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Rio Tinto obtém US$ 1,8 bilhão para evitar fechamento da maior fundição de alumínio da Austrália

12 de Agosto de 2026, 19:54

Os donos da maior fundição de alumínio da Austrália, entre eles a Rio Tinto, conseguiram um pacote de US$ 1,8 bilhão dos governos federal e estadual para manter a fábrica em operação diante da pressão dos altos custos de energia.

A Rio, acionista majoritária da fundição de Tomago, em New South Wales, e seus parceiros receberão o apoio em um acordo que prevê, em contrapartida, investimentos de cerca de US$ 790 milhões na unidade, segundo comunicado conjunto dos governos.

O plano também prevê mudanças para permitir que a fundição reduza o consumo de eletricidade nos momentos de maior demanda da rede. A preservação de Tomago tem peso relevante para a indústria australiana de alumínio.

A Austrália é um dos principais fornecedores mundiais das matérias-primas usadas na produção de alumínio e abriga uma cadeia integrada que vai da bauxita ao metal.

O país é o segundo maior produtor global de bauxita, com 22% da oferta mundial, e deve produzir cerca de 1,7 milhão de toneladas de alumínio primário por ano. Nesse contexto, Tomago sozinha responde por mais de um terço da produção australiana do metal.

Manter Tomago aberta significa preservar uma parcela relevante da produção de alumínio de um país que ocupa posição estratégica na cadeia global do metal, justamente num momento em que a oferta internacional está apertada e os preços seguem elevados.

A unidade produz cerca de 590 mil toneladas do metal por ano, o equivalente a 37% de toda a produção de alumínio primário do país. Cerca de 90% do volume produzido é destinado a mercados da Ásia-Pacífico, segundo a própria Tomago.

Oferta restrita

O socorro ocorre também em um momento de oferta mais apertada no mercado internacional. O governo australiano estima que a demanda elevada, impulsionada entre outros fatores pela transição energética, e as restrições de oferta mantenham os preços do alumínio em níveis altos.

A projeção oficial é de preço médio de US$ 3.425 por tonelada no segundo semestre de 2026. O problema central para a sobrevivência da unidade é a energia. A Rio já afirmou que a eletricidade representa mais de 40% dos custos operacionais de Tomago.

A planta consome cerca de 950 megawatts continuamente e responde por aproximadamente 12% da demanda elétrica de New South Wales, segundo a companhia.

Em dezembro, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, havia prometido apoio financeiro depois que a Rio alertou que a escalada dos custos poderia obrigar a planta a fechar quando seu atual contrato de fornecimento de eletricidade expirar, no fim de 2028.

Os novos termos

O novo acordo também deverá sustentar quase 3 gigawatts de nova geração renovável, segundo o comunicado citado pela Bloomberg. Além disso, os donos da fábrica se comprometeram a destinar aproximadamente US$ 72 milhões à redução de emissões.

“Este acordo garante mais de 1.000 empregos em Tomago e milhares de outros que dependem da fundição”, afirmou o premiê de New South Wales, Chris Minns.

A Rio Tinto detém 51,55% da fundição, que opera desde 1983. A Gove Aluminium Finance possui 36,05% e a Hydro Aluminium, da Norsk Hydro, os 12,4% restantes.

O pacote para Tomago não é o primeiro concedido à Rio para preservar uma operação de alumínio intensiva em energia na Austrália. Em março, a empresa recebeu o equivalente a cerca de US$ 1,4 bilhão em apoio combinado dos governos federal e estadual para sua fundição de Boyne, em Queensland.

Outras companhias também receberam ajuda pública para manter ativos industriais de alto consumo energético no país.

No ano passado, Glencore obteve apoio para sua fundição de cobre de Mount Isa e uma refinaria associada, enquanto a Nyrstar Australia, subsidiária do Trafigura Group, recebeu recursos para a fundição de chumbo de Port Pirie e as operações de zinco de Hobart.

CEO da Serra Verde assume USA Rare Earth após acordo de US$ 2,8 bilhões

20 de Julho de 2026, 10:11

Três meses após anunciar a aquisição da Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras, por cerca de US$ 2,8 bilhões, a USA Rare Earth, empresa americana de minerais críticos listada na Nasdaq, nomeou o britânico Thras Moraitis, atual CEO da companhia brasileira, para comandar a empresa combinada.

A nomeação de Moraitis entra em vigor em 1º de outubro de 2026, informou a companhia nesta segunda-feira (20). Ele substituirá Barbara Humpton, que deixará o cargo de presidente-executiva e o conselho de administração na mesma data.

Até a conclusão da operação entre as empresas, prevista para o fim de agosto, Moraitis continuará supervisionando as operações da Serra Verde e assumirá a função de presidente da companhia combinada.

A aquisição da Serra Verde foi anunciada em 20 de abril e envolve o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e a emissão de aproximadamente 126,8 milhões de ações da USA Rare Earth. A transação ocorre em meio à disputa global por fontes alternativas de terras raras, mercado atualmente dominado pela China.

Esses minerais são considerados estratégicos para a produção de ímãs de alta potência usados em veículos elétricos, eletrônicos, equipamentos de defesa, turbinas eólicas e outras tecnologias.

A Serra Verde possui uma mina e uma planta de processamento em Minaçu (GO) e é atualmente a única produtora de terras raras em escala comercial no Brasil. A jazida de Pela Ema contém elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, considerados essenciais para a fabricação de ímãs permanentes.

Desde que assumiu o comando da Serra Verde, em janeiro de 2023, Moraitis ajudou a transformar a mineradora no que a USA Rare Earth descreve como a única produtora em larga escala dos quatro elementos críticos de terras raras magnéticas fora da Ásia.

A combinação entre as duas empresas deve criar a primeira cadeia integrada de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia, reunindo ativos de mineração, processamento, produção de metais, ligas e fabricação de ímãs nos Estados Unidos, Brasil e outros países aliados.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024 e pretende elevar sua capacidade para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras por ano até o fim de 2027. A companhia também avalia dobrar sua capacidade produtiva nos próximos quatro anos.

A empresa brasileira possui ainda um contrato de fornecimento de 15 anos para sua produção inicial com uma entidade apoiada por agências do governo dos Estados Unidos e por capital privado. O acordo prevê preços mínimos garantidos para elementos críticos como disprósio e térbio, reduzindo riscos para o projeto.

A Serra Verde também conta com um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation para expansão e otimização das operações no Brasil.

Além da troca no comando, a USA Rare Earth anunciou que Michael Blitzer, atual presidente do conselho da companhia, assumirá como presidente executivo do conselho, com efeito imediato. Segundo a empresa, Blitzer teve papel central na estratégia de construir uma cadeia global integrada de terras raras e na obtenção de apoio financeiro do governo americano, incluindo uma parceria público-privada de US$ 1,6 bilhão.

A USA Rare Earth afirmou que a gestão de Barbara Humpton foi marcada pelo avanço de parcerias estratégicas e pela expansão da presença da companhia em processamento de minerais críticos, produção de metais e fabricação de ímãs.

Antes de assumir a Serra Verde, Moraitis foi diretor de desenvolvimento e membro do conselho executivo da EuroChem Group. Ele também ocupou posições de liderança na Xstrata e participou da expansão da companhia até a venda para a Glencore, em 2013, por cerca de US$ 65 bilhões.

Com a aquisição da Serra Verde, a USA Rare Earth busca fortalecer uma cadeia de suprimentos ocidental de minerais estratégicos em um momento de aumento das tensões entre Estados Unidos e China e de preocupação com a dependência chinesa no setor de terras raras.

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Maior mineradora de zinco da Europa negocia compra da participação da Votorantim na Nexa

2 de Julho de 2026, 16:02

A sueca Boliden, maior fabricante europeia de zinco, confirmou nesta quinta-feira (2) que está em conversas com a Nexa Resources e com a Votorantim, controladora da companhia, sobre uma possível aquisição da participação do grupo brasileiro na mineradora. Segundo o comunicado divulgado ao mercado, “não há garantia de que qualquer transação venha a ser concretizada, nem de quais seriam os termos de um eventual acordo.”

As negociações ocorrem em meio a rumores que circulam no setor desde o início do ano. Segundo informações já reportadas pelo Estadão, as tratativas chegaram a avançar significativamente no primeiro semestre, mas enfrentaram obstáculos relacionados a questões jurídicas e ao ambiente geopolítico global.

Uma eventual aquisição representaria um movimento estratégico relevante para ambas as empresas. A Nexa, controlada pela Votorantim e listada na NYSE desde 2017, é uma das maiores produtoras integradas de metais polimetálicos da América Latina, tendo o zinco como principal produto.

A companhia tem mais de 65 anos de atuação em mineração e metalurgia e opera cinco minas no Brasil e no Peru, além de três fundições de zinco, incluindo Cajamarquilla, no Peru, considerada a maior fundição do metal nas Américas.

A Nexa apresentou melhora operacional e financeira no primeiro trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de US$ 118 milhões, ante US$ 29 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 42%, para US$ 888 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 126%, para US$ 283 milhões. A margem Ebitda ajustada atingiu 31,8%, refletindo a alta dos preços dos metais — especialmente da prata — e o maior volume de vendas das operações de fundição.

