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Dinheiro esquecido será usado no Desenrola 2.0. Veja novas regras para resgate

12 de Maio de 2026, 14:31

Os bancos e instituições financeiras têm até esta terça-feira (12) para transferir ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) o dinheiro esquecido em contas bancárias. A medida está prevista nas regras do Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0.

A transferência dos valores foi regulamentada pela portaria normativa MF nº 1.243/2026, publicada pelo Ministério da Fazenda que criou a nova fase do programa de renegociação de dívidas.

Dados mais recentes do Banco Central mostram que ainda existem R$ 10,57 bilhões em valores a receber esquecidos em instituições financeiras. Desse total, R$ 8,13 bilhões pertencem a pessoas físicas e R$ 2,43 bilhões a pessoas jurídicas.

Segundo o governo federal, entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em dinheiro esquecido podem ser direcionados ao programa de renegociação de dívidas.

O que muda com a transferência do dinheiro esquecido?

As instituições financeiras devem realizar a transferência dos valores ao FGO em até cinco dias úteis após a publicação da regulamentação. Como a norma foi publicada em 5 de maio, o prazo termina nesta terça-feira (12).

Após a transferência, o Ministério da Fazenda deverá publicar um edital com informações sobre os valores enviados por cada instituição financeira.

O sistema permitirá que titulares consultem:

  • Instituição responsável;
  • Agência;
  • Número da conta;
  • Montante transferido ao FGO.

Quem ainda tem dinheiro esquecido perde o direito ao valor?

A regulamentação prevê um prazo de 30 dias corridos para que titulares contestem a transferência dos recursos ao fundo garantidor e solicitem a devolução do dinheiro esquecido.

  • Atenção: o prazo só começará a contar apenas após a publicação do edital do Ministério da Fazenda com as informações das transferências realizadas pelas instituições financeiras.

Nesse período, o dono da conta com valores a receber poderá apresentar documentação para reivindicar os valores transferidos.

Caso haja solicitação dentro do prazo, o FGO deverá devolver os recursos às instituições financeiras em até 15 dias úteis para realização do ressarcimento ao cliente.

  • Os valores devolvidos ainda terão correção pelo IPCA-15 desde a data da transferência até o mês anterior ao pagamento.

Após o encerramento do prazo de contestação, os recursos não reclamados passam a integrar de forma definitiva o patrimônio do FGO.

Como consultar dinheiro esquecido em bancos?

A consulta do dinheiro esquecido pode ser feita pelo Sistema Valores a Receber (SVR), do Banco Central. Basta:

  • Acessar o site oficial do Valores a Receber;
  • Informar CPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura da empresa;
  • Verificar se existem valores disponíveis para resgate;
  • Fazer login com conta Gov.br nível prata ou ouro;
  • Consultar a instituição financeira responsável pelo valor;
  • Informar uma chave Pix para recebimento, quando disponível;
  • Acompanhar a solicitação diretamente pelo sistema.

O Banco Central também orienta que o contribuinte confira se há valores vinculados a contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, consórcios, cooperativas e outras instituições financeiras.

Como o dinheiro esquecido será usado no Desenrola 2.0?

Os recursos vão compor o Fundo Garantidor de Operações (FGO), estrutura usada para dar garantia às renegociações do Desenrola 2.0. A portaria estabelece que:

  • 10% do valor transferido ficará reservado para possíveis devoluções aos titulares;
  • Pelo menos R$ 5 bilhões serão destinados à cobertura de risco das operações renegociadas;
  • O fundo poderá ser usado para reduzir inadimplência e ampliar a oferta de crédito renegociado.

Quais dívidas poderão entrar no Desenrola 2.0? 

O Desenrola 2.0 contempla principalmente:

  • Cartão de crédito;
  • Cheque especial;
  • Crédito pessoal;
  • Crédito rotativo;
  • Dívidas do Fies.

A regulamentação também definiu descontos mínimos obrigatórios para os bancos, dependendo do tipo da dívida e do tempo de atraso.

No caso de cartão de crédito rotativo e cheque especial, os descontos podem chegar a 90% para débitos com atraso entre 361 e 720 dias.

