destaque após aprovar R$ 12,2 bilhões em dividendos — tema que deve dominar as conversas dos investidores. A seguir, os números da manhã e o que acompanhar.

Enquanto você dormia…

  • Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York mostravam um misto de ânimo, mas com um pé atrás: S&P 500 +0,05% e Nasdaq +0,04%.
  • Na Europa o tom era levemente positivo, em meio a temporada de balanços, com o STOXX 600 em alta de +0,2%.
  • Na Ásia, dados mais fracos de exportação chinesa pesaram: o Nikkei japonês encerrou em queda de -1,19% e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu -0,92%.
  • O índice dólar (DXY) se mantém em leve alta aos 99,8 pontos; o petróleo Brent segue em alta de 1,26% a US$ 63,7 o barril; a Treasury de 10 anos também sobe para 4,11% ao ano.

Destaques do dia

  • A Petrobras vai pagar R$ 12,2 bi em proventos (dividendos e JCP) extras, com depósitos na conta dos acionistas em 20 de fevereiro e 20 de março de 2026. Quem comprar papéis da petroleira até 22 de dezembro poderá receber. Após isso, a ação se torna “ex-dividendo”, ou seja, sem direito a receber essa distribuição de lucros.
  • E daí? O tema deve mexer com as ações da Petrobras, especialmente as preferenciais (PN), na abertura da bolsa. Uma alta da gigante brasileira ajuda a levar o Ibovespa de “carona”.


Giro pelo mundo

  • Pacote histórico de remuneração: acionistas da Tesla aprovam plano que pode levar o CEO Elon Musk a se tornar trilionário. Sim, pode render até US$ 1 trilhão se as metas agressivas forem cumpridas. Acompanhar reação do papel e desdobramentos legais.
  • China: exportações caem em outubro e azedam a inclinação de investidores por risco. A leitura pesou nas bolsas da Ásia e pode influenciar os preços de commodities.
  • Petróleo: após três quedas, os referenciais Brent global e WTI americano reagem, mas caminham para 2ª semana de perdas.

Giro pelo Brasil

  • Dia de indicadores: inflação medida pelo IGP-DI e produção industrial pelo IPP. As leituras podem ajudam a calibrar curva de juros.

Giro corporativo

  • SLC Agrícola fechou um acordo de R$ 1,03 bi com fundos do BTG para projeto de irrigação na Bahia. O grupo agro é um dos maiores proprietários de terras do país e o modelo de parcerias ajuda a aumentar a área plantada.
  • Heineken Brasil disputa pela liderança do segmento premium cabeça a cabeça com a Ambev. Sua nova “arma” foi a inauguração de uma nova fábrica bilionária em Passos (MG), com capacidade de 5 milhões de hectolitros (equivalente a 500 milhões de litros ou 1,4 bilhão de latas de 350 ml).


Agenda do dia

  • 08:00: Inflação pelo IGP-DI (out) — FGV. Termômetro de inflação no atacado, é um importante indicador dos efeitos do câmbio e dos preços de commodities.
  • 09:00: Atividade industrial pelo IPP (set) — IBGE. Sinaliza pressão de custos industriais.
  • 10:00: Indicadores industriais (set) — IBGE. Vai mostrar o nível de produção e tendências entre setores.
  • 11:00: O integrante do Fed, Philip Jefferson, faz discurso. Comentários de membros do banco central americano podem mexer com a curva de juros das Treasuries nos EUA.
  • 19:00: O integrante do Fed Stephen Miran faz comentários sobre inflação e mercado de trabalho. Miran tem sido um dos membros do BC dos EUA mais vocais para o Fed ampliar os cortes de juros.


Mercados hoje: investidores reagem ao tom mais duro do Copom

6 de Novembro de 2025, 07:38

Bom Dia!
A quinta-feira, 6 de novembro, começa com investidores cautelosos lá fora. Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm perto da estabilidade, com os mercados à espera de notícias para impulsionar novas altas – ou baixas. Aqui, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, como esperado, mas voltou a falar em “período bastante prolongado” de juros altos. O tom um pouco mais duro pode inspirar uma busca por ativos com menos risco e pausar os recordes do Ibovespa, que, na quarta-feira, alcançou nova máxima, acima dos 153 mil pontos. Vamos aos giros desta quinta pós-Copom.

Enquanto você dormia…

  • Às 7h20, os futuros de Nova York exibiam muita cautela após a monta-russa de terça e quarta-feira: S&P 500 se mantinha em queda de -0,01% e o Nasdaq recuava -0,04%.
  • Já Europa e Ásia têm movimentos opostos: o índice europeu STOXX 600 cede cerca de -0,10% com balanços um pouco abaixo do esperado; A bolsa de Hong Kong fechou em alta de 2,12%, enquanto o Nikkei, de Tóquio, encerrou com ganho de 1,34%.
  • Às 7h20, o índice dólar (DXY) cedia –0,24% aos 99,97 pontos; o petróleo Brent subia +0,68% cotado a US$ 63,80 o barril; a Treasury de 10 anos em também avança para 4,14% ao ano.

Destaques do dia

  • O pós-Copom deve dar o tom dos negócios nesta quinta-feira. O Banco Central manteve a Selic em 15% na quarta-feira (5), em decisão unânime, e manteve a sinalização de que pretende esperar mais para ver. Isso significa Selic alta por mais tempo, com maior perspectiva de uma queda de juros só em 2026. O comunicado até voltou a dizer que pode retomar o ciclo de alta se necessário.
  • E daí? Juros longos tendem a seguir sensíveis a política fiscal e aos dados de inflação. Na bolsa, setores mais expostos a juros seguem no radar. No câmbio, o real pode responder ao diferencial de juros, ou seja, a distância entre as taxas do Brasil e dos EUA e ao humor externo.

Giro pelo mundo

  • BC da Inglaterra decide juros: mercado dividido entre manutenção de 4,0% ao ano ou corte marginal.
  • Na falta de mais indicadores, em meio à paralisação parcial de órgãos do governo americano (“shutdown“), os investidores ficam de olho no relatório JOLTS, que mostra a quantidade de vagas abertas em relação ao número de pessoas buscando emprego nos EUA. Está previsto, mas pode ser adiado devido ao shutdown.

Giro pelo Brasil

  • Isenção de IR até R$ 5 mil: Senado aprovou a lei que tira o imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês. O texto prevê compensações por meio de alíquota extra para altas rendas e tributação de dividendos. Juros longos podem reagir com percepção de mais gastos e fiscal mais frouxo.

Giro corporativo

  • Axia Energia (ex-Eletrobras): anunciou pagamento de R$ 4,3 bi em dividendos. O montante será distribuído aos acionistas em 19 de dezembro de 2025.
  • CSN prepara cisão da operação de infraestrutura para acelerar desalavancagem. A separação deve se tornar um caminho de o conglomerado levantar recursos de maneira mais rápida. 