Segundo o presidente-executivo da Nexa, Ignacio Rosado, os resultados foram alcançados apesar de desafios operacionais no Peru, incluindo chuvas intensas na mina Cerro Lindo, bloqueios comunitários em Atacocha e restrições operacionais em El Porvenir. Ao mesmo tempo, a mina de Aripuanã, em Mato Grosso, registrou novo recorde trimestral de produção de zinco, enquanto as fundições brasileiras de Juiz de Fora e Três Marias ampliaram a produção em 56% e 17%, respectivamente, na comparação anual.

A companhia também encerrou o trimestre com alavancagem financeira menor. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu para 1,59 vez, ante 2,09 vezes um ano antes, reforçando sua posição financeira em meio às discussões sobre uma potencial mudança de controle.

Já a Boliden é a maior produtora de zinco da Europa e atua na mineração e processamento de metais básicos e preciosos, incluindo cobre, zinco, ouro e prata. A companhia opera minas e fundições na Suécia, Finlândia, Noruega e Irlanda, com ações negociadas na Nasdaq Stockholm.

As duas empresas são vistas como altamente complementares. Enquanto a Nexa concentra suas operações na América do Sul, a Boliden possui ativos predominantemente na Europa. Uma combinação ampliaria a presença global da companhia sueca e reforçaria sua exposição a metais considerados estratégicos para a eletrificação da economia e a transição energética.

A Votorantim não comentou publicamente os detalhes das negociações. A Boliden afirmou que divulgará novas informações caso as discussões avancem para uma transação.

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A mulher que rompeu o domínio da China sobre as terras raras

22 de Junho de 2026, 06:12

Quando Amanda Lacaze assumiu o cargo de CEO da mineradora australiana de terras raras Lynas, em 2014, poucos no setor acreditavam que ela teria sucesso.

Seu antecessor havia permanecido apenas 14 meses no cargo. As ações da empresa tinham despencado mais de 90% nos anos anteriores. A experiência de Lacaze era em marketing, não em mineração.

E, de alguma forma, ela precisava desafiar o domínio quase absoluto da China sobre as terras raras — uma tarefa estrategicamente importante, mas comercialmente ingrata.

Lacaze lembra de ter dito ao marido que, se não conseguisse recuperar a empresa, provavelmente nunca mais trabalharia.

“Na Austrália, somos menos tolerantes com o fracasso”, afirmou.

Ela conseguiu reverter a situação. Após 12 anos à frente da empresa, Lacaze, de 66 anos, deixará a companhia no fim de junho, depois de transformá-la em uma potência ocidental do setor de terras raras.

Em março, a Lynas anunciou um acordo preliminar para vender terras raras ao Pentágono, incluindo as escassas terras raras pesadas, que Pequim utilizou ao longo do último ano como instrumento de pressão sobre a indústria global.

O valor das ações da companhia é hoje cerca de 15 vezes maior do que quando ela assumiu o comando. A receita alcançou aproximadamente US$ 470 milhões nos nove meses encerrados em março, um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Existe um motivo pelo qual não somos muito populares na China”, disse Lacaze após uma visita recente às instalações em expansão da empresa na Malásia, onde são processados os minerais extraídos da mina da companhia na Austrália.

Apesar da trégua comercial entre Estados Unidos e China, o acesso às terras raras dominadas pelos chineses continua sendo uma questão urgente para empresas em todo o mundo.

Os ímãs produzidos com esses minerais são componentes essenciais para as indústrias de eletrônicos, automóveis e defesa. A demanda cresce rapidamente com a expansão dos veículos elétricos, drones e outras tecnologias avançadas.

O cenário desencadeou uma espécie de corrida do ouro das terras raras, com governos ao redor do mundo investindo recursos em novas minas, unidades de processamento e fábricas de ímãs para reduzir a dependência da China.

Um relatório divulgado neste mês pelo Conselho Empresarial EUA-China concluiu que as restrições chinesas às exportações tornaram algumas terras raras praticamente impossíveis de obter. Quase metade das empresas consultadas afirmou estar procurando fornecedores viáveis fora da China, mas ainda não encontrou alternativas.

A Lynas tornou-se uma válvula de escape crucial. Junto com a americana MP Materials, é uma das poucas empresas alinhadas ao Ocidente capazes de separar elementos de terras raras em escala industrial — uma das razões pelas quais a China processa cerca de 90% desses minerais no mundo, e não 100%.

Quando Lacaze assumiu o cargo em 2014, a empresa tinha um grande trunfo: sua mina Mount Weld, localizada em um antigo vulcão erodido no oeste da Austrália, com uma concentração excepcionalmente alta de terras raras.

As ações da Lynas haviam disparado em 2010, quando restrições chinesas às exportações desses minerais obrigaram o resto do mundo a buscar fornecedores alternativos.

Mas a China retomou as exportações em larga escala poucos anos depois e os preços despencaram. A Molycorp, que pretendia ser a campeã americana das terras raras, declarou falência em 2015.

Muitos acreditavam que a Lynas seria a próxima.

Sua unidade de processamento em Kuantan, na Malásia, enfrentava dificuldades para separar quimicamente os diferentes elementos de terras raras.

“Tínhamos ativos que não funcionavam. Não estávamos gerando caixa”, disse Lacaze. “Senti que eles precisavam de alguém para lutar por eles. Para tentar de verdade.”

Ela cortou cargos em uma estrutura executiva inchada — herança do breve período em que a empresa figurou entre as 100 maiores da bolsa australiana — e fechou escritórios em Sydney e em outras localidades.

Em 2014, ela e a equipe executiva reduzida mudaram-se para Kuantan.

As dívidas pressionavam e Lacaze precisava reconquistar a confiança dos credores, que se sentiam enganados sobre a real situação da empresa.

Ela recorda viagens com orçamento apertado, incluindo uma estadia em um pequeno quarto do Holiday Inn Express, em Hong Kong, onde ficava um dos credores. O espaço era tão apertado que ela mal conseguia abrir a mala.

Lacaze escreveu uma carta a um credor apoiado pelo governo japonês, a Japan Australia Rare Earths, avisando que estaria em Tóquio. Apostou que a tradicional cortesia japonesa garantiria uma reunião.

O momento era decisivo: se os japoneses não aceitassem adiar os vencimentos da dívida, a Lynas seria esmagada.

No encontro, os representantes aceitaram, em linhas gerais, sua proposta de reestruturação. Foi um avanço fundamental que deu fôlego financeiro à companhia.

Os japoneses tinham motivos para serem flexíveis. Precisavam de uma fonte alternativa de terras raras para evitar que a China pudesse colocar suas indústrias eletrônica e automobilística em situação de dependência.

Enquanto negociava com os credores, a equipe de produção resolvia os problemas da fábrica na Malásia.

Cinco meses após assumir o cargo, Lacaze anunciou que 99% da produção de terras raras já atendia aos padrões de qualidade, contra apenas 48% pouco tempo antes.

“A Lynas veio para ficar”, declarou.

Ela atribui sua determinação à infância simples em Brisbane, na Austrália, onde era a quarta de cinco irmãos e precisava disputar comida com três irmãos mais velhos.

Após concluir uma pós-graduação em marketing na Australian Graduate School of Management, ocupou cargos de liderança em empresas australianas de telecomunicações, incluindo a Telstra.

Quando ingressou na Lynas, era novata no setor de terras raras, mas tinha confiança para fazer perguntas básicas.

“Eu sabia que não era burra e sabia que as pessoas perceberiam isso”, afirmou.

A partir de 2018, sucessivos governos da Malásia ameaçaram restringir as operações da Lynas devido a preocupações ambientais.

Lacaze afirma que a empresa sempre cumpriu integralmente as regulamentações e acabou autorizada a continuar operando.

Como plano de contingência, também construiu uma instalação paralela na Austrália para realizar uma etapa ambientalmente sensível do processamento, conhecida como “cracking and leaching”, concluída em 2024.

A persistência da empresa fez com que, em 2025, quando a China restringiu fortemente as exportações globais de determinadas terras raras e ímãs em resposta às medidas comerciais dos Estados Unidos, a Lynas estivesse pronta para ajudar a preencher a lacuna de oferta.

Desde então, a companhia captou cerca de US$ 600 milhões junto a investidores para expandir a produção e anunciou uma parceria com a Noveon, fabricante de ímãs de terras raras sediada no Texas.

Nem todos os projetos, porém, deram certo.

Em 2023, a Lynas anunciou um contrato de US$ 258 milhões com o Pentágono para construir uma unidade de processamento de terras raras no Texas. Após anos de negociações, a empresa abandonou o projeto em 2025.

Segundo Lacaze, a fábrica dificilmente alcançaria a mesma eficiência de custos das operações na Malásia.

Em vez disso, a rival MP Materials está construindo uma instalação de separação de terras raras pesadas na Califórnia com apoio do governo americano, cuja operação deve começar ainda este ano.

Para Lacaze, muitos governos abordam o problema da maneira errada.

Na sua avaliação, os recursos que países aliados do Ocidente estão investindo em novas plantas de terras raras seriam melhor empregados subsidiando clientes para escolher fabricantes ocidentais de ímãs em vez dos concorrentes chineses.

Caso contrário, há o risco de que os novos fornecedores ocidentais continuem sendo pressionados pelos preços mais baixos das empresas chinesas.

Após deixar a Lynas, Lacaze assumirá a liderança do Conselho de Minerais da Austrália, associação que representa o setor.

O comunicado da empresa sobre sua saída afirmou que ela estava se aposentando, mas ela não gosta desse termo.

“Acho que seria errado dizer que estou realmente me aposentando. Isso seria loucura”, disse.

