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Mineradora canadense anuncia parceria com Japão para explorar terras raras no Brasil

8 de Setembro de 2026, 11:59

A Aclara Resources, mineradora canadense, anunciou nesta terça-feira (8) um acordo para formar uma joint venture com a JOGMEC (Japan Organization for Metals and Energy Security) para explorar e desenvolver depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil. O Projeto Carina, em Goiás, ficará fora da parceria e continuará 100% controlado pela Aclara, segundo a companhia.

A JOGMEC é uma organização do governo japonês criada para reforçar a segurança do país no fornecimento de recursos minerais e energia considerados estratégicos. A entidade apoia projetos de exploração e desenvolvimento mineral por meio de financiamento, conhecimento técnico e compartilhamento de riscos, inclusive em parceria com empresas de mineração.

Pelos termos do acordo, a JOGMEC financiará integralmente até US$ 3 milhões (R$ 15,35 milhões) em gastos de exploração durante três anos. Sob determinadas condições, poderá aportar mais US$ 1,5 milhão (R$ 7,6 milhões), estendendo o período por mais um ano.

Após cumprir seus compromissos de financiamento, a JOGMEC terá a opção de adquirir uma participação de 30% em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

A entidade japonesa também terá o direito de comprar uma quantidade da produção equivalente à sua participação, acrescida de mais 10% da produção futura do empreendimento. A compra será realizada em condições comerciais de mercado.

Quem é a Aclara

A Aclara Resources é uma companhia listada na bolsa de Toronto que desenvolve projetos para extrair e processar terras raras, com foco nas chamadas terras raras pesadas. Esses minerais são utilizados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes empregados em motores elétricos, veículos elétricos e equipamentos tecnológicos.

A empresa trabalha com depósitos de argila iônica, um tipo de ocorrência mineral em que as terras raras ficam concentradas nas camadas de argila e podem ser extraídas por meio de processos químicos. O principal projeto da Aclara no Brasil é o Carina, localizado em Goiás. A companhia também desenvolve o Penco Module, na região de Biobío, no Chile.

Os dois projetos utilizam uma tecnologia própria da companhia, chamada Circular Mineral Harvesting, desenvolvida para a extração de terras raras de depósitos de argila iônica. Segundo a Aclara, o processo busca reduzir o consumo de água e o impacto ambiental por meio de reciclagem e princípios de economia circular.

A estratégia da Aclara vai além da extração do minério. A companhia busca controlar diferentes etapas da produção de terras raras e, por meio de uma subsidiária, desenvolve uma planta de separação nos Estados Unidos. A unidade deverá processar os carbonatos mistos produzidos a partir de seus projetos e separá-los em óxidos individuais de terras raras, uma etapa necessária para obter materiais mais refinados.

A companhia também mantém uma joint venture com a chilena CAP para desenvolver a produção de ligas de terras raras, que são utilizadas na fabricação de ímãs permanentes.Como funcionará a parceria

Durante o período inicial do acordo, a Aclara será responsável pela operação dos trabalhos de exploração. A JOGMEC poderá antecipar os aportes previstos no acordo, caso decida fazê-lo. Caso cumpra as condições estabelecidas, a entidade japonesa poderá exercer a opção de adquirir 30% de participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

Depois dessa etapa, os investimentos adicionais no projeto serão divididos entre os parceiros de acordo com suas respectivas participações.

A JOGMEC também poderá transferir sua participação e os direitos relacionados ao acordo para uma ou mais empresas japonesas ou para um consórcio do país, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas na joint venture.

Por que o Japão está interessado

A parceria faz parte de uma estratégia mais ampla do Japão para diversificar o fornecimento de minerais considerados estratégicos. A JOGMEC trabalha há décadas com empresas de exploração e mineração em diferentes países para identificar e desenvolver projetos de recursos minerais.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos como equipamentos eletrônicos, motores elétricos, sistemas de defesa e tecnologias ligadas à transição energética.

Dentro desse grupo, as terras raras pesadas têm importância estratégica por sua oferta mais restrita e por aplicações em ímãs permanentes de alto desempenho.

O acordo com a Aclara também cria uma possível rota de fornecimento para o Japão. Caso a exploração avance e o projeto entre em produção, a JOGMEC terá direito de comprar uma parcela da produção correspondente à sua participação, além de 10% adicionais, conforme as condições previstas no contrato.

Para a Aclara, a parceria permite financiar a exploração de novos projetos no Brasil e ampliar seu portfólio de terras raras pesadas. A companhia afirmou que a entrada da JOGMEC ocorreu após uma análise técnica de seu portfólio de exploração.

A empresa pretende ainda ampliar a exploração de novas áreas e desenvolver projetos existentes em suas concessões no Brasil, Chile e Peru, com o objetivo de aumentar a produção futura de terras raras pesadas.