Já em crédito pessoal e cartão parcelado, os abatimentos podem atingir 80% nas faixas mais longas de inadimplência.

O Desenrola 2.0 também permitirá o uso do FGTS para quitar dívidas pessoais. Pelas regras divulgadas pelo governo:

  • Trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil, o que for maior;
  • As dívidas precisam ter atraso entre 90 dias e dois anos;
  • O programa vale para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos;
  • Os juros das renegociações terão teto de 1,99% ao mês;
  • O prazo máximo de pagamento será de até 48 meses.

Como os ultrarricos gastam fortunas para viver com privacidade extrema

22 de Novembro de 2025, 06:00

Em Miami e em outros lugares, os muito ricos estão se movendo por esferas cada vez mais privadas, desembolsando grandes somas para evitar as indignidades da vida pública.

Quando os desenvolvedores Masoud e Stephanie Shojaee saíram para jantar recentemente, foram direto para a área exclusiva para membros do restaurante MILA, em Miami Beach, onde foram conduzidos a uma mesa que já os aguardava com seus coquetéis favoritos e hashis gravados com seus nomes.

Em uma viagem de negócios a Dubai no mês passado, os Shojaee desembarcaram de seu jato Bombardier Global e, na sequência, entraram em um Maybach à espera, que os levou rapidamente a um hotel luxuoso. Eles passaram por uma entrada privada que contorna o saguão e tomaram um elevador direto para a Royal Suite, onde um funcionário fez o check-in e apresentou o mordomo da suíte.

“Para mim, luxo hoje é definido por economia de tempo, eficiência e serviço”, disse Masoud Shojaee, CEO de 65 anos do Shoma Group, um incorporador residencial e comercial.

Os ultrarricos estão usando suas fortunas crescentes para deslizar por um universo rarefeito, livre dos inconvenientes da vida comum. Eles não enfrentam filas. Não precisam disputar espaço com multidões em aeroportos nem perder tempo no trânsito.

Em vez disso, um ecossistema de restaurantes, clubes, resorts e prestadores de serviços exclusivos oferece experiências personalizadas e impecáveis, sempre com rapidez máxima. Os espaços que frequentam são privados, cuidadosamente selecionados e povoados por pessoas semelhantes — e igualmente abastadas.

O poder aquisitivo dos muito ricos está disparando. O patrimônio líquido do 0,1% mais rico dos lares dos EUA chegou a US$ 23,3 trilhões no segundo trimestre deste ano, ante US$ 10,7 trilhões uma década antes, segundo o Federal Reserve Bank de St. Louis. O valor detido pelos 50% mais pobres subiu para US$ 4,2 trilhões, de US$ 900 bilhões no mesmo período.

A região de Miami oferece um vislumbre desse mundo. Há muito um destino para elites abastadas do Nordeste americano, da Europa e da América Latina, a cidade se tornou um imã ainda mais forte nos últimos anos, impulsionada pela migração da pandemia e pela ascensão da região como polo de tecnologia e finanças.

“Houve uma explosão de criadores de riqueza”, disse Patrick Dwyer, diretor-gerente da NewEdge Wealth, em Miami. “Agora eles têm dinheiro suficiente para viver exatamente como querem.”

Uma nova economia de serviços permite que evitem o contato com todo o resto, se assim desejarem. Na Bentley Residences — torre em construção em Sunny Isles Beach, ao norte de Miami — elevadores de carros levarão os residentes diretamente às suas casas, depositando os veículos em “garagens suspensas”. Assim, eles não precisam lidar com manobristas nem áreas de recepção.

As unidades, com preços a partir de US$ 6 milhões, contarão com piscina privativa na varanda. O restaurante do prédio, exclusivo para moradores, terá cabines em formato de “C”, arranjadas para evitar que os convidados se vejam.

“O luxo máximo é a privacidade”, disse Gil Dezer, presidente de 50 anos da Dezer Development, que patenteou o elevador de carros e o apelidou de “Dezervator”.

Ele fala com conhecimento de causa. Há alguns anos, viajou para Belize em seu jato Gulfstream e, depois, seguiu de helicóptero para um resort em uma ilha privativa com apenas sete vilas, cada uma separada das outras e equipada com piscina e píer próprios. Passou os dias relaxando e nadando, pedindo uísque ao mordomo quando desejava.