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Brazilian Nickel busca investidor-âncora para mina de US$ 1,4 bilhão

17 de Junho de 2026, 19:49

A Brazilian Nickel procura um investidor-âncora para ajudar a atrair mais investimentos em participação acionária para sua planejada mina de níquel e cobalto de US$ 1,4 bilhão no Nordeste do país.

A desenvolvedora do Projeto Piauí Níquel está usando a Rothschild & Co. como assessoria financeira global para captações de dívida e equity, enquanto o banco de investimentos brasileiro Bradesco BBI presta consultoria na captação de US$ 100 milhões junto a investidores e fundos no país sul-americano, disse o diretor financeiro André Simão em uma entrevista.

A empresa também busca financiamento governamental do Canadá, da Europa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse ele.

A investida para captar recursos ocorre em um momento em que governos de todo o mundo buscam desenvolver uma cadeia de suprimentos estável de metais essenciais para a transição energética, com os preços dos materiais para baterias em alta devido ao aumento das tensões geopolíticas e às crescentes incertezas de abastecimento nos principais países produtores.

O setor de níquel na Indonésia, responsável por mais da metade da produção global, enfrenta cortes nas cotas de mineração e aumento dos custos. Enquanto isso, os preços do cobalto subiram mais de 160% desde o ano passado, após o controle de exportações imposto pela República Democrática do Congo, principal fornecedor.

A Brazilian Nickel já chamou a atenção de agências internacionais, com os países ocidentais buscando construir suas próprias cadeias de abastecimento de minerais essenciais para combater o domínio da China. A empresa de capital fechado recebeu, em 2024, uma carta da Corporação de Financiamento Internacional para o Desenvolvimento dos EUA, ou DFC, manifestando interesse em apoiar o projeto por meio de um empréstimo.

A agência de crédito à exportação do Canadá poderá fornecer US$ 275 milhões em financiamento por meio de dívida, e a Ecora Royalties, empresa especializada em royalties de minerais essenciais, poderá conceder aproximadamente US$ 62 milhões em empréstimos, afirmou o diretor financeiro.

Simão disse que o Projeto Piauí Níquel precisa de um investidor de capital âncora, como o BNDES, a DFC ou a Comissão Europeia para dar o primeiro passo, de modo que a Brazilian Nickel possa atrair cheques menores de fundos em São Paulo, Londres e Nova York.

A Brazilian Nickel, que tem como maior investidora a TechMet, empresa especializada em investimentos em minerais críticos, tem como meta produzir 28.000 toneladas de níquel e 1.000 toneladas de cobalto por ano nos primeiros 10 anos de operação, com o início da produção previsto para o primeiro semestre de 2030, segundo Simão.

Com dívida a vencer, CSN vai atrás de empréstimo de US$ 1,5 bilhão

5 de Fevereiro de 2026, 16:33

A CSN planeja captar até US$ 1,5 bilhão por meio de um empréstimo com garantias para pagar títulos que estão vencendo e melhorar seu perfil de alavacangem, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Ações de subsidiárias da holding, incluindo a unidade de cimento, serão usadas como garantia, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque o plano é privado. Morgan Stanley, Citigroup, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC estão entre os bancos que participariam da operação, segundo algumas das pessoas.

A CSN, o BNP, o Deutsche e o Citi não quiseram comentar. HSBC e Morgan Stanley não responderam aos pedidos de comentários.

A Companhia Siderúrgica Nacional, nome formal do conglomerado, afirmou no mês passado que planeja se desfazer de ativos-chave para reduzir seu elevado endividamento, conforme as altas taxas de juros apertam o financiamento e pesam sobre os investimentos.

A empresa discute há anos ofertas públicas iniciais de ações como uma opção para desalavancagem e já anunciou vendas de ativos que não se concretizaram. Mas, desta vez, a companhia estabeleceu uma meta concreta de reduzir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões — cerca de metade — de sua dívida a partir deste ano.

O grupo, controlado pela bilionária família Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação relevante na CSN Infraestrutura — que possui portos, ferrovias e uma empresa de logística — além do controle da unidade de cimento, segundo a companhia. A CSN, que pretende assinar acordos no segundo semestre deste ano, afirmou também que busca um parceiro estratégico para ajudar a modernizar a operação de aço, o negócio original do conglomerado.

O Morgan Stanley está trabalhando com a CSN na venda da empresa de cimento, enquanto o Citi e o Bradesco conduzem a venda do negócio de infraestrutura, segundo outras pessoas familiarizadas com o assunto.

O Bradesco não quis comentar.

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Rio Tinto desiste da fusão com a Glencore após impasse sobre preço

5 de Fevereiro de 2026, 13:30

A Rio Tinto abandonou as negociações para uma possível fusão com a Glencore após não conseguir justificar o prêmio exigido pela rival, encerrando um acordo que poderia ter criado a maior mineradora do mundo, com valor de mercado superior a US$ 200 bilhões.

As conversas, confirmadas publicamente no início de janeiro, esbarraram principalmente no preço e nos termos de governança. A Rio Tinto queria manter os cargos de presidente do conselho e de diretor-presidente no grupo combinado, além de não oferecer um prêmio considerado suficiente pela Glencore, que avaliou que esses termos subestimavam seu negócio de cobre e sua contribuição para a companhia resultante da fusão.

Após conduzir a due diligence sobre os ativos e operações da Glencore, a Rio Tinto concluiu que não conseguiria entregar valor aos seus acionistas pagando o prêmio solicitado. “A Rio Tinto determinou que não poderia chegar a um acordo que gerasse valor para seus acionistas”, disse a companhia em comunicado. Ambas as empresas se recusaram a comentar os detalhes das negociações.

Com o fim das tratativas, as ações da Glencore chegaram a cair até 11%, enquanto os papéis da Rio Tinto recuaram cerca de 2,5%. A Glencore afirmou separadamente que mantém um forte caso de crescimento independente e segue focada em suas próprias prioridades estratégicas.

Combinações de negócios

A ideia de uma combinação entre as duas companhias circula há mais de uma década. Ela surgiu antes da crise financeira global de 2008, foi retomada em 2014 — quando a Rio rejeitou rapidamente uma abordagem informal da Glencore — e voltou à mesa em 2024, até ganhar novo fôlego nas negociações mais recentes. Mesmo assim, as conversas sempre enfrentaram obstáculos ligados a valuation e diferenças de cultura de gestão.

Um eventual acordo permitiria à Rio Tinto praticamente dobrar sua produção de cobre, posicionando-a como a maior produtora global do metal em um momento em que os preços operam próximos de máximas históricas. A transação também adicionaria cerca de 1 milhão de toneladas de crescimento futuro de cobre ao portfólio da empresa.

Como outras grandes mineradoras, a Rio Tinto tem priorizado a expansão no cobre, apostando na forte demanda impulsionada pela transição energética, pela eletrificação de veículos e pela expansão de data centers. A corrida por ativos do metal tem levado o setor a retomar grandes aquisições após anos de cautela, já que comprar empresas costuma ser mais rápido do que desenvolver novas minas, um processo que pode levar décadas.

O apetite por negócios no setor cresceu de forma significativa: o valor das fusões e aquisições em mineração atingiu o maior nível em 13 anos em 2025, segundo o escritório White & Case, após um longo período de retração desde o pico do superciclo de commodities liderado pela China em torno de 2011.

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Mineradora australiana negocia venda de terras raras do Brasil para Estados Unidos e Europa

19 de Janeiro de 2026, 17:19

A Viridis Mining and Minerals está em negociações com potenciais compradores de terras raras extraídas no Brasil, conforme nações ocidentais buscam reduzir sua dependência da China para elementos usados em veículos elétricos e turbinas eólicas.

A empresa australiana de desenvolvimento mineral está em negociações com potenciais compradores dos Estados Unidos e da Europa e pretende fechar contratos com diversos clientes, incluindo refinarias de terras raras e fabricantes de ímãs, o líder da empresa no Brasil, Klaus Petersen, disse em entrevista.

As negociações incluem o estabelecimento de um preço mínimo para a produção do projeto Colossus da Viridis, avaliado em US$ 360 milhões, no estado de Minas Gerais, disse Petersen. Um preço mínimo serviria de proteção contra os baixos preços praticados na China, que responde por cerca de 90% da produção mundial de ímãs permanentes de terras raras.

As conversas acontecem num momento em que a Europa e o Brasil se aproximam de um acordo político que envolve matérias-primas essenciais. A presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen afirmou que tal acordo estruturaria uma cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — materiais que ela descreveu como essenciais para a independência estratégica em “um mundo onde os minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”.

O Brasil possui as maiores reservas de terras raras depois da China, mas sua produção comercial é pequena. O país busca explorar seu potencial geológico, enquanto mineradoras de pequeno porte desenvolvendo projetos de minerais críticos demandam garantias financeiras que facilitem o acesso ao financiamento.

A Viridis planeja tomar uma decisão final de investimento no segundo semestre do ano, com o objetivo de iniciar a produção em 2028.

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Glencore e Rio Tinto: eventual megafusão pode impor uma ‘nova ordem global’ à Vale

9 de Janeiro de 2026, 12:30

A negociação entre Glencore e Rio Tinto para formar a maior mineradora do mundo pode redesenhar o cenário de competição entre as principais empresas do setor. Para a brasileira Vale, o possível acordo pode significar a chegada de um concorrente ainda maior — e potencialmente mais eficiente — em mercados-chave, do minério de ferro ao cobre.