Próximos passos

A participação de 30% da JOGMEC não é automática. A entidade japonesa terá primeiro de cumprir os compromissos de financiamento previstos no acordo para então exercer a opção de adquirir a participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

O projeto que será escolhido para a eventual participação da JOGMEC também não foi especificado no anúncio.

O acordo, portanto, prevê uma primeira fase de exploração financiada pela organização japonesa antes de uma eventual entrada como sócia do empreendimento.

As informações sobre investimentos futuros, aquisição de participação, exploração, produção e desenvolvimento dos projetos são consideradas prospectivas pela Aclara e estão sujeitas a riscos, incluindo mudanças na legislação de mineração, obtenção de licenças, custos de desenvolvimento e operação e os próprios riscos das atividades de mineração.

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BYD avalia fábrica no Canadá para replicar ‘modelo Brasil’ de expansão

13 de Março de 2026, 10:28

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está considerando seriamente a construção de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo que mantém em aberto a opção de comprar uma montadora global mais consolidada.

A montadora sediada em Shenzhen está estudando o mercado canadense para uma possível instalação de produção, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista, acrescentando que a BYD gostaria de possuir e operar uma fábrica desse tipo.

“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse ela, durante uma visita a São Paulo.

Embora o Canadá esteja cortejando investimentos de montadoras chinesas, o governo canadense está incentivando parcerias com uma ou mais empresas do Canadá. Em janeiro, o Canadá decidiu isentar até 49.000 veículos elétricos fabricados na China anualmente de uma tarifa de 100% imposta em 2024, parte de uma mudança em relação à política anterior de manter distantes os carros chineses fora do país.

Stella Li também sinalizou que a BYD pode estar interessada em assumir o controle de uma montadora tradicional em um momento em que algumas concorrentes americanas, europeias e japonesas estão lutando para se manter competitivas nos mercados globais — pressionadas pelos investimentos em suas operações com veículos a combustão e elétricos. A BYD ganhou destaque produzindo veículos totalmente elétricos e híbridos.

“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse ela, observando que, embora nenhum acordo esteja próximo de ser fechado, sua empresa está avaliando potenciais ativos. “Veremos o que nos beneficia.”Play Video

Stella Li não mencionou nenhum alvo potencial de aquisição, mas tal movimento não seria inédito — o grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group comprou a Volvo Cars há mais de uma década. Mais recentemente, algumas montadoras ocidentais intensificaram os esforços para obter assistência tecnológica e capacidade de produção das montadoras chinesas.

A Stellantis está considerando aproveitando a tecnologia de veículos elétricos de sua parceira chinesa Leapmotor e está explorando acordos com montadoras chinesas para investimentos na Europa. A Ford Motor manteve discussões com a Geely sobre capacidade compartilhada na Europa.

A BYD já teve joint ventures, mas sua atual filosofia de “seguir sozinha” reflete um compromisso com suas próprias medidas de eficiência, como um estratégia de integração vertical para manter grande parte de sua cadeia de suprimentos internamente.

Modelo Brasil

Por enquanto, a maior fabricante mundial de veículos elétricos está evitando quaisquer ambições de entrar nos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. As montadoras chinesas enfrentam tarifas elevadas e a proibição da tecnologia de carros conectados nos EUA, o que efetivamente impediu a entrada da maioria dos modelos de mercado de massa fabricados na China.

Em vez disso, a BYD está focada em mercados onde pode aplicar seu “modelo Brasil”, utilizando o sucesso de marketing e vendas obtido na América do Sul em outras regiões, como a Europa.

Ela afirmou que a empresa está em meio ao processo de aumento de produção, do inglês ramp-up, em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria, e avaliando um segundo projeto na Turquia. Isso faz parte de uma expansão mais ampla no exterior.

As vendas totais da BYD nos dois primeiros meses do ano caíram 36%, para 400.241 unidades., embora as exportações tenham ganhado impulso e a empresa agora pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Stella Li disse que os dois lançamentos recentes da BYD no início deste mês — a nova geração de sua bateria blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido — ajudarão a reverter essa queda nas vendas.

Em “menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse ela.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores a tecnologia Flash até o final de 2027, a um custo superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, à Bloomberg.

Stella Li confirmou uma reportagem da Bloomberg News no início desta semana, segundo a qual a BYD está analisando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. Embora tenha ressaltado que nenhuma decisão final foi tomada, ela sugeriu que uma incursão nas categorias de corrida mais prestigiadas do mundo estaria alinhada com a identidade da BYD, que prioriza a tecnologia.

“Não se surpreendam”, insinuou ela. “Ainda estamos trabalhando nisso.”

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