Agenda do dia

Ótima quinta-feira e bons negócios!

Se quiser cumprir a meta de inflação, BC deve segurar a Selic em 15% até março de 2026, diz Volpon

5 de Novembro de 2025, 20:30

O Banco Central vive um dos seus maiores dilemas desde que parou, em junho, de subir o juro básico: quando vai começar a reduzi-lo. Mas se quiser realmente manter o compromisso com a meta de inflação, de 3%, a autoridade terá de segurar a Selic em 15% ao ano, no mínimo, até o fim do primeiro trimestre de 2026. Essa é a opinião do ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon.

Tanto a queda da inflação quanto a convergência dela para as expectativas dos economistas ainda são “extremamente modestas e lentas”. A leitura é clara: subir juros quando a inflação está em alta é uma decisão fácil. O difícil é tomar essa decisão quando a inflação começa a cair. “Aí veremos qual é o compromisso real com a meta”, diz Volpon em entrevista ao InvestNews.

O último boletim Focus, divulgado pelo próprio BC e que reúne projeções do mercado para alguns indicadores econômicos, mostra que a mediana das estimativas para a inflação está em 4,55% para o fim do ano – acima, portanto, do teto da meta, que é de 4,50%, e bem longe do centro, de 3,0%.

Os dados mostram que as estimativas estão em processo de “ancoragem”, um jargão para quando as previsões dos economistas se aproximam do objetivo indicado pelo BC. O ritmo, porém, ainda é de conta-gotas – o que significa que não é óbvio pensar em um corte da Selic tão cedo assim e que há um nível muito grande de otimismo entre aqueles que esperam um corte em breve.

O papel do BC é levar a inflação para a meta. Ponto. Mas a parte trabalhosa desse processo é enfrentar pressões e críticas de vários setores. Esse será o momento em que se revelará o quanto Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade, conseguirá manter a rota da política monetária.

A tal hora da verdade já se aproxima, na leitura de Volpon. Na reunião de dezembro, possivelmente, o BC vai deixar mais clara a sua leitura para os próximos meses.

A dificuldade em determinar o ponto de virada da Selic é a política fiscal expansionista do governo, com um nível de gastos que estimula o consumo e mantém, portanto, a economia crescendo acima do potencial – ou seja, da taxa que não estimula a inflação. Se o governo gasta mais, ele aumenta seu próprio endividamento e estimula que os preços sigam em alta por meio do consumo.

É aí que, mais uma vez, volta-se ao problema básico da economia brasileira: o governo e o BC estão em direções opostas. Enquanto o primeiro busca acelerar o crescimento, o segundo precisa manter uma política monetária contracionista para compensar o impulso fiscal. “O gasto social hoje é quase o dobro do que tínhamos antes da pandemia”, diz o ex-BC.

Entre os grandes pontos de dificuldade do governo em atacar os problemas fiscais está em tentar elevar a arrecadação por meio de uma agenda de aumento de impostos ao mesmo tempo em que faz concessões, caso de medidas como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, que passa a valer em 2026. E isso sem falar no potencial aumento de gastos em ano de eleição – elementos que têm tudo para continuar aquecendo o consumo.

A grande dificuldade do BC está também no fato de que a inflação de serviços, justamente pelo estímulo ao consumo, é que mais demora a responder à política monetária apertada. É mais um elemento para a conta da autoridade na hora de calibrar o espaço que existe – ou não – para pensar em um corte.

Volpon também ressaltou que a chamada taxa neutra de juros, ou seja, aquela que mantém o crescimento da economia sem estimular a inflação, não só aumentou como provavelmente já está acima do que o BC imagina.

Uma taxa neutra mais elevada tem impacto direto sobre o nível e o tempo que o BC precisa manter a Selic elevada. O risco é que, mesmo com a taxa básica em 15% ao ano, o maior nível em uma década, isso ainda não seja suficientemente contracionista quanto se acredita. “Se a política monetária estivesse tão apertada quanto dizem, o IPCA já teria caído muito mais rapidamente.”

Para tomar qualquer decisão sobre uma mudança no ciclo de juros do Brasil, então, só tem um caminho: esperar para ver como a economia vai se comportar no início do ano que vem. No comunicado da decisão de hoje, o BC acrescentou um trecho em que diz que a “inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento”. O tom do comunicado, porém, seguiu com o mesmo, mostrando preocupação em relação à trajetória do IPCA.

É diante de tudo isso que o BC terá a difícil escolha de abandonar a meta inflacionária ou compensar todo o cenário fiscal com juros elevados, sem espaço para cortes.

E esse debate é como repetir a história: o economista citou episódios passados, como entre 2011 e 2014, quando o BC dizia perseguir o centro da meta de 4,5%, mas mirava mesmo o topo da banda, em torno de 6,5%. A ver os próximos passos.

Ibovespa segura recorde, mesmo após o Fed esfriar apostas de um novo corte em dezembro

29 de Outubro de 2025, 17:54

Bastou Jerome Powell levantar dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros em dezembro para esfriar os ânimos dos investidores no mundo todo. Mas, mesmo com essa dose pouco esperada de cautela presidente do Fed, a bolsa brasileira conseguiu forças renovar sua pontuação recorde – pela nona vez neste ano.

O Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,74% aos 148.520 pontos, pela primeira vez na história acima dos 148 mil pontos. E fez mais: na parte da manhã, o principal índice acionário brasileiro alcançou uma nova máxima intradiária, aos 149.067,16 pontos.

O dia começou com os mercados em modo euforia. E o Fed correspondeu ao cortar os juros em 0,25 ponto percentual, como amplamente esperado. Mas durante a coletiva após a decisão de politica monetária nesta quarta-feira (29), Jerome Powell, resolveu jogar água no chope das bolsas.

O dirigente pontuou o seguinte: que há um crescente movimento dentro do banco central americano no sentido de dar um “passo atrás”. No caso, pausar os cortes já e esperar para ver.

Nos EUA, as falas desasceleraram nitidamente o otimismo.

A ferramenta FedWatch, que monitora as apostas de investidores nos rumos da política monetária americana, agora coloca as chances de um corte em dezembro em 56,4%. Antes da coletiva, o percentual chegou a tocar os 90%.

Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 terminou o dia quase na mesma, com queda de 0,01% aos 6.890,59 pontos. O Nasdaq subiu 0,55% para 23.958,47 em meio às expectativas para os balanços de Microsoft, Alphabet e Meta nesta quarta-feira. Já o Dow Jones caiu 0,16% aos 47.632 pontos.

Outros mercados acionários emergentes, além do Brasil, também se seguraram no território positivo – numa amostra de busca por diversificação entre os investidores globais. A bolsa mexicana subiu 0,97%. A chilena, 0,99%.

