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O executivo que pode abrir caminho para os irmãos Batista no petróleo da Venezuela

6 de Janeiro de 2026, 17:55

O geólogo Ricardo Savini, CEO da Fluxus, empresa que pertence ao grupo J&F, é visto por seus pares no mercado de óleo e gás como uma figura-chave para destravar os investimentos dos irmãos Batista na “nova Venezuela” que deve emergir após a retirada de Nicolás Maduro do poder.

Figura respeitada no setor, Savini viveu no país entre meados dos anos 1990 e 2000, período em que atuou nas operações da Petrobras e da argentina Pérez Companc, chegando a comandar a unidade de negócios da empresa na Venezuela. O histórico lhe deu um conhecimento profundo — e raro — do mapa de ativos de petróleo no território venezuelano.

Após as passagens por Petrobras e Pérez Companc, Savini foi um dos fundadores da 3R Petroleum, hoje Brava Energia, antes de criar a Fluxus em 2023. “O Savini conhece bem a Venezuela. Imagino que esse seja um dos motivos para a J&F tê-lo mantido à frente da operação após a compra [da Fluxus]”, diz uma fonte do setor ouvida pelo InvestNews.

Ricardo Savini, CEO da Fluxus (Foto: Divulgação)

Em declarações públicas recentes, o CEO da Fluxus já deixou escapar que a empresa firmou contrato com um escritório de advocacia no país e que estava prospectando possíveis negócios na Venezuela. As oportunidades seriam, sobretudo, em campos de petróleo onshore (em terra).

Mas os movimentos por lá são calculados, bem ao estilo dos Batista de fazer negócio. “Com a Fluxus, o Savini pode fazer basicamente o que fazia quando foi sócio da 3R Petroleum: comprar campos de petróleo defasados para recuperá-los”, prossegue uma das fontes.

Em 2024, Savini já traçava os planos do grupo da família Batista para a Venezuela. “Nós já estamos lá. A gente já tem escritório, está prospectando, mas nada que possamos divulgar. Temos gente trabalhando. As oportunidades existem, mas somente no médio prazo. As reservas são gigantescas, tem muito óleo. Eles precisam do apoio da iniciativa privada”, disse o executivo, no Fórum de Energia Rio, evento promovido pela S&P Global, em agosto daquele ano.

Oportunidade

Com a ofensiva liderada pelo presidente Donald Trump que resultou na remoção de Nicolás Maduro do poder, agentes econômicos passaram a trabalhar com o cenário de uma reabertura gradual da economia venezuelana ao capital internacional.

No centro dessa leitura está o setor de óleo e gás, diante das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo — e da sinalização explícita de Trump de que empresas americanas devem ter protagonismo na retomada da produção local.

Ainda assim, o tamanho das reservas sugere espaço para outros operadores. Entre eles está a Fluxus, cujos controladores mantêm boa interlocução com o entorno do governo Trump. 

Além de terem doado US$ 5 milhões para a cerimônia de posse do presidente americano, os irmãos Batista tiveram papel ativo no ano passado ao facilitar a abertura de um canal direto de diálogo com Donald Trump, que posteriormente se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva, nas negociações que resultaram na retirada de tarifas sobre produtos brasileiros.

O potencial, porém, vem acompanhado de obstáculos relevantes. Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que a retomada da produção venezuelana exigirá volumes elevados de capital, além de tempo e estabilidade regulatória, para que os campos voltem a operar de forma eficiente e rentável.

“O óleo venezuelano é muito pesado e exige uma série de processos adicionais para se tornar comercializável”, afirma um especialista do setor. “O petróleo da Petrobras do pré-sal, por exemplo, costuma ser negociado a preço de Brent e, em alguns momentos, até com prêmio, por ser mais leve e ter baixo teor de enxofre. Já o petróleo venezuelano é vendido com desconto significativo, que pode chegar a até US$ 20 por barril em relação ao Brent.”

Família Batista na Venezuela

Há tempos circulam no mercado rumores de que a Fluxus já mantém ativos na Venezuela — algo que é oficialmente negado pela J&F.

A desconfiança ganhou força após o jornal O Globo revelar que o Ministério das Relações Exteriores impôs sigilo de cinco anos sobre telegramas diplomáticos trocados entre o Itamaraty e a embaixada do Brasil na Venezuela, que tratariam de interesses e movimentações empresariais dos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista no país.