“É como se você tivesse o lugar só para você”, disse Dezer.

Em sua festa de 50 anos, no início deste ano, ele contratou artistas como Fat Joe e El Alfa para se apresentarem na praia em frente à sua casa — transformando um show normalmente público em um evento totalmente privado.

Quem pode paga até para reservar instalações inteiras para uso exclusivo. No Centner Wellness, centro holístico de alto padrão em Miami, clientes ricos às vezes alugam o espaço todo por vários dias, disse a fundadora Leila Centner.

Uma família de cerca de 10 pessoas fez isso há alguns meses, ao custo de US$ 150 mil. Cada integrante teve uma experiência personalizada, incluindo limpeza de sangue, rejuvenescimento celular e estimulação magnética transcraniana, com muita atenção e mimos ao longo da estadia.

Quando os ultrarricos decidem socializar, preferem círculos cuidadosamente selecionados, disse Gregory Pool, diretor da NewEdge Wealth.

O Faena Rose, clube social privado em Miami Beach focado em arte e cultura, seleciona seus membros por comitê e cobra US$ 15 mil de entrada e outros US$ 15 mil por ano. Eles têm acesso VIP ao beach club, ao spa e a outros serviços do hotel Faena Miami Beach, além da participação em cerca de 80 eventos culturais anuais exclusivos.

Há apresentações de dança da companhia Alvin Ailey e recitais da Metropolitan Opera.

“Esse nível de acesso é extremamente atraente”, disse Pablo De Ritis, presidente do Faena Rose.

Outra tendência são os clubes de jantar privados, que oferecem alta gastronomia, serviço personalizado e garantia de mesa a qualquer momento. O ZZ’s Club, em Miami — do qual Dezer é membro — tem restaurante japonês, sports bar e terraço de charutos. Um “concierge culinário” pode, com 48 horas de aviso, organizar qualquer tipo de refeição que o membro desejar, de um banquete de 12 pratos com caviar a uma recriação do jantar de lua de mel.

“Quanto mais personalizado, mais fluido e com menos pedidos você precisa fazer… é isso que define um grande serviço”, disse Jeff Zalaznick, cofundador do Major Food Group, dono do ZZ’s.

Masoud e Stephanie Shojaee frequentam o MILA MM, exclusivo para membros — onde podem aproveitar a companhia um do outro ou de amigos sem a distração de multidões — e outros espaços sociais selecionados. No mês passado, ela assistiu à primeira fila do desfile da Schiaparelli na Paris Fashion Week e conversou com a mulher ao lado, de uma das famílias mais ricas de Mônaco. Elas se deram bem e, uma semana depois, jantaram juntas com seus maridos em um restaurante de sushi em Paris.

“Nesses ambientes, as conversas, por algum motivo, parecem mais seguras e mais profundas”, disse Stephanie, 41 anos, presidente do Shoma Group e integrante do elenco do reality “The Real Housewives of Miami”. “Você convive com pessoas parecidas com você.”

A curadoria também se estende às compras do casal. Eles já não vão mais a shoppings sofisticados. Masoud recebe trimestralmente uma mala cheia de itens da NB44, marca de roupas exclusiva para membros, enquanto Stephanie regularmente recebe araras com novas coleções de Valentino e Dior, acompanhadas de uma costureira para ajustes.

Viagens sempre foram parte importante da vida dos ricos — e agora eles priorizam privacidade, eficiência e personalização mais do que nunca, segundo especialistas do setor.

Lauren Beall, proprietária da Travel Couture, em Miami Beach, organiza viagens sob medida para ultrarricos. Ela já reservou ilhas privativas, levou chefs estrelados, instrutores de ioga e performers para atender clientes.

Uma das experiências mais cobiçadas é uma suíte acima da loja Christian Dior, em Paris, que pode ser alugada e inclui compras após o expediente e jantar privativo no restaurante Monsieur Dior. Um imóvel na Escócia reservado por Beall oferece chefs privados, cavalos para explorar a região e um helicóptero para visitar cidades próximas.