Por fim, o dólar. A moeda americana fechou estável: -0,04%, a R$ 5,35. No ano, a moeda já acumula queda de 13,29%.

Onda de otimismo anima bolsas globais e empurra Ibovespa para novo recorde

27 de Outubro de 2025, 18:25

Um “alinhamento dos astros” nesta segunda-feira (27) sustentou o ânimo de quase todos os mercados globais – e o Brasil não ficou de fora. Com expectativas positivas rodando o cenário econômico, político e monetário, as bolsas ao redor do mundo tiveram um dia positivo e o Ibovespa, na mesma toada, renovou a sua máxima histórica.

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em um novo recorde de 146.991 pontos, com alta de 0,56%. No desempenho intradiário (dentro de uma sessão), o indicador também quebrou o recorde ao alcançar 147.976 pontos na parte da manhã.

Em linha com o enfraquecimento ante outras moedas globais, o dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,3706. No ano, a divisa acumula queda de 13,08%.

A principal força para o mercado veio da sinalização de um potencial final feliz para o embate tarifário entre os Estados Unidos e a China. No domingo (26), os principais negociadores comerciais das duas economias disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso pavimenta o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um passo concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

E outros fatores se somaram para explicar o bom humor dos investidores, como a perspectiva de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já na quarta-feira (29).

O mercado já trabalha majoritariamente com um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária, coloca essa possibilidade em 97,8%. A potencial redução alimenta o interesse dos investidores para buscar aplicações mais arriscadas, mas com maior potencial de retorno – o que traz um fluxo grande para mercados em desenvolvimento.

Aqui no Brasil, o mercado também se apoiou no clima amistoso entre Lula e Trump em encontro realizado no domingo (26). A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países. Esse foi o primeiro evento com participação dos dois governantes após o mandatário americano decidir aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, no fim de julho.

Até os dados macroeconômicos deram uma força ao desempenho positivo da bolsa no dia. O boletim Focus, que traz as estimativas de economistas para alguns indicadores, continuou mostrando mais quedas das expectativas sobre a inflação. Esse processo de “ancoragem” ou seja, de convergência das projeções para a meta estabelecida pelo Banco Central, é sempre citado pela autoridade como um dos principais fatores para o início do ciclo de cortes da Selic.

No embalo do otimismo global, Ibovespa marca novo recorde

27 de Outubro de 2025, 15:13

O Ibovespa renovou o recorde de pontos dentro da sessão desta segunda-feira (27). Após a sinalização de que começa a ser encaminhado um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, os investidores voltaram a deixar uma parte do conservadorismo de lado e a buscar mais retornos em mercados considerados mais arriscados, como o Brasil.

A melhora nos conflitos comerciais é positiva porque retira incertezas do horizonte e abre perspectivas mais otimistas para a economia global. Com isso em vista, o Ibovespa renovou o recorde intradiário (dentro da sessão) em 147.976 pontos.

Perto das 14h50, o principal índice da B3 subia 0,50%, aos 146.904 pontos. Se fechar nesse nível, o indicador quebrará o recorde de fechamento pela oitava vez em 2025.

O movimento de alta se espalha pelas bolsas de todo o mundo. Os mercados emergentes, no geral, são os que mais têm se beneficiado da trégua nas inúmeras frentes da guerra de tarifas promovida pelo governo americano. O índice MSCI Emerging Markets, que acompanha a variação de um portfólio com 1,2 mil empresas de 24 países emergentes, tem avanço de 1,35%.

Em outras praças, o desempenho também é positivo. O S&P/BMV IPC, do México, sobe 1,17%, enquanto S&P CLX IPSA, do Chile, avança 0,36%. Na Ásia, o mercado também já antecipava o movimento positivo pelo mundo – o Hang Seng, de Hong Kong, por exemplo, subiu 1,05%.

No domingo (26), os principais negociadores comerciais das superpotências econômicas disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso prepara o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um entendimento concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

Entre as economias latino-americanas, a Argentina vive nesta segunda-feira uma situação particular. A vitória quase inesperada do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de meio de mandato no domingo (26) deu ao mandatário um novo impulso em sua busca de reformas.

A vitória tirou do radar dos investidores uma das maiores incertezas políticas recentes no país: a de que a agenda liberal do governo fosse barrada por um Congresso de maioria oposicionista. Como resultado, o S&P Merval, principal índice da bolsa argentina, dispara 20,50%. O peso argentino sobe 4,62% em relação ao dólar, para 1.412,45 pesos por unidade da moeda americana – movimento de destaque entre as divisas globais.

No Brasil, os investidores também se apoiam na avaliação positiva sobre o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A conversa marcou a primeira reunião oficial entre os dois governantes desde o início da atual crise diplomática. A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países.

No mercado de câmbio, o dólar vive um dia de fraqueza frente a outras divisas. O Índice Dólar (DXY), que acompanha a variação da moeda americana na comparação com as seis principais moedas do comércio internacional, recua 0,07%, para 98,88 pontos. Frente ao real, a queda é de 0,27%, cotada a R$ 5,3720; ante o peso mexicano, a baixa é de 0,23% e, contra o yuan, o recuo é de 0,15%.

Mercados hoje: acerto entre China e EUA e encontro entre Lula e Trump animam investidores

27 de Outubro de 2025, 07:32

Bom Dia!
A semana abre em modo “inclinação ao risco ligado”. O fim de semana trouxe notícias para animar os investidores: sinais de entendimento entre EUA e China tiram pressão de tarifas e animam a pré-abertura lá fora. Aqui, o encontro Lula–Trump trouxe uma luz no fim do túnel das tarifas. Por outro lado… a expectativa para o encontro do Fed entre terça-feira e quarta-feira pode inspirar cautela ao longo do dia.
A seguir: giro global, os destaques do dia, pílulas e a agenda, com balanço de Neoenergia.


Enquanto Você Dormia…

  • Clima mais leve: investidores precificam avanço num acordo EUA–China e aguardam Big Techs + Fed.
  • Futuros de NY: S&P 500 +0,74% e Nasdaq +1,10% (por volta de 08h50).
  • Europa e Ásia: STOXX 600 perto de máximas históricas; Japão/Coreia/Taiwan bateram recordes com o alívio tarifário no radar.
  • Dólar DXY estável perto de 98,9; Petróleo Brent em US$ 66,4; Treasury 10 anos ao redor de 4,04%

Destaques do dia

  • EUA–China afinam um caminho para um futuro acordo:
  • Washington e Pequim indicaram um esboço para evitar novas tarifas dos EUA e adiar controles chineses a exportações (terras-raras), com encontro de líderes. Futuros saltam na esteira do noticiário.
  • E o que isso importa? Se o desarme tarifário avançar, melhora o humor em commodities e cíclicas ligadas à China (Vale, CSN e Gerdau) e tira pressão de dólar/juros globais; soja e cadeias industriais sensíveis a insumos asiáticos também entram no radar.

