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Fundos de crédito privado têm resgates de mais de R$ 22 bilhões em abril diante de perdas

12 de Maio de 2026, 16:09

Depois de crises de grandes grupos como Raízen e GPA, que causaram perdas a investidores, fundos de crédito privado enfrentaram uma sangria de capital em abril.

Novos dados da Anbima – associação de entidades e empresas do mercado de capitais – confirmam o que dados prévios já mostravam: houve uma forte saída de recursos dos portfólios com títulos de renda fixa emitidos por empresas – CRIs, CRAs, debêntures.

Em uma das principais categorias, a de fundos com papéis com “duração livre”, ou seja, títulos de vencimentos variados, houve um resgate líquido de R$ 14,1 bilhões apenas em abril.

Em um recorte mais específico, a categoria de fundos com “duração livre grau de investimento”, que adquire apenas papéis com notas de crédito mais altas, registrou saídas de R$ 10,2 bilhões.

A saída líquida total foi de R$ 22,3 bilhões na soma das 8 categorias de fundos de crédito privado da Anbima – ou seja, os resgates ultrapassaram os depósitos.

Foi um movimento considerado natural dado o clima de perdas que se instaurou.

Não faltaram eventos que sacudiram o setor, afinal: as citadas recuperações extrajudiciais da Raízen, do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e da Kora Saúde, mais o pedido de proteção contra credores na Justiça da Oncoclínicas e os sinais de uma esperada reestruturação de dívidas da Braskem.

Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da Guerra do Irã e da consequente escalada de preços do petróleo.

Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Retornos de menos da metade do CDI

Como os resgates dos fundos de crédito levam em torno de 30 dias para serem contabilizados no valor das cotas, os impactos desse movimento começaram a ser vistos em abril.

A queda no valor das cotas fica evidente na rentabilidade da categoria “Renda Fixa Crédito Livre e Duração Livre”, uma das classificações da Anbima com maior número de fundos de crédito privado. No mês passado, a média de retorno de portfólios desse tipo ficou em 45% do CDI.

Outra categoria, a “Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre”, que concentra fundos com carteiras de crédito privado de longo prazo, amargou saídas liquidas de R$ 255,2 milhões em abril. O retorno médio também ficou significativamente abaixo do CDI, com rendimento por cota de 83% do referencial conservador.

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Essa percepção de perda pode retroalimentar o movimento de saques.

Com isso, se fundos tiverem que vender mais ativos no mercado secundário para cobrir as saídas líquidas, podem ter de aceitar ainda mais descontos.

No mês passado, as duas únicas categorias de fundos de crédito privado que apresentaram captação líquida positiva foram a “Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre”, com entradas líquidas de R$ 8,2 bilhões, e a “Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento”, com aportes de R$ 1,4 bilhão.

São fundos com características mais defensivas dentro da classe de crédito privado – títulos com vencimento mais curtos são menos voláteis.

Investidores precisam ter paciência

O momento de perdas em fundos de crédito privado pede resiliência ao investidor. No médio e no longo prazos, os efeitos da volatilidade se diluem. Desmontar a posição agora vai significar vender na baixa e tornar real o prejuízo que está no papel.

Com uma eventual melhora do quadro no futuro, o valor das cotas tende a se recompor e pode até superar o nível de preços em que o investidor entrou.

Quem tiver mais tolerância ao risco pode até aproveitar os momentos de quedas mais acentuadas para adquirir mais cotas, olhando para um horizonte de mais de um ano.

O carrego, ou seja, o ganho por manter os títulos na carteira no longo prazo, está favorável, com taxas de retorno historicamente altas.

Viajar, estudar e até apostar em bet: a visão de milhões de brasileiros sobre o que é investir

24 de Abril de 2026, 18:50

O que é investir? Muitos podem pensar em títulos de renda fixa, ações, poupança ou até criptoativos, mas uma nova pesquisa mostra que milhões de brasileiros adotam uma definição bem mais abrangente sobre o tema. Para uma parcela significativa da população, viajar, estudar, comprar a casa própria e até fazer apostas online podem ser classificados como investimentos.

Os dados são parte da 9ª edição do Raio-X do Investidor 2026, pesquisa recém-divulgada pela Anbima, associação que representa entidades e empresas do mercado de capitais no Brasil, em parceria com o Datafolha. Foram entrevistadas 5.832 pessoas de todas as classes sociais e nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual.

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Segundo o levantamento, um em cada quatro brasileiros – 24% dos entrevistados – afirmaram ter investido ao longo de 2025. Mas apenas 10% em aplicações financeiras propriamente ditas. A aparente contradição, na verdade, reflete essa visão mais flexível do que muitos brasileiros consideram como investimentos.