As duas companhias confirmaram que mantêm conversas preliminares sobre uma possível combinação de negócios, que pode incluir uma fusão integral por troca de ações. Se avançar, a operação criaria um grupo com valor empresarial acima de US$ 250 bilhões, configurando uma das negociações mais ambiciosas da história recente da mineração global.

A anglo-australiana Rio Tinto informou que tem até 5 de fevereiro para decidir se apresenta uma proposta formal pela suíça Glencore. Pelas regras do mercado britânico, a companhia precisará, até essa data, anunciar uma oferta firme ou declarar que não pretende seguir adiante. Em 2024, as duas empresas também discutiram uma fusão, mas não chegaram a um acordo.

No caso da Vale, o cronograma adiciona um elemento de curto prazo a uma discussão estratégica de longo alcance. Em poucas semanas, pode ficar mais claro se o setor caminha para a formação de um novo gigante global — com presença relevante na América do Sul — ou se a pressão por consolidação seguirá viva, à espera de outra oportunidade.

Ainda é cedo para cravar ou prever qualquer efeito sobre a Vale. Mas, seja qual for a decisão, a mineradora brasileira terá de lidar com um ambiente em que a concorrência tende a ficar mais concentrada e com players maiores, com influência direta sobre suas decisões estratégicas daqui para frente.

Desafio à Vale

A Vale atravessa um momento de reafirmação estratégica após as turbulências internas e crises ambientais da última década. Em uma agenda conduzida pelo CEO Gustavo Pimenta, a mineradora aposta em um balanço mais sólido e com baixo endividamento. A estratégia do executivo está ancorada em minério de ferro de maior qualidade e na expansão gradual de metais ligados à transição energética, como cobre e níquel.

Pimenta tem reiterado o objetivo de recolocar a companhia como a maior mineradora do mundo, mas sem recorrer a grandes aquisições. A estratégia adotada até aqui privilegia projetos já existentes, como o complexo de Carajás (PA), além de ganhos operacionais e disciplina de capital.

A eventual criação de um gigante a partir da união entre Rio Tinto e Glencore, no entanto, introduziria um concorrente com perfil distinto: mais diversificado, mais integrado e com exposição simultânea a minério de ferro, cobre e ao trading de commodities.

A pressão concorrencial se intensifica porque esse novo grupo teria presença relevante justamente na América do Sul, região que concentra alguns dos ativos mais estratégicos para a Vale.

A Rio Tinto mantém operações industriais no Brasil, como a refinaria de alumina da Alumar, no Maranhão, além de participações históricas na cadeia do alumínio. Fora do país, a mineradora anglo-australiana vem ampliando sua aposta em minerais críticos, com projetos de lítio no Chile e na Argentina.

Além disso, a Rio Tinto avança no desenvolvimento do megaprojeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné — um ativo fora da América do Sul, evidentemente, mas com impacto direto sobre o mercado global de minério de ferro de alta qualidade, hoje amplamente dominado pela Vale.

A Glencore, por sua vez, tem uma presença ainda mais extensa e diversificada na América do Sul, especialmente no cobre. No Chile, a companhia detém participação relevante em ativos de grande escala, como a mina de Collahuasi, uma das maiores produtoras globais do metal, além de operações como Lomas Bayas. 

No Peru, opera minas como Antapaccay e desenvolve projetos adjacentes que ampliam a vida útil e a escala dessas operações. Já na Argentina, a empresa trabalha para destravar projetos de cobre de grande porte, como El Pachón e Agua Rica, que o mercado já enxerga como parte da próxima fronteira de expansão do metal.

Para a Vale, esse cenário significaria competir não apenas com projetos isolados, mas com um grupo capaz de otimizar portfólio, realocar capital entre diferentes commodities e capturar sinergias operacionais e comerciais em escala global — com reflexos diretos sobre preços, investimentos e participação de mercado.

Momentos distintos

Do ponto de vista financeiro, a Vale chega a esse momento em posição confortável. No terceiro trimestre de 2025, a companhia teve receita de US$ 10,4 bilhões, com um resultado operacional (Ebitda) de US$ 4,4 bilhões e lucro líquido de US$ 2,7 bilhões, com dívida líquida de US$ 12,5 bilhões — representando uma alavancagem de 0,8 vez o Ebitda. 

No plano operacional, a produção de minério de ferro somou 94,4 milhões de toneladas, o maior volume para um terceiro trimestre desde 2018, no que a empresa atribui a custos baixos e melhora no mix de produtos. Hoje, o valor de mercado da Vale está em US$ 63 bilhões.

A Rio Tinto, por sua vez, vive um momento de maior pressão, mas ainda com números expressivos. A mineradora anglo-australiana registrou lucro de US$ 4,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 (dados mais recentes), com Ebitda próximo de US$ 10 bilhões.

No minério de ferro, os embarques chegaram a 157 milhões de toneladas, impactados por eventos climáticos na Austrália. A Rio Tinto tem um market cap estimado em US$ 200 bilhões.

Já a Glencore apresentou resultados mais voláteis. No primeiro semestre de 2025, a empresa teve receita de US$ 117,4 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 5,4 bilhões, mas fechou o período com prejuízo de US$ 655 milhões, pressionada por ajustes em ativos de carvão e pela queda de preços de algumas commodities. 

Ainda assim, mantém forte exposição ao cobre, com expectativa de produzir entre 850 mil e 890 mil toneladas do metal ao longo do ano. O valor de mercado da Glencore gira em torno dos US$ 70 bilhões.

Consolidação

A retomada das negociações entre Rio Tinto e Glencore representa mais um capítulo das conversas de consolidação entre gigantes da mineração diante dos desafios crescentes da atividade. No ano passado, o setor voltou a dar sinais claros de que a busca por escala e por maior exposição a metais estratégicos — especialmente o cobre — passou novamente a orientar as discussões sobre fusões e aquisições.

Um dos exemplos mais recentes foi o acordo entre Anglo American e Teck Resources, anunciado em setembro de 2025 e aprovado pelos acionistas em dezembro. A operação resultou na criação do grupo Anglo Teck, hoje uma das maiores produtoras de cobre do mundo, com capacidade combinada superior a 1,2 milhão de toneladas e sinergias estimadas em cerca de US$ 800 milhões por ano.

O negócio foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão após um período em que o setor evitou grandes movimentos de consolidação, em parte por negociações que não avançaram — como o fracasso das conversas entre Rio Tinto e Glencore no fim de 2024. “As megafusões no setor de mineração estão de volta”, escreveram analistas da Jefferies em um relatório a clientes.

A escalada do cobre

A eventual fusão entre Rio Tinto e Glencore controlaria 7% da produção mundial de cobre. Em 2024, a Glencore extraiu 950 mil de toneladas; a Rio Tinto, 700 mil. Juntas, portanto, as duas alcançariam 1,65 milhão – chegando bem perto da líder BHP (1,86 milhão de toneladas).

A produção combinada seria equivalente a 4,5 vezes o que a Vale extrai de cobre – foram 350 mil toneladas em 2024.

O foco no metal marrom-alaranjado é natural. Ele sobe 40% nos últimos 12 meses, por conta da demanda de data centers e motores elétricos pelo mais clássico dos bons condutores de energia. Trata-se de uma alta que nem fica tão atrás daquela do ouro, a mais alardeada, com 67%.

Escassez de projetos

Só que a pressão por escala não é apenas uma reação aos preços elevados do cobre, mas também reflexo da escassez de projetos de grande porte próximos de entrar em produção. Com novos empreendimentos cada vez mais caros, longos e arriscados, as empresas passaram a buscar alternativas que permitam ganhar acesso mais rápido a novas reservas e diluir riscos financeiros.

No caso específico de Rio Tinto e Glencore, a retomada das conversas é lida por operadores e analistas como parte dessa mesma lógica. A Glencore vem reorganizando seu portfólio, com a reestruturação de ativos de carvão e maior foco em metais críticos, enquanto a Rio Tinto ajusta sua estratégia para reduzir custos e ampliar a presença em minerais além do minério de ferro.

Esse movimento ocorre em um momento em que outros grandes nomes também figuram no tabuleiro da consolidação. A BHP, maior mineradora do mundo em valor de mercado, tentou sem sucesso adquirir a Anglo American nos últimos anos e agora deve buscar alternativas para não ficar para trás. 

Analistas do Bank of America ouvidos pelo The Wall Street Journal observam que o acordo entre Anglo American e Teck criou uma espécie de momento de “agora ou nunca” no setor — e que a principal incógnita passa a ser como a BHP responderá a esse novo ciclo.

Colaborou Alexandre Versignassi

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Setor de tecnologia dos EUA ainda sofre com falta de insumos chineses de terras raras

25 de Dezembro de 2025, 12:24

A China ainda está restringindo os elementos de terras raras de que os EUA precisam para produzir seus próprios ímãs permanentes e outros produtos, mesmo depois de o presidente Donald Trump ter fechado, em outubro, um acordo com seu contraparte chinês para suspender restrições ao fornecimento, segundo participantes do mercado.

Mais de uma dúzia de consumidores, produtores, autoridades do governo e especialistas em comércio disseram que, embora a China tenha aumentado as entregas de produtos acabados — principalmente ímãs permanentes —, a indústria americana continua sem conseguir adquirir os insumos necessários para fabricar esses itens por conta própria, uma prioridade-chave do governo. As pessoas pediram para não ser identificadas ao discutir assuntos que não são públicos.