Giro pelo mundo

  • Big Tech na semana: Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon e Meta puxam a temporada e testam o “trade” de IA. (Triggers: pré/pós-fechamento ao longo da semana)
  • Futuros de NY sobem com expectativa de corte de 25 pb na quarta (Fed) e reunião Trump–Xi.
  • Argentina: Milei sai fortalecido nas eleições de meio de mandato, reforçando agenda pró-mercado e laços com os EUA. Partido do presidente argentino conquistou 67 de 127 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Giro pelo Brasil

  • Lula–Trump: reunião de 45 minutos em Kuala Lumpur ensaia trégua tarifária; times técnicos começam a negociar “solução rápida”. (Próximo passo: agenda de encontros entre Tesouro/Trade Reps)
  • Focus: sai entre 8h25–8h30 com novas projeções de IPCA/Selic/câmbio; baliza a curva logo cedo.

Giro Corporativo

  • Energia: Neoenergia (NEOE3) divulga 3T25 hoje; teleconferência amanhã de manhã. (Olho em alavancagem, CAPEX e fluxo de caixa)
  • Temporada local: resultados ganham tração nesta e nas próximas semanas, com blue chips na fila.

A Agenda de hoje

  • ⏰ 08:25: Relatório Focus — Banco Central do Brasil. Termômetro das expectativas para IPCA/Selic/câmbio.
  • ⏰ 12:30 (ET 10:30): Dallas Fed Manufacturing — EUA. Sinal de atividade/preços no Texas.
  • ⏰ Após o fechamento: Neoenergia (NEOE3) — 3T25. Divulgação dos números; call amanhã às 09:00 (BRT).
  • ⏰ Durante o pregão: Prévias/expectativas de balanços nos EUA; foco em Big Tech ao longo da semana.
  • ⏰ Amanhã: Início da reunião do Fed (27–29/10); decisão na quarta-feira, 14h (ET).

Ação em foco: Rede D’Or sobe 70% no ano com postura mais cautelosa

24 de Outubro de 2025, 18:28

A Rede D’Or São Luiz vai, aos poucos, consolidando sua metamorfose: de rede hospitalar para um “ecossistema” de saúde. Após a aquisição da SulAmérica em 2023, o grupo continuou avanaçando na estratégia. Formou no ano passado uma joint venture com a Bradesco Saúde, a Atlântica D’Or, para a incorporação e construção de novos hospitais.

E a ofensiva mais recente mira grandes laboratórios de diagnósticos.

Em julho, vieram especulações de que a Rede D’Or buscava uma combinação de negócios com o Fleury. O mercado entendeu como um movimento estratégico, que ampliaria a verticalização de serviços, ou seja, a consolidação desse ecossistema completa de serviços, dos planos de saúde e atendimento médico aos exames e prevenção.

Apesar de inicialmente terem negado, as duas empresas recentemente reconheceram haver conversas sobre uma eventual fusão. Fleury e Rede D’Or disseram em outubro que “avaliam oportunidades”, sem, no entanto, terem qualquer acordo firmado.

A Rede D’Or amargava uma queda de 67% entre a máxima de agosto de 2021 e o fim do ano passado. Em 2025, veio a virada: alta de 70% no ano. O que conquistou o mercado? Foi a sinalização de uma postura mais cautelosa, que busca priorizar o crescimento orgânico e a rentabilidade.

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Entre 2020 e 2023, o grupo realizou 14 aquisições, incluindo a incorporação da SulAmérica Saúde. A empresa desembolsou no total perto de R$ 16 bilhões no período. De 2024 para cá, o grupo se voltou a reduzir custos e consolidar as aquisições.

Neste ano, por exemplo, a Rede diminuiu o plano de abertura de leitos — de 4 mil para 3,2 mil até 2028, com um corte mais agudo em 2025 (apenas 500 novos leitos). Além disso, vendeu sua participação na companhia de terapia celular GSH, um desinvestimento que rendeu R$ 1,5 bilhão ao caixa.

Os resultados do segundo trimestre já começam a mostrar os frutos dos investimentos intensivos realizados nos últimos anos. A Rede D’Or reportou lucro líquido de R$ 1,05 bilhão, com alta de 5,2% ante o mesmo período de 2024. A receita cresceu 11,7% no segundo trimestre, para R$ 13,96 bilhões. Houve um avanço de 12,1% no faturamento hospitalar e de 11,6% nos seguros.

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Outro movimento visto como um gol foi a joint venture Atlântica D’Or. A nova empresa, além de incorporar unidades da Rede D’Or São Luiz, também iniciou a construção de novos hospitais, incluindo uma unidade especializada em oncologia.

Um dos negócios firmados neste ano a partir da parceria rendeu R$ 440,9 milhões para a Rede D’Or, valor recebido pela aquisição de metade do Hospital Glória D’Or pela Atlântica D’Or. Esse rearranjo indica um potencial de que a joint venture pode não só ajudar a reduzir custos operacionais para o grupo hospitalar como, ao mesmo tempo, ampliar a oferta de leitos em novas praças.

Os analistas de várias casas têm colocado a Rede D’Or entre as preferidas do setor de saúde na bolsa. O BB Investimentos elevou o preço-alvo de 2025 para R$ 39, com recomendação de compra. O Itaú BBA destaca há alguns meses a rede como sua preferida, com destaque para a melhora operacional e para o potencial de crescimento da joint venture com a Bradesco Saúde.

O Santander elevou o preço-alvo da ação do grupo para R$ 51,50 no fim de 2026. Trata-se de um potencial de crescimento de 22% frente a cotação atual, de R$ 42,26. Os analistas Caio Moscardini e Eyzo Lima apontam como as duas fortalezas da Rede D’Or, a execução “superior”no segmento de hospitais e ao forte desempenho comercial da SulAmérica.

As cenas dos próximos capítulos estão cheias de emoções para os investiudores. O foco agora está em três eixos:

1) A dinâmica de ocupação de leitos e os preços;

2) O tabuleiro competitivo, onde a disputa em oncologia com a Oncoclínicas tem o potencial de adicionar um crescimento relevante

3) Os novos movimentos de fusões e aquisições, com Fleury, Dasa e Aliança entre as possibilidades.

A Rede D’Or, enfim, entra no último trimestre de 2025 com uma narrativa diferente de 2024, na visão do mercado: menos crescimento “a qualquer custo”, mais retorno sobre o que já foi construído.


Foto da abertura: Divilgação Rede D’Or

Ações da Copasa podem subir mais de 50%, se privatização avançar, diz Itaú BBA

15 de Outubro de 2025, 15:11

As ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, já subiram 73% neste ano. Mas, provavelmente, o crescimento ainda mal começou. A possibilidade de privatização da empresa ganhou corpo nos último meses e, na avaliação do Itaú BBA, há “um caminho claro para a conclusão do processo até o início de 2026”.

