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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

24 de Março de 2026, 06:00

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

4 de Março de 2026, 12:48

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

Fundador da Inpasa pede ao Cade autorização para seguir investindo na Vibra

19 de Novembro de 2025, 12:01

A produtora de etanol Inpasa está se aproximando, ainda que de forma indireta, da Vibra Energia, a maior distribuidora de combustíveis do Brasil. É que o fundador da companhia com sede em Mato Grosso, José Odvar Lopes, pediu autorização ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para manter o investimento feito por meio de seu veículo pessoal, o Fundo Infiniti JL, na Vibra.

A operação precisa ser notificada porque envolve empresas do mesmo setor econômico. O Seu Zé, como Lopes é conhecido, inclusive, mantém uma pequena rede de postos, a Rodobrás, com presença limitada no Centro-Oeste. De toda forma, o investidor só poderá exercer direitos políticos na Vibra somente após o aval do órgão.

Embora apresentado como um investimento financeiro, o Infiniti JL é também o veículo controlador da Inpasa, maior produtora de etanol de milho do país e integrante do mesmo grupo econômico sob o comando de Seu Zé.

A presença simultânea na produção (Inpasa) com participação relevante na distribuição (Vibra) colocou o caso sob atenção do Cade. A Vibra tem a rede de postos de combustíveis com a bandeira Petrobras, a maior do Brasil.

Avanço na Vibra

Pessoas próximas ao negócio relataram ao InvestNews que Seu Zé estaria aguardando o aval do Cade para formalizar a indicação de seu nome ao conselho de administração da Vibra. Atualmente, o Infiniti JL detém 10,14% da distribuidora, percentual que lhe daria condições de obter um assento.

O estatuto social da Vibra não impõe vedações específicas para a eleição de conselheiros por investidores que atuem no setor de combustíveis e prevê apenas que o candidato não pode incorrer em “conflito de interesses”, sem especificar o que caracterizaria isso.

A autorização do órgão também poderia abrir espaço para que o empresário compre mais ações da companhia. Por outro lado, uma negativa do Cade poderia obrigar Lopes a reduzir sua participação na Vibra para menos de 5%, deixando assim a condição de acionista relevante.

O principal limitador acionário é a poison pill. Qualquer acionista que atingir 25% do capital é obrigado a lançar uma oferta pública para adquirir 100% das ações da companhia, por um preço no mínimo igual à maior cotação dos últimos 18 meses, atualizada pela taxa DI e acrescida de um prêmio de 15%, além dos ajustes por proventos e eventos societários. É um mecanismo desenhado para tornar economicamente proibitiva qualquer tomada de controle não negociada.

Hoje, a Vibra é uma corporação, ou seja, sem um acionista controlador. Seu Zé tem hoje a maior posição da empresa, seguido pela gestora Dynamo (9,99%) e pelo investidor Ronaldo Cezar Coelho, por meio do fundo Samambaia, com 8,3%. BlackRock e Lazard completam o cap table, com cerca de 5% dos papéis cada.

Olho do Cade

Nos últimos dias, o Cade decidiu aprofundar a instrução e enviou dois ofícios ao investidor. O órgão antitruste quer saber quais mecanismos serão adotados para evitar o compartilhamento de informações concorrencialmente sensíveis entre o grupo de Lopes e a Vibra, em especial dados de preços, volumes, planejamento comercial e negociações com distribuidoras e varejistas.

O regulador também pediu documentos adicionais sobre governança e eventuais barreiras informacionais. Nos documentos enviados ao Cade, o Fundo Infiniti JL sustenta que sua entrada na Vibra tem caráter “puramente financeiro” e que a participação não confere qualquer influência na gestão da companhia.

José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa
José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa (Assembleia Legislativa de MT)

O veículo afirma que a Vibra é uma empresa de “capital pulverizado, sem acordo de acionistas ou bloco de controle” e que o fundo não dispõe de “direito de veto, quórum qualificado ou qualquer prerrogativa que gere presunção de controle”.

Em resposta aos questionamentos do órgão, o Infiniti JL também frisou que não terá acesso a informações estratégicas da distribuidora e que sua posição representa “apenas uma participação minoritária, sem qualquer aquisição de controle, seja unitário ou compartilhado”.

Em ascensão

A Inpasa é hoje a maior produtora de etanol de milho do Brasil, mas sua história começa fora do país. Criada em 2007 no Paraguai – o nome é acrônimo de Industria Paraguaya de Alcoholes S.A. –, a companhia inaugurou só em 2019 sua primeira usina no Brasil, em Sinop (MT). Em 2024, registrou R$ 13,6 bilhões de receita, um avanço de 23% sobre o ano anterior; a Moody’s estima margem líquida de 18%, o que aponta para um lucro superior a R$ 2 bilhões.

O tamanho e a rentabilidade colocaram a empresa no centro das movimentações da indústria, inclusive das tratativas da Petrobras, que decidiu voltar ao mercado de etanol após mais de uma década fora. A estatal já afirmou que pretende retomar o modelo de joint ventures, com participações minoritárias, e, segundo a Bloomberg, existem negociações avançadas justamente com Inpasa e FS, as duas gigantes do etanol de milho.

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Vibra lucra R$ 407 milhões no 3º trimestre, queda de 90% em um ano

5 de Novembro de 2025, 20:51

A Vibra Energia registrou um lucro líquido de R$ 407 milhões no terceiro trimestre, contra R$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2024 – uma queda de 90%, informou a companhia dona da rede de postos de combustíveis BR nesta quarta-feira (5).

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, em inglês) ajustado somou R$ 1,8 bilhão entre julho e setembro, queda de 9,1% ante o mesmo período do ano passado. A receita líquida ajustada somou R$ 48,6 bilhões, uma alta de 4,6% frente igual intervalo em 2024.

Segundo a empresa, o desempenho do trimestre foi afetado principalmente por efeitos não recorrentes de recuperações tributárias, venda de imóveis e despesas operacionais extraordinárias.

A companhia reportou um volume de vendas de 9,3 milhões de metros cúbicos, queda de 1,4% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior, enquanto a margem bruta por metro cúbico ficou em R$ 264.

A companhia informou também que as despesas operacionais ajustadas totalizaram R$ 822 milhões no intervalo de julho a setembro, aumento de 22% em relação ao mesmo período um ano antes. O valor já exclui itens não recorrentes, como recuperações tributárias de R$ 78 milhões e venda de imóveis no montante de R$ 83 milhões.

Em comunicado que acompanha o balanço, o presidente da empresa, Ernesto Pousada, afirma que as medidas de combate ao crime organizado a partir da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal já abrangem 18 distribuidoras, ou 4% do mercado nacional.

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