Do total da amostra, outros 9% citaram, por exemplo, que “investiram” na compra de um bem durável, como carro ou imóvel, enquanto outra parcela incluiu viagens, educação dos filhos, intercâmbio e até gastos com saúde. Uma fatia de 4% também citou empreendimentos e negócios.

A pesquisa revela ainda, sem especificar um período pré-determinado, que 5% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 7,8 milhões de pessoas, diz investir, mas sem utilizar nenhum produto financeiro. E quase a metade desse conjunto que afirma não fazer aplicações financeiras, ou 44%, apenas deixa o dinheiro guardado em casa.

A renda é um fator importante nessa visão. Isso porque a ideia de risco financeiro, ou seja, de obter um retorno menor do que poderia alcançar ou até amargar um prejuízo, passa a fazer sentido mesmo para quem já construiu um patrimônio e tem sobra de recursos após os gastos com educação, saúde e lazer.

“É uma pessoa que já tem o dinheiro para viajar, comprar carro ou imóvel e então a relação risco-retorno tem a ver com o CDI e a rentabilidade de produtos financeiros”, diz o consultor financeiro e conselheiro do Instituto Planejar, Carlos Castro. Para quem tem menos renda, “a prioridade não é se o investimento vai bater o CDI, mas se ele vai ter o dinheiro para fazer a viagem ou comprar o carro”.

A escritora e planejadora financeira Wanessa Guimarães acrescenta ainda que os brasileiros têm uma tendência de buscar retornos mais imediatos devido ao histórico de períodos com juros muito elevados. “É uma herança de décadas de rendimentos altos com pouco esforço.”

Os investidores ainda consideram a ideia de retorno como algo além do plano financeiro. “Quando a pessoa fala de escola dos filhos, pensa em entrega de capital humano, na casa, em um investimento tangível, na viagem, em retorno de bem-estar”, explica.

Caixinhas e poupança viram conceitos

Outra aparente contradição vem da citada preferência pela poupança como principal instrumento de investimentos. Um total de 22% apontou a tradicional caderneta entre os produtos que utiliza para aplicar seus recursos.

Por outro lado, uma parcela equivalente a um terço desse contingente, de 7%, citou que investe em títulos privados, que incluem os CDBs mas também letras de crédito imobiliário (LCI), do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA) e debêntures.

No entanto em valores o quadro é o inverso: enquanto a poupança atualmente tem um estoque de pouco mais de R$ 1 trilhão, os CDBs alcançam R$ 2,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

O superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi, explica que, durante a pesquisa, foi possível perceber que muitos entrevistados confundiam algumas aplicações com a caderneta. “Muita gente mencionou como poupança dinheiro guardado em ‘caixinhas’ de bancos digitais.” E a maior parte das “caixinhas” é, justamente, baseada em CDBs.

“A caixinha é justamente uma maneira de juntar o produto financeiro com a solução do problema, porque dá um nome da vida real para essa aplicação, tipo a caixinha da viagem”, diz Billi. “Quando uma instituição oferece um ‘fundo DI‘, isso é muito imaterial para a pessoa.”

Castro, da Planejar, lembra que até o Tesouro Direto tem buscado se aproximar mais da “vida real”, com nomes menos complicados para os títulos. “O Tesouro começou a se conectar com o investidor do varejo quando criou Renda A+, o Educa+ e agora vai ter também o Reserva Financeira.”

Bets como atalho

A chegada das plataformas de apostas online, conhecida como bets, também teve impacto no universo das aplicações financeiras. Cerca de 20% dos entrevistados disseram considerar as bets como uma forma de investimento. E os dados deixam claras as explicações por trás da visão.

A maior motivação, segundo quem aposta, vem da chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade. Esse tem sido o principal objetivo para 39% dos apostadores, enquanto a possibilidade de obter uma grande quantidade de dinheiro aparece em seguida com 37% das respostas.

“É que, na lógica de muita gente, se tem possibilidade de ganhar algo, essa pessoa considera um retorno, portanto parece ser um investimento”, afirma Guimarães. “Esse tipo de pensamento faz parte de uma espécie de lógica curto-prazista, de querer ganhar dinheiro rápido.”

O Rio-X do Investidor mostra ainda que uma parcela significativa tem problemas com descontrole financeiro nas apostas.

Um grupo que representa 39% de quem declarou fazer apostas online foi classificado como tendo risco moderado ou alto risco para o vício no jogo. A pesquisa usou a metodologia internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI) para essa medição.

E as apostas online concorrem diretamente com os investimentos tradicionais. A pesquisa indica que 17% dos brasileiros acessaram plataformas e aplicativos de bets no ano passado.

Outro levantamento, da consultoria Tendências junto com a Peers Consulting + Technology, revela que apenas as empresas autorizadas pelo governo no mercado de apostas online registraram uma receita bruta estimada em R$ 37 bilhões em 2025 – e que mais de 25 milhões de pessoas realizaram apostas.

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Sabesp faz oferta de R$ 49,46 por ação com direito a voto da Emae

2 de Fevereiro de 2026, 09:29

A Sabesp quer pagar R$ 49,46 para levar cada ação ordinária em circulação da Empresa Metropolitana ‌de Águas e Energia (Emae). A empresa de saneamento informou nesta segunda-feira (2) que protocolou na CVM o pedido de registro de uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar as ações da Emae que dão direito a voto e que ainda não estão em suas mãos.

A OPA pode alcançar até 3.695.800 ações ordinárias da Emae, que representam 10,0% do capital social total e 25,13% do capital votante da companhia, considerando as ações já detidas pela Sabesp e eventuais ações em tesouraria.

O preço ofertado é equivalente a 80% do valor pago por ação na transação de controle, que foi de R$ 61,83. O valor será corrigido pela taxa Selic desde 21 de janeiro de 2026, data de fechamento da operação, até a liquidação da OPA.

A Sabesp também detalhou que, na compra que levou ao controle, adquiriu 11.009.550 ações ordinárias e 29.950 preferenciais da Emae, totalizando R$ 682,6 milhões nessa etapa.

A empresa de saneamento paulista comprou o controle da Emae por R$ 1,1 bilhão. As ações, mais de 70% do capital social, pertenciam ao empresário Nelson Tanure e estavam dadas em garantia à XP, que executou a dívida.

A operação é vista no mercado como uma peça estratégica para a Sabesp avançar na integração dos sistemas Guarapiranga e Billings, iniciativa que pode reforçar a segurança hídrica da Grande São Paulo.

‘Regime Fácil’: B3 abre caminho para pequenas empresas acessarem mercado de capitais

16 de Outubro de 2025, 00:01

A B3 deu um novo passo no trabalho de estimular que as companhias de menor porte acessem o mercado de capitais: a implementação do Regime Fácil (Facilitação do Acesso a Capital e de Incentivos a Listagens), iniciativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em parceria com a bolsa que facilita regras para pequenas e médias companhias abrirem capital.

O regime admite a listagem de ações e títulos de dívida – como debêntures e notas comerciais – e é voltado a empresas com faturamento bruto anual de até R$ 500 milhões. Para participar, a companhia deve ser uma sociedade anônima, ter conselho de administração e cumprir um arcabouço mínimo, como ter um formulário de referência mais simples, chamado de “formulário Fácil”.

As demonstrações financeiras devem ser auditadas, mas a empresa pode optar por uma divulgação somente anual e semestral, sem revisão trimestral, o que reduz custos.

A CVM lançou a consulta pública para instituir o Regime Fácil em 2024 e publicou as resoluções sobre o tema em julho deste ano. A iniciativa começa a vigorar a partir de 2 de janeiro de 2026, quando as companhias já poderão chegar ao mercado. O registro de companhia aberta também pode ser automático: em vez de dois pedidos, para a CVM e B3, a empresa ingressa pela bolsa e é automaticamente reconhecida pela autarquia.

A iniciativa acontece em um momento de seca prolongada de IPOs, as ofertas iniciais de ações. Para facilitar a chegada das empresas de menor porte, as ofertas serão flexíveis. É possível seguir um modelo semelhante ao IPO, com coordenador e colocação para investidores institucionais e pessoas físicas, ou com dispensas e alocação para um único investidor profissional ou grupo pequeno, com oferta direta, procedimento especial criado para o regime. No rito simplificado, há limite de captação de R$ 300 milhões por ano.

Os títulos serão negociados no mesmo ambiente da B3, com visibilidade e acesso para todo o público, incluindo investidores de varejo. Para identificação, o nome de pregão das companhias terá um sufixo que sinaliza adesão ao Regime Fácil.

A B3, no passado, já havia realizado uma iniciativa com o mesmo modelo, o Bovespa Mais. Segundo Flavia Mouta, diretora de Emissores e Relacionamento da B3, o que muda agora é que o mercado está mais maduro para receber uma iniciativa desse modelo. “É uma tentativa que parece mais adequada ao cenário atual”, diz.

Diversas empresas na bolsa já podem, pelo seu porte, participar do novo programa. A migração para o Regime Fácil pode ser proposta pela companhia, mas deve ser aprovada em assembleia de acionistas. A migração traz dispensas regulatórias, mas sujeita a empresa ao limite de oferta.

Até aqui, segundo Mouta, a procura por migração foi reduzida, mas diversas conversas com empresas estão em curso para “destravar” operações no ano que vem. Ela afirma que, pelas conversas, a procura no segmento de renda fixa está mais aquecida do que para ações, mas não citou nomes e nem números de companhias interessadas.

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