A redução no comércio evidencia tensões persistentes na relação EUA–China nos meses desde que Trump e Xi Jinping costuraram uma trégua na Coreia do Sul em 30 de outubro, com os EUA reduzindo tarifas e a China se comprometendo a restabelecer o fornecimento de terras raras. Na época, Trump disse que o acordo equivalia à “remoção de fato” de uma série de limites que a China havia imposto.

Ao restringir as entregas de matérias-primas, a China está dificultando os esforços dos EUA para construir uma indústria própria capaz de processar terras raras e transformá-las em ímãs usados em tudo, de bens de consumo a sistemas de guiagem de mísseis. O governo Trump fez do desenvolvimento de capacidade doméstica de produção de ímãs permanentes e outros produtos de terras raras uma prioridade, depois de a China ter passado anos construindo um monopólio global.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem. Autoridades do governo disseram, nas últimas semanas, que a China está cumprindo os termos do acordo sobre o fornecimento de terras raras.

Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostraram que o fornecimento de ímãs aos EUA caiu 11% em novembro em relação ao mês anterior, mas permanece acima das mínimas registradas quando Pequim restringiu o envio em abril. No total, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras raras — incluindo ímãs — subiram 13% em novembro ante o mês anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados oficiais da alfândega.

Mineração em terras raras
Mineração em terras raras (Bloomberg)

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que a oscilação nos dados mensais de comércio é “normal” e acrescentou que o país está comprometido em manter a estabilidade das cadeias globais de suprimento. Pequim disse que já aprovou alguns pedidos de exportação de terras raras, mas continua restringindo fornecimentos que poderiam chegar a contratantes militares.

Autoridades do setor e participantes do mercado disseram que, para os atores americanos, a realidade é diferente.

“As pessoas não estão conseguindo tirar materiais da China; você não está conseguindo metal ou óxido de disprósio se você é uma entidade dos EUA”, disse em entrevista Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics Inc., citando contatos com outros participantes da indústria. A Noveon é uma das poucas fabricantes americanas de ímãs permanentes. A empresa não compra insumos de terras raras da China, mas Dunn disse que alguns de seus clientes compram.

“Fora da China, o mundo consegue produzir 50.000 toneladas de ímãs, mas não chega nem perto de existir um volume equivalente de minerais de terras raras para sustentar essas toneladas fora da China”, disse Dunn. “A China restringe materiais muito além do que restringe em ímãs para manter essa dinâmica.”

Ainda assim, o afrouxamento das restrições de Pequim sobre produtos como ímãs feitos a partir de terras raras, por ora, eliminou o risco de que indústrias consumidoras — como a automotiva e a de tecnologia — tenham de interromper a produção, segundo Gracelin Baskaran, diretora do programa de segurança de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Como importamos mais adiante na cadeia de suprimentos, as empresas não sentem essa interrupção com a mesma intensidade”, disse ela. “Como importamos mais ímãs, o impacto é muito mais brando.”

As exportações totais de matérias-primas da China aumentaram desde o ano passado, mas os EUA não receberam uma alta semelhante, segundo dados do governo. A estagnação para empresas americanas continua mesmo depois de a União Europeia ter dito, em 15 de dezembro, que a China começou a conceder licenças com prazos mais longos para permitir que companhias europeias obtenham terras raras.

Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, EUA e China ainda não chegaram a um acordo sobre detalhes essenciais de como Pequim vai liberar as vendas de terras raras. A Bloomberg News informou no mês passado que os dois lados deram às suas equipes até o fim de novembro para acertar os termos das chamadas “licenças gerais” para exportações. Isso deixou participantes do mercado preocupados com a possibilidade de a trégua desmoronar.

“Chegamos a vários acordos temporários em Londres, em Genebra, na Coreia do Sul, e eles foram descumpridos”, disse Baskaran. “Então, até agora, nenhum acordo se provou definitivo — e isso deixa a indústria receosa, de um jeito que é justificável.”

A proximidade do vencimento, em seis meses, das licenças temporárias de exportação que a China aprovou no começo do verão também significa que empresas americanas vão buscar renovações ao mesmo tempo, o que pode criar um acúmulo de solicitações. Compradores temem que a China, como fez em maio e junho, possa desacelerar aprovações — um movimento que participantes do setor veem como uma forma de controle de exportações.

“Em conversas com advogados chineses, a recomendação é seguir com os pedidos de licença antes de a pausa expirar”, disse Mark Ludwikowski, chefe da área de comércio internacional do escritório Clark Hill. “Eles podem cortar isso a qualquer momento, se isso azedar.”

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Escalada do ouro aumenta em 40% as previsões de investimento na mineração brasileira

5 de Dezembro de 2025, 06:00
Complexo da AngloGold Ashanti em Minas Gerais. Foto: Divulgação

Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei… No século 18, metade da produção mundial de ouro saía do Brasil – quase tudo dessas cidades mineiras e arredores. De lá para cá, as coisas mudaram. Minas ainda dá muito ouro, mas o país responde por apenas 2% da extração global: 84 toneladas em 2024. Somos o 15º no ranking mundial de produção.

Só que temos potencial para mais. “O Brasil possui grandes reservas geológicas de ouro no subsolo. E uma parte significativa ainda não está explorada”, diz Rafael Marchi, diretor para Infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal.  

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São pelo menos 2,4 mil toneladas em reservas. Isso coloca o Brasil entre as dez maiores reservas mundiais, com 4% do total. Um potencial interessante para um momento em que o ouro redefine seu patamar de valorização. São 155% na década. 60% só em 2025 – a US$ 135 o grama (ou US$ 4,2 mil a onça, como prefere o mercado).

Uma alta alimentada em grande parte por compras vorazes dos Bancos Centrais. Vários deles, a começar pelo da China, têm trocado parte de seus dólares pelo metal amarelo – seja por desafinidade geopolítica, seja por medo da dívida americana. Ela está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial (120% do PIB), o que enfraquece a credibilidade do dólar.

A expansão do ouro e a retração do dólar nas reservas dos BCs ficam nítidas a partir de 2020. Veja aqui:

Mas essas são outras histórias. O ponto é que a alta sustentada do ouro estimula investimentos nas pesquisas em busca de novas áreas de exploração, e de ampliar as que já existem. 

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revisou para cima as previsões de investimento das empresas na extração de ouro. O instituto faz esse cálculo para períodos de quatro anos. No ano passado, previram US$ 1,4 bilhões (R$ 8,1 bi) para o intervalo 2024-2028. Neste ano, aumentaram a estimativa para 2,1 bilhões (R$ 11,4 bi). Uma alta de 39%.

Trata-se da maior mudança de previsão entre todos os minerais, exceto terras raras – nesse caso, alta de 49% nas previsões de investimentos; um salto catapultado pela urgência americana de acabar com o monopólio chinês nesse quesito. Mas voltemos ao metal que brilha. 

Saint John d’El Rey 

Uma das companhias com investimentos robustos no Brasil é a sul-africana AngloGold Ashanti. Ela é a terceira maior produtora em território nacional, com 10,6 toneladas em 2024 (atrás da canadense Kinross e da Vale). E a mais antiga – de longe.

Começou por aqui há quase 200 anos, em 1834, quando a operação brasileira se chamava Saint John d’El Rey Mining Company – uma mineradora com capital britânico que recebeu autorização do Império para explorar ouro em Minas Gerais. 

Desde lá, a história dela segue uma linha contínua, com a empresa mudando de controle e de nome ao longo do tempo, até chegar na estrutura atual da AngloGold Ashanti. E hoje um destaque ali é justamente a tecnologia para seguir tirando ouro – de camadas cada vez mais profundas, conforme as minas a céu aberto vão se exaurindo.    

Ela opera a mina mais profunda do país, no complexo Operações Cuiabá (apesar do nome, ele fica em Minas Gerais, nos municípios de Caeté e Sabará). A mina tem 1,6 km de profundidade. É o ponto mais profundo do território brasileiro. 

E em sondagens recentes, a companhia identificou ocorrências de ouro 2,4 km abaixo da superfície. E a extração pode ser viável – a mina de Mponeng, na África do Sul e que já foi da AngloGold, extrai o metal precioso a 4 km de profundidade. 

Em sondagens recentes, a AngloGold identificou ocorrências de ouro a mais de 2.400 metros de profundidade (Divulgação)

Com operação em nove países, a AngloGold se programou para investir R$ 800 milhões no Brasil neste ano. O grosso do dinheiro envolve melhorias nas operações atuais. E uma parte (R$ 15 milhões) foi destinada a pesquisas greenfield – de prospecção de novas áreas.   

É devagar, devagarinho

O efeito da cotação do ouro nos resultados das mineradoras é óbvio. O lucro operacional (Ebitda) da AngloGold cresceu 109% no terceiro trimestre de 2025 pela comparação anual, a US$ 1,55 bilhão.  

“A valorização do ouro tem um efeito positivo para o setor como um todo, pois tende a atrair investimentos e estimular projetos em países com alto potencial geológico, como o Brasil”, diz Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti para a América Latina. Ele assumiu a posição em junho deste ano, após o antigo comandante, Marcelo Pereira, ascender ao cargo de COO global. 

Na mineração, porém, não existe um “aperta o botão aí e dobra a produção”. Os projetos levam anos, décadas, para amadurecer. E com ouro a situação é ainda mais peculiar. Para extrair a quantidade que vai numa aliança (6 gramas), você precisa explodir pelo menos uma tonelada de rochas na mina. Haja expansão.

