Hapvida despenca 33% depois de resultado decepcionar: custo maior e uso de planos em alta
As ações da Hapvida (HAPV3) vivem uma quinta-feira com gosto de sexta-feira 13. No fim do pregão, alcançaram uma cotação de R$ 6,41, com queda de 33,09%.
As ações da operadora de planos de saúde caem com força como reflexo dos resultados do segundo trimestre de 2026, que vieram com números considerados preocupantes pelo mercado.
A companhia enfrenta o encarecimento dos custos médicos. Como resultado, o lucro líquido ajustado caiu 96% em relação ao mesmo período do ano passado para R$ 12,5 milhões.
Pelo critério contábil (sem ajustes), a operadora de saúde amargou um prejuízo líquido de R$ 217,1 milhões
E o sinal amarelo veio com o aumento da sinistralidade. Trata-se da da relação entre o quanto o plano de saúde gasta com os pacientes e o quanto arrecada deles.
Exemplo: se ela recebe R$ 100 milhões em mensalidades e paga R$ 70 milhões em indenizações, a sinistralidade é de 70%. Quanto menor, melhor para o negócio.
Na Hapvida, a sinistralidade subiu três pontos percentuais de um trimestre para outro, alcançando 75,2%.
E o problema é que essa expansão dos gastos surge em um momento desfavorável do cenário macroeconômico. Em um ambiente de juros ainda elevados no Brasil e inflação médica persistente, repassar custos para as mensalidades virou uma estratégia perigosa: reajustes excessivos têm gerado inadimplência e cancelamento de contratos de beneficiários.
Em suma: se correr (repassando custos), o bicho pega; se ficar (vendo a sinistralidade crescer), o bicho come.
A Hapvida registrou perda líquida de 16 mil beneficiários no segundo trimestre. Ainda assim, trata-se de uma melhora em relação ao encolhimento de 44 mil adesões no primeiro trimestre.
Já os depósitos judiciais subiram para R$ 1,25 bilhão ante R$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano.
Na prática, são valores que a Hapvida precisou colocar à disposição da Justiça enquanto discute processos – como ações relacionadas a clientes e prestadores.
Os analistas do Itaú BBA consideram as despesas com judicialização uma das “fontes centrais de incertezas para os lucros no futuro”.
Outro ponto de atenção vem da evolução ainda lenta da estrutura de capital e do nível de endividamento da Hapvida, herdados da rápida expansão e de grandes fusões nos últimos anos.
Apesar das incertezas, o Itaú BB manteve o preço-alvo para 2026 em R$ 13. Isso significa um potencial de alta de 80% comparado ao nível atual.
Já o BTG Pactual acredita em dar chance ao tempo para enxergar melhora na eficiência operacional do grupo.
“A Hapvida vem passando por mudanças significativas em sua estratégia de execução. No entanto, acreditamos que os benefícios dessa nova estratégia devem levar mais tempo para se materializar.”
Os analistas do banco indicam um preço-alvo em 12 meses de R$ 15, o que representa um potencial de alta de 110% ante a cotação atual.
“Mantemos nossa recomendação ‘neutra’, diante dos significativos riscos de execução e desafios operacionais à frente.”
Na divulgação dos resultados do primeiro trimestre, a ação da Hapvida viveu um roteiro parecido com a do novo período.
Após divulgar um balanço considerado bem fraco pelo mercado, o papel teve um dia de montanha-russa, chegando a cair 13% na abertura, em 19 de março. Mas na mesma sessão virou para uma alta que, na máxima alcançou 36%. Acabou fechando com um avanço de 15%.
A guinada ocorreu após a administração sinalizar que pode vender ativos subutilizados e fazer uma revisão mais estrutural de operações em regiões não estratégicas. Isso ajudou a acalmar os ânimos.
Na sessão desta quinta-feira (13), os resultados do segundo trimestre reforçaram a visão do copo mais vazio. Não se trata apenas de gerar mais caixa, mas também de resolver gargalos estruturais que têm pressionado a lucratividade e a redução efetiva de despesas.