Os analistas do banco de investimentos fizeram as contas, considerando uma potencial privatização. Como resultado, a casa elevou a Copasa para “outperform” (desempenho acima da média), com um novo preço-alvo de R$ 43,20 por ação para o final de 2026, ante os R$ 24,10 por ação estimados anteriormente para o fim de 2025. Ou seja, a atual projeção embute um potencial de alta de 21,5% ante a cotação atual do papel.

O Itaú BBA, porém, ressalta que a alta recente “ainda não precifica integralmente o valor potencial de uma companhia privatizada“. De acordo com os analistas Fillipe Andrade, Luiza Candiota e Victor Cunha, se o processo de venda for concluído, o potencial de valorização das ações subiria para 51%.

Na conta do novo preço-alvo, o próprio Itaú BBA incorporou uma visão mista: 60% se referem ao valor de uma Copasa privatizada e os demais 40% são referentes ao projetado para a estatal sem que o processo tenha sido concluído. Isso significa que o potencial de alta pode ser ainda maior a partir de uma definição sobre a venda do controle a investidores.

O movimento de alta recente tem sido impulsionado pelas discussões sobre a privatização da companhia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que ganharam força nos últimos meses. Além disso, os números preliminares da revisão tarifária vieram melhores que o esperado e podem destravar valor adicional, caso avancem os debates sobre eficiência operacional (Opex) e custo médio ponderado de capital (WACC).

Na avaliação da casa de análise, “as chances de privatização da Copasa aumentaram de forma expressiva recentemente, com apoio político consistente na Assembleia mineira”.

A revisão da tese de investimento do banco também levou em conta os novos parâmetros regulatórios divulgados pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG). A revisão foi favorável à Copasa, porque trouxe melhorias relevantes no reconhecimento e remuneração da base de ativos regulatória (RAB). Ou seja, a estatal deve registrar um aumento de receita.

Processo avança com menos resistência política

Nos últimos cinco meses, as discussões sobre a privatização da Copasa avançaram de forma decisiva. O tema ganhou tração na Assembleia Legislativa e o governo mineiro alterou a postura sobre o uso dos recursos de uma eventual venda.

Em reuniões recentes com parlamentares e integrantes do governo de Minas Gerais, os analistas do Itaú BBA observaram redução significativa na resistência política à operação.

Nos cálculos do banco, apesar de o mercado já precificar maior probabilidade de privatização, o potencial de valorização ainda é expressivo:

No cenário conservador — em que a Copasa permanece estatal e adota uma redução de custos de cerca de 5% —, o preço-alvo para o fim de 2026 é de R$ 30,80 por ação e potencial de queda de 10% em relação ao preço atual.

No cenário de privatização, o preço-alvo sobe para R$ 51,60 por ação, com potencial de alta de 51%.

Privatização no radar do mercado

A XP Investimentos é outra casa que enxerga grandes chances de a privatização da Copasa avançar. Segundo os analistas, há mais de 50% de chances de a companhia ser privatizada até março de 2026.

Em relatório divulgado nesta semana, a XP estima o preço das ações da empresa, sem considerar a privatização, em R$ 41,60 para 2026. Hoje avaliada em R$ 12,7 bilhões, o valor de mercado da Copasa pode subir para R$ 15,8 bilhões no ano que vem.

Com a privatização, o potencial de alta seria ainda maior.

Queda na volatilidade do dólar abre janela para investir lá fora. Saiba como aproveitar

10 de Outubro de 2025, 11:28

Quem buscou diversificar seus investimentos em dólar viveu “mixed feelings” desde a metade de 2024: ou a moeda americana não parava de subir, como no ano passado, ou manteve uma queda constante, como neste ano. E aí, ficava difícil acertar a hora de aplicar. Mas agora chegou a hora de tirar da gaveta os planos de investir no exterior.

Desde meados do ano, a moeda americana tem estado muito mais comportada. A volatilidade praticamente sumiu e o dólar se estabilizou em um patamar bem mais baixo do que o visto no início de 2025.

De julho para cá, o dólar acumulou uma leve queda de 1% frente ao real. No ano, a moeda dos EUA recua 14,74%, ou seja, a queda se concentrou, basicamente, na primeira metade do ano. Além disso, a perspectiva da taxa de câmbio é se manter abaixo de R$ 5,40, pelo menos, nos próximos meses.

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É justamente a volatilidade que traz um dos principais riscos e atrapalha a vida dos aplicadores que ficam tentando acerta o melhor momento de investir. Por isso, a calmaria cambial ajuda quem tem planos de manter uma parcela do patrimônio em moeda forte.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, cita oportunidades, por exemplo, em títulos de renda fixa emitidos tanto pelo governo americano quanto por empresas de maior qualidade de crédito. “É uma chance de travar, em dólar, taxas prefixadas ainda elevadas.”

Uma possibilidade para o investidor brasileiro é aplicar em bonds de companhias brasileiras com melhor perfil de crédito. “Lá fora, o mercado enxerga nossas gigantes, como Petrobras e Vale, como empresas de mercados emergentes que precisam pagar um prêmio maior comparadas aos pares americanos”, explica. Mas, para os brasileiros, são os grupos mais sólidos do mercado.

A Petrobras tem um bond com vencimento em 2029 que hoje está sendo negociado com uma taxa de retorno (yield) de 5,80% ao ano. Outro papel com prazo em 2035 oferece um yield de 6,10% anual.

O bond da Vale com vencimento em 2034 é negociado a uma taxa de 8,20%. Outro título em dólar da mineradora com prazo até 2039 paga atualmente um yield de 6,87% ao ano.

No caso dos títulos públicos americanos, os chamadas Treasuries, os retornos prefixados se mantêm perto dos 4% ao ano. O papel de 5 anos, por exemplo, está pagando uma taxa de 3,74%. Já o de 10 anos está com um retorno de 4,15% anuais.

Para quem busca investir em dólar, mas quer manter a possibilidade de sacar o dinheiro a qualquer momento, a estrategista da Nomad cita como opção de aplicações os ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo. São fundos de índices com cotas negociadas na bolsa. Esses veículos mantêm uma carteira com até 80% aplicada em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

Como as cotas são negociadas na bolsa, o investidor pode entrar e sair a qualquer momento. O ETF VBILL da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,44%. Outro fundo o TBLL, da Invesco, tem um yield em 12 meses de 3,89%. “Funciona de maneira parecida com o nosso CDI.”

Zogbi enxerga ainda oportunidade de diversificação em ações internacionais. Na visão da estrategista, o investidor brasileiro pode aplicar em vários mercados também por meio de ETFs. Há vários fundos de índice que seguem referenciais com os índices globais da MSCI. Um ETF do MSCI World ex-US, por exemplo, possibilita ao investidor ter exposição a 22 mercados desenvolvidos, mas tira os EUA da lista.