Por essas, a produção global de ouro cresceu apenas 2% entre o 3T24 e o 3T25, mesmo com um rali de 45% no preço do metal nesse intervalo. A do complexo Operações Cuiabá, de qualquer forma, avançou mais: 6%

Tal como no petróleo

O caso da AngloGold, por sinal, ajuda a explicar a dinâmica da mineração de ouro. Num aspecto, ela é parecida com a exploração de petróleo. Da mesma forma que junior oils compram campos maduros das majors, mineradoras menores costumam comprar ativos das maiores, com a ideia de explorá-los sob uma estrutura de custos mais enxuta. 

O caso mais recente nessa linha, em território brasileiro, aconteceu justamente entre a sênior AngloGold (faturamento US$ 5,8 bilhões/ano) e a canadense Aura Minerals, de menor porte (US$ 594 milhões/ano).     

Na última terça-feira (2), a sul-africana concluiu a venda da Mineração Serra Grande, que possui três minas subterrâneas e uma a céu aberto na cidade de Crixás (GO), para a canadense. Em 2024, a unidade produziu 2,5 toneladas de ouro, um pouco abaixo das 2,7 toneladas de um ano antes.

O acordo, anunciado em junho, foi fechado por US$ 76 milhões mais 3% em royalties sobre os lucros futuros da operação. Lima comenta que o ativo não fazia mais parte do plano estratégico da companhia: 77% da produção da AngloGold no país veio das operações em Minas Gerais. 

Agora ficam só elas no portfólio brasileiro da empresa – na mesma região onde ela já extraía ouro em 1834, nos tempos de Saint John d’El Rey Mining Company, quando o ouro era cotado a US$ 20,67 a onça. Contabilizando 194 anos de inflação do dólar, aliás, isso só US$ 760 em dinheiro de hoje, o que dá uma ideia da dimensão do rali pelo qual estamos passando agora. 

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Vale aperta custos até o fim da década e amplia o peso do cobre na estratégia de longo prazo

2 de Dezembro de 2025, 17:25

A Vale pretende atender, a partir de 2026, a uma cobrança antiga do mercado: entregar resultados mais previsíveis. Com a demanda por minério de ferro perdendo força, a mineradora apresentou um plano ancorado em custos menores, investimentos mais controlados e uma aposta maior na extração de cobre.

A gestão comandada por Gustavo Pimenta vê espaço para aumentar em até 3% a produção de minério de ferro no próximo ano em relação ao projetado para 2025, numa faixa entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas da commodity.

A expectativa da diretoria é manter os investimentos em torno de US$ 6 bilhões por ano, reduzir o custo C1 do minério — o gasto direto de produção, antes do transporte — para algo próximo de US$ 20 por tonelada, alcançar 360 milhões de toneladas de ferro em 2030 e praticamente dobrar o volume de cobre até 2035. No meio do caminho, a empresa ainda precisa fazer o negócio de níquel parar de queimar caixa.

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, está de paletó preto e camisa branca
Gustavo Pimenta, novo CEO da Vale – Foto: Divulgação / Vale

O ponto sensível continua sendo o mesmo: credibilidade. Pimenta reconheceu a analistas que parte do ceticismo decorre do histórico de metas não cumpridas — inclusive em cobre.

A gestão afirma que as projeções atuais foram modeladas sem depender de “alívios” regulatórios, como o decreto de cavidades, e estão apoiadas em projetos já licenciados e, em boa medida, em expansões brownfield.

A aposta é que a combinação de disciplina de custos e entrega operacional ajude a encurtar a distância em relação a concorrentes como BHP e Rio Tinto — e sustente a ambição da Vale de voltar a ser a maior produtora global de minério de ferro.

Minério de ferro

No minério de ferro, o diretor de operação (COO) Carlos Medeiros reafirmou que a meta de produção para 2026 passou a ser de 335 milhões a 345 milhões de toneladas — abaixo da estimativa anterior, de 340 a 360 milhões —, mas com o objetivo de longo prazo mantido em 360 milhões de toneladas anuais até 2030. 

Segundo ele, o cumprimento desses volumes depende mais das condições de mercado do que de limitações operacionais ou de licenciamento: os projetos necessários já estão autorizados.

O aumento de produção virá de um pacote de expansões em andamento. O projeto Serra Sul+20, em Carajás (PA), deve adicionar 20 milhões de toneladas de minério de alta qualidade por ano, com início das operações no segundo semestre de 2026. A Vale projeta custo C1 de US$ 14 por tonelada nesta expansão — patamar que tende a torná-la a operação mais barata da companhia.

Em paralelo, Vargem Grande, Capanema e o Compact Crusher em Serra Sul completam o reforço de capacidade. Capanema, por exemplo, deve saltar de 8 milhões de toneladas em 2025 para 13 milhões em 2026, chegando a 15 milhões em regime, com custo abaixo de US$ 20 por tonelada.

“Podemos produzir minério de alta qualidade, mas nossa força está na flexibilidade”, diz Rogério Nogueira, vice-presidente comercial e de desenvolvimento. Depois de décadas apostando na tese do high grade, a Vale passou a enxergar valor em ajustar o mix conforme a demanda.

Entre 2023 e 2025, a fatia de minérios de altíssimo teor nas vendas diminuiu, enquanto avançou a participação dos minérios mid-grade premium, que têm melhor relação alumina/sílica. A mudança, combinada à estratégia de blending, gerou um prêmio adicional de US$ 3 por tonelada — o equivalente a cerca de US$ 500 milhões anuais de Ebitda.

Cobre e níquel

Na divisão de metais básicos, a Vale Base Metals (VBM) atravessa, nas palavras do CEO Shaun Usmar, uma reestruturação sem precedentes. Em 14 meses no comando, o executivo afirma ter substituído um modelo altamente centralizado por uma estrutura com menos camadas de gestão e mais autonomia para decidir onde alocar capital.

O cobre é o principal motor de crescimento. A Vale projeta sair das atuais 370 mil toneladas por ano para algo entre 420 mil e 500 mil toneladas em cinco anos, alcançando 700 mil toneladas em 2035. A vantagem, segundo a companhia, é que boa parte desse avanço vem de projetos brownfield — expansões de minas e plantas já existentes —, o que reduz risco de execução e demanda de capital quando comparado a grandes greenfields em novas fronteiras minerais.

A intensificação da exploração reforça essa tese. Em Parauapebas e região, a VBM aumentou o número de sondas de 8 para 23, perfurando mais de 60 mil metros no ano, com plano de ultrapassar 100 mil metros.

No níquel, o discurso é de disciplina. A divisão não pode ser subsidiada, e o foco é atingir sustentabilidade financeira até o fim de 2027, aproveitando a verticalização mina–refino sem perder de vista a rentabilidade em um mercado ainda pressionado pelo excesso de oferta. Dos cerca de US$ 400 milhões em ganhos de caixa da VBM, US$ 240 milhões já vêm do níquel — resultado de cortes de despesas, redução de custos e revisão de investimentos.

Questionado sobre uma possível consolidação maior no Canadá, Usmar afirmou que, por ora, o foco está na parceria anunciada com a Glencore em Sudbury, que compartilha uma infraestrutura de poços considerada referência no cinturão e mineralizações complementares. A ideia é usar esse modelo como piloto para futuras cooperações, mas não há discussão avançada sobre uma combinação integral dos ativos canadenses.

Quanto à estrutura de capital da VBM, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, foi direto: um IPO “pode ser um caminho, mas não é objetivo”. A separação societária foi feita para ampliar as opções de financiamento da unidade, e não como preparação imediata para uma abertura de capital.

 Por enquanto, a Vale quer manter exposição ao negócio — especialmente porque boa parte do crescimento do cobre está em Carajás, onde há sinergias claras com o minério de ferro. O foco, disse ele, é transformar reservas em produção com retornos acima de 20% ao ano.

Custos sob controle

Do lado financeiro, o CFO Marcelo Bacci afirmou que a companhia precisa equilibrar as ambições de crescimento com disciplina de gastos. Ele lembrou que entre 60% e 70% da estrutura de custos da Vale é fixa — o que torna essencial diluir essas despesas com mais volume e, ao mesmo tempo, atacá-las diretamente.

Nos últimos anos, a mineradora reduziu o gasto fixo anual de US$ 6,3 bilhões para US$ 5,8 bilhões, com plano de chegar a US$ 5,7 bilhões em 2026. No minério de ferro, o custo C1 deve fechar 2024 em cerca de US$ 21,3 por tonelada (ante US$ 22,3 em 2023). Para 2025, a orientação é de US$ 20 a US$ 21,5, com o objetivo declarado de aproximar-se de US$ 20.

O all-in cost do minério deve ficar em torno de US$ 55 por tonelada este ano, com guidance entre US$ 52 e US$ 56 para 2025. No cobre, o custo total está próximo de US$ 1.000 por tonelada, beneficiado por subprodutos como ouro.

No níquel, a Vale projeta encerrar o ano em torno de US$ 13 mil por tonelada, com meta de US$ 12 mil a US$ 13,5 mil em 2025. Somando o capex de manutenção, o custo total sobe para US$ 15 mil a US$ 16 mil por tonelada. A meta é terminar o próximo ano com a operação de níquel gerando caixa neutro nos níveis de preço atuais.

Investimentos e dividendos

Bacci afirmou que a Vale seguirá controlando seus investimentos nos próximos anos. A expectativa é que o capex de 2025 fique em US$ 5,5 bilhões, quase US$ 1 bilhão abaixo das estimativas iniciais. Para 2026, os aportes devem ficar entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, com a meta de manter o capex abaixo de US$ 6 bilhões por ano até o fim da década.