Entre os temas cobertos pelo sigilo está o registro de uma visita da dupla ao então ministro do Petróleo e presidente da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela), Pedro Tellechea, em 27 de fevereiro de 2024.

Mas, seja sob Donald Trump ou Nicolás Maduro, os Batista se mantêm em posição estratégica.

Além de ser um empresário com portas abertas na Casa Branca, Joesley Batista construiu uma relação direta com Nicolás Maduro, o que lhe garantiu acesso ao núcleo do poder em Caracas. Segundo apuração da Bloomberg, essa interlocução chegou ao ponto de viabilizar uma conversa sobre uma eventual renúncia do ditador, em meio à crise política e econômica do país.

Aposta no óleo e gás

A Fluxus é, junto com a geradora Âmbar, uma das apostas recentes da J&F no setor de energia. A companhia nasceu após Ricardo Savini deixar o cargo de CEO da 3R Petroleum no início de 2023, quando decidiu montar um novo negócio ao lado de outros dois ex-diretores da 3R: Jorge Lorenzón e Vitor Abreu. Em novembro daquele ano, o trio negociou 100% das ações da empresa recém-criada com o grupo dos irmãos Batista.

Alguns meses se passaram e os empresários Joesley e Wesley Batista lançaram a primeira investida no comando da Fluxus: a aquisição da Pluspetrol Bolívia, que detém três campos de gás. Para ampliar a produção no país, a companhia anunciou um investimento de US$ 100 milhões até 2028. Com a operação, a Fluxus passou a ser uma fornecedora de gás natural para as termelétricas da Âmbar.

A Fluxus já mantém operações de exploração e produção na Argentina, com ativos localizados principalmente na província de Neuquén, no entorno da formação de Vaca Muerta, uma das maiores fronteiras de petróleo e gás não convencional do mundo. Além dos países já citados, o Peru é um potencial mercado para a empresa. A empresa não possui ativos no Brasil.

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Após fusão com Vital, Orizon avalia a construção de até 28 plantas de biometano

19 de Dezembro de 2025, 17:30

A operação da Orizon deve se modificar radicalmente após a aquisição da Vital, anunciada na última quarta-feira (17), num negócio de R$ 3 bilhões que movimentou o setor de aterros sanitários. É que a empresa combinada estuda ter até 28 plantas de biometano para explorar o potencial efervescente desse mercado. Isso se dará em até sete anos e a primeira inauguração pós fusão deve acontecer nos próximos dias.

A Orizon captou cerca de R$ 450 milhões por meio do Fundo Clima e da linha Finem, do BNDES, para colocar em pé sua segunda planta de purificação de biogás (resultante da decomposição de materiais orgânicos, como alimentos e resíduos industriais) em biometano (a versão renovável do gás natural).

Localizada em Paulínia, interior de São Paulo, a operação é fruto de uma joint venture com a Edge, do grupo Cosan, de Rubens Ometto. A unidade terá capacidade de produzir até 225 mil metros cúbicos (m³) por dia de gás de origem renovável e deve ser inaugurada em até duas semanas.

Milton Pilão, CEO da Orizon, avalia a inauguração de diversas plantas do tipo no Brasil nos próximos anos, já calculando a estrutura adquirida da junção dos negócios com a Vital. O potencial de biometano combinado após a fusão é estimado em 2 milhões de metros cúbicos por dia. Hoje, a produção brasileira é de 840 mil metros cúbicos por dia, segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás).

“Hoje, o que eu tenho de produção, contando com Paulínia, equivale a quase 300 mil metros cúbicos por dia, mas o nosso potencial é de 1,3 milhão. E a Vital tem operado 30 mil metros cúbicos, com potencial para 700 mil”, diz Pilão ao InvestNews. “Devemos ter a construção da ordem de 18 plantas na Orizon durante os próximos cinco anos. E aproximadamente mais 10 plantas da Vital nos próximos seis ou sete anos. Ou seja, são praticamente 28 plantas de biometano.”

Na mágica de transformar lixo em energia, a empresa pretende se colocar em uma posição estratégica na comercialização de gás natural renovável no país.

“Com 2 milhões de metros cúbicos por dia, que representa mais do que o dobro da produção atual no Brasil, a gente se torna um player extremamente relevante no mercado de gás natural renovável e isso certamente será uma das grandes vertentes de potencial de crescimento da companhia”, reitera Pilão.

Para concretizar todo esse potencial, no entanto, a Orizon ainda terá que desembolsar “alguns bilhões em investimentos” nos próximos anos, segundo o CEO.