Por outro lado, quem busca manter um pé nas bolsas americanas encontra fundos de índice que replicam referenciais amplos do mercado acionário dos EUA, como o S&P 500 e o Russell 2000. “O setor de tecnologia lá fora pode até estar caro, mas há muitos outros entregando resultados acima das expectativas. Tem ainda muitas oportunidades nas ações dos Estados Unidos.”

Os títulos de renda fixa e os fundos são oferecidos em plataformas digitais e podem ser acessados por meio de contas globais de investimentos.

A especialista da Nomad lembra ainda que pensar em investimentos lá fora é muito diferente de comprar dólar para viajar. “Na viagem, o melhor é fazer um câmbio médio. Mas no caso de diversificação internacional, o quanto antes começar, melhor.”

Isso porque a oscilação cambial é atenuada pelo efeito dos juros compostos, então quanto mais tempo o dinheiro ficar investido maior a vantagem na rentabilidade da carteira. Zogbi ressalta ainda que manter os recursos no longo prazo ainda ajuda a aproveitar os melhores dias do mercado, que podem representar um reforço significativo na hora de resgatar.

De qualquer modo, essa janela de calmaria provavelmente tem um prazo de validade. A estrategista-chefe da Nomad vê a partir do ano que vem uma chance cada vez maior da volta da volatilidade. “A questão fiscal tende a influenciar mais o câmbio no ano que vem, principalmente quando o tema das eleições ficar mais no foco.”

A economista lembra que no fim de 2024 o dólar subiu para a casa dos R$ 6,18 principalmente por conta das preocupações com o desequilíbrio fiscal. Na visão da estrategista da Nomad, esse fator ganhou um contrapeso com o enfraquecimento global da moeda americana ao longo do ano e o grande diferencial de juros existente entre Brasil e EUA.

Para 2026, o cenário pode mudar. Essa virada pode acontecer porque o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem sinalizado para uma redução de ritmo ou até mesmo uma pausa nos cortes de juros a partir do ano que vem. Além disso, o BC brasileiro pode começar seu próprio ciclo de redução de taxas, o que reduzia a diferença entre os rendimentos de ativos locais e americanos. Essa diminuição do diferencial de juros tende a fortalecer a moeda americana.

Além disso, o Brasil tem suas próprias incertezas internas. A principal tem a ver com a trajetória do endividamento público e a menor disposição para enfrentar o problema em um ano de eleições. São incertezas que elevam o prêmio de risco pedido pelos investidores globais e, com um fluxo menor de dinheiro de fora vindo para o país, tendem a enfraquecer o real.

Investidores de COEs da Ambipar e da Braskem têm prejuízos de até 93%

7 de Outubro de 2025, 14:13

As perdas com certificados de operações estruturadas (COE) lastreadas por títulos em dólar da Ambipar e da Braskem já são realidade. A XP começou a enviar comunicados aos assessores de investimentos de sua rede nos quais pede para informar os clientes sobre os prejuízos dos certificados após o acionamento de cláusulas de vencimento antecipado. Há casos nos quais o cliente vai receber apenas 7% do valor originalmente aplicado, ou seja, uma perda de 93%.

Conforme revelado com exclusividade pela reportagem do InvestNews, há, pelo menos, 41 emissões de COEs da Ambipar no mercado e 78 da Braskem, ligados a seus bonds – títulos de dívida emitidos no mercado internacional. São produtos emitidos por várias casas e potencialmente sob risco.

Nos comunicados enviados aos assessores, a XP informa que os investidores vão receber menos de 7% do valor investido originalmente, no caso dos COEs de Ambipar que tiveram a cláusula de vencimento antecipado acionada. São certificados emitidos até 18 de março do ano passado. Em relação aos COEs de Braskem, o percentual recuperado é maior, entre 26% e 37%, para títulos emitidos até 24 de março de 2024.

Na plataforma Reclame Aqui, há vários relatos de supostos clientes que tiveram prejuízos significativos com os COEs emitidos pela XP. Há cerca de 20 depoimentos até o momento relacionados a perdas com os COEs.

Em uma reclamação postada na segunda-feira (6), o investidor afirma ter perdido R$ 270 mil em um certificado com lastro em bonds da Ambipar e vencimento em 2031. “Por causa da crise na empresa, a XP liquidou o título e os meus R$ 289 mil viraram R$ 19 mil.”

Em outro depoimento postado no mesmo dia, o suposto cliente alega ter perdido R$ 22 mil com um COE semelhante. “O valor aparece zerado no meu aplicativo, e eu nem sequer fui informado.” Há ainda um caso divulgado na plataforma nesta terça-feira (7) no qual o aplicador reclama ter tido um prejuízo de 80% com o certificado. Dos R$ 25 mil originalmente alocados, poderá recuperar cerca de R$ 5 mil.

Vários COEs preveem que, se os títulos das companhias que servem como lastro caírem mais que um determinado nível no mercado secundário, por exemplo, serem negociados abaixo de 50% do preço de emissão, os vencimentos desses certificados são antecipados. Nesse caso, os investidores pagam a conta, ou seja, amargam os prejuízos, porque o COE é desfeito, o bond é vendido ao preço que o mercado está pagando e o aplicador só recebe o que for possível obter.

O problema é que com os temores sobre potenciais pedidos de recuperação judicial tanto da Braskem quanto da Ambipar, os títulos passaram a ser negociados por uma fração do preço de face. No caso da Ambipar, o efeito foi ainda maior porque a companhia obteve na Justiça um pedido de tutela cautelar para se proteger contra credores por 30 dias, renováveis por mais 30. Esse tipo de sollicitação costuma anteceder processo de RJ.

As preocupações têm levado os títulos emitidos pelas companhias no mercado internacional a serem negociados nos preços mínimos históricos. Os bonds de Ambipar têm sido negociados a 13% do valor de face, enquanto os da Braskem a até 20% do preço original na emissão.

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Ação da MRV recua mais de 10% após frustração com prévias do 3º tri

7 de Outubro de 2025, 11:58

Após apresentar uma prévia operacional no terceiro trimestre vista com fraca pelo mercado, as ações da construtora MRV negociam em forte queda. O papel ordinário (ON) apresenta um recuo de 10,31% a R$ 6,44, por volta de 11h45.

De acordo com os números divulgados nesta terça-feira (7), a companhia registrou queima de caixa em todos os segmentos. O resultado foi impactado por efeitos pontuais, como atrasos em repasses devido à suspensão de subsídios regionais. Esses fatores geraram um descasamento de R$ 93 milhões na geração de caixa do terceiro trimestre.