Entre as grandes mineradoras globais, esse é um dos menores níveis de investimento para o volume de projetos em carteira, segundo o Itaú BBA.

Uma parte relevante da folga de caixa virá da queda gradual dos desembolsos ligados a Brumadinho, Samarco e ao descomissionamento de barragens. Em 2024, esses pagamentos somam US$ 4,2 bilhões; em 2025, devem cair para US$ 2,6 bilhões; em 2026, para US$ 1,9 bilhão. Depois disso, a curva tende a convergir para algo próximo — ou abaixo — de US$ 1 bilhão por ano.

Com essa redução, a companhia ganha flexibilidade para manter a dívida líquida expandida entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Bacci reforçou que, sempre que a empresa estiver abaixo — ou caminhando para abaixo — de US$ 15 bilhões, haverá espaço para distribuir mais caixa aos acionistas. A política pode ser revisada a partir do fim de 2027, quando os desembolsos relacionados a acordos diminuem de forma relevante.

No curto prazo, a preferência tem sido por dividendos. A Vale anunciou US$ 1 bilhão adicionais para o início de 2026, antecipando a mudança na tributação de proventos no Brasil. Mais adiante, a empresa fala em buscar um equilíbrio maior entre dividendos e recompras, dependendo do preço da ação e do nível de alavancagem.

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Mineradoras brasileiras se unem para ganhar força na disputa por minerais críticos

27 de Novembro de 2025, 10:04

Mineradoras de pequeno porte que desenvolvem projetos de minerais críticos no Brasil se uniram para defender interesses comuns, enquanto o país busca ser um participante-chave na corrida por recursos estratégicos.

Nove empresas — incluindo as mineradoras de terras raras Aclara Resources e Meteoric Resources e a produtora de lítio Pilbara Minerals, conhecida como PLS — estão formando a Associação de Minerais Críticos, ou AMC. Outro grupo do setor, o Ibram, já representa empresas que respondem por cerca de 85% da produção mineral do Brasil.

O lançamento da AMC ocorre paralelamente a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem a Moçambique, afirmando que o Brasil não se contentará em ser um mero exportador de minerais críticos e, em vez disso, exigirá que investidores estrangeiros ajudem a desenvolver a indústria local.

A AMC diz que apoia essa visão, mas alerta que, sem mecanismos de garantias financeiras acessíveis, as mineradoras menores podem ser forçadas a negociar a produção futura como garantia para obter empréstimos internacionais.

A prioridade da associação é obter o apoio do governo e dos parlamentares para estabelecer mecanismos de garantia que permitam que mineradoras em fase pré-operacional, sem fluxo de caixa, acessem linhas de financiamento, afirmou em entrevista o diretor-executivo da AMC, Frederico Bedran. Outros objetivos importantes incluem a redução da burocracia para o licenciamento de projetos e incentivos fiscais para estimular o desenvolvimento da cadeia de produção desses metais, acrescentou.

“O Brasil enfrenta dois riscos: perder a janela de mercado e continuar sendo um exportador de commodities”, disse Bedran. “Temos que colocar projetos de mineração em operação em três anos para não perder espaço para outros produtores.”

À medida que os países ocidentais intensificam os esforços para diversificar as cadeias de abastecimento de minerais essenciais e reduzir a dependência da China, o Brasil — que possui as maiores reservas mundiais de nióbio e fica atrás apenas da China em terras raras — está se posicionando como fornecedor de matérias-primas e centro de produção de valor agregado.

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Venda de ações da CSN na MRS pode movimentar mais de R$ 3 bilhões

26 de Novembro de 2025, 16:20

A CSN está negociando a venda de suas ações na MRS Logística, operadora de uma das principais malhas ferroviárias do país, para a CSN Mineração, sua controlada direta. A operação pode envolver até 18,75% do capital que a siderúrgica detém na MRS – uma fatia avaliada em cerca de R$ 3,26 bilhões, de acordo com o balanço mais recente da companhia.

A transação em curso tem potencial de aliviar a estrutura de capital da principal empresa de Benjamin Steinbruch. Ao vender suas ações para a subsidiária, a CSN receberia recursos diretamente da CSN Mineração, que encerrou o terceiro trimestre com cerca de R$ 16 bilhões em liquidez.

Já a CSN encerrou o período com fluxo de caixa operacional negativo — ou seja, suas atividades do dia a dia consumiram recursos em vez de gerar — e mantém como prioridade reduzir a alavancagem para perto de 3 vezes o Ebitda.

Atualmente, a dívida líquida consolidada do grupo é de R$ 37,5 bilhões, com alavancagem de 3,14 vezes o Ebitda. A companhia, porém, não detalha ao mercado os parâmetros de seus covenants, limitando-se nos documentos públicos mais recentes a afirmar que está “adimplente”.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a CSN diz apenas que está em negociações com a CSN Mineração, mas que a quantidade e o preço das ações não foram determinados. 

Infraestrutura

Ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a CSN afirma que a aquisição funcionaria como uma simplificação societária: concentrar a participação logística na CSN Mineração, que depende da MRS para escoar o minério produzido no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), até o terminal marítimo de Itaguaí (RJ).

A transação também se conecta ao plano anunciado pela CSN de criar a CSN Infraestrutura, empresa que vai concentrar participação na MRS, terminais portuários e ativos rodoviários e ferroviários do grupo. 

A nova companhia, prevista para ser estruturada nos próximos meses, deve servir como um veículo para que a CSN consiga levantar “alguns bilhões” ao longo de 2026, de acordo com Antonio Marco Rabello, CFO da CSN, em teleconferência recente com analistas.

Ferrovia das mineradoras

A MRS é um dos ativos logísticos mais estratégicos do país. A concessionária opera cerca de 1.700 km de linhas ferroviárias entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, formando o chamado “corredor Sudeste” – rota crucial para o transporte de minério, carvão e produtos siderúrgicos.

O capital da MRS é concentrado nas principais companhias do setor: a Vale controla cerca de 44% do capital; o grupo CSN/CSN Mineração detém aproximadamente 38%; Usiminas, 11%; e Gerdau, 6%.

Procurada pelo InvestNews, a CSN não comentou.

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Para reduzir dependência da China, Vale vende para novos mercados como Índia e Vietnã

10 de Novembro de 2025, 12:48

A Vale está se voltando a novos mercados para diversificar suas vendas de minério de ferro em um momento em que o principal cliente da indústria, a China, intensifica os esforços para influenciar os preços da matéria-prima essencial para a produção de aço.

Enquanto a China ainda representa cerca de metade da receita operacional da Vale, a mineradora está vendendo para a Índia e o Vietnã e explorando outros mercados no Sudeste da Ásia e Oriente Médio, disse o presidente da empresa, Gustavo Pimenta, em uma entrevista.

É uma mudança natural da tradicional dependência da Vale em relação à China, à medida que outros mercados emergentes buscam fortalecer suas indústrias siderúrgicas e Pequim se concentra mais no consumo interno e na tecnologia.

Questionado sobre as implicações de um rompimento nas negociações contratuais entre a China e outro grande produtor, o BHP Group, Pimenta disse que nem os vendedores nem os compradores estão em posição de controlar os preços no atual cenário do mercado de ferro.

“Quando você não tem o mercado em equilíbrio, aí sim você abre margem para dar mais poder de negociação a uma das partes,”disse ele na sede da Vale no Rio de Janeiro. “Mas esse é um mercado em equilíbrio e acho que todos as grandes mineradoras entendem que o seu produto tem um valor para o cliente final.”

Com a produção de aço da China prevista para permanecer em torno de 1 bilhão de toneladas métricas por ano até o final da década, a Vale quer crescer “de forma importante” na Índia, a partir dos níveis atuais de cerca de 10 milhões de toneladas de vendas anuais de minério, disse ele. A empresa brasileira também está considerando desenvolver usinas de blendagem ou fazer parcerias com empresas locais na Índia.

Simandou

Ao longo da próxima década, o mercado provavelmente permanecerá equilibrado, apesar do gigantesco complexo de Simandou, na Guiné, entrar em operação, disse Pimenta. Essa previsão se baseia em uma redução anual de 50 a 60 milhões de toneladas, com outras 150 milhões de toneladas se tornando inviáveis se os preços caírem abaixo de US$ 90 por tonelada, em comparação com cerca de US$ 100 atualmente.

Embora empresas chinesas estejam entre os donos de Simandou, assim como o Grupo Rio Tinto, o CEO da Vale não vê o projeto como um fator capaz de mudar significativamente o poder de precificação de Pequim.

A estatal China Mineral Resources Group tornou-se a maior compradora de minério de ferro do mundo, com o mandato de alterar o equilíbrio nas negociações com a Vale e seus concorrentes australianos, BHP e Rio Tinto. A CMRG instruiu as principais siderúrgicas e tradings a evitarem novas cargas marítimas denominadas em dólares da BHP, depois que as negociações contratuais empacaram.

“Simandou passa a ser uma oferta importante para o mercado chinês, mas o volume de demanda de minérioda é muito superior ao volume que Simandou tem a capacidade de ofertar,” disse Pimenta.

A Vale está envolvida em negociações “estritamente” sobre volumes para o próximo ano com a CMRG e siderúrgicas, disse ele.