“Estamos vivendo uma era de acesso exclusivo — coisas às quais outras pessoas não têm acesso”, disse Beall. “E isso vem com um preço altíssimo.”

Inspirado no Brasil, Pix colombiano já nasce com 32 milhões de usuários: como funciona o Bre-B

8 de Outubro de 2025, 11:08

A Colômbia lançou oficialmente na segunda-feira (7) o Bre-B, seu sistema de pagamentos instantâneos inspirado no Pix do Brasil. Mais de 32 milhões de pessoas já se registraram para usar a novidade, o que representa 76% da população adulta do país.

O sistema foi desenvolvido pelo Banco de la República (equivalente ao Banco Central do Brasil) em parceria com o setor privado. Há até participação brasileira no projeto: a fintech Ebanx, com sede em Curitiba (PR), foi convidada a integrar o Comitê Interdisciplinar de Pagamentos Interoperáveis, que assessorou as autoridades colombianas na construção do Bre-B.

“O maior desafio do banco central era garantir uma operação padronizada e universal em diferentes sistemas”, disse Eduardo de Abreu, VP de Produto da Ebanx, em comunicado à imprensa.

Como funciona o Pix colombiano?

O Bre-B segue o mesmo modelo do “irmão brasileiro” no quesito transação. A pessoa usa chaves – chamadas de “llaves” em espanhol – para enviar dinheiro de uma conta para outra. Essas chaves podem ser número de celular, e-mail, documento ou um código alfanumérico. Uma mesma conta pode ter várias chaves diferentes. Até agora, já foram emitidas mais de 80 milhões de llaves no sistema colombiano, segundo o Ebanx.

Como fazer uma transferência?

O processo é muito parecido com o Pix brasileiro. Dentro do aplicativo do banco, fintech ou carteira digital, basta digitar a chave Bre-B da pessoa ou comércio que vai receber o valor. O recebedor precisa ter uma chave cadastrada. Também é possível fazer pagamentos usando QR codes.

Quais são os limites de valor?

Aqui há uma diferença em relação ao Brasil. Enquanto no Pix o limite depende da instituição financeira, na Colômbia o Banco de la República definiu um teto máximo de 1.000 UVB (Unidades de Valor Básico) por transação, o equivalente a cerca de R$ 15 mil (cotação de setembro de 2025). Cada banco ou fintech poderá, no entanto, estabelecer valores menores ou adotar medidas extras de segurança.

Funciona 24 horas por dia?

Sim. Assim como no Brasil e também no mercado de criptomoedas, o Bre-B permite realizar transferências e pagamentos 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

O Bre-B é gratuito?

Por enquanto, sim. As transferências são gratuitas para pessoas físicas, mas apenas nos três primeiros anos de funcionamento. A partir do quarto ano, haverá uma tarifa simbólica: 3,23 pesos por parte da transação, totalizando 6,46 pesos (menos de um centavo). A comparação é favorável: alguns dos maiores bancos da Colômbia chegam a cobrar 7.980 pesos (cerca de R$ 11) por transferências entre instituições diferentes.

O dinheiro cai na hora?

Sim. Além de transferências entre pessoas, o Bre-B também pode ser usado em pagamentos no varejo. Assim como no Pix, o valor cai em tempo real, no momento da confirmação do pagamento.

O dinheiro em espécie ainda é o principal método de pagamento na América Latina e na Colômbia. No país vizinho do Brasil, entre 8 e 10 transações são feitas em dinheiro, disse Ana María Prieto, que supervisionou a criação do Bre-B. 

O lançamento da nova plataforma no país, no entanto, quer mudar o cenário, assim como ocorreu no Brasil. Pesquisa divulgada ano passado pelo Banco Central mostrou que o Pix é usado por 76,4% dos brasileiros. O dinheiro em espécie aparece em terceiro lugar, utilizado por 69,1% da população. 

A economia digital da Colômbia cresce a uma taxa média de dois dígitos nos últimos seis anos e a expectativa é que ultrapasse US$ 52 bilhões em 2025, ocupando o terceiro lugar na América Latina, atrás apenas Brasil e do México, segundo dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI) obtidos pela fintech Ebanx. 

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