No consolidado, a MRV reportou um consumo de caixa de R$ 37 milhões, com impacto distribuído entre suas operações de habitação popular, média renda e loteamentos, além das subsidiárias Luggo e da Resia, que teve um consumo de recursos negativo de US$ 1,5 milhão mesmo após vendas de ativos.

“Esperávamos uma geração de caixa mais forte devido ao melhor ritmo de transferências e à sazonalidade”, afirmaram analistas do Citi em relatório a clientes.

Já os analistas do Itaú BBA consideraram haver uma “baixa visibilidade sobre os lucros” após os resultados apresentados.

Vendas e lançamentos abaixos do esperado

Os lançamentos somaram R$ 2,43 bilhões no trimestre, com uma alta de 4% em relação ao ano anterior, mas 28% abaixo das projeções. As vendas, por sua vez, totalizaram R$ 2,53 bilhões, uma queda de 11% na comparação anual e 9% abaixo do previsto.

Para o o Itaú BBA, os números refletem um ritmo mais fraco de comercialização, especialmente no programa Minha Casa Minha Vida, principal estratégia de comercialização da companhia.

A MRV afirmou que terminou o período entre julho e outubro com 1.400 unidades não repassadas a mais que o segundo trimestre para a MRV Incorporação. Esse fator também afetou a geração de caixa e a venda líquida reportada.

“Se isso não tivesse ocorrido, as vendas do terceiro trimestre de 2025 seriam similares às do segundo trimestre de 2025”, acrescentou a companhia em comunicado.

Dólar fraco tem prazo de validade? Tudo pode mudar a partir de 2026

1 de Outubro de 2025, 16:30

O dólar vem comportado desde o início do ano. Mas do começo do segundo semestre para cá, a queda da moeda americana em relação ao real diminuiu o ritmo: foram apenas 2,6% de desvalorização, comparados aos 14% no acumulado do ano. Essa desaceleração parece prenunciar uma mudança de ventos se aproximando.

Por volta das 16h29, o dólar era negociado a R$ 5,3209, praticamente estável. Em setembro, a moeda americana acumulou recuo de 2%.

A queda do dólar está, atualmente, na conta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Isso porque a autoridade planeja cortar os juros ao menos mais uma vez e, quem sabe, até mesmo duas antes de 2025 acabar.

Porém, no caso do Brasil, esse roteiro de fraqueza do dólar parece ter um “plot twist”, ou seja, uma reviravolta programada no próximo ano. E o que pode acontecer para mudar o cenário atual?

É que o início do ciclo de queda da taxa de juros no Brasil vai coincidir com uma desaceleração do ritmo de corte pelo Fed ou até mesmo uma pausa prolongada lá fora. Esse cenário pode reforçar a cautela entre investidores globais.

Uma postura menos voluntariosa para tomar risco pode secar, justamente, uma das fontes da recente valorização das moedas emergentes: a busca por diversificação fora do mercado americano.

Inflação nos EUA ainda não foi domada

Uma mudança de posicionamento do Fed teria como causa uma preocupação com um aumento de pressão sobre preços nos próximos trimestres. Acontece que o BC dos EUA passou a manifestar, logo após a decisão de retomar os corte de juros em setembro, estar desconfortável com a persistência da inflação.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed, subiu para 2,7% em agosto, o que indica uma leve aceleração comparado aos 2,6% de julho. “Com o PCE avançando para 2,7% em 12 meses, fica claro que o Fed terá de manter cautela na condução da política monetária”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

O plano de voo do Fed leva em consideração uma redução de juros para evitar a aceleração do desemprego. Mas, por outro lado, há a necessidade de calibrar o ritmo do afrouxamento de maneira a evitar a volta da inflação. Daí a necessidade de o BC americano adotar uma postura mais prudente em algum momento nos próximos trimestres.

“Acho que nem poderíamos chamar esse movimento de um ciclo de cortes”, afirma o sócio e gestor da Az Quest, Eduardo Aun. “Parece-me mais um ajuste fino devido à deterioração marginal do mercado de trabalho. Não vejo espaço para muito mais cortes além dos já sinalizados pelo Fed.”

BC brasileiro não tem pressa para cortar

Do lado de cá, o relatório Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras em relação a juros, inflação e PIB, mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao fim de de 2026. Isso significa uma redução de 3 pontos percentuais.

Se o BC fizer reduções de 0,25 ponto na Selic, precisaria de 12 reuniões para chegar na projeção do Focus. Porém, como o Comitê de Politica Monetária (Copom) se reúne apenas oito vezes no ano, a estimativa de Selic a 12% no fim do próximo ano embute a perspectiva de vários cortes de 0,5 ponto.

Em resumo, enquanto o Fed tem sinalizado haver chance de cortar uma vez ou nem cortar os juros em 2026, por aqui o mercado avalia que o BC brasileiro vai acelerar o passo no ano que vem. Com a redução do chamado diferencial de juros, o mercado local tende a se tornar menos atrativos aos investidores estrangeiros.

As estimativas da equipe de pesquisas econômicas do Itaú, por exemplo, reforçam essa dualidade de cenários daqui até o fim do ano e o que poderá ser visto já em 2026. O time do Itaú, liderado pelo economista-chefe Mario Mesquita, ressaltou ver o real forte no curto prazo. Mas, para o próximo ano, “o estreitamento do diferencial de juros, o prêmio de risco e o cenário desafiador das contas externas limitam perspectivas mais favoráveis”.

Os especialistas do banco enxergam o dólar no fim de 2025 em R$ 5,35. Mas preveem que a moeda americana termine 2026 cerca de 3% mais alta. Segundo a casa de análise, a taxa de câmbio deve subir para R$ 5,50 no ano que vem. Isso significa que, na visão do Itaú, a maior parte da potencial desvalorização do dólar frente ao real já passou.

O Focus também mostra uma visão menos otimista para 2026. O relatório do BC projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,58 no final do ano que vem.

Volatilidade pode voltar

Aun, da AZ Quest, lembra ainda que o real tem sido muito utilizado em operações de “carry trade”, ou seja, quando uim investidor toma emprestado em moeda de juros baixos e investe em outra moeda de juros altos para capturar o diferencial de juros (“carry”). Se houver uma reversão da tendência do dólar fraco, o desmonte de posições de carry em reais levaria a um aumento da volatilidade no mercado brasileiro.

Para o ano que vem, o especialista em portfólio da Azimut Brasil WM, Marcelo Bacelar, cita ainda o problema da piora nos números de conta correte no país como outro ponto de pressão contra o real. “Não é um desespero, mas é um sinal amarelo porque começa a mostrar uma saída de dólares estrutural.”

Apesar das nuvens cambiais mais escuras em 2026, as previsões não desenham nenhum cenário crítico, mas, basicamente, uma mudança de ventos no horizonte. De qualquer modo, parece que, pelo menos as viagens internacionais no fim de ano estarão garantidas.

Até quando o Tesouro Direto vai continuar a oferecer as maiores taxas em 10 anos?

30 de Setembro de 2025, 15:07

A bolsa subiu, o dólar caiu, mas o Tesouro Direto…continua o mesmo. A valorização que se viu em muitos ativos brasileiros não foi suficiente para abalar a posição super atrativa da renda fixa. Entretanto, esse período de juros nas máximas em uma década, que já dura quase um ano, pode estar com os dias, ou melhor, com os meses contados.

Quando o BC começar a sinalizar que o ciclo de cortes da Selic finalmente já está visível no seu horizonte, os juros longos tendem a recuar. Isso pode acontecer porque diante da perspectiva de queda de juros no curto prazo, mais recursos passam a migrar para a renda fixa longa e, com isso, o juro real passa a cair.

Por enquanto, quem quer aproveitar os maiores retornos desde 2016 ainda pode travar taxas muito atrativas. De fato, o tom mais duro na ata da última reunião de política monetária divulgada em 23 de setembro ampliou a incerteza sobre o início da queda da Selic e até levou a uma subida dos rendimentos no Tesouro Direto nos últimos dias. O movimento refletiu uma certa frustração de parte dos investidores que esperavam um corte já em 2025.

No caso dos títulos atrelados à inflação, os famosos IPCA+, as taxas seguem acima de 7% ao ano. Esse juro real – aquele que supera a variação da inflação – é um dos maiores dos últimos anos. O título Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, foi negociado nesta terça-feira (30) na plataforma Tesouro Direto, com uma remuneração de inflação mais 7,84%. O mesmo papel tinha preço de compra de IPCA mais 7,77% na sexta-feira (26).

Já o Tesouro IPCA+ 2040 rendia a variação da inflação acrescida de um juro real de 7,13% na terça-feira. Trata-se de uma pequena elevação ante os 7,06% vistos na sexta-feira.

Entre os títulos com retornos já predefinidos na largada, o Tesouro Prefixado 2028 tinha taxa nominal de 13,31% ao ano também nesta terça-feira. Na sessão anterior, o papel tinha rendimento de 13,23%. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, apresenta no início desta semana um ganho de 13,66% ante 13,51% no fechamento anterior.

O efeito dos juros compostos no longo prazo nos níveis que podem ser travados atualmente faz o capital triplicar e até quintuplicar. Veja a simulação abaixo referente a uma aplicação de R$ 10 mil em títulos IPCA+. O valor no vencimento é o valor equivalente ao “dinheiro de hoje”, sem considerar a inflação. É claro que o valor nominal, aquele que vai aparecer no seu saldo no fim do prazo, será bem maior, porque vai carregar vários anos de IPCA. 

chart visualization

Com a inflação atualmente em queda, os prefixados também se mostram bem vantajosos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, equivaleria a um rendimento de IPCA+ 8,5% neste ano. Isso se for considerada a projeção para o IPCA no fim de 2025 de 4,81%, segundo o boletim Focus.

O que explica esse juro ainda tão alto dos títulos públicos é que a última ata do Copom mostrou que o BC vai ser muito cauteloso para começar a reduzir os juros. E mesmo quando fizer isso, vai demorar muito tempo para que a Selic volte para um nível de um dígito – condição considerada fundamental para que a renda fixa de fato deixe de ser competitiva em relação à bolsa.

Retornos de dois dígitos a perder de vista

Para quem olha o médio e o longo prazos e consegue manter os recursos nos papéis até o vencimento, há uma oportunidade para travar taxas historicamente elevadas. Garantir uma taxa de juro real acima de 7% por 5 ou 10 anos, por exemplo, significa manter um retorno médio de dois dígitos durante todo esse tempo.

Essa conta leva em consideração que, mesmo se o BC conseguir alcançar a meta de 3% de inflação anual, o título rende, ao menos, 10% ao ano (IPCA de 3% + juro de 7%, numa conta simples). Se o IPCA médio no período estiver mais perto de 4%, o retorno nominal subiria para 11% ao ano. Se for um prefixado, o ganho será ainda maior, acima de 13% ao ano, de acordo com os retornos atuais.

Mas existem riscos. Se você precisar tirar o dinheiro da aplicação antes do tempo, vai ter de vender o papel nas condições de mercado. Isso significa que pode perder dinheiro se o momento estiver desfavorável.

Por exemplo, se você contratar um título público prefixado ou indexado à inflação de prazos mais longos, por exemplo, 10 anos, vai receber exatamente o que comprou quando a aplicação acabar. Mas até lá não pode vender. A questão é que esses papéis, embora sejam um produto de renda fixa, exibem um comportamento variável no dia a dia.

Funciona da seguinte maneira: pelos próximos 10 anos, dia após dia, os preços do título vão subir e descer de acordo com as expectativas sobre a Selic, a inflação, a situação fiscal do país e um outro tanto de variáveis. Essa atualização diária se chama marcação a mercado.

Se, hipoteticamente, ocorrer um cenário no qual as taxas reais subam ainda mais ,quem vender vai amargar um prejuízo. Na situação oposta, se os juros caírem, o título vai valorizar.

No curto prazo, Tesouro Selic segue imbatível

Quem não tem certeza de que consegue segurar os recursos até o vencimento, a melhor opção está no Tesouro Selic. Esse título traz um retorno atrelado à taxa básica de juros.

Em 2025, com a Selic em 15% ao ano e a inflação projetada para o fim do ano de 4,81%, o retorno desse papel equivale a IPCA+ 10,19%. “A melhor opção para este ano e, provavelmente, ao longo do próximo ainda é o Tesouro Selic”, afirma o fundador e estrategista-chefe da Casa do Investidor, Michael Viriato.

Segundo o Focus, o mercado estima que a Selic vai terminar 2026 na casa de 12%, ou seja, com um corte de 3 pontos percentuais, enquanto o IPCA ficará em 4,28%. Isso significa que, potencialmente, o Tesouro Selic pode terminar 2026 com uma taxa ainda muito atrativa, equivalente a IPCA+ 7,71%.

Para o curto prazo, o título pós-fixado, o chamado Tesouro Selic, continua sendo uma excelente opção. É que seu retorno acompanha o nível do juro básico definido pelo BC – que deve permanecer em 15% até o fim do ano, segundo estimativas do mercado. Ao longo de uma década, por exemplo, espera-se que a taxa recue, em algum momento, para patamares mais civilizados, em geral de um dígito.

No longo prazo, se a Selic cair para a casa de 9% ao ano e a inflação estiver em torno de 3%, que é a meta do BC, o retorno vai equivaler a IPCA+ 6%. A vantagem do Tesouro Selic é que você pode vender o papel com riscos muito menores, porque o papel vai trazer o retorno do juro pós-fixado acumulado até o dia do resgate.

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