Logo após Pimenta assumir o comando, há cerca de um ano, a Vale finalmente chegou a um acordo em relação ao desastre de mineração da Samarco, joint-venture com a BHP, ocorrido em 2015. O ex-diretor financeiro recebeu a missão de maximizar a produção de minério de ferro e aumentar a eficiência, apesar do enfraquecimento da demanda chinesa pelo insumo siderúrgico. A empresa quer ser a principal fornecedora de minério de alta qualidade, que reduza as emissões nas usinas siderúrgicas.

Maior produto de minério de ferro do mundo

Pimenta espera que a Vale recupere o título de maior produtora de minério de ferro do mundo ainda este ano, após uma retomada gradual após interrupções causadas por dois desastres em barragens de rejeitos.

A previsão oficial de produção para o próximo ano é de 340 milhões a 360 milhões de toneladas, embora isso possa ser atualizado em seu encontro anual com investidores em Londres no próximo mês. Pimenta afirmou que a Vale não ultrapassará o limite superior dessa faixa.

A empresa também pretende dobrar sua capacidade de produção de cobre para 700 mil toneladas até 2035. O foco está no desenvolvimento dos próprios ativos da Vale, principalmente na floresta Amazônica brasileira, em vez de buscar novas aquisições.

“Hoje você vai ter que pagar caro, porque todo mundo quer cobre,” disse Pimenta. “A criação de valor que eu tenho em desenvolver meus próprios projetos é muito maior.”

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Sibanye e Appian encerram disputa judicial sobre minas no Brasil com acordo de US$ 215 milhões

10 de Novembro de 2025, 10:04

A Sibanye Stillwater concordou em pagar US$ 215 milhões à Appian Capital Advisory para encerrar uma disputa sobre a decisão da empresa sul-africana de rescindir um acordo para comprar duas minas no Brasil.

O acordo foi anunciado nesta segunda-feira (10), no mesmo dia em que estava previsto o início de um julgamento, em Londres, para determinar o valor das indenizações. A Sibanye havia declarado anteriormente que a Appian poderia ter recuperado mais de US$ 700 milhões de uma decisão judicial que se esperava ser proferida no início do próximo ano.

A Appian processou a Sibanye por esta ter desistido, em janeiro de 2022, de uma transação de US$ 1,2 bilhão para adquirir minas de níquel e cobre da empresa de private equity.

O argumento da Sibanye — de que uma ruptura na parede da mina no projeto Santa Rita constituía um “evento adverso relevante” — foi rejeitado por um tribunal do Reino Unido em outubro de 2024. O tribunal decidiu que a empresa listada na bolsa de Joanesburgo abandonou o negócio ilegalmente e era responsável por compensar a vendedora.

O conselho e a administração da Sibanye estão “convencidos de que a resolução desta longa disputa judicial é do melhor interesse” da mineradora, afirmou o CEO Richard Stewart em comunicado que anunciou o acordo.

Se o julgamento tivesse prosseguido, “com base nas provas periciais apresentadas pelas partes e dependendo da metodologia de avaliação adotada”, a indenização concedida à Appian teria ficado entre zero e US$ 721 milhões, informou a Sibanye no final de agosto. A mineradora afirmou que o valor do acordo final inclui US$ 5 milhões em honorários advocatícios já pagos.

Mineração e investimentos globais

A Sibanye opera minas de ouro na África do Sul, além de ativos de metais do grupo da platina em seu país de origem e nos Estados Unidos. A empresa desenvolve um projeto de lítio na Finlândia, e possui uma unidade de níquel na França, após ter expandido as atividades para metais destinados a baterias.

A Appian é uma empresa líder em private equity, focada no setor de mineração, com cerca de US$ 5 bilhões em ativos sob gestão. No mês passado, anunciou uma parceria de US$ 1 bilhão com o braço do setor privado do Banco Mundial para apoiar projetos, principalmente na África e na América Latina.

“Este resultado positivo nos permite encerrar este assunto em termos adequados”, afirmou o CEO da Appian, Michael Scherb, no comunicado.

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EUA investem R$ 2,5 bilhões na produção de terras raras da Serra Verde, em Goiás

8 de Novembro de 2025, 10:11

A Serra Verde, produtora brasileira de terras raras, garantiu um financiamento de até US$ 465 milhões – cerca de R$ 2,5 bilhões – da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). O investimento tem como pano de fundo a busca pelas nações ocidentais da redução da dependência da China em relação a minerais essenciais.

O financiamento busca ajudar a cobrir as melhorias na mina Pela Ema da empresa, no estado do Goiás, de acordo com um documento de 15 de agosto do site do DFC. A agência federal foi criada durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, para oferecer financiamento e garantias a projetos em países em desenvolvimento que tenham ligação com os objetivos de política externa dos Estados Unidos.

O governo Trump recorre ao Brasil — o país com as maiores reservas de terras raras fora da China — por seus esforços na construção de cadeias de suprimentos alternativas para elementos-chave usados em equipamentos militares, veículos elétricos e turbinas eólicas.

O depósito de Pela Ema contém terras raras leves e pesadas – principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio – que são essenciais para a transição energética. A Serra Verde, apoiada pela Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy and Minerals Group, é a primeira produtora de terras raras em larga escala do país.

O DFC afirmou que o fundo se destina a financiar melhorias na mina Pela Ema, bem como despesas operacionais e o refinanciamento da dívida existente dos acionistas. O financiamento foi divulgado anteriormente pelo Financial Times.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024. A empresa pretende aumentar a produção para entre 4.800 e 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o início de 2027.

“Este projeto ainda está passando por diversas etapas e revisões antes de ser concluído”, disse um porta-voz da empresa sobre seus planos. “Como esses detalhes ainda não foram finalizados, preferimos aguardar para comentar até que a transação esteja totalmente concluída e possamos fornecer informações precisas.”

Em setembro, a Aclara Resources garantiu financiamento do DFC para um projeto de terras raras no Centro-Oeste, em um acordo que poderá ser convertido em participação acionária no futuro.

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Vale e donos da Itaminas fecham mais um arrendamento de mina em MG – o terceiro em 2025

7 de Novembro de 2025, 19:54

Os grupos AVG e Géo, donos da mineradora Itaminas, fecharam um acordo com a Vale para arrendar uma de suas jazidas em Minas Gerais — o terceiro contrato desse tipo entre as partes neste ano.

O negócio foi aprovado recentemente pelo Cade e, segundo fontes próximas à operação, se refere à mina Conta História, localizada em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto, e integrante do Complexo Sudeste da Vale.

A Conta História é um depósito de ferro e manganês situado no Quadrilátero Ferrífero, uma das regiões mais antigas e ricas em minério de ferro do país. A jazida está inativa há mais de uma década — a exploração industrial foi interrompida ainda nos anos 2000.

O valor da transação não foi revelado, e o contrato prevê o arrendamento dos direitos minerários, com a Vale mantendo a propriedade da jazida.

Arrendamentos

O novo contrato com a Vale é o terceiro arrendamento firmado entre os donos da Itaminas e a mineradora.

Antes da mina Conta História, o grupo já havia assumido a mina Dois Irmãos, em Barão de Cocais, e a mina Aliança, também em Ouro Preto — ambas igualmente dentro do Sistema Sudeste da Vale e também aprovadas pelo Cade.

O movimento permite à Vale gerar receita com a reativação de minas médias e inativas, em um momento em que a companhia foca seus esforços nas operações de grande escala, como o S11D, no Pará.

A Itaminas produz atualmente cerca de 6,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Em 2024, a companhia registrou faturamento próximo de R$ 1,5 bilhão e traçou um plano de expansão que prevê atingir 15 milhões de toneladas anuais até 2033.

A título de comparação, a Vale — maior mineradora do país — produziu 328 milhões de toneladas de minério de ferro em 2024, o que significa que a produção da Itaminas equivale a menos de 2% do volume da líder global do setor.

Saída de Vorcaro

O novo arrendamento marca mais um passo na expansão do grupo, que nesta semana passou por uma mudança na estrutura societária. A Itaminas comunicou na terça-feira (4) que AVG e Géo, dos empresários Bernardo Gontijo e Argeu Géo, compraram a fatia de 50% do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornando-se os únicos controladores da mineradora.

Vorcaro havia entrado no negócio em 2024, quando os três empresários compraram a companhia do colecionador e ex-controlador Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim. A operação, concluída no ano passado, custou cerca de US$ 300 milhões e foi quitada antecipadamente em maio deste ano.

Mas, com a crise recente do Master, Vorcaro vem se desfazendo de alguns ativos, sendo a Itaminas um dos que estavam em negociação.

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Brasil e China se unem para criar fundo de investimento de US$ 1 bilhão

3 de Outubro de 2025, 10:59

O BNDES e o Banco de Exportação e Importação da China (CEXIM) concordaram em criar um fundo de US$ 1 bilhão que investirá em setores como transição energética, infraestrutura, mineração, agricultura e inteligência artificial.

O banco brasileiro fornecerá US$ 400 milhões e o CEXIM, US$ 600 milhões, de acordo com comunicado. O novo fundo, que começará a operar em 2026, investirá em títulos de dívida e participações acionárias no Brasil.

O BNDES e a CEXIM já assinaram um termo de compromisso e uma declaração de intenções para cooperar na estruturação do fundo.

Primeiro fundo bilateral dos bancos

Segundo o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, a iniciativa é o primeiro fundo bilateral entre uma instituição brasileira e uma chinesa, operando principalmente por meio de investimentos em reais.

“Esta parceria entre as duas instituições fortalecerá o relacionamento comercial e econômico entre Brasil e China”, disse ele durante a cerimônia de anúncio do fundo, que aconteceu no Rio de Janeiro.

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