Hoje, o gás natural gerado pela empresa atende a comercializadoras e distribuidoras como Compass, Copergás e Ultragaz. A partir delas, o combustível é distribuído para termelétricas, indústria (como a de alimentos e bebidas, que faz pasteurização em escala abismal) e residências com gás encanado.

Fusão com a Vital

A combinação de negócios com uma das principais concorrentes era algo mapeado há um tempo. Pilão conta que a empresa negociou por mais de um ano a aquisição da Vital. Agora, a companhia resultante da fusão passa a deter 30 aterros sanitários e a tratar resíduos gerados por cerca de 40 milhões de brasileiros – antes da junção dos negócios, a Orizon tratava um pouco mais da metade disso. Isso significa uma fatia de quase 20% no fragmentado mercado de resíduos no país.

“A Vital é uma companhia que tem um histórico de geração de caixa, de performance, e que não estava à venda. Mas conseguimos chegar a conclusão de que nesse caso a construção de 2+2 é igual a 5, não a 4”, diz ele.

Além da capacidade de explorar o negócio de gás natural renovável no país, a Orizon agora ganha representatividade e adiciona capilaridade com a operação em estados importantes, como Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. Estrategicamente, isso abre portas para vislumbrar um crescimento para o interior dessas regiões.

“O lixo gerado não viaja muito. Há uma barreira logística. Eu não posso transportar o lixo por mais de 50, 70 quilômetros, porque o custo logístico fica muito alto. Com essa incorporação, a gente trouxe complementariedade locacional. Isso traz mais avenidas de crescimento para esses estados onde a gente não estava presente”, comenta o CEO.

Petrobras eleva produção de petróleo no Brasil em 18,4% no 3º trimestre

24 de Outubro de 2025, 19:54

A produção de petróleo da Petrobras no Brasil cresceu 18,4% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, permitindo um recorde de exportações da commodity pela estatal, com o avanço operacional de novas plataformas e menor volume de paradas programadas, apesar de declínio em campos maduros.

A Petrobras produziu uma média de 2,52 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no país entre julho e setembro, versus 2,13 milhões de bpd nos mesmos três meses de 2024, mostrou a empresa em seu relatório de produção e vendas, nesta sexta-feira (24).

Na comparação com o segundo trimestre, houve uma alta de 8% na produção de petróleo da Petrobras no Brasil.

O avanço, segundo a Petrobras, ocorreu principalmente com o atingimento do topo de produção do FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e aumento da capacidade de produção do FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero.

Além disso, houve avanço na produção dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte, Anita Garibaldi e Anna Nery, nos campos de Marlim e Voador, e Alexandre de Gusmão, no campo de Mero.

Durante o terceiro trimestre, entraram em operação 11 novos poços produtores, sendo 7 na Bacia de Campos e 4 na Bacia de Santos, informou o relatório.

Somente no pré-sal, a Petrobras produziu 2,12 milhões de bpd nos meses de julho e setembro, alta de 16,2% na comparação com o mesmo período do ano passado e avanço de 6,6% em relação ao segundo trimestre.

As exportações de petróleo da estatal somaram recorde 814 mil bpd no terceiro trimestre, alta de 36,1% ante o mesmo período do ano passado e avanço de 18% na comparação com o segundo trimestre.

A China, principal destino das exportações de petróleo da Petrobras, representou 53% das vendas externas da empresa, contra 39% no mesmo período de 2024 e 51% no segundo trimestre.

Os países da Ásia (fora a China) somaram 19%, enquanto a Europa representou 15% e os Estados Unidos, 3%.

Produção e vendas totais

Considerando a produção total de óleo e gás natural no Brasil e no exterior, a Petrobras bombeou uma média diária de 3,14 milhões de barris de óleo equivalente (boed) entre julho e setembro, alta de 16,9% ante o mesmo período de 2024 e avanço de 7,6% versus o segundo trimestre deste ano.

Como operadora, a companhia produziu 4,54 milhões de boed no terceiro trimestre, alta de 17,3% ante igual período do ano passado e avanço de 8% na comparação com o trimestre anterior, considerando o volume total produzido pelos campos operados pela empresa, incluindo parcelas que pertencem a eventuais parceiros nos ativos.

A Petrobras também informou que suas vendas totais de petróleo, gás e derivados cresceram 9,8% no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para 3,26 milhões de bpd, com vendas domésticas respondendo por 2,18 milhões de